Risco um traço aqui,
um outro mais adiante enlaço,
faço que apago este
refaço aquele mais distante.
Busco o desenho do nada
que quero entortar no instante.
Busco a face delineada
que quero encontrar, amante
de verbos e risadas soltas
justo nesse traço aqui
e não em outro qualquer.
A curva perfeita do rosto.
A expressão que não se sabe o que é.
É assim que eu faço
quando o espaço que tenho é pouco.
Apago, refaço, começo de novo
e vou perdendo um tanto da origem
no processo da obra feita.
Eu quero a surpresa, o suspiro, o assunto
contado de forma diversa.
Eu quero o traço que me eternize
e uma lanterna vermelha
pra iluminar o meu passo.
04.02.2008 - 19h30min
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