Sozinhos,
os pingos são homens
que passeiam
à procura de tempestades,
nas mãos das mulheres
que deixaram de amar.
Tormentas.
Sem raios,
sem ventos,
sem dós
nem piedades.
Perdões
extrapolam as letras
e sopram obscenidades
sobre as cortinas molhadas
de grossos pingos azuis;
quedas impossíveis de impedir.
Chuvas são lágrimas
pelo que não fizeram.
Chuvas são gotas
dos que gostaram,
dos que tiveram,
dos que amaram.
Os pingos deixam de cair,
quando encontram os 'is'
e sobre eles se postam.
Aposto que teu 'i'
te aguarda n'algum canto
desta noite vazia,
sem amores...
06.09.2008 - 15h
*Comentário para o poema GOTAS DE CHUVA,
do fabuloso Jorge Fernandes
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