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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Já vai tarde

Um passo em falso e já era. Foi num tempo disperso deixou de ser sem rastro nem pegada alguma que denuncie sua estada. Foi. Já era. Perdeu o bonde o trem andando o táxi na curva do caminho bem no meio da lida num dia chuvoso e escuro. Foi Já era. Perdeu a passagem o passe, o vale, o ticket. Foi. Já era. Traduziu o reduto do meio da linha no fim da linha o fundo. Foi. Já era. Nem um assovio nem um aceno nem um deslize. Nada que indique presença presente ou passada distante ou futura nem um vestígio. Foi. Já era. Os escombros os aquedutos os restos mortais os entulhos. Nada. Foi. Já era. Um fio de cabelo o fio da navalha o fel na lábia. Foi. Já era. É tarde. 04.08.2009 - 14h10min

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