Eu sou o que de mim invento
o que crio aos poucos, sem compromisso
feito qualquer outro entretenimento.
Eu sou O Vôo de Menotti Del Picchia
e as cinzas da fênix
depois do inverno findo.
Eu sou o epílogo e o recomeço
o reconhecimento à distância
a cura do tropeço. Eu sou a dor que não mata
nem castiga, deveras.
Sou a pedra, a lua e a estrada
ladeada de girassóis azuis
virados pra esses teus olhos castanhos
que não vão mais chorar.
Eu sou o equilíbrio e o descompasso
e a entrega completa ao teu abraço.
Sou a surpresa e a contradição
num só corpo
numa só alma
num único verso
na ponta da lança
da tua solidão.
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