quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Horizonte

Tu estás na linha do horizonte. No horizonte de dentro de mim. Onde o ontem e o hoje são um só. Onde o amanhã e o hoje estão sós. Onde calco o pé e digo SIM. Tu estás na linha de dentro de mim. E aqui permanecerás, luz e sombra. Descanso e sucesso das letras: de todas as letras que criamos pra nós, de todos os caminhos e redes que traçamos e trançamos juntos, trabalho de mãos unidas, vestidas de luvas ou não, no frio daí, no meu verão. Tu és a linha do nosso horizonte... Do horizonte de dentro de nós... Três sóis somados na luz... SOMOS... 13.02.2008 - 02h03min

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Graças

Sufoco meu medo na curva que se apresenta debaixo dos meus pés. Estendo as mãos e encontro as tuas, fortes e firmes, a guiar meus trôpegos passos, em direção ao que sempre desejei. Sufoca-me o medo do desconhecido, que me aguarda logo ali, entre as palavras amarelas e brancas, plantadas ao longo do caminho que trilhei até hoje, sem perceber -ou justamente percebendo que- eu chegaria no exato ponto onde eu quis estar. Agora estou aqui. E tu estás comigo. Em meio ao desconforto da falta de ar, que sucede o instante esperado, tua companhia me conforta, me anima e aquece. Obrigada pelo braço dado. 12.02.2008 - 02h

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ritmo

Inspira a vida inspira a letra da canção por cantar. Suspira a vida suspira a letra da canção a inventar. Conspira a vida conspira a letra da canção a enfeitiçar. Inspira suspira conspira a vida a letra... Amar. 11.02.2008 - 03h22min

Mais

Imagem, música ou letra. Poema, canção, silêncio. Conto, surpresa, palavra. Partes perdidas de um todo maior guardado dentro do teu olhar... 11.02.2008 - 03h19min

200

Publiquei 200 contos. Cantei 200 árias. Ariei 200 panelas. Abri 200 janelas. E sofri 200 vezes pelas mesmas coisas. Cometi 200 erros e apaguei 200 trilhas do meu caminho torto. Conheci 200 cidades e tremi 200 vezes antes de te encontrar. Depois, 200 beijos num só dia, até esgotar... Vivi 200 anos pra te contar que os 200 planos feitos juntos separados ou presos nos bicos dos pelicanos, inda ardem inda queimam inda incendeiam os 200 nervos que sobreviveram a rezar... 11.02.2008 - 03h16min

Movimento

Uma janela aberta. Um vento forte. Pronto, foi-se a cortina presa num raio de sol. Uma porta aberta. Um vento norte. Pronto, foi-se a menina solta num raio de sol. Um sonho aberto. Uma brisa leve. Pronto, veio a saudade na carona de um suave raio de sol.... 11.02.2008 - 03h11min

Orfandade

De vez em quando a gente fica assim meio órfã de norte. De vez em quando parece que o mundo gira para trás e nos deixa tontos, meio órfãos da sorte. De vez em quando o riso cala e cola na cara de outro cara. Na tua, fica a morte, meio órfã de aviso. De vez em quando a tarde se faz pranto e a gente fica assim meio órfã de encanto. De vez em quando passa um pássaro cantando e a gente fica assim meio órfã de quebranto..... 11.02.2008 - 02h32min

In-certeza

Ainda que não queiramos, ainda que esperneemos, gritemos, nos atiremos ao chão, aos leões, aos porcos, aos bandidos, ainda que rasguemos as roupas todas e façamos greve de tudo, sempre haverá uma (ao menos uma) certeza: a de que tudo é incerto e não-sabido. Inclusive esse dito... 11.02.2008 - 02h27min

Angústia temporã

Depois da última hora da noite, o dia dobra a esquina. E a gente continua a medir o tempo e a guiar a vida, pelos ponteiros que rodam, que rodam, que rodam. Passam sempre pelo mesmo lugar. As horas são sempre as mesmas. Por isso não são. Marcamos o tempo pra não perdermos a cabeça. Contamos do tempo que passamos pra não perdermos a história. Nossas referências, baseadas nas horas tidas. Tempo é hora. Lembrança é hora presa no tempo passado. Ou será tempo preso na hora passada? Talvez lembrança não seja nada, além de um registro qualquer, cuja única finalidade seja impedir que façamos a mesma besteira mais de duas vezes... Tenho cá pra mim uma teoria muito particular: o tempo, sua passagem ou sua lembrança, não passa de um poema escrito com o cuidado de um artista. Um poema engraçado, que ri da falta de tato da gente, ao tratar com ele, presente, futuro ou passado. Um poema com lacunas enormes, que a gente vai preenchendo mesmo sem saber, mesmo sem nunca perceber, mesmo sem sequer entender. Um poema perfeitamente compreensível caso o soubéssemos ler... 11.02.2008 - 02h18min

Possibilidades

O que significa plantar um sonho? Regar um desejo é mantê-lo vivo? Calcular o valor dos instantes preciosos Impossível? Quedo-me aqui, com meus sonhos todos, dispostos sobre a mesa branca. Quantos vingarão, não sei. De quantos abrirei mão, em favor de... (não sei em favor de quê se pode abrir mão de um sonho!). Quantos permanecerão aqui mesmo esperando ser colhidos...finalmente colhidos... não tem importância real nada disso não importa que nada aconteça que a tarde se transforme em noite que a manhã nasça avessa que os olhos não festejem o dia que o sol entristeça que a febre não encontre cura que o passo não apareça. Pouco importa que a planta floresça que penda, lentamente, minha cabeça ou que, inda hoje, o mundo enlouqueça. Mais do que já está. Mais do que já estou. Mais do que será possível suportar. Pouco importa se o escrito se apagar e se o começo for cair lá no fim se é que há começos, se é que há finais. Pouco importa que as chaves não estejam nas gavetas. Estou exausta. E posso desistir... 11.02.2008- 02h05min

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Livro

...e as palavras se perdem no espaço que separa o marco do começo e do fim que intercede por nós e por outros junto ao espelho do dia e da noite turva que aguarda os passantes, transeuntes da vida, dos sonhos e da alegria que os abraça nas esquinas do sofrimento diário de saber-se pequeno diante de tudo o que há para ser dito... ... e as palavras se perdem no espaço no grande mistério que é o desejo de dizer o que jamais foi dito... 10.02.2008 - 17h44min

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Shhhhh

Encaixo palavras, umas às outras. Nenhuma alcança o sentido. Nenhum encaixe parece perfeito. Concentro a experiência do selo na língua materna, impeço a coerência, desfaço a coesão. De que me vale o texto completo se sou confessamente paralela, avessa ao que me vem pronto, querendo construir aos poucos o que pretendo ter de base? Examino as possibilidades todas. Nada me parece difuso agora. Nada me parece impossível. Tudo difícil. O passo escolhido já dado. Tapete estendido vermelho. E o primeiro passo dado. A escolha consciente dentro da mala. A ternura quente dentro do peito. E a palavra... A palavra.... O último encaixe... Me foge... E eu não sei o que dizer... 10.02.2008 - 0h59min

Escolha

O tempo é AGORA. Perdeu-se o trem da história? Perdeu-se a linha do hoje? Perdeu-se o dia de outrora? O tempo é AGORA. A vida não espera por ti. O relógio não deixa de tique-taquear. Os instantes se sucedem e se somam e somem na longa linha do horizonte. As escolhas são múltiplas mas exigem ser feitas. Não são elas que te escolhem tu é que o fazes, queiras ou não gostem elas ou não. Teu futuro está no passo de hoje. Agora é a tua decisão de amanhã. Ontem já está. Hoje urge. Hoje é. Vive. 09.02.2008 - 20h54min

Poesia...



08.02.2008
(Alina, Simone, Roberto)

Eu sinto



Quando acordo parece que vejo uma

luz branca

Quando vejo letras ou luz bonita

sinto felicidade

Como uma vez eu estive dançando, dançando, dançando

Tipo olhando para alguem que esteja com

oculos olhando no computador

vejo luzes brancas

E sinto felicidade


Amor é muito lindo

E sinto

Felicidade






08.02.2008 - 22h39min

(Alina Aver, aos 6 anos de idade)

Debaixo Da Cama








Érase una vez...



A Chapeuzinho queria dar uma cesta com um monte de maçãs para a vovozinha. Acontece que uma das maçãs estava verde demais para dar para a vovozinha, que já não tinha dentes muito fortes. Entonces buscó la manera de que la manzana fura apropiada para a vovozinha, y se encontró con que un conejo que vivía muj lejos,
sabía de unas manzanas que podía comer ela con sus dientes brillantes y pequeños.
Pero el país del conejo no era facil de encontrar...

Ela andou muito por toda a floresta e achou uma árvore. No fim da árvore tinha uma porta que ela viu e quis entrar; lá estava a casa do coelho!
Ela bateu, bateu, bateu, mas o coelho não estava lá. Apareceu então um macaco com sininhos no pescoço, que faziam tilim tilim tilim...
O macaco avisou que o coelho havia mudado para beeeeeeeeeemmmmmmm longeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.....
E a menina chorou.


Y con las lágrimas de la menina crecieron nuevas flores en la casa del macaco y del conejo.
Entonces una de estas flores dijo que el conejo se había mudado a otro país, a un paìs muy cerca, pero muy lejos; las dos cosas al mismo tiempo. Pero las manzanas en ese país eran transparentes, igual que los conejos, así es que sería dificl mirarles y comerles tambièn...
Pero no importando esto decidió viajar al país que las flores llamaron 'Debaixo Da Cama'...

A Chapeuzinho Vermelho achou um túnel dentro daquela casinha do coelho (a casinha abandonada). Ela entrou no túnel, andou, andou, andou, até que viu algumas pegadas que pareciam pé de coelho. Ela seguiu, seguiu, seguiu...
Como os coelhos eram transparentes, ela não conseguiu achar. Mas ouviu barulhos! E

quando ela colocou a mão, pareceu sentir uns pêlos; pensou que fosse o coelho. Ela disse:
-Como eu posso arranjar essas maçãs? Por favor, responda.
Ele respondeu:
-Vá numa árvore, pegue uma delas e faça o que você precisa.

Acontece que o coelho era transparente e via as maçãs, que também eram transparentes. Logo, era muito fácil pra ele dizer que ela fosse até a árvore e apanhasse, simplesmente, as maçãs. MAS ELA NÃO VIA AS MAÇÃS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nem sequer a tal da árvore; afinal, no país 'Debaixo Da Cama', tudo era transparente!
El conejo le dijo que solo una vez le iba a contar la historia del país de 'Debajo De La Cama'.
Que pusiera mucha atención en este paìs maravilloso: la realidad es un parecida a la de fuera
pero con algunas diferencias pequeñitas.
'Debajo De La Cama' todo lo que hay, conejos como yo, manzanas, palabras, árboles o túneles, todo es parte del reino de la imaginación; así es que precisas poner cada día nuevas cosas, cuando te encuentres debajo de la cama. 'Debaixo Da Cama' es lo que tu quieras, lo que puedas imaginar mientras cierras los ojos, o cuando los tienes abiertos.
Entonces el conejo deapareció, y ella empezo a crear debaixo da cama...



















08.02.2008 - 22h31min

(Uma história, três mãos... SOMOS... Alina, Simone e Roberto)


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Torre

Montei uma torre de palavras

todas elas insuficientes,

daí a necessidade de várias.

As cartas todas no armário

guardadas pra enfeite da casa.

O toque tântrico por aprender

e as pontas picotadas das páginas

do livro que estou por escrever.

A torre só sobe

em busca do céu, que é anil.
08.02.2008 - 16h18min

Escritos

Gosto da letra que escrevo e fico de olho se ela não dança na linha curva do medo que anda à minha espreita às vésperas do sonho. Gosto do cheiro daquilo que escrevo; parece canela, incenso suave, perfume de infância, de breve avenida florida. Gosto da cor do que escrevo a cor do soluço que tive, de rir contigo e sozinha, dos absurdos que a vida apronta pra gente. Gosto, principalmente, dos motivos pelos quais escrevo. Esses, guardados pra mim. São meus, não conto. Só teus olhos é que divisam, mesmo assim, de longe, os porquês desse meu dizer... 07.02.2008 - 23h15min

Paz?

Não quero paz. Eu quero o que existe. O desassossego, a procura, o instante que se perde num piscar de olhos. Eu quero a pressa, a incerteza, a incompletude. O que não vi, o que não sei, o que jamais serei. Eu quero o fundo do poço e da alma. Eu quero o risco, o rabisco, a salsa, a rumba, o merengue, de preferência cor de rosa. Eu quero algodão doce derretendo na mão. Calor de 40 graus, neve em pleno verão. Eu quero sede de beijo, abraço que não termina, risada tão alta, tão longa, tão nossa, que seja quase um desatino. Eu quero a manhã ensolarada depois da noite, em Porto Alegre. Eu quero o nervoso na tua chegada, quero o amor que se bebe. E quero antes e principalmente essa mania de querer tudo o que tenho direito e mais um pouco. Além do que alcanço, além do que mereço. Eu não quero a paz. Eu quero o estorvo, o torto, o turvo, o maldito. Quero a tua insanidade as vozes que ouvimos as mentes brilhantes que cercam o infinito. Eu quero o vôo da águia sobre a rica planície. Eu quero a língua da serpente a peçonha da aranha o veneno da vida na minha garganta no meio da minha lida. Eu quero te ver chegando de braços abertos pra mim. Eu não quero a paz. Eu quero tudo menos paz.... 07.02.2008 - 23h05min (Alina e Simone Aver)

Orações


Desde que vieste,

tudo o que construo

tem a tua assinatura.

Desde que surgiste,

tudo o que crio

tem o teu suspiro.

A tua vida invade a minha

porque se sabe bem-vinda.

A tua vida canta na minha

e enche de melodia a tarde

que vive na gente.

Somos três, com a quase

exata diferença que nos marca.

Somos três, elos

compostos de estrelas,

luzes e bilhetes de amor.






Desde que surgiste,

não somos mais duas...






Somos três...






Orações...








07.02.2008 - 02h12min

Escritura

Se estava escrito? Claro que estava! Minha vida está toda no papel cada suspiro, cada sorriso. Minha vida não poderia não estar descrita em palavras. A palavra sou eu. Sou letra ambulante esperando ser lida. Não sei se sou verso conto ou despedida. Não sei se sou letra sozinha ou história completa, na folha da vida. Mas estou escrita. Espera... Eis outra escritura na primeira metade desse meu caminho. Tu, sonho bendito. A frase que faltava. A crônica, que esperava ser escrita. Tu, sonho bem-vindo. Sopa de letrinhas pra alimentar o meu peito. Tu, alento, sossego na construção dessa que pretende ser a minha história. Não mais só minha. Agora, nossa história. Essas páginas são nossas... 07.02.2008 - 02h

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Trabalho de parto

No ventre da vida, o verso. Ando parindo versos dos quais estava grávida há meses... Ando parindo palavras, sinais gráficos de sentires, sentimentos gráficos de sinais, sortilégios, sinalizando sentires. Ando em trabalho de parto dos prazeres que me tomam quando no verbo me liberto. Não sei ficar quieta num canto sem dizer palavras sortidas como num pacote de biscoitos comprados no boteco da esquina. Não sei não dizer minhas ânsias meu desejo de estar entre teus braços minha saudade, meu desabafo, meus sonhos todos contidos. Ando em trabalho de parto do poema que costurei no teu sorriso da bendita parceria contigo da expectativa do abril-ensolarado. Ando descalça pelas ruas da vida pra sentir a pedra fria pra saber que estou viva esperando o filho teu grávida do poema escrito contigo. No ventre da vida, o verso. O nosso verso... Escrito. 06.02.2008 - 23h58min

Alina, o verso perfeito



DES-Equilíbrio

As palavras precisam de equilíbrio?
Alcança-se o equilíbrio em pleno estado de paixão? Un hermoso des-equilibrio.
A loucura equilibra-se num pé só ou numa só palavra? E que palavra seria essa?
Perigo?
Descubrir a tal grado la interioridad de otro
y amar tan profundamente y tan lejos...
Me encanta el peligro de tus manos.
Tu eres yo.
Mas que dulce.
Luz.
05.02.2008 - 23h56min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)

Imagem

Eu? alinhavo de vida.
Suspiro d'algum deus-poeta
que resolveu escrever versos
em dia de copiosa chuva.
Deu no que deu: uma louca,
apaixonada pela lua...
06.02.2008 - 01h19min

Entrega

Eu, totalmente nas tuas mãos, segura. Yo en tus alas entregado.
Yo Eu te amo infinitamente...
Aos 18 minutos do dia 06 de fevereiro de 2008.
(Simone Aver e Roberto Amezquita)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Fronteira

"Deixo o cavalo livre correr fogoso.
Eu, que troto nervosa e só a realidade me delimita."
(Clarice Lispector)
Não há cercas que prendam o amor
nem distâncias impossíveis de serem vencidas.
Não há nada inalcançável
quando se deseja ardentemente...
As fronteiras estão, todas, abertas.
No passaporte, o carimbo inusitado:
A L E G R I A!
05.02.2008 - 17h13min

Para ler e pensar:

"Quando vieres a me ler perguntarás por que não me restrinjo à pintura e às minhas exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão."
(Água Viva, de Clarice Lispector) 05.02.2008 - 17h

Distância relativa?




Enquanto o dia nasce aqui

a madrugada inda embala teu sono.

Enquanto a vida vai pela metade

nessa minha parte do mundo,

a tua se espreguiça e reclama

a partida do descanso breve.

Enquanto a tarde morre no horizonte

e eu giro, vendo o sol, aos poucos,

adormecer; esse mesmo sol te banha,

início de tarde, hora de ter o que fazer.

Minha noite é teu fim de tarde.

Hora de janta e algazarra pra ti.

Hora de silêncio e descanso pra mim.




Um mundo pequeno que permite que te alcance

embora impeça nossos abraços.

Um mundo pequeno: madrecita, padre, hermanos

os meus, os teus, as nossas famílias juntas

embora impedidas do brinde...



Ainda assim, é teu nome que preenche meus espaços.





05.02.2008 - 16h28min

Yo también espero...

Acá desde la ínfima muestra de mis vertebras desde el resquicio verde de mis ansias en cuanto toco la faz de tu cara con la mano izquierda u abro un camino entre tus labios acá te espero dentro tuyo y tú sin saberlo sin sospecharme siquiera y yo asomado en tus entrañas y yo pescando en tu sangre desde este rincón nuestro de infinito yo también te espero como nunca como a nadie debajo de la innombrable distancia mientras tanto te amo... 02.02.2008 - 03h14min (Roberto Amezquita)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Svãrmood*

*Palavra para definir 'saudade', na Suécia
Umedece a língua da palavra no solo fértil do verbo desejado amorosa mente vagarosa mente nova mente tua palavra dentro de mim.
En la savia que derrama una de las raices de la lejanía alguno de los espasmos de la ausencia no deberián los vientos de otros cruzarse en este andar eu te amo.
Em ondas curtas ou longas, mas ondas de presença e ondas de saudade, enlaçadas nas ondas da ternura eu te amo.
A través de las micro y también de las nano
van las ondas con que te amo.
Eu te sei aqui por onde canta minha voz.
Por donde deciende mi luz te sé y te sé aquí donde cabalga tu ritmo donde anda el paso frenético del aliento donde se fuga mi sangre.
04.02.2008 - 03h28min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)

Fala

...son tus ojos el asomo tuyo de infinita luz lo que no marca el retorno ni el principio ni nada solo un nítido camino de amarte... 04.02.2008 - 01h25min (Roberto Amezquita)

Processo

Risco um traço aqui, um outro mais adiante enlaço, faço que apago este refaço aquele mais distante. Busco o desenho do nada que quero entortar no instante. Busco a face delineada que quero encontrar, amante de verbos e risadas soltas justo nesse traço aqui e não em outro qualquer. A curva perfeita do rosto. A expressão que não se sabe o que é. É assim que eu faço quando o espaço que tenho é pouco. Apago, refaço, começo de novo e vou perdendo um tanto da origem no processo da obra feita. Eu quero a surpresa, o suspiro, o assunto contado de forma diversa. Eu quero o traço que me eternize e uma lanterna vermelha pra iluminar o meu passo. 04.02.2008 - 19h30min

Espaço vazio?

Todos os pássaros revoam agora. Todas as línguas se entendem e todos os pecados são perdoados. É dia. Fez-se luz, e o sol é uma realidade aqui. Quebrados os espelhos, as imagens passeiam soltas, livres da prisão da moldura, da tortura de saber-se plágio. O céu foi pintado de um azul intenso sem nuvens ou máculas. Firma mente. Firme convicção de que somos mais que isso que pensamos ser e nos propomos a construir, em nossa pequenez de propósitos. Minha escrivaninha está vazia. Nua de livros, canetas, cadernos, papéis, agendas. Nada dança em minhas mãos. A palavra, paralisada, vai se extinguindo aos poucos té que, em toda a minha vida, espaço destinado especialmente ao verso, nada mais reste, a não ser
SILÊNCIO...
04.02.2008 - 19h16min

Criação

Cachoeira de sentenças, não seguro muito tempo as frases que brotam voluntariamente de mim. Elas me vêm aos borbotões, e não posso contê-las.
Não suporto tamanho volume. Explodo.
Elas vêm, sem nenhuma ordem ou forma estabelecida previamente. Enchem a folha branca. Rasgam a limpa claridade da folha da agenda vazia. Elas vêm.
Têm vida própria, e nenhuma educação. Não pedem licença. Não se despedem. Não têm obrigação.
Selvagens, tomam meu tempo e usufruem das minhas canetas. Nervosamente saltam aos bandos e se agrupam. Mero instrumento d'algum deus maluco, observo. Não sou nada além dessas páginas rabiscadas,
que eu nem sei se são minhas, posto terem sido escritas
tão compulsivamente que sequer permitiram pensar.
Ei-las.
Sacia a fome de desordem da tua vida correta. Eu ainda estarei aqui, canal de letras tresloucadas
que bordam e pintam e desgovernam o que penso ser eu...
04.02.2008 - 14h14min

Nota de falecimento

A tese defendida. Morta. 04.02.2008 - 14h06min

Somatório

Carrego no peito todos os versos do mundo os que já foram escritos,os que estão por vir. Carrego nos ombros o peso do espaço vazio e na bolsa um sem-número de coisas inúteis. As agendas vivem repletas de palavras soltas que vou juntando pelo caminho que traço passo a passo, insistentemente, na conta dos dias que se somam à arte independente da escrita. Os sustos, coleciono dentro de armários, entulhados de papéis usados e antigos, amarelados pelo tempo, pela falta de manuseio, pelo esquecimento, pela lembrança distante das anotações diversas. Os que vieram, os que passaram, os que ficaram, os sonhos que voaram, reclamando liberdade. As liberdades que voaram, reclamando sonhos. As asas que voaram, reclamando o horizonte. Os cuidados que não me levaram a parte alguma. Os desmoronamentos que não me enterraram. Os abraços que não me prenderam. E as verdades que me pintaram de rosa, cinza ou vermelho. E as verdades, que esfumaçaram meus olhos. E as verdades, que copiaram as lágrimas que derramei. E as verdades que escolho, inda que doloridas, inda que solitárias, inda que duras, inda que irritantemente reais. As verdades que escolho. As falhas, os vínculos, as doçuras, as impropriedades, as aberturas, as farturas, as falsidades, máscaras, relógios, estorvos, salários, solstícios, mãos abertas, mãos espalmadas, mãos machucadas na lida do dia claro. Soma de suspiros... E tu estás aqui.... 04.02.2008 - 14h01min

Depende...

Toda leitura é poesia? Toda imagem é poética? Toda forma é verso? Toda cor é verbo? Todo sentimento é palavra? Toda luz é linha? Depende... Dos olhos.... De quem vê.... 04.02.2008- 13h45min

Cachos

O cacho de uvas no prato. Os cachos dos meus cabelos entre os teus dedos. A vida é simples assim. 04.02.2008 - 04h24min

Nada é In Certo...

Nada é certo? Damos passos incertos por uma estrada de densa neblina. Somos hoje o que não poderemos ser amanhã. Fomos ontem o que jamais nos pensávamos capazes hoje. Trazemos raízes de um medo ancestral, que nos prende ao chão. Não somos covardes. Mas também não somos heróis. Nada é in certo. O in completo ronda a porta da manhã. Traz tempestade vazia. Esvaziam-se as conclusões e a biografia está sempre por ser escrita. Somam-se perguntas sem respostas e respostas que não foram pedidas. Subtraem-se as horas com vertiginosa rapidez no país de Alice. No reino de Abrantes nada de modifica, ainda que nada seja igual aos Dantes. Nada mais certo que a incerteza. E me perguntam se amanhã vai chover, se eu vou sofrer, se a pele vai arder. Eu não sei, respondo. Cada dia com a sua agonia, um passo depois do outro, e todos juntos na mesma estrada escolhida antes de nascermos, tu e eu. Nada mais incerto que a certeza vadia. Na leviandade fria, dizer-se oprimido pelo sim. O fino fio da espada que corta o silêncio e confirma o sim que confina a vida em si. Orgulho sitiado. Situação enfática da louca aventura de querer. Nada mais certo que a loucura. A costura da muralha da China que nos separa da lua. Um satélite no espaço e as curtas ondas de ternura. Os tentáculos da vida e o alcance jamais sonhado por nenhuma criatura. O meu peito pulsando no teu. O teu pulso batendo no meu. Vida e arte confundem a cabeça de qualquer um. Eu recorto tua boca e colo na minha pra sempre. Tuas palavras brotando dos meus ouvidos. Arrepiando a espinha. Cacho de uvas maduras da única safra do ano. Perdeu-se a guia. Não sei o caminho. Nada mais louco que a certeza. O desejo de ser tua. De louvar a calçada da rua por onde passaram teus pés. Avião, foguete ou pensamento, tanto faz. Tudo leva à demência. Insanidade provocada pela insônia de um outro que habita em mim, e cochicha ao meu ouvido coisas que só posso contar em versos, versos que só posso cantar pra ti, no acesso de riso de uma Monalisa misteriosa e vã, plagiada por algum artista anônimo que cruzou teu caminho. Nada mais forte que o amor. O que o amor tem a ver com isso? TUDO! 04.02.2008 - 04h09min

domingo, 3 de fevereiro de 2008

LER

Estou lendo alguns livros muito interessantes e gostaria de compartilhar contigo esses títulos. Todos que me conhecem,ainda que superficialmente, sabem da minha paixão pela leitura. Sabem o que um livro faz comigo. Sabem que ele nem precisa ser bom, mas, se for, então eu serei a pessoa mais feliz do mundo. Um livro me tira de qualquer deprê, ao menos enquanto estou mergulhada em suas páginas, viajando entre suas letras. Um livro, pra mim, é um tesouro mais precioso que ouro em pó.
Então preciso dividir com meus amigos e com as pessoas que amo, aquilo que estou lendo. O que vem preenchendo meu tempo, o que tem dado alegria ao meu coração, o que tem me emocionado às lágrimas, o que tem me feito viajar. Sair de mim. Conhecer outros lugares, outras coisas, outras gentes, outras culturas, outras fantasias, outros saberes, outras visões de mundo... outros milhares de "outros".
Pois bem, essa é a lista:
*HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005
"Pode ser injusto, mas o que acontece em poucos dias,
às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da
vida inteira" (p.89)
Desde 2005 pego esse livro pra ler. Desde 2005, sempre que saio pra comprar um livro, esse me chama. Não o trouxe pra casa. Não me perguntem a razão. Eu não saberia responder. Ao mesmo tempo em que sempre ouvi seu chamado, também sempre me recusei a atendê-lo. Pois bem, agora, finalmente, estou lendo. E decidi: de 2008 em diante, sempre que um livro me chamar, não apenas ouvirei, como atenderei imediatamente. Estou emocionada desde a primeira página. Ele é de uma beleza e de uma humanidade quase palpável. Uma história triste, com certeza, cruamente real, mas de uma profunda reverência à vida, com seus erros e acertos, suas alegrias e seus dissabores.
Acredito que seja esse o momento de ler tais páginas, pra mim. Estou aprendendo muito. Chorando aos cântaros. Sorrindo da leveza de algumas cenas.
*LÉVI-STRAUSS, Claude. Mito e significado.Lisboa: Edições 70,1978.
"... não consigo entender como é que a
Humanidade poderá viver sem algum tipo
de diversidade interna" (p.32)
Sempre me interessei por antropologia. Não, não sou uma profunda conhecedora. Sequer uma conhecedora superficial. Mas gosto de ler a respeito. Gosto de saber alguma coisa sobre o assunto. E tenho especial preferência por Lévi-Strauss. Não sei exatamente as razões. Mas gosto desse cara...rs... Talvez seja a forma da escrita dele. É tão fácil entender o que ele põe no papel... Eu, completamente leiga no assunto, sinto-me em casa. Parece que posso perguntar qualquer coisa para o autor, que não serei ridicularizada...rs... Bobagem? Bem, não estou isenta...rs...
De qualquer forma, o livro é muito interessante, e me prende muito. Aliás, é uma dificuldade parar de ler esse livro. Estou quase terminando, por isso resolvi "economizar" um pouco, voltar atrás, dar uma relida em algumas páginas...rs... Sabe quando a gente não quer que o doce acabe, e fica comendo devagar, pelas beiradas? Pois é, estou mais ou menos assim. Sim, eu sei que posso voltar a ele quantas outras vezes quiser, mas quero ter o prazer de prolongar o prazer dessa primeira leitura. Deliciosa. Como a leitura de qualquer texto dele.
Leitura preciosa.
*LEROUX, Gaston. O fantasma da ópera. 3.ed. São Paulo: Ática, 2006
"Parecia a todos, de fato, que um roçar se fazia ouvir atrás da porta.
Nenhum ruído de passos. Dir-se-ia de uma seda ligeira que
escorregasse sobre um painel. Depois, mais nada" (p.16)
Esse estou lendo para Alina. É um dos poucos casos em que assisti o filme antes de ler o livro. Bem, devo dizer que o fato do livro ser melhor que o filme vale SEMPRE. E acho lindo ver como Alina tem medo do livro...rs... Sim, do filme ela não teve medo em nenhum momento. No livro, logo nas primeiras páginas, ficou com medo. Acho isso delicioso. O poder da palavra escrita te transportar para algo completamente diferente do meio em que vives. Completamente diferente da tua época. Completamente diferente das tuas crenças. Mesmo assim mexer contigo. Mesmo assim provocar sensações físicas em ti. Emocionais, sim, mas físicas também. Isso é bárbaro! Mágico...
*LUPTON, Hugh. Histórias de sabedoria e encantamento. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
"- Mmmm, desgraça é doce como açúcar! O macaco comeu, comeu, cuspindo fora os pedacinhos de pau
e casca de árvore e lambendo os cacos do pote quebrado. - Mmmm, desgraça é uma delícia!"
(p.09)
Histórias curtas, de diferentes partes do mundo, que fazem a gente pensar. E pensar é uma coisa tão boa, tão boa, que se assemelha a... bem, à melhor coisa que podes ter na tua vida. São 7 histórias, de 7 povos diferentes, mas que não se restringem a 7 lições, embora 7 seja considerado um número perfeito. Talvez perfeito por isso mesmo: por permitir a expansão. O 7 transformando-se num número impossível de ler. Então... só lendo, pra saber....
*YALOM, Irvin D. A cura de Shopenhauer.Rio de Janeiro: Ediouro, 2005
"A sólida base de nossa visão do mundo e também o grau de sua profundidade são formados na infância. Essa visão é depois elaborada e aperfeiçoada, mas, na essência, não se altera" (p.75)
Outro livro que eu andava "namorando" há séculos...rs... Bem, ei-lo em minhas mãos. Estou devorando. Já tinha lido Quando Nietzsche chorou (São Paulo:Ediouro, 1995), do mesmo autor, e amei. Primeiro porque falava de Nietzsche, meu eterno amor, segundo porque é um livro realmente sensacional, provocou em mim o desejo de pesquisar mais sobre a vida do filósofo. E o que me incita a estudar é bom... sempre bom...
Pois bem, estou amando "A cura..." também. E tenho vontade de estudar mais, de novo... Logo, o livro é muito bom...rs...
Saborear. Ler é S A B O R E A R, não apenas a palavra, mas a VIDA. É reconhecer, na folha de papel, um pedacinho da gente. Pode não ser o tempo inteiro, pode não ser em todas as leituras, mas está ali, latente, pedindo pra ser percebida, pra ser S A B O R E A D A.
Adoro ler. E tu?
04.02.2008 - 0h06min

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Objetivo?

O da minha letra? Dizer. Contar de mim para minha imagem e semelhança. Descobrir-me (seja lá o que for que isso queira dizer). Mas, afinal, quem disse que um verso tem que ter objetivo? Um verso pode ser apenas um verso solto no meio de um monte de outros versos ou entre as pernas de um bêbado qualquer que não sabe sequer quem ele próprio é, muito menos com que objetivo diz o que diz. Um poema pode ser um amontoado de pensamentos confusos que andavam perambulando descalços nos porões da mente do poeta insone que tem fome de cantatas ao ar livre de serenetas e de noites enluaradas em que o pio da coruja se ouve ao longe e nada mais se move além da caneta no papel nervosamente transbordante do eco da alma que reclama, impaciente, um ouvido paciente que a ouça. A letra nada mais é que um sinal gráfico usado pra expressar o que vai dentro da gente e que nem sempre abarca todo o significado do sentimento que está muito forte e presente. A letra é um risco que sangra a página virgem. Desfaz o estigma da imaculada folha branca. A letra é violência. É grito amargo. É solidão. Dizer machuca quem diz, maltrata quem lê. Se digo do amor que sinto, provoco inveja em quem não tem amor pra receber. Se digo da dor que me atravessa o peito provoco pena, dó, piedade, em quem não sabe a idade que tem essa minha dor. Se canto a alegria, se faço festa, se celebro a vida, provoco risos e lágrimas ao mesmo tempo e barulho e muita satisfação. Dizer é a função do poema. Nada além disso. Como a função do sexo é dar prazer. E eu já não sei mais viver sem o dito pelo dito, pelo não-dito, pelo mal-dito, pelo bem-dito, pelo jamais proferido sob pena de des-dizer... mesmo sem objetivo... Eu já não sei não dizer.... 02.02.2008 - 05h26min

Arte e Fato


Revelei por essas linhas
os traços da minha vida.
Procurei as palavras exatas
que descrevessem meus passos
que desenhassem as curvas
dos caminhos que escolhi.
Cantei minhas vitórias
chorei as partidas e as saudades.
Confessei meus amores sem culpa.
Espalhei boas novas.
Ri, com os velhos e as crianças.
Colhi os frutos plantados
com a alegria que me acompanha
diariamente
desde que nasci...

Agora, o tempo exige silêncio.
A falta de sentenças exatas
é realidade em mim.
Não há mais o que dizer.
Nenhuma expressão.


O silêncio é em mim, hoje.
Agora, ele sou eu...


Shhhhhhhhh.....



02.02.2008 - 0h34min

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Suspiro

Um suspiro. Ninguém soube. Ninguém viu. Um suspiro inigualável. Um suspiro insuperável. Um suspiro insurreto. Invejável suspiro de amor... 01.02.2008 - 22h27min

Tenho dito!


Hoje não quero dizer nada.
Ando farta das palavras.
Será que eu já disse tudo?
Será que elas já me disseram inteira?
Será esta a hora do silêncio?

Hoje não quero dizer nada.
Quero apenas sentir latente
a palavra que não será dita.
Ou o silêncio que não será gritado.
Ou o ruído que não será cobrado.

Hoje não quero dizer nada.
Não me são suficientes as palavras
nem os ouvidos, nem as metáforas
que porventura eu invente
num rompante inspirativo
que promova o trabalho de parto
do poema que me engravida
há meses...

Hoje não vou dizer nada
além do que já foi dito.
Hoje quero descansar do verso
bendito verso que me tem acompanhado
pelas estradas dessa minha vida
escolhida meticulosamente por mim.

Hoje não vou dizer nada.
Preciso de um pouco de silêncio.
Recostar a cabeça e não pensar em palavras.
E não querer a linha escrita.
E não desejar espremer o significado
na folha exausta da agenda já tão rabiscada.

Hoje não.

Tenho dito.




01.02.2008 - 21h20min

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Saudade (III)

Mãos vazias... 31.01.2008 - 01h56min

Quero ficar pra semente






"A semente mais antiga que tornou-se viável tinha 2000 anos. Foi descoberta em uma escavação no palácio de Herodes, o Grande, em Israel e veio a germinar em 2005 uma linda tamareira. Até hoje fazem doce das tâmaras". *Orlando


Poesia é semente triste, plantada na horta da gente.

É vício, ilusão, delírio, fruto não nascido ainda

do ventre sempre fértil da terra-mãe-imaginação.

Poesia é semente agri-doce, com um toque diferente,

gravado na ponta da língua, que nada mais sabe dizer

além de versos inventados na hora, cuspidos com prazer.

Poesia é semente leve, solta no vento quente de verão.

É solidão, é cansaço, insolação, permanência e saúde.

Poesia é virtude. Semente bendita cravada no peito da gente.

E brota, a danada...

Semente que brota no riso, igualmente

semente que brota na dor, igualmente

semente que brota na saudade, igualmente

semente sem idade, sem cor, sem tempo ou mudança.

Poesia é semente que dança entre os dedos

dessa poetisa que deseja, igualmente, um dia, se Deus quiser,

ficar
pra
semente...






31.01.2008 - 01h40min

Saudade (II)

A saudade era tamanha, e a unidade tanta, que ela chorou, com os olhos dele... Aos 21 minutos do dia 31.01.2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Para pensar...

Esquecera de TER. Foi honesto. Generoso. Aberto. Amigo. Acessível. Paciente.
Colecionou cicatrizes. Chorou grossas e copiosas lágrimas. Foi vampirizado.
Foi pisado. Foi maltratado. Foi enganado. Foi machucado de todas as formas.
E foi feliz.
Esquecera de TER. Foi honesto. Generoso. Aberto. Amigo. Acessível. Paciente.
Colecionou amigos fiéis. Chorou de alegria sempre que teve vontade. Foi livre.
Foi ajudado. Foi compreendido e compreendeu. Foi abraçado e abraçou com a alma.
Foi amado de todas as formas e jeitos e cores e intensidades. De verdade.
Foi curado e curou. Foi cuidado e cuidou. Esteve presente na vida de quem o quis.
Teve quem quis presente em sua vida.
E foi feliz.
Esquecera de TER. E agora não era só mais um. Era O SER. Era feliz.
30.01.2008 - 23h33min

Escrever

Poesia: pavimento. Verso: caminho. Verbo: escoadouro. Escorro por entre as palavras escolhendo uma ou outra que defina o que penso naquele exato momento. Nem sempre acerto. Nem sempre; é certo. Nem sempre... Há o acerto. Às vezes colho o que não queria . Às vezes encolho o que dizia. Às vezes recolho o que permitia. Será? Constante é a presença dela que me acena em cada esquina que encena o que eu inquiria que contracena com a poesia. E faz a sua parte. Ela. A paixão. 30.01.2008 - 23h17min

Falecimento

Esquecera de SER. O gordo testamento, testemunha da luta por TER. Morreu sozinho, com toda a assistência médica possível, e nenhuma mão realmente amiga pra segurar a sua, na hora fatídica. 30.01.2008 - 22h51min

Reflexão

A vida não atravessa máscaras.... 30.01.2008 - 16h13min

Saudade... (Um conto minimalista)

Ela não controlou a vontade incontrolável de chorar... 30.01.2008 - 14h19min

Dúvida cruel

"Certeza que nunca tenho" dúvida a me seguir se escolho esse caminho também decido não ir por ali. Tal qual Cecília,nunca descubro o que fazer se calço luva ou uso anel se fico comigo ou com você... Oh! Dúvida cruel!
30.01.2008 - 03h26min
(Um poema engraçadinho, cujo primeiro verso
foi fisgado de uma conversa com Tiago...)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Impedimento (Um conto minimalista)

Caneta em punho. Mão parada no ar. Forças ocultas impediram o vôo da letra. A folha ficou em branco. 29.01.2008 - 01h26min (Obrigada pelo mote, Orlando)

Improviso

Exercito meus bordados pelos fios entrelaçados das palavras jogadas ao vento forçado que arrancou da brisa o seu lugar... Exercito meus dedos na virgem folha desnuda de notas frias ou doloridas de frutas secas descabidas de sonhos azuis e bordéis. Exercito a escrita, improviso, meto a cara, exorcizo os fantasmas as danadas das taras que trago comigo. Exercito mente sã e corpo doente mente demente em corpo vazio de sementes que não ficarão pra amanhã. Não há amanhã sem respostas. Não há construção sem proposta. Não há improviso que mente. Mas também Não há exercício inválido nem poema esquálido ou trabalho escravo na escrita livre ou na escrita que gravo. Há, sim, o beijo do vampiro o desejo do menino a beleza do verbo o sentimento no prelo. Há, sim, vontade de dizer vontade de ser lido vontade de, enfim, E S C R E V E R... 29.01.2008 - 01h05min

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Papo de poeta amado

Se papo de poeta vira poesia, papo de poeta amado vira luz do dia, vira fantasia, vira experimento, vira verso sem nenhum lamento. Não há qualquer dia cinzento, nem algum pequeno ou grande impedimento, que não deixe o verso livre vir à tona. Não há insuficiência de assunto, ou tema que não sirva, quando o papo é de amor e de poeta junto... Se papo de poeta amado vira luz do dia, também vira alegria, irradiando calor e doçura, na branca textura da tez querida e tão macia. Papo de poeta amado não pode nem deve ser comparado com nada nesse mundo... nem no outro... 28.01.2008 - 18h28min

Cantares...

...el silencio de esas flores que por ti siento el silencio de llegar a tu vida vibrando como un lago el silencio, Simone, tu sabes bien del silencio poeta de las 400 voces mujer de las miradad insurrecta de la piel vaporosa de las manos extendidas para mi con ese silencio me extiendo yo para ti eu te recebo com pétalas de versos vermelhos poeta das mais de 400 vozes homem do olhar que me atravessa e me consome de calores me encanta estar despierto del mundo contigo ya lentamente iré volando con todo el sentido del término volando volando hasta tus ojos neles ficarás té que não haja mais sequer um pôr de sol té que a chuva não caia mais té que os homens sejam extintos da Terra tu,nos meus olhos, té que a vida se renove e tu sejas, então, nuvem e calor novamente.... em mim.... novamente Novísima mente... 28.01.2008 - 04h30min (Roberto Amezquita e Simone Aver)

Más allá?

... más allá también te amo para além do horizonte, onde os olhos já não alcançam eu te amo dónde tus ojos dices es el infinito así te amo también e andaremos por esse caminho de versos que escrevemos com o cuidado dos amantes e a paciência dos sentimentos mais ternos el cauteloso andar el explosivo ansioso apasionamiento de nuestras emociones el ser... hay algo que no sé muy bien como decir há algo que não sei muito bem como dizer... 28.01.2008 - 04h23min (Roberto Amezquita e Simone Aver)

Hay tanto que decir... (II)

Dicionário na mão, procuro A palavra. Talvez A expressão. Ou, quem sabe, A sílaba. Letra? Ou silêncio? Estará o silêncio no dicionário? Não o significado, esse não quero. Quero o sentido, a forma, o cheiro. Quero o experimento, o gosto, o suor no teu rosto. O suor que senti no teu rosto. O suor que sequei do teu rosto. O suor que lambi no teu rosto. Tanto a se dizer a respeito e nenhuma expressão suficiente. Nenhuma descrição suficiente. Nenhuma narração suficiente. Nenhuma metáfora, hipérbole, ou qualquer outra figura. Nenhuma língua, nenhum idioma, nem o espanhol, nem o português. Hay tanto que decir pero no hay palabras... E também não há o silêncio. Uma pintura, uma escultura, uma arquitetura, uma ranhura, uma certa estranheza que nada se consiga dizer... Não sei... E também não há o quadro. E não há a mão suficientemente firme nem o olho suficientemente aguçado nem o corpo suficientemente forte pra demonstrar o que existe. Hay tanto que decir... Há tanto que sentir... Ainda... E novamente... 28.01.2008 - 02h02min (Hay tanto, Roberto...)

Amar um poeta...

Amar um poeta é coisa engraçada faz-se rimas do nada faz-se versos do nada faz-se canções do nada faz-se, do nada, um tudo. Amar um poeta é viver poesia no dia-a-dia. É sentir brisa leve suave harmonia na linha que traça lá, bem no horizonte, a divisória entre o hoje e o infinito mutante. Amar um poeta é sentir-se flor, manhã, madrugada. É conhecer a palavra e sabê-la insuficiente pra descrever todo o amor que há na gente. Amar um poeta é pintar o firmamento com as cores que se quer. É amassar o papel de bala, lentamente tomar café e escrever nas paredes da sala: Eu te amo, tu sabes como é... Amar um poeta é fazer poesia o tempo todo no riso, no beijo, no sono, na fome, na mordida no queixo, no abraço, na noite insone. É ler poesia juntos e juntos versejar no papel, no computador ou na cama, tanto faz... Amar um poeta é calar... 28.01.2008 - 01h46min (Para Roberto... N O V A M E N T E ... rs)

domingo, 27 de janeiro de 2008

Gesto

Significo teu gesto a mão no peito o sorriso perfeito o olhar que penetra. Teu gesto tem luzes que apagam as sombras e estrelas cintilantes e verbos e flores. Teu gesto tem o dom de fazer tremer o meu. Tem um tamanho valor que excede a própria excelência. Um gesto que tem gosto tem sonho e suor delírios e mudanças. Teu gesto. Bordado de mudas palavras. ...el gesto interior que se expande hasta sentirse por la piel... 27.01.2008 - 15h47min (Simone Aver e Roberto Amezquita)

Unidade

Tua vida, em mim... 27.01.2008 - 14h59min (Para Roberto)

Fato

O dia deu em loucura plantou poesia na minha porta trancou a corrente das horas e trouxe no vento uma certa doçura. A rua refez o caminho revivendo o momento já ido transpôs o espaço e a notícia choveu no molhado que sofria. E eu, paralisada e nua, observo a ascensão do projeto que não vi e suporto, paciente, a distância dos sentidos e das emergências que afloram, provocados pelos suspiros dos crepúsculos que se sucedem... O dia morreu em doce loucura...
...muerto de ti tal vez contigo iluminado...
*Roberto Amezquita
27.01.2008 - 14h28min

sábado, 26 de janeiro de 2008

Lançar-se

Sem colete salva-vidas mergulho de cabeça no mar dos teus sonhos. Dos nossos sonhos. Compartilhados. Vividos. Intensamente vividos. N O V A M E N T E. 26.01.2008 -20h40min

Canção

"Bem-te-vi", canta o pássaro, à janela do nosso quarto. Bem-te-tive, canto eu, ao teu ouvido insone... 26.01.2008 - 14h05min

Meio de transporte

Avião? Mais sofisticados, usamos o coração. 26.01.2008 - 14h03min

Perfeição

Um dia branco. A cor da tua pele. 26.01.2008 - madrugada (Para Roberto)

Hay tanto que decir...

Insuficientes são as palavras; nem que todas fossem reunidas e delas garimpadas as mais raras, as mais preciosas, as mais belas, ainda assim, não descreveriam nada do que existe entre nós. Nos dois. No Um. No Um que sou em ti. No Um que és em mim. Nada. Nem o vocábulo mais rebuscado. Escritura do mais erudito dos homens. Virgílio, talvez? Júlio César? Borges? Ninguém. Nenhum poeta. Nem tu. Nem eu. Impossível... ...yo sé que no es tanto de palabras pero hay tanto que decir al respecto... 26.01.2008 - dia nascendo... (Simone Aver e Roberto Amezquita)

Cegos, nós

no vés el amor no es tanto de ver los que escribieron son ciegos...
(pero no como puedes entenderlo sino ciegos)
*Roberto Amezquita
Cegos olhos para o que está aparente cegos olhos que atravessam distâncias palpáveis e vêem além, penetram no insondável perscrutam o que sequer foi inventado. Cegos olhos que alcançam a dimensão exata do amor fechadas as pálpebras dispensáveis. A visão necessária só precisa de um certo verso de um certo poeta, de uma certa poesia. O poema perfeito escrito pelas tuas mãos na minha pele, no meu seio, no meu coração... Teu nome. 26.01.2008 - 13h34min (Impossível traduzir de outra forma, esse encontro...)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Confissão (mais uma...)

Confesso minha pequenez diante da infinitude que me cerca. Confesso minha mesquinhez diante da riqueza que me cerca. Confesso meu orgulho de ser eu mesma e de ter chegado até aqui, intacta, embora cheia de cicatrizes diversas. Confesso minha inabalável crença de que existe algo que ninguém, nunca, jamais, conseguirá explicar. Confesso que busco explicações, embora saiba da insuficiência de maior parte delas. Confesso-me eternamente esfomeada, eternamente insone, eternamente esfolada pela vida que amo. Confesso-me apaixonada por essa mesma vida e suas dissonâncias, discordâncias e impertinências todas. Confesso-me viva! 25.01.2008 - 16h08min

Passagem


Os dias vão se somando...

As horas vividas

fazem da gente

o que a gente é...






25.01.2008 - 15h11min

Três

Três dias viraram cinco três circos pegaram fogo três fogos de artifício falharam três dedos de prosa bastaram pra entender que nem sempre três são três ou cinco ou dez. Às vezes, três são só três, outras são vinte, outras são cem... Depende da perspectiva sob a qual o três se vê... Depende da expectativa sob a qual o três se tem... Depende da estatística que diz que três é três e não tem pra mais ninguém... Depende de a quem ou a que esse tal três se refere... Depende... Se os dois acham que três é demais... Imagina trinta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 25.01.2008- 02h25min

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Minha verdade relativa:

...o coração é um bom lugar pra abrigar a loucura... ...e o que é a liberdade, senão uma outra face da loucura? 24.01.2008 - 22h34min

Visão

Brilho do dia sobre o corpo branco do homem que amo... 24.01.2008 - 18h30min

Estrela

Meu poeta é verso leve de luz intermitente e garantida alegria. Sombrero na sala sombra da árvore do jardim da casa. Hora de semear brisa e colher doces beijos. Meu poeta é luz de estrela... Manhã clara depois da noite fria.... 24.01.2008 - 18h29min (Para Roberto)

Ser

Eu sou uma palavra curta engasgada na garganta do poeta. O verso jamais escrito a língua desconhecida a nunca descoberta tradução perfeita. Eu sou acervo e saudade semelhança e rouquidão medo e verdade duvidosa dolorosa ilha cercada de verbos por todos os entes... Meus lados são abraços impacientes são estreitos botões lilases de rosas vermelhas recém-chegadas das profundezas dos claros ocasos. Hoje sou o que não fui antes e o que não serei mais depois. Morro essa noite. Amanheço disposta. Eu sou! 21.01.2008 - 17h13min

Entrelaçar-se

A letra luta na folha vazia. Escorrega entre as linhas, nas entranhas da fala fria. Foge do texto apócrifo, escrito por hipócritas e seus acrósticos rotos de bolhas de orvalho supostamente fresco e emboloradas sombras mortas. Um poema cresce na noite escura enriquece o rito mágico da loucura que não tarda, nem falha: desorienta. Específicas são as esquisitices das horas em que o poeta se vê diante do alpendre e nada mais lhe resta a não ser a letra a mesma letra, paralisada na fala fria, escorregadia, insegura, descoberta... Um poema pula o muro, resgata a alegria no sereno da noite fria. Um poema sem mais nada além do elo que o une à alma deserta do poeta doente... 24.01.2008 - 13h46min

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

S A U D A D E . . .

Presença na ausência Ausência sentida no presente, no passado, no futuro que abençoa o abraço tido que aventura todos os sentidos e te sopra ao ouvido bem baixinho, como quem perdoa: S A U D A D E... 23.01.2008 - 14h24min

Rotina

Tracei meus contornos no lápis preto sobre a branca folha vazia. Trancei meus cabelos no trabalho de sempre, nas ondas do dia. Tracei os meus planos baseada em erros e acertos já gastos. Trancei os meus pés sentada à escrivaninha de sempre. Tranquei no armário a fadiga. Transpus a covardia, o delírio, a insônia. Transfigurei-me.... 23.01.2008 - 22h38min

Subir, subir...

Insistente sonho de Ícaro ir além imaginar interromper os limites todos:
Voar...
23.01.2008 - 22h32min

Energia

Eles estavam ali. Transitavam livres entre os moradores da casa. Eles. Andavam atrás dos rumores das tintas de muitos senhores dos sonhos de mais de mil versos. Eles. Sem pressa, sem confusão, sem desgaste, caminhavam entre as tábuas, ou não. Eram muitos, presentes, ausentes, mas ali. Não usavam disfarces por não serem vistos. Não usavam gestos por não serem lidos. Não suavam enfeites, não eram invadidos. Eles. Entre os moradores da casa. Livres, transitavam eles. Sem disfarces ou versos ou corpos. Eles. Os outros.... 23.01.2008 - 22h11min

Transcendental

Vozes sopram-me versos. Vozes ensinam-me a andar. Vozes poetam pelos meus dedos. Vozes insinuam-se no meu falar. Escrevo vozes. Vozes transpiram de mim. Vozes cantam por mim. Vozes desfazem meus erros. Vozes suspiram em mim. Versejo vozes. Vozes apontam caminhos. Vozes desenham meus traços. Vozes escolhem as linhas. Vozes transcendem espaços. Eu vejo vozes.... 23.01.2008 - 22h04min

Cenas

Os deuses guardavam as chaves das dores, das mortes, da sabedoria. Os anjos andavam sem pressa nas flores, nos beijos, nos sonhos profundos. Espelhos refletiam as labaredas dos fogos de diante dos corpos, por detrás das cortinas. Os sons espalhavam-se intactos cacos de vidro esfumaçado nas vidraças vazias. Os dedos entrelaçavam-se desesperados entre sofridos e exaustos entre confusos e nús. Os sonhos faziam-se verbos sem nexo sem propósito algum definido só o sol que se fazia nascer entre nuvens de um céu de profundo azul... 23.01.2008 - 21h59min

O que importa é a poesia

Bem-vindas todas as canções os versos semi tonantes os suspiros os senões. Bem-vindos os poetas cantores as poetisas, os atores, os embalos, as rimas, os amados que escrevem descrevem subescrevem seus amores. Sejam versos remédios sonhos outros ou afins. O que importa é o encontro que acontece o desencontro que amanhece o reencontro que enriquece... O que importa é a poesia isso sim... 23.01.2008 - 19h11min

69 E S T U L T Í C I A 69

69 beijos e queijos 69 xícaras de café 69 mil quilômetros 69 dias de fé 69 mensagens válidas 69 presenças em pé 69 ventos uivantes 69 poemas saudosos 69 folhas em branco 69 suores insanos... 23.01.2008 - 18h02min

Desabafo

E sou tomada de assalto por uma tempestade de areia, que me impede a visão noturna. Os calafrios, as alegrias, os asfaltos, rangem debaixo dos meus pés, terremotos em dia bravo, guerras intermináveis, sustos insuspeitos, medos inenarráveis. O bebedouro da fonte da saudade é meu companheiro nessa viagem. Soam-me familiares os ais das gentes perdidas nos campos, nas cidades, nos parreirais. Não sou mais eu. Sou uma voz que canta em mim... 23.01.2008 - 14h32min

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Queimadura

Queimou a mão enquanto preparava o almoço da família. A bolha, em forma de coração. 22.01.2008 - 18h19min (Um microconto 'verídico')

Dúvidas

Quem tem a chave do futuro? Onde o significado exato do verbo? Ganha a corrida quem chega antes? Qual é, exatamente, o valor do ouro? Com quantos pratos de feijão se é feliz? Qual é o limite entre a humildade e a arrogância? Corre mais riscos quem se expõe mais? O que vale a pena: viver feliz ou proteger-se da dor? O acerto independe dos erros? As carências são tuas mesmo, ou será mais fácil colocar a culpa nelas? A distância limita ou é uma âncora da covardia? Ver apenas o bom x ruim, o bonito x feio, o certo x errado é mais inteligente ou é mais fácil? Onde o lugar do desejo? Onde nasce o teu dia? Foi Deus quem quis assim ou tuas mãos é que construíram as pontes? Se a ciência é exata, o que dizer da arte? Se a arte é beleza, o que dizer da poesia? Se a poesia é sonho, o que dizer da música? O que é exatidão, beleza e sonho? Quem experimenta, investiga, estuda... enlouquece? Qual o limite entre razão e loucura? Onde a razão absoluta? Quais são os teus vínculos gerais? Contradições ajudam ou atrapalham? O que te leva a fazer essas escolhas, e não outras? Quem decretou que a resposta é mais importante que a pergunta? 22.01.2008 - 13h26min

(A)Normal

Às vezes eu penso que a sanidade mental me ronda com seus olhos muito abertos e sua grande boca redonda.
Às vezes eu tenho certeza que vejo
só o que meus olhos me mostram
e até eu mesma me convenço
de que isso é assombração ou remorso.
Às vezes eu acho e acredito
que algum anjo maluco e esquisito
resolveu me deixar mais alegre ou o quê
por isso declama ao meu ouvido
tragédias e tangos e um certo bem-querer.
A sanidade mental me ronda....
Urge fugir-lhe das afiadas garras....
Evitar a caixa preta de música bizarra....
Que a normalidade esconde...
na última
escarra....
22.01.2008 - 0h51min

Nem eu...

Por absoluta falta do que fazer invento formas novas para os meus versos tortos e empedernidos madrugadores As dores das flores, não as sei, nem seus dissabores mas sei de sabores diversos e de versos e de amores eu bem sei que não sou fraca nem bendita mas dito a direção da faca na fita que se estende na ponta do pente. Entende? Nem eu... 22.01.2008 - 0h42min

Conceitos

Rara é a areia do deserto. Escassos são os ossos do ofício. Edifícios são casas empilhadas.
E os teus olhos....
Ah, os teus olhos.....
Esses teus olhos....
22.01.2008 - 0h37min

P A L A V R A

P A L A V R A lá V O R A Z p a l a v r e a d o Sem sombra de dúvida sem dúvidas ou sombras sombras sem dúvidas dúvidas e sombras sem nada P A L A V R A... 22.01.2008 - 0h33min

Fuga!

As letras não se agrupam as palavras não saem as sílabas se recusam ao elo as vírgulas viram farelo. As frases não são parágrafos não estão evadiram-se todos fugiram !!!!!
Não se sabe pr'onde....
E agora, como é que eu faço esse poema que eu tanto quis escrever?
E agora, como é que eu traço essa linha que eu tanto quis estender?
E agora, como é que eu me desfaço desse grito que eu tanto quis
GRITAR?
(Ai, ai... nem rima existe mais...)
22.01.2008 - 0h28min
Psicóticas Esquizofrênicas Hipnóticas Contraditórias Egocêntricas Descobertas Contraídas Exploradas
Explodidas
Materializações de sentidos significados sufixos sortilégios sucessos suores salgados saltando sobre a saudade...
S A U D A D E
22.01.2008 - 0h11min

(In)Existência

Suspenso no ar, sobre a folha de papel, o lápis.
Suspenso na alma, sobre o peito descoberto,
o amor.
Suspenso na vida, sobre a calçada molhada de chuva,
o passo.
Suspenso no céu, sobre as nuvens o sol a lua estrelas e outros Planetas
o anjo.
E eu.
E tu.
Nós
juntos
suspensos
no
espaço
no
tempo
(in)existentes
...
22.01.2008 - 0h05min

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Miscelânia

Anjos sem asas, sem flautas, cítaras ou sonetos ditam-me linhas hipnóticas alquímicas ilusões de ótica autênticas concepções de poesia inspiradas nas madrugadas de versos de saladas de letras espiralhadas. Fantasmas acabrunhados povoam-me os sonhos, os pensamentos. São canções destoadas que destronam cumprimentos e constróem afeições e carinhos inspirações em caixinhas de música: ciência e arte, andando pelos mesmos caminhos. Se a sina que me acende transcende o produto final Einstein, inquietantemente espectralista, é igual e o desfecho que aguarda a soma da poesia com a prova é o amor que festeja e recebe, sem pressa, a boa nova... 21.01.2008 - 15h51min

Amor:

O que tenho por ti El que por ti tengo... 20.01.2008 - 01h03min (Roberto Amezquita e Simone Aver)

Maturidade

Aos 42, resolvi brincar de casinha... Amadureci. 21.01.2008 - 01h21min