quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Horizonte
Tu estás na linha do horizonte.
No horizonte de dentro de mim.
Onde o ontem e o hoje são um só.
Onde o amanhã e o hoje estão sós.
Onde calco o pé e digo SIM.
Tu estás na linha de dentro de mim.
E aqui permanecerás, luz e sombra.
Descanso e sucesso das letras:
de todas as letras que criamos pra nós,
de todos os caminhos e redes que traçamos
e trançamos juntos, trabalho de mãos unidas,
vestidas de luvas ou não,
no frio daí,
no meu verão.
Tu és a linha do nosso horizonte...
Do horizonte de dentro de nós...
Três sóis somados na luz...
SOMOS...
13.02.2008 - 02h03min
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Graças
Sufoco meu medo na curva que se apresenta debaixo dos meus pés.
Estendo as mãos e encontro as tuas, fortes e firmes,
a guiar meus trôpegos passos, em direção ao que sempre desejei.
Sufoca-me o medo do desconhecido, que me aguarda logo ali,
entre as palavras amarelas e brancas, plantadas ao longo do caminho
que trilhei até hoje, sem perceber -ou justamente percebendo que-
eu chegaria no exato ponto onde eu quis estar. Agora estou aqui.
E tu estás comigo.
Em meio ao desconforto da falta de ar,
que sucede o instante esperado,
tua companhia me conforta,
me anima e aquece.
Obrigada pelo braço dado.
12.02.2008 - 02h
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Ritmo
Inspira a vida
inspira a letra
da canção por cantar.
Suspira a vida
suspira a letra
da canção a inventar.
Conspira a vida
conspira a letra
da canção a enfeitiçar.
Inspira
suspira
conspira
a vida
a letra...
Amar.
11.02.2008 - 03h22min
Mais
Imagem, música ou letra.
Poema, canção, silêncio.
Conto, surpresa, palavra.
Partes perdidas de um todo maior
guardado dentro do teu olhar...
11.02.2008 - 03h19min
200
Publiquei 200 contos.
Cantei 200 árias.
Ariei 200 panelas.
Abri 200 janelas.
E sofri 200 vezes
pelas mesmas coisas.
Cometi 200 erros
e apaguei 200 trilhas
do meu caminho torto.
Conheci 200 cidades
e tremi 200 vezes
antes de te encontrar.
Depois, 200 beijos
num só dia, até esgotar...
Vivi 200 anos
pra te contar
que os 200 planos
feitos juntos
separados
ou presos
nos bicos dos pelicanos,
inda ardem
inda queimam
inda incendeiam
os 200 nervos
que sobreviveram
a rezar...
11.02.2008 - 03h16min
Movimento
Uma janela aberta.
Um vento forte.
Pronto,
foi-se a cortina
presa num raio de sol.
Uma porta aberta.
Um vento norte.
Pronto,
foi-se a menina
solta num raio de sol.
Um sonho aberto.
Uma brisa leve.
Pronto,
veio a saudade
na carona
de um suave raio de sol....
11.02.2008 - 03h11min
Orfandade
De vez em quando
a gente fica assim
meio órfã de norte.
De vez em quando
parece que o mundo
gira para trás
e nos deixa tontos,
meio órfãos da sorte.
De vez em quando
o riso cala e cola
na cara de outro cara.
Na tua, fica a morte,
meio órfã de aviso.
De vez em quando
a tarde se faz pranto
e a gente fica assim
meio órfã de encanto.
De vez em quando
passa um pássaro
cantando
e a gente fica assim
meio órfã
de quebranto.....
11.02.2008 - 02h32min
In-certeza
Ainda que não queiramos,
ainda que esperneemos,
gritemos, nos atiremos ao chão,
aos leões, aos porcos, aos bandidos,
ainda que rasguemos as roupas todas
e façamos greve de tudo,
sempre haverá uma
(ao menos uma)
certeza:
a de que tudo é incerto
e não-sabido.
Inclusive esse dito...
11.02.2008 - 02h27min
Angústia temporã
Depois da última hora da noite,
o dia dobra a esquina.
E a gente continua a medir o tempo
e a guiar a vida, pelos ponteiros
que rodam, que rodam, que rodam.
Passam sempre pelo mesmo lugar.
As horas são sempre as mesmas.
Por isso não são.
Marcamos o tempo
pra não perdermos a cabeça.
Contamos do tempo que passamos
pra não perdermos a história.
Nossas referências, baseadas nas horas tidas.
Tempo é hora. Lembrança é hora presa no tempo passado.
Ou será tempo preso na hora passada?
Talvez lembrança não seja nada,
além de um registro qualquer,
cuja única finalidade seja impedir
que façamos a mesma besteira
mais de duas vezes...
Tenho cá pra mim uma teoria muito particular:
o tempo, sua passagem ou sua lembrança,
não passa de um poema escrito com o cuidado de um artista.
Um poema engraçado, que ri da falta de tato da gente,
ao tratar com ele, presente, futuro ou passado.
Um poema com lacunas enormes, que a gente vai preenchendo
mesmo sem saber, mesmo sem nunca perceber,
mesmo sem sequer entender.
Um poema perfeitamente compreensível
caso o soubéssemos ler...
11.02.2008 - 02h18min
Possibilidades
O que significa plantar um sonho?
Regar um desejo é mantê-lo vivo?
Calcular o valor dos instantes preciosos
Impossível?
Quedo-me aqui, com meus sonhos todos,
dispostos sobre a mesa branca.
Quantos vingarão, não sei.
De quantos abrirei mão, em favor de...
(não sei em favor de quê se pode abrir mão de um sonho!).
Quantos permanecerão aqui mesmo
esperando ser colhidos...finalmente colhidos...
não tem importância real nada disso
não importa que nada aconteça
que a tarde se transforme em noite
que a manhã nasça avessa
que os olhos não festejem o dia
que o sol entristeça
que a febre não encontre cura
que o passo não apareça.
Pouco importa que a planta floresça
que penda, lentamente, minha cabeça
ou que, inda hoje, o mundo enlouqueça.
Mais do que já está. Mais do que já estou.
Mais do que será possível suportar.
Pouco importa se o escrito se apagar
e se o começo for cair lá no fim
se é que há começos, se é que há finais.
Pouco importa que as chaves não estejam nas gavetas.
Estou exausta.
E posso desistir...
11.02.2008- 02h05min
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Livro
...e as palavras se perdem no espaço
que separa o marco do começo e do fim
que intercede por nós e por outros
junto ao espelho do dia e da noite turva
que aguarda os passantes, transeuntes
da vida, dos sonhos e da alegria
que os abraça nas esquinas do sofrimento diário
de saber-se pequeno
diante de tudo o que há para ser dito...
... e as palavras se perdem no espaço
no grande mistério que é o desejo de dizer
o que jamais foi dito...
10.02.2008 - 17h44min
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Shhhhh
Encaixo palavras, umas às outras.
Nenhuma alcança o sentido.
Nenhum encaixe parece perfeito.
Concentro a experiência do selo
na língua materna, impeço
a coerência, desfaço a coesão.
De que me vale o texto completo
se sou confessamente paralela,
avessa ao que me vem pronto,
querendo construir aos poucos
o que pretendo ter de base?
Examino as possibilidades todas.
Nada me parece difuso agora.
Nada me parece impossível.
Tudo difícil. O passo escolhido já dado.
Tapete estendido vermelho.
E o primeiro passo dado.
A escolha consciente dentro da mala.
A ternura quente dentro do peito.
E a palavra... A palavra.... O último encaixe...
Me foge...
E eu não sei o que dizer...
10.02.2008 - 0h59min
Escolha
O tempo é AGORA.
Perdeu-se o trem da história?
Perdeu-se a linha do hoje?
Perdeu-se o dia de outrora?
O tempo é AGORA.
A vida não espera por ti.
O relógio não deixa de tique-taquear.
Os instantes se sucedem e se somam
e somem na longa linha do horizonte.
As escolhas são múltiplas
mas exigem ser feitas.
Não são elas que te escolhem
tu é que o fazes,
queiras
ou
não
gostem elas ou não.
Teu futuro está no passo de hoje.
Agora é a tua decisão de amanhã.
Ontem já está.
Hoje urge.
Hoje
é.
Vive.
09.02.2008 - 20h54min
Eu sinto
Quando acordo parece que vejo uma
luz branca
Quando vejo letras ou luz bonita
sinto felicidade
Como uma vez eu estive dançando, dançando, dançando
Tipo olhando para alguem que esteja com
oculos olhando no computador
vejo luzes brancas
E sinto felicidade
Amor é muito lindo
E sinto
Felicidade
08.02.2008 - 22h39min
(Alina Aver, aos 6 anos de idade)
Debaixo Da Cama

Érase una vez...
A Chapeuzinho queria dar uma cesta com um monte de maçãs para a vovozinha. Acontece que uma das maçãs estava verde demais para dar para a vovozinha, que já não tinha dentes muito fortes. Entonces buscó la manera de que la manzana fura apropiada para a vovozinha, y se encontró con que un conejo que vivía muj lejos,
sabía de unas manzanas que podía comer ela con sus dientes brillantes y pequeños.
Pero el país del conejo no era facil de encontrar...
Ela andou muito por toda a floresta e achou uma árvore. No fim da árvore tinha uma porta que ela viu e quis entrar; lá estava a casa do coelho!
Ela bateu, bateu, bateu, mas o coelho não estava lá. Apareceu então um macaco com sininhos no pescoço, que faziam tilim tilim tilim...
O macaco avisou que o coelho havia mudado para beeeeeeeeeemmmmmmm longeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.....
E a menina chorou.
Y con las lágrimas de la menina crecieron nuevas flores en la casa del macaco y del conejo.
Entonces una de estas flores dijo que el conejo se había mudado a otro país, a un paìs muy cerca, pero muy lejos; las dos cosas al mismo tiempo. Pero las manzanas en ese país eran transparentes, igual que los conejos, así es que sería dificl mirarles y comerles tambièn...
Pero no importando esto decidió viajar al país que las flores llamaron 'Debaixo Da Cama'...
A Chapeuzinho Vermelho achou um túnel dentro daquela casinha do coelho (a casinha abandonada). Ela entrou no túnel, andou, andou, andou, até que viu algumas pegadas que pareciam pé de coelho. Ela seguiu, seguiu, seguiu...
Como os coelhos eram transparentes, ela não conseguiu achar. Mas ouviu barulhos! E
quando ela colocou a mão, pareceu sentir uns pêlos; pensou que fosse o coelho. Ela disse:
-Como eu posso arranjar essas maçãs? Por favor, responda.
Ele respondeu:
-Vá numa árvore, pegue uma delas e faça o que você precisa.
Acontece que o coelho era transparente e via as maçãs, que também eram transparentes. Logo, era muito fácil pra ele dizer que ela fosse até a árvore e apanhasse, simplesmente, as maçãs. MAS ELA NÃO VIA AS MAÇÃS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nem sequer a tal da árvore; afinal, no país 'Debaixo Da Cama', tudo era transparente!
El conejo le dijo que solo una vez le iba a contar la historia del país de 'Debajo De La Cama'.
Que pusiera mucha atención en este paìs maravilloso: la realidad es un parecida a la de fuera
pero con algunas diferencias pequeñitas.
'Debajo De La Cama' todo lo que hay, conejos como yo, manzanas, palabras, árboles o túneles, todo es parte del reino de la imaginación; así es que precisas poner cada día nuevas cosas, cuando te encuentres debajo de la cama. 'Debaixo Da Cama' es lo que tu quieras, lo que puedas imaginar mientras cierras los ojos, o cuando los tienes abiertos.
Entonces el conejo deapareció, y ella empezo a crear debaixo da cama...
08.02.2008 - 22h31min
(Uma história, três mãos... SOMOS... Alina, Simone e Roberto)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Torre
Montei uma torre de palavras
todas elas insuficientes,
daí a necessidade de várias.
As cartas todas no armário
guardadas pra enfeite da casa.
O toque tântrico por aprender
e as pontas picotadas das páginas
do livro que estou por escrever.
A torre só sobe
em busca do céu, que é anil.
08.02.2008 - 16h18min
Escritos
Gosto da letra que escrevo
e fico de olho se ela não dança
na linha curva do medo
que anda à minha espreita
às vésperas do sonho.
Gosto do cheiro daquilo que escrevo;
parece canela, incenso suave,
perfume de infância,
de breve avenida florida.
Gosto da cor do que escrevo
a cor do soluço que tive, de rir
contigo e sozinha, dos absurdos
que a vida apronta pra gente.
Gosto, principalmente,
dos motivos pelos quais escrevo.
Esses, guardados pra mim.
São meus, não conto.
Só teus olhos é que divisam,
mesmo assim, de longe,
os porquês desse meu dizer...
07.02.2008 - 23h15min
Paz?
Não quero paz.
Eu quero o que existe.
O desassossego, a procura,
o instante que se perde
num piscar de olhos.
Eu quero a pressa,
a incerteza, a incompletude.
O que não vi,
o que não sei,
o que jamais serei.
Eu quero o fundo
do poço e da alma.
Eu quero o risco,
o rabisco, a salsa,
a rumba, o merengue,
de preferência cor de rosa.
Eu quero algodão doce
derretendo na mão.
Calor de 40 graus,
neve em pleno verão.
Eu quero sede de beijo,
abraço que não termina,
risada tão alta,
tão longa, tão nossa,
que seja quase um desatino.
Eu quero a manhã ensolarada
depois da noite, em Porto Alegre.
Eu quero o nervoso
na tua chegada,
quero o amor que se bebe.
E quero antes e principalmente
essa mania de querer tudo
o que tenho direito
e mais um pouco.
Além do que alcanço,
além do que mereço.
Eu não quero a paz.
Eu quero o estorvo,
o torto, o turvo, o maldito.
Quero a tua insanidade
as vozes que ouvimos
as mentes brilhantes
que cercam o infinito.
Eu quero o vôo da águia
sobre a rica planície.
Eu quero a língua
da serpente
a peçonha da aranha
o veneno da vida
na minha garganta
no meio da minha lida.
Eu quero te ver chegando
de braços abertos pra mim.
Eu não quero a paz.
Eu quero tudo
menos paz....
07.02.2008 - 23h05min
(Alina e Simone Aver)
Orações
Desde que vieste,
tudo o que construo
tem a tua assinatura.
Desde que surgiste,
tudo o que crio
tem o teu suspiro.
A tua vida invade a minha
porque se sabe bem-vinda.
A tua vida canta na minha
e enche de melodia a tarde
que vive na gente.
Somos três, com a quase
exata diferença que nos marca.
Somos três, elos
compostos de estrelas,
luzes e bilhetes de amor.
Desde que surgiste,
não somos mais duas...
Somos três...
Orações...
07.02.2008 - 02h12min
Escritura
Se estava escrito?
Claro que estava!
Minha vida está toda no papel
cada suspiro, cada sorriso.
Minha vida não poderia
não estar descrita em palavras.
A palavra sou eu.
Sou letra ambulante
esperando ser lida.
Não sei se sou verso
conto ou despedida.
Não sei se sou letra sozinha
ou história completa,
na folha da vida.
Mas estou escrita.
Espera...
Eis outra escritura
na primeira metade
desse meu caminho.
Tu, sonho bendito.
A frase que faltava.
A crônica,
que esperava ser escrita.
Tu, sonho bem-vindo.
Sopa de letrinhas
pra alimentar o meu peito.
Tu, alento, sossego
na construção dessa
que pretende ser a minha história.
Não mais só minha.
Agora, nossa história.
Essas páginas são nossas...
07.02.2008 - 02h
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Trabalho de parto
No ventre da vida, o verso.
Ando parindo versos
dos quais estava grávida
há meses...
Ando parindo palavras,
sinais gráficos de sentires,
sentimentos gráficos de sinais,
sortilégios, sinalizando sentires.
Ando em trabalho de parto
dos prazeres que me tomam
quando no verbo me liberto.
Não sei ficar quieta num canto
sem dizer palavras sortidas
como num pacote de biscoitos
comprados no boteco da esquina.
Não sei não dizer minhas ânsias
meu desejo de estar entre teus braços
minha saudade, meu desabafo,
meus sonhos todos contidos.
Ando em trabalho de parto
do poema que costurei no teu sorriso
da bendita parceria contigo
da expectativa do abril-ensolarado.
Ando descalça pelas ruas da vida
pra sentir a pedra fria
pra saber que estou viva
esperando o filho teu
grávida do poema escrito contigo.
No ventre da vida, o verso.
O nosso verso...
Escrito.
06.02.2008 - 23h58min
DES-Equilíbrio
As palavras precisam de equilíbrio?
Alcança-se o equilíbrio em pleno estado de paixão?
Un hermoso des-equilibrio.
A loucura equilibra-se num pé só ou numa só palavra?
E que palavra seria essa?
Perigo?
Descubrir a tal grado la interioridad de otro
y amar tan profundamente y tan lejos...
Me encanta el peligro de tus manos.
Tu eres yo.
Mas que dulce.
Luz.
05.02.2008 - 23h56min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Imagem
Suspiro d'algum deus-poeta
que resolveu escrever versos
em dia de copiosa chuva.
Deu no que deu: uma louca,
apaixonada pela lua...
06.02.2008 - 01h19min
Entrega
Eu, totalmente nas tuas mãos, segura.
Yo en tus alas entregado.
Yo Eu te amo infinitamente...
Aos 18 minutos do dia 06 de fevereiro de 2008.
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Fronteira
"Deixo o cavalo livre correr fogoso.
Eu, que troto nervosa e só a realidade me delimita."
(Clarice Lispector)
Não há cercas que prendam o amor
nem distâncias impossíveis de serem vencidas.
Não há nada inalcançável
quando se deseja ardentemente...
As fronteiras estão, todas, abertas.
No passaporte, o carimbo inusitado:
A L E G R I A!
05.02.2008 - 17h13min
Para ler e pensar:
"Quando vieres a me ler perguntarás por que não me restrinjo à pintura e às minhas exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão."
(Água Viva, de Clarice Lispector)
05.02.2008 - 17h
Distância relativa?
Enquanto o dia nasce aqui
a madrugada inda embala teu sono.
Enquanto a vida vai pela metade
nessa minha parte do mundo,
a tua se espreguiça e reclama
a partida do descanso breve.
Enquanto a tarde morre no horizonte
e eu giro, vendo o sol, aos poucos,
adormecer; esse mesmo sol te banha,
início de tarde, hora de ter o que fazer.
Minha noite é teu fim de tarde.
Hora de janta e algazarra pra ti.
Hora de silêncio e descanso pra mim.
Um mundo pequeno que permite que te alcance
embora impeça nossos abraços.
Um mundo pequeno: madrecita, padre, hermanos
os meus, os teus, as nossas famílias juntas
embora impedidas do brinde...
Ainda assim, é teu nome que preenche meus espaços.
05.02.2008 - 16h28min
Yo también espero...
Acá desde la ínfima muestra de mis vertebras
desde el resquicio verde de mis ansias
en cuanto toco la faz de tu cara con la mano izquierda
u abro un camino entre tus labios
acá te espero dentro tuyo y tú sin saberlo
sin sospecharme siquiera
y yo asomado en tus entrañas y yo pescando en tu sangre
desde este rincón nuestro de infinito yo también te espero
como nunca como a nadie debajo de la innombrable distancia
mientras tanto te amo...
02.02.2008 - 03h14min
(Roberto Amezquita)
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Svãrmood*
*Palavra para definir 'saudade', na Suécia
Umedece a língua da palavra
no solo fértil do verbo desejado
amorosa mente
vagarosa mente
nova mente
tua palavra dentro de mim.
En la savia que derrama una de las raices de la lejanía
alguno de los espasmos de la ausencia
no deberián los vientos de otros cruzarse en este andar
eu te amo.
Em ondas curtas ou longas, mas ondas de presença
e ondas de saudade, enlaçadas nas ondas da ternura
eu te amo.
A través de las micro y también de las nano
van las ondas con que te amo.
Eu te sei aqui
por onde canta minha voz.
Por donde deciende mi luz
te sé
y te sé aquí
donde cabalga tu ritmo
donde anda el paso frenético del aliento
donde se fuga mi sangre.
04.02.2008 - 03h28min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Fala
...son tus ojos
el asomo tuyo de infinita luz
lo que no marca el retorno ni el principio ni nada
solo un nítido camino de amarte...
04.02.2008 - 01h25min
(Roberto Amezquita)
Processo
Risco um traço aqui,
um outro mais adiante enlaço,
faço que apago este
refaço aquele mais distante.
Busco o desenho do nada
que quero entortar no instante.
Busco a face delineada
que quero encontrar, amante
de verbos e risadas soltas
justo nesse traço aqui
e não em outro qualquer.
A curva perfeita do rosto.
A expressão que não se sabe o que é.
É assim que eu faço
quando o espaço que tenho é pouco.
Apago, refaço, começo de novo
e vou perdendo um tanto da origem
no processo da obra feita.
Eu quero a surpresa, o suspiro, o assunto
contado de forma diversa.
Eu quero o traço que me eternize
e uma lanterna vermelha
pra iluminar o meu passo.
04.02.2008 - 19h30min
Espaço vazio?
Todos os pássaros revoam agora.
Todas as línguas se entendem
e todos os pecados são perdoados.
É dia.
Fez-se luz, e o sol é uma realidade aqui.
Quebrados os espelhos,
as imagens passeiam soltas,
livres da prisão da moldura,
da tortura de saber-se plágio.
O céu foi pintado de um azul intenso
sem nuvens ou máculas. Firma mente.
Firme convicção de que somos mais
que isso que pensamos ser e nos propomos
a construir, em nossa pequenez de propósitos.
Minha escrivaninha está vazia.
Nua de livros, canetas, cadernos, papéis, agendas.
Nada dança em minhas mãos.
A palavra, paralisada, vai se extinguindo aos poucos
té que, em toda a minha vida, espaço destinado
especialmente ao verso, nada mais reste, a não ser
SILÊNCIO...
04.02.2008 - 19h16min
Criação
Cachoeira de sentenças, não seguro muito tempo
as frases que brotam voluntariamente de mim.
Elas me vêm aos borbotões, e não posso contê-las.
Não suporto tamanho volume. Explodo.
Elas vêm, sem nenhuma ordem ou forma estabelecida
previamente. Enchem a folha branca. Rasgam a limpa
claridade da folha da agenda vazia. Elas vêm.
Têm vida própria, e nenhuma educação.
Não pedem licença. Não se despedem. Não têm obrigação.
Selvagens, tomam meu tempo e usufruem das minhas canetas.
Nervosamente saltam aos bandos e se agrupam.
Mero instrumento d'algum deus maluco, observo.
Não sou nada além dessas páginas rabiscadas,
que eu nem sei se são minhas, posto terem sido escritas
tão compulsivamente que sequer permitiram pensar.
Ei-las.
Sacia a fome de desordem da tua vida correta.
Eu ainda estarei aqui, canal de letras tresloucadas
que bordam e pintam e desgovernam o que penso ser eu...
04.02.2008 - 14h14min
Somatório
Carrego no peito todos os versos do mundo
os que já foram escritos,os que estão por vir.
Carrego nos ombros o peso do espaço vazio
e na bolsa um sem-número de coisas inúteis.
As agendas vivem repletas de palavras soltas
que vou juntando pelo caminho que traço
passo a passo, insistentemente, na conta dos dias
que se somam à arte independente da escrita.
Os sustos, coleciono dentro de armários,
entulhados de papéis usados e antigos, amarelados
pelo tempo, pela falta de manuseio, pelo esquecimento,
pela lembrança distante das anotações diversas.
Os que vieram, os que passaram, os que ficaram,
os sonhos que voaram, reclamando liberdade.
As liberdades que voaram, reclamando sonhos.
As asas que voaram, reclamando o horizonte.
Os cuidados que não me levaram a parte alguma.
Os desmoronamentos que não me enterraram.
Os abraços que não me prenderam.
E as verdades que me pintaram de rosa, cinza ou vermelho.
E as verdades, que esfumaçaram meus olhos.
E as verdades, que copiaram as lágrimas que derramei.
E as verdades que escolho, inda que doloridas, inda que solitárias,
inda que duras, inda que irritantemente reais.
As verdades que escolho.
As falhas, os vínculos, as doçuras, as impropriedades,
as aberturas, as farturas, as falsidades, máscaras,
relógios, estorvos, salários, solstícios, mãos abertas,
mãos espalmadas, mãos machucadas na lida do dia claro.
Soma de suspiros...
E tu estás aqui....
04.02.2008 - 14h01min
Depende...
Toda leitura é poesia?
Toda imagem é poética?
Toda forma é verso?
Toda cor é verbo?
Todo sentimento é palavra?
Toda luz é linha?
Depende...
Dos olhos....
De quem vê....
04.02.2008- 13h45min
Cachos
O cacho de uvas no prato.
Os cachos dos meus cabelos
entre os teus dedos.
A vida é simples assim.
04.02.2008 - 04h24min
Nada é In Certo...
Nada é certo?
Damos passos incertos por uma estrada de densa neblina.
Somos hoje o que não poderemos ser amanhã.
Fomos ontem o que jamais nos pensávamos capazes hoje.
Trazemos raízes de um medo ancestral, que nos prende ao chão.
Não somos covardes. Mas também não somos heróis.
Nada é in certo.
O in completo ronda a porta da manhã. Traz tempestade vazia.
Esvaziam-se as conclusões e a biografia está sempre por ser escrita.
Somam-se perguntas sem respostas e respostas que não foram pedidas.
Subtraem-se as horas com vertiginosa rapidez no país de Alice.
No reino de Abrantes nada de modifica, ainda que nada seja igual aos Dantes.
Nada mais certo que a incerteza.
E me perguntam se amanhã vai chover, se eu vou sofrer, se a pele vai arder.
Eu não sei, respondo. Cada dia com a sua agonia, um passo depois do outro,
e todos juntos na mesma estrada escolhida antes de nascermos, tu e eu.
Nada mais incerto que a certeza vadia.
Na leviandade fria, dizer-se oprimido pelo sim.
O fino fio da espada que corta o silêncio e confirma o sim que confina a vida em si.
Orgulho sitiado. Situação enfática da louca aventura de querer.
Nada mais certo que a loucura.
A costura da muralha da China que nos separa da lua.
Um satélite no espaço e as curtas ondas de ternura.
Os tentáculos da vida e o alcance jamais sonhado por nenhuma criatura.
O meu peito pulsando no teu. O teu pulso batendo no meu.
Vida e arte confundem a cabeça de qualquer um.
Eu recorto tua boca e colo na minha pra sempre.
Tuas palavras brotando dos meus ouvidos. Arrepiando a espinha.
Cacho de uvas maduras da única safra do ano. Perdeu-se a guia. Não sei o caminho.
Nada mais louco que a certeza.
O desejo de ser tua. De louvar a calçada da rua por onde passaram teus pés.
Avião, foguete ou pensamento, tanto faz. Tudo leva à demência.
Insanidade provocada pela insônia de um outro que habita em mim,
e cochicha ao meu ouvido coisas que só posso contar em versos,
versos que só posso cantar pra ti, no acesso de riso de uma Monalisa
misteriosa e vã, plagiada por algum artista anônimo que cruzou teu caminho.
Nada mais forte que o amor.
O que o amor tem a ver com isso?
TUDO!
04.02.2008 - 04h09min
domingo, 3 de fevereiro de 2008
LER
Estou lendo alguns livros muito interessantes e gostaria de compartilhar contigo esses títulos. Todos que me conhecem,ainda que superficialmente, sabem da minha paixão pela leitura. Sabem o que um livro faz comigo. Sabem que ele nem precisa ser bom, mas, se for, então eu serei a pessoa mais feliz do mundo. Um livro me tira de qualquer deprê, ao menos enquanto estou mergulhada em suas páginas, viajando entre suas letras. Um livro, pra mim, é um tesouro mais precioso que ouro em pó.
Então preciso dividir com meus amigos e com as pessoas que amo, aquilo que estou lendo. O que vem preenchendo meu tempo, o que tem dado alegria ao meu coração, o que tem me emocionado às lágrimas, o que tem me feito viajar. Sair de mim. Conhecer outros lugares, outras coisas, outras gentes, outras culturas, outras fantasias, outros saberes, outras visões de mundo... outros milhares de "outros".
Pois bem, essa é a lista:
*HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005
"Pode ser injusto, mas o que acontece em poucos dias,
às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da
vida inteira" (p.89)
Desde 2005 pego esse livro pra ler. Desde 2005, sempre que saio pra comprar um livro, esse me chama. Não o trouxe pra casa. Não me perguntem a razão. Eu não saberia responder. Ao mesmo tempo em que sempre ouvi seu chamado, também sempre me recusei a atendê-lo. Pois bem, agora, finalmente, estou lendo. E decidi: de 2008 em diante, sempre que um livro me chamar, não apenas ouvirei, como atenderei imediatamente. Estou emocionada desde a primeira página. Ele é de uma beleza e de uma humanidade quase palpável. Uma história triste, com certeza, cruamente real, mas de uma profunda reverência à vida, com seus erros e acertos, suas alegrias e seus dissabores.
Acredito que seja esse o momento de ler tais páginas, pra mim. Estou aprendendo muito. Chorando aos cântaros. Sorrindo da leveza de algumas cenas.
*LÉVI-STRAUSS, Claude. Mito e significado.Lisboa: Edições 70,1978.
"... não consigo entender como é que a
Humanidade poderá viver sem algum tipo
de diversidade interna" (p.32)
Sempre me interessei por antropologia. Não, não sou uma profunda conhecedora. Sequer uma conhecedora superficial. Mas gosto de ler a respeito. Gosto de saber alguma coisa sobre o assunto. E tenho especial preferência por Lévi-Strauss. Não sei exatamente as razões. Mas gosto desse cara...rs... Talvez seja a forma da escrita dele. É tão fácil entender o que ele põe no papel... Eu, completamente leiga no assunto, sinto-me em casa. Parece que posso perguntar qualquer coisa para o autor, que não serei ridicularizada...rs... Bobagem? Bem, não estou isenta...rs...
De qualquer forma, o livro é muito interessante, e me prende muito. Aliás, é uma dificuldade parar de ler esse livro. Estou quase terminando, por isso resolvi "economizar" um pouco, voltar atrás, dar uma relida em algumas páginas...rs... Sabe quando a gente não quer que o doce acabe, e fica comendo devagar, pelas beiradas? Pois é, estou mais ou menos assim. Sim, eu sei que posso voltar a ele quantas outras vezes quiser, mas quero ter o prazer de prolongar o prazer dessa primeira leitura. Deliciosa. Como a leitura de qualquer texto dele.
Leitura preciosa.
*LEROUX, Gaston. O fantasma da ópera. 3.ed. São Paulo: Ática, 2006
"Parecia a todos, de fato, que um roçar se fazia ouvir atrás da porta.
Nenhum ruído de passos. Dir-se-ia de uma seda ligeira que
escorregasse sobre um painel. Depois, mais nada" (p.16)
Esse estou lendo para Alina. É um dos poucos casos em que assisti o filme antes de ler o livro. Bem, devo dizer que o fato do livro ser melhor que o filme vale SEMPRE. E acho lindo ver como Alina tem medo do livro...rs... Sim, do filme ela não teve medo em nenhum momento. No livro, logo nas primeiras páginas, ficou com medo. Acho isso delicioso. O poder da palavra escrita te transportar para algo completamente diferente do meio em que vives. Completamente diferente da tua época. Completamente diferente das tuas crenças. Mesmo assim mexer contigo. Mesmo assim provocar sensações físicas em ti. Emocionais, sim, mas físicas também. Isso é bárbaro! Mágico...
*LUPTON, Hugh. Histórias de sabedoria e encantamento. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
"- Mmmm, desgraça é doce como açúcar!
O macaco comeu, comeu, cuspindo fora os pedacinhos de pau
e casca de árvore e lambendo os cacos do pote quebrado.
- Mmmm, desgraça é uma delícia!"
(p.09)
Histórias curtas, de diferentes partes do mundo, que fazem a gente pensar. E pensar é uma coisa tão boa, tão boa, que se assemelha a... bem, à melhor coisa que podes ter na tua vida. São 7 histórias, de 7 povos diferentes, mas que não se restringem a 7 lições, embora 7 seja considerado um número perfeito. Talvez perfeito por isso mesmo: por permitir a expansão. O 7 transformando-se num número impossível de ler. Então... só lendo, pra saber....
*YALOM, Irvin D. A cura de Shopenhauer.Rio de Janeiro: Ediouro, 2005
"A sólida base de nossa visão do mundo e também o grau de
sua profundidade são formados na infância. Essa visão é
depois elaborada e aperfeiçoada, mas, na essência, não se
altera" (p.75)
Outro livro que eu andava "namorando" há séculos...rs... Bem, ei-lo em minhas mãos. Estou devorando. Já tinha lido Quando Nietzsche chorou (São Paulo:Ediouro, 1995), do mesmo autor, e amei. Primeiro porque falava de Nietzsche, meu eterno amor, segundo porque é um livro realmente sensacional, provocou em mim o desejo de pesquisar mais sobre a vida do filósofo. E o que me incita a estudar é bom... sempre bom...
Pois bem, estou amando "A cura..." também. E tenho vontade de estudar mais, de novo... Logo, o livro é muito bom...rs...
Saborear. Ler é S A B O R E A R, não apenas a palavra, mas a VIDA. É reconhecer, na folha de papel, um pedacinho da gente. Pode não ser o tempo inteiro, pode não ser em todas as leituras, mas está ali, latente, pedindo pra ser percebida, pra ser S A B O R E A D A.
Adoro ler. E tu?
04.02.2008 - 0h06min
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Objetivo?
O da minha letra?
Dizer.
Contar de mim
para minha imagem
e semelhança.
Descobrir-me
(seja lá o que for
que isso queira dizer).
Mas, afinal, quem disse que um verso tem que ter objetivo?
Um verso pode ser apenas um verso
solto no meio de um monte de outros versos
ou entre as pernas de um bêbado qualquer
que não sabe sequer quem ele próprio é,
muito menos com que objetivo diz o que diz.
Um poema pode ser um amontoado de pensamentos
confusos que andavam perambulando descalços
nos porões da mente do poeta insone
que tem fome de cantatas ao ar livre
de serenetas e de noites enluaradas
em que o pio da coruja se ouve ao longe
e nada mais se move além da caneta no papel
nervosamente transbordante do eco da alma
que reclama, impaciente, um ouvido paciente que a ouça.
A letra nada mais é que um sinal gráfico
usado pra expressar o que vai dentro da gente
e que nem sempre abarca todo o significado
do sentimento que está muito forte e presente.
A letra é um risco que sangra a página virgem.
Desfaz o estigma da imaculada folha branca.
A letra é violência. É grito amargo. É solidão.
Dizer machuca quem diz, maltrata quem lê.
Se digo do amor que sinto, provoco inveja
em quem não tem amor pra receber.
Se digo da dor que me atravessa o peito
provoco pena, dó, piedade, em quem
não sabe a idade que tem essa minha dor.
Se canto a alegria, se faço festa, se celebro a vida,
provoco risos e lágrimas ao mesmo tempo
e barulho e muita satisfação.
Dizer é a função do poema.
Nada além disso.
Como a função do sexo é dar prazer.
E eu já não sei mais viver sem o dito
pelo dito, pelo não-dito, pelo mal-dito,
pelo bem-dito, pelo jamais proferido
sob pena de des-dizer... mesmo sem objetivo...
Eu já não sei não dizer....
02.02.2008 - 05h26min
Arte e Fato
Revelei por essas linhas
os traços da minha vida.
Procurei as palavras exatas
que descrevessem meus passos
que desenhassem as curvas
dos caminhos que escolhi.
Cantei minhas vitórias
chorei as partidas e as saudades.
Confessei meus amores sem culpa.
Espalhei boas novas.
Ri, com os velhos e as crianças.
Colhi os frutos plantados
com a alegria que me acompanha
diariamente
desde que nasci...
Agora, o tempo exige silêncio.
A falta de sentenças exatas
é realidade em mim.
Não há mais o que dizer.
Nenhuma expressão.
O silêncio é em mim, hoje.
Agora, ele sou eu...
Shhhhhhhhh.....
02.02.2008 - 0h34min
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Suspiro
Um suspiro.
Ninguém soube.
Ninguém viu.
Um suspiro inigualável.
Um suspiro insuperável.
Um suspiro insurreto.
Invejável suspiro de amor...
01.02.2008 - 22h27min
Tenho dito!
Hoje não quero dizer nada.
Ando farta das palavras.
Será que eu já disse tudo?
Será que elas já me disseram inteira?
Será esta a hora do silêncio?
Hoje não quero dizer nada.
Quero apenas sentir latente
a palavra que não será dita.
Ou o silêncio que não será gritado.
Ou o ruído que não será cobrado.
Hoje não quero dizer nada.
Não me são suficientes as palavras
nem os ouvidos, nem as metáforas
que porventura eu invente
num rompante inspirativo
que promova o trabalho de parto
do poema que me engravida
há meses...
Hoje não vou dizer nada
além do que já foi dito.
Hoje quero descansar do verso
bendito verso que me tem acompanhado
pelas estradas dessa minha vida
escolhida meticulosamente por mim.
Hoje não vou dizer nada.
Preciso de um pouco de silêncio.
Recostar a cabeça e não pensar em palavras.
E não querer a linha escrita.
E não desejar espremer o significado
na folha exausta da agenda já tão rabiscada.
Hoje não.
Tenho dito.
01.02.2008 - 21h20min
Ando farta das palavras.
Será que eu já disse tudo?
Será que elas já me disseram inteira?
Será esta a hora do silêncio?
Hoje não quero dizer nada.
Quero apenas sentir latente
a palavra que não será dita.
Ou o silêncio que não será gritado.
Ou o ruído que não será cobrado.
Hoje não quero dizer nada.
Não me são suficientes as palavras
nem os ouvidos, nem as metáforas
que porventura eu invente
num rompante inspirativo
que promova o trabalho de parto
do poema que me engravida
há meses...
Hoje não vou dizer nada
além do que já foi dito.
Hoje quero descansar do verso
bendito verso que me tem acompanhado
pelas estradas dessa minha vida
escolhida meticulosamente por mim.
Hoje não vou dizer nada.
Preciso de um pouco de silêncio.
Recostar a cabeça e não pensar em palavras.
E não querer a linha escrita.
E não desejar espremer o significado
na folha exausta da agenda já tão rabiscada.
Hoje não.
Tenho dito.
01.02.2008 - 21h20min
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Quero ficar pra semente
"A semente mais antiga que tornou-se viável tinha 2000 anos. Foi descoberta em uma escavação no palácio de Herodes, o Grande, em Israel e veio a germinar em 2005 uma linda tamareira. Até hoje fazem doce das tâmaras". *Orlando
Poesia é semente triste, plantada na horta da gente.
É vício, ilusão, delírio, fruto não nascido ainda
do ventre sempre fértil da terra-mãe-imaginação.
Poesia é semente agri-doce, com um toque diferente,
gravado na ponta da língua, que nada mais sabe dizer
além de versos inventados na hora, cuspidos com prazer.
Poesia é semente leve, solta no vento quente de verão.
É solidão, é cansaço, insolação, permanência e saúde.
Poesia é virtude. Semente bendita cravada no peito da gente.
E brota, a danada...
Semente que brota no riso, igualmente
semente que brota na dor, igualmente
semente que brota na saudade, igualmente
semente sem idade, sem cor, sem tempo ou mudança.
Poesia é semente que dança entre os dedos
dessa poetisa que deseja, igualmente, um dia, se Deus quiser,
ficar
pra
semente...
31.01.2008 - 01h40min
Saudade (II)
A saudade era tamanha, e a unidade tanta, que ela chorou, com os olhos dele...
Aos 21 minutos do dia 31.01.2008
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Para pensar...
Esquecera de TER. Foi honesto. Generoso. Aberto. Amigo. Acessível. Paciente.
Colecionou cicatrizes. Chorou grossas e copiosas lágrimas. Foi vampirizado.
Foi pisado. Foi maltratado. Foi enganado. Foi machucado de todas as formas.
E foi feliz.
Esquecera de TER. Foi honesto. Generoso. Aberto. Amigo. Acessível. Paciente.
Colecionou amigos fiéis. Chorou de alegria sempre que teve vontade. Foi livre.
Foi ajudado. Foi compreendido e compreendeu. Foi abraçado e abraçou com a alma.
Foi amado de todas as formas e jeitos e cores e intensidades. De verdade.
Foi curado e curou. Foi cuidado e cuidou. Esteve presente na vida de quem o quis.
Teve quem quis presente em sua vida.
E foi feliz.
Esquecera de TER. E agora não era só mais um. Era O SER. Era feliz.
30.01.2008 - 23h33min
Escrever
Poesia: pavimento. Verso: caminho. Verbo: escoadouro.
Escorro por entre as palavras
escolhendo uma ou outra
que defina o que penso
naquele exato momento.
Nem sempre acerto.
Nem sempre; é certo.
Nem sempre... Há o acerto.
Às vezes colho o que não queria .
Às vezes encolho o que dizia.
Às vezes recolho o que permitia.
Será?
Constante é a presença dela
que me acena em cada esquina
que encena o que eu inquiria
que contracena com a poesia.
E faz a sua parte.
Ela.
A paixão.
30.01.2008 - 23h17min
Falecimento
Esquecera de SER. O gordo testamento, testemunha da luta por TER. Morreu sozinho, com toda a assistência médica possível, e nenhuma mão realmente amiga pra segurar a sua, na hora fatídica.
30.01.2008 - 22h51min
Saudade... (Um conto minimalista)
Ela não controlou a vontade incontrolável de chorar...
30.01.2008 - 14h19min
Dúvida cruel
"Certeza que nunca tenho"
dúvida a me seguir
se escolho esse caminho
também decido não ir por ali.
Tal qual Cecília,nunca descubro o que fazer
se calço luva ou uso anel
se fico comigo ou com você...
Oh! Dúvida cruel!
30.01.2008 - 03h26min
(Um poema engraçadinho, cujo primeiro verso
foi fisgado de uma conversa com Tiago...)
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Impedimento (Um conto minimalista)
Caneta em punho. Mão parada no ar. Forças ocultas impediram o vôo da letra. A folha ficou em branco.
29.01.2008 - 01h26min
(Obrigada pelo mote, Orlando)
Improviso
Exercito meus bordados
pelos fios entrelaçados
das palavras jogadas
ao vento forçado
que arrancou da brisa
o seu lugar...
Exercito meus dedos
na virgem folha desnuda
de notas frias ou doloridas
de frutas secas descabidas
de sonhos azuis e bordéis.
Exercito a escrita,
improviso,
meto a cara,
exorcizo os fantasmas
as danadas das taras
que trago comigo.
Exercito mente sã
e corpo doente
mente demente
em corpo vazio de sementes
que não ficarão pra amanhã.
Não há amanhã sem respostas.
Não há construção sem proposta.
Não há improviso que mente.
Mas também
Não há exercício inválido
nem poema esquálido
ou trabalho escravo
na escrita livre
ou
na escrita que gravo.
Há, sim, o beijo do vampiro
o desejo do menino
a beleza do verbo
o sentimento no prelo.
Há, sim, vontade de dizer
vontade de ser lido
vontade de, enfim,
E S C R E V E R...
29.01.2008 - 01h05min
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Papo de poeta amado
Se papo de poeta vira poesia,
papo de poeta amado vira luz do dia,
vira fantasia, vira experimento,
vira verso sem nenhum lamento.
Não há qualquer dia cinzento,
nem algum pequeno ou grande impedimento,
que não deixe o verso livre vir à tona.
Não há insuficiência de assunto,
ou tema que não sirva, quando
o papo é de amor e de poeta junto...
Se papo de poeta amado vira luz do dia,
também vira alegria, irradiando
calor e doçura, na branca textura
da tez querida e tão macia.
Papo de poeta amado não pode
nem deve
ser comparado
com nada nesse mundo...
nem no outro...
28.01.2008 - 18h28min
Cantares...
...el silencio de esas flores que por ti siento
el silencio de llegar a tu vida vibrando como un lago
el silencio, Simone, tu sabes bien del silencio
poeta de las 400 voces
mujer de las miradad insurrecta
de la piel vaporosa de las manos extendidas para mi
con ese silencio me extiendo yo para ti
eu te recebo com pétalas de versos vermelhos
poeta das mais de 400 vozes
homem do olhar que me atravessa
e me consome de calores
me encanta estar despierto del mundo contigo
ya lentamente iré volando
con todo el sentido del término
volando volando hasta tus ojos
neles ficarás
té que não haja mais sequer um pôr de sol
té que a chuva não caia mais
té que os homens sejam extintos da Terra
tu,nos meus olhos, té que a vida se renove
e tu sejas, então, nuvem e calor
novamente....
em mim....
novamente
Novísima mente...
28.01.2008 - 04h30min
(Roberto Amezquita e Simone Aver)
Más allá?
... más allá también
te amo
para além do horizonte, onde os olhos já não alcançam
eu te amo
dónde tus ojos dices es el infinito
así te amo también
e andaremos por esse caminho de versos
que escrevemos com o cuidado dos amantes
e a paciência dos sentimentos mais ternos
el cauteloso andar el explosivo ansioso apasionamiento
de nuestras emociones
el ser...
hay algo que no sé muy bien como decir
há algo que não sei muito bem como dizer...
28.01.2008 - 04h23min
(Roberto Amezquita e Simone Aver)
Hay tanto que decir... (II)
Dicionário na mão,
procuro A palavra.
Talvez A expressão.
Ou, quem sabe, A sílaba.
Letra? Ou silêncio?
Estará o silêncio no dicionário?
Não o significado, esse não quero.
Quero o sentido, a forma, o cheiro.
Quero o experimento, o gosto,
o suor no teu rosto.
O suor que senti no teu rosto.
O suor que sequei do teu rosto.
O suor que lambi no teu rosto.
Tanto a se dizer a respeito
e nenhuma expressão suficiente.
Nenhuma descrição suficiente.
Nenhuma narração suficiente.
Nenhuma metáfora, hipérbole,
ou qualquer outra figura.
Nenhuma língua, nenhum idioma,
nem o espanhol, nem o português.
Hay tanto que decir
pero no hay palabras...
E também não há o silêncio.
Uma pintura, uma escultura,
uma arquitetura, uma ranhura,
uma certa estranheza que nada
se consiga dizer... Não sei...
E também não há o quadro.
E não há a mão suficientemente firme
nem o olho suficientemente aguçado
nem o corpo suficientemente forte
pra demonstrar o que existe.
Hay tanto que decir...
Há tanto que sentir... Ainda... E novamente...
28.01.2008 - 02h02min
(Hay tanto, Roberto...)
Amar um poeta...
Amar um poeta
é coisa engraçada
faz-se rimas do nada
faz-se versos do nada
faz-se canções do nada
faz-se, do nada, um tudo.
Amar um poeta
é viver poesia
no dia-a-dia.
É sentir brisa leve
suave harmonia
na linha que traça
lá, bem no horizonte,
a divisória entre o hoje
e o infinito mutante.
Amar um poeta
é sentir-se flor,
manhã, madrugada.
É conhecer a palavra
e sabê-la insuficiente
pra descrever todo
o amor que há na gente.
Amar um poeta
é pintar o firmamento
com as cores que se quer.
É amassar o papel de bala,
lentamente tomar café
e escrever nas paredes da sala:
Eu te amo, tu sabes como é...
Amar um poeta
é fazer poesia o tempo todo
no riso, no beijo, no sono,
na fome, na mordida no queixo,
no abraço, na noite insone.
É ler poesia juntos
e juntos versejar
no papel, no computador
ou na cama, tanto faz...
Amar um poeta é calar...
28.01.2008 - 01h46min
(Para Roberto... N O V A M E N T E ... rs)
domingo, 27 de janeiro de 2008
Gesto
Significo teu gesto
a mão no peito
o sorriso perfeito
o olhar que penetra.
Teu gesto tem luzes
que apagam as sombras
e estrelas cintilantes
e verbos e flores.
Teu gesto tem o dom
de fazer tremer o meu.
Tem um tamanho valor
que excede a própria excelência.
Um gesto que tem gosto
tem sonho e suor
delírios e mudanças.
Teu gesto.
Bordado de mudas palavras.
...el gesto interior que se expande hasta sentirse por la piel...
27.01.2008 - 15h47min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Fato
O dia deu em loucura
plantou poesia na minha porta
trancou a corrente das horas
e trouxe no vento uma certa doçura.
A rua refez o caminho
revivendo o momento já ido
transpôs o espaço e a notícia
choveu no molhado que sofria.
E eu, paralisada e nua, observo
a ascensão do projeto que não vi
e suporto, paciente, a distância
dos sentidos e das emergências
que afloram, provocados pelos suspiros
dos crepúsculos que se sucedem...
O dia morreu em doce loucura...
...muerto de ti
tal vez
contigo
iluminado...
*Roberto Amezquita
27.01.2008 - 14h28min
sábado, 26 de janeiro de 2008
Lançar-se
Sem colete salva-vidas
mergulho de cabeça no mar dos teus sonhos.
Dos nossos sonhos.
Compartilhados.
Vividos.
Intensamente vividos.
N O V A M E N T E.
26.01.2008 -20h40min
Canção
"Bem-te-vi", canta o pássaro, à janela do nosso quarto.
Bem-te-tive, canto eu, ao teu ouvido insone...
26.01.2008 - 14h05min
Hay tanto que decir...
Insuficientes são as palavras; nem que todas fossem reunidas
e delas garimpadas as mais raras, as mais preciosas, as mais belas,
ainda assim, não descreveriam nada do que existe entre nós.
Nos dois.
No Um.
No Um que sou em ti.
No Um que és em mim.
Nada. Nem o vocábulo mais rebuscado.
Escritura do mais erudito dos homens.
Virgílio, talvez? Júlio César? Borges?
Ninguém. Nenhum poeta. Nem tu. Nem eu.
Impossível...
...yo sé que no es tanto de palabras pero hay tanto
que decir al respecto...
26.01.2008 - dia nascendo...
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Cegos, nós
no vés el amor
no es tanto de ver
los que escribieron son ciegos...
(pero no como puedes entenderlo
sino ciegos)
*Roberto Amezquita
Cegos olhos para o que está aparente
cegos olhos que atravessam distâncias palpáveis
e vêem além, penetram no insondável
perscrutam o que sequer foi inventado.
Cegos olhos que alcançam a dimensão exata do amor
fechadas as pálpebras dispensáveis.
A visão necessária só precisa de um certo verso
de um certo poeta, de uma certa poesia.
O poema perfeito escrito pelas tuas mãos
na minha pele, no meu seio, no meu coração...
Teu nome.
26.01.2008 - 13h34min
(Impossível traduzir de outra forma, esse encontro...)
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Confissão (mais uma...)
Confesso minha pequenez diante da infinitude que me cerca.
Confesso minha mesquinhez diante da riqueza que me cerca.
Confesso meu orgulho de ser eu mesma e de ter chegado até aqui,
intacta, embora cheia de cicatrizes diversas.
Confesso minha inabalável crença de que existe algo que ninguém,
nunca, jamais, conseguirá explicar.
Confesso que busco explicações, embora saiba da
insuficiência de maior parte delas.
Confesso-me eternamente esfomeada,
eternamente insone,
eternamente esfolada
pela vida que amo.
Confesso-me apaixonada por essa mesma vida
e suas dissonâncias, discordâncias e impertinências todas.
Confesso-me viva!
25.01.2008 - 16h08min
Três
Três dias viraram cinco
três circos pegaram fogo
três fogos de artifício falharam
três dedos de prosa bastaram
pra entender que nem sempre três
são três ou cinco ou dez.
Às vezes, três são só três,
outras são vinte, outras são cem...
Depende da perspectiva
sob a qual o três se vê...
Depende da expectativa
sob a qual o três se tem...
Depende da estatística
que diz que três é três e não tem
pra mais ninguém...
Depende de a quem ou a que
esse tal três se refere...
Depende...
Se os dois acham que três é demais...
Imagina trinta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
25.01.2008- 02h25min
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Minha verdade relativa:
...o coração é um bom lugar pra abrigar a loucura...
...e o que é a liberdade, senão uma outra face da loucura?
24.01.2008 - 22h34min
Estrela
Meu poeta é verso leve
de luz intermitente
e garantida alegria.
Sombrero na sala
sombra da árvore
do jardim da casa.
Hora de semear brisa
e colher doces beijos.
Meu poeta é luz de estrela...
Manhã clara depois da noite fria....
24.01.2008 - 18h29min
(Para Roberto)
Ser
Eu sou uma palavra curta
engasgada na garganta do poeta.
O verso jamais escrito
a língua desconhecida
a nunca descoberta tradução perfeita.
Eu sou acervo e saudade
semelhança e rouquidão
medo e verdade duvidosa
dolorosa ilha cercada de verbos
por todos os entes...
Meus lados são abraços impacientes
são estreitos botões lilases
de rosas vermelhas recém-chegadas
das profundezas dos claros ocasos.
Hoje sou o que não fui antes
e o que não serei mais depois.
Morro essa noite.
Amanheço disposta.
Eu sou!
21.01.2008 - 17h13min
Entrelaçar-se
A letra luta na folha vazia.
Escorrega entre as linhas,
nas entranhas da fala fria.
Foge do texto apócrifo, escrito por hipócritas
e seus acrósticos rotos
de bolhas de orvalho supostamente fresco
e emboloradas sombras mortas.
Um poema cresce na noite escura
enriquece o rito mágico da loucura
que não tarda, nem falha: desorienta.
Específicas são as esquisitices das horas
em que o poeta se vê diante do alpendre
e nada mais lhe resta a não ser a letra
a mesma letra, paralisada na fala fria,
escorregadia, insegura, descoberta...
Um poema pula o muro, resgata a alegria
no sereno da noite fria.
Um poema sem mais nada além do elo
que o une à alma deserta do poeta doente...
24.01.2008 - 13h46min
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
S A U D A D E . . .
Presença na ausência
Ausência sentida
no presente, no passado, no futuro
que abençoa o abraço tido
que aventura todos os sentidos
e te sopra ao ouvido
bem baixinho, como quem perdoa:
S A U D A D E...
23.01.2008 - 14h24min
Rotina
Tracei meus contornos
no lápis preto sobre a branca folha vazia.
Trancei meus cabelos
no trabalho de sempre, nas ondas do dia.
Tracei os meus planos
baseada em erros e acertos já gastos.
Trancei os meus pés
sentada à escrivaninha de sempre.
Tranquei no armário a fadiga.
Transpus a covardia, o delírio, a insônia.
Transfigurei-me....
23.01.2008 - 22h38min
Subir, subir...
Insistente sonho de Ícaro
ir além
imaginar
interromper os limites todos:
Voar...
23.01.2008 - 22h32min
Energia
Eles estavam ali.
Transitavam livres entre os moradores da casa.
Eles.
Andavam atrás dos rumores
das tintas de muitos senhores
dos sonhos de mais de mil versos.
Eles.
Sem pressa, sem confusão, sem desgaste,
caminhavam entre as tábuas, ou não.
Eram muitos, presentes, ausentes, mas ali.
Não usavam disfarces por não serem vistos.
Não usavam gestos por não serem lidos.
Não suavam enfeites, não eram invadidos.
Eles.
Entre os moradores da casa.
Livres, transitavam eles.
Sem disfarces ou versos ou corpos.
Eles.
Os outros....
23.01.2008 - 22h11min
Transcendental
Vozes sopram-me versos.
Vozes ensinam-me a andar.
Vozes poetam pelos meus dedos.
Vozes insinuam-se no meu falar.
Escrevo vozes.
Vozes transpiram de mim.
Vozes cantam por mim.
Vozes desfazem meus erros.
Vozes suspiram em mim.
Versejo vozes.
Vozes apontam caminhos.
Vozes desenham meus traços.
Vozes escolhem as linhas.
Vozes transcendem espaços.
Eu vejo vozes....
23.01.2008 - 22h04min
Cenas
Os deuses guardavam as chaves
das dores, das mortes, da sabedoria.
Os anjos andavam sem pressa
nas flores, nos beijos, nos sonhos profundos.
Espelhos refletiam as labaredas dos fogos
de diante dos corpos, por detrás das cortinas.
Os sons espalhavam-se intactos
cacos de vidro esfumaçado nas vidraças vazias.
Os dedos entrelaçavam-se desesperados
entre sofridos e exaustos
entre confusos e nús.
Os sonhos faziam-se verbos sem nexo
sem propósito algum definido
só o sol que se fazia nascer entre nuvens
de um céu de profundo azul...
23.01.2008 - 21h59min
O que importa é a poesia
Bem-vindas todas as canções
os versos semi tonantes
os suspiros
os senões.
Bem-vindos os poetas cantores
as poetisas, os atores,
os embalos, as rimas, os amados
que escrevem
descrevem
subescrevem
seus amores.
Sejam versos
remédios
sonhos
outros ou afins.
O que importa é o encontro
que acontece
o desencontro
que amanhece
o reencontro
que enriquece...
O que importa é a poesia
isso sim...
23.01.2008 - 19h11min
69 E S T U L T Í C I A 69
69 beijos e queijos
69 xícaras de café
69 mil quilômetros
69 dias de fé
69 mensagens válidas
69 presenças em pé
69 ventos uivantes
69 poemas saudosos
69 folhas em branco
69 suores insanos...
23.01.2008 - 18h02min
Desabafo
E sou tomada de assalto por uma tempestade de areia, que me impede a visão noturna.
Os calafrios, as alegrias, os asfaltos, rangem debaixo dos meus pés,
terremotos em dia bravo, guerras intermináveis, sustos insuspeitos, medos inenarráveis.
O bebedouro da fonte da saudade é meu companheiro nessa viagem.
Soam-me familiares os ais das gentes perdidas nos campos,
nas cidades, nos parreirais. Não sou mais eu.
Sou uma voz que canta em mim...
23.01.2008 - 14h32min
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Queimadura
Queimou a mão enquanto preparava o almoço da família. A bolha, em forma de coração.
22.01.2008 - 18h19min
(Um microconto 'verídico')
Dúvidas
Quem tem a chave do futuro?
Onde o significado exato do verbo?
Ganha a corrida quem chega antes?
Qual é, exatamente, o valor do ouro?
Com quantos pratos de feijão se é feliz?
Qual é o limite entre a humildade e a arrogância?
Corre mais riscos quem se expõe mais?
O que vale a pena: viver feliz ou proteger-se da dor?
O acerto independe dos erros?
As carências são tuas mesmo,
ou será mais fácil colocar a culpa nelas?
A distância limita ou é uma âncora da covardia?
Ver apenas o bom x ruim, o bonito x feio, o certo x errado
é mais inteligente ou é mais fácil?
Onde o lugar do desejo?
Onde nasce o teu dia?
Foi Deus quem quis assim
ou tuas mãos é que construíram as pontes?
Se a ciência é exata, o que dizer da arte?
Se a arte é beleza, o que dizer da poesia?
Se a poesia é sonho, o que dizer da música?
O que é exatidão, beleza e sonho?
Quem experimenta, investiga, estuda... enlouquece?
Qual o limite entre razão e loucura?
Onde a razão absoluta?
Quais são os teus vínculos gerais?
Contradições ajudam ou atrapalham?
O que te leva a fazer essas escolhas, e não outras?
Quem decretou que a resposta
é mais importante que a pergunta?
22.01.2008 - 13h26min
(A)Normal
Às vezes eu penso
que a sanidade mental me ronda
com seus olhos muito abertos
e sua grande boca redonda.
Às vezes eu tenho certeza que vejo
só o que meus olhos me mostram
e até eu mesma me convenço
de que isso é assombração ou remorso.
Às vezes eu acho e acredito
que algum anjo maluco e esquisito
resolveu me deixar mais alegre ou o quê
por isso declama ao meu ouvido
tragédias e tangos e um certo bem-querer.
A sanidade mental me ronda....
Urge fugir-lhe das afiadas garras....
Evitar a caixa preta de música bizarra....
Que a normalidade esconde...
na última
escarra....
22.01.2008 - 0h51min
Nem eu...
Por absoluta falta do que fazer
invento formas novas para os meus versos tortos e empedernidos madrugadores
As dores das flores, não as sei, nem seus dissabores
mas sei de sabores diversos
e de versos e de amores eu bem sei
que não sou fraca nem bendita
mas dito a direção da faca na fita que se estende na ponta do pente. Entende?
Nem eu...
22.01.2008 - 0h42min
Conceitos
Rara é a areia do deserto.
Escassos são os ossos do ofício.
Edifícios são casas empilhadas.
E os teus olhos....
Ah, os teus olhos.....
Esses teus olhos....
22.01.2008 - 0h37min
P A L A V R A
P A L A V R A
lá
V O R A Z
p a l a v r e a d o
Sem sombra de dúvida
sem dúvidas ou sombras
sombras sem dúvidas
dúvidas e sombras sem nada
P A L A V R A...
22.01.2008 - 0h33min
Fuga!
As letras não se agrupam
as palavras não saem
as sílabas se recusam ao elo
as vírgulas viram farelo.
As frases não são
parágrafos não estão
evadiram-se todos
fugiram !!!!!
Não se sabe pr'onde....
E agora, como é que eu faço esse poema que eu tanto quis escrever?
E agora, como é que eu traço essa linha que eu tanto quis estender?
E agora, como é que eu me desfaço desse grito que eu tanto quis
GRITAR?
(Ai, ai... nem rima existe mais...)
22.01.2008 - 0h28min
(In)Existência
Suspenso no ar, sobre a folha de papel,
o lápis.
Suspenso na alma, sobre o peito descoberto,
o amor.
Suspenso na vida, sobre a calçada molhada de chuva,
o passo.
Suspenso no céu, sobre as nuvens o sol a lua estrelas e outros Planetas
o anjo.
E eu.
E tu.
Nós
juntos
suspensos
no
espaço
no
tempo
(in)existentes
...
22.01.2008 - 0h05min
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Miscelânia
Anjos sem asas, sem flautas,
cítaras ou sonetos
ditam-me linhas hipnóticas
alquímicas ilusões de ótica
autênticas concepções de poesia
inspiradas nas madrugadas de versos
de saladas de letras espiralhadas.
Fantasmas acabrunhados
povoam-me os sonhos, os pensamentos.
São canções destoadas que destronam cumprimentos
e constróem afeições e carinhos
inspirações em caixinhas de música:
ciência e arte, andando pelos mesmos caminhos.
Se a sina que me acende transcende o produto final
Einstein, inquietantemente espectralista, é igual
e o desfecho que aguarda a soma da poesia com a prova
é o amor que festeja e recebe, sem pressa, a boa nova...
21.01.2008 - 15h51min
Amor:
O que tenho por ti
El que por ti tengo...
20.01.2008 - 01h03min
(Roberto Amezquita e Simone Aver)
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