sábado, 19 de julho de 2008

Questionamentos I

Quem é o homem diante da sua própria criação? Qual a importância dos seus traços, diante dos tijolos erguidos por ele mesmo? Erigirá uma obra em honra ao coração? Até que ponto seus feitos são os provocadores da sua própria solidão? O homem se reúne para a troca, mas está cada vez mais só. De que adianta o outro, para esse homem? Terá ele consciência da pouca importância do que há em volta quando o outro não pode mais sequer andar? Perdemos tempo demais erguendo templos e escondendo-nos dentro deles. Moramos nesses templos, e os chamamos de 'lar', quando o verdadeiro 'lar' é qualquer lugar onde estejamos em paz... 19.07.2008 - 02h58min Comentário para uma foto do álbum ESSES MODOS DE VER, de Adrebal Lírio

Labor?

Respiro poesia.
Ela me vem de fora,
ofertada pela vida.
Eu só a colho.
Vivo da colheita dos versos
que estão plantados por toda parte...
19.07.2008 - 02h55min

Ressuscita!

letras putrefam fadas feitos ressuscitam letras nas histórias mal contadas que nos obrigaram a engolir lajes de luz, pás de inspiração holofotes que confundem e depois enterram no quintal de papel os cegos mortos no tiroteio das frases olhos fechados em ataúdes no tinteiro vermelho líquido na ponta da flecha e na veia e no veio e sobre o travesseiro o indescanço arranhando a madeira a indecência disfarçada na esteira estendida na soleira da porta trancada a chave. Mortos! Mortos! Mortos! Que fazem ainda no chão? Não escutam o poetar nas árvores? Como ousam não erguer-se ao canto de um pássaro da manhã? Os ninhos foram construídos à noite enquanto mortais normais dormiam o sono justo dos que por justiça lutam e o horizonte alaranjado anunciou o amanhecer. Reflexo polido por deuses, aos clarins anunciando o resto azul que virá se prostrar até o instante silenciar-se em escurecer. Que esse leve trilar estremeça a vida Que conceda ao homem a chance De, das cinzas, renascer e viver em poesia outra vez.
02h – 19.07.2008
Com Pedro Augusto

Poesia rima com justiça?

A poesia té tarda mas não falha nunca ao contrário da justiça que tarda, que falha e deixa no seu rastro meia dúzia de gente mo ri bun da... 19.07.2008 - 01h

Caleidoscópio

Extensa sensação de dormência. Muito próxima da anestesia. Muito próxima da inexatidão. Ou seria da exatidão completa? Da absurda clareza de visão quanto ao que me cerca? Ou da absoluta cegueira... Eu sei o que parece. E sei o que de fato é. O feto do pensamento. O encorajamento fatal. O fraternal encaminhamento. O sexo frágil. A fuga. Enfermidade. Fogueira vazia de fogo transbordante de queimação. O erro ronda o riso e é preciso mais do que atenção. A história repete o homem os homens se repetem nenhum aparece com a resposta entre as mãos. São solitárias as esquinas quebradas na rotina diária de andar sempre pra frente sem nenhum sobressalto sem nenhuma urgência sem lamento e sem perdão. Permanecem vazias as mãos.... 19.07.2008 - 0h19min

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ancestralidade

antes noite alta estrela sereno silêncio sossego solidão insônia medo Meu vínculo com a madrugada é anterior a mim a mim a mim... (buraco negro) 17.07.2008 - 14h04min

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Poetar é...

... apesar de tudo, CRER... 16.07.2008 - 21h11min

Poetar é...

... desabafar nos desarmados braços da metáfora
pra desabar em versos
e voar...
16.07.2008 - 15h

Minha verdade relativa

O despeito é só mais uma forma de dor... 16.07.2008 - 13h40min

Poetar é...

XVI ... libertar o eu-lírico pelo tempo que for necessário, só pra prendê-lo de novo, depois... XVII ... estar enganado mil vezes e preparado para as próximas mil... XVIII ... em tudo ver motivos pra poetar. E onde não houver, inventar... 16.07.2008 - 14h50min

Poetar é...

XIII ... enxergar além... e perdoar... XIV ... saber que as palavras jamais se deixam usar... XV ... sentir-se um trouxa... e gostar de ser assim... 17.07.2008 - 14h40min

Poetar é...

X ... nascer de amor, mesmo depois de velho... XI ... percorrer vielas desconhecidas, sem cansar... XII ... saber desde sempre que amor rima com dor e, mesmo assim, não desistir de amar... 16.07.2008 - 14h38min

Poetar é...

VII ... ver beleza onde não há... VIII ... predizer o futuro, sem pretender... IX ... prometer o céu e saber que a promessa vai se cumprir... 16.07.2008 - 14h35min

Poetar é...

IV ... de olhos vendados, ver melhor... V ... transformar uma despedida em canção... VI ... fazer versos de uma dor... 16.07.2008 - 14h15min

Tela suada de versos

Cautela para conhecer homens Montar elefantes Tocar ácido Abrir dentes morder músicas Morder a música, você não pode evitar a fome Tocar a arte, você não ousa domar o homem Não, mulher você não ousaria Abrir a ostra, você não pode sombrear a mulher Os elefantes? Talvez possa trancar Não, homem Você não poderia Talvez... Mas sempre libertará a costura da arte Uma hora você vai dizer "Saia daí e venha mostrar ao mundo como se vestir Queremos aprender o gozo” Vista-se de pérolas: pérolas no pescoço O mais é ostentação Tentação: tente a ação aço e dentes: acidente de percurso o curso das águas vertentes da selva Masturbe-se numa pele grossa Atente ao chamado selvagem Castigue o chão É sua tentação Pros olhos escondidos na mata Pinte na tela virgem o gozo da vida Descabace as virgens na caravana Pudores são formas de arte Impudor é sua ânsia Falso pudor, o seu castigo Não serei eu a lhe dar outra lição... *Escrito com Pedro Augusto, na madrugada do dia 16.07.2008 (http://elefantesvoltam.blogspot.com/.). Valeu, Pedro, de novo...

terça-feira, 15 de julho de 2008

EMARANHADO SOBREVOAR DE VERSOS PONTEIROS DESCALÇOS FUMEGANTES VERSOS DESCALÇOS CAFÉ COM POESIA EMARANHADA NA PONTA DA MADRUGADA MADRUGADA EMARANHADA

Café da manhã com uma ostra, um elefante ele quer só, ela quer acompanhar com sucos, iogurte, fruta do conde em murros, pretume, gasolina delicadeza e virilidade pra saborear. Cruéis nós em dedos, suaves laços no cabelo um filme de Kung Fu, lábios tocando um coelho branco. Todas as guilhotinas, estradas, florestas, ruínas revestidas de flores e regionais festas desnudadas em aço e cidades imperiais. Brindam com xícaras de líquido negro forte nos anéis das madeixas dela, saúdam as muralhas que avistam ao leste sobre rugas na tromba elementar. A vida se diluindo em cores a morte desbotando na escuridão a pérola, na pata do elefante a ostra alada de orelhas plana. Voar é criar raízes viver é poetar cair é ascender ao espaço como tomar café sentado ou colher fruta doce na ponta do pé.
*Escrito com Pedro Augusto (http://elefantesvoltam.blogspot.com/),
ENTRE ALGODÃO DOCE E ARAME FARPADO,
na fértil madrugada
do dia 15.07.2008 .
Valeu, Pedro!

Poetar é...

I ... ser pega pelo bafômetro da vida, bêbada de luz. II ...ter coragem o suficiente, pra temer. III ...expor-se tão desavergonhadamente, a ponto de se esconder... 15.07.2008 - 13h25min

O grito

Descabidas combinações desiguais em trôpegos mistérios baratos de insensatos poetares vorazes de canções e insetos esquálidos na folha vazia de equilibradas constatações.. Escrevo pra discernir meus erros; exerço o direito ao silêncio gritado em que a boca se fecha e as mãos se armam de lápis e letras impressas. Descrevo o murmúrio distante e frio das vozes que se deixam enganar. Espalho cinzas de sorrisos - cantos de sereia - nas linhas desertas que ninguém mais lê. Penélope, bordo o milagre em versos, enquanto espero por ti. 15.07.2008 - 13h

Fonte

Letras soltas dispersas no ar arriscam sentidos de encantamento. Símbolos e imagens são miragens quentes de olhos cegos que engatinham em direção das setas que não apontam pra lugar algum. Incertas horas de espera em que os estalos do dia soam feito arrependimentos saídos de escritos em letras garrafais. Garrafas d'água potável enfileiradas no escuro da via que não vai nem volta jamais. Genéricas são as palavras que te soam particulares enquanto pronunciadas por mim. Espetaculares versões de mundo de um futuro próximo que se distancia cada vez mais... 15.07.2008 - 12h03min

Da solidão

Da solidão nascem tantas estrelas... Da solidão criam-se ardências... Da solidão brotam vertentes... A solidão imita o eremita que se esconde, pra fazer valer o direito de não ser visto, de não compartilhar a febre, a dor, a ganância até... A solidão faz milagres. A solidão mata milhares. A solidão silencia os olhos de quem já viu o bastante. A solidão solta a garganta de quem não disse o bastante. A solidão é a companhia de quem ouviu tudo o que havia pra dizer... 15.07.2008 - 03h30min

Traição

Esperei que voltasses, perdido que estavas entre os cabos e as serpentes... Esperei longas distâncias, e, de tempos em tempos, marquei presença, pra ver se encontrava tua sombra n'algum verde vale ondulante. Nada. Não piscam as luzes que me avisavam teus olhos, não cantam os sinais que me mostravam tua voz, não pintam os canais que me clareavam tuas mãos. Nada. Esperei longas datas, té que o sono chegou antes de Ti. Foi com ele que eu te traí. Foi com ele... 15.07.2008 - 02h47min

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Heterônimos

Quantas de mim há em mim diferentes umas das outras extremos opostos de pensares ou semelhantes dizeres de mim? Quantas outras me habitam eu, que nem sei direito quem chegou primeiro à reta final, se a original ou as derivadas de mim? Quem criou essas terceiras, quartas, quintas vértebras a mais, que usam minha boca pra dizer que abusam dos meus dedos, a escrever o que querem e o que as assombra? Quem enxerga, além delas, a verdadeira moradora do meu corpo, que nem sempre se manifesta emudecida pelos gritos das outras? Quem me alcança? Com quantas pessoas diferentes consigo conviver dentro da minha própria casca, cada uma querendo a expressão exata, pr'aquilo que nenhuma de nós consegue exprimir? Qual delas é a verdadeira escondida por trás das faces múltiplas que foram nascendo [ou que foram sendo construídas] sem aviso prévio sem licença ou permissiva minha? E se qualquer delas quiser se valer da morada e assumir o controle do espaço reservado pra todas as outras? E se essa não for eu? Quantas faces existem por trás da máscara com que nasci? Quantas máscaras têm as mulheres que usam meu corpo? Quantas são as cicatrizes que escondo atrás delas? Quem eu seria se não fosse um heterônimo? Nada além de um fantasma, talvez? 14.07.2008- 13h18min

domingo, 13 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

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As luzes difusas Sem trapézio ou inspiração Rabisco círculos Por entre as páginas De um dicionário de mitologia. Invento pra eu mesma Alguma forma de perdão. Minto sobre minhas intenções E escrevo amenidades. Não tenho vontade de te seduzir. Passa. Esquece. Recita algum verso triste De despedida lacrimejante. Eu avisei Pra não insistir... 12.07.2008 – 0h56min

HERMÉTICO

A verve ferve o antídoto Engole a garganta muda Que acende a palavra dura No fundo do precipício Aberto pelos que crêem. -Eles ainda existem. Eles. Os que crêem – As páginas lotadas de versos Na agenda vazia de compromissos diários Esquecidos n’alguma esquina Que insiste em não se dobrar. -Elas ainda existem. Elas. As teimosas esquinas cruas- A caneta falha e a história tarda Talha o leite na caneca E o doce na compoteira azeda. Esvaziam-se os versos Como se esvai a vida Do corpo que sangra deveras. -Eles ainda existem. Eles. Os corpos que sangram - Por entre as grades da janela A prisão lá de fora Tem cor de liberdade fria. Espetáculo cancelado Por absoluta falta de público pagante. De graça, só se for palhaço, Que faz rir ao entardecer. Ao entardecer Faz rir, pra não morrer De fome de justiça, De fome de amor, De fome de prazer. -Eles ainda existem. Eles. Os mortos de fome- O espaço é restrito Não há como dizer Ou des-dizer ou contra-dizer Ou usar hífens sem autorização judicial. As palavras têm cheiro de adeus. *Derrapo na pista molhada. Fechei os olhos sem querer. Sem querer escrevi uns versos que me recuso a ler. Sem querer rompi os laços . O ponto de táxi procurei, sem querer. Sem querer tranquei a sete chaves a vontade de querer. E agora nada mais me prende. Uma semana é o suficiente pra eu saber que vou partir. Que vai doer... Em ti. 12.07.2008 – 01h12min

Desejo II...

... passar por ti na linha imaginária do tempo, e saber... Aos 30 minutos do dia 12.07.2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Desejo...

...que todos os princípios sejam estrelas perseverantes... 11.07.2008 – 02h50min

Insônia

Teço o infinito na terça parte da noite quando teu sono abastece de sonhos as luas e os astros que luzem por ti. Tranço sementes de sombras nas arestas exatas das horas que passam. Enfrento sozinha os monstros que passeiam descalços nas silenciosas madrugadas. Ruas vazias de empertigados viventes hostis. Ruas exaustas de riso e esperança exultantes de prazer e crença extenuantes: fulgor e dança. Enriqueço a presença rasgada na fotografia escura que fiz. O verso encoberto de areia e a curva no corpo insone serão testemunhas das linhas que eu jamais escrevi mas que leste em meu ventre ontem quando te servi. 11.07.2008 – 02h33min

Vieira

Voam meus ares por novos ares A vara de condão distante Desnuda teu corpo de letras Tu’alma de suspiros lentos. Sou eu quem desvenda Os mistérios da ostra, Rara pérola negra Nos olhos meus... 11.07.2008 – 01h23min

Ventania

Carrego todas as tempestades Nas mãos... 11.07.2008 – 01h19min

Alegria

Todos os tentáculos da alegria me alcançam E mordem a isca, presa aos cantos da minha boca E no centro do meu olhar. 11.07.2008 – 01h17min

Rouquidão

Um sopro faceiro de vida Pede passagem E licença Pra voltar... 11.07.2008 – 01h13min

Estrada

Meus caminhos são os que eu mesma invento Meus caminhos são os que desconheço E carrego nas costas a passos largos Enquanto a vida se distrai E eu me vingo da areia Que não pisei... 11.07.2008 – 01h07min

Milagre

Arrisco recortes de estrelas No céu arisco sobre mim Encontro flores vermelhas E espinhos maduros: Vida e rumores estáveis Nas pouco prováveis oscilações Das malhas de um tempo e de um espaço Que não almejam o fim... 11.07.2008 - 02h

Divagar

Deixo transparecer as transparências Da minha essência invisível. A olho nu encontras minúsculas Partículas do que tento evitar a todo custo. Desconsidero o confronto voluntário imediato Entre a garganta e o verbo obtuso Que esqueci de pronunciar Em todas as horas em que minh’alma foi tua. O milagre é reticente E condescendentes todos Os beneficiados por ele. Nuvens são cães, são gatos, São leopardos, são corpos inflamados De raiva, desejo ou pudor. Três tentativas de eternidade. Três tratativas de poder. Três formas de dor. E o amor? Aos 58 minutos do dia 11.07.2008

Ostra

Coleciono opiniões próprias só pra delas discordar a interrogação mora em mim e a fatalidade, no ponto final. São cercas de arame farpado todas as horas em que me vi obrigada a viver um instante que eu não criei, que não nasceu de mim, que eu não pari. A catarse me ganha o grito, a gana, a saga, a sina, a sanha. Ensandecida, rabisco versos livres. Recuso-me à permissão do erro. Entrincheiro a alma e aguardo nua a lágrima restante. Inteira, eu mesma mergulho no lodo ao lado da primeira estrela e deixo rolar a pedra sagrada: pérola negra ao longo do corpo cujos olhos observam, ao largo. Recolho as amarras guardadas nos parcos silêncios, nas abundantes palavras. Tranco a sete chaves a ostra nenhum olhar me alcança nenhuma luz me arranca. Rasgo a opinião própria e me aproprio do grão de areia: promessa de jóia vindoura. 11.07.2008 – 0h35min

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Morrer de rir

Um riso ecoa do fundo da vida um risco de bala fura o ar um corpo tomba morreu baleado perdido, ele e a bala a bala, que chega pra matar. Melhor seria a notícia se um riso ecoasse da superfície da vida se uma bala dançasse a refrescância de um Halls na boca do corpo que bailaria no espaço aberto do salão morrendo de rir, de alegria, de alegoria, de satisfação. Melhor morrer de rir... Nos primeiros 3 segundos do dia 10.07.2008

Falta de opção

Neste país, não temos muitas opções. Ou morremos nas mãos dos bandidos, ou morremos nas mãos da polícia, ou morremos de puro desespero, abandono, invisibilidade... Mas morreremos... Só não corremos risco nenhum de morrer de amor... ah, isso de jeito nenhum... 09.07.2008 - 14h54min

Norte

Estamos todos fora de foco? Perdemos o rumo? Ou eu é que, de repente, não consigo mais suspirar? 09.07.2008- 01h

Ainda bem que a gente pode...

...escolher.... ...esquecer.... e ...tentar outra vez.... Aos 16 minutos do dia 09.07.2008

Eterno retorno...nem um pouco terno...

O homem continua cometendo as mesmas atrocidades que aconteciam na História Antiga. Só que, agora, com a ajuda da tecnologia. O resto é absurda e absolutamente igual. 08.07.2008- 01h15min
*E Nietzsche, afinal, tinha razão...

Intenção

São minhas as intenções da hora que me sorri... 06.07.2008 - 18h35min

Nada a declarar

Soletre o sopro da letra que espera o amanhecer desigual nenhum princípio é agora... 06.07.2008 - 18h

domingo, 6 de julho de 2008

Haikai?

Folha de outono sem cartão de visita o dia se fez azul. 06.07.2008 - 14h

Sodadi

Sodadi é coisa que ardi bem aqui, Nu meiu du peitiu da genti. Sodadi é coisa ingrata, qui mautrata, Qui machuca, qui dexa duenti. Sodadi dá im quasi todu u mundiu, Di uma coisa ô di otra, Di quem viajô, di quem nim tá mais lá. Dá sodade inté da genti mermo, das veiz im quano! Mais a sodadi qui quasi mata, Aquela qui ti finca u coração, É a sodadi du bem, A dor da paxão. Essa, qui ti mata divagarinho, Qui nem si tu fossi morrenu di fomi, I nu fim é fomi mermo, Fomi du Bem que num tem mais... Num tem...
06.07.2008 – 02h39min

Par

De par a par, o par perfeito existe E está n'algum lugar... 05.07.2008 - 14h

Do gostar

Eu gosto de cheiro de pão, café e livro novo, Incenso de canela em casa limpa, queimando; Nascimento de idéia madura na cabeça. Eu gosto de ver pensamento brotando, Tomando corpo, iluminando a rua; De sentar debaixo de árvore De passar noites em claro De comer chocolate em pó, de colher, E dormir quando o mundo acorda. Eu gosto de cheiro de chiclet E de terra e capim molhado; De abraço demorado, De conversa bem longa, De sonho que não termina nunca De gente que sabe o que quer. Eu gosto de música suave E de emoção à flor da pele; De cabelo curto em homem, De cor de tinta e poesia fresca E de agradecer por ser mulher. 05.07.2008 – 01h21min *Aí, Dani, não te disse que dava poesia?

Rédea - curta?

Não tenho as rédeas da minha vida Ela é que me guia, pra onde quer me levar. Ela é quem decide pra onde devo ir O que escreverei, com quem conversarei, Que acento terão minhas palavras, Quais interações me aguardam logo ali. Não tenho as rédeas Não sei o que será Não sei do que se trata Mas acordo todas as manhãs Sabendo que andarei pr’algum lugar, Darei boas risadas e serei esperada Por alguém em algum outro lugar. Não tenho as rédeas da minha vida Nem preciso ter, pra poetar... 05.07.2008 – 01h

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Motivo único

A razão da minha poesia são esses versos tristes que chovem sobre mim nas noites sem luar... 04.07.2008 - 04h35min

Lei Seca

No âmago da questão, a velha máxima: lugar de bêbado é na cadeia... (o quê? essa máxima não existe? como não? se acabei de inventar!) 04.07.2008 - 03h43min

Anúncio

Tem coisas que só a poesia faz por você... 04.07.2008 - 03h37min

Questão de gosto

Mulher, sou poeta ou morcego. Só não poderia melancia ser... 04.07.2008 - 03h30min

Ensaio sobre a surdez

Estudei os acordes que acordariam os cérebros das bizarras bailarinas e seus bastardos espectadores. Estudei todos. Comprei partituras e os ensaios vararam as noites. A existência é tão curta (da inteligência) e a expectativa do sucesso passa pela forma de abundantes glúteos desprovidos de conteúdo. O sexo explícito escorre do rádio, da televisão, da letra daquilo que se convencionou no século passado, a chamar 'canção'. Canção? Concluo, então, ser mais prudente ensaiar outra coisa: a minha surdez, por exemplo, antes que uma melancia amasse a minha poesia... 04.07.2008 - 01h20min *Depois de uma conversa muito proveitosa com meu amor eterno Carlos Martinelli, que sabe o que é uma canção de verdade.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Desencontro

Exceto quanto te desejo meu dia tem um vácuo espaço de buraco sem fundo faltoso de significado. Exceto quando te espero as horas se prendem aos cabelos as bengalas não apóiam meus calçados as calçadas não amparam os passos [frios. Exceto quando te quero sou máscara ambulante, insensível sou prato de feitos e frutos invisíveis sou ninguém, que mira um ponto distante. Exceto quando o quanto é presente: TU! 03.07.2008 - 23h58min

Consolo

Estrondos escombros assombros ombros os teus... 23.07.2008 - 23h43min

Quantidade

Quantas vozes
declamarão meus textos?
Quantos corações
buscarão consolo
nas linhas que escrevo?
Quantas descrições
farei dos meus sonhos,
do que sinto,
do que vejo,
do que minto,
do que suspeito?
Quantos anos serão necessários
té que se entenda
que a letra é grito
que a noite me pertence?
Quantos delírios e ilusões
formam uma ponte
até o portal das intenções?
Quantas vozes
derramarão os suores
do meu rosto?
03.07.2008 - 22h58min

Exclamação

Olha só! O tempo tropeçou nos ponteiros do relógio sem corda! Olha só! A vida voou em duplas e os santos aplaudiram o minguar da lua como se fora bênção chegar atrasado em plena procissão marcada pra depois da missa na manhã de um sábado azul. Olha só! São três horas da manhã e o galo avisou que já vai partir, que a tristeza abandou o dia e que a noite vai dormir. Olha só! Minúsculos pingos de chuva molharam os anéis dos meus cabelos enquanto eu ia pelo aterro pra entender direito o que é, afinal, essa velha Poesia muda, que mudou o meu jeito e gritou no meu ouvido que a verdade anda crua, precisando de um pouco de sal, pra parecer mais gostosa. Olha só! Se esse nó te amarrou agora quanto maior será o fio do luto que a pressa da vida te amarrará... 03.07.2008 - 19h36min

O valor do silêncio

Shhhhhhhh Não digas nada busca em silêncio a rima pra tua dor. O embuste te aguarda na próxima esquina disfarçado de amigo disfarçado de circo disfarçado de amor. Evita as ruas lamacentas evita as alamedas lotadas evita as grandes multidões e os dias de chuva e os dias de sol e os dias nublados. Evita a presença da luz mas também foge da escuridão. Evita a palavra sequer pensada. Não, não pensa em nada. Evita o pensar. Busca a tal rima em silêncio absoluto absurdo abstraído de algum lugar. Evita tua própria imagem refletida no espelho do olhar. E compra o bilhete só de ida lá, pra onde queres estar. A rima te aguarda de pé, no topo da escada, que te leva para além de onde desejaste ir. Para além de qualquer parar. Shhhhhhh não digas nada até lá chegar. E quando chegar, CALA! 03.07.2008 - 19h22min

terça-feira, 1 de julho de 2008

?

Eu gosto da liberdade de não ter o amor que nunca foi meu... 30.06.2008 - 21h21min

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Depoimento para Adrebal

Fotografia e poesia andam de mãos dadas. Alheias ao alienado olhar aleatório dos que têm olhos, mas não vêem. A tua arte, fotografada, não é inerte. Ela se movimenta. Ela grita. Ela ferve. Ela inunda a rua e pinta de vermelho a esquina, pra mostrar que está viva. A tua arte arranca da minha garganta o verso, e transforma em lente o que é convexo, o que desmente a voz ausente. A tua voz que me faz falta... 30.06.2008 - 02h

In memorian:

... pedidos perdidos no tempo são asas quebradas de pássaros, de lamentos. Segredos sussurrados ao vento, pra sorrirem à distância na resposta: "eu entendo"... 30.06.2008 - 02h26min

Comentário

Se não me engano a palavra prende a presa e faz do longe o fio, de onde pende o anzol... 30.06.2008 - 02h23min

domingo, 29 de junho de 2008

Surpresa!

E a gente acorda, um dia, com uma tremenda sede de sentir... 29.06.2008 - 15h46min

Fechado!

Meu peito está fechado a chave não existe não há como entrar não fique triste... 29.06.2008 - 14h35min

O que dizem por aí

Dizem que quando o sol se fecha a noite vira solidão. Dizem que a lua é mãe da paixão, que o bonito M aqui gravado na palma significa MORTE que me leva pela mão. Dizem que sonhar é inútil, que poetar é fútil, que ganhar dinheiro é que é o Ó! Dizem que as lembranças são caras, que algumas pessoas são raras e que o espelho é o culpado pela crise. Dizem que é melhor atacar, que temer; e tremer, que surtar. Dizem que a forma da vida é disforme e que a informação é corrente. Dizem que tudo tem um jeito, que o que não mata, engorda, que o que não entorta, endireita. Dizem que Inês é morta, mas o cadáver eu não vi! "Dizem que sou louca" e que pareço a Rita Lee. O que mais dizem por aí? 29.06.2008 - 13h10min

O rosto

Não era o rosto de um morto; recuso-me a acreditar que seria. Era apenas e tão-somente um outro que através de mim, me via... 29.06.2008 - 12h40min

Enigma

A esfinge atinge o morto que se aflige em mim... 29.06.2008 - 13h

São? Não!

Não são feras não são monstros não são contratos de locação. Não são suspenses não são pertences não são... Não vão à forra não se vestem de falsas modéstias não cantam vitória não pirateiam amores não reclamam não são. Não aparecem de repente não partem num repente não repetem a aflição não são. Não emprestam o rosto não recitam oração não são outonos não são diários não são os donos das falácias, dos horários. Não são limites nem atribuições. Não são encantos devaneios ou ocultas religiões. Não são alianças nem trancas muito menos satisfações. Não são providência semelhança ou alucinação. Não são palha, nem espinho. Não são pedra, nem caminho. Não são... Não são segurança, estilhaço ou abandono. Não são circuncisão. São invejas são duetos são versos decassílabos são invenção. Criações estapafúrdias. São idas e vindas são espadas e cruzes e tonéis de tinta. São luzes? Não são... 29.06.2008 - 11h45min

sábado, 28 de junho de 2008

Quero viver de poesia

Comer poesia no café da manhã, no almoço e no jantar, ter cobertura de versos na sobremesa de doce de maçã. Respirar poesia leve sem a poluição da palavra breve sem a fumaça da regra cega. Vestir poesia colorida no inverno e poesia esvoaçante no verão. Andar sobre pedras poéticas poeticamente dispostas em caminhos-sonetos caminhos-poetrix caminhos-duetos. Se não for pra viver de poesia prefiro morrer. Mas não deixem, vocês, meus pranteadores, de colocar na minha lápide bem legível, o verso que diz: Eu quis viver de poesia só assim poderia ter sido feliz... 28.06.2008 -19h30min

Pesadelo

Eu mudei meu nome e meu jeito de dizer. Eu inventei outra assinatura, fingi crescer. Eu criei outro personagem, falei bobagens, usei peruca, mudei a maquiagem. Eu troquei o guarda-roupas, comprei diferentes livros (daqueles que 'a outra' que eu fui jamais leria). Eu passei a gostar de moto, de funk, de fast-food, de perfume barato. Eu comprei um jeans rasgado, pus fora o dicionário, esqueci o caminho da biblioteca e passei a odiar poesia. Eu nem sei o que é danceteria! Mas me amarro numa rave... Eu larguei o trampo, não me importo com fumaça de cigarro, com cheiro de cerveja e com gás de refrigerante. Eu agora gosto de destilados, e de alta velocidade. Eu não sei mais o que é jornal, o que é animal, muito menos o que é vegetal. Eu não tenho amizades, mas interesses. Não lembro mais como se escreve uma porção de palavras, entre elas a que eu nem conheço o significado: PAICHÃO (ou será PAIJÃO?). Eu não quero nem saber. Eu não estou nem aí. Agora que mudei, vai ser pra valer. Vai ser pra arrepiar. Vai ser pra ninguém colocar defeito. Eu quero mais é bagunçar. Afinal... (Foi só um pesadelo! Eu ainda sou eu... ai, que saudade de mim...) 28.06.2008 - 18h20min

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ponto de vista II

Algumas pessoas dizem que eu penso ter o rei na barriga. Mas eu só tenho um umbigo, oras! 27.06.2008 - 01h

Psicodélica. Um dedo de prosa... Poética?

Eu ganhei uma taça de fogo do Sol. No vidro da alma, dividi a intenção de sempre. Nas gélidas madrugadas de inverno, corri descalça sobre as cinzas da Lua. Meus erros quebrados escreveram versos de sonhos tranqüilos, de trocas e lutas melodicamente pagãs. Nos paradoxos obtusamente orvalhados cirandearam cicatrizes profundas. O milagre é uma fera enraivecida que engole parafusos de hortelã. E eu danço nua! Na mão esquerda, a castidade florescida. Na direita, um frasco de perfume azul. No tornozelo, discreta corrente, pequena placa: “Bons ventos te tragam”, nela gravada. E um cândido sorriso no movimento todo, a convidar os passantes da vida para um gole quente da taça de fogo; da mesma taça que eu ganhei do Sol... 27.06.2008 – 14h

Assuntando

O assunto dita a direção da hora. Se ele é puro, ela dura, ela é dura. Se ele é duro, ela arrasta, ela fica. Se ele é freio, ela estremece, é maldita. O assunto dista do interesse o espaço que não se permite medir. O quilômetro rodado que não se vê. O centímetro quadrado que não se espera. O milímetro exato, difícil de se obter. O assunto rasga a veia da retina, engole a cobra, quebra o pau, encerra a areia, cospe fogo e se recolhe na inóspita insignificância de quem já fez o que tinha que fazer. E perdeu a oportunidade de calar. 27.06.2008 - 13h

Axiomas?

Quantos personagens cabem em nós? Quantos nós cabem em "Nós dois"? 27.06.2008 - 01h27min *Um pensamento

Resultado de conversa de poeta-atleta

Ao voltar do trampo,
tapou os olhos
e saltou do trampolim.
Virou pirilampo... 26.06.2008 - 23h16min

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dúvida

No verão tenho preguiça tudo me cansa tudo me custa. No inverno tenho frio tudo me cansa tudo me custa. Ando desconfiada que o problema não está nas estações.... 25.06.2008 - 15h02min

Proteção

O escudo preso à mão esquerda impede a queda da brisa que sopra leve na carapuça amarela do suspiro de um deus sem rosto diluído nos sonhos de um indivíduo qualquer que apaga sem pressa os afazeres de uma vida sem direito a rascunho... 25.06.2008 - 13h40min

Cara-metade

Sou inteira. Não suportaria alguém pela metade.... 25.06.2008 - 13h47min

Religião

Vibração. O melhor do mundo no símbolo avermelhado que desconhece derrota. Poema encomendado aos pés do goleador IN-TER-NA-CIO-NAL!!! Ópio do povo, delícia de um torcedor? Mais que isso: religião. (O que não se faz por amor?) 25.06.2008 - 13h56min

Egocêntrica

Ao redor do meu umbigo gira um mundo: o meu mundo, que a tua língua insiste em definir... 25.06.2008 - 03h34min

A chave

*Esta tarde, depois de adiar por semanas a visita ao chaveiro, finalmente mandei fazer cópia da chave do portão de minha casa. Enquanto ele, muito rapidamente, atendia meu pedido, fiquei observando seu trabalho. E pensei: MÁGICA! Daí o poema a seguir... A máquina faz chaves: mágica. Mágica é a palavra, chave para um mundo inusitado. Plantando dizeres que abrem portas vão os versos vão as letras que vão dentro da gente. E o chaveiro, inocente, mal sabe que poeta é bicho triste, vê chave de poesia na fechadura do portão... Pura magia.... 25.06.2008 - 0h51min

terça-feira, 24 de junho de 2008

Controvérsia

Garimpo pensamentos raros entre as obviedades do cotidiano perdidos nas alamedas do que jamais poderia ter sido. Salto os obstáculos que se interpõem no caminho como se a lida fosse suficiente como se perder já não fosse o bastante. Estudo cuidadosamente a imperiosa substância não-tida. São fartos os dias de fartura duvidosa, de suspeita companhia. Procuro o silêncio desmedido pra escutar o que me diz meu sonho distante o mesmo que não pôde rasgar a realidade. Perco o ônibus na estação do trem enquanto espero as asas de um anjo disfarçado de sorrisos e de fruta amadurecida no pé. São lisas as arestas da aurora e firmes as presas do espelho que me sorri. A noção de limite é o sopro de um deus controverso que controla um universo vazio. São minhas as horas que doei sem pressa que voltei atrás que voei distâncias imprevistas. São minhas as faltas as ausências, as não-presenças que parecem iguais mas são contrárias entre si. O ponto obscuro é o fim do começo de vida que não conhecia bastecida de alegrias e divãs de analistas onde nunca estive pra voltar ao começo e encontrar raros fragmentos de pensamentos plantados n'algum lugar que eu nunca vi.... 23.06.2008 - 16h

De repente

De repente tudo vira de cabeça pra baixo de repente o tinto perde a cor a cor perde a razão, a razão, a palavra. De repente, o espaço está do avesso o passo é espesso o escudo, uma invenção de um louco desacostumado com a luz de um outro olhar... De repente, a desconstrução e tudo passa a ser o que está em outro lugar. De repente, a tese rasgada, a antítese no verso da folha amarelada e todo o dito des-dito, malfadado. De repente, o que acredito não sustento o que sutento não credito no símbolo suspenso sobre o teclado. De repente, negror e sal amargo torpor e braço dado saliência e serpente no delírio de um doente que se pensa santo e que atravessa o sol poente como quem brinca de ser criança. De repente a conversa inocente rasga as vestes e enfurece a dança de corpos distantes que estremecem ante o afago ante a proferida sentença que nega a venturosa lembrança. De repente acordam-se os sonhos e andam em dimensões diversas entre os paradeiros das criadas das mulheres, das trapaças, das vertentes de lábios avermelhados, das madrugadas, das vizinhas, das deslavadas caras de predadores famintos por leite diverso. De repente escrevo poema quando queria escrever um risco (apenas um risco) um cisco no olho do passante que arranca a trave e grita, com o espinho entre os dentes: "SE É POESIA, SIM! DOU O MEU ACEITE!" E o acerto é acordado entre todos os presentes. Se poetas, se dementes, não faz mal, a gente sempre ri de tudo mesmo, a gente sempre vai estar aqui, afinal todo verso se inicia assim num repente... Bem assim, de repente... 24.06.2008 - 01h38min

Caminhos

*Para um RICO amigo São tantos são claros são escuros; são longos estreitos controversos. São frios calculistas exatos. São monstros são medos são fetos. Caminhos são tortos são mortos são tímidos. Vazios poluídos excêntricos. Caminhos voltam pelos mesmos caminhos vãos. Caminhos são escolhas porteiras abertas ruas sem saída florestas. Caminhos são luas estrelas e serestas. Serenos nas madrugadas. Festas. Frestas. Caminhos são velas acesas são velhas histórias são frutas diversas. Caminhos são aberturas e chaves-mestras de nomes que não conhecemos mas queremos saber por quê. 22.06.2008 - 22h20min

Ando nua

A teus pés meu mundo meu sangue meu ar. Esparramados diante de ti meus membros minha pele meus sonhos todos. Não preciso de mais nada disso. Ando nua. Não tenho morada. Não tenho parada. Não tenho dono. Fica com tudo o que é meu, inclusive essa minha alma que te ama que te ama que te ama. Ando nua. Nem alma carrego nem coração. Fica com tudo o que é meu. Eu? Ando nua. Não tenho dono. Sou asa... e solidão. 21.06.2008 - 01h41min

Dos sentimentos

Sentimentos são feridas abertas carne-viva-pulsante-exposta. Diminuição do que se entende por "cuidado, não há mais tempo agora". Sentimentos são canções que desafinam no momento exato em que nos apresentamos diante de múltiplos olhares. Sentimentos são alçapões que se abrem debaixo dos pés bem na hora da primeira pisada a mais firme, a que mais esperávamos. E lá vamos nós, abismo abaixo. Sentimentos são fantasias vestidas em pleno baile de carnaval. Confundem a gente, confessam o desfile e riem como se a nós não pertencessem. Preparam um espetáculo circense e desaparecem no dia seguinte. Sentimentos são ruínas restos dos trapos que ficamos ao remendar os dias que se foram e que já tarde foram e que furam a memória maldita. Já pareceram melhores. Sentimentos são bolhas são borboletas são fiapos de lã que não servem para tricotar a blusa de inverno no calor do verão. Sentimentos são espinhos são rosas que jamais nascerão nos vasos arrumados das salas de espera da vida. Sentimentos não são... 20.06.2008 - 02h45min

Mistério

*"A coisa mais bonita que podemos experimentar é a misteriosa"
(Einstein, soprado por uma poeira brilhante...)
Nuances de cores na tela fria risos de diversos sabores pinturas inexatas insustentáveis pareceres cortados por cronologias absurdas e abstratas liras. Médicos, pacientes, malucos, internados na letra que dirige um olhar de soslaio entre o que seja e o que solucione o enigma transparente da palavra inexistente no dicionário vazio. Não pensamos, não olhamos, não diluímos os múltiplos 'eus' na catastrófica realidade - martelo de sono - que prende a vida por um fio. Não somos meninos sequer poetas somos. Estamos leitores do outro ou de si mesmos, espectadores? Mistério. 19.06.2008 - 23h20min

Restos

Restam-me os pingos dos 'is' as gotas de saliva expostas nas portas da garagem de um poeta aprendiz. Resta-me a manifestação da natureza insólita perversos verbos e versos presos à porta da geladeira com imãs que falham. Resta-me a cura que eu não quero nem pedi. (O que seria de mim sem essa minha loucura?) Resta-me a insensatez o delírio, a busca cega pela chave da prisão de giz. Resta-me a febre gasta o suor, o calor, o cansaço, a prenda que não ganhei, o cavalo que não montei, a lágrima que não disfarço. Resta-me o movimento extinto na boca pintadade vermelho vivo. Ao menos na boca, a vida. Ao menos na vida, a boca que diz: 'eu não quero mais já tive o meu quinhão já não me basta ser feliz'. 19.06.2008 - 16h

Fardo

O pardo fardo na poeira da estrada. O farto prato na beira do abismo. A língua amarrada na farpa do clima. O cataclisma aquecido na prece do dia. A tecelã embrutecida no fiapo da vida. A faca, o queijo, o pão, o mantimento da lida. A mala, o beijo, a mão, o lamento na partida. O parto da letra na folha da sina. Palavra vazia. 18.06.2008 - 23h32min *Só mais uma dor...

Corre,rio

*Quintana, citado pelo brilho ofuscante da poeira de uma certa estrela:
"A tristeza dos rios é não poderem parar"...
Corre, rio.
Teu destino é o mar.
Na passagem, admira,
ama, deseja,
a hera, a chama acesa,
o acampamento, os riscos.
Os sisos das serestas alheias.
Corre, rio.
Teu destino é o mar.
Adocica caminhos
alimenta verdades
dá de beber ao luar.
Banha as gentes,
os peixes, os olhares.
Transborda de vez em quando,
provoca mudanças,
acende nuances
jamais suspeitadas
na margem direita
do teu braço
dado co'a chuva
que te abastece e delira,
prazenteira.
Corre,rio.
Teu destino é o mar. O meu?
Oras!
Eu nasci pra te navegar!
18.06.2008 - 23h

Aviso aos navegantes

Não tente me entender. Não pense em me alcançar. Estou longe. Sou o vento que sopra no deserto. Sinta a essência, e trema. Mais que isso, impossível. Não se permita o interesse. Seria desperdício de tempo. Acompanhe o trabalho, se te apraz, mas não espere aproximação. Não há possibilidade. Nenhuma. Conserve a sua paz. O resto pertence ao nada. Não vale a pena. 18.06.2008 - 19h13min

Pensamento inacabado

A loucura tem gosto de mel. Um tantinho por dia protege das intempéries. Há quem a considere um perigo. Perigosa sou eu, que vivo a um triz da lucidez completa. Isso sim é que inspira cuidados. A loucura não... Complete, caro leitor, como preferir... 18.06.2008 - 01h29min*Enquanto todos os lúcidos dormem. Lúcido é o cara que sabe que está um frio de rachar e se protege debaixo das cobertas, na cama. Louca sou eu, sentada diante dessa tela fria, digitando num teclado frio, palavras sem nenhum propósito além de esquentar um pouco a escuridão que atravessa o universo. Geladas estão minhas mãos. Louca! Uma louca, eu, com sabor de mel nas veias. Gotas de mel na pele. E gelo no lado esquerdo do peito. Inverno em mim.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O 'X' do cinto

Não sinto o cinto. Se sinto não minto. O instinto desmente o sentir que é sina no badalo do sino que pressente o discernir da mente ausente de si. Ensimesmada retorno à sala e sugo a frase soletrada por ti. A fase de hoje é só um passo no descompasso certeiro do mistério em que eu não soube per-sis-tir. A luz acende o Sul. 22.06.2008 - 23h12min

domingo, 22 de junho de 2008

Nomenclatura

Clausura.
22.06.2008 - 22h

Caminhos

São tantos são claros são escuros; são longos estreitos controversos. São frios calculistas exatos. São monstros são medos são fetos. Caminhos são tortos são mortos são tímidos. Vazios poluídos excêntricos. Caminhos voltam pelos mesmos caminhos vãos. Caminhos são escolhas porteiras abertas ruas sem saída florestas. Caminhos são luas estrelas e serestas. Serenos nas madrugadas. Festas.
Frestas. Caminhos são velas acesas são velhas histórias são frutas diversas. Caminhos são aberturas e chaves-mestras de nomes que não conhecemos mas queremos saber por quê. 22.06.2008 - 22h20min

Eles

Eles têm mais paciência têm mais sabor têm mais consistência. Eles insistem mais acreditam mais vivem mais. Eles apostam mais arriscam mais enfrentam mais. Eles se doam mais se entregam mais se expõem mais. Eles se aventuram se aperfeiçoam se comprometem. Eles, os homens mais jovens. 22.06.2008 - 20h

quinta-feira, 19 de junho de 2008

EU


Signo.
Coração.
Corpo.
Meus.
19.06.2008 - 14h

Revolução

Juntaram-se os loucos e os profetas nas praças das cidades sem lei e o que se viu jamais se disse de ninguém: a poesia a dançar de mãos dadas co'a tortuosa faca de dois gumes; a romper com as barreiras e os umbrais que mantinham em pé as estruturas das pessoas de beleza vazia. A poesia, correndo solta nas bocas das malas pesadas, nas cabeças ocas que se soltaram e viveram a folia como nunca dantes fora permitido. A poesia, a bordar e pintar o dito e o não-dito popular. A poesia, a libertar o povo cansado de tanta heresia, de tanto falar. A poesia, a cantar a liberdade, a sorrir e a escutar o verso que, de fato, finalmente, virá... 19.06.2008 - 0h46min

terça-feira, 17 de junho de 2008

Eu não sou. Por tempo limitado.

Eu sou o nada. Eu sou tudo o que vai além da tua capacidade de percepção. Eu sou o que se esvai nos minutos que não me prendem a ti ou a qualquer outro. Eu sou o esquecimento em pele de mulher nua. Eu sou o que ainda serei e também o que jamais fui nem tenho a menor vontade de. Eu sou o oposto do que procuras o oposto do que precisas o oposto do que anseias tu. Eu sou a esfinge e a pergunta e a solução do enigma. Eu sou o deserto e a metrópole, a multidão e a solidão completa enclausurada em campo aberto. Eu sou tudo o que desejas e o tudo que jamais gostarias de ter. Eu sou a completude e o imediatismo. E sou a eternidade e a dispersão. Eu sou o que não vês o que não tocas o que não sentes tudo o que provocas tudo o que pressentes tudo o que invoca a tua mente irrigada de sangue quente e de fresco orvalho da manhã. Eu sou um sopro breve o ligeiro movimento da cortina o que jamais esquecerás por toda a tua vida. Eu sou o esquecimento e a virtude. O que está por vir e o que morreu há tempos. Eu sou quem desfila diante dos teus olhos desatentos e que perdes na curva do tempo por não teres a devida explicação. Eu sou o que não sei o que alguém procurou em algum lugar do universo. E jamais em tempo algum encontrou... 17.06.2008 - 22h

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A lava... a tua...

No céu sem estrelas
a língua
a tua
no meu céu sem estrelas.
Na curva da pele
a língua
a tua
na curva da polpa.
Nos poros abertos
a língua
a tua
no céu das curvas da polpa
de poros abertos
sou tua.
Suspiros certeiros.
No pico do monte
a lava
a tua
na polpa madura.
Açoite.
16.06.2008 - 01h