quarta-feira, 6 de maio de 2009

E-TERNO

Tempo curto...
'Pra sempre' é tão breve
tão ligeiro passa o sempre
e tanto por fazer...
Tantos encontros
aguardam as mãos espalmadas
tantas horas marcadas
tantas esperas
tantas procuras.
'Pra sempre' é tão curto
tão breve areia na ampulheta
tão ligeira a hora
que passa.
E tanto por fazer...
Não vá embora...
Pra sempre
é um tempo tão breve
e há tanto por fazer
conTIgo...
06.05.2009 - 22h34min
Depois da música e de saber que vais ficar só pra sempre,
porque tens outras coisas pra fazer...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

E se...

E se todos os restos se juntarem aos trapos dos pretensos absurdos que julguei necessários? E se todas as rezas forem realmente inúteis e os teus risos ficarem mudos de colírios e sonoras obviedades? E se todas as missas calarem os vasos vazios dos baús descascados escorridos escadas abaixo perto dos sonhos empoleirados que a gente não se atreveu a mentir? E se todos os pulsos entrelaçarem as mãos e as ervas brotarem dos musgos confessos improvisos frasais gravados nas linhas fantasmas das apagadas luzes míopes? E se todas as manhãs forem tuas e os bocejos e as lampejos e os desejos circundarem as estradas abertas diante dos pés descalços que apalpam as telhas dos sonhos qu'inda estão por vir? E se não houver mais nenhum motivo para as partículas e as películas forem castanhamente azuis e os pensamentos forem sutis e os cumprimentos forem reais? E se eu, de uma hora pra outra, materializar teus traços e TI alcançar... Haverá espaço pra interrogar? Aos 4 segundos do último dia de abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ir

E a vida foi vindo assim arrastando as bagagens do dia tropeçando nas pedras do caminho arregaçando as mangas puídas das desgraçadas evitadas dos sofrimentos enfrentados das peças rasgadas de espumas que foram ficando pra trás. E a vida foi vindo assim entre risos e blefes e compreensões das distâncias e constatações de ignorâncias e sensações de permeio das trocas pretendidas que não houveram ainda. E a vida foi vindo assim meio manca, meio bendita, meio atormentada de dúvidas, meio sem tempo sem orvalhos sem participações de luto ou coisa que o valha ou coisa que o vele ou coisa que o venda. E a vida foi vindo assim dia após dia feito frio da manhã de outono em anúncio claro de rigorosa solidão. E a vida foi vindo assim entre os dedos emergindo e entre os dedos escorrendo sem pressa com pressa presa no tênue fio que ninguém vê. E a vida foi vindo assim té deixar de vir... 28.04.2009 - 18h30min

segunda-feira, 27 de abril de 2009

1001 postagens

Engraçado. Uma vez chamou-me a atenção o número de postagens no blog. Estava eu, então, no poema 600. Não pensei que chegaria tão rápido ao 1000, no que reside uma certa estranheza, inclusive para mim: produzo muito, quase compulsivamente ('quase' é só pra não afirmar a plena consciência da compulsividade), logo, era de se esperar que o número 1000 chegasse logo. Pois já passei dele também. E isso me dá uma sensação de alegria plena. Esse fato, por si só, poético!
Uma vez escrevi que o Roberto Carlos queria ter um milhão de amigos e que eu me contentava com os poucos conquistados ao longo de toda a minha vida, e que cabiam nos dedos das minhas mãos. Não quero um milhão de amigos. Quero um milhão de poemas escritos, suados, chorados, sangrados, vertidos das minhas veias abertas.
Eu quero um milhão de poemas escritos!
Salve-se quem puder!
27.04.2009 - 18h15min

Escrever

Publicar idéias visualizar palavras sortir mistérios sorrir remédios contar piadas prender as águas derramar lágrimas proferir sortilégios. Publicar idéias provocar desgostos praticar sabores desmentir horrores conferir princípios desmembrar sucessos concorrer centelhas saturar espaços. Publicar idéias escrever impropérios permitir estorvos estocar cadernos partilhar olhares precipitar censores contornar parelhos controlar esforços viver a conta-gotas. Publicar idéias mergulhar a pena discutir a sina acordar o limite infringir a culpa infligir delírios instruir corcundas circundar oceanos desbravar caminhos. Publicar idéias. Amar. 27.04.2009 - 18h

Volta II

Voltar. A gente sempre volta. Nietzsche e sua teoria do eterno retorno. Eu volto. Demoro, mas volto. Volto a pisar os mesmos calos. Volto a sorver o mesmo cálice. Volto a sentir os mesmos suores. Volto a bendizer os mesmos benditos versos que fiz outrora. E volto. Volto de onde nunca saí apenas ausentei meus dedos ou minhas esperanças ou até meus humores. Mas volto. Porque foi aqui no grão de um poema qualquer que me perdi... 27.04.2009 - 17h55min

domingo, 26 de abril de 2009

Volta

Aos navegantes que tão simpaticamente reclamaram minha ausência, aviso:
a poesia mora em mim,
ainda que adormeça de vez em quando.
Não sei que sonífero ela toma.
Não sei que susto a assusta,
ou que medo a amedronta.
Não sei o que a faz recuar,
nem o que faz brotar esses versos
que planto em mim.
Não sei.
E não sei se quero saber.
Mas sinto falta de escrever.
Sinto falta dessa agonia que me dá,
quando quero, quando preciso 'dizer'.
Sinto falta da sensação
de descontrole
sobre minhas próprias mãos
ou sobre meus pensamentos,
quando ela me acomete
e se derrama feito bálsamo
ou talvez um outro ente
(quem vai saber?).
Sinto falta
feito droga no meu sangue
dessa tal de poesia
que me domina
e é mais importante pra mim
que a vida
(forte isso? nada!
repara, a poesia não é ela
mesma a própria: vida?).
Por isso hoje estou feliz.
Ela acordou.
Está de volta.
E me sorri.
26.04.2009 - 20h28min

Não vi!

E eu não aceitei
o copo cheio de digitais
entre os destroços
das vias que não voltam mais.
E eu não aceitei
o brilho da carcaça
errata impressa de letra
desdita sinuosamente
feito clarão de lua
em noite de tempo quente.
E eu não aceitei
a prisão
a pressão
a impressão de estar nua
sob os olhares divinos
dos divididos instantes
dos paradoxos desconexos
dos distintos censores
de duvidosas morais
(porque eles são muitos
eles são quase irreais).
E o X da questão eu não vi.
E o princípio ativo do sopro
que me pegou de surpresa
e me atirou no abismo
eu
não
vi
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas os tijolos foram postos
nos muros das ruas
que percorri.
Mas os estilhaços cortaram
os riscos dos vidros
que eu recolhi.
Mas os supostos estorvos
e os solavancos
e os olhos estreitos
debaixo dos panos
brotaram
I
M
E
N
S
O
S
e ergueram castiçais de prata
por onde escorrem ceras coloridas
de velas apagadas
que eu jamais acendi...
26.04.2009 - 20h

Escrever? Mais? Pra quê!

Nas vias digitais deserto de bacalhau - bacalhais? - Ai, que saudade da Semana, dos quintais, dos Drummonds, Robsons, das Cecílias, Anas, Lenitas, Douglas, Carlinhos - de Jesus? também, também, também -. Ai, que saudade das cascatas de versos que afogavam as mágoas e os desacertos e incendiavam o desejo de mais escrever de mais escrever de mais escrever animais sedentos de sangue de mais escrever de mais escrever de mais escrever. Ai, que saudade do tempo em que eu, cá no meu cantinho, inda tinha nas pontas dos dedos um canto triste pra mais escrever mais escrever mais escrever. Inda dava um jeitinho de ter no meu nome bordado bem grande uma TODA POESIA pra mais escrever mais escrever mais escrever. E hoje? Onde as penas? Onde os trapos? Onde as rolhas? Onde as sementes de vida? Onde os brotos e as ilusões intrusas que desencadeavam borbotões de luzes? Onde mais escrever? Escrever? Mais? Onde? Porquê? 26.04.2009 - 19h55min *Para meus amigos queridos, do Sarau On-Line: Lenita, Robson, Carlos, Ana, Douglas. Adoro vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 5 de abril de 2009

Um ano por TI

Faltam 99... Chegaremos lá... Um dia...

05.04.2009 - 01h57min

De mim, pra TI

*vou pedir emprestada a faixa, daqui a 99 anos

terça-feira, 31 de março de 2009

Quando tu vens...

Quando tu vens, todos as sombras se dissipam todos os medos emaranham-se em abstratos rolos irreais todos os segredos são castanhos todos os muros são transpostos e nada interfere em nada nem nos umbrais das portas fechadas nem nas distâncias materiais ou nas impossibilidades físicas talvez inexatas talvez oníricas talvez banais. Quando tu vens, tremem dos meus cabelos os cachos e todos os sábados e todos os domingos e todos os feriados são teus olhos, são teu brilho, são teu riso solto que ecoa nos ninhos que eu queria pra nós. Quando tu vens, nenhum soluço permanece e o próprio silêncio já é prece ou insistente desejo de que a vida assim de repente pare ou passe sem pressa de va gar como merece tudo o que realmente vale na minha vida ou na tua ou quem sabe na vida dela que tu sabes que se enternece só de ouvir falar em TI. Quando tu vens... 30.03.2009 - 22h44min Foto: datada de 30.03.2009 -EU

quarta-feira, 25 de março de 2009

Papiro

Escrevo.
Desconheço o limite
onde começa o delírio
onde termina a ilusão.
Escrevo.
Escrevinho mentiras
e açoites e afoitos rumores
de coisas que não haverão.
Escrevo.
Descabelo a noite
e a água fervente
na chaleira vazia
sobre a mesa oval de corda.
Escrevo.
Decoro as formas e os rumos
e as exatas medidas
que eu não soube escolher.
Escrevo.
Desato as gravatas dos nós
que não furam as agulhas
emperradas das máquinas
de costura de lavar de correr.
Escrevo.
Desabo sobre os dedos
cerro os olhos e as janelas da alma
e de todas as minhas posturas
vãs.
Escrevo.
Creio no frio da navalha
descrito no seio da linha
que corta teu rosto
e sangra teu peito
nu.
Meu grito.
Meu consolo.
Meu lamento.
Cru.
25.03.2009 - 21h

Here or Hero? (não-herói, mas aqui)

E eu aqui,
dê-lhe escrever em branco nas páginas turvas de uma vida incógnita. Pra que toda essa luta? Pra que toda essa verve? Se os pássaros morrem nos ninhos e as liras não tocam mais que uma nota mínima por dia? Pra que toda essa lisura de dias acesos nas bordas de um sol sem pontas pontiagudo mito? Pra que toda essa candura se os treinos não levam à taça se os pacotes se abrem vazios e os instintos são facas de corte? E eu aqui, dê-lhe permitir um instante de solidão... 25.03.2009 - noite

Peremptório

Sou o resto eterno
de minh'alma mortal.
Imobiliza-se o instante
sob o piscar perambulante
de um único olho vazado.
Esvazio o cilindro de couro
e escuto as vozes distintas.
Não sei o que é o mar
nem as sereias e seus cantos
encantos certeiros
de navios pesqueiros.
Mas
alto lá!
D'onde surgiram as vigas
amareladas e puídas
que emergem de negras nuvens opacas
nos dias de azul celeste anil?
D'onde, a poesia melosa
que deita os dedos em prosa
e contradiz a malícia
o desperdício
a poderosa e intacta tontura?
D'onde os mergulhos no nada
as canções jogadas
nos cantos dos planos arredondados
que a gente nem discutiu?
D'onde a imagem heróica
de um deus paralítico
que desfez os cadarços
dos tênis importados
de um certo aprendiz?
E eu aqui,
roendo as unhas e os dias
enfrentando as fronteiras do medo
afrontando as paradas exigidas.
E eu aqui,
(dentro do soco na boca do estômago da noite)
sem saber pr'onde ir...
Tem alguém aí?
25.03.2009 - 20h10min

Psicodélico

Arrasto as tamancas o sol diário não adverte do perigo de fritar os miolos da dúvida em plena praça pública e a dívida acumulada escorre ralo abaixo da vida enquanto a apreensão se instala na cuca -iguaria de café colonial-. Exponho os argumentos na bandeja dos olhos. Exploro a barriga da aurora com gargalhadas inauditas. Expando as prováveis razões insanas da sanidade bem vista e não chego a conclusão alguma a não ser a mesma de onde parti. Qual é? Não sei. Não vi. 25.03.2009 - 19h25min

Impressionismo

Encerro as gavetas de núpcias inicio outro cacoete presenteio o pacote encerado com abelhas e papéis amanteigados. Mordo o pão amassado e o sangue escorrido do lábio não é o meu! Compactuo co'a licença poética e desvio dos significados rasteiros que oprimem os comuns. Sou poeira e vertigem e essa falta de curiosidade ou me leva à loucura ou quase me mata ou me extravia pra sempre. Poesia é lamento vertente de mundos ocultos instrumento de tortura medieval. Surreal. 25.03.2009 - 17h02min
*Foto:Salvador Dali e seu impressionante surrealismo

terça-feira, 24 de março de 2009

Código (Morse?)

Ouso merecer a bênção
inda que ela me custe as noites
de um sonho sem sono
sobressaltos ou saudades.
Engravido das armadilhas da vida
e CORRO sem pressa ou medida
serpenteando entre os reflexos
de um ESPELHO de cristal intacto.
Tua imagem convoca meus instintos
fracos de percepção de decência.
Tu és antes de quase tudo
e a dor dos teus JOELHOS
incha os dias de receber-te.
Teu nome mora nos PESSOAIS OBLÍQUOS
e acompanha minhas falas diárias
colado em mim
-sangue VERMELHO nas minhas veias azuis-.
É suficiente o período do ANO
pra te dizer sem medida
ou intermédio algum
que o MISTÉRIO da tua vinda
e a alegria da tua permanência
são meus pontos-fracos-cardeais
coroados de CHUVA e reticências...
24.03.2009 - 10h48min
Não há necessidade de dedicatória,
quando se tem um copo de suco de laranja
TIm, TIm...

Sequência

Paralelas à minha outras vidas existem em que pesam as consequências das escolhas dos meus atos. As circunstâncias que me afligem atingem as feridas dos que me cercam. Evito sambas de uma nota só e adoeço de esperança pra compôr meus passos sobre a ponte de pedras irregulares que me separa do controle parcial. Os panos rotos de que fiz as paredes têm franjas e extensos rasgos de redes de cores verdes difusas e atrapalhados balanços rentes. Olha! A sombrinha aberta voa ao vento feito folha no outono da brisa recente. Quebram-se as varetas do jogo que sequer comecei a pensar. Sem querer, cumpro as correntes dos entes ensimesmados que eu não pude arrecadar. Os dias são vagos. Os vagões lotados de festejos enganam a torcida faminta e a partida é só o começo de mais uma outra longa subida. Assovio. Com os pés descalços pressiono o assoalho frio. As portas todas têm chaves e elas me espiam. Expiro. Decido? 24.03.2009 - 09h17min

Suspensão

E tudo está suspenso até segunda ordem. Palavras de algodão doce derretem na língua antes de serem proferidas. E tudo está suspenso até segunda ordem. E se eu contar teus dedos e se eu cantar tuas notas e se eu convidar teus pares... Tudo está suspenso até segunda ordem. Tapete persa legítimo tapete de pétalas de flores tapete de protestos escolhidos. Tudo está suspenso até segunda ordem. Na porta da sala, uma sombra os contos e fábulas lidos comentados entre risos. Tudo está suspenso té segunda ordem. As refeições de alegria corrompidas pela ética compreendidas pela estética. Mas tudo está suspenso té segunda ordem. Aos 19 minutos do dia 24.03.2009
*Baseado em Quintana, o Eterno:
"Tudo agora está suspenso.
Nada agüenta mais nada.
E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes,
o que é que derruba um castelo de cartas?"

segunda-feira, 23 de março de 2009

Dois

Dois olhares. Dois extremos. Dois estados. Dois trabalhos. Dois assovios. Dois sorrisos. Dois prazeres. Duas mãos (entrelaçadas). Dois vincos. Dois vínculos. Dois caminhos. Dois artistas. Dois calabouços. Dois almoços. Dois almaços. Dois braços. Dois elos. Dois selos. Dois seres. Dois dizeres (expostos). Dois supostos. Dois profanos. Dois sarcasmos. Dois deleites. Dois delírios. Dois insanos. Dois fogos. Dois fatos. Dois fecundos. Dois enfeites. Dois versos. Dois mundos. Dois aspectos. Dois. Hummmmmmmmmmmmmmmmmm Hummmmmmmmmmmmmmmmmm 23.03.2009 - 09h06min

Um

Um cochicho, um assalto, um sobressalto um espanto, um abraço, um sussurro um encontro, um travesseiro, um muro um estorvo, um entrave, um acerto um começo, um espaço, um pensamento um tropeço, um fio vermelho de cabelo um cinzel, um pano de prato, um pulo um caderno, um namoro, um escuro um pincel, um presente, um beijo um doente, um trovão, um entulho um medo, um motivo, um parente um dedo, um banco, um futuro um sonho, um romance, um susto um prato, um peito, um bocejo um vento, um violão, um casulo um mel, um véu, um barulho hummmmmmmmmmm... 23.03.2009 - 0h02min

domingo, 22 de março de 2009

Fotografia

Em tempos idos fui mistério

que hoje jaz, em foto amarelada.

Em tempos idos fui lágrima e chupeta

que hoje jaz, em lembranças recortadas.

Em tempos idos fui insegurança

fui 'talvez', fui incógnita ciranda.

Os tempos idos brotam hoje

nesse mesmo 'talvez'

nesse igual mistério

nessa idêntica esperança.

Jazigos que trago em mim...

Aos 44min do dia 22.03.2009

Querer

Quisera eu cercar-te de flores
e entre todos os sabores
o da minha língua ser o teu.
Quisera eu molhar-te de chuvas
nos dias quentes de estio
nas noites sofridas, nos desvios.
Quisera eu mostrar-te o Norte
ser tua bússola, teu pulso forte,
ser teu remédio, teu unguento,
tua alegria.
Quisera eu ser teu país,
tua família, teu esteio, tua razão.
Marisa Monte cantaria:
"Bem que se quis..."
quisera eu...
Aos 10 minutos do dia 22.03.2009

Eu

Eu sou o vento e a fantasia. Sou poesia e solidão. Sou o que está à mão e o que escapa. O que escorre entre os dedos e o que maltrata. Sou a nudez e o exagero, a febre, o sono e a delícia, a água na boca, a preguiça, a faca, o queijo e a reticência. Sou o disfarce de gente, da demência, e um anjo de candura na letra. Sou um grito calado, uma espécie de riso apenas sugerido, um tipo de dor inda não inventado. Sou a pretensão, o divórcio, a escolhida. A fera, o fogo, a exata medida. Sou a desconfiança vestida de mulher e a confiança cega, travestida de infância. Sou a relevância e a figura em quinta dimensão. Um sim prematuro. Um amargo não. Sou a fé sem fundamento e o soco certeiro, de direita. Sou a trave no olho e o tremor dos lábios, na hora do adeus. Sou o próprio adeus e o sorriso de boas vindas. Sou as rendas e as pintas das joaninhas verdes, que esvoaçam entre as flores vermelhas. Sou as trepadeiras e macieiras cheias de frutos doces. Mas também sou o frio, a fome e a miséria. Não pague pra ver. (O que diriam teus pares, quando, afinal, descobrisses que apesar de tudo isso, ainda assim quiseste me ter?) Aos 02 minutos do dia 22.03.2009

sábado, 21 de março de 2009

Um grito surdo

São nuvens de poeira nos olhos da vida cegueiras impostas pretensiosas medidas escândalos sucessivos e guerras enormes. Pra que? Se a ferida não sangra e se o sangue infectado não oprime? Pra que? Se o passado desmente a cobrança e o maldito cava buracos na penumbra das angústias que permeiam as bordas dos pratos de sopa vazios de instintos e de consciência de uma raça em vias de extinção. Pra que? Se os humores são turvos se os amores são passageiros se as crianças estão expostas se os velhos vivem de joelhos? Pra que? 21.03.2009 - 20h09min

Salvação II - A Lista

Eu quero um batom azul e uma trena um bombom de chocolate meio amargo e um generoso pedaço de pão. Eu quero um rio de águas claras e um contrato assina(la)do co'a solidão. Eu quero uma manhã enluarada com cheiro de orvalho e noites com jeito de flor. Floreiras nas janelas da alma sorrisos no retrovisor. Senhas escritas nas paredes parábolas e sementes e um bom cobertor. Eu quero um amor sem medidas uma loucura validada pela ausência de feridas. Eu quero a chama a lenha a comida. Todos os sonhos todas as danças todos os trovões todas as montanhas do mundo. Eu quero a cama a mesa o banho e as toalhas manchadas de alegria. Eu quero a cor do capim a cor dos teus olhos as asas do jasmim nas bandeiras da minha vida na única lista que penso importante ser. Eu quero TI ter. 21.03.2009 - 0h35min

Salvação

Eu quero um poema Que me salve da morte. Um verso, um verbo, Um encanto qualquer Que me aponte um norte. Eu quero um poema de açúcar Embrulhado pra presente Encrustado de risos E papéis de seda coloridos. Eu quero um poema permanente Desses que não se gastam No pós-leitura, facilmente. Eu quero um poema Que me restitua a saliva Que me apresente uma réstia de luz Que me acrescente dias Que me estenda tapete de peles vermelhas. Eu quero um poema Que me salve da morte E que nasça do sol Na lua crescente minguante No espaço breve e na partilha. Eu quero um poema de coragem Uma semente de vida Que me arranque da morte Um verso Um verbo Um encanto qualquer. Uma única medida... 21.03.2009 – 0h16min

Sonho ou fantasia?

Sonhei que não havia E o não haver Não impedia a roda Da fortuna Do infortúnio Da demência De crer na procedência De ceder a um haver bem-vindo. Mas eu sonhei que não havia! E mesmo assim A inusitada presença De impetuosa cadência Existia. Era só pousar a mão no peito. Sonhei que não havia O músculo O peito O pulso. 20.03.2009 – 21h10min

sexta-feira, 20 de março de 2009

Confusão

Navega meu barco em águas passadas redemoinhos gulosos devoram-me as entranhas e esperam ansiosos o ponto final do começo mas o lápis perdeu a linha e a tiara da vida brilhou mais forte cegando a impotência. IMPERTINÊNCIA! 20.03.2009 - 20h34min

Viagem

Todos os caminhos são surpresas. O mundo é um mundo de novidades à parte de nossas novas certezas. Compro um gato e um pente levo pra casa. Resisto à tentação do medo. Minto pra mim mesma e ergo uma estátua à solidão do poema. Quero uma ode bem escrita. Descrevo a trilha aberta e sou quase floresta no cotidiano de sonoridades de pedras e paus e sabores e todos os amores impressos em senhas suspensas várias. Vertigem. 20.03.2009 - 20h12min

quarta-feira, 18 de março de 2009

Delírios

*Daniel Cavalcante & Simone Aver

Flocos de talco flutuam próximo ao meu copo sujo O sangue suga a ferida da vida E assim toco meu gado uivante pra não dizer que o outono derreteu os meus calos A assadeira calunia a todos os descrentes na vinda do segundo Reich o absurdo desmente o medo que me amputa o sono Me torna homem-mulher, com cólicas, TPM e profusão de pêlos e desejos conecto com o mundo de Sofia e lambo os beiços da escuridão Somente para conseguir daquela acetinada o último grão-de-café de Shambala dentro do bolso da calça rasgada, todas as histórias de Sherazade Nuredim nunca nevou no norte da Noruega mas ao Sul do Equador, os gritos de adeus confundem-me os ouvidos É tanto furacão, tanto transporte... As pessoas voam como pedriscos dentro de sapatos de gigantes Cuidado! Criar asas é arriscar-se à peste da insanidade! Procuro uma coisa que não tem nome nem cara, gosto ou cheiro. Apenas fulgor. E quem disse que o peito não bate mais forte, quando nasce uma alegria? 15.03.2009 - 01h30min

**Ilustração: Barco da Loucura, de Hieronymus Bosch, In:

http://porcaseparafusos.blogbrasil.com/archives/2005_04.html

Bem guardado

Eu guardei teus beijos
nos bolsos da alma
escondi os desejos
na cintura do teu riso
e não foi preciso
mais do que um segundo
um primeiro
um meio acorde
da tua voz macia
pr'eu cair na tua veia
por vontade própria.
Eu guardei meus desejos
nos bolsos da cintura
da alma escondida
e não foi preciso
mais do que um ensejo
dois segundos
três terceiros
uma gota de saliva
da tua língua macia
pr'eu cair na tua voz
e tornar-me tua.
Eu guardei teu riso
nas conchas dos meus ouvidos
pra te reconhecer
onde quer que a vida
me/TI leve
leve
leve
leve
pluma de alegria
que meu peito aquece.
Eu guardei teu nome
teu riso
teu jeito
teu motivo
nos bolsos da minha vida
e costurei com flores
pra não TI perder...
18.03.2009 - 20h01min

Adivinha

Sanduíche de chocolate branco
pra esquentar tuas mãos.
Um bombom aguarda a lágrima secar.
Não há tempo para contar nos dedos
as vezes que desejaste partir.
São longas as feras famintas
como são ligeiros os dicionários
e as fábricas de letras
que reticentes torcedores
entornam depois das seis.
Contorno os cabelos recém cortados
do mesmo corte toda vez.
Encontro espelhos
e a imagem delira
diluída na fluidez do riso teu.
Conflituo com as canetas
estouradas de tinta
antes vermelha,
antes sadia,
antes nobre,
antes azul.
A luz me cega
a luz me guia
a luz incendeia
a lua
a rua
a tua carne
partida em duas
no assoalho da sala apenas imaginada
jamais suposta
jamais proposta
jamais imposta
estreita
de portas fechadas
e escancaradas defesas
devassas.
Adivinha.
18.03.2009 - 18h03min

Descrição

Debato-me entre espinhos
e salas de aula marcadas.
Sou sensação de voo
sem o circunflexo acostumado.
Costumeira impressão conhecida
abro os braços à fortuna
de saber-me visada
visitada de ombros eretos
refeita de membros expostos.
Minhas pernas são cansaço.
Ato meus braços ao teu destino
e calo.
Sou dormência e desalento
na calada da noite que te aguarda.
Meia noite
noite inteira
um quarto de hora
sem ponteiros ou discos
nas pontas dos minutos
que não passam
ou passeiam pelos meus olhos
feito cordões de calçadas vazias.
Acalento o desejo de seguir os calores
que sobem das pedras.
Vulcões.
E teu riso é canção afinada
que eu gosto de ouvir.
Não?
Uma negativa fecha-te as frases
e as fases das luas distintas
agarram as quedas quadradas
que eu teimo em insistir...
Orgulho da mensagem.
Mensageiro de um prisma.
Prisioneiro relutante de uma altura.
Não?
18.03.2009 - 0h

terça-feira, 17 de março de 2009

Arte

Todas as artes estão em mim
ainda que nenhuma delas seja eu
ainda que não as vejas
ainda que eu não consiga expressá-las.
Estão em mim
andam comigo
navegam meus mares
a b s o l u t a s...
Todas as artes
em mim...
17.03.2009 - 23h12min

segunda-feira, 16 de março de 2009

Angústia

Olhos abertos
apagada a lâmpada da alma.
Os girassóis deixaram
de procurar o Astro Rei.
Sem luz, os corredores se estreitaram
e a corrida de rotina
perdeu o brilho do orvalho
típico das manhãs normais.
É morna a hora morta.
São frias as mãos da vida
e os escândalos já não têm razão de ser.
Numa rua qualquer
um gato de cetim arranha a nuvem
que se deixa espremer.
O medo devora o riso
e o martelo define o momento exato
em que a trégua deixou de existir.
As forças esvaem-se entre as feridas
e um filete de sangue
no canto da boca do dia
denuncia:
não há lugar para renúncias
não há lugar para raivas tardias.
O parto é a porta da morte
depois dele, ALEGRIA!
16.03.2009 - 18h33min
*Quando tudo parece ir mal, lembre da dor do parto,
que eu TI contei um dia. Mas lembre também
que sobreviver a ela é de inenarrável valia...

Argamassa

Nevoeiro.
Transcendente espaço.
Mágica concreta
de palpável calor.
Escolho vocábulos nas falas de versos dos livros fechados que pousam nos traços das faces de anjos guerreiros. Voejantes asas azuis. Espanto episódios impróprios. Escrevo absurdos e sinto saudade de tudo o que está por vir. O porvir guarda o santo... Sem sonhos sou frouxa. Afrouxo os cintos da vida que me suspende que me delira que me batiza sem trégua, nos dias vadios. Ouço as vozes da impertinência e sacudo a poeira penitente dos pés descalços de frio. Libélula irrequieta, acentuo meus medos assento nas mãos de luvas libertas. Sou espinho e pedra no sapato (o teu?). Humana, cambaleio entre tuas pernas. Humana, serpenteio entre as penas que sofro. Humana, sacrifico apostas outrora impostas pelos meus desvarios. Humana, atravesso a lua e morro de fome todo dia pra renascer faminta à noite nutrida de força mas, principalmente, de poesia. 16.03.2009 -13h44min

sábado, 14 de março de 2009

Azul

Foi uma estrela azul
quem primeiro pariu o perdão.
14.03.2009 - 21h27min

Ignorância

Não sei o que me resiste nem sequer se existe essa tal in-com-pa-ti-bi-li-da-de de gênios desculpa tola pra fugir de uma verdade que assusta. Não sei o que me treme nem o que me tira do prumo arrumo explicações mútuas e te libero do trabalho de assuntos futuros. Não sei o que me entorta nem sequer se importa a palavra não-dita se pressinto o estorvo que estou na tua vida. Não sei o que me cerca nem sequer o que em cheio acerta o que aceito dessa minha medida vazia. Não sei o que me abarca nem sei como se embarca na viagem sem volta que ainda farei um dia. Ignoro. 14.03.2009 - 15h30min

Louca de pedra

Louca de uma loucura sadia de uma esperança insana de uma maluca doideira. Louca prendo os cabelos e os cachos se revoltam. Solto as revoltas e os cabelos se ajeitam. Louca completamente muda mudo meus cheiros mudo meus mundos mudo os espaços vazios. Louca navego estrelas estrelo espetáculos espanto o equilíbrio destruo as metas meto o pé na estrada e na porta fechada que me impede o vôo. Louca camisas de força enforcam os livros que jamais escrevi. Louca boneca de louça envolta em trapos rasgados de estio estico os elásticos cansados dos dias cansados dos frutos cansados dos ventos que não sopram que não vibram que não futuram. Louca invento verbos que não entendo crio melodias que não se cantam construo obstáculos que não impedem. Louca varro os ciscos dos olhos fechados invado barreiras fecho a boca e as mãos dos monstros que devoram os medos. Louca não perdoo nem perpetuo. Louca tomo remédio. Vicio. Louca espero por TI. Té que me restabeleça e morra enlouquecida de falta de excesso de queda de uma razão que não sofri. LOUCA! 14.03.20096 - 15h03min

Poesia

Fiapo de vida pendurado na ponta de uma metáfora qualquer. E a gente tenta entender o que é que o outro disse, quando deveria proceder à busca do quanto de nós existe nos versos que porventura um certo poeta escrever... 14.03.2009 - 13h41min

Bicho

Sou bicho solto
qualquer controle me perde.
Se corro, desista.
Se escorro, não me recolhe.
Se espero, silencia.
Sou bicho solto
nem toda palavra me acolhe.
Se estendo os membros
e devoro as linhas,
não mova os brios
nem acenda os fósforos
de fogueiras distantes
ou extintos calafrios.
Silencia.
Sou bicho solto
ar e fogo
vento e poeira
calmaria.
Silencia.
Sou o que não se prende
e se prender
se perde...
Sou bicho solto
na vida e na folia
na sombra de uma árvore que não existe
na existência de uma luz que já não brilha.
Sou bicho solto
não aceito algemas
não aceito dono
não aceito a ordem do dia.
S
i
l
e
n
c
i
a
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
14.03.2009 - 13h31min

sexta-feira, 13 de março de 2009

Gagueira

Toda poesia tem um fio de sangue escorrido Toda poesia tem um fio de cabelo vermelho Toda poesia tem um fio de vida pulsante Toda poesia tem um fio de um filho errante Toda poesia tem um fio e outro fio e outro fio e outro fio fiados trancafiados às pressas pelas presas dos tapetes persas que não fazem parte da história mas que ortograficamente são perfeitos. Aqui, toda poesia é contada em letras e se esvai pelas calçadas estreitas que gargalham satisfeitas de nada de nada de nada de nada de toda poesia safada que esfrega na cara a rima feita EITA! E o tempo escorre no ralo do esgoto de rugas que espreitam a pele exposta ao sol o sol o sol o sol o sol. Gaguejo o filme da minha vida.... E não conheço o final... Mistério mistério mistério mistério rio.... 13.03.2009 - 22h13min

Retalho

A surpresa atira-me ao rosto o instante
incógnito.
Saliento as esferas de sóis, luas, estrelas cadentes
incandescentes futuros
que não sei onde
nem d'onde virei.
Suspendo expectativas absolutas
espero o bonde da vida
impaciente.
Sangro antigas cicatrizes
quando o real me inunda.
Perco a hora, a razão, a cabeça e a medida
se me faltam as fraldas do afeto na ferida.
E sou deveras ambulante
pra ser cigana.
E sou deveras estreante
pra ser maldita.
E sou deveras dissonante
pra ser artista.
Suo água doce.
E o instante?
Recuo...
13.03.2009 - 16h12min

terça-feira, 10 de março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

Dúvida

Se não me acompanhares,
o que sobrará de mim? 07.03.2009 - 16h34min

Vida

Catártica armadura. Catástrofe e amargura. Solidão. Na curva do rio um peixe luta contra o ar que lhe explode os pulmões. Na curva do rio um cão abocanha a presa e não ouve sermões. Na curva do rio uma voz inventa canções e não há solução. Na curva do rio um sopro de luz um carvalho antigo um pio um suspiro. Na curva do rio a certeza de hoje a loucura da vida a volúpia do pão. Na curva do rio sobre a tua, a minha mão. E tudo haverá de valer pra Pessoa, pra mim, pra que possas saber. 07.03.2009 - 15h44min (De mim, pra TI)

Nada

Diminuo a produção de argumentos coerentes. Emito um apanhado de sem-sentidos tolos e desperto do pesadelo. Intacta, arranco os curativos e aventuro-me em nova busca. Meus olhos faíscam os fios vermelhos encaracoladamente soltos que adornam a satisfeita face de fase desdita que inicia outra tormenta. Pactuo com teus traços que sombreiam as ondas de mares distantes -águas que meus pés não molharão-. Documento é meu dizer talhado a ferro e fogo n'alma que se debate entre o que É e o que se não vê. Cato feijão na melódica curva do vento que o tempo insiste em me ocultar. Mergulho meus medos na luz dos teus olhos. Os passos não passam da porta. Empalho as cores de cabeça pra baixo desvirginando silenciosas madrugadas sem teus risos sem teus brios sem teus contornos. Sem mim. 07.03.2009 - 14h57min

Escritura

Escrevo. Meus termos passeiam por tuas garras abertas estreitas estradas escombros escolhidos a dedo. Escrevo. Suspeito do verbo parido sem dor: a-ca-dê-mi-co endêmica solução sucessão de erros desencadeantes de vazios. Escrevo. Liberto a tinta e o itinerário esvai-se pelas linhas que não ajudei a vestir. Escrevo. 07.03.2009 - 14h09min

Tendas nos desertos, enlameadas de sol

Sombra d'água corrói
o obstáculo insuspeito.
Lavo de poeira os mitos..
Sou louca de força e camisa de pedra
- a de vênus, esculpi no leite
do teu corpo escorrido -.
Meu nome pintado no muro de tinta
pro orvalho beijar.
Esqueço a primeira estrofe
da canção que jamais ouvi.
Risco um fósforo
e ascendo às nuvens.
Restauro minhas dúvidas
e os açoites da vida
são feridas permanentes
que aprendi a curar.
Meus segredos purgam estrelas
estalam as bolhas de luz
que pingam nas partituras
rascunhadas no almaço
amassado de gomos
e remédios crus...
07.03.2009 - 13h08min

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

VITÓRIA

Os seres são lutas
nenhuma delas igual
fases de lua
faces cruas
dores cruéis
medos fundados
em difíceis e intermináveis
dias fatais.
Mas o sol permanece
no calor do abraço irmão
e aquece
e aquiesce
e aquieta
e faz saber que a batalha
inda que árdua
inda que estéril
inda que só cansaço e dor
um dia amanhece...
Escuta:
há um canto de colibri
no teu quintal...
20.02.2009 - 21h30min

Quem é você?

QUEM, EU?
ÀS VEZES PENSO SABER QUEM SOU OUTRAS VEZES PENSO SER QUEM SABE OUTRAS VEZES NÃO SOU NEM UMA NEM OUTRA OUTROS SERES NÃO HÁ VEZES EM QUE AS OUTRAS QUE ME HABITAM ABREM AS ASAS E VOAM, OU SE FAZEM VER. ÀS VEZES SOU UM EMARANHADO DE PERGUNTAS ÀS VEZES SOU UM PUNHADO DE BUSCAS ÀS VEZES SOU QUALQUER COISA MENOS EU MESMA ÀS VEZES SOU APENAS EU MESMA MENOS QUALQUER COISA ÀS VEZES SOU LÁGRIMA ÀS VEZES SOU TERRA ÀS VEZES SOU MEL DE FATO CONCRETO NADA TENHO ALÉM DO FATO DE SER INCOMPLETA E DE PENSAR QUE QUANDO UM CICLO SE FECHA UM OUTRO VAI RECOMEÇAR. ÀS VEZES SOU CLARA ÀS VEZES NEM EU ME ENTENDO ÀS VEZES COMPREENDO, ÀS VEZES SOU BÊNÇÃO MAS NA MAIORIA DAS VEZES SOU MALDIÇÃO. CUIDADO COMIGO, ENTÃO. 20.02.2009 - 02h55min

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mulher

Cato pingos de chuva
nos raios de uma luz qualquer.
Canto sem letra a busca cega.
Caminho sem trégua.
Não sou sofrimento nem sonho.
Não sirvo pra sopa.
Nem sopa sirvo em prato de mel.
Não sopro bolhas de sabão no ar da sala.
Subo um degrau de cada vez
e na próxima, dez.
Tomo banho de pimenta e sal.
Corro sem direção.
Corrijo.
Suo o exagero e a falha.
Falo do que já não é.
Abrigo antigos temores.
Esqueço amores.
Amorteço quedas.
Amordaço monstros.
M
e
n
s
t
r
u
o
.
Eu.
Mulher.
19.02.2009 - 17h

In

Incoerente que sou, dou-me ao luxo diário de flertar co'a coerência, como se dela desejasse um instante sequer. Inconsciente que sou danço no fluxo diário de melódica impertinência como se dele desejasse um fio vermelho sequer. Independente que sou, dou-me ao prazer diário de te precisar toda hora como se nada mais houvesse além de ti. E não há... 19.02.2009 - 16h40min

História

São caules, raízes e limos tortos troncos de escolhas ou suspeitas sombras de assuntos supostos. Fantoches de borboletas brancas espetados em mostruários fantasmas. Texturas adivinhadas na compra de horas ou na cadeira de rodas quiçá no balanço vazio que corta o espaço pleno de desertos. As correntes arrastam os pés o mundo carrega as costas os descontos desdenham do amanhã. Esculpo sentimentos expresso alusões iludo o tempo escorregadio, que um dia me haverá de tecer. Devoro o cheiro do livro d'onde escorre o que não sei. Bato a poeira dos pés povoo meu ventre de novos intentos. Invento. 19.02.2009 - 16h32min

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dança

Os limites me estreitam sou amplo espaço preso entre as paredes de convenções que não inventei. Escalo orvalhos escondo olheiras esculpo acordos nas cordas das árvores - cipós - nas barbas de pau que escorrem nas babas do dia entre os lençóis de cetim e as novas regras gramaticais impostas - poesia? -. As abas das horas projetam alvoroços. Não sou algema mas almejo que teu sol me queime ao menos ilumine ou quem sabe até imunize meus caminhos de luz e anzol azul anil. Sou um par de pés descalços que escalam-te as costas de pele macia e 'kouros' no ar. Sou teu sono, tua voz, teu sabor e a fumaça que exalas. Sou teu sopro e sou eu mesma nua e desprotegida, envolta em versos transparentes que tuas mãos, teus olhos, tua fantasia, haverão de rasgar... Nos primeiros 10 minutos do dia 19.02.2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aditivo

.
e
.
16.02.2009 - 13h10min

EU QUERO!

Eu quero bolos e pipas e sons de risada e rodopios infantis dados pelas crianças imitados pelos adultos abençoados pelos deuses. Eu quero chocolates e sucos de laranja e misturas de palavras mal pronunciadas rendadasrendeirasreveladorasredentorasescaldantes. Eu quero a cabeça vazia de balão solto no ar de cheiro de pizza de sabor de menta de perfume cítrico de abraço apertado de coração palpitante de verso molhado espalhado sobre a mesa espalhado sobre a fresta espalhado sobre a batucada que incendeia o chão batido de frescas madrugadas e suco de limão congelado: pi co lé. É! 16.02.2009 - 20h

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Queda

(Hoje só quero quedar-me aqui....
e sorver a coerente
(in? será?)
versatilidade da canção
que nasce costurada nos verbos salientes,
desse bando de malucos-beleza,
que voltaram a povoar um certo santo bar....
Ah...
hoje quero quedar-me aqui,
e esquecer que há regras,
que há logros,
que há pipas voando no ar.
Hoje eu quero quedar-me aqui,
e tantas letras amar....)
02.02.2009 - 05h28min
(Alexis tratou a foto. Obrigada, querido!)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sou o que nada sei

Eu não sei em que verbo
meus versos te descobrem.
Eu nem sei se eles te descobrem!
Se és Aquiles,
não sei se alcanço teus tendões.
Se Eros sou,
as flechas miro nos teus olhos,
pra ganhar o urgente perdão.
Não estudei anatomia
- nem precisaria -
pra (não) saber onde lateja o dia.
Os livros me lêem ao avesso,
justamente quando sou perfume.
Danço entre assuntos
que não ouso apreender.
E me perco no nada
e não sei
e não sou...
Nascerei...
26.01.2009 - 13h49min

Do belo

Minha beleza nunca morou em mim vive nos teus olhos por isso mesmo é tua. 26.01.2009 - 13h02min

Limitações

Tenho um vocabulário limitado pela tonicidade. Não sei se de propósito ou se de puro desgosto, sempre evito a trilha certa prefiro os atalhos. E se a porta não abre, se a roupa no varal não seca, logo imagino um deus morto querendo me mostrar uma nova parafernália. Se a melodia destoa da voz ou se um livro pula a janela, é ela, a bruxa do espelho, que me sorri, avara. Enveredo por supostas alamedas desertas, encanto perdizes, e me perco em paraísos-defeitos. Desperto de um sonho impossível. O sono não me mata. Desculpa. 26.01.2009 -12h50min

A-Partes

Parto do princípio
de que minhas partes
participam de um todo
que independe de mim.
Ou que, dependente,
vira e mexe se rebela
e toma rumo próprio,
alheio à minha vontade.
26.01.2009 - 12h

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vôo

Quem voa longe alcança o que quer? Depende da altura do vôo depende da força das asas depende da intenção da distância ou, talvez, só dependa da gente e do tanto querer... 24.01.209 - 11h50min (Aí, Airton, não falei que dava poesia?)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

TI gosto

Eu gosto do tom da tua pele do corte do teu cabelo da tua barba por fazer. Eu gosto da tua postura do teu jeito de andar da tua forma de dizer. Eu gosto do movimento que adivinho do teu peito sob a camisa do suor que te escorre pelo pescoço do osso do teu joelho machucado do teu tornozelo dos bíceps dos tríceps e dos três quadrúpedes que são teus. Eu gosto das mesmas canções e da tua pouca idade avançada. Eu gosto de poder te dizer tudo e de às vezes nem dizer nada. Eu gosto de te ouvir muito e de muito te ouvir, te entranhar. Eu gosto de estranhar nossa diferença se é que ela há. Eu gosto de esperar por TI e de te esperar, sonhar. De tudo o que eu gosto, o que mais eu gosto é de TI gostar. 23.01.2009 - 04h34min
("Eu gosto de como teus olhos
acompanham teu sorriso...")

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ser

Sou um ponto no mapa
talvez um grão de areia
no prato fundo da sopa
de letrinhas.
Sou bola de sabão
que explode no instante
quase primeiro
em que se formou.
Sou pluma,
espuma de mar.
Sou escaravelho
ou talvez apenas esteja velha
pra definir
quem fui...
22.01.2009 - 19h21min

Disfarce

Sem rosto, sou corpo invisível
querendo voar...
22.01.2009 - 19h14min

Véus

Serão pedras supostamente mais leves
disfarçadas de solidão...
22.01.2009 - 19h09min

(In)completa

De mim sempre falta
um pedaço
de mim...
A morte,
talvez....
22.01.2009 - 19h

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pedir por favor

Papel pede água.
Eu digo:
Olá.
Derramo tinta nele.
Pinto.
Coração pede porque gritar
se o amor não vem?
20.01.2009 - 16h39min
(Esse quem escreveu foi Alina, minha herdeira de versos,
minha filha, minha mais perfeita rima...)

Sob medida

Ele me pediu um poema
mas
como se derrama o coração
no papel?
20.01.2009 - 16h34min
(Sob medida, pra TI, só EU)

Doideira

Hummmm... tem uma teia de aranha logo ali uma barata passou correndo em direção à cozinha ai ai ai só falta rato e ratoeira e barulho de roedores pelos cantos do bar ai ai ai uma teia de aranha logo ali quando é que vamos movimentar logo aqui? aqui? aqui? uma teia de aranha logo ali e minha poesia tá presa emaranhada nas colas caladas dos poetas anônimos dos conhecidos anônimos dos sinônimos antônimos parônimos será que são parecidos com o rato que roeu a corda da aranha logo ali? e o meu verso que não se solta dessa teia colada dessa teia liberta? e o teu siso que não se arrisca no vôo impreciso que a teia permite logo ali? cadê esse meu povo que não vem aqui de novo pra matar a aranha pra pisar na barata e assustar o rato que rói esse meu verso sem nexo sem queijo sem acento agudo ou circunflexo? e a teia persiste em prender meu poema... Moço, um copo de suco de laranja por favor, sem teia de aranha sem barata boiando sem pêlo de rato (ai, que esse acento já era... e eu não sei mais escrever... ai) 19.01.2009 - 06h

Inutilidade

É inútil minha arte.
Ela nada te acrescenta
além de perguntas
cujas respostas
são outras interrogações.
Se meu corpo te fala,
não afirma;
provoca.
Se meu risco te grita,
não define;
duvida.
Se minha palavra te diz,
não explica;
confunde.
Se meu gesto te traduz,
não expõe;
multiplica.
Minha arte desfia lãs.
Desfila curingas e copas de rainhas.
Minha arte copia sonhos.
É incapaz de soluções.
Respira o vício da busca.
Procura.
É inútil minha arte.
Complacente, passa por ela
e sorri...
20.01.2009 - 14h20min

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Por enquanto

O canto do copo quebrado na boca.
A parte sem todo, manca.
Silêncio na noite, sono insosso
sabido remédio pro meu desespero.
Delírio sem trégua. Distúrbio.
Enviesado revés de vida. Sorte.
Na lata do lixo, os muros.
Esmurro as pontas das facas.
Enfraqueço os mitos.
Desminto as madrugadas.
Amanheço viva.
À cabeceira dos dias, sinto.
Ainda.
E só por enquanto.
19.01.2009 - 13h50min

(Con) Seqüência

Derramo no corpo tinta branca
pra pintar-me a alma
cansada das mesmas nuances de cinza.
As expectativas seguem-me os passos
como se já não me bastassem
as incessantes chuvas de verão.
Discordo da maioria
e descanso meus pés
na estrada da esquerda.
Desvio dos caminhos
superpopulosamenteentediantes
e mergulho no que considero vivo.
Descubro reflexos onde não sabia
e almoço soluções tardias para meus defeitos
vários
avaros
inválidos.
Sem sol, secam-me as carnes
de uma fome que não me cabia.
Abrem-me vagas nas poças d'água
e minha imagem já não é.
As muralhas pesadelam-me.
19.01.2009 - 12h30min

sábado, 17 de janeiro de 2009

Definitivo

Tu és qualquer coisa que não encontro no dicionário.
Talvez sejas um perfume
ou um vocábulo grego.
Talvez sejas a mordida na maçã vermelha
ou o peso do cinto na minha pele.
Tu és alguma coisa indescritível
maior que MARAVILHOSO
mais forte que CORAJOSO
mais leal que o som de voz difuso
perdido no nebuleiro da distância.
Tu és qualquer coisa que eu não encontro no dicionário.
Não estás lá.
E eu não sei como TI definir...
Eu não sei...
17.01.2009 - 06h
(Acontece que TER dispensa definições...)

Moço...

Moço, chama aí alguém que esteja passando com uma viola debaixo do braço
Um dedo de prosa
uma pitada de poesia
um tantinho de pimenta
e está pronta a mistura perfeita
pra melhorar o meu dia...
Moço, chama aí alguém que esteja passando meio malemolente
que aqui um jeito dá à gente
meio sem medo de andar sem pressa
nesse bar escurecido
nesse lugar em que esqueceram
de acender o lampião
c'o último fósforo
da carteira vazia.
Moço, chama aí alguém que esteja passando com um livro não lido
entre as duas mãos de um ente querido
que as mulheres querem ouvir canções
que os homens querem arrastar as asas
e os chinelos e os tambores e as pretensas verdades
que as falhas acodem nas mesas vazias.
Moço, chama aí alguém que esteja passando
pra preencher a madrugada transbordante de um vácuo mudo
incandescente de uma tênue e lúgubre folha branca...
Moço, chama aí alguém
que eu já não aguento
de solidão...
17.01.2009 - 02h12min

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Semântica

No meu dicionário de significados
os sentidos jazem sobre as flores
e as palavras são meros espectadores
dos meus obscuros emaranhados.
Desconstruo o poema
como quem senta à mesa
do banquete de um Imperador.
Cato feijão nos acentos circunflexos
e alinhavo a próxima estrofe
com as batidas do meu coração
como quem planeja uma metrópole
(mas metrópoles são desordenadas
desorganizadas
barulhentas
violentas e ricas
de qualquer coisa mofada
que purga de suas feridas).
E a minha criação se ri
do que seria um abismo sem fundo.
No canto da boca-página
um filete de sangue
escorrido do vocábulo
escolhido a dedo
pra não assustar os estranhos
que povoam os ninhos
dos meus pensamentos.
Apalpo as linhas que visto
e já não sei se o que vejo sou eu
ou os meus instintos escritos
descritos
pormenorizados
na avalanche descontrolada
- poética impertinente -.
O ritmo da tua leitura
mantém acesa a chama
e o espaço entre uma e outra escrita
permite o descanso do vazio
que sucumbe
ante o braço enlameado da plebe.
As farinhas desmancham os pães.
Sem alimento, farto-me de orvalho.
Estremeço.
15.01.2009 - 13h10min

Um dia...só

Como seria se só existisse o dia? Talvez faltasse uma pitadinha de poesia na pimenta da estrela que a gente não viu... 15.01.2009 - 01h30min

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Brinde

Talvez estejamos nós dormindo... Sonha, que o tempo é deveras ligeiro Sonha, que o medo é deveras sem freio Sonha, que o sentimento é das claudias ou das heloisas, ou das simones, talvez das marisas, ou das lenitas, outras quermesses, outras diretrizes, outras mordidas doendo nas carnes, outras vertentes cobrando pedágio, outras estradas outras verdades outros poemas brotando dos vales das entranhas da terra das entranhas de mulheres poetas... Mas e os homens profetas? Moço, um brinde à poesia feminina, tão perfumada tão lasciva, tão bendita, tão desarmada, quanto um copo de vinho tinto... Brindemos, amiga Lenita, enquanto os profetas não chegam enquanto os homens não estendem, eles também, os copos transbordantes de delírios... Brindemos, amiga Lenita... Brindemos à poesia blindada que brilha, inda que presa... Brindemos... Brindemos às odes, aos sonetos, às desordens dos versos... Brindemos à magia da vida... 14.01.2009 - meia noite... (Para Lenita, amiga poeta)