terça-feira, 16 de junho de 2009

Contigo

Se são nítidas
as impressões das lâmpadas apagadas
na estrada que desconheço
e se tateio o espaço
à procura do calor que não alcanço,
se bendigo o teu nome
e se sustento meus caprichos,
se lanço sementes de sonhos
e se abrigo tua insegurança,
se moro num projeto distante
e se assumo tuas lutas
como se minhas fossem,
se encontro a tarde calada
e se entendo teus tímidos sinais,
se espero pacientemente
pelo vão do tempo escasso,
se atraso os afazeres
e enfeito de cuidados
as horas dos sustos
lembrando que as quedas fortalecem
e que não há motivo para sofrimento,
se jogo e permaneço,
se não durmo, se estremeço,
se molho minhas entranhas de desejo,
se escolho acreditar nas tuas escolhas
se opto por andar contigo
e se abraço tuas causas
porque elas estão em ti
e tu carregas meu peito,
então não temo, nem desisto.
Estar contigo é o que me basta.
16.06.2009 - 14h10min

terça-feira, 9 de junho de 2009

Desabafo

Banana? Tomate? Remédio de farmácia Amitriptilina E sei mais lá o que.... Uma tonelada de bananas Dois mil quilos de tomate, suco de comprimidos compreensão e compressas de panos úmidos. Tapo o sol com a peneira e peneiro o ouro que escorre da manga do pólen do girassol que virou anjinho e me trouxe um sopro de descanso nesse raio de deprê... Uma tonelada de Rivotril com suco de tomate e batida de banana caturra misturada com cenoura e leite gelado nesse frio do sul o meu sul pólo sul agora nessa minha bipolaridade latente. Haja bananas haja tomates haja farmácias haja ombros e ouvidos e abraços e travesseiros de penas e provas de motivos pra sobreviver. O Sono me suga e a fome me devora nesse pólo de agora.... Quanto tempo, pra muda de pele da cobra? Não sei; ninguém sabe, mas as bananas existem e os tomates também. Vamos aos sucos espremer meu sangue no copo transparente da bula do corpo esguio que eu tento carregar todas as manhãs inventando novas manhas pra desviar dos bueiros enormes que se abriram no meio do caminho; pois é a pedra de Drummond virou bueiro nessa minha depressão... E haja bananas.... 09.06.2009 - 2h Ainda não é uma volta.... só um desabafo

sábado, 6 de junho de 2009

QUERIDOS LEITORES:

Ficarei algum tempo fora do ar, para resolver algumas coisinhas de dentro de mim. Organização interna...rs... Não sei quanto tempo precisarei pra essa faxina. Costumo ser demorada nas minhas 'arrumações'. Mas voltarei qualquer hora dessas, renovada, estejam certos. Tenho certeza de que vocês ficarão bem. POESIA SEMPRE!!!!!!! Mil beijos e até a volta...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Definição

Poesia é uma lágrima que virou verso e pingou.... 05.06.2009 - 20h11min

Tempo

Na primeira metade do tempo menti que podia. Na segunda metade fingi que sabia. Na terceira metade fiquei, à revelia. Na quarta metade sorvi o peso do dia. Na quinta metade descobri que sofria. Na sexta, desisti... De quantas metades precisa um pretérito mais-que-perfeito? 05.06.2009 - 20h02min

Contração

Persigo o horizonte caçada ininterrupta coberta de abelhas mortas e estradas de areia movediça. Imito o som que não distingo afogo as mágoas na cachoeira do destino e nas lágrimas que guardei. Exercito meus dotes culinários e produzo maravilhas incomunicáveis. Apimento meu sangue na moldura do espelho e devoro os sinais que não entendo porque sou felina e ferina e faminta de imagens coletivas que não sou capaz de discernir. Engulo a fama de louca. Aprendiz de marinheiro, navego em terra firme. Passeio os olhos pelas promessas apenas suspeitas penduradas nas paredes da sala de trás do parto da rua. Misturo mel e sal sobre uma fatia de pão seco. Assalto o medo e machuco a queda instintiva. A multidão vazia abstrai meus brios sufoca meus estrondos encolhe meus nervos na tentativa absurda de calar-me o chão. Tremem meus pentes nas fronhas das misturas dos dias escusos. Escondo o escuro. Estrela dolorida de contração. 05.06.2009 - 19h16min

Criação

Pesco palavras
de terceiras línguas.
A embocadura do sax
não encaixa nas veias avessas
e nas filas sem senha
que assanham os botecos e os livretos
de impostores e viciados pastos
secos de armadilhas e ardis.
Quebram-se as passarelas enevoadas
de quentes hálitos cafeínicos
e chocolates brancos quebrados ao meio
derretidos nos bolsos vermelhos
de sonhos imperfeitos sabores impensados
nem um pouco sutis.
Esmiuço as colunas gráficas
do acervo de insistências
e despedidas acumuladas
pra desmontar motivos
e compreender propósitos
que escorreram dos minutos cegos
em que atentar contra meus próprios versos eu quis.
As mesmas palavras pescadas
de terceiras línguas
em veias devassas
sem senhas
ou sonhos
ou assanhados ardis.
As mesmas palavras
redentoras de poemas
e de problemas que brotam sem trégua
das línguas de terceiros
nos traços que eu fiz.
Assustadoras armadilhas senis.
05.06.2009 - 16h12min

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mea Culpa

Produzo minha poesia como quem ergue muros ou edifica uma cidade de letras e vocábulos ocos rebelados contra um poder que invade minhas entranhas e os caminhos de meu sangue mergulhado de solidão. Planto curativos nas minhas feridas vertentes de sonhos e saltos nascentes de representações e obstáculos e raízes e cordões. Posto as folhas brancas nas gavetas das curvas vazias e respondo ao sol escondido que não quero nada. Um tiro no claro da noite de brumas... Corpo inerte da construção erigida atrás de outra porta escancarada. Emudeço a escolha e a raça dôo o acento e assento meu lápis no topo da lista que não escrevi. Minha poesia é um muro que divide uma cidade de letras escorridas de sangue de véus e de verdades nuas. Minha poesia é um soco no estômago de dentro de mim pra desviar a dor a oca dor ventríloqua uma louca dor poetada... 04.06.2009 - 22h08min

Farfala

Poesia é um verso que virou lágrima ... e voou ... 04.06.2009 - 18h57min

Chocolate

E o chocolate de bule não leu a bula que informava célere, como todas as bulas do mundo: "Não me tome não me dome não me domine não me trema nem me tema que sou demônio ou bálsamo amargo que te cobre de doce e te adocica a fome de quê? quem poderá saber? talvez de força talvez de dores talvez de formas ou de falta de cores quem poderá saber? os sintomas não mentem nem desmentem deveras o que não soa da flauta nem dá conta da falta que te corta e flutua. Não me dome não me tome não me forme não me informe não me insone nem me ame. Não. Não me ame" O bule não achocolata nem o chocolate bule embolo o bolor e choco a visão do leitor. Desavisado leitor de versos tortos... 04.06.2009 - 22h

Círculo (vicioso?)

O eco espera o grito o rito não assunta o prêmio não delira o pêndulo espreita o rumo o prumo incendeia a culpa a catapulta não define a linha a dupla não definha a sobra o sopro esfria o leite o luto esconde o enfeite a luta esfrega o azeite o verso não tem medalha a migalha não tem respeito o remendo emenda a hora a honra ocorre sem medo o cinto não reclama os dentes os pentes não alisam os pontos o peito deleita o amigo o ronco mente o sono o ranço pinga o sonho o som dança a valsa a vala abraça o corpo o copo afasta o beijo o susto afasta o desejo o medo afasta a meta o modo afasta a liga e eu? 04.06.2009 - 21h11min

terça-feira, 2 de junho de 2009

Lembrança

Rasgo a alma o peito a gana no arame farpado dos anos que me viciam de vida. Chuto o balde quebro os elos alicio as sombras da palidez nas faces do espelho que arrebento. Observo os estilhaços da imagem que se forma de quebra-cabeças depois das fronhas depois das presilhas abertas das poses pedidas das fotos oferecidas do corpo exposto das veias expostas do sangue exposto do sonho escorrido. Depois... Prendo as audácias e reconheço o erro - o meu erro tenho a posse dele! - eu e minha vasta experiência. Apesar das cicatrizes erro... Um caco do espelho na capa do álbum coleção das minhas dores... 02.06.2009 - 23h40min

Finito

Era uma vez uma sonhadora Era uma vez Era... 02.06.2009 - 11h24min Feliz Aniversário

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dados

São três dados no seis. São seis lados nos dados dos dois. São duas décadas de vida e o dobro de seis meses de audácias. São três dados no seis. E uma aposta alta. Que vale. Que vale.... 25.05.2009 - 20h50min

Desafio

Desato o fio do mundo
desenrolo a lã da espada
e a estrada já não é tão lenta
nem os prados tão espertos
quanto antes pensara ser.
Desabotoo as presas dos dedos
e as contas são espelhos
ou pontas d'algo que deixei de possuir.
Desço as pontes e os pratos se quebram
nas escadas que não subi.
Os ferrolhos descendem de plantas carnívoras
que engolem insetos e envenenam os poros
das viagens apenas pensadas
e cobertas de cetins.
Os cabelos se perdem entre os dedos ágeis
e a penumbra rompe a luz
no parto diário da noite
e seu sonolento manto pesado de negror.
Desfolho a margarida e esqueço o tempo.
Afasto de mim os vinte sentidos
ou os vinte metros
ou talvez as vinte ousadias
que refletem tua imagem emoldurada
por trás da porta do teu quarto
e da tua rede de leves gentilezas.
Aproxima-se o pouco razoável argumento
de que bem antes do teu nascimento
eu já nascia.
Mesmo assim
desconheço os impedimentos
desato o fio do mundo
desenrolo a lã da espada
desabotoo as presas dos dedos
desço as pontes
desfolho a margarida
e TI encontro
em mim...
Desafio...
25.05.2009 - 20h45min

Cuidado, frágil...

Vidro quebro com um sopro vvvvvvvvvvvv e meus ítens se partem feito bolhas de sabão. Exaustiva fragilidade na imagem de força que tento fingir. As dores dos trincados arrancam gemidos das veias mudas. Vidro. 25.05.2009 - 20h16min

domingo, 24 de maio de 2009

Poema

TI
24.05.2009 - 02h01min
(Não é um poema? Ah, tens razão, caro leitor. TI não é um poema; é uma Ode
tão perfeita, que nem Virgílio foi capaz de escrever. E eu tenho
o prazer e o privilégio de ler todo dia... Obrigada. TI adoro!)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sei lá

Às vezes eu acho que... sei lá... outras vezes eu acho que... lá sei... talvez... e tu? 19.05.2009 - 19h

Graças

Pela distância entre minha casa e meu trabalho pelas minhas pernas fortes pelos raros momentos de insuportável alegria pelos abundantes momentos de suportável dor pelas dúvidas, pelos rumores, pelos tropeços pelas cãs, pelos cães, pelos sermões por minha filha, por meu amor, por mim pelo trânsito dificilmente congestionado pela respiração lenta e pela acelerada pelos chamados defeitos e pelas pretensas perfeições pelas noites mal dormidas, pelo salário pelo farto prato de comida, pelo horário pelos raros amigos que cabem nos dedos de uma única mão pelos muitos inimigos que cabem nos dedos de muitas mãos pelos dias de sol, pelos dias de chuva, de frio e medo pela solidão e pela necessidade de companhia pela companhia e pela necessidade de solidão pelas certezas pelas construções pelas raivas pelos perdões pela passagem dos dias pelas imagens pelas fotografias pelas flores pelos espinhos pelos rasgos pelos engasgos pelos remendos pelos assombros pelos concertos e consertos pelos encontros pelas despedidas pelos pontos, vírgulas e outros quês tantos. Graças pela vida... 22.05.2009 - 11h10min

Aprender... ou não...

Escrever são entorces entalhes entraves do que eu não sei deixar. São gotas oceânicas num chão de gritos são garras de feras que não admito sustentar. Escrever são disfarces desfeitas deslizes de portas imperfeitas que eu não consigo ocultar. Escrever são passos são lentos laços pedaços de telhas nas tramas da vida que eu não aprendi a traçar. Ainda.... 22.05.2009 - 11h

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Exagerada

O exagero é meu pai meu irmão, meu camarada. O exagero é minha canção meu amante, minha estrada. O exagero é meu companheiro meu azulejo, meu raio de sol. O exagero é minha água no deserto meu cubo de gelo, meu farol. O exagero são minhas mãos dadas aos pássaros insones que cantam canções sem soar. O exagero é meu arrepio na espinha meu passo decisivo, minha proteção. O exagero é meu grito e meu sussurro e meu alívio. O exagero é meu superlativo e meu diminutivo e meu equilíbrio e meu segredo e meu rebento e meu lamento e minha solidão. O exagero é meu avental e meu jantar e meu carnaval e meu príncipe sem princesa e minha princesa-irmã solteira. O exagero é meu sossego e meu tormento e meu pulso que pulsa que pulsa que pulsa que expulsa a calmaria e pulsa.... 21.05.2009 - 20h30min ...só pra eu ficar aqui, delirante, delirando liricamente sobre meu próprio exagero demente...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TIme? Não. "Religião".

Vencer?
Alguma dúvida?
Ainda que perdesses de goleada
haverias de ser vencedor.
Se não pelo balanço da rede,
que seja por teres
como teu cego devoto
o mais perfeito torcedor.
20.05.2009 - 21h39min
Antes do jogo do Inter... com endereço mais do certo...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Suposição

E se toda poesia dançasse no meu nome eu não me chamaria assim os outros me chamariam de talvez quem sabe um outro nome mais doce ou de maior sonoridade não sei. A rima me canta bem-te-vi sem ter visto o véu estendido na cachoeira de luz que o aterro enterrou. Derramo toda a poesia em teu colo e gravo nela um nome que conheço e que não esqueço nem sob tortura nem sob promessa nem sob ira divina. Um nome diferente do meu mas que também mora em mim e que um dia, quem sabe talvez viva comigo e seja meu rei. 11.05.2009 - 21h16min

De tempos em tempos

Cadê o resto? I Bar deserto sono chegando poeira no ar poeira de falta de ausência sentida de inexistente publicação ou quem sabe pois não? Ei, vejo um vulto na calçada será o poeta quieto? será uma libélula irriquieta? será um será qualquer que eu não sei definir mas que também não importa se souber discernir entre um prato de sopa e uma sopa de orvalho ou de ervilhas ou de letrinhas nas linhas desse caderno amassado que hoje debaixo do braço trago. II Trago um gole da vida que empoeira os olhos e mareja os lábios entre o cumprimento e a despedida. O bar deserto desperta o desespero e a esperança é só uma palavra que dança entre os lençóis de seda ou de cetim ou de algodão mesmo já que não faz diferença quando o que se quer é só poetar ou cambalear entre os dedos d'algum cientista louco disfarçado de professor de educação física que tem coragem de encarar o mundo de frente de verso de um único poema assumido e que valeu uma vida - a minha vida - nas palmas das mãos escritas. Espelho. 11.05.2009 - 21h

Viver

Vislumbro no vão das frestas das vidas uma ou outra vida que me sorri e me acrescenta dias à vida que vivo aqui... ou ali... ou lá... sei lá... Viver é um mistério. Quem haverá de duvidar? 11.05.2009 - 20h15min

Piadinha

Sou muito inteligente quando durmo. Pena que acordo todas as manhãs... 11.05.2009 - 18h

Explicação

Se considero maravilhoso ter o privilégio de conhecer tão rara pessoa não preciso de traduções instantâneas nem de conceitos diversos ou de razões específicas. A raridade é tão preciosa que seria perigoso andar com ela feito jóia, atada ao pescoço. Quantos ladrões cercariam a presa próxima? Não. Melhor silenciar os motivos e deixar que os sonhos adormeçam ou que as ondas engulam os bandidos que espreitam a peça única que guardo cá. Melhor evitar longos discursos e ater-se a uma pequena sílaba veemente elo que une duas partes: TI... Aos 43 minutos do dia 11.05.2009

Onze vidas

Eu tenho onze vidas.
Não sei em qual estou
nem de onde tirei essa conta
mas garanto que onze vidas eu tenho
e vivo todas elas juntas
umas sobre as outras
enroladas aos cachos
dos meus cabelos vermelhos.
Eu tenho onze vidas
e só dez dedos pra contar nas mãos
por isso desisti da matemática
complicada demais pra quem vive tanto
e tão intensamente os últimos íntimos minutos
de onze vidas justas
desenrolando o ciclo do destino
de cada uma delas
como se não me bastasse
a única em que pareço passar.
Eu tenho onze vidas
mas isso é segredo de estado
e estado de permanente tensão
ou segredo de permanente opção
por não ter outra saída
a não ser viver as onze vidas
dentro dessa única
que eu mereço
padeço
pareço
viver.
Aos 23 minutos do dia 11.05.2009

Talvez nunca

O final do dia
é o começo do dia
de outro dia
talvez uma repetição do anterior
ou nunca
talvez uma novidade interior
ou nunca
talvez um começo exterior
ou nunca
talvez nunca haja nada
de surpreendente de fato
no começo do dia
ou no término do outro
ou nunca
talvez o nunca se traduza
no sempre
que se esconde no vão da calçada
ou n'alguma vertente
de medo e tesão
ou nunca
talvez não haja
talvez não aja
talvez não agarre nada
que não tenha uma jarra bem grande
na frente de um precipício
ou nunca
talvez um prepúcio
talvez um presbitério
talvez um prostíbulo
ou um impropério talvez
ou nunca
o equilíbrio escasso
o deboche involuntário
o intento necessário
ou nunca
talvez...
Nos primeiros 5 segundos do dia 11.05.2009 ou nunca... talvez...

domingo, 10 de maio de 2009

Trajetória

Eu busco a perfeição mas não quero encontrar com ela. Eu garimpo o verbo que distinga exatamente o que pretendo opinar mas não quero encontrar com ele. Eu esgrafinho a terra e cato o punhado de vida que anseio desde sempre que desde sempre espero que crio e produzo e decanto desde que me conheço por gente (e isso faz tanto tempo que já nem sei mais a quantas anda o metro que perdi no meio do caminho onde não tinha uma pedra mas tinha um certo Drummond que desvirtuou o conteúdo todo desse maldito poeminha). Mas eu busco e garimpo e esgrafinho e anseio e desejo ardentemente o que não quero que caia no meu colo. Porque, se cair um dia, o que restará a fazer? Não quero! Afasta de mim esse vocábulo precioso que eu tanto desejo e pelo qual tanto luto e trabalho e pesquiso e me perco. Afasta de mim esse cálice de dicionário ambulante que eu me acabo, então que então eu esmoreço que me arrependo em vão e concluo tristemente que nada mais há a fazer nem a construir. Está tudo consumado tudo desfeito todo o trajeto interrompido por ela a palavra bendita que eu tanto desejei que tanto eu quis que almejei tanto, meu Deus!
Desvio os olhos do fim da luta. Porque a guerra é que é. Isso sim. E é por ela que eu vivo. Se encontrar o vernáculo final. Ai de mim! Ai de mim... 10.05.2009 - 23h56min

Poeminha sem pé, mas com cabeça

E aí a gente passa gloss
fica com cara de boas-vindas
sorri para o espelho
e bendiz a vida.
Não é assim que nasce
todo o dia,
toda a hora,
toda a partida?
E o batom não escorre
dos lábios
nem do beijo...
Porque os cegos
e estreitos laços
amarram os pedaços
das cabeceiras das camas
vazadas
esvaziadas
valorizadas
pelos braços abertos
do homem amado
que dorme
e não sonha.
A camisa preta
a camiseta por baixo
por baixo o peito
o coração por baixo.
E eu...
Por cima...
10.05.2009 - 23h40min

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Agonia de mãe

Ela reclama, bate pé, resmunga;
'pensa que é gente', eu digo.
E ela é.
Gente pequena, mas só de tamanho,
que a cabeça anda a mil,
e os pés não acompanham,
a não ser pra bater, impacientes,
quando quer o que não pode ter.
E eu cá, na minha eterna agonia,
não sei se o que faço é certo
não sei ao certo o que faço
não sei se desfaço o acerto
não sei se acerto o desfecho
nem se começo ou se disfarço
o que penso não saber
sobre como melhor conduzir
os meus/seus passos.
E compenso as ausências com risos
e cócegas e histórias deliciosas
ou silenciosos longos abraços.
Mas me sei insuficiente
(impotente?)
e isso acaba comigo...
Aos 9 segundos do dia 8 de maio de 2009
Para minha filha, nessa semana das mães

quarta-feira, 6 de maio de 2009

E-TERNO

Tempo curto...
'Pra sempre' é tão breve
tão ligeiro passa o sempre
e tanto por fazer...
Tantos encontros
aguardam as mãos espalmadas
tantas horas marcadas
tantas esperas
tantas procuras.
'Pra sempre' é tão curto
tão breve areia na ampulheta
tão ligeira a hora
que passa.
E tanto por fazer...
Não vá embora...
Pra sempre
é um tempo tão breve
e há tanto por fazer
conTIgo...
06.05.2009 - 22h34min
Depois da música e de saber que vais ficar só pra sempre,
porque tens outras coisas pra fazer...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

E se...

E se todos os restos se juntarem aos trapos dos pretensos absurdos que julguei necessários? E se todas as rezas forem realmente inúteis e os teus risos ficarem mudos de colírios e sonoras obviedades? E se todas as missas calarem os vasos vazios dos baús descascados escorridos escadas abaixo perto dos sonhos empoleirados que a gente não se atreveu a mentir? E se todos os pulsos entrelaçarem as mãos e as ervas brotarem dos musgos confessos improvisos frasais gravados nas linhas fantasmas das apagadas luzes míopes? E se todas as manhãs forem tuas e os bocejos e as lampejos e os desejos circundarem as estradas abertas diante dos pés descalços que apalpam as telhas dos sonhos qu'inda estão por vir? E se não houver mais nenhum motivo para as partículas e as películas forem castanhamente azuis e os pensamentos forem sutis e os cumprimentos forem reais? E se eu, de uma hora pra outra, materializar teus traços e TI alcançar... Haverá espaço pra interrogar? Aos 4 segundos do último dia de abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ir

E a vida foi vindo assim arrastando as bagagens do dia tropeçando nas pedras do caminho arregaçando as mangas puídas das desgraçadas evitadas dos sofrimentos enfrentados das peças rasgadas de espumas que foram ficando pra trás. E a vida foi vindo assim entre risos e blefes e compreensões das distâncias e constatações de ignorâncias e sensações de permeio das trocas pretendidas que não houveram ainda. E a vida foi vindo assim meio manca, meio bendita, meio atormentada de dúvidas, meio sem tempo sem orvalhos sem participações de luto ou coisa que o valha ou coisa que o vele ou coisa que o venda. E a vida foi vindo assim dia após dia feito frio da manhã de outono em anúncio claro de rigorosa solidão. E a vida foi vindo assim entre os dedos emergindo e entre os dedos escorrendo sem pressa com pressa presa no tênue fio que ninguém vê. E a vida foi vindo assim té deixar de vir... 28.04.2009 - 18h30min

segunda-feira, 27 de abril de 2009

1001 postagens

Engraçado. Uma vez chamou-me a atenção o número de postagens no blog. Estava eu, então, no poema 600. Não pensei que chegaria tão rápido ao 1000, no que reside uma certa estranheza, inclusive para mim: produzo muito, quase compulsivamente ('quase' é só pra não afirmar a plena consciência da compulsividade), logo, era de se esperar que o número 1000 chegasse logo. Pois já passei dele também. E isso me dá uma sensação de alegria plena. Esse fato, por si só, poético!
Uma vez escrevi que o Roberto Carlos queria ter um milhão de amigos e que eu me contentava com os poucos conquistados ao longo de toda a minha vida, e que cabiam nos dedos das minhas mãos. Não quero um milhão de amigos. Quero um milhão de poemas escritos, suados, chorados, sangrados, vertidos das minhas veias abertas.
Eu quero um milhão de poemas escritos!
Salve-se quem puder!
27.04.2009 - 18h15min

Escrever

Publicar idéias visualizar palavras sortir mistérios sorrir remédios contar piadas prender as águas derramar lágrimas proferir sortilégios. Publicar idéias provocar desgostos praticar sabores desmentir horrores conferir princípios desmembrar sucessos concorrer centelhas saturar espaços. Publicar idéias escrever impropérios permitir estorvos estocar cadernos partilhar olhares precipitar censores contornar parelhos controlar esforços viver a conta-gotas. Publicar idéias mergulhar a pena discutir a sina acordar o limite infringir a culpa infligir delírios instruir corcundas circundar oceanos desbravar caminhos. Publicar idéias. Amar. 27.04.2009 - 18h

Volta II

Voltar. A gente sempre volta. Nietzsche e sua teoria do eterno retorno. Eu volto. Demoro, mas volto. Volto a pisar os mesmos calos. Volto a sorver o mesmo cálice. Volto a sentir os mesmos suores. Volto a bendizer os mesmos benditos versos que fiz outrora. E volto. Volto de onde nunca saí apenas ausentei meus dedos ou minhas esperanças ou até meus humores. Mas volto. Porque foi aqui no grão de um poema qualquer que me perdi... 27.04.2009 - 17h55min

domingo, 26 de abril de 2009

Volta

Aos navegantes que tão simpaticamente reclamaram minha ausência, aviso:
a poesia mora em mim,
ainda que adormeça de vez em quando.
Não sei que sonífero ela toma.
Não sei que susto a assusta,
ou que medo a amedronta.
Não sei o que a faz recuar,
nem o que faz brotar esses versos
que planto em mim.
Não sei.
E não sei se quero saber.
Mas sinto falta de escrever.
Sinto falta dessa agonia que me dá,
quando quero, quando preciso 'dizer'.
Sinto falta da sensação
de descontrole
sobre minhas próprias mãos
ou sobre meus pensamentos,
quando ela me acomete
e se derrama feito bálsamo
ou talvez um outro ente
(quem vai saber?).
Sinto falta
feito droga no meu sangue
dessa tal de poesia
que me domina
e é mais importante pra mim
que a vida
(forte isso? nada!
repara, a poesia não é ela
mesma a própria: vida?).
Por isso hoje estou feliz.
Ela acordou.
Está de volta.
E me sorri.
26.04.2009 - 20h28min

Não vi!

E eu não aceitei
o copo cheio de digitais
entre os destroços
das vias que não voltam mais.
E eu não aceitei
o brilho da carcaça
errata impressa de letra
desdita sinuosamente
feito clarão de lua
em noite de tempo quente.
E eu não aceitei
a prisão
a pressão
a impressão de estar nua
sob os olhares divinos
dos divididos instantes
dos paradoxos desconexos
dos distintos censores
de duvidosas morais
(porque eles são muitos
eles são quase irreais).
E o X da questão eu não vi.
E o princípio ativo do sopro
que me pegou de surpresa
e me atirou no abismo
eu
não
vi
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas os tijolos foram postos
nos muros das ruas
que percorri.
Mas os estilhaços cortaram
os riscos dos vidros
que eu recolhi.
Mas os supostos estorvos
e os solavancos
e os olhos estreitos
debaixo dos panos
brotaram
I
M
E
N
S
O
S
e ergueram castiçais de prata
por onde escorrem ceras coloridas
de velas apagadas
que eu jamais acendi...
26.04.2009 - 20h

Escrever? Mais? Pra quê!

Nas vias digitais deserto de bacalhau - bacalhais? - Ai, que saudade da Semana, dos quintais, dos Drummonds, Robsons, das Cecílias, Anas, Lenitas, Douglas, Carlinhos - de Jesus? também, também, também -. Ai, que saudade das cascatas de versos que afogavam as mágoas e os desacertos e incendiavam o desejo de mais escrever de mais escrever de mais escrever animais sedentos de sangue de mais escrever de mais escrever de mais escrever. Ai, que saudade do tempo em que eu, cá no meu cantinho, inda tinha nas pontas dos dedos um canto triste pra mais escrever mais escrever mais escrever. Inda dava um jeitinho de ter no meu nome bordado bem grande uma TODA POESIA pra mais escrever mais escrever mais escrever. E hoje? Onde as penas? Onde os trapos? Onde as rolhas? Onde as sementes de vida? Onde os brotos e as ilusões intrusas que desencadeavam borbotões de luzes? Onde mais escrever? Escrever? Mais? Onde? Porquê? 26.04.2009 - 19h55min *Para meus amigos queridos, do Sarau On-Line: Lenita, Robson, Carlos, Ana, Douglas. Adoro vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 5 de abril de 2009

Um ano por TI

Faltam 99... Chegaremos lá... Um dia...

05.04.2009 - 01h57min

De mim, pra TI

*vou pedir emprestada a faixa, daqui a 99 anos

terça-feira, 31 de março de 2009

Quando tu vens...

Quando tu vens, todos as sombras se dissipam todos os medos emaranham-se em abstratos rolos irreais todos os segredos são castanhos todos os muros são transpostos e nada interfere em nada nem nos umbrais das portas fechadas nem nas distâncias materiais ou nas impossibilidades físicas talvez inexatas talvez oníricas talvez banais. Quando tu vens, tremem dos meus cabelos os cachos e todos os sábados e todos os domingos e todos os feriados são teus olhos, são teu brilho, são teu riso solto que ecoa nos ninhos que eu queria pra nós. Quando tu vens, nenhum soluço permanece e o próprio silêncio já é prece ou insistente desejo de que a vida assim de repente pare ou passe sem pressa de va gar como merece tudo o que realmente vale na minha vida ou na tua ou quem sabe na vida dela que tu sabes que se enternece só de ouvir falar em TI. Quando tu vens... 30.03.2009 - 22h44min Foto: datada de 30.03.2009 -EU

quarta-feira, 25 de março de 2009

Papiro

Escrevo.
Desconheço o limite
onde começa o delírio
onde termina a ilusão.
Escrevo.
Escrevinho mentiras
e açoites e afoitos rumores
de coisas que não haverão.
Escrevo.
Descabelo a noite
e a água fervente
na chaleira vazia
sobre a mesa oval de corda.
Escrevo.
Decoro as formas e os rumos
e as exatas medidas
que eu não soube escolher.
Escrevo.
Desato as gravatas dos nós
que não furam as agulhas
emperradas das máquinas
de costura de lavar de correr.
Escrevo.
Desabo sobre os dedos
cerro os olhos e as janelas da alma
e de todas as minhas posturas
vãs.
Escrevo.
Creio no frio da navalha
descrito no seio da linha
que corta teu rosto
e sangra teu peito
nu.
Meu grito.
Meu consolo.
Meu lamento.
Cru.
25.03.2009 - 21h

Here or Hero? (não-herói, mas aqui)

E eu aqui,
dê-lhe escrever em branco nas páginas turvas de uma vida incógnita. Pra que toda essa luta? Pra que toda essa verve? Se os pássaros morrem nos ninhos e as liras não tocam mais que uma nota mínima por dia? Pra que toda essa lisura de dias acesos nas bordas de um sol sem pontas pontiagudo mito? Pra que toda essa candura se os treinos não levam à taça se os pacotes se abrem vazios e os instintos são facas de corte? E eu aqui, dê-lhe permitir um instante de solidão... 25.03.2009 - noite

Peremptório

Sou o resto eterno
de minh'alma mortal.
Imobiliza-se o instante
sob o piscar perambulante
de um único olho vazado.
Esvazio o cilindro de couro
e escuto as vozes distintas.
Não sei o que é o mar
nem as sereias e seus cantos
encantos certeiros
de navios pesqueiros.
Mas
alto lá!
D'onde surgiram as vigas
amareladas e puídas
que emergem de negras nuvens opacas
nos dias de azul celeste anil?
D'onde, a poesia melosa
que deita os dedos em prosa
e contradiz a malícia
o desperdício
a poderosa e intacta tontura?
D'onde os mergulhos no nada
as canções jogadas
nos cantos dos planos arredondados
que a gente nem discutiu?
D'onde a imagem heróica
de um deus paralítico
que desfez os cadarços
dos tênis importados
de um certo aprendiz?
E eu aqui,
roendo as unhas e os dias
enfrentando as fronteiras do medo
afrontando as paradas exigidas.
E eu aqui,
(dentro do soco na boca do estômago da noite)
sem saber pr'onde ir...
Tem alguém aí?
25.03.2009 - 20h10min

Psicodélico

Arrasto as tamancas o sol diário não adverte do perigo de fritar os miolos da dúvida em plena praça pública e a dívida acumulada escorre ralo abaixo da vida enquanto a apreensão se instala na cuca -iguaria de café colonial-. Exponho os argumentos na bandeja dos olhos. Exploro a barriga da aurora com gargalhadas inauditas. Expando as prováveis razões insanas da sanidade bem vista e não chego a conclusão alguma a não ser a mesma de onde parti. Qual é? Não sei. Não vi. 25.03.2009 - 19h25min

Impressionismo

Encerro as gavetas de núpcias inicio outro cacoete presenteio o pacote encerado com abelhas e papéis amanteigados. Mordo o pão amassado e o sangue escorrido do lábio não é o meu! Compactuo co'a licença poética e desvio dos significados rasteiros que oprimem os comuns. Sou poeira e vertigem e essa falta de curiosidade ou me leva à loucura ou quase me mata ou me extravia pra sempre. Poesia é lamento vertente de mundos ocultos instrumento de tortura medieval. Surreal. 25.03.2009 - 17h02min
*Foto:Salvador Dali e seu impressionante surrealismo

terça-feira, 24 de março de 2009

Código (Morse?)

Ouso merecer a bênção
inda que ela me custe as noites
de um sonho sem sono
sobressaltos ou saudades.
Engravido das armadilhas da vida
e CORRO sem pressa ou medida
serpenteando entre os reflexos
de um ESPELHO de cristal intacto.
Tua imagem convoca meus instintos
fracos de percepção de decência.
Tu és antes de quase tudo
e a dor dos teus JOELHOS
incha os dias de receber-te.
Teu nome mora nos PESSOAIS OBLÍQUOS
e acompanha minhas falas diárias
colado em mim
-sangue VERMELHO nas minhas veias azuis-.
É suficiente o período do ANO
pra te dizer sem medida
ou intermédio algum
que o MISTÉRIO da tua vinda
e a alegria da tua permanência
são meus pontos-fracos-cardeais
coroados de CHUVA e reticências...
24.03.2009 - 10h48min
Não há necessidade de dedicatória,
quando se tem um copo de suco de laranja
TIm, TIm...

Sequência

Paralelas à minha outras vidas existem em que pesam as consequências das escolhas dos meus atos. As circunstâncias que me afligem atingem as feridas dos que me cercam. Evito sambas de uma nota só e adoeço de esperança pra compôr meus passos sobre a ponte de pedras irregulares que me separa do controle parcial. Os panos rotos de que fiz as paredes têm franjas e extensos rasgos de redes de cores verdes difusas e atrapalhados balanços rentes. Olha! A sombrinha aberta voa ao vento feito folha no outono da brisa recente. Quebram-se as varetas do jogo que sequer comecei a pensar. Sem querer, cumpro as correntes dos entes ensimesmados que eu não pude arrecadar. Os dias são vagos. Os vagões lotados de festejos enganam a torcida faminta e a partida é só o começo de mais uma outra longa subida. Assovio. Com os pés descalços pressiono o assoalho frio. As portas todas têm chaves e elas me espiam. Expiro. Decido? 24.03.2009 - 09h17min

Suspensão

E tudo está suspenso até segunda ordem. Palavras de algodão doce derretem na língua antes de serem proferidas. E tudo está suspenso até segunda ordem. E se eu contar teus dedos e se eu cantar tuas notas e se eu convidar teus pares... Tudo está suspenso até segunda ordem. Tapete persa legítimo tapete de pétalas de flores tapete de protestos escolhidos. Tudo está suspenso até segunda ordem. Na porta da sala, uma sombra os contos e fábulas lidos comentados entre risos. Tudo está suspenso té segunda ordem. As refeições de alegria corrompidas pela ética compreendidas pela estética. Mas tudo está suspenso té segunda ordem. Aos 19 minutos do dia 24.03.2009
*Baseado em Quintana, o Eterno:
"Tudo agora está suspenso.
Nada agüenta mais nada.
E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes,
o que é que derruba um castelo de cartas?"

segunda-feira, 23 de março de 2009

Dois

Dois olhares. Dois extremos. Dois estados. Dois trabalhos. Dois assovios. Dois sorrisos. Dois prazeres. Duas mãos (entrelaçadas). Dois vincos. Dois vínculos. Dois caminhos. Dois artistas. Dois calabouços. Dois almoços. Dois almaços. Dois braços. Dois elos. Dois selos. Dois seres. Dois dizeres (expostos). Dois supostos. Dois profanos. Dois sarcasmos. Dois deleites. Dois delírios. Dois insanos. Dois fogos. Dois fatos. Dois fecundos. Dois enfeites. Dois versos. Dois mundos. Dois aspectos. Dois. Hummmmmmmmmmmmmmmmmm Hummmmmmmmmmmmmmmmmm 23.03.2009 - 09h06min

Um

Um cochicho, um assalto, um sobressalto um espanto, um abraço, um sussurro um encontro, um travesseiro, um muro um estorvo, um entrave, um acerto um começo, um espaço, um pensamento um tropeço, um fio vermelho de cabelo um cinzel, um pano de prato, um pulo um caderno, um namoro, um escuro um pincel, um presente, um beijo um doente, um trovão, um entulho um medo, um motivo, um parente um dedo, um banco, um futuro um sonho, um romance, um susto um prato, um peito, um bocejo um vento, um violão, um casulo um mel, um véu, um barulho hummmmmmmmmmm... 23.03.2009 - 0h02min

domingo, 22 de março de 2009

Fotografia

Em tempos idos fui mistério

que hoje jaz, em foto amarelada.

Em tempos idos fui lágrima e chupeta

que hoje jaz, em lembranças recortadas.

Em tempos idos fui insegurança

fui 'talvez', fui incógnita ciranda.

Os tempos idos brotam hoje

nesse mesmo 'talvez'

nesse igual mistério

nessa idêntica esperança.

Jazigos que trago em mim...

Aos 44min do dia 22.03.2009

Querer

Quisera eu cercar-te de flores
e entre todos os sabores
o da minha língua ser o teu.
Quisera eu molhar-te de chuvas
nos dias quentes de estio
nas noites sofridas, nos desvios.
Quisera eu mostrar-te o Norte
ser tua bússola, teu pulso forte,
ser teu remédio, teu unguento,
tua alegria.
Quisera eu ser teu país,
tua família, teu esteio, tua razão.
Marisa Monte cantaria:
"Bem que se quis..."
quisera eu...
Aos 10 minutos do dia 22.03.2009

Eu

Eu sou o vento e a fantasia. Sou poesia e solidão. Sou o que está à mão e o que escapa. O que escorre entre os dedos e o que maltrata. Sou a nudez e o exagero, a febre, o sono e a delícia, a água na boca, a preguiça, a faca, o queijo e a reticência. Sou o disfarce de gente, da demência, e um anjo de candura na letra. Sou um grito calado, uma espécie de riso apenas sugerido, um tipo de dor inda não inventado. Sou a pretensão, o divórcio, a escolhida. A fera, o fogo, a exata medida. Sou a desconfiança vestida de mulher e a confiança cega, travestida de infância. Sou a relevância e a figura em quinta dimensão. Um sim prematuro. Um amargo não. Sou a fé sem fundamento e o soco certeiro, de direita. Sou a trave no olho e o tremor dos lábios, na hora do adeus. Sou o próprio adeus e o sorriso de boas vindas. Sou as rendas e as pintas das joaninhas verdes, que esvoaçam entre as flores vermelhas. Sou as trepadeiras e macieiras cheias de frutos doces. Mas também sou o frio, a fome e a miséria. Não pague pra ver. (O que diriam teus pares, quando, afinal, descobrisses que apesar de tudo isso, ainda assim quiseste me ter?) Aos 02 minutos do dia 22.03.2009

sábado, 21 de março de 2009

Um grito surdo

São nuvens de poeira nos olhos da vida cegueiras impostas pretensiosas medidas escândalos sucessivos e guerras enormes. Pra que? Se a ferida não sangra e se o sangue infectado não oprime? Pra que? Se o passado desmente a cobrança e o maldito cava buracos na penumbra das angústias que permeiam as bordas dos pratos de sopa vazios de instintos e de consciência de uma raça em vias de extinção. Pra que? Se os humores são turvos se os amores são passageiros se as crianças estão expostas se os velhos vivem de joelhos? Pra que? 21.03.2009 - 20h09min

Salvação II - A Lista

Eu quero um batom azul e uma trena um bombom de chocolate meio amargo e um generoso pedaço de pão. Eu quero um rio de águas claras e um contrato assina(la)do co'a solidão. Eu quero uma manhã enluarada com cheiro de orvalho e noites com jeito de flor. Floreiras nas janelas da alma sorrisos no retrovisor. Senhas escritas nas paredes parábolas e sementes e um bom cobertor. Eu quero um amor sem medidas uma loucura validada pela ausência de feridas. Eu quero a chama a lenha a comida. Todos os sonhos todas as danças todos os trovões todas as montanhas do mundo. Eu quero a cama a mesa o banho e as toalhas manchadas de alegria. Eu quero a cor do capim a cor dos teus olhos as asas do jasmim nas bandeiras da minha vida na única lista que penso importante ser. Eu quero TI ter. 21.03.2009 - 0h35min

Salvação

Eu quero um poema Que me salve da morte. Um verso, um verbo, Um encanto qualquer Que me aponte um norte. Eu quero um poema de açúcar Embrulhado pra presente Encrustado de risos E papéis de seda coloridos. Eu quero um poema permanente Desses que não se gastam No pós-leitura, facilmente. Eu quero um poema Que me restitua a saliva Que me apresente uma réstia de luz Que me acrescente dias Que me estenda tapete de peles vermelhas. Eu quero um poema Que me salve da morte E que nasça do sol Na lua crescente minguante No espaço breve e na partilha. Eu quero um poema de coragem Uma semente de vida Que me arranque da morte Um verso Um verbo Um encanto qualquer. Uma única medida... 21.03.2009 – 0h16min

Sonho ou fantasia?

Sonhei que não havia E o não haver Não impedia a roda Da fortuna Do infortúnio Da demência De crer na procedência De ceder a um haver bem-vindo. Mas eu sonhei que não havia! E mesmo assim A inusitada presença De impetuosa cadência Existia. Era só pousar a mão no peito. Sonhei que não havia O músculo O peito O pulso. 20.03.2009 – 21h10min

sexta-feira, 20 de março de 2009

Confusão

Navega meu barco em águas passadas redemoinhos gulosos devoram-me as entranhas e esperam ansiosos o ponto final do começo mas o lápis perdeu a linha e a tiara da vida brilhou mais forte cegando a impotência. IMPERTINÊNCIA! 20.03.2009 - 20h34min

Viagem

Todos os caminhos são surpresas. O mundo é um mundo de novidades à parte de nossas novas certezas. Compro um gato e um pente levo pra casa. Resisto à tentação do medo. Minto pra mim mesma e ergo uma estátua à solidão do poema. Quero uma ode bem escrita. Descrevo a trilha aberta e sou quase floresta no cotidiano de sonoridades de pedras e paus e sabores e todos os amores impressos em senhas suspensas várias. Vertigem. 20.03.2009 - 20h12min

quarta-feira, 18 de março de 2009

Delírios

*Daniel Cavalcante & Simone Aver

Flocos de talco flutuam próximo ao meu copo sujo O sangue suga a ferida da vida E assim toco meu gado uivante pra não dizer que o outono derreteu os meus calos A assadeira calunia a todos os descrentes na vinda do segundo Reich o absurdo desmente o medo que me amputa o sono Me torna homem-mulher, com cólicas, TPM e profusão de pêlos e desejos conecto com o mundo de Sofia e lambo os beiços da escuridão Somente para conseguir daquela acetinada o último grão-de-café de Shambala dentro do bolso da calça rasgada, todas as histórias de Sherazade Nuredim nunca nevou no norte da Noruega mas ao Sul do Equador, os gritos de adeus confundem-me os ouvidos É tanto furacão, tanto transporte... As pessoas voam como pedriscos dentro de sapatos de gigantes Cuidado! Criar asas é arriscar-se à peste da insanidade! Procuro uma coisa que não tem nome nem cara, gosto ou cheiro. Apenas fulgor. E quem disse que o peito não bate mais forte, quando nasce uma alegria? 15.03.2009 - 01h30min

**Ilustração: Barco da Loucura, de Hieronymus Bosch, In:

http://porcaseparafusos.blogbrasil.com/archives/2005_04.html

Bem guardado

Eu guardei teus beijos
nos bolsos da alma
escondi os desejos
na cintura do teu riso
e não foi preciso
mais do que um segundo
um primeiro
um meio acorde
da tua voz macia
pr'eu cair na tua veia
por vontade própria.
Eu guardei meus desejos
nos bolsos da cintura
da alma escondida
e não foi preciso
mais do que um ensejo
dois segundos
três terceiros
uma gota de saliva
da tua língua macia
pr'eu cair na tua voz
e tornar-me tua.
Eu guardei teu riso
nas conchas dos meus ouvidos
pra te reconhecer
onde quer que a vida
me/TI leve
leve
leve
leve
pluma de alegria
que meu peito aquece.
Eu guardei teu nome
teu riso
teu jeito
teu motivo
nos bolsos da minha vida
e costurei com flores
pra não TI perder...
18.03.2009 - 20h01min

Adivinha

Sanduíche de chocolate branco
pra esquentar tuas mãos.
Um bombom aguarda a lágrima secar.
Não há tempo para contar nos dedos
as vezes que desejaste partir.
São longas as feras famintas
como são ligeiros os dicionários
e as fábricas de letras
que reticentes torcedores
entornam depois das seis.
Contorno os cabelos recém cortados
do mesmo corte toda vez.
Encontro espelhos
e a imagem delira
diluída na fluidez do riso teu.
Conflituo com as canetas
estouradas de tinta
antes vermelha,
antes sadia,
antes nobre,
antes azul.
A luz me cega
a luz me guia
a luz incendeia
a lua
a rua
a tua carne
partida em duas
no assoalho da sala apenas imaginada
jamais suposta
jamais proposta
jamais imposta
estreita
de portas fechadas
e escancaradas defesas
devassas.
Adivinha.
18.03.2009 - 18h03min

Descrição

Debato-me entre espinhos
e salas de aula marcadas.
Sou sensação de voo
sem o circunflexo acostumado.
Costumeira impressão conhecida
abro os braços à fortuna
de saber-me visada
visitada de ombros eretos
refeita de membros expostos.
Minhas pernas são cansaço.
Ato meus braços ao teu destino
e calo.
Sou dormência e desalento
na calada da noite que te aguarda.
Meia noite
noite inteira
um quarto de hora
sem ponteiros ou discos
nas pontas dos minutos
que não passam
ou passeiam pelos meus olhos
feito cordões de calçadas vazias.
Acalento o desejo de seguir os calores
que sobem das pedras.
Vulcões.
E teu riso é canção afinada
que eu gosto de ouvir.
Não?
Uma negativa fecha-te as frases
e as fases das luas distintas
agarram as quedas quadradas
que eu teimo em insistir...
Orgulho da mensagem.
Mensageiro de um prisma.
Prisioneiro relutante de uma altura.
Não?
18.03.2009 - 0h

terça-feira, 17 de março de 2009

Arte

Todas as artes estão em mim
ainda que nenhuma delas seja eu
ainda que não as vejas
ainda que eu não consiga expressá-las.
Estão em mim
andam comigo
navegam meus mares
a b s o l u t a s...
Todas as artes
em mim...
17.03.2009 - 23h12min

segunda-feira, 16 de março de 2009

Angústia

Olhos abertos
apagada a lâmpada da alma.
Os girassóis deixaram
de procurar o Astro Rei.
Sem luz, os corredores se estreitaram
e a corrida de rotina
perdeu o brilho do orvalho
típico das manhãs normais.
É morna a hora morta.
São frias as mãos da vida
e os escândalos já não têm razão de ser.
Numa rua qualquer
um gato de cetim arranha a nuvem
que se deixa espremer.
O medo devora o riso
e o martelo define o momento exato
em que a trégua deixou de existir.
As forças esvaem-se entre as feridas
e um filete de sangue
no canto da boca do dia
denuncia:
não há lugar para renúncias
não há lugar para raivas tardias.
O parto é a porta da morte
depois dele, ALEGRIA!
16.03.2009 - 18h33min
*Quando tudo parece ir mal, lembre da dor do parto,
que eu TI contei um dia. Mas lembre também
que sobreviver a ela é de inenarrável valia...

Argamassa

Nevoeiro.
Transcendente espaço.
Mágica concreta
de palpável calor.
Escolho vocábulos nas falas de versos dos livros fechados que pousam nos traços das faces de anjos guerreiros. Voejantes asas azuis. Espanto episódios impróprios. Escrevo absurdos e sinto saudade de tudo o que está por vir. O porvir guarda o santo... Sem sonhos sou frouxa. Afrouxo os cintos da vida que me suspende que me delira que me batiza sem trégua, nos dias vadios. Ouço as vozes da impertinência e sacudo a poeira penitente dos pés descalços de frio. Libélula irrequieta, acentuo meus medos assento nas mãos de luvas libertas. Sou espinho e pedra no sapato (o teu?). Humana, cambaleio entre tuas pernas. Humana, serpenteio entre as penas que sofro. Humana, sacrifico apostas outrora impostas pelos meus desvarios. Humana, atravesso a lua e morro de fome todo dia pra renascer faminta à noite nutrida de força mas, principalmente, de poesia. 16.03.2009 -13h44min

sábado, 14 de março de 2009

Azul

Foi uma estrela azul
quem primeiro pariu o perdão.
14.03.2009 - 21h27min

Ignorância

Não sei o que me resiste nem sequer se existe essa tal in-com-pa-ti-bi-li-da-de de gênios desculpa tola pra fugir de uma verdade que assusta. Não sei o que me treme nem o que me tira do prumo arrumo explicações mútuas e te libero do trabalho de assuntos futuros. Não sei o que me entorta nem sequer se importa a palavra não-dita se pressinto o estorvo que estou na tua vida. Não sei o que me cerca nem sequer o que em cheio acerta o que aceito dessa minha medida vazia. Não sei o que me abarca nem sei como se embarca na viagem sem volta que ainda farei um dia. Ignoro. 14.03.2009 - 15h30min

Louca de pedra

Louca de uma loucura sadia de uma esperança insana de uma maluca doideira. Louca prendo os cabelos e os cachos se revoltam. Solto as revoltas e os cabelos se ajeitam. Louca completamente muda mudo meus cheiros mudo meus mundos mudo os espaços vazios. Louca navego estrelas estrelo espetáculos espanto o equilíbrio destruo as metas meto o pé na estrada e na porta fechada que me impede o vôo. Louca camisas de força enforcam os livros que jamais escrevi. Louca boneca de louça envolta em trapos rasgados de estio estico os elásticos cansados dos dias cansados dos frutos cansados dos ventos que não sopram que não vibram que não futuram. Louca invento verbos que não entendo crio melodias que não se cantam construo obstáculos que não impedem. Louca varro os ciscos dos olhos fechados invado barreiras fecho a boca e as mãos dos monstros que devoram os medos. Louca não perdoo nem perpetuo. Louca tomo remédio. Vicio. Louca espero por TI. Té que me restabeleça e morra enlouquecida de falta de excesso de queda de uma razão que não sofri. LOUCA! 14.03.20096 - 15h03min

Poesia

Fiapo de vida pendurado na ponta de uma metáfora qualquer. E a gente tenta entender o que é que o outro disse, quando deveria proceder à busca do quanto de nós existe nos versos que porventura um certo poeta escrever... 14.03.2009 - 13h41min

Bicho

Sou bicho solto
qualquer controle me perde.
Se corro, desista.
Se escorro, não me recolhe.
Se espero, silencia.
Sou bicho solto
nem toda palavra me acolhe.
Se estendo os membros
e devoro as linhas,
não mova os brios
nem acenda os fósforos
de fogueiras distantes
ou extintos calafrios.
Silencia.
Sou bicho solto
ar e fogo
vento e poeira
calmaria.
Silencia.
Sou o que não se prende
e se prender
se perde...
Sou bicho solto
na vida e na folia
na sombra de uma árvore que não existe
na existência de uma luz que já não brilha.
Sou bicho solto
não aceito algemas
não aceito dono
não aceito a ordem do dia.
S
i
l
e
n
c
i
a
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
14.03.2009 - 13h31min

sexta-feira, 13 de março de 2009

Gagueira

Toda poesia tem um fio de sangue escorrido Toda poesia tem um fio de cabelo vermelho Toda poesia tem um fio de vida pulsante Toda poesia tem um fio de um filho errante Toda poesia tem um fio e outro fio e outro fio e outro fio fiados trancafiados às pressas pelas presas dos tapetes persas que não fazem parte da história mas que ortograficamente são perfeitos. Aqui, toda poesia é contada em letras e se esvai pelas calçadas estreitas que gargalham satisfeitas de nada de nada de nada de nada de toda poesia safada que esfrega na cara a rima feita EITA! E o tempo escorre no ralo do esgoto de rugas que espreitam a pele exposta ao sol o sol o sol o sol o sol. Gaguejo o filme da minha vida.... E não conheço o final... Mistério mistério mistério mistério rio.... 13.03.2009 - 22h13min

Retalho

A surpresa atira-me ao rosto o instante
incógnito.
Saliento as esferas de sóis, luas, estrelas cadentes
incandescentes futuros
que não sei onde
nem d'onde virei.
Suspendo expectativas absolutas
espero o bonde da vida
impaciente.
Sangro antigas cicatrizes
quando o real me inunda.
Perco a hora, a razão, a cabeça e a medida
se me faltam as fraldas do afeto na ferida.
E sou deveras ambulante
pra ser cigana.
E sou deveras estreante
pra ser maldita.
E sou deveras dissonante
pra ser artista.
Suo água doce.
E o instante?
Recuo...
13.03.2009 - 16h12min

terça-feira, 10 de março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

Dúvida

Se não me acompanhares,
o que sobrará de mim? 07.03.2009 - 16h34min

Vida

Catártica armadura. Catástrofe e amargura. Solidão. Na curva do rio um peixe luta contra o ar que lhe explode os pulmões. Na curva do rio um cão abocanha a presa e não ouve sermões. Na curva do rio uma voz inventa canções e não há solução. Na curva do rio um sopro de luz um carvalho antigo um pio um suspiro. Na curva do rio a certeza de hoje a loucura da vida a volúpia do pão. Na curva do rio sobre a tua, a minha mão. E tudo haverá de valer pra Pessoa, pra mim, pra que possas saber. 07.03.2009 - 15h44min (De mim, pra TI)

Nada

Diminuo a produção de argumentos coerentes. Emito um apanhado de sem-sentidos tolos e desperto do pesadelo. Intacta, arranco os curativos e aventuro-me em nova busca. Meus olhos faíscam os fios vermelhos encaracoladamente soltos que adornam a satisfeita face de fase desdita que inicia outra tormenta. Pactuo com teus traços que sombreiam as ondas de mares distantes -águas que meus pés não molharão-. Documento é meu dizer talhado a ferro e fogo n'alma que se debate entre o que É e o que se não vê. Cato feijão na melódica curva do vento que o tempo insiste em me ocultar. Mergulho meus medos na luz dos teus olhos. Os passos não passam da porta. Empalho as cores de cabeça pra baixo desvirginando silenciosas madrugadas sem teus risos sem teus brios sem teus contornos. Sem mim. 07.03.2009 - 14h57min

Escritura

Escrevo. Meus termos passeiam por tuas garras abertas estreitas estradas escombros escolhidos a dedo. Escrevo. Suspeito do verbo parido sem dor: a-ca-dê-mi-co endêmica solução sucessão de erros desencadeantes de vazios. Escrevo. Liberto a tinta e o itinerário esvai-se pelas linhas que não ajudei a vestir. Escrevo. 07.03.2009 - 14h09min

Tendas nos desertos, enlameadas de sol

Sombra d'água corrói
o obstáculo insuspeito.
Lavo de poeira os mitos..
Sou louca de força e camisa de pedra
- a de vênus, esculpi no leite
do teu corpo escorrido -.
Meu nome pintado no muro de tinta
pro orvalho beijar.
Esqueço a primeira estrofe
da canção que jamais ouvi.
Risco um fósforo
e ascendo às nuvens.
Restauro minhas dúvidas
e os açoites da vida
são feridas permanentes
que aprendi a curar.
Meus segredos purgam estrelas
estalam as bolhas de luz
que pingam nas partituras
rascunhadas no almaço
amassado de gomos
e remédios crus...
07.03.2009 - 13h08min

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

VITÓRIA

Os seres são lutas
nenhuma delas igual
fases de lua
faces cruas
dores cruéis
medos fundados
em difíceis e intermináveis
dias fatais.
Mas o sol permanece
no calor do abraço irmão
e aquece
e aquiesce
e aquieta
e faz saber que a batalha
inda que árdua
inda que estéril
inda que só cansaço e dor
um dia amanhece...
Escuta:
há um canto de colibri
no teu quintal...
20.02.2009 - 21h30min

Quem é você?

QUEM, EU?
ÀS VEZES PENSO SABER QUEM SOU OUTRAS VEZES PENSO SER QUEM SABE OUTRAS VEZES NÃO SOU NEM UMA NEM OUTRA OUTROS SERES NÃO HÁ VEZES EM QUE AS OUTRAS QUE ME HABITAM ABREM AS ASAS E VOAM, OU SE FAZEM VER. ÀS VEZES SOU UM EMARANHADO DE PERGUNTAS ÀS VEZES SOU UM PUNHADO DE BUSCAS ÀS VEZES SOU QUALQUER COISA MENOS EU MESMA ÀS VEZES SOU APENAS EU MESMA MENOS QUALQUER COISA ÀS VEZES SOU LÁGRIMA ÀS VEZES SOU TERRA ÀS VEZES SOU MEL DE FATO CONCRETO NADA TENHO ALÉM DO FATO DE SER INCOMPLETA E DE PENSAR QUE QUANDO UM CICLO SE FECHA UM OUTRO VAI RECOMEÇAR. ÀS VEZES SOU CLARA ÀS VEZES NEM EU ME ENTENDO ÀS VEZES COMPREENDO, ÀS VEZES SOU BÊNÇÃO MAS NA MAIORIA DAS VEZES SOU MALDIÇÃO. CUIDADO COMIGO, ENTÃO. 20.02.2009 - 02h55min

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mulher

Cato pingos de chuva
nos raios de uma luz qualquer.
Canto sem letra a busca cega.
Caminho sem trégua.
Não sou sofrimento nem sonho.
Não sirvo pra sopa.
Nem sopa sirvo em prato de mel.
Não sopro bolhas de sabão no ar da sala.
Subo um degrau de cada vez
e na próxima, dez.
Tomo banho de pimenta e sal.
Corro sem direção.
Corrijo.
Suo o exagero e a falha.
Falo do que já não é.
Abrigo antigos temores.
Esqueço amores.
Amorteço quedas.
Amordaço monstros.
M
e
n
s
t
r
u
o
.
Eu.
Mulher.
19.02.2009 - 17h

In

Incoerente que sou, dou-me ao luxo diário de flertar co'a coerência, como se dela desejasse um instante sequer. Inconsciente que sou danço no fluxo diário de melódica impertinência como se dele desejasse um fio vermelho sequer. Independente que sou, dou-me ao prazer diário de te precisar toda hora como se nada mais houvesse além de ti. E não há... 19.02.2009 - 16h40min

História

São caules, raízes e limos tortos troncos de escolhas ou suspeitas sombras de assuntos supostos. Fantoches de borboletas brancas espetados em mostruários fantasmas. Texturas adivinhadas na compra de horas ou na cadeira de rodas quiçá no balanço vazio que corta o espaço pleno de desertos. As correntes arrastam os pés o mundo carrega as costas os descontos desdenham do amanhã. Esculpo sentimentos expresso alusões iludo o tempo escorregadio, que um dia me haverá de tecer. Devoro o cheiro do livro d'onde escorre o que não sei. Bato a poeira dos pés povoo meu ventre de novos intentos. Invento. 19.02.2009 - 16h32min