quinta-feira, 12 de maio de 2011

Macramê

Sopra um vento inquieto
nas folhas de um outono vivo
subjetivamente interno
de encontro estético
insone
quase satânico
ou santo.
Um sopro de tecido rasgado
de inquieta liberdade
de constante descoberta.
Sopro de íntima realidade
assunto de ventania
no sangue que corre
pura pressa
de saber.
Um sopro trançado de linha
língua de revoltos versos
sem ação ou exercício outro
que não a influência da resposta não-tida
o dito visual absurdo
abundantemente reconhecido
na linha da palma da mão
do artista.
Um sopro flui no começo de tudo
o toldo cobre a falta da luz
que absorve o campo sem relva
rasgados restos de pesos
pastos coloridos na selva.
Macia vantagem
no fundo da garganta
onde o sopro
alimenta a palavra
que não cospe
atormenta.





 12.05.2011 - 01h40min

domingo, 1 de maio de 2011

Palavra

Pintada no verso
a palavra dita
com barulho de papel de presente
pressentimento de esqueleto
configurado em ausência.
Plantada no verso
a larva maldita
com intuito de língua doente
partícipe de lamento
deflagrado em anuências.

Pranteado no verso
o reverso da medalha
tateado às cegas...



01.05.2001 - 21h23min

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Óculos



A vista embaça.
A força atrasa a luz
que não trança o rumo certo.
A lista arrasta a imagem
na transparência da lente
que a figura abraça
sem pressa de ser permitida
sem pauta ou pinta ou pente
que exprima o sentido.
O único sentido silente.
O mesmo do exato instante
em que os óculos descansam
na ponta da prateleira do absurdo.




Aos 42 minutos do dia 28.04.2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Suposto

Nas fibras dos laços
os pedaços da luz absorvida
silentes
os segredos assumem cores
de fotografia antiga
sinal de limite obtido
enquanto
o sol pinta um céu de manhãzinha.

Os sangues estão prenhes de expectativas...


Aos 38 minutos do dia 13.04.2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Limitada



No limite entre ontem e hoje...

18.03.2011

Pintura




Recém saída do forno.... à lenha...
Aliás, uma boa trilha para esses traços seria Lenha, cantada pelo maravilhoso Zeca Baleiro...rs


Aos 38 minutos do dia 18.03.2011
Especialmente pra "ele"

quinta-feira, 17 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Arte


Teu desenho explode versos
cala-me os verbos
silencia-me a boca.

Só meus olhos dançam no papel
por onde teu lápis cantou teus sentimentos.





13.03.2011 - 21h

quarta-feira, 9 de março de 2011

Araucárias


Nas tuas pastas
insones pontos de fusão
de pretéritos mais que perfeitos
alcançados por presentes indicativos
sem outra causa
além da descoberta
do que sempre esteve ali
camuflado de leve afeição.
Esses teus olhos
colibris ligeiros
diluem-me as pálpebras escuras
e pintam nelas retornos bem-vindos
de conversas e longas silhuetas
debaixo dos pinheiros
que ainda estão lá
como tudo o que ontem esteve
e permanece.

Traços de nós dois
araucárias...







09.03.2011 - 18h30min
Araucárias - desenho "dele"

domingo, 6 de março de 2011

Rutilar

Imagens  pintadas a tinta
 alusão à proximidade
que desenha teus traços
misturados aos meus.
Riscas perfumes
soprados por virgens
aves presentes
voejantes suspiros
teus olhos,
minhas mãos,
nossas sementes.







06.03.2011 - 01h25min
*Enquanto voltavas pra casa,
depois de estarmos juntos...

sábado, 5 de março de 2011

Vênus ama Marte






De bandeja, o mote planetário...




Diferenças à parte
os passos de dança enchem o espaço
pontilhado de estilhaços e fibras
regeneram os cortes
aproximam os nervos
enrijecem os membros
destroem saudades
Vênus desnuda
músculos à mostra
encosta em Marte vermelho
encouraça.
Se os astros enxergam
fazem olhos cegos
ouvidos surdos
disfarçam
Vênus ama Marte
e ele corresponde.







05.03.2011 - 03h21min
*Ilustração: "Não sei" dele, pra mim
** O neto de Marte pincela o mote na tela branca da mais insana das Vênus insones...

5 coisas...

I

Capaz de amar à distância
sustento meus laços
nas mãos da lembrança
dos calores, dos afetos tidos
afeitos às festas das almas
a minha e a tua
juntas, desenhadas e assumidas.

II

As maiores fantasias
que me povoam a mente
dizem de amor feito
em laço estreito
o meu
o teu
juntos, desenhados e assumidos.


III

Assombra minhas noites
o temor da solidão extrema
o medo da falta de coragem
de solitária andar
eu só.


IV

Blefadora profissional
é bem possível que nunca descubram
que de nada eu entendo perfeitamente
mas meto a cara
arrisco palpite
e finjo saber.
Engano bem
no fim.

V

Meu silêncio completo preocupa
matuta minha mente
um jeito, uma forma, um bordão
de cair fora de repente
de quem não me deu
a justa valorização.





05.03.2011 - 02h39min
*Resultado de um desafio, proposto pelo meu amigo e irmão virtual, Fabrício.
Taí, Fabi. Não ficou grande coisa, mas saiu....hehe

**Nesta primeira noite de carnaval, enquanto eu ouço barbaridades
acontecendo na rua, bebedeiras, "viagens", gritarias, cá dentro poeto
com minhas companhias virtuais de hoje: Fabrício e Stênio. De cara limpa
e versos n'alma. Saudavelmente divertido. A poesia pede verbos.
Nós os criamos.



Vênus

Grafitas teus sonhos
arraigados em nossas vidas
a favor das insônias
as histórias
lentamente escritas
teu lápis desenha-me
as curvas que me desvendas
abençoadas pontas de estrelas
viradas de dias adolescidos
acrescidos d'outros
tão grandes
tão plenos
tão bem vividos
que ouso pensar
m
i
l
a
g
r
e
s
contigo
.
.
.







Aos 49 minutos do dia 05.03.2011
*Ilustração: "Vênus"; dele, pra mim

Nós

Os ponteiros do relógio
os calendários
os anos passados
as juventudes
os destinos traçados
en
tre
la
ça
dos
inda que não soubéssemos
inda que desejássemos
inda que corajosamente
negássemos os fatos
de dentro de Nós
'té que explodíssemos em traços
as minhas linhas
as tuas mãos
as minhas luas
as tuas ruas
convergindo as duas
para o começo
que não houve quando haveria de haver
mas que hoje...
ah...
"essas horas
essas dores"
esse mesmo amor
de que teus versos me dizem bem
ah...
esses dias que descontamos
dos anos subtraídos
por nossas inocências
ah...
esses desenhos
de que teus dedos me dizem bem
ah...
essa tua companhia que não me falha
essa tua memória que me guarda intacta
essa tua presença que não se afasta
ah...
essas canções velhas
essas danças que abraçamos
esse mesmo amor
de que teus versos me dizem bem...
ah...







Nos primeiros 10 minutos do dia 05.03.2011
*Ilustração: Obra "dele", especialmente pra "Nós"

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Transição

Perco-me na cancela
o corredor estreito aperta a cintura fina da noite
e a poesia me oferece o bote salva-vidas.

(A mulher acende um foco de incêndio
na altura do ventre descoberto).

Transcrevo outras linhas
machuco a folha lisa
desobstruo os pontos que me cegam
temo pelos outros
mas não desisto.
Requisito o direito à rasura
rastreio as pegadas
e faço versos
pra contar minhas flores
regadas por teus beijos.




25.02.2011 - 21h

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Afeto

Quase 30 anos depois...

Atos lícitos
abotoados a lembranças
guardadas na caixa
de preciosidades
de outrora.
Renovar ansiedades
as saudades dos dias
orvalhados ósculos
inesquecíveis vidas.
A minha
a tua
à meia noite costuradas
numa praça
vazia de tudo
menos de afetos.
Esses perduram...





24.02.2011 - 19h

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cançoneta

Mais uma demão

de tinta na noite
pra enfeitar o sono

e inventar palavras

de dizer 'te amo'.








10.02.2011 - 02h

Memória

Ponto exclusivo
específico porto
acerto selado
acelerado posto
todo avesso é versado
composição de começo
corpo
oposição
laço


es-tre-me-ço...




10.02.2011 - 01h54min

Vela

Escorro
cera de vela ardente
derreto-me em substâncias febris.
Vidente
corro
antes que me delire o espaço e
eu seja apenas lembrança
do que tive.
Partes minhas me coram pedaços.
Ardem-me.
Não sobro.
Um sopro me funde contigo.
Um.







10.02.2011 - 01h07min

Escancarada janela

À flor dos nervos
a pele dança
a luz acesa
o frio na espinha
a chuva vindo
pingo d'água na calha lenta

dentro

cara limpa
tudo agora





leite fervendo.







Aos 47 minutos do dia 10.02.2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Operar

Planar





fugir de estorvos
encruzilhar-se
recuperar os pontos
sustentar as voltas
arrefecer-se
sombrear ausências
deflagrar afetos
aparelhar conquistas




descansar.






06.02.2011 - 16h21min

Valor

Alguns instantes
de tão simples
de tão doces
são tal flores brancas
no vaso transparente
em cima da pia
na casa da "Nona" velhinha
que já não diz coisa com coisa
mas que sabe distinguir
perfeitamente
margaridas
de
crisântemos.




06.02.2011 - 05h


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vestimenta

De tons claros
os bolsos
esvaídos de razões
transbordam efeitos
simulam situações
sem chaves
sem documentos
sem propósitos
escoram os cotovelos
nos cantos da pias
meditam impróprias
alucinações
rebentam diques
indicam luas
sabotam escolhas.


Asmangasrasgadasdacamisabrigampeloespaçoabertoqueevitacontatoeespreguiçaachamaacesasobreoabrigo









04.02.2011 - 14h

No sexto dia, poetou

No sexto dia
amanhecido de vapores e sonolências
bate à porta um não-sei-que
que desmente o dito e o não-dito.
No sexto dia
há vestígios de clemência
suicidados logo ali, onde as colheres tem açúcar
e onde as línguas dizem o que a ninguém atinge.
No sexto dia
as campanhas compram pirulitos e hortelãs
os comportamentos saem das peles,
cobras trituradas em gaiolas frias
pra virar delírio e maçã.


As amarras se soltam
no sexto dia
e eu acordo pra vida:
um punhado de letras
na mão esquerda
na direita, uma palma vazia.







04.02.2011 - 05h

Insônia II

Pensando bem, devo ter mesmo um pé no outro lado do mundo


quando dormes, acordo em vão

quando durmo envolta em nuvens

teu corpo, descansado, de sol a sol me pune

por não existir contigo.
 
 
 
 
 
04.02.2011 - 03h50min

Apagão

Aqui tem luz


mesmo que a luz apagasse

haveria a lúcida, a límpida claridade

de todas as estrelas...
 
 
 
04.02.2011 - 03h43min

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Simplicidade




Mãos dadas
vento no rosto
abraço apertado
cordão de couro.
Canto de grilo
cadeira no terraço
cadeira de palha
cadeira de balanço.
Bichinho dormindo
motorista sorrindo
café com pão.

O jeito simples, comum, anônimo.

A magia, na quase extinção.





01.02.11 - 15h02min



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Desassossego


*Para TI



Há que se ter boa dose de candura
quando não balançam os galhos das árvores
nem sopra a brisa matutina no bico das aves.
Há que se ter um sabor de chocolate
meio amargo, meio hortelanizado,
enfeite de parede na sala
chave de espera trancada.
Há que se ter um permeio, quase afinidade
por essas coisas simples
do cotidiano de qualquer um:
o balde, o pano, a xícara, o irmão,
o paralelepípedo, a churrasqueira, o sabão,
tudo farinha do mesmo saco de açúcar
que adoça hoje o que virá amanhã.
Há que se ter paciência e pé ligeiro
que os cansados sempre se estressam
e os dispostos sempre se apressam
em dizer das flores e dos versos
e colher relâmpagos e acertos.
Quebram-se, eles: as pernas das mesas,
os pneus das bicicletas, as asas dos aviões,
mas não desistem nem se exasperam
posto terem por princípio
a teimosia e as competições.
Vencem, depois de tudo,
e, num repente, num que sem razão,
correm de novo
à procura d'outro ponto
querendo pura e simplesmente
mais um pedaço conquistado de chão.






31.01.11 - 14h


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Aflitivo

Manipulo a linha da folha
com rodas de letras
e pontas de espinhos
minhas rendas
meus botões
minha vida.
Ansiedade não ter tinta
praticar o imperfeito
sacudir o pó da lua
nas palmas das mãos.
Luz azul na entrada e no conceito
premissa de extremos opostos
soluções conquistadas.

O poema escorre da janela...









28.01.11 - 02h

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Explícito

Pesco intenções
a isca depende do peso
do peixe que arrasto
no aquário mundano.




Um poeta ao piano
é uma nota suspensa
perdidamente ecoada
nos cheiros de livros
da biblioteca fechada
nas mãos uma tinta
e todos os versos do mundo
nadando imprevistos
improvisados sentidos
brinde entre amigos
parte-se a partitura
os mensageiros deliram
deliberam as moscas
e os acordes soam sujos
nem por isso menos ausentes
bêbados transeuntes
o chamado que não veio
a veia azul do príncipe
aventura e entretenimento
na saliva que escorre
da boca artista
na boca devassa
fios de vida ardente...






26.01.11 - 17h

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Promiscuidade





Farelos soltos
de cartas ao vento.

As estatísticas andam contra
as estátuas expostas.

Mancam os incertos
números de utilidade barata.

Depois da esquina, a espinha ereta.




Incêndios são fumaças
de longe vistas
nem sempre dispersas a tempo.

Na pasta, a imprecisão brilha
diamante bruto
em cesto de vime farpado.




Já não bastam sinais, amiúde.

Há que se estender ao mundo
a ideia guardada.

Girar as sete chaves da felicidade
feito sinos cantantes, às portas
sempre que escancaradas.

Distribuir sorrisos e feitos.

Enfeitiçar, deveras.

E suspender o uso.

Assim, num repente,
sem deixar sequelas.










Promiscuidar-se.








25.01.11 - 15h02min

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dançarina

Bailarina de perna quebrada
sem orquestra sinfônica
sem arco doirado
ou sapatilha de ponta
que faça deslizar
- pena cheia de tinta -
na folha do palco, vazia.

Desligados os ouvidos
dos rumores da terra.

A Terra não gira; balança
ziguezagueia
nas pupilas da vida.

Faltam palavras que dançam
já que o  universo desertou da luta.

Rolam cabeças de porongo
e os contos escolhidos
encantonados,
se rompem.






Na folha do palco
no meio da carta vazia
o lago do cisne passeia
p
a
r
a
l
i
s
a
n
t
e
.
.
.















24.01.11 - 15h25min


Arcus tensus saepius rompitur*

Traço metas bem definidas
em estapafúrdias prateleiras vazias.
Zombo do obstáculo
que se considera concluso.
Ao invés de sete, pinto meios fios ondulantes
que negam minha Matemática
já tão nula.
Os óculos vencidos atrasam as letras
e os problemas pingam intermitentes
na ponta da língua:
velhas fotografias, impedidas de se fazer.
Mergulho de cabeça no basalto
e nao quebro nada além da pedra
ela mesma, que pratica o desapego.
Deliberadamente construo o muro
tijolo a tijolo, sem medo,
cimentado com vontade dura
inquebrável
intransponível.


Alguns abismos exigem a incondicional ausência de pontes...






24.11.01 - 15h05min
*Corda puxada se quebra

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fac simile

Não comento o espelho fosco
que mal reflete a imagem assistida.
Apago a chama recém adquirida
e pingo uma gota de orvalho
no paletó amassado da madrugada.
São fantasmas e delírios
brigando por um espaço no facho de luz
que se precipita nos olhos apagados
da luta imperfeita de toda uma vida.


Os cacos de hotel, os princípios permitidos
os aéreos anos de doirados sonhos
insuspeitos de trilhas e pedaços de algodão partidos
particípios de um passado oculto na fibra.


Formação de quadrilha
furacão de partilha
fundação de quinquilharia.


Formas de vida que abalam
a estrutura do poema recém escrito.


NÃO AFUNDE!
Gritam-me gargantas mudas.
Apressam-se botes salva-vidas.
Erguem-se cortinas.
Falham alaúdes.


NÃO AFUNDE!
Gritam-me.






Queimo.











 


23.01.11 - 03h02min

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pantomima

Recolho-me à minha insignificante coleção de frases cantadas
como se delas extraísse o mel do sono
pra pintar de verde o dia que já nasce.

Vou pela sombra
fatigada de fagulhas coloridas
como quem tem medo do pesadelo que se sabe à espreita
no ponteiro do relógio que não bate.


Diminuta expectativa
de exigências postas à mesa
misturadas à janta fria
carregadas de debate.
Polêmicas dissecadas a esmo
assuntos pendentes presos aos artelhos
cartadas nos dentes de sabre
sabedorias populares `a frente.
Soldados armados de telhas quebradas
folias de reis e rainhas rasgados
fora dos trilhos dos trens
e dos apitos, de longe trilados.

Tempo de silenciosa melodia
composição de estrelas e fundos improváveis.
A pretensão de ser eterna
abandona a linha aberta.

Introdução.

Caligrafia.




20.01.11 - 03h50min

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Incompletude

A fibra tropeça no muro
força a costura na prática
alinhava a próxima esteira.

Viver exige esforço prematuro
e sangue quente
de guerreiro.




18.01.11 - 01h56min

Des-canso

Viro a noite
que segue um dia
de cabeça pra baixo.
Depois do sono indeciso
que veio à revelia
e instalou-se sem pressa
entre os cobertores dobrados
na ponta da poltrona
do último dos quatro cantos da vida,
um fio de esperança pousa
no começo do sonho desfiado.
Não sei com que trauma
as frestas dos minutos convivem
pra não exaurir de forças
os movimentos que se obrigam
a despertar
quando dormindo deveriam.
O corpo suporta.
Té quando?







18.01.11 - 01h40min

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Produto final

Tem gente que me preocupa
gente que me provoca
gente que me enche
gente que me interessa
gente que me desperta
gente que me intriga...

Tem gente que me conhece
gente que me odeia
gente que me enternece
gente que me incendeia
gente que me faz e me desorienta...

Tem gente que me pensa gente
mas erra
porque
longe de ser gente
sou letra
que vaza
do canto da boca do louco
que um dia
alguém inventou de chamar de

Poeta...





17.01.11 - 04h25min

domingo, 16 de janeiro de 2011

Escultura




E se na concha das mãos
uma vida sussurra à parte,
participante d'outras entranhas
é essa minha liberdade


que voa e



mundos escritos planeja
na folha seca




que parte...






16.01.11 - 16h37min
*Fotografia: Obra de Ricardo Kersting

Sucinta

Sem surpresas, os pedaços da vida
seriam estéreis.











16.01.11 - 15h 21min

Expressão

"Tem uma listra rosa, nas nuvens..." (Alina Aver)





Engulo em seco
o instante úmido.
A existência é qualquer coisa
que me perturba.
A bússola que me alia ao eixo
aponta um acontecido
que me limita
às paredes de um certo fim de semana.

Escalo instantâneas lembranças
que cuidadosamente escolho
num céu de azul anil
pontilhado de brancos carneirinhos d'água.
Coçam-me as pontas dos dedos
querendo dizer impertinências
depois dos três pontos de mim.

E eu já nem sei a quantas ando
no redemoinho de tão ligeiras paisagens.

O dia nasceu fervente.



16.01.11 - 15h 02min

sábado, 15 de janeiro de 2011

Meus dez anos

Saudade de tudo da minha infância
do cheiro de pneu de bicicleta
do churrasco no bosque, aos domingos
das bonecas de pano, da casa cheia.

Saudade do que não volta
nem por fotografia
da Maria Fumaça
do balanço na árvore
das brincadeiras de roda
dos problemas insolúveis
que, de problemas, nada tinham.

Saudade da inocência tida
alheia a afogamentos
deslizamentos
entulhos políticos.

Saudade da verdadeira poesia...





15.01.11 - 16h28min

Prudência

Cordata,
aceito a existência de mentiras
como se natural fosse
estar há dias sem um prato de comida.
Engano aos vendidos minutos:
nada importa
pouco vale o silêncio obtuso,
um grama de poesia
minha fome de permuta
já sacia.
Casta,
evito escândalos
escavo túneis
delineio metas
que excluem...

o benefício é meu
se a porta estiver aberta... 






15.01.11 - 15h 26min

Essência

Esmeralda é pedra espalmada
no extremo oposto da noite
em que meus olhos
relutantes de aceitar a morte
permanecem abertos
atentos ao próximo gênese.
Horizontalmente
doo a cartada final do embate
quando as luzes já não bastam
e os pesadelos cercam as janelas e
os botões acesos dos aparelhos
desligados das tomadas de força
formados de cinzas e cantoneiras brancas.
Não me importa a coerência rara
na alta madrugada
em que me encontro
- eu e os meus fantasmas todos -
frutos de entremeios
que me eximem da culpa
de não dormir.
Esse desejo impoluto
de saciar-me de vida e mistério
ondas de lacrimejantes febres
manifesto de energia em mim
é que rascunha meus próximos versos
os ritmos que me permito
os laços que abro e sustento e vibro.

Raiz dessa minha controvérsia essencial...




15.01.11 - 14h 03min

Enigma

Augusto dos Anjos
de asas quebradas
nas teias
cuidadosamente esticadas:
presa perfeita
de versos
que denunciaram
os limites desnecessários
para o voo alçar...





15.01.11 - 05h28min

Confessionário

E se os anjos disserem amém
bem na hora de um desejo maligno?
Valham-me os deuses!
Que diriam meus pares
se soubessem o quanto de mim há
nos pecados que não ouso confessar?





15.01.11 - 05h12min

Insônia

Busco nas sombras da noite
na luz da tela vazia
a réstia de sono
que eu não tinha
té as horas escorrerem
goela abaixo
da gola da lua
e se perderem
n'algum ponto obscuro.

Minha função é alimentar
os fios de velas
do que se pretende real
mas que pinga no papel
desenhado de sonho
- espetáculo banal -.

Nutro a essência da poesia
na insana despedida
de quem não ousa apresentar
qualquer argumento que valha
um terço da sentença finita
que eu pedi pra demonstrar.

Acompanho o tilintar dos trincos
na passagem de todos os segundos
recolhem-se os mundos
os gênios despedem as lâmpadas



e eu




busco nas sombras da noite
na luz da tela vazia
um despertar que me invente
um jeito de ser diferente
o milagre de apagar-me o dia...





15.01.11 - 05h06min
Quase manhã...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Indiscutível gosto

Gosto de saber
tua saliva a molhar-me as palavras
teus braços a dizer-me o dia
teus frutos a encantar-me presença.

Gosto de açucarar bandejas
estrelar teus feitos
enfeitar teus laços
teus encontros entre linhas
tua pele à flor dos nervos.

Gosto de notificar-te espelho
satisfazer-te os desejos
enlouquecer-te os juízos.

Enfim
de tudo o que te acende
o que mais gosto
é de mim mesma...




14.01.11 - 22h27min

Ininterrupto

Componho canções abstratas
do que suponho indispensável
aos dizeres das grutas
fechadas para balanço
nos fins de semana
das primeiras impressões
largadas nas calçadas encardidas
dos caminhos mil vezes trilhados
e outras mil abatidos
por fendas e decotes desconhecidos.

Aliso as madeixas
remexo nos bolsos vazios
procurando moedas de papel
e bilhetes rasgados de tempos idos.

Nada resta além da dedicatória
escrita às pressas
depois da exigência
depois de ontem
quando as esperanças foram outras
e os futuros se sabiam
obsoletos.

Ainda assim...


... a vida segue...



14.01.11 - 21h33min

Desculpas

E se alguma poetagem nova
me trouxe ao mundo desvirtuado
de tranças e sancas de lâmpadas verdes,

se algum pesadelo perdido
enrolou-se nos galhos da vida
de tantos solstícios amanhecida,

se algum pretexto eu tive
de longa efemeridade amanteigada
nas minhas próprias contradições absolutas,

se alaúdes me dançam
e perpetuam minhas sombras
nas madrugadas macias
de fantásticas conversas tantas
pautadas em descarriladas promessas
de aldeões mudos e tesos,

é que me sobram horas
de desenfreada criação
do que desiste de estar
na existência paralela
dessas minhas juntas

é que me doem os dedos
no grito por despejar d'alma
verbais artelhos

é que me assombram atavios
de vírgulas, agulhas e exclamações
que não diriam d'outros feitos
não fossem os meus olhos
secos de fantasmas
curtos de avisos
fartos

de expressão mútua.






14.01.11 - 19h32min

Transbordar-me

Listo as próximas ações
como quem sabe o que faz.

A mulher que me devora as entranhas
luta contra delírios escolhidos
nos quatro cantos dos meus círculos
esvaziados de crenças pagãs.

Licencio as próximas explosões
como quem se delicia.

A mulher que se derrama dos meus membros
ao diabo uma vela acende
aos homens oferece incêndios
descabidos de proporções homéricas.

Silencio as próximas explorações
como quem se digladia.

Lânguida,
transbordo-me...





14.01.11 - 18h23min

Aço

Teu dedo em riste
não pisca meus cílios
no vento fresco de ontem
que hoje engoliu o medo
de não saber dizer.
Sou coragem e valentia
no passo já dado
no próximo dia
qu'inda não apaguei
pra ver.
Não voei sem as asas
do oceano distante
que não nada meus tudos
nem planeja ombros juntos
justos versos errantes
que me amontoam
e liberam os elos
que os entrelaces
desfizeram.
Rio das circunstâncias
afogo nas águas das chuvas
os choques dos transeuntes.
Sou dimensão etérea
nas moléculas das metáforas
que inexistem sem mim.

Gesto impreciso
de descrever luas
e desenhar lombos duros...






14.01.11 - 17h57min

Montanha russa

O aderir das caldeiras
informa canções de outrora
embebidas de imaculadas autorias
mensagens urgentes de reflexos

que a gente não sabia
nem poderia saber.

Os armazéns guardam relíquias
de lembranças compradas com sangue
e susto amanhecido
pórticos de estrelas
e pontos estratégicos que não se leem
nem se transcrevem, deveras.

Para além dos mundos conhecidos
situamos insuficientes declarações
adivinhamos pedaços de segundos

que a gente não sabia
nem poderia saber.

Solto o cabresto
a queda é suspeita de crime
não-concluso.
A arma branca mora na língua

que a gente não sabia
nem poderia saber.

Mas dissemos
em alto e bom som
alardeamos a promiscuidade
de nossos sonhos
subimos ao alto dos morros mais altos
pra vertiginosamente
descer

e a gente não vivia
nem poderia morrer...





14.01.11 - 17h32min

Oráculo

O dicionário planta a ideia do novo espaço
trancafia os vocábulos mancos
nas páginas fechadas
da tua boca macia.

A barba por fazer
dos versos quebrados
no começo do que não houve
devido à geografia
planta um sabor de anis
aos irregulares plurais exatos
do que não dispomos
em monossilábicas vozes.

Aberta a porta da cozinha
tocam-se as pronúncias fechadas
das vogais repetidas por sopros
e difíceis conjugações carnais.

Somos verbos ambulantes
sintomas de símbolos errantes
sinetes de locuções adverbiais.

Nossos resumos nos prendem ao mesmo.

Nossos tremores nos consultam
e não facilitam as trocas
ao contrário
reforçam as fechaduras
disfarçam os deslizes
e permanecem nos sempre grupos.

Os roteiros em que nossos passos desligam
os casuais tropeços que nos causam giros
de mais de trezentos e sessenta graus
separam o que chamamos de correntes
do que queremos dos tórridos experimentos
que nos cercam
sem sossego nos dar.

A safra d'outro delírio
aguarda a colheita...



14.01.11 - 16h43min 


Desígnio

O plano era salvar o fio da espada
da cegueira total
enquanto os arcos do universo
uivavam luas e trilhos de cortinas
esvoaçantes de rasgos doirados de sal.

O plano era surtir o efeito contrário
nas telas sagradas de quadros antigos
pintados por magos e delirantes vazios
contrastes de drásticos limites
encovados nas energias d'outras mãos.

O plano era manter-se longe dos pecados
comuns aos fabulosos devassos
germinados nos ícones da rua apagada e crua
onde insuspeitas culpas latejam
e devoram o pouco da exatidão tida
ao longo das esferas celestes
jamais alcançadas ou conhecidas.

O plano era andar ao largo
ser nômade e odalisca
nas noites frias, nos exaustos dias
em que perpendiculares nuvens
trancam algodões maciços
de restos de lã de vida.

Permutar sabores
pincelar formas
pontilhar linhas
sobre os planos tidos
perdidos
n'alguma volta do caminho
quando o mais torpe desejo
foi o de arrancar-te o peito
e dele fazer-me um berço.







14.01.11 - 15h36min

Caminho

De todas as trilhas abertas
sons de mensagens perdidas
assuntos crispados nas pedras
perdas acompanhadas de acintes
a melhor visão de ontem
é a canção de risos
nos espelhos intactos da vida
os tapetes de noites mal dormidas
insônias por bons começos
impertinências na boca do tempo
que passa
que passa
que passa.





14.01.11 - 14h18min

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Salvador

Ponto único no espaço
vazio de palavras.

Perfume natural de dia ensolarado
em que as demências viram suor
e os delírios, preces de monges cegos
nas curvas de picadas abertas à mão.
Desdenho o próximo verso.
Aproximo o desenho do verbo
feito quem planta o surreal.
Dali visita meus cabelos
nas pontas dos pincéis gastos
dos relógios derretidos de amanhã.
Dispenso as horas e os horrores.

Ponto espasmódico da palavra
vazia de unidade...



11.01.11 - 15h58min

Outra lenha

Janelas abertas
paisagens pouco palpáveis
palatáveis episódios brancos
de estruturas questionáveis
e outras tantas ilusórias vertigens.
Vestígios de pedaços transpostos
nos rasgos de estrelas distantes.
Buscas insuficientes.
Pontos interrogativos no grão de sal da morte.





11.01.11 - 15h08min

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Gota

Suspeito da faceta primária.
Que raio de agouro é esse
que extermina a possibilidade
de construir outro caminho?
Angario fundas e feixes de nervos
nas mãos em concha
de poderosos imãs
e religiões pagãs.
Confundo sátiros e monges
descontentes com as marchas
e trelas que dou de bandeja
a este ou aquele visitante torto.
Entorno o leite de reserva.
A última gota:
oferenda ao deus cego
que me amarrou dentro da letra
do teu único nome
 O.


O ponto final
de um gigante
absorto nos próprios pensamentos.








06.01.11 - 23h15min



Beberagem

Esse início de noite pintou-se de poesia
co'a chuva.
Céu amarelado de um lado
roxo d'outro
como se possível fosse um bêbado
no firmamento.
Ah não!
Esse bêbado não traja luto.
Nada traz nos andrajos
que desfila aos saltos
entre uma e outra nuvem esfarelada
que pinga.
Mardita pinga
braba
marcada de fuligem
da nuvem esguia
que tenta disfarçar
o cambaleio devasso
nos céus do meu dia.
Melhor dizendo
do fim deste meu dia.
Trocando as pernas
e os passos trôpegos
carentes de firmeza
e perspectivas brancas.
 
Escreve.
Mardito pingo de caneta
embriagada letra travestida de "erre"
onde o "ele" já não vinga.
"Ele" ou ele?
Bebe, pr'esquecer a esquina.
A quina da mesa
na perna recolhida.
Pena no ar.
Ele.
 
 
 
 
06.01.11 - 23h07min

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Defeito

Sem manha
coxeio entre as linhas
manco
tonteio
erro a mão
risco
começo de novo.

Poetar é mais que dizer
ou diferenciar
ou arrefecer.
Poetar é dar-se conta
dos defeitos que a letra tem
podar as vírgulas
regar as circunstâncias
não explicar, com prazer.
Poetar é dobrar neblinas
e encontrar solução
onde já não há.
É assim, num repente,
descobrir-se doente
de amor
essa doença bem lida
nos versos que cá entre a gente
vamos bordando
emprestando sabor.
Poetar é apaixonar-se
sem medo ou cuidado,
permitir-se a entrega
virar rima e balanço
na pétala de uma flor.

Sem manha
coxeio na folha
e reconheço meu defeito:
nasci poeta
por amor...






14.12.2010 - 20h34min

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Resenha

De capa a capa
o encarte arde
dessas ardências de leve
despertar de muitos sentidos.
Roupas fechadas
bons tratos de letras.
Palavras.
Algumas tão nobres
que bem mereciam
um ritmo mais lento.
Ainda assim
o encaixe perfeito
anima os ouvidos.
Preciosa pedra do rock.









07.12.2010 - 13h44min

Passeio

As ruas casam Travessas
consideram nossas mãos dadas
debaixo da garoa fina
no banco descascado de verde
entre vendedores ambulantes
e palhaços de pernas de pau.
Sem guitarra de grife
as violas caipiras repetem
o mesmo som mil vezes ouvido.
Os saltos das sandálias
descalçam as lentes
altura de desejo
pintura de photoshop.
(Eu lembro de cada vírgula
dos pontos, do espelho)
Espumas de desenhos
na capa de raro CD.






07.12.2010 - 13h35min

Confissão

De repente
não sou mais eu
sou todos os verBos
que me brotam desordenados
impacientes medidas
rimas soltas
complexas ou simples
- pouco importa -
nessa minha Lista
de poemas urgentes.
Todas as letras
querem brilhar teu nome
colorir o que depois de ti
só pode ser experiência.
E a minha mão não dá conta
de cantar o que me transborda.
Não sei d'outros assUntos
só teus olhos
teus caminhos
tuas roupas
teus risos
me são rios de motivos
e plantas de fraturas
do que antes de ti
mE foi mais do que suficiente...






07.12.2010 - 05h55min

Laço

E se a lã do sol
quebra a noite fria
raios de nylon descolam
as unhas e as energias
pra compartilhar de sonhos e euforias.
Essas mesmas
que inundaram as avenidas
os bares, os movimentos, as testemunhas
do que pra nós foi mais que estrela
Universo desenhado em domínios
os teus e os meus
finamente combinados.





07.12.2010 - 05h31min

Diferença

As manhãs continuam geladas
polainas de lã
nas canelas frias
cortante som de pássaros
desafios.
No entanto, há qualquer coisa
que não conheço
que difere do de sempre
que eu sempre tive.
Suspeito
seja a tua lembrança.




07.12.2010 - 05h23min

Despedida

Todas as despedidas
deveriam ser assim
sem dor
nem lágrim'alguma
sem precipitação
ou palpitação outra
que não a d'uma
algodoada saudade.
As despedidas
acenos leves d'alegrias
vividas
por isso mesmo merecedoras
da mais tenra harmonia.





07.12.2010 - 05h02min

Vestígios

Apagar outros vestígios?
Que vestígios
se desintegraste toda possibilidade
d'outras existências
que não a tua?






07.12.2010 - 4h45min

Simples assim

Eu quero a matéria prima dos meus versos
essa mesma que eu toco
e que dissolvo sobre a folha
feito experiência química
na física do que me proponho:
ser tua, eternamente...



Nos primeiros 11 minutos do dia 07/12/2010

Realidade

Não
sonho não foi
foi vida e valor palpável
maciez nas marcas
e aspereza nos fios.
Não
sonho não foi
foi sentimento exposto
pra ser impresso na mente
e ali permanecer.

Sonho vivido
vira palavra
poesia fervida no pulso
servida em porcelana importada
e-terna
em sua fragilidade
frágil
em sua infinitude.



Aos 5 segundos do dia 07/12/2010

Ó, meu pobre, meu grande amor distante,
nem sabes tu o bem que faz à gente
haver sonhado... e ter vivido o sonho!
(Mário Quintana)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Possível

Long Play dos sons dos risos
ridos nas madrugadas
em que os vizinhos desejaram
a morte de nós dois.
E se os plantões nos sonham
e os futuros aceleram a saudade,
a lembrança mantém vivo
o edredon macio e mudo
nas letras das canções
declaradas com A no começo
princípio de estado das coisas sem peso
prazerosamente ligadas
pela beleza do dia D.





06.12.2010 - 23h50min

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fetiche

Chegaste antes ao nosso destino compartilhado
e ao ponto final da tua partida.
Eu vim depois
inda que antes tenha nascido.
Entre nós, as estradas estendidas.
Mãos dadas.
Inusitado enlaçar de nossas vidas.
As minhas preferências, e as tuas
em Porto Alegre a acolhida.
Nenhum outro
tão perfeito encaixe.
Nossas dobras
de quilômetros separadas
agora já não são mais duas
são juntas ou separadas
uma única e branca névoa
pelas tuas mãos macias validada.

Tu chegaste antes
manchado com meu sangue
de carne crua.

Recitar poemas ao pé do ouvido
cantarolar, no meio da rua
sem saber de que lado fica a lua
se em teu olhar de feitiço
se em meu poder de mulher nua.

Fetiche.





05.12.2010 - 14h12min

Histórico


Outra forma de poesia...


Porto Alegre já não é a mesma. Agora, o cheiro dela tem um fundo que eu conheço, e que foge à maioria, exceto aos poucos que nos viram juntos e adivinharam que, da minha pele, era o teu suor que escorria.
Aviões, ônibus, táxis, transeuntes, panos de fundo de uma história que não se inicia, já que quase aniversaria, mas que se alimenta das tuas pupilas, nas minhas satisfeitas íris.
As ruas andaram em câmera lenta e até os minutos, inimigos de todos os amantes, compartilharam e condescenderam dessa nossa alegria.
Os vizinhos, ou odiaram, ou sorriram, complacentes. Viver de amor é sucesso garantido, de um lado ou outro do contraditório sistema de assuntos do dia.
Nada mais lindo que a tua barriga, molhada de chuveiro, depois das minhas marcas, tatuadas nos teus pelos.
Pelo jeito, Porto Alegre se encolhia, nas últimas madrugadas quentes, em que teu corpo me continha, e eu compunha versos incoerentes e balbucios permanentes, na tua orelha, atenta de mordidas.
Palco de madura energia, a cidade que me pratica respeitou a ansiedade do primeiro início, suco de sopro esperado, que nem eu, nem tu, evitamos viver.
Depois do conforto, o sossego, medido a palmos, insuficiente, por ser infinito.
E se foi apenas um breve fim de semana, não tão breve foi teu beijo, ainda plantado na minha garganta, na despedida.
"Voa e canta, enquanto resistirem as asas"*, concretizada transformação alquímica, do que já foi vidro, e que o Guaíba, os corredores de ônibus e as avenidas, testemunharam virar real diamante.
Porto Alegre já não é a mesma; na pele dela escorre agora a tua gota, e a minha.
Sem reservas.
Só venturas.







05.12.2010 - 13h15min

*O VOO - Menotti Del Picchia

Bem

Tantas pontas nuas
nuances de espátulas
e plantas de pés descalços.
Tantas horas confirmadas
nas felpas dos fios
nas plumas dos lençois
manchados com meu sangue
curados com teu sal.
Feitiço feito a ferro e tempo
exigido nó presente
na capa do disco
qu'inda não ouvi
(por isso, invento).
Meu nome no teu grito
argumento único da tua chegada.
Sensação de prazer cumprido
na mancha no chão do quarto
testemunha da tua doce investida.
Teu sono tranquilo.

O fim não termina
quando anuncia o novo começo.

Na despedida
recuso a tristeza
saciada que me sinto
de alegrias.

Outros planos
diferentes dos já tidos.

Pontas de barbantes molhados
vasos de estrelas
posições estapafúrdias
contas que não fecham
- nem deveriam -.
A união faz a força da energia.
Urgência resolvida
agora é cuidar da lembrança
e
assim
à distância
permanecer alimentando
o mais bonito dos meus dias...




05.12.2010 - 12h45min

Adonada

Ser tua.
Ter teu fôlego
beber teu sal
suar a exaustão tida.
Rir do medo
saciar a fome
lavar a ferida.
Nascer sem dor
a planta da vida.
Provocar soluços.
Oferecer guarida.
Ser tua.
Sem sentenças
sem reservas
sem malícias.
Multiplicar minutos
alternar lados
lubrificar a sina.
Ser tua.
Ajoelhar mantras sagrados
salivar teu nome santo
na minha língua molhada.
E, na tua,
ser eu,


despida...











05.12.2010 - 12h20min

Furor

Alcançar o ponto exato
é quase queda abísmica.
Adentrar segredos insondáveis
é produzir outros tantos
assuntos de guitarras
e sussurros, murmúrios e beijos.
Minhas sandálias calçam teus braços,
meus apertos, laços prenhes
de leite vivo e espasmos.
Sou qualquer coisa fora de mim
que te arranha
às entradas da casa
e supõe as pressas
nas afiadas garras da cama.
Deito teu ombro em minha cabeça
teus odores aguardam meus cheiros
perfumes de toda nossa espera sofrida.
Alimentar os alcances
é fúria de fome
do que de fora veste
posto já estarmos donos de dentro
dos lados e a postos
para mais uma cartada do destino.
Renovadas forças
de renomado poderio.
Amor de fúria.
Heavy Metal...




05.12.2010 - 12h

sábado, 27 de novembro de 2010

Sexta-feira

Recupero meus humores
muito embora meus versos
estejam indefinidos
entre uma e outra ansiedade
que desfio, desde sexta,
quando meus risos ganharam razão.

Desde sexta, meu sexto sentido aguçado
anda alvoroçado
dançando metais de algodão
rareando os efeitos contrários
enfeitando os acordes, as guitarras,
os anéis, as correntes, os acordos,
as cordas que amarram as minhas vertentes
às tuas.

Não é só a tristeza que me impede a letra
essa satisfação que me atinge a'lma
me deixa muda, paralisa-me os dedos
enrijece-me o verbo.

Não escrevo.
De repente, minha poesia é um sorriso
e ele me basta.
Desde sexta...







27.11.2010 - 22h39min

domingo, 21 de novembro de 2010

Revista Pausa: Entrevista com Maicknuclear:

Revista Pausa: Entrevista com Maicknuclear:: "

Avenidas

Avenidas são sombras de dúvidas
abertas diante das nossas fuças
funcionadas lembranças liberais
signos de esteiras
e estreitas entradas paradoxais.
Nem sempre suposições reais.
Nem sempre opções possíveis.
Talvez poesias mal terminadas
ou sequer pensadas
ou não?
intencionais.




21.11.2010 - 18h18min

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Parabólica

Rumino perguntas
destilo respostas prontas.
O que vês é meu corpo
instrumento de sopro
das vozes que me rondam
e que inventam a poesia que lês
assinada pelos nós dos meus dedos
mas não por mim
posto ser de fora de mim
que me nascem os versos feitos.
Feitio de esporádicos espasmos
minhas formas ensinam
insinuam teus membros
nas minhas curvas expostas.
Janelas de vidro fosco
sem freios temperados
futuros escalpos dos dias
que não foram de ninguém
para além dos limites estabelecidos.
Proposta tua.





15.11.2010 - 17h47min

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Admiração virá atração

DO VERSO SEM RIMAS OU ACENTOS


PINTADOS POR TUAS MÃOS DE RENDA

FIZ ORAÇÃO E ENCANTAMENTO

ATRAIO UM POEMA

ADMIRO UM RISO

PRENDO UM COLAPSO

LIBERTO UM DESEJO

SE COMENTO A GULA

E RISCO UM LIMITE FRONTEIRIÇO

É QUE TE QUERO HORIZONTE

DO VERSO SEM RIMAS

SEM ACENTOS

MAS COM TUAS MÃOS DE QUEIXO

NAS CURVAS DOS MEUS VERBOS

PENSAMENTOS.

 
 
 
 
10.11.2010 - 02h08min

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eternal

Não sigo teus passos de perto
providencio outros caminhos
literalmente avaros de ideias.
Ideais são as compressas
de gelo seco e de entrevistas
que visam conhecer-te os olhos.
Árduo monumento impróprio.
Ampla conquista de sais.
Sacra arte perdida
nas curvas dos tempos de agora.
Tu, escondido nos meus dedos
dedilhado nas pupilas dos meus olhares
inventado nas dobras da minha cintura
criado, a partir da canção que eu ouvi.
Tu, que eu desconheço os apelos
apesar dos pontos suspeitos
e das entradas diárias nos meus lamentos
lançamentos de dardos incendiados
de trufas e torturas magníficas.
Não consigo teus traços dispersos
mortos na guerra que eu faço
pra te manter assim mesmo
dentro dos limites que te imponho
pra proteger minha pele
do vício que me serias
caso tivesses a faculdade
de me alcançar.






08.11.2010 - 02h05min
http://www.youtube.com/watch?v=d8RYUZT57XA&feature=artistob&playnext=1&videos=WSaOV-exwhI

Ex-vi

Se hoje faço poesia
é que a folha me define
nas letras dispersas que aliviam-me os medos
e incendeiam meu futuro mistério.
Se hoje rasuro linhas
entre uma e outra costela fraca
sanciono alicerces de plástico
em botões de rosas rasgados.
Lúcidas conferências imaginárias.
Confiro tons de lilás às promessas
e recolho restos de rupturas passadas
pra não ficar completamente nua de memórias gastas.
Se hoje despejo versos
nas alamedas aleatórias sem prumo
é que me impedem as convenções
de convencer d'outras formas
além das estrofes tortas e sem rimas
que eu tento desiludir de antigos ranços.

(Não se engane comigo.
Não sou assim tão lenta
nem tão linear vai o que sinto.
Esperneio.
Impeço a distância.
Inoportuna é a sã mente.
A loucura me ronda).

Se hoje destilo poesia
é que meu veneno tem pimenta
e meu doce te aninha
nos fluidos do corpo que desejas.

Cuidado comigo.
Eu mordo.
E permaneço.





08.11.2010 - 01h38min