Escorrego e quebro a'lma
no ponto exato em que as pernas bambas
exigem direção curta.
Peso e tragédia são muros
de escovas e pinhas
nos galhos das horas
que passam.
Impossível engessar a alma
improvável alcançar a cura.
Resta-me uma ponta intacta
regenerativa...
Pulso.
30.07.2011 - 02h09min
sábado, 30 de julho de 2011
Desabafo
Viajo na garganta seca
arranco meu sonho das nuvens
e planto sementes no inferno
onde o fogo suporta-me as crises.
Com força, sigo a linha estreita
dos costumes questionáveis
e das insensatas lutas.
Não abandono meus medos
nem eles desgrudam de mim.
Minha mente sua sangue
desestrutura a simplicidade
complica qualquer instante.
Arrebato restos de salivas
desperdiçadas entre dentes.
Rasgo a ferida.
Aceito o dia.
Permaneço
nua.
Em mim.
Na primeira hora e 37 minutos, do dia 30.07.2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Clareza
Arrasto minhas correntes
afundo os pés na terra
e sinto a dureza do chão
a pedra na janela
acertou-me a testa
sem culpa de ninguém
além da minha própria lama.
Eu
comigo.
Minh'alma descalça
descansa nos arredores do juízo
completamente perturbada.
Raspo os pensamentos
e as intenções que tive
descarto.
Recolho-me aos meus limites
que às vezes esqueço
que às vezes perco de vista
mas finco as estacas com força
té que outro vento me cegue.
Por enquanto me protejo.
Eu
comigo.
29.07.2011 - 23h38min
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Descrição
Eu gosto de dias claros
e roupas com cheiro de Sol
de luz natural
de primavera em flor.
Eu gosto de riso espontâneo
e de lágrima de emoção.
De campo, mato e cidade grande
cada um com seu encanto, lamento e confusão.
Eu gosto de dormir de conchinha
e de banho de mangueira na praia,
chantilly, gelo seco, manta uruguaia.
Eu gosto de fruta madura, toque de sino e sinal de fumaça.
Eu gosto de Tai Chi, arroz com feijão e mudança,
elevadores, cavalos e cães sem raça,
pinhão, batata doce e mel
e de estrelas coloridas, bordando o céu.
Eu gosto de quem acredita
de quem tem coragem
de quem segue a verdade
ainda que diferente da minha.
Eu gosto de gente bem resolvida
de quem não mente a idade
de experimentos gastronômicos e Arte.
Eu gosto de gente tímida
e de gente ousada
- mas só se for além da conta.
Eu tenho pena dos desesperados
e raiva dos injustos.
Eu fujo dos fracos e atraio bêbados.
Eu creio na infinitude
e gosto de acordar tarde.
Eu amo viagens
e vagens e fuligens.
Eu sou todas as miragens...
27.07.2011 - 12h03min
terça-feira, 26 de julho de 2011
Espólio
cravado na minha pele clara
o sangue escorrido tinge a folha
e sobre ele desenho palavras.
Assim me doo
assim me doem as letras
a ferro e fogo arrancadas
a fórceps
no parto das madrugadas.
Minha poesia não tem a beleza da rima
cuidadosamente esfarinhada
pincelada a ouro
e dedilhada em violão afinado.
Não.
É manca a minha estrofe.
Coroa de pontiagudas foices
machucada de algodão
e grita
entre os dentes da caneta
grita
na face do papel
grita.
Minha poesia espezinha tudo
a rima
a métrica
o jugo
de ter perfeito ritmo
e coisa e tal.
E finca a faca
no olho maldito
que exige clemência
sem dar nó na garganta da lua
que brinca de clichês
e outros ques notórios
enquanto de mim
não é verbo que nasce
mas vida que escorre
vermelha de medo e vergonha
de tanto ser pequena
na'scuridão da noite fria.
Minha poesia é putrefato despojo.
Sobre o túmulo dela
uma lápide vazia.
Nada havia
a dizer
nada via...
26.07.2011 - 04h34min
Bah noite
Recolho-me à minha insignificância.
Versos travesseiram-me.
Atravessam as 4 horas que se esvaem em pedaços de vírgulas nos instantes.
Vou pela sombra.
Refaço o caminho da vinda.
A vinha afoga o lenço arrastado.
O sonho que não enraizou-se.
O lance de escada que não deu o primeiro passo
o primeiro invento
o primeiro pedaço de luz.
(Caco de espelho)
Que não deu a trégua que eu precisava.
Voo.
26.07.2011 - 04h12min
Versos travesseiram-me.
Atravessam as 4 horas que se esvaem em pedaços de vírgulas nos instantes.
Vou pela sombra.
Refaço o caminho da vinda.
A vinha afoga o lenço arrastado.
O sonho que não enraizou-se.
O lance de escada que não deu o primeiro passo
o primeiro invento
o primeiro pedaço de luz.
(Caco de espelho)
Que não deu a trégua que eu precisava.
Voo.
26.07.2011 - 04h12min
Embuste
Indago se me basta
um hoje raso.
Voos interrompidos
buscas com dia e hora
pra despedir os aplausos.
O vale reflete meus desejos e o Sol aquece o grão da uva inda nem nascida.
São longas as madrugadas em que vejo escoar-se de mim o que não houve.
Indago se me soa suficiente
um hoje exausto.
Fatos insistidos
bruscas linhas e honras
pra alimentar os instintos.
Os vãos engolem meus silêncios e a Sombra esquece a língua inda não inventada.
São negras as madrugadas em que, cega, tento desvencilhar-me das teias do que não tive.
Resvalo pelo que me esconde a essência.
Traduzo porões. Engulo cicatrizes. Repito erros. Disperso-me, feito estátua de mercúrio.
Uma palavra me perde. Um juízo. Uma cruz. E os limites me alcançam, famintos.
Sou água, escorrida na semente. Não brota ela. Broto eu, no sangue do dia. Todos os dias.
Vertente invertida.
Eu, aquela que ardia.
26.07.2011 - 03h54min
um hoje raso.
Voos interrompidos
buscas com dia e hora
pra despedir os aplausos.
O vale reflete meus desejos e o Sol aquece o grão da uva inda nem nascida.
São longas as madrugadas em que vejo escoar-se de mim o que não houve.
Indago se me soa suficiente
um hoje exausto.
Fatos insistidos
bruscas linhas e honras
pra alimentar os instintos.
Os vãos engolem meus silêncios e a Sombra esquece a língua inda não inventada.
São negras as madrugadas em que, cega, tento desvencilhar-me das teias do que não tive.
Resvalo pelo que me esconde a essência.
Traduzo porões. Engulo cicatrizes. Repito erros. Disperso-me, feito estátua de mercúrio.
Uma palavra me perde. Um juízo. Uma cruz. E os limites me alcançam, famintos.
Sou água, escorrida na semente. Não brota ela. Broto eu, no sangue do dia. Todos os dias.
Vertente invertida.
Eu, aquela que ardia.
26.07.2011 - 03h54min
Obtuso-me
Invado devagar
devagar salvo as palmas
devagar não vou
fico.
Arrisco muito
quase tudo
e muito me afasto
quase de todo
no instante seguinte.
Não agrido
repito devagar
ao vagaroso ouvinte
o silêncio que petrifico.
Afundo
o beco.
Rasgo a hora.
Licencio a pergunta.
Mas a resposta não.
São redondas as pilhas de acertos
que eu não fui.
Estremeço e adiante sigo.
Eu
comigo.
26.07.2011 - 03h23min
devagar salvo as palmas
devagar não vou
fico.
Arrisco muito
quase tudo
e muito me afasto
quase de todo
no instante seguinte.
Não agrido
repito devagar
ao vagaroso ouvinte
o silêncio que petrifico.
Afundo
o beco.
Rasgo a hora.
Licencio a pergunta.
Mas a resposta não.
São redondas as pilhas de acertos
que eu não fui.
Estremeço e adiante sigo.
Eu
comigo.
26.07.2011 - 03h23min
Coleção
Coleciono palavras
intrusos vocábulos
substantivos vários.
Nos vãos dos espelhos
autorizo as frases
e adapto os dizeres.
Choro fácil
de lágrimas engolidas a custo.
Fácil rio
e amontoo vírgulas
misturadas a letras
matizadas de sal.
Coleciono palavras
nos olhos
nas pontas dos dedos
na saliva
nos ditos perdidos
e nos que não dou.
Só pra provar
quem manda
eu sou...
26.07.2011 - 02h43min
intrusos vocábulos
substantivos vários.
Nos vãos dos espelhos
autorizo as frases
e adapto os dizeres.
Choro fácil
de lágrimas engolidas a custo.
Fácil rio
e amontoo vírgulas
misturadas a letras
matizadas de sal.
Coleciono palavras
nos olhos
nas pontas dos dedos
na saliva
nos ditos perdidos
e nos que não dou.
Só pra provar
quem manda
eu sou...
26.07.2011 - 02h43min
Encruzilhada
o mundo já não gira
vira a cabeça de lado
lança os ventos nas vestes
cambaleia nos sobrados
o mundo dá cambalhotas
meu corpo fechado anuncia a hora
agora tudo à volta importa
as portas abertas são livres
as liberdades, proféticas
o mundo abre as asas
canta no alto das árvores
e abraça as ruas estradas e trilhas
que eu não abri
no meio da encruzilhada
descubro um mundo
que não sei
26.07.2011 - 02h20min
vira a cabeça de lado
lança os ventos nas vestes
cambaleia nos sobrados
o mundo dá cambalhotas
meu corpo fechado anuncia a hora
agora tudo à volta importa
as portas abertas são livres
as liberdades, proféticas
o mundo abre as asas
canta no alto das árvores
e abraça as ruas estradas e trilhas
que eu não abri
no meio da encruzilhada
descubro um mundo
que não sei
26.07.2011 - 02h20min
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Abertura
E se as palavras aliviarem
a insistente tristeza instalada
alcançaremos enluarada vitória
entre as conchas das mãos espalmadas.
E se os risos forem constantes
e as condições permanentes
talvez vejamos nascer uma chance
de fazer com que tudo seja diferente.
Rimas, orvalhos, defeitos
confessos ou não nas letras
nos desenhos estrelados
ou ventos soprados nas janelas
plantados nuns versos devassos.
Eu planto sementes
tu decides se elas vingam...
Ou não...
25.07.2011 - 02h38min
a insistente tristeza instalada
alcançaremos enluarada vitória
entre as conchas das mãos espalmadas.
E se os risos forem constantes
e as condições permanentes
talvez vejamos nascer uma chance
de fazer com que tudo seja diferente.
Rimas, orvalhos, defeitos
confessos ou não nas letras
nos desenhos estrelados
ou ventos soprados nas janelas
plantados nuns versos devassos.
Eu planto sementes
tu decides se elas vingam...
Ou não...
25.07.2011 - 02h38min
quarta-feira, 20 de julho de 2011
À força
À força
as ondas espumam as águas
o sol alaranja o Guaíba
os olhos encerram a madrugada.
À força
os orvalhos umedecem flores
os bailes acendem os olhos
as lembranças nascem amigas.
À força
as distâncias rasgam entradas
os poemas pingam fatos
as estradas pintam existências.
À força
o sono se alimenta
de suave companhia.
20.07.2011 - 01h30min
as ondas espumam as águas
o sol alaranja o Guaíba
os olhos encerram a madrugada.
À força
os orvalhos umedecem flores
os bailes acendem os olhos
as lembranças nascem amigas.
À força
as distâncias rasgam entradas
os poemas pingam fatos
as estradas pintam existências.
À força
o sono se alimenta
de suave companhia.
20.07.2011 - 01h30min
Memória
Desmemorizo-me
pra peneirar os nervos
lembro aleatórias cenas
idas e vindas neurônicas
elegâncias passadas
invisibilidades minhas.
Movimentos da vida
que rola morro acima
te
men
te
ten
mi
ter
in
sem pedir licença
sem caber nas mãos
sem desculpas
ou razões outras
que não aquelas
que a memória aprovou.
20.07.2011 - 01h20min
pra peneirar os nervos
lembro aleatórias cenas
idas e vindas neurônicas
elegâncias passadas
invisibilidades minhas.
Movimentos da vida
que rola morro acima
te
men
te
ten
mi
ter
in
sem pedir licença
sem caber nas mãos
sem desculpas
ou razões outras
que não aquelas
que a memória aprovou.
20.07.2011 - 01h20min
sábado, 16 de julho de 2011
Arte
Minha arte é caco de vidro no sapato
estrada de brasas
que trilho descalça
pra não esquecer um verso sequer.
Minha arte
longe de conhecimento
é compulsão
necessidade imperativa
hiperativo verbo que brota
sem aviso
nem rendição
em tempo algum.
Minha arte exige tudo
e de todo fácil se desfaz.
É silêncio e escuta
brevidade longeva
detalhe e escândalo azul
destituída de pureza ou escravidão.
Escrava sou eu, dela.
Ela vem e se esvai quando quer.
Ela sopra, bendiz ou amaldiçoa
quando bem lhe apraz.
Minha arte é o desenho na janela
dessa minha vida
eternamente fechada
para o constante.
Caco de vidro
caco de telha
caco de instante
que me corta o pulso
e sangra
dissonante
feito fio de navalha vencida
na carne da folha branca.
16.07.2011 - 14h07min
estrada de brasas
que trilho descalça
pra não esquecer um verso sequer.
Minha arte
longe de conhecimento
é compulsão
necessidade imperativa
hiperativo verbo que brota
sem aviso
nem rendição
em tempo algum.
Minha arte exige tudo
e de todo fácil se desfaz.
É silêncio e escuta
brevidade longeva
detalhe e escândalo azul
destituída de pureza ou escravidão.
Escrava sou eu, dela.
Ela vem e se esvai quando quer.
Ela sopra, bendiz ou amaldiçoa
quando bem lhe apraz.
Minha arte é o desenho na janela
dessa minha vida
eternamente fechada
para o constante.
Caco de vidro
caco de telha
caco de instante
que me corta o pulso
e sangra
dissonante
feito fio de navalha vencida
na carne da folha branca.
16.07.2011 - 14h07min
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Poesia
Fértil é o dia
em que brotam letras
bolhas de sabão
grafitadas
na folha virgem medida.
Qualquer motivo é verso
a ajuda pedida
e negada
o botão entreaberto
o aperto no peito
a linha do trem
a nova oração
o espelho quebrado
o medo invertido
a emoção.
Qualquer razão é bastante
o dente do siso
a farda verde
o fardo dormente
a circunstância
a pompa
o absurdo
o inconsequente.
Qualquer imagem é presente
inclusive a de mil novecentos e oitenta e cinco
ou antes
ou dois mil e onze.
Fértil nascença de estrofes.
Alimento.
14.07.2011 - 19h55min
em que brotam letras
bolhas de sabão
grafitadas
na folha virgem medida.
Qualquer motivo é verso
a ajuda pedida
e negada
o botão entreaberto
o aperto no peito
a linha do trem
a nova oração
o espelho quebrado
o medo invertido
a emoção.
Qualquer razão é bastante
o dente do siso
a farda verde
o fardo dormente
a circunstância
a pompa
o absurdo
o inconsequente.
Qualquer imagem é presente
inclusive a de mil novecentos e oitenta e cinco
ou antes
ou dois mil e onze.
Fértil nascença de estrofes.
Alimento.
14.07.2011 - 19h55min
Possessão
A realidade que eu guardo
é a ponta do grampo
de uma fotografia
que o delírio me permite possuir.
O que meus dedos tocam
são meus minutos-limites:
é o que eu tenho de meu.
Meus sobrepostos pertences
estão no meu hoje.
Meus remendos
imprestáveis pressupostos
de esquecimentos.
Eu sou o que hoje guardo
nas entrelinhas
das minhas medidas
feixes de nervos expostos.
Exporto dicionários
de cicatrizes perfeitas
e sinônimos duvidosos.
O que adivinho
o que suspeito
imagino
sonho
ou desejo
é ilusão.
O que me esvai dos dedos,
lembrança.
O que tenho
de fato e de direito
é o agora
e é nele que eu me liberto
é dentro desse mito
que eu moro
e suo
e sou.
14.07.2011 - 18h35min
é a ponta do grampo
de uma fotografia
que o delírio me permite possuir.
O que meus dedos tocam
são meus minutos-limites:
é o que eu tenho de meu.
Meus sobrepostos pertences
estão no meu hoje.
Meus remendos
imprestáveis pressupostos
de esquecimentos.
Eu sou o que hoje guardo
nas entrelinhas
das minhas medidas
feixes de nervos expostos.
Exporto dicionários
de cicatrizes perfeitas
e sinônimos duvidosos.
O que adivinho
o que suspeito
imagino
sonho
ou desejo
é ilusão.
O que me esvai dos dedos,
lembrança.
O que tenho
de fato e de direito
é o agora
e é nele que eu me liberto
é dentro desse mito
que eu moro
e suo
e sou.
14.07.2011 - 18h35min
Crença
Rasuras nas luvas
com que o vento
conta as gotas de hoje
nas íris embaçadas
das catedrais brancas
que esperam fiéis.
Contratos rasgados
incendiadas preces
violentas cenas paradas
nas veias fechadas
de uma América outra
que não a latrina
que não o latido uivado
d'alma desesperada e aflita
presa em si mesma
ensimesmada
loucura.
Rabisco.
14.07.2011 - 01h44min
com que o vento
conta as gotas de hoje
nas íris embaçadas
das catedrais brancas
que esperam fiéis.
Contratos rasgados
incendiadas preces
violentas cenas paradas
nas veias fechadas
de uma América outra
que não a latrina
que não o latido uivado
d'alma desesperada e aflita
presa em si mesma
ensimesmada
loucura.
Rabisco.
14.07.2011 - 01h44min
Jamais
Nunca
é um tempo de por enquanto
que se arrasta ao longe
das gotas lânguidas
do escorrido relógio
de Dali. Daqui
nada se vê
além de agora
e o que não penso
é quase estrada trilhada.
O Nunca afirmado
pode ser Sim ou Não
depende da distância
entre o Sempre e o
tiquetaquear da vontade
prevista ou In.
Nunca é um tempo de por enquanto
enquanto durar a hora
arrastada de cascalhos
e repentes chuviscos
rebentos de listras azuis
nas calhas encarceradas
que pingam esperas
e corredores vazios.
Por enquanto
inda insta o orvalho
que não mais se esvai
nas frases do tempo
escoado dos quintais
da vida de dentro de mim.
Por enquanto
o Nunca aguarda
a calçada despretenciosamente
limpa
ventanear outonos
de folhas amassadas
e desistentes esperanças
tidas.
Nunca
é agora
por enquanto.
14.07.2011 - 01h04min
é um tempo de por enquanto
que se arrasta ao longe
das gotas lânguidas
do escorrido relógio
de Dali. Daqui
nada se vê
além de agora
e o que não penso
é quase estrada trilhada.
O Nunca afirmado
pode ser Sim ou Não
depende da distância
entre o Sempre e o
tiquetaquear da vontade
prevista ou In.
Nunca é um tempo de por enquanto
enquanto durar a hora
arrastada de cascalhos
e repentes chuviscos
rebentos de listras azuis
nas calhas encarceradas
que pingam esperas
e corredores vazios.
Por enquanto
inda insta o orvalho
que não mais se esvai
nas frases do tempo
escoado dos quintais
da vida de dentro de mim.
Por enquanto
o Nunca aguarda
a calçada despretenciosamente
limpa
ventanear outonos
de folhas amassadas
e desistentes esperanças
tidas.
Nunca
é agora
por enquanto.
14.07.2011 - 01h04min
quarta-feira, 13 de julho de 2011
A paga
Aqui se faz
aqui se paga o preço pedido
sem pestanejar
ou tremer de mãos
os freios
os suores
as instâncias.
Aqui se faz
aqui se paga o preço justo
sem delongas
nem desculpas
ou equívocos
independentes das nossas juras.
Aqui se faz
aqui se paga a justa medida.
Agora.
Aos 9 segundos do dia 13.07.2011
aqui se paga o preço pedido
sem pestanejar
ou tremer de mãos
os freios
os suores
as instâncias.
Aqui se faz
aqui se paga o preço justo
sem delongas
nem desculpas
ou equívocos
independentes das nossas juras.
Aqui se faz
aqui se paga a justa medida.
Agora.
Aos 9 segundos do dia 13.07.2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Heteronimozar-se
Tal Pessoa
invento-me diferente
ora sou forte
ora minguante
ora invisto na letra
ora disfarço de mim.
Se agora rio
daqui a pouco visto patins
calço máscaras
rasgo limites.
Se agora o pessimismo
define meus rumos
alimento as crenças
crianças descalças
rock pesado
remédio pra dor.
Se agora me falta a linha
monto parâmetros
desfaço arredores
interno hospícios
externo estilos
somo concretudes.
Longe de Pessoa ser
Pessoa sou
Se não
for, faço-me...
Aos 16 minutos do dia 12.07.2011
invento-me diferente
ora sou forte
ora minguante
ora invisto na letra
ora disfarço de mim.
Se agora rio
daqui a pouco visto patins
calço máscaras
rasgo limites.
Se agora o pessimismo
define meus rumos
alimento as crenças
crianças descalças
rock pesado
remédio pra dor.
Se agora me falta a linha
monto parâmetros
desfaço arredores
interno hospícios
externo estilos
somo concretudes.
Longe de Pessoa ser
Pessoa sou
Se não
for, faço-me...
Aos 16 minutos do dia 12.07.2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Teoria
Pouco aprendi
do quase nada que me foi buscando
uma ponta aqui
outra ali
extrapolando
limites já gastos
impostos
pela história
que eu vivo aqui.
Os dias que me atravessam a garganta
são cordas do universo paralelo vocal
que me acompanha. Não
sei d'onde vim
mas sei daqui
desse comboio de metáforas diárias
metamorfoseadas em Kafkas, Shoppenhauers e Rilkes
enrolados à tua língua
que maldiz esse meu defeito
de te pendurar uma chave ao pescoço
e ordenar:
liberta o calabouço!
02.07.2011 - 18h
Pingos
Meus "is" perderam os pontos
cardeais
desnorteados
vestiram um gole de horizonte
e se acomodaram
no meio da profecIa.
Foi o fIm.
02.07.2011 - 13h44min
cardeais
desnorteados
vestiram um gole de horizonte
e se acomodaram
no meio da profecIa.
Foi o fIm.
02.07.2011 - 13h44min
A partir daí
A partir daí
os lisos lenços d'areia
dispersaram o espaço
dispensaram o tempo
toques silenciosos na retina
crendice d'alumínio
fruteira sobre a mesa de mármore cru
frio de morte
a partir daí.
No entorno
as prioridades todas
alinhadas por importância
por mérito alencadas
nem um descarte
nem um deslize
nenhum desligue
a partir daí.
02.07.2011 - 13h10min
os lisos lenços d'areia
dispersaram o espaço
dispensaram o tempo
toques silenciosos na retina
crendice d'alumínio
fruteira sobre a mesa de mármore cru
frio de morte
a partir daí.
No entorno
as prioridades todas
alinhadas por importância
por mérito alencadas
nem um descarte
nem um deslize
nenhum desligue
a partir daí.
02.07.2011 - 13h10min
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Do escrever
Escrever é endireitar as curvas
ou torná-las mais sinuosas
depende do quanto dance teu lápis
ou de quantas palavras
vertam do teu sangue quente.
Escrever é buscar perguntas
nos pontos finais das palavras.
É arrebentar nós já desfeitos
e disfarçar dores assustadas.
Escrever é pescar um sonho aqui
um limite logo adiante
uma história perdida no halo da lua
ou contar as estrelas todas do país.
Escrever é rodear mundos
desbancar certezas
e expor as veias abertas
não da América Latina
ou dela também, por certo,
mas antes e principalmente
da tua própria face.
Oculta
(te)?
27.06.2011 - 21h36min
ou torná-las mais sinuosas
depende do quanto dance teu lápis
ou de quantas palavras
vertam do teu sangue quente.
Escrever é buscar perguntas
nos pontos finais das palavras.
É arrebentar nós já desfeitos
e disfarçar dores assustadas.
Escrever é pescar um sonho aqui
um limite logo adiante
uma história perdida no halo da lua
ou contar as estrelas todas do país.
Escrever é rodear mundos
desbancar certezas
e expor as veias abertas
não da América Latina
ou dela também, por certo,
mas antes e principalmente
da tua própria face.
Oculta
(te)?
27.06.2011 - 21h36min
Extrema Unção
Se a minha poesia te agarra pela garganta
dá um nó nos teus olhos
amarra teus tornozelos
e paralisa-te os pulmões,
comemora!
Onde encontrarás maior beleza
que a de benzer com poesia a hora fatídica?
27.06.2011 - 15h40min
dá um nó nos teus olhos
amarra teus tornozelos
e paralisa-te os pulmões,
comemora!
Onde encontrarás maior beleza
que a de benzer com poesia a hora fatídica?
27.06.2011 - 15h40min
Quintana e eu
Quintana não gostava de pôr data
às suas poesias.
Nem precisaria: a letra de Quintana
como o próprio poeta, era eterna
e, como eterna, de data não precisaria.
Por isso dato todas as minhas.
Como eu,
elas partirão...
27.06.2011 - 15h08min
às suas poesias.
Nem precisaria: a letra de Quintana
como o próprio poeta, era eterna
e, como eterna, de data não precisaria.
Por isso dato todas as minhas.
Como eu,
elas partirão...
27.06.2011 - 15h08min
Extremamente fácil
Dizem os entendidos
que é fácil fazer poesia.
Fácil é plantar batatinha!
A poesia exige sangue
dieta equilibrada
(valha-me Deus!)
e muito conhecimento.
Não o sangue de vaca, bode ou galinha
no cruzamento da esquina
com pipoca, arroz branco e pinga.
O sangue das tuas próprias veias, todinho.
É esse que a poesia reclama.
Não a dieta de frutas, verduras e fibras
o cardápio bem certinho
e todas as calorias milimetricamente calculadas
e seguidas com rigor científico.
A dieta das letras inventada por ti mesmo.
É essa que a poesia reclama.
Não o conhecimento
que qualquer explicação resolve
contido, inteiro, num canudo colorido
no final de uma longa e bonita jornada.
O conhecimento galgado no olho
no fundo da íris manchada.
É esse que a poesia reclama.
Fácil, mesmo, é plantar batatinha.
Extremamente difícil é parir poesia.
27.06.2011 - 15h
que é fácil fazer poesia.
Fácil é plantar batatinha!
A poesia exige sangue
dieta equilibrada
(valha-me Deus!)
e muito conhecimento.
Não o sangue de vaca, bode ou galinha
no cruzamento da esquina
com pipoca, arroz branco e pinga.
O sangue das tuas próprias veias, todinho.
É esse que a poesia reclama.
Não a dieta de frutas, verduras e fibras
o cardápio bem certinho
e todas as calorias milimetricamente calculadas
e seguidas com rigor científico.
A dieta das letras inventada por ti mesmo.
É essa que a poesia reclama.
Não o conhecimento
que qualquer explicação resolve
contido, inteiro, num canudo colorido
no final de uma longa e bonita jornada.
O conhecimento galgado no olho
no fundo da íris manchada.
É esse que a poesia reclama.
Fácil, mesmo, é plantar batatinha.
Extremamente difícil é parir poesia.
27.06.2011 - 15h
Doença
Eu sofro dessas dores crônicas
a que remédio algum dá jeito.
Dessas que os médicos dizem ser nada
mas que te torcem, mesmo assim,
do lado avesso.
Pois são essas dores que me perseguem
e riem do meu sofrimento.
Elas vem aos bandos, as covardes,
e, traiçoeiras, atacam num repente,
sem direito a resposta
nem aviso que me prepare.
Atormentam-me as carnes
os ossos e as conjunções e conjunturas
se conjunturas em mim houvesse.
Não perdoam fim de semana, dia útil ou inverno
inventam a hora que querem
impedem o curso do momento
bem no momento chegado.
Não querem saber se estou sozinha
ou se ando acompanhada
se ainda não termina o dia
ou se é alta madrugada.
Chegam com força e em bando
as desgraçadas.
Elas, as minhas dores de nada...
27.06.2011 - 14h34min
a que remédio algum dá jeito.
Dessas que os médicos dizem ser nada
mas que te torcem, mesmo assim,
do lado avesso.
Pois são essas dores que me perseguem
e riem do meu sofrimento.
Elas vem aos bandos, as covardes,
e, traiçoeiras, atacam num repente,
sem direito a resposta
nem aviso que me prepare.
Atormentam-me as carnes
os ossos e as conjunções e conjunturas
se conjunturas em mim houvesse.
Não perdoam fim de semana, dia útil ou inverno
inventam a hora que querem
impedem o curso do momento
bem no momento chegado.
Não querem saber se estou sozinha
ou se ando acompanhada
se ainda não termina o dia
ou se é alta madrugada.
Chegam com força e em bando
as desgraçadas.
Elas, as minhas dores de nada...
27.06.2011 - 14h34min
Entender ou sentir, eis a questão
"Te ler é como sentir a tua presença
sem poder te tocar.
Sinto a força
mas não tenho capacidade de entender"
Minha poesia é pra ser engolida com copo d'água
leite ou cicuta.
Entender é perder o mistério
concentrar-se no que a inteligência mede
dar-se conta só da superficialidade.
Entender não está nos princípios
nem nos revezes
muito menos nas amizades.
Entender restringe os fatos
encaixota os portões
enraíza as imagéticas.
Entender impede a troca
porque estanque
enquanto sentir enternece
e expande.
Sentir traz de volta
arrasta o lenço
deixa rastros no tempo
marca indelével
digital só tua.
Tu, que sentes, sinta.
Tu, que entendes, desista.
Minha poesia é pra ser sorvida com aguardente
sal e pimenta a gosto
pela pele dos que não entendem.
É pra esses o meu delírio.
27.06.2011 - 14h
domingo, 26 de junho de 2011
Tu
Tu dizes o que de mim
os olhos expostos atraem
os brilhos os sopros os infinitos cais
as heresias e as milhares de ousadas fantasias
nas prateleiras perfeitas
do minuto quente de agora.
Tu és o que de longe persiste
na minha mais complicada trama. Tu
és a paciência dos anos idos
o mantra a cura o pedido
a centelha que se aplica
ao bordado da vida que continua.
Tu és o que de mim me aguarda
na calma noite sem janelas e fria
a umidade anelada a crina a carne crua
o ponto de começo a velada sintonia a partilha.
Malícia.
26.06.2011 - 16h32min
os olhos expostos atraem
os brilhos os sopros os infinitos cais
as heresias e as milhares de ousadas fantasias
nas prateleiras perfeitas
do minuto quente de agora.
Tu és o que de longe persiste
na minha mais complicada trama. Tu
és a paciência dos anos idos
o mantra a cura o pedido
a centelha que se aplica
ao bordado da vida que continua.
Tu és o que de mim me aguarda
na calma noite sem janelas e fria
a umidade anelada a crina a carne crua
o ponto de começo a velada sintonia a partilha.
Malícia.
26.06.2011 - 16h32min
sábado, 18 de junho de 2011
Epígrafe
Mancho a folha vazia
escarneço do sistema
libero o estado de sítio
violento o instinto
açoito o sentimento
alimento a continuidade
num espaço que desconheço:
o da mente sã.
18.06.2011 - 01h20min
escarneço do sistema
libero o estado de sítio
violento o instinto
açoito o sentimento
alimento a continuidade
num espaço que desconheço:
o da mente sã.
18.06.2011 - 01h20min
terça-feira, 14 de junho de 2011
Ou não Ser
Eu sou um livro ao avesso
sem capa, prefácio ou chocolate.
Frase inacabada
no meio da mordida acesa.
Sou a parte de dentro
a língua molhada
a cabeceira inversa.
Eu sou um livro rasgado
arrastada linha paralítica.
Umedecido segredo
fala interrompida
intuito de fechadura.
Sou passagem obrigatória
no caos do escuro.
A fuga
a febre
a fúria
da ponta dos dedos.
Eu
editora dos meus medos.
14.06.2011 - 21h48min
sem capa, prefácio ou chocolate.
Frase inacabada
no meio da mordida acesa.
Sou a parte de dentro
a língua molhada
a cabeceira inversa.
Eu sou um livro rasgado
arrastada linha paralítica.
Umedecido segredo
fala interrompida
intuito de fechadura.
Sou passagem obrigatória
no caos do escuro.
A fuga
a febre
a fúria
da ponta dos dedos.
Eu
editora dos meus medos.
14.06.2011 - 21h48min
Fernando Pessoa
Se eu fosse Pessoa, faria versos. Mas Pessoa
houve um só.
A mim
restou ser leitora dos verbos de outras gentes
parentes dos deuses das letras
moradoras de terras distantes
i
nal
can
çá
veis
estrofes horizontais.
Se eu fosse Pessoa, faria versos.
Mas Pessoa houve um só.
14.06.2011 - 21h
houve um só.
A mim
restou ser leitora dos verbos de outras gentes
parentes dos deuses das letras
moradoras de terras distantes
i
nal
can
çá
veis
estrofes horizontais.
Se eu fosse Pessoa, faria versos.
Mas Pessoa houve um só.
14.06.2011 - 21h
Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...
É sempre hoje.
No meu colo
a caixinha de sonhos
com que Pandora
me presenteou.
Inútil entulho
nas minhas mãos vazias.
Se o tempo é sempre hoje
de que me vale sonhar?
Passam as horas
no relógio parado na estante.
A estante
o relógio
os dias
estão presos no tempo de hoje
como eu
e a caixa que Pandora
a grega
ousou me presentear.
14.06.2011 - 20h35min
No meu colo
a caixinha de sonhos
com que Pandora
me presenteou.
Inútil entulho
nas minhas mãos vazias.
Se o tempo é sempre hoje
de que me vale sonhar?
Passam as horas
no relógio parado na estante.
A estante
o relógio
os dias
estão presos no tempo de hoje
como eu
e a caixa que Pandora
a grega
ousou me presentear.
14.06.2011 - 20h35min
domingo, 12 de junho de 2011
Escrita
Escrevo minha poesia
em linha de papel amassado.
Compactuo com o silêncio
consumo a prática da letra
entre as esporas do dia.
Minhas feridas são lágrimas
nas vírgulas que desdobro
dessa folha azulada.
Os olhos que me espreitam
buscam deslizes
acima dos medos
além dos dizeres
encontram meus pontos
costurados nas filas
recém riscadas de espelhos.
Refiro-me aos limites
e às esperas dos desenhos
que meus versos
haverão de ressuscitar.
12.06.2011 - 21h59min
em linha de papel amassado.
Compactuo com o silêncio
consumo a prática da letra
entre as esporas do dia.
Minhas feridas são lágrimas
nas vírgulas que desdobro
dessa folha azulada.
Os olhos que me espreitam
buscam deslizes
acima dos medos
além dos dizeres
encontram meus pontos
costurados nas filas
recém riscadas de espelhos.
Refiro-me aos limites
e às esperas dos desenhos
que meus versos
haverão de ressuscitar.
12.06.2011 - 21h59min
Confidencial
Escondo a fonte d'água
nenhum olho alcança o estrado
de pontas de vidros
que percorrem meus passos
pr'esquecer as trilhas abertas
na última hora da colheita.
O ponteiro insuspeito
alimenta o curso
da parede nua
surpreendentemente lisa
apesar das pontas dos pregos
nas linhas escuras dos minutos
que arrastam as correntes
das horas
dos silêncios
dos pálidos segredos.
12.06.2011 - 20h37min
nenhum olho alcança o estrado
de pontas de vidros
que percorrem meus passos
pr'esquecer as trilhas abertas
na última hora da colheita.
O ponteiro insuspeito
alimenta o curso
da parede nua
surpreendentemente lisa
apesar das pontas dos pregos
nas linhas escuras dos minutos
que arrastam as correntes
das horas
dos silêncios
dos pálidos segredos.
12.06.2011 - 20h37min
Rasgo
Sempre insuficiente tempo
Presente de grego
No bolso da vida
Breve, muito breve suspiro
Sopro de sofreguidão
Interrompido susto
No âmago da vida
Corte brusco de navalha cega
No que se pretendia vasto
Vaga sensação de infortúnio.
Cuidado ao guardar lembranças
Risos, assuntos, assombros
Embrulhados na caixa de Presente
Que se recusa a ficar no Passado
Inda que a queda a tenha estraçalhado.
Nada que doa, me vale a pena, poetaria Pessoa
Enquanto minha poesia é quase um gemido
De todas as perdas de todos os anos idos
E do último verão, congelado no derradeiro frio
De um inverno que custa a passar
Doendo-me muito mais que as juntas
Torcendo-me as entranhas
Estranhando-me os pensamentos.
Ainda assim, nenhuma mácula atinge
O profundo que não é ouro
Mas vale mais que qualquer brilhante.
Ainda assim
Ninguém nem nada preenche
O espaço vazio
Que assim ficará
Té que a terra cubra esses meus olhos
Que tocaram os dedos do impossível
E por ele devorados foram
Sem direito à réplica, súplica ou desistência
Sem direito algum
Além do gosto de alumínio
Na porta dos próximos anos.
E por ele devorados foram
Sem direito à réplica, súplica ou desistência
Sem direito algum
Além do gosto de alumínio
Na porta dos próximos anos.
12.06.2011 - 20h
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Movimento
S2
Danço no espaço vazio
como quem pinta um quadro
louco
de espelhos e espinhos
e cataratas e esquadrinhamentos.
Arrumo a cadeira na ponta da lança
balanço
o anzol de cartas vermelhas
adonadas de riscos de um sol desmaiado.
Rodopio na quina de um degrau
que arremessa os próximos instantes
pra longe das obviedades
suspensas
as plantas dos pés esvaziam
as portas de um mármore raro
e espantos
e poesia.
01.06.2011 - 22h20min
Danço no espaço vazio
como quem pinta um quadro
louco
de espelhos e espinhos
e cataratas e esquadrinhamentos.
Arrumo a cadeira na ponta da lança
balanço
o anzol de cartas vermelhas
adonadas de riscos de um sol desmaiado.
Rodopio na quina de um degrau
que arremessa os próximos instantes
pra longe das obviedades
suspensas
as plantas dos pés esvaziam
as portas de um mármore raro
e espantos
e poesia.
01.06.2011 - 22h20min
Cansaço
S2
Sou uma mulher cansada
os cansaços pesam-me na garganta
nos ombros, nas pernas, joelhos e braços
circulam-me os tornozelos
e amarram meus passos.
No entanto, há em mim um descanso nato
um não-sei-que de leveza
mesmo nos tornozelos amarrados
uma certeza de que a garganta
se haverá de abrir de repente
depois de um beijo teu.
01.06.2011 - 01h
Sou uma mulher cansada
os cansaços pesam-me na garganta
nos ombros, nas pernas, joelhos e braços
circulam-me os tornozelos
e amarram meus passos.
No entanto, há em mim um descanso nato
um não-sei-que de leveza
mesmo nos tornozelos amarrados
uma certeza de que a garganta
se haverá de abrir de repente
depois de um beijo teu.
01.06.2011 - 01h
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Dentro
S2
De corpo presente
somam-se os hinos
e os alinhavos
e os segredos
e as lanças
vindas das íris castanhas
marcadas de tudo o que se tem
iluminadas alegrias
apostas consagradas
entrelaçados dedos
anéis.
26.05.2011 - 23h38min
De corpo presente
somam-se os hinos
e os alinhavos
e os segredos
e as lanças
vindas das íris castanhas
marcadas de tudo o que se tem
iluminadas alegrias
apostas consagradas
entrelaçados dedos
anéis.
26.05.2011 - 23h38min
Agora
S2
Tu dizes o que o coração professa
os anseios, os sucessos,
as plantas dos pés
na linha do começo
que de fato alimenta
tudo o que em mim despertas.
S2
Os tempos idos
de inocências findas
suficientes de haver sentido
o andar nas areias finas
não foram
são
sadios Presentes
nossos.
26.05.2011 - 01h10min
são
sadios Presentes
nossos.
26.05.2011 - 01h10min
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Ocupada
S2
A vantagem de ser livre
é a escolha de ocupada estar
liberdade que independe
do quanto se agitam ao lado
de quando é possível ficar.
Por mais que terceiros dancem
as canções que gostas de ouvir
a que a ti pertence
só pode ser cantada
por uma única voz
aquela que escolheu te sentir.
25.05.2011 - 23h53min
(...ciúme bonitinho...rs)
A vantagem de ser livre
é a escolha de ocupada estar
liberdade que independe
do quanto se agitam ao lado
de quando é possível ficar.
Por mais que terceiros dancem
as canções que gostas de ouvir
a que a ti pertence
só pode ser cantada
por uma única voz
aquela que escolheu te sentir.
25.05.2011 - 23h53min
(...ciúme bonitinho...rs)
Tenho dito
S2
O dito é o exposto
O dito é o exposto
acima do intento
ao largo do previsto
a despeito do suposto.
O dito fica pelo não-dito
se o outro tem argumento
e o elemento do fato
é carta de baralho
dentro do jogo da vida.
O dito acompanha
a roda da hora
o momento do grito
o calo na garganta
de tantas vezes dito
o começo do vivido
e a continuação do bendito.
Bem dito o fermento
do que ferve
na pressão do alimento
que corre ao encontro
do outro lado
do dito
do não-dito
do exposto
do alargado
peito.
Nos primeiros 3 segundos do dia 25.05.2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
Selo
Desafios nas ranhuras das folhas virgens
palavras pescadas no sangue
rangidos dentes selados
ganas de tudo perder
desfiados rolos de linhas azuis
nos teares abertos pelo vento
fiapos suspensos
surpresas vendadas
sal de raça
arrancado verniz.
24.05.2011 - 22h
Mais do mesmo
Tateiam nas lisuras do mesmo
arrumam motivos
empilham razões
perpetuam o que já é
serpenteiam entre senões
escondem os dedos
dão o tapa
respondem nãos
e as mãos...
as mãos
enconcham medos...
24.05.2011 - 21h
arrumam motivos
empilham razões
perpetuam o que já é
serpenteiam entre senões
escondem os dedos
dão o tapa
respondem nãos
e as mãos...
as mãos
enconcham medos...
24.05.2011 - 21h
Poder
S2
Instante castrado
retorno no galho distribuído
contornos indeléveis
laços de luzes criadas.
Abertura da janela confiada
no baú das mesmas tintas difusas.
Felpa na quina da hora.
Fora
os campos cobertos de flores.
Dentro
um sono não obtido.
24.05.2011 - 20h17min
Instante castrado
retorno no galho distribuído
contornos indeléveis
laços de luzes criadas.
Abertura da janela confiada
no baú das mesmas tintas difusas.
Felpa na quina da hora.
Fora
os campos cobertos de flores.
Dentro
um sono não obtido.
24.05.2011 - 20h17min
Slow motion
Lento, lento
cai o dia.
Despenca do alto da estrada
lento
dia lento
desalento.
Lento, lento
descortina o dia
a próxima vitrina
a varanda vazia.
24.05.2011 - 20h
cai o dia.
Despenca do alto da estrada
lento
dia lento
desalento.
Lento, lento
descortina o dia
a próxima vitrina
a varanda vazia.
24.05.2011 - 20h
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Arte
Nada como a Arte
pra fazer nascer o belo
no meio da madrugada fria.
No coração do escuro.
Nada como o escuro
pra fazer nascer a Arte
no meio do coração frio.
Na madrugada do belo.
Nada como o belo
pra fazer nascer o coração
no meio da Arte.
Na bela madrugada do coração da Arte...
Faz frio
e daí?
Madrugada de 13.05.2011
pra fazer nascer o belo
no meio da madrugada fria.
No coração do escuro.
Nada como o escuro
pra fazer nascer a Arte
no meio do coração frio.
Na madrugada do belo.
Nada como o belo
pra fazer nascer o coração
no meio da Arte.
Na bela madrugada do coração da Arte...
Faz frio
e daí?
Madrugada de 13.05.2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Nulo
Dor de cabeça
a nula visão
de aneis estreitos
e alusões
iludidas pontas
de estacas
extras
de estorvos
plásticos.
Dor de ser
leve
pluma
desvio de coluna
conduta
que vaga em círculos
e
in
cen
deia
o balanço de agora.
12.05.2011 - 01h50min
a nula visão
de aneis estreitos
e alusões
iludidas pontas
de estacas
extras
de estorvos
plásticos.
Dor de ser
leve
pluma
desvio de coluna
conduta
que vaga em círculos
e
in
cen
deia
o balanço de agora.
12.05.2011 - 01h50min
Macramê
Sopra um vento inquieto
nas folhas de um outono vivo
subjetivamente interno
de encontro estético
insone
quase satânico
ou santo.
Um sopro de tecido rasgado
de inquieta liberdade
de constante descoberta.
Sopro de íntima realidade
assunto de ventania
no sangue que corre
pura pressa
de saber.
Um sopro trançado de linha
língua de revoltos versos
sem ação ou exercício outro
que não a influência da resposta não-tida
o dito visual absurdo
abundantemente reconhecido
na linha da palma da mão
do artista.
Um sopro flui no começo de tudo
o toldo cobre a falta da luz
que absorve o campo sem relva
rasgados restos de pesos
pastos coloridos na selva.
Macia vantagem
no fundo da garganta
onde o sopro
alimenta a palavra
que não cospe
atormenta.
12.05.2011 - 01h40min
nas folhas de um outono vivo
subjetivamente interno
de encontro estético
insone
quase satânico
ou santo.
Um sopro de tecido rasgado
de inquieta liberdade
de constante descoberta.
Sopro de íntima realidade
assunto de ventania
no sangue que corre
pura pressa
de saber.
Um sopro trançado de linha
língua de revoltos versos
sem ação ou exercício outro
que não a influência da resposta não-tida
o dito visual absurdo
abundantemente reconhecido
na linha da palma da mão
do artista.
Um sopro flui no começo de tudo
o toldo cobre a falta da luz
que absorve o campo sem relva
rasgados restos de pesos
pastos coloridos na selva.
Macia vantagem
no fundo da garganta
onde o sopro
alimenta a palavra
que não cospe
atormenta.
12.05.2011 - 01h40min
domingo, 1 de maio de 2011
Palavra
Pintada no verso
a palavra dita
com barulho de papel de presente
pressentimento de esqueleto
configurado em ausência.
Plantada no verso
a larva maldita
com intuito de língua doente
partícipe de lamento
deflagrado em anuências.
Pranteado no verso
o reverso da medalha
tateado às cegas...
01.05.2001 - 21h23min
a palavra dita
com barulho de papel de presente
pressentimento de esqueleto
configurado em ausência.
Plantada no verso
a larva maldita
com intuito de língua doente
partícipe de lamento
deflagrado em anuências.
Pranteado no verso
o reverso da medalha
tateado às cegas...
01.05.2001 - 21h23min
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Óculos
A vista embaça.
A força atrasa a luz
que não trança o rumo certo.
A lista arrasta a imagem
na transparência da lente
que a figura abraça
sem pressa de ser permitida
sem pauta ou pinta ou pente
que exprima o sentido.
O único sentido silente.
O mesmo do exato instante
em que os óculos descansam
na ponta da prateleira do absurdo.
Aos 42 minutos do dia 28.04.2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Suposto
Nas fibras dos laços
os pedaços da luz absorvida
silentes
os segredos assumem cores
de fotografia antiga
sinal de limite obtido
enquanto
o sol pinta um céu de manhãzinha.
Os sangues estão prenhes de expectativas...
Aos 38 minutos do dia 13.04.2011
os pedaços da luz absorvida
silentes
os segredos assumem cores
de fotografia antiga
sinal de limite obtido
enquanto
o sol pinta um céu de manhãzinha.
Os sangues estão prenhes de expectativas...
Aos 38 minutos do dia 13.04.2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Arte
Teu desenho explode versos
cala-me os verbos
silencia-me a boca.
Só meus olhos dançam no papel
por onde teu lápis cantou teus sentimentos.
13.03.2011 - 21h
quarta-feira, 9 de março de 2011
Araucárias
Nas tuas pastas
insones pontos de fusão
de pretéritos mais que perfeitos
alcançados por presentes indicativos
sem outra causa
além da descoberta
do que sempre esteve ali
camuflado de leve afeição.
Esses teus olhos
colibris ligeiros
diluem-me as pálpebras escuras
e pintam nelas retornos bem-vindos
de conversas e longas silhuetas
debaixo dos pinheiros
que ainda estão lá
como tudo o que ontem esteve
e permanece.
Traços de nós dois
araucárias...
09.03.2011 - 18h30min
Araucárias - desenho "dele"
domingo, 6 de março de 2011
Rutilar
Imagens pintadas a tinta
alusão à proximidade
que desenha teus traços
misturados aos meus.
Riscas perfumes
soprados por virgens
aves presentes
voejantes suspiros
teus olhos,
minhas mãos,
nossas sementes.
06.03.2011 - 01h25min
*Enquanto voltavas pra casa,
depois de estarmos juntos...
sábado, 5 de março de 2011
Vênus ama Marte
De bandeja, o mote planetário...
Diferenças à parte
os passos de dança enchem o espaço
pontilhado de estilhaços e fibras
regeneram os cortes
aproximam os nervos
enrijecem os membros
destroem saudades
Vênus desnuda
músculos à mostra
encosta em Marte vermelho
encouraça.
Se os astros enxergam
fazem olhos cegos
ouvidos surdos
disfarçam
Vênus ama Marte
e ele corresponde.
05.03.2011 - 03h21min
*Ilustração: "Não sei" dele, pra mim
** O neto de Marte pincela o mote na tela branca da mais insana das Vênus insones...
5 coisas...
I
Capaz de amar à distância
sustento meus laços
nas mãos da lembrança
dos calores, dos afetos tidos
afeitos às festas das almas
a minha e a tua
juntas, desenhadas e assumidas.
II
As maiores fantasias
que me povoam a mente
dizem de amor feito
em laço estreito
o meu
o teu
juntos, desenhados e assumidos.
III
Assombra minhas noites
o temor da solidão extrema
o medo da falta de coragem
de solitária andar
eu só.
IV
Blefadora profissional
é bem possível que nunca descubram
que de nada eu entendo perfeitamente
mas meto a cara
arrisco palpite
e finjo saber.
Engano bem
no fim.
V
Meu silêncio completo preocupa
matuta minha mente
um jeito, uma forma, um bordão
de cair fora de repente
de quem não me deu
a justa valorização.
05.03.2011 - 02h39min
*Resultado de um desafio, proposto pelo meu amigo e irmão virtual, Fabrício.
Taí, Fabi. Não ficou grande coisa, mas saiu....hehe
**Nesta primeira noite de carnaval, enquanto eu ouço barbaridades
acontecendo na rua, bebedeiras, "viagens", gritarias, cá dentro poeto
com minhas companhias virtuais de hoje: Fabrício e Stênio. De cara limpa
e versos n'alma. Saudavelmente divertido. A poesia pede verbos.
Nós os criamos.
**Nesta primeira noite de carnaval, enquanto eu ouço barbaridades
acontecendo na rua, bebedeiras, "viagens", gritarias, cá dentro poeto
com minhas companhias virtuais de hoje: Fabrício e Stênio. De cara limpa
e versos n'alma. Saudavelmente divertido. A poesia pede verbos.
Nós os criamos.
Vênus
Grafitas teus sonhos
arraigados em nossas vidas
a favor das insônias
as histórias
lentamente escritas
teu lápis desenha-me
as curvas que me desvendas
abençoadas pontas de estrelas
viradas de dias adolescidos
acrescidos d'outros
tão grandes
tão plenos
tão bem vividos
que ouso pensar
m
i
l
a
g
r
e
s
contigo
.
.
.
Aos 49 minutos do dia 05.03.2011
*Ilustração: "Vênus"; dele, pra mim
Nós
Os ponteiros do relógio
os calendários
os anos passados
as juventudes
os destinos traçados
en
tre
la
ça
dos
inda que não soubéssemos
inda que desejássemos
inda que corajosamente
negássemos os fatos
de dentro de Nós
'té que explodíssemos em traços
as minhas linhas
as tuas mãos
as minhas luas
as tuas ruas
convergindo as duas
para o começo
que não houve quando haveria de haver
mas que hoje...
ah...
"essas horas
essas dores"
esse mesmo amor
de que teus versos me dizem bem
ah...
esses dias que descontamos
dos anos subtraídos
por nossas inocências
ah...
esses desenhos
de que teus dedos me dizem bem
ah...
essa tua companhia que não me falha
essa tua memória que me guarda intacta
essa tua presença que não se afasta
ah...
essas canções velhas
essas danças que abraçamos
esse mesmo amor
de que teus versos me dizem bem...
ah...
Nos primeiros 10 minutos do dia 05.03.2011
*Ilustração: Obra "dele", especialmente pra "Nós"
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Transição
Perco-me na cancela
o corredor estreito aperta a cintura fina da noite
e a poesia me oferece o bote salva-vidas.
(A mulher acende um foco de incêndio
na altura do ventre descoberto).
Transcrevo outras linhas
machuco a folha lisa
desobstruo os pontos que me cegam
temo pelos outros
mas não desisto.
Requisito o direito à rasura
rastreio as pegadas
e faço versos
pra contar minhas flores
regadas por teus beijos.
25.02.2011 - 21h
o corredor estreito aperta a cintura fina da noite
e a poesia me oferece o bote salva-vidas.
(A mulher acende um foco de incêndio
na altura do ventre descoberto).
Transcrevo outras linhas
machuco a folha lisa
desobstruo os pontos que me cegam
temo pelos outros
mas não desisto.
Requisito o direito à rasura
rastreio as pegadas
e faço versos
pra contar minhas flores
regadas por teus beijos.
25.02.2011 - 21h
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Afeto
Quase 30 anos depois...
Atos lícitos
abotoados a lembranças
guardadas na caixa
de preciosidades
de outrora.
Renovar ansiedades
as saudades dos dias
orvalhados ósculos
inesquecíveis vidas.
A minha
a tua
à meia noite costuradas
numa praça
vazia de tudo
menos de afetos.
Esses perduram...
24.02.2011 - 19h
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Cançoneta
Mais uma demão
de tinta na noite
pra enfeitar o sono
e inventar palavras
de dizer 'te amo'.
10.02.2011 - 02h
Memória
Ponto exclusivo
específico porto
acerto selado
acelerado posto
todo avesso é versado
composição de começo
corpo
oposição
laço
es-tre-me-ço...
10.02.2011 - 01h54min
específico porto
acerto selado
acelerado posto
todo avesso é versado
composição de começo
corpo
oposição
laço
es-tre-me-ço...
10.02.2011 - 01h54min
Vela
Escorro
cera de vela ardente
derreto-me em substâncias febris.
Vidente
corro
antes que me delire o espaço e
eu seja apenas lembrança
do que tive.
Partes minhas me coram pedaços.
Ardem-me.
Não sobro.
Um sopro me funde contigo.
Um.
10.02.2011 - 01h07min
cera de vela ardente
derreto-me em substâncias febris.
Vidente
corro
antes que me delire o espaço e
eu seja apenas lembrança
do que tive.
Partes minhas me coram pedaços.
Ardem-me.
Não sobro.
Um sopro me funde contigo.
Um.
10.02.2011 - 01h07min
Escancarada janela
À flor dos nervos
a pele dança
a luz acesa
o frio na espinha
a chuva vindo
pingo d'água na calha lenta
dentro
cara limpa
tudo agora
leite fervendo.
Aos 47 minutos do dia 10.02.2011
a pele dança
a luz acesa
o frio na espinha
a chuva vindo
pingo d'água na calha lenta
dentro
cara limpa
tudo agora
leite fervendo.
Aos 47 minutos do dia 10.02.2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Operar
Planar
fugir de estorvos
encruzilhar-se
recuperar os pontos
sustentar as voltas
arrefecer-se
sombrear ausências
deflagrar afetos
aparelhar conquistas
descansar.
06.02.2011 - 16h21min
Valor
Alguns instantes
de tão simples
de tão doces
são tal flores brancas
no vaso transparente
em cima da pia
na casa da "Nona" velhinha
que já não diz coisa com coisa
mas que sabe distinguir
perfeitamente
perfeitamente
margaridas
de
crisântemos.
06.02.2011 - 05h
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Vestimenta
De tons claros
os bolsos
esvaídos de razões
transbordam efeitos
simulam situações
sem chaves
sem documentos
sem propósitos
escoram os cotovelos
nos cantos da pias
meditam impróprias
alucinações
rebentam diques
indicam luas
sabotam escolhas.
Asmangasrasgadasdacamisabrigampeloespaçoabertoqueevitacontatoeespreguiçaachamaacesasobreoabrigo
04.02.2011 - 14h
os bolsos
esvaídos de razões
transbordam efeitos
simulam situações
sem chaves
sem documentos
sem propósitos
escoram os cotovelos
nos cantos da pias
meditam impróprias
alucinações
rebentam diques
indicam luas
sabotam escolhas.
Asmangasrasgadasdacamisabrigampeloespaçoabertoqueevitacontatoeespreguiçaachamaacesasobreoabrigo
04.02.2011 - 14h
No sexto dia, poetou
No sexto dia
amanhecido de vapores e sonolências
bate à porta um não-sei-que
que desmente o dito e o não-dito.
No sexto dia
há vestígios de clemência
suicidados logo ali, onde as colheres tem açúcar
e onde as línguas dizem o que a ninguém atinge.
No sexto dia
as campanhas compram pirulitos e hortelãs
os comportamentos saem das peles,
cobras trituradas em gaiolas frias
pra virar delírio e maçã.
As amarras se soltam
no sexto dia
e eu acordo pra vida:
um punhado de letras
na mão esquerda
na direita, uma palma vazia.
04.02.2011 - 05h
amanhecido de vapores e sonolências
bate à porta um não-sei-que
que desmente o dito e o não-dito.
No sexto dia
há vestígios de clemência
suicidados logo ali, onde as colheres tem açúcar
e onde as línguas dizem o que a ninguém atinge.
No sexto dia
as campanhas compram pirulitos e hortelãs
os comportamentos saem das peles,
cobras trituradas em gaiolas frias
pra virar delírio e maçã.
As amarras se soltam
no sexto dia
e eu acordo pra vida:
um punhado de letras
na mão esquerda
na direita, uma palma vazia.
04.02.2011 - 05h
Insônia II
Pensando bem, devo ter mesmo um pé no outro lado do mundo
quando dormes, acordo em vão
quando durmo envolta em nuvens
teu corpo, descansado, de sol a sol me pune
por não existir contigo.
04.02.2011 - 03h50min
quando dormes, acordo em vão
quando durmo envolta em nuvens
teu corpo, descansado, de sol a sol me pune
por não existir contigo.
04.02.2011 - 03h50min
Apagão
Aqui tem luz
mesmo que a luz apagasse
haveria a lúcida, a límpida claridade
de todas as estrelas...
04.02.2011 - 03h43min
mesmo que a luz apagasse
haveria a lúcida, a límpida claridade
de todas as estrelas...
04.02.2011 - 03h43min
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Simplicidade
Mãos dadas
vento no rosto
abraço apertado
cordão de couro.
Canto de grilo
cadeira no terraço
cadeira de palha
cadeira de balanço.
Bichinho dormindo
motorista sorrindo
café com pão.
O jeito simples, comum, anônimo.
A magia, na quase extinção.
01.02.11 - 15h02min
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Desassossego
*Para TI
Há que se ter boa dose de candura
quando não balançam os galhos das árvores
nem sopra a brisa matutina no bico das aves.
Há que se ter um sabor de chocolate
meio amargo, meio hortelanizado,
enfeite de parede na sala
chave de espera trancada.
Há que se ter um permeio, quase afinidade
por essas coisas simples
do cotidiano de qualquer um:
o balde, o pano, a xícara, o irmão,
o paralelepípedo, a churrasqueira, o sabão,
tudo farinha do mesmo saco de açúcar
que adoça hoje o que virá amanhã.
Há que se ter paciência e pé ligeiro
que os cansados sempre se estressam
e os dispostos sempre se apressam
em dizer das flores e dos versos
e colher relâmpagos e acertos.
Quebram-se, eles: as pernas das mesas,
os pneus das bicicletas, as asas dos aviões,
mas não desistem nem se exasperam
posto terem por princípio
a teimosia e as competições.
Vencem, depois de tudo,
e, num repente, num que sem razão,
correm de novo
à procura d'outro ponto
querendo pura e simplesmente
mais um pedaço conquistado de chão.
31.01.11 - 14h
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Aflitivo
Manipulo a linha da folha
com rodas de letras
e pontas de espinhos
minhas rendas
meus botões
minha vida.
Ansiedade não ter tinta
praticar o imperfeito
sacudir o pó da lua
nas palmas das mãos.
Luz azul na entrada e no conceito
premissa de extremos opostos
soluções conquistadas.
O poema escorre da janela...
28.01.11 - 02h
com rodas de letras
e pontas de espinhos
minhas rendas
meus botões
minha vida.
Ansiedade não ter tinta
praticar o imperfeito
sacudir o pó da lua
nas palmas das mãos.
Luz azul na entrada e no conceito
premissa de extremos opostos
soluções conquistadas.
O poema escorre da janela...
28.01.11 - 02h
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Explícito
Pesco intenções
a isca depende do peso
do peixe que arrasto
no aquário mundano.
Um poeta ao piano
é uma nota suspensa
perdidamente ecoada
nos cheiros de livros
da biblioteca fechada
nas mãos uma tinta
e todos os versos do mundo
nadando imprevistos
improvisados sentidos
brinde entre amigos
parte-se a partitura
os mensageiros deliram
deliberam as moscas
e os acordes soam sujos
nem por isso menos ausentes
bêbados transeuntes
o chamado que não veio
a veia azul do príncipe
aventura e entretenimento
na saliva que escorre
da boca artista
na boca devassa
fios de vida ardente...
26.01.11 - 17h
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Promiscuidade
Farelos soltos
de cartas ao vento.
As estatísticas andam contra
as estátuas expostas.
Mancam os incertos
números de utilidade barata.
Depois da esquina, a espinha ereta.
Incêndios são fumaças
de longe vistas
nem sempre dispersas a tempo.
Na pasta, a imprecisão brilha
diamante bruto
em cesto de vime farpado.
Já não bastam sinais, amiúde.
Há que se estender ao mundo
a ideia guardada.
Girar as sete chaves da felicidade
feito sinos cantantes, às portas
sempre que escancaradas.
Distribuir sorrisos e feitos.
Enfeitiçar, deveras.
E suspender o uso.
Assim, num repente,
sem deixar sequelas.
Promiscuidar-se.
25.01.11 - 15h02min
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Dançarina
Bailarina de perna quebrada
sem orquestra sinfônica
sem arco doirado
ou sapatilha de ponta
que faça deslizar
- pena cheia de tinta -
na folha do palco, vazia.
Desligados os ouvidos
dos rumores da terra.
A Terra não gira; balança
ziguezagueia
nas pupilas da vida.
Faltam palavras que dançam
já que o universo desertou da luta.
Rolam cabeças de porongo
e os contos escolhidos
encantonados,
se rompem.
Na folha do palco
no meio da carta vazia
o lago do cisne passeia
p
a
r
a
l
i
s
a
n
t
e
.
.
.
24.01.11 - 15h25min
Arcus tensus saepius rompitur*
Traço metas bem definidas
em estapafúrdias prateleiras vazias.
Zombo do obstáculo
que se considera concluso.
Ao invés de sete, pinto meios fios ondulantes
que negam minha Matemática
já tão nula.
Os óculos vencidos atrasam as letras
e os problemas pingam intermitentes
na ponta da língua:
velhas fotografias, impedidas de se fazer.
Mergulho de cabeça no basalto
e nao quebro nada além da pedra
ela mesma, que pratica o desapego.
Deliberadamente construo o muro
tijolo a tijolo, sem medo,
cimentado com vontade dura
inquebrável
intransponível.
Alguns abismos exigem a incondicional ausência de pontes...
24.11.01 - 15h05min
*Corda puxada se quebra
em estapafúrdias prateleiras vazias.
Zombo do obstáculo
que se considera concluso.
Ao invés de sete, pinto meios fios ondulantes
que negam minha Matemática
já tão nula.
Os óculos vencidos atrasam as letras
e os problemas pingam intermitentes
na ponta da língua:
velhas fotografias, impedidas de se fazer.
Mergulho de cabeça no basalto
e nao quebro nada além da pedra
ela mesma, que pratica o desapego.
Deliberadamente construo o muro
tijolo a tijolo, sem medo,
cimentado com vontade dura
inquebrável
intransponível.
Alguns abismos exigem a incondicional ausência de pontes...
24.11.01 - 15h05min
*Corda puxada se quebra
domingo, 23 de janeiro de 2011
Fac simile
Não comento o espelho fosco
que mal reflete a imagem assistida.
Apago a chama recém adquirida
e pingo uma gota de orvalho
no paletó amassado da madrugada.
São fantasmas e delírios
brigando por um espaço no facho de luz
que se precipita nos olhos apagados
da luta imperfeita de toda uma vida.
Os cacos de hotel, os princípios permitidos
os aéreos anos de doirados sonhos
insuspeitos de trilhas e pedaços de algodão partidos
particípios de um passado oculto na fibra.
Formação de quadrilha
furacão de partilha
fundação de quinquilharia.
Formas de vida que abalam
a estrutura do poema recém escrito.
NÃO AFUNDE!
Gritam-me gargantas mudas.
Apressam-se botes salva-vidas.
Erguem-se cortinas.
Falham alaúdes.
NÃO AFUNDE!
Gritam-me.
23.01.11 - 03h02min
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