sábado, 7 de abril de 2012
Duas
Sou duas.
Duas broncas
duas ruas
duas alegrias.
Sou duas
distintas luas
errantes construções
inconstâncias suas.
Duas ligações
imprevistas
presumíveis
opiniões nuas.
A que alimenta
e a que investiga
os vestígios
das próprias incursões
cruas.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Intertextualidade
Compartilho do prazer de Pessoa
não cumprindo um dever
curto ou comprido
tanto faz.
E minha desculpa
maltrapilha
é o acúmulo de caos
nesta mente doentia
que mora em corpo
que se finge são.
O que me leva a considerar
tudo o que há pra viver
e a insuficiência dos anos
pra dar conta de metade
dos projetos
que sempre ficam pr'amanhã...
"Hoje não", diria Pessoa.
Hoje não,
minha boca diz...
sexta-feira, 30 de março de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Ilusionismo
Entre o sabiá e a cicatriz
vivem meus versos
sem eira nem beira nem esparadrapo
que os desprenda dos galhos
enredados
feito ninho
de quem se traduz feliz.
16.02.2012 - 16h44min
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Ninguém
Não sou ninguém
que já não conheças
que nunca te tenha
pesado na cabeça
ou na circunstância devida
dividida ao meio
da laranja suculenta.
Não sou ninguém
que já não tenhas visto
nem que de relance
num instante justo
ou in ou ex ou terminantemente perdido.
Não sou ninguém
que já não tenhas ouvido
nas vozes que entrelaçam
teus tímpanos
teus surdos
teus silenciosos limites.
Não sou ninguém
além de uma curva
que adivinha minutos adiante
a janela
que me define.
15.02.2012 - 23h18min
Insanidade
Um poeta é um louco varrido
de caneta na mão
e ideias sem pé nem cabeça
batendo
no lugar do coração.
Mas se as ideias tivessem pé e cabeça
não seriam ideias
seriam canção
e dançar fariam os velhos
sisudos
que só precisam de um dedinho
pra virar verso
estrela
e passarinho.
15.02.2012 - 23h
Quimioterapia
E o pente foi criando tentáculos
tentando criar atos
nos nós dos cabelos caídos.
Não éramos nós.
Eram ninhos.
15.02.2012 - 23h
tentando criar atos
nos nós dos cabelos caídos.
Não éramos nós.
Eram ninhos.
15.02.2012 - 23h
Urgência
E das tintas que destampo
sobra-me uma coragem bêbada
um delírio, quase um quebranto,
um não-sei-que de emergência
que urge a exposição do exato
que desconheço
posto a metáfora já não pertencer
ao poeta
cego de luzes
mas ao passante
desatento de haveres
e de respostas perguntantes.
O meio fio é meu banco de dados
que jogo aleatoriamente
bloco de um carnaval que não brinco
nas pontas das orelhas abaixadas
do animal passivo
que insiste em mim
fazer morada.
Rio da incontinência
da providência que não vinga
e do produto falsificado
que dança nos pés de uma centopeia
cambaleantemente
descoberta.
Adoeço aos pés da poesia
em partes
deslocadas dos meus membros
e das imagens mais fantásticas
sem fim nem começo
apáticas.
Não foi pra isso que inscrevi meus versos
na ponta d'areia fina
do tempo
que devora
e definha
antes que se defina
a ponta do alicerce
que entrelaça a linha
daquele meu primeiro arremesso...
15.02.2012 - 22h18min
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Imprecisão
(...esvaziar as gavetas de nada serve
se de notas a cabeça anda cheia...)
Guardo galhos de árvores
que um dia floriram as ruas
enfeito meus dias
com frutas e sais aromáticos
que planto nos sonhos
teias de recomeços
e afuniladas tramas.
Suponho que as somas
salientem horários
e determinem direções opostas
àquelas em que me perco
e encontro culturas dispersas
fumaças e sinais
d'outros tempos.
A tênue linha do absurdo
rodeia meus passos
ridiculamente trôpegos
e sóbrios
e barulhentos.
Um assovio me distingue
dos que desconheço
no horizonte sombrio
que não alcanço
- nem ele a mim -
(grande mistério).
Se conservo
absorvo orações de duplo começo
enriqueço as divisórias do medo
e poluo as entranhas
com alheias devoções
desnecessários parágrafos
no vazio do Tudo.
Alimento
o que não sei ter fome
e mato mais um pouco
do que já sei pequeno
quase extinto
extraordinariamente
exausto
de procuras.
Sou espanto.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Andança
Tiro do bolso minha filosofia mais crua
cravejo de balas de menta
minhas metas norteadas
por cãs e começos.
Recomendo as últimas tiras
de fitas mimosas
baratas e desfiadas
plantadas com esmero
nos pulsos das moças.
Tropeço nos próprios pés
e trezentos conteúdos mínimos
brotam de ventiladores suspensos
cabelos de Medusas
empedrando gestos e vinhos.
E saio da casca
enfrento os maus modos
perco a linha que nunca tive
e encontro outras dúvidas.
Divido meu tempo
e meu suposto ponto de equilíbrio
que nem eu conheço
com quem me afronta.
Sou processo.
10.01.2012 - 02h16min
cravejo de balas de menta
minhas metas norteadas
por cãs e começos.
Recomendo as últimas tiras
de fitas mimosas
baratas e desfiadas
plantadas com esmero
nos pulsos das moças.
Tropeço nos próprios pés
e trezentos conteúdos mínimos
brotam de ventiladores suspensos
cabelos de Medusas
empedrando gestos e vinhos.
E saio da casca
enfrento os maus modos
perco a linha que nunca tive
e encontro outras dúvidas.
Divido meu tempo
e meu suposto ponto de equilíbrio
que nem eu conheço
com quem me afronta.
Sou processo.
10.01.2012 - 02h16min
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Do Novo
Depois de apagar os borrões
círculos de luz explodida
confundem vozes
e diretrizes
miúdas.
Os espaços da próxima dança
iluminam a escuridão
sem rasuras ou hesitações
e os "Vivas!!" ecoam
de pés desconhecidas.
Poemas a serem escritos
pacientemente esperam
a hora exata
o instante sagrado
em que escorrerão
das linhas
dessas minhas digitais
já tão gastas.
Um outro começo...
02.01.2012 - 03h10min
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Apagamento
Sanções diluídas
em molduras d'espelhos
águas passadas
favas contadas
listagens permanentes
despistes de rastros
desertos.
15.12.2011 - 01h20min
domingo, 20 de novembro de 2011
Alimento
Vivem em mim
as dores dos anos
que passam
as dores
e os anos.
A solidão é qualquer coisa
que me alimenta
uma quase companhia
disfarçada de ninguém
em quem depositar meus medos.
Os cantos d'alma
guardo-os
todos
intactos
no meu álbum de visitas
últimas
as minhas
pé ante pé
submersas
em gelo seco
e unhas pintadas de azul.
Programo as próximas atrações
factuais
fracionadas
e diluídas em gotas
de um suor espesso.
Es
pe
zi
nho
a culpa
de saber-me só
sem nada pr'oferecer
além de um silêncio mortal
e de um fio de cabelo quebrado
que insiste
no embaraçado
e assumido
assunto
a contra gosto
encerrado.
Enceno uma bola d'algodão doce
enfrento fugas e míticos ataques
faço da fera
aliada
e alinhavo
outros cabrestos
nas pontas dos dedos cansados.
Satisfaço o que possuo de meu
sem nada consumir.
Calculo invasões
e danço...
Danço
como se o corpo fora
minha vida inteira
derretida na pista quente
na gota salgada que
devagar escorre
rente
entre a blusa fina
e minhas costas.
A solidão é qualquer coisa
que me alimenta...
20.11.2011 - 05h34min
as dores dos anos
que passam
as dores
e os anos.
A solidão é qualquer coisa
que me alimenta
uma quase companhia
disfarçada de ninguém
em quem depositar meus medos.
Os cantos d'alma
guardo-os
todos
intactos
no meu álbum de visitas
últimas
as minhas
pé ante pé
submersas
em gelo seco
e unhas pintadas de azul.
Programo as próximas atrações
factuais
fracionadas
e diluídas em gotas
de um suor espesso.
Es
pe
zi
nho
a culpa
de saber-me só
sem nada pr'oferecer
além de um silêncio mortal
e de um fio de cabelo quebrado
que insiste
no embaraçado
e assumido
assunto
a contra gosto
encerrado.
Enceno uma bola d'algodão doce
enfrento fugas e míticos ataques
faço da fera
aliada
e alinhavo
outros cabrestos
nas pontas dos dedos cansados.
Satisfaço o que possuo de meu
sem nada consumir.
Calculo invasões
e danço...
Danço
como se o corpo fora
minha vida inteira
derretida na pista quente
na gota salgada que
devagar escorre
rente
entre a blusa fina
e minhas costas.
A solidão é qualquer coisa
que me alimenta...
20.11.2011 - 05h34min
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Finados
Todos os meus fantasmas
aos bandos me voltam
às voltas co'as colheitas
n'outros invernos perdidas.
Todos os meus fantasmas
bailam danças de sôfregos espinhos
infravermelhas lâmpadas
cacofônicos espelhos.
Bolhas.
Todos os meus fantasmas
esfumaçados de delirantes visões
primícias de demências sempre tidas.
Tudo a um tempo.
Sem minuto livre.
Sentinela
e gravidade urgente.
Vácuo.
Subterfúgio.
Incorreção.
02.11.2011 - 18h16min
aos bandos me voltam
às voltas co'as colheitas
n'outros invernos perdidas.
Todos os meus fantasmas
bailam danças de sôfregos espinhos
infravermelhas lâmpadas
cacofônicos espelhos.
Bolhas.
Todos os meus fantasmas
esfumaçados de delirantes visões
primícias de demências sempre tidas.
Tudo a um tempo.
Sem minuto livre.
Sentinela
e gravidade urgente.
Vácuo.
Subterfúgio.
Incorreção.
02.11.2011 - 18h16min
Cambaleante
Sorrateiros
bêbados versos
buscam encaixes
nas estrofes tortas
do poema mal nascido.
Azuleja o vidro da mesa
sem caneta opaca nem tinta de parede ovalada.
Os quadros esquartejam líquidos
e pontas de semelhanças desfocadas.
Manca
a blusa azul atravessa o pente
comprime a ponta da cela
sem eira, beira ou macete
esperneia.
Cambaleantemente
suspende-se um ar falso
de falta d'água na premissa das gentes.
Pena...
02.11.2011 - 17h30min
bêbados versos
buscam encaixes
nas estrofes tortas
do poema mal nascido.
Azuleja o vidro da mesa
sem caneta opaca nem tinta de parede ovalada.
Os quadros esquartejam líquidos
e pontas de semelhanças desfocadas.
Manca
a blusa azul atravessa o pente
comprime a ponta da cela
sem eira, beira ou macete
esperneia.
Cambaleantemente
suspende-se um ar falso
de falta d'água na premissa das gentes.
Pena...
02.11.2011 - 17h30min
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sem título
Despedidas as fantasias
obrigam-se as penas
a dizer verdades
mal vistas
nas quadras que bailam
na dança dos desesperadamente despidos
de esperanças esvaziadas de tudo.
Ninguém louva a queda da espera
pelo que há muito
fora esclarecido.
A falta de ousadia
cala a surdez
instala o absurdo
absolve o que não sabia
da rota raiz perdida.
Renasce a ignorância
à luz do dia
tão clara quanto a sombra
do infinito
es
tri
den
te
men
te
impura.
31.10.2011 - 14h50min
obrigam-se as penas
a dizer verdades
mal vistas
nas quadras que bailam
na dança dos desesperadamente despidos
de esperanças esvaziadas de tudo.
Ninguém louva a queda da espera
pelo que há muito
fora esclarecido.
A falta de ousadia
cala a surdez
instala o absurdo
absolve o que não sabia
da rota raiz perdida.
Renasce a ignorância
à luz do dia
tão clara quanto a sombra
do infinito
es
tri
den
te
men
te
impura.
31.10.2011 - 14h50min
Herança
No ralo da pia
quase no primeiro golpe
a foice acerta o Norte.
Sede.
Meia de seda rasgada
joelho no chão duro
de velas amadurecidas há séculos.
O orvalho fede a cachaça.
Já não se pode buscar quimeras
nem levantar bom testemunho
em defesa das próprias ideias.
A justiça é fumaça de cigarro úmido
apagado na sarjeta dos corruptos.
Construto de veias
e longas alamedas
de incerto destino
a ultrapassado jargão.
Gota que pinga o sal
da saliva da cegueira
de toda uma geração.
Pernas de pau
bambas.
Incensário extinto.
Maldição.
31.10.2011 - 14h37min
quase no primeiro golpe
a foice acerta o Norte.
Sede.
Meia de seda rasgada
joelho no chão duro
de velas amadurecidas há séculos.
O orvalho fede a cachaça.
Já não se pode buscar quimeras
nem levantar bom testemunho
em defesa das próprias ideias.
A justiça é fumaça de cigarro úmido
apagado na sarjeta dos corruptos.
Construto de veias
e longas alamedas
de incerto destino
a ultrapassado jargão.
Gota que pinga o sal
da saliva da cegueira
de toda uma geração.
Pernas de pau
bambas.
Incensário extinto.
Maldição.
31.10.2011 - 14h37min
Imagem II
Deserto de nervos
secas tempestades de eras
heroicos ventos
trajetos
contos rasgados de trajes
perfeições construídas a dedo
de dama
louca
31.10.2011 - 14h07min
secas tempestades de eras
heroicos ventos
trajetos
contos rasgados de trajes
perfeições construídas a dedo
de dama
louca
31.10.2011 - 14h07min
Imagem
Calçadas tropeçam poetas
unhas de fome palavreada
em mangas de camisa bordada de sangue azul.
O passo retido na fonte
toca a ponta do céu da boca
seca de opinião devassa.
À espreita, laços de fita
disfarçam múltiplas intenções.
Um verso não basta
pr'abastecer sombras e fúrias.
Intacto, o ranger da porta
permanece
exausto de assombros.
Pintassilgos riscam linhas
onde verbos pousam assuntos
alheios às espátulas
que arriscam canteiros
e cravejam rubis
de nada.
As entrelinhas leem os olhos
vistas d'outros espaços
espelhos de fibras
e mármores frios.
Já não distanciam jazigos
amarrando cordas
ao longo da planta vingada.
Vincos de nuances
prenhes de pontas mudas
escondem barreiras e vinhos
nas queimadas sendas
da estrofe não tida.
Resvalam poetas nas grutas escuras.
do que fermenta sozinho
do que se pretende desinteressadamente
verdadeiro e
nu.
31.10.2011 - 14h
unhas de fome palavreada
em mangas de camisa bordada de sangue azul.
O passo retido na fonte
toca a ponta do céu da boca
seca de opinião devassa.
À espreita, laços de fita
disfarçam múltiplas intenções.
Um verso não basta
pr'abastecer sombras e fúrias.
Intacto, o ranger da porta
permanece
exausto de assombros.
Pintassilgos riscam linhas
onde verbos pousam assuntos
alheios às espátulas
que arriscam canteiros
e cravejam rubis
de nada.
As entrelinhas leem os olhos
vistas d'outros espaços
espelhos de fibras
e mármores frios.
Já não distanciam jazigos
amarrando cordas
ao longo da planta vingada.
Vincos de nuances
prenhes de pontas mudas
escondem barreiras e vinhos
nas queimadas sendas
da estrofe não tida.
Resvalam poetas nas grutas escuras.
do que fermenta sozinho
do que se pretende desinteressadamente
verdadeiro e
nu.
31.10.2011 - 14h
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Essa tal felicidade
Um ponto desconhecido
num Universo distante
talvez um acorde
talvez um verso
talvez um sorriso
torrão de açúcar
em copo de cristal
quebrável
sustento de medida desconhecida
talvez um filme
talvez cena no quintal
do vizinho
no da gente
dúvida
assunto escrito
nas tábuas de uma lei que não sabemos
sem saber
escrevemos
cantamos
sustentamos nossos vãos desejos
nos desenhos de nuvens distantes
enquanto ela
essa tal felicidade
aos nossos olhos invisível
paciente e determinada
aguarda a chance
de nos abraçar.
10.10.2011 - 22h20min
"Filosofia é poesia, é o que dizia minha avó..." (Tremendão...rs)
num Universo distante
talvez um acorde
talvez um verso
talvez um sorriso
torrão de açúcar
em copo de cristal
quebrável
sustento de medida desconhecida
talvez um filme
talvez cena no quintal
do vizinho
no da gente
dúvida
assunto escrito
nas tábuas de uma lei que não sabemos
sem saber
escrevemos
cantamos
sustentamos nossos vãos desejos
nos desenhos de nuvens distantes
enquanto ela
essa tal felicidade
aos nossos olhos invisível
paciente e determinada
aguarda a chance
de nos abraçar.
10.10.2011 - 22h20min
"Filosofia é poesia, é o que dizia minha avó..." (Tremendão...rs)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Vertigem
Dedilhar a próxima hora
balanço de lua sem luz
limiar de explodidas menções
n'uma ou n'outra nota musical
de revés.
Ao invés de saturar-se de nadas
delineia-se um azul difuso
na próxima curva.
Côncavo.
Convés.
24.08.2011 - 22h
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Previsão
Canto a pedra da próxima hora
abrem-se os parênteses
e as linhas curvas turvam
os olhos
esvaziados de composturas.
Disponho as cartas
sobre as mesas verdes
de algodão doce.
Não tenho tempo
nem cruéis esperanças vãs.
Voo.
10.08.2011 - 20h19min
sábado, 6 de agosto de 2011
Inacabado
amontoo os freios
e fricciono vertigens
comporto miragens
e experimento limites
basta que os olhos pintem
Artes e ofícios
e debaixo dos tapetes
escondam os ouvidos mudos.
06.08.2011 - 20h
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
À Francesa
Esteira
estende-se
port'adentro
o soco soa fundo
esguia
esgueira-se
port'afora
o fundo falso
abalroa
o passo
ninguém vê
a boca miúda
não comenta
05.08.2011 - 22h
estende-se
port'adentro
o soco soa fundo
esguia
esgueira-se
port'afora
o fundo falso
abalroa
o passo
ninguém vê
a boca miúda
não comenta
05.08.2011 - 22h
Realidade
Pé no chão
assoalho gelado
pra fazer lembrar do dia
da hora precisa
em que o real virou fantasia
e o suposto bem mais que deveras
existira.
A língua trava no meio da rua
não olha o lado
e cospe fora a palavra
que jamais diria
não fosse o azul que grita:
SOPRA!
e o sabão se esvai na bolha
antes que o dia acabe.
Pé ante pé
o chão
resvala...
05.08.2011 - 15h23min
assoalho gelado
pra fazer lembrar do dia
da hora precisa
em que o real virou fantasia
e o suposto bem mais que deveras
existira.
A língua trava no meio da rua
não olha o lado
e cospe fora a palavra
que jamais diria
não fosse o azul que grita:
SOPRA!
e o sabão se esvai na bolha
antes que o dia acabe.
Pé ante pé
o chão
resvala...
05.08.2011 - 15h23min
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Trajeto
Ganhar não é difícil
mas exige esforço
jogam-se os dados
e os próximos passos
são marcados de mistérios
sem verdade, impossível
sem entrega, improvável
as linhas não garantem
segurança de nenhum lado
té que no meio do deserto
surja o milagre.
04.08.2011 - 21h
mas exige esforço
jogam-se os dados
e os próximos passos
são marcados de mistérios
sem verdade, impossível
sem entrega, improvável
as linhas não garantem
segurança de nenhum lado
té que no meio do deserto
surja o milagre.
04.08.2011 - 21h
Jogo
Jogo
mas não jogo alto
ando pelas beiradas das regras
recuo alguns instantes
e uso armas-surpresas
de vez em quando
pra não perder de vez a mão
a mão que do outro lado
recua alguns instantes
e usa desconhecidas
artimanhas suspeitas
de vez em quando
pra não perder de vez a linha
conheço alguns movimentos
outros invento
ao longo do campeonato
que pode se estender
por uma temporada inteira
e
se os jogadores tiverem
sorte
astúcia
vontade
repetir a dose
na próxima
enquanto isso eu jogo
mas não jogo alto
vou reconhecendo terreno
descobrindo o adversário
calculando os erros e
as possibilidades de acerto
equilíbrios perfeitos
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
por enquanto
há que reconhecer terreno
avaliar o adversário
considerar as possibilidades de erro
e de acertos
certamente
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
nas mãos dos participantes
o resultado
impactante
por enquanto
empate
04.08.2011 - 17h24min
mas não jogo alto
ando pelas beiradas das regras
recuo alguns instantes
e uso armas-surpresas
de vez em quando
pra não perder de vez a mão
a mão que do outro lado
recua alguns instantes
e usa desconhecidas
artimanhas suspeitas
de vez em quando
pra não perder de vez a linha
conheço alguns movimentos
outros invento
ao longo do campeonato
que pode se estender
por uma temporada inteira
e
se os jogadores tiverem
sorte
astúcia
vontade
repetir a dose
na próxima
enquanto isso eu jogo
mas não jogo alto
vou reconhecendo terreno
descobrindo o adversário
calculando os erros e
as possibilidades de acerto
equilíbrios perfeitos
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
por enquanto
há que reconhecer terreno
avaliar o adversário
considerar as possibilidades de erro
e de acertos
certamente
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
nas mãos dos participantes
o resultado
impactante
por enquanto
empate
04.08.2011 - 17h24min
Xadrez
Pontos de linhas cruzadas
costuras alinhavadas em quadros
devagar
perde sentido a couraça
estrada
um passo de cada vez
som de colírio nos ouvidos cansados
sem mestres
ninguém dirige nada
nem nada impede
nem nada empaca
jogo de dama
no xadrez vestido
posto à prova
na dificuldade do nó
que não intimida
desafia.
04.08.2011 - 01h34min
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Atuação
Aparo as pontas quebradas
lixo as arestas
corto as linhas em excesso
traço as próximas metas
meticulosamente
liberto-
-me.
02.08.2011 - 23h04min
Evasão
Foge
desesperadamente evita
os pontos escuros
da rua
foge
a rua
desemboca em beco
migra
esconde a embocadura
foge
alucinadamente pinta
laços obscuros
no lado de lá
íntimo
foge
a fuga espantada
do susto
estampado
na folha tingida
de nada
foge
no lado de cá
lançada a sorte
resulta em fuga
o que hoje me foge.
Como sempre
é minha
a palavra final.
02.08.2011 - 22h23min
Quieta
.
.
.
.
Nada direi
do que nada me resta dizer
falar confunde os termos
silenciosamente
tremo.
.
.
.
.
02.08.2011 - 01h03min
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Interpretação
Eu quero tudo às claras
meias palavras não bastam
vírgulas não revelam
insistentes reticências assustam
o que as metáforas permitem:
entendimentos vários.
Eu quero tudo decidido
saber onde meus pés pousam
entender o que me espera
do outro lado do pântano
e do nebuloso assunto.
Eu quero todas as respostas
antes que venham as perguntas
dentro dessa minha impaciência tanta.
01.08.2011 - 02h33min
meias palavras não bastam
vírgulas não revelam
insistentes reticências assustam
o que as metáforas permitem:
entendimentos vários.
Eu quero tudo decidido
saber onde meus pés pousam
entender o que me espera
do outro lado do pântano
e do nebuloso assunto.
Eu quero todas as respostas
antes que venham as perguntas
dentro dessa minha impaciência tanta.
01.08.2011 - 02h33min
sábado, 30 de julho de 2011
O eterno retorno
(A Persistência Da Memória - Salvador Dali)
Todos os tempos são simultâneos
o futuro se desenrola
nesse exato instante
em que a pena fere a folha branca
na conjunção de um agora com um ontem.
Está tudo aqui, nesse mesmo momento
minha morte, meu nascimento
as escolhas que não fiz
e todos os meus tormentos.
O eterno retorno de Nietzsche
volta sempre para o mesmo lugar
d'onde jamais partira-e-irá.
Todos os tempos
simultaneamente
num mesmo lugar...
30.07.2011 - 13h32min
Liso
Escorrego e quebro a'lma
no ponto exato em que as pernas bambas
exigem direção curta.
Peso e tragédia são muros
de escovas e pinhas
nos galhos das horas
que passam.
Impossível engessar a alma
improvável alcançar a cura.
Resta-me uma ponta intacta
regenerativa...
Pulso.
30.07.2011 - 02h09min
no ponto exato em que as pernas bambas
exigem direção curta.
Peso e tragédia são muros
de escovas e pinhas
nos galhos das horas
que passam.
Impossível engessar a alma
improvável alcançar a cura.
Resta-me uma ponta intacta
regenerativa...
Pulso.
30.07.2011 - 02h09min
Desabafo
Viajo na garganta seca
arranco meu sonho das nuvens
e planto sementes no inferno
onde o fogo suporta-me as crises.
Com força, sigo a linha estreita
dos costumes questionáveis
e das insensatas lutas.
Não abandono meus medos
nem eles desgrudam de mim.
Minha mente sua sangue
desestrutura a simplicidade
complica qualquer instante.
Arrebato restos de salivas
desperdiçadas entre dentes.
Rasgo a ferida.
Aceito o dia.
Permaneço
nua.
Em mim.
Na primeira hora e 37 minutos, do dia 30.07.2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Clareza
Arrasto minhas correntes
afundo os pés na terra
e sinto a dureza do chão
a pedra na janela
acertou-me a testa
sem culpa de ninguém
além da minha própria lama.
Eu
comigo.
Minh'alma descalça
descansa nos arredores do juízo
completamente perturbada.
Raspo os pensamentos
e as intenções que tive
descarto.
Recolho-me aos meus limites
que às vezes esqueço
que às vezes perco de vista
mas finco as estacas com força
té que outro vento me cegue.
Por enquanto me protejo.
Eu
comigo.
29.07.2011 - 23h38min
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Descrição
Eu gosto de dias claros
e roupas com cheiro de Sol
de luz natural
de primavera em flor.
Eu gosto de riso espontâneo
e de lágrima de emoção.
De campo, mato e cidade grande
cada um com seu encanto, lamento e confusão.
Eu gosto de dormir de conchinha
e de banho de mangueira na praia,
chantilly, gelo seco, manta uruguaia.
Eu gosto de fruta madura, toque de sino e sinal de fumaça.
Eu gosto de Tai Chi, arroz com feijão e mudança,
elevadores, cavalos e cães sem raça,
pinhão, batata doce e mel
e de estrelas coloridas, bordando o céu.
Eu gosto de quem acredita
de quem tem coragem
de quem segue a verdade
ainda que diferente da minha.
Eu gosto de gente bem resolvida
de quem não mente a idade
de experimentos gastronômicos e Arte.
Eu gosto de gente tímida
e de gente ousada
- mas só se for além da conta.
Eu tenho pena dos desesperados
e raiva dos injustos.
Eu fujo dos fracos e atraio bêbados.
Eu creio na infinitude
e gosto de acordar tarde.
Eu amo viagens
e vagens e fuligens.
Eu sou todas as miragens...
27.07.2011 - 12h03min
terça-feira, 26 de julho de 2011
Espólio
cravado na minha pele clara
o sangue escorrido tinge a folha
e sobre ele desenho palavras.
Assim me doo
assim me doem as letras
a ferro e fogo arrancadas
a fórceps
no parto das madrugadas.
Minha poesia não tem a beleza da rima
cuidadosamente esfarinhada
pincelada a ouro
e dedilhada em violão afinado.
Não.
É manca a minha estrofe.
Coroa de pontiagudas foices
machucada de algodão
e grita
entre os dentes da caneta
grita
na face do papel
grita.
Minha poesia espezinha tudo
a rima
a métrica
o jugo
de ter perfeito ritmo
e coisa e tal.
E finca a faca
no olho maldito
que exige clemência
sem dar nó na garganta da lua
que brinca de clichês
e outros ques notórios
enquanto de mim
não é verbo que nasce
mas vida que escorre
vermelha de medo e vergonha
de tanto ser pequena
na'scuridão da noite fria.
Minha poesia é putrefato despojo.
Sobre o túmulo dela
uma lápide vazia.
Nada havia
a dizer
nada via...
26.07.2011 - 04h34min
Bah noite
Recolho-me à minha insignificância.
Versos travesseiram-me.
Atravessam as 4 horas que se esvaem em pedaços de vírgulas nos instantes.
Vou pela sombra.
Refaço o caminho da vinda.
A vinha afoga o lenço arrastado.
O sonho que não enraizou-se.
O lance de escada que não deu o primeiro passo
o primeiro invento
o primeiro pedaço de luz.
(Caco de espelho)
Que não deu a trégua que eu precisava.
Voo.
26.07.2011 - 04h12min
Versos travesseiram-me.
Atravessam as 4 horas que se esvaem em pedaços de vírgulas nos instantes.
Vou pela sombra.
Refaço o caminho da vinda.
A vinha afoga o lenço arrastado.
O sonho que não enraizou-se.
O lance de escada que não deu o primeiro passo
o primeiro invento
o primeiro pedaço de luz.
(Caco de espelho)
Que não deu a trégua que eu precisava.
Voo.
26.07.2011 - 04h12min
Embuste
Indago se me basta
um hoje raso.
Voos interrompidos
buscas com dia e hora
pra despedir os aplausos.
O vale reflete meus desejos e o Sol aquece o grão da uva inda nem nascida.
São longas as madrugadas em que vejo escoar-se de mim o que não houve.
Indago se me soa suficiente
um hoje exausto.
Fatos insistidos
bruscas linhas e honras
pra alimentar os instintos.
Os vãos engolem meus silêncios e a Sombra esquece a língua inda não inventada.
São negras as madrugadas em que, cega, tento desvencilhar-me das teias do que não tive.
Resvalo pelo que me esconde a essência.
Traduzo porões. Engulo cicatrizes. Repito erros. Disperso-me, feito estátua de mercúrio.
Uma palavra me perde. Um juízo. Uma cruz. E os limites me alcançam, famintos.
Sou água, escorrida na semente. Não brota ela. Broto eu, no sangue do dia. Todos os dias.
Vertente invertida.
Eu, aquela que ardia.
26.07.2011 - 03h54min
um hoje raso.
Voos interrompidos
buscas com dia e hora
pra despedir os aplausos.
O vale reflete meus desejos e o Sol aquece o grão da uva inda nem nascida.
São longas as madrugadas em que vejo escoar-se de mim o que não houve.
Indago se me soa suficiente
um hoje exausto.
Fatos insistidos
bruscas linhas e honras
pra alimentar os instintos.
Os vãos engolem meus silêncios e a Sombra esquece a língua inda não inventada.
São negras as madrugadas em que, cega, tento desvencilhar-me das teias do que não tive.
Resvalo pelo que me esconde a essência.
Traduzo porões. Engulo cicatrizes. Repito erros. Disperso-me, feito estátua de mercúrio.
Uma palavra me perde. Um juízo. Uma cruz. E os limites me alcançam, famintos.
Sou água, escorrida na semente. Não brota ela. Broto eu, no sangue do dia. Todos os dias.
Vertente invertida.
Eu, aquela que ardia.
26.07.2011 - 03h54min
Obtuso-me
Invado devagar
devagar salvo as palmas
devagar não vou
fico.
Arrisco muito
quase tudo
e muito me afasto
quase de todo
no instante seguinte.
Não agrido
repito devagar
ao vagaroso ouvinte
o silêncio que petrifico.
Afundo
o beco.
Rasgo a hora.
Licencio a pergunta.
Mas a resposta não.
São redondas as pilhas de acertos
que eu não fui.
Estremeço e adiante sigo.
Eu
comigo.
26.07.2011 - 03h23min
devagar salvo as palmas
devagar não vou
fico.
Arrisco muito
quase tudo
e muito me afasto
quase de todo
no instante seguinte.
Não agrido
repito devagar
ao vagaroso ouvinte
o silêncio que petrifico.
Afundo
o beco.
Rasgo a hora.
Licencio a pergunta.
Mas a resposta não.
São redondas as pilhas de acertos
que eu não fui.
Estremeço e adiante sigo.
Eu
comigo.
26.07.2011 - 03h23min
Coleção
Coleciono palavras
intrusos vocábulos
substantivos vários.
Nos vãos dos espelhos
autorizo as frases
e adapto os dizeres.
Choro fácil
de lágrimas engolidas a custo.
Fácil rio
e amontoo vírgulas
misturadas a letras
matizadas de sal.
Coleciono palavras
nos olhos
nas pontas dos dedos
na saliva
nos ditos perdidos
e nos que não dou.
Só pra provar
quem manda
eu sou...
26.07.2011 - 02h43min
intrusos vocábulos
substantivos vários.
Nos vãos dos espelhos
autorizo as frases
e adapto os dizeres.
Choro fácil
de lágrimas engolidas a custo.
Fácil rio
e amontoo vírgulas
misturadas a letras
matizadas de sal.
Coleciono palavras
nos olhos
nas pontas dos dedos
na saliva
nos ditos perdidos
e nos que não dou.
Só pra provar
quem manda
eu sou...
26.07.2011 - 02h43min
Encruzilhada
o mundo já não gira
vira a cabeça de lado
lança os ventos nas vestes
cambaleia nos sobrados
o mundo dá cambalhotas
meu corpo fechado anuncia a hora
agora tudo à volta importa
as portas abertas são livres
as liberdades, proféticas
o mundo abre as asas
canta no alto das árvores
e abraça as ruas estradas e trilhas
que eu não abri
no meio da encruzilhada
descubro um mundo
que não sei
26.07.2011 - 02h20min
vira a cabeça de lado
lança os ventos nas vestes
cambaleia nos sobrados
o mundo dá cambalhotas
meu corpo fechado anuncia a hora
agora tudo à volta importa
as portas abertas são livres
as liberdades, proféticas
o mundo abre as asas
canta no alto das árvores
e abraça as ruas estradas e trilhas
que eu não abri
no meio da encruzilhada
descubro um mundo
que não sei
26.07.2011 - 02h20min
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Abertura
E se as palavras aliviarem
a insistente tristeza instalada
alcançaremos enluarada vitória
entre as conchas das mãos espalmadas.
E se os risos forem constantes
e as condições permanentes
talvez vejamos nascer uma chance
de fazer com que tudo seja diferente.
Rimas, orvalhos, defeitos
confessos ou não nas letras
nos desenhos estrelados
ou ventos soprados nas janelas
plantados nuns versos devassos.
Eu planto sementes
tu decides se elas vingam...
Ou não...
25.07.2011 - 02h38min
a insistente tristeza instalada
alcançaremos enluarada vitória
entre as conchas das mãos espalmadas.
E se os risos forem constantes
e as condições permanentes
talvez vejamos nascer uma chance
de fazer com que tudo seja diferente.
Rimas, orvalhos, defeitos
confessos ou não nas letras
nos desenhos estrelados
ou ventos soprados nas janelas
plantados nuns versos devassos.
Eu planto sementes
tu decides se elas vingam...
Ou não...
25.07.2011 - 02h38min
quarta-feira, 20 de julho de 2011
À força
À força
as ondas espumam as águas
o sol alaranja o Guaíba
os olhos encerram a madrugada.
À força
os orvalhos umedecem flores
os bailes acendem os olhos
as lembranças nascem amigas.
À força
as distâncias rasgam entradas
os poemas pingam fatos
as estradas pintam existências.
À força
o sono se alimenta
de suave companhia.
20.07.2011 - 01h30min
as ondas espumam as águas
o sol alaranja o Guaíba
os olhos encerram a madrugada.
À força
os orvalhos umedecem flores
os bailes acendem os olhos
as lembranças nascem amigas.
À força
as distâncias rasgam entradas
os poemas pingam fatos
as estradas pintam existências.
À força
o sono se alimenta
de suave companhia.
20.07.2011 - 01h30min
Memória
Desmemorizo-me
pra peneirar os nervos
lembro aleatórias cenas
idas e vindas neurônicas
elegâncias passadas
invisibilidades minhas.
Movimentos da vida
que rola morro acima
te
men
te
ten
mi
ter
in
sem pedir licença
sem caber nas mãos
sem desculpas
ou razões outras
que não aquelas
que a memória aprovou.
20.07.2011 - 01h20min
pra peneirar os nervos
lembro aleatórias cenas
idas e vindas neurônicas
elegâncias passadas
invisibilidades minhas.
Movimentos da vida
que rola morro acima
te
men
te
ten
mi
ter
in
sem pedir licença
sem caber nas mãos
sem desculpas
ou razões outras
que não aquelas
que a memória aprovou.
20.07.2011 - 01h20min
sábado, 16 de julho de 2011
Arte
Minha arte é caco de vidro no sapato
estrada de brasas
que trilho descalça
pra não esquecer um verso sequer.
Minha arte
longe de conhecimento
é compulsão
necessidade imperativa
hiperativo verbo que brota
sem aviso
nem rendição
em tempo algum.
Minha arte exige tudo
e de todo fácil se desfaz.
É silêncio e escuta
brevidade longeva
detalhe e escândalo azul
destituída de pureza ou escravidão.
Escrava sou eu, dela.
Ela vem e se esvai quando quer.
Ela sopra, bendiz ou amaldiçoa
quando bem lhe apraz.
Minha arte é o desenho na janela
dessa minha vida
eternamente fechada
para o constante.
Caco de vidro
caco de telha
caco de instante
que me corta o pulso
e sangra
dissonante
feito fio de navalha vencida
na carne da folha branca.
16.07.2011 - 14h07min
estrada de brasas
que trilho descalça
pra não esquecer um verso sequer.
Minha arte
longe de conhecimento
é compulsão
necessidade imperativa
hiperativo verbo que brota
sem aviso
nem rendição
em tempo algum.
Minha arte exige tudo
e de todo fácil se desfaz.
É silêncio e escuta
brevidade longeva
detalhe e escândalo azul
destituída de pureza ou escravidão.
Escrava sou eu, dela.
Ela vem e se esvai quando quer.
Ela sopra, bendiz ou amaldiçoa
quando bem lhe apraz.
Minha arte é o desenho na janela
dessa minha vida
eternamente fechada
para o constante.
Caco de vidro
caco de telha
caco de instante
que me corta o pulso
e sangra
dissonante
feito fio de navalha vencida
na carne da folha branca.
16.07.2011 - 14h07min
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Poesia
Fértil é o dia
em que brotam letras
bolhas de sabão
grafitadas
na folha virgem medida.
Qualquer motivo é verso
a ajuda pedida
e negada
o botão entreaberto
o aperto no peito
a linha do trem
a nova oração
o espelho quebrado
o medo invertido
a emoção.
Qualquer razão é bastante
o dente do siso
a farda verde
o fardo dormente
a circunstância
a pompa
o absurdo
o inconsequente.
Qualquer imagem é presente
inclusive a de mil novecentos e oitenta e cinco
ou antes
ou dois mil e onze.
Fértil nascença de estrofes.
Alimento.
14.07.2011 - 19h55min
em que brotam letras
bolhas de sabão
grafitadas
na folha virgem medida.
Qualquer motivo é verso
a ajuda pedida
e negada
o botão entreaberto
o aperto no peito
a linha do trem
a nova oração
o espelho quebrado
o medo invertido
a emoção.
Qualquer razão é bastante
o dente do siso
a farda verde
o fardo dormente
a circunstância
a pompa
o absurdo
o inconsequente.
Qualquer imagem é presente
inclusive a de mil novecentos e oitenta e cinco
ou antes
ou dois mil e onze.
Fértil nascença de estrofes.
Alimento.
14.07.2011 - 19h55min
Possessão
A realidade que eu guardo
é a ponta do grampo
de uma fotografia
que o delírio me permite possuir.
O que meus dedos tocam
são meus minutos-limites:
é o que eu tenho de meu.
Meus sobrepostos pertences
estão no meu hoje.
Meus remendos
imprestáveis pressupostos
de esquecimentos.
Eu sou o que hoje guardo
nas entrelinhas
das minhas medidas
feixes de nervos expostos.
Exporto dicionários
de cicatrizes perfeitas
e sinônimos duvidosos.
O que adivinho
o que suspeito
imagino
sonho
ou desejo
é ilusão.
O que me esvai dos dedos,
lembrança.
O que tenho
de fato e de direito
é o agora
e é nele que eu me liberto
é dentro desse mito
que eu moro
e suo
e sou.
14.07.2011 - 18h35min
é a ponta do grampo
de uma fotografia
que o delírio me permite possuir.
O que meus dedos tocam
são meus minutos-limites:
é o que eu tenho de meu.
Meus sobrepostos pertences
estão no meu hoje.
Meus remendos
imprestáveis pressupostos
de esquecimentos.
Eu sou o que hoje guardo
nas entrelinhas
das minhas medidas
feixes de nervos expostos.
Exporto dicionários
de cicatrizes perfeitas
e sinônimos duvidosos.
O que adivinho
o que suspeito
imagino
sonho
ou desejo
é ilusão.
O que me esvai dos dedos,
lembrança.
O que tenho
de fato e de direito
é o agora
e é nele que eu me liberto
é dentro desse mito
que eu moro
e suo
e sou.
14.07.2011 - 18h35min
Crença
Rasuras nas luvas
com que o vento
conta as gotas de hoje
nas íris embaçadas
das catedrais brancas
que esperam fiéis.
Contratos rasgados
incendiadas preces
violentas cenas paradas
nas veias fechadas
de uma América outra
que não a latrina
que não o latido uivado
d'alma desesperada e aflita
presa em si mesma
ensimesmada
loucura.
Rabisco.
14.07.2011 - 01h44min
com que o vento
conta as gotas de hoje
nas íris embaçadas
das catedrais brancas
que esperam fiéis.
Contratos rasgados
incendiadas preces
violentas cenas paradas
nas veias fechadas
de uma América outra
que não a latrina
que não o latido uivado
d'alma desesperada e aflita
presa em si mesma
ensimesmada
loucura.
Rabisco.
14.07.2011 - 01h44min
Jamais
Nunca
é um tempo de por enquanto
que se arrasta ao longe
das gotas lânguidas
do escorrido relógio
de Dali. Daqui
nada se vê
além de agora
e o que não penso
é quase estrada trilhada.
O Nunca afirmado
pode ser Sim ou Não
depende da distância
entre o Sempre e o
tiquetaquear da vontade
prevista ou In.
Nunca é um tempo de por enquanto
enquanto durar a hora
arrastada de cascalhos
e repentes chuviscos
rebentos de listras azuis
nas calhas encarceradas
que pingam esperas
e corredores vazios.
Por enquanto
inda insta o orvalho
que não mais se esvai
nas frases do tempo
escoado dos quintais
da vida de dentro de mim.
Por enquanto
o Nunca aguarda
a calçada despretenciosamente
limpa
ventanear outonos
de folhas amassadas
e desistentes esperanças
tidas.
Nunca
é agora
por enquanto.
14.07.2011 - 01h04min
é um tempo de por enquanto
que se arrasta ao longe
das gotas lânguidas
do escorrido relógio
de Dali. Daqui
nada se vê
além de agora
e o que não penso
é quase estrada trilhada.
O Nunca afirmado
pode ser Sim ou Não
depende da distância
entre o Sempre e o
tiquetaquear da vontade
prevista ou In.
Nunca é um tempo de por enquanto
enquanto durar a hora
arrastada de cascalhos
e repentes chuviscos
rebentos de listras azuis
nas calhas encarceradas
que pingam esperas
e corredores vazios.
Por enquanto
inda insta o orvalho
que não mais se esvai
nas frases do tempo
escoado dos quintais
da vida de dentro de mim.
Por enquanto
o Nunca aguarda
a calçada despretenciosamente
limpa
ventanear outonos
de folhas amassadas
e desistentes esperanças
tidas.
Nunca
é agora
por enquanto.
14.07.2011 - 01h04min
quarta-feira, 13 de julho de 2011
A paga
Aqui se faz
aqui se paga o preço pedido
sem pestanejar
ou tremer de mãos
os freios
os suores
as instâncias.
Aqui se faz
aqui se paga o preço justo
sem delongas
nem desculpas
ou equívocos
independentes das nossas juras.
Aqui se faz
aqui se paga a justa medida.
Agora.
Aos 9 segundos do dia 13.07.2011
aqui se paga o preço pedido
sem pestanejar
ou tremer de mãos
os freios
os suores
as instâncias.
Aqui se faz
aqui se paga o preço justo
sem delongas
nem desculpas
ou equívocos
independentes das nossas juras.
Aqui se faz
aqui se paga a justa medida.
Agora.
Aos 9 segundos do dia 13.07.2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Heteronimozar-se
Tal Pessoa
invento-me diferente
ora sou forte
ora minguante
ora invisto na letra
ora disfarço de mim.
Se agora rio
daqui a pouco visto patins
calço máscaras
rasgo limites.
Se agora o pessimismo
define meus rumos
alimento as crenças
crianças descalças
rock pesado
remédio pra dor.
Se agora me falta a linha
monto parâmetros
desfaço arredores
interno hospícios
externo estilos
somo concretudes.
Longe de Pessoa ser
Pessoa sou
Se não
for, faço-me...
Aos 16 minutos do dia 12.07.2011
invento-me diferente
ora sou forte
ora minguante
ora invisto na letra
ora disfarço de mim.
Se agora rio
daqui a pouco visto patins
calço máscaras
rasgo limites.
Se agora o pessimismo
define meus rumos
alimento as crenças
crianças descalças
rock pesado
remédio pra dor.
Se agora me falta a linha
monto parâmetros
desfaço arredores
interno hospícios
externo estilos
somo concretudes.
Longe de Pessoa ser
Pessoa sou
Se não
for, faço-me...
Aos 16 minutos do dia 12.07.2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Teoria
Pouco aprendi
do quase nada que me foi buscando
uma ponta aqui
outra ali
extrapolando
limites já gastos
impostos
pela história
que eu vivo aqui.
Os dias que me atravessam a garganta
são cordas do universo paralelo vocal
que me acompanha. Não
sei d'onde vim
mas sei daqui
desse comboio de metáforas diárias
metamorfoseadas em Kafkas, Shoppenhauers e Rilkes
enrolados à tua língua
que maldiz esse meu defeito
de te pendurar uma chave ao pescoço
e ordenar:
liberta o calabouço!
02.07.2011 - 18h
Pingos
Meus "is" perderam os pontos
cardeais
desnorteados
vestiram um gole de horizonte
e se acomodaram
no meio da profecIa.
Foi o fIm.
02.07.2011 - 13h44min
cardeais
desnorteados
vestiram um gole de horizonte
e se acomodaram
no meio da profecIa.
Foi o fIm.
02.07.2011 - 13h44min
A partir daí
A partir daí
os lisos lenços d'areia
dispersaram o espaço
dispensaram o tempo
toques silenciosos na retina
crendice d'alumínio
fruteira sobre a mesa de mármore cru
frio de morte
a partir daí.
No entorno
as prioridades todas
alinhadas por importância
por mérito alencadas
nem um descarte
nem um deslize
nenhum desligue
a partir daí.
02.07.2011 - 13h10min
os lisos lenços d'areia
dispersaram o espaço
dispensaram o tempo
toques silenciosos na retina
crendice d'alumínio
fruteira sobre a mesa de mármore cru
frio de morte
a partir daí.
No entorno
as prioridades todas
alinhadas por importância
por mérito alencadas
nem um descarte
nem um deslize
nenhum desligue
a partir daí.
02.07.2011 - 13h10min
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Do escrever
Escrever é endireitar as curvas
ou torná-las mais sinuosas
depende do quanto dance teu lápis
ou de quantas palavras
vertam do teu sangue quente.
Escrever é buscar perguntas
nos pontos finais das palavras.
É arrebentar nós já desfeitos
e disfarçar dores assustadas.
Escrever é pescar um sonho aqui
um limite logo adiante
uma história perdida no halo da lua
ou contar as estrelas todas do país.
Escrever é rodear mundos
desbancar certezas
e expor as veias abertas
não da América Latina
ou dela também, por certo,
mas antes e principalmente
da tua própria face.
Oculta
(te)?
27.06.2011 - 21h36min
ou torná-las mais sinuosas
depende do quanto dance teu lápis
ou de quantas palavras
vertam do teu sangue quente.
Escrever é buscar perguntas
nos pontos finais das palavras.
É arrebentar nós já desfeitos
e disfarçar dores assustadas.
Escrever é pescar um sonho aqui
um limite logo adiante
uma história perdida no halo da lua
ou contar as estrelas todas do país.
Escrever é rodear mundos
desbancar certezas
e expor as veias abertas
não da América Latina
ou dela também, por certo,
mas antes e principalmente
da tua própria face.
Oculta
(te)?
27.06.2011 - 21h36min
Extrema Unção
Se a minha poesia te agarra pela garganta
dá um nó nos teus olhos
amarra teus tornozelos
e paralisa-te os pulmões,
comemora!
Onde encontrarás maior beleza
que a de benzer com poesia a hora fatídica?
27.06.2011 - 15h40min
dá um nó nos teus olhos
amarra teus tornozelos
e paralisa-te os pulmões,
comemora!
Onde encontrarás maior beleza
que a de benzer com poesia a hora fatídica?
27.06.2011 - 15h40min
Quintana e eu
Quintana não gostava de pôr data
às suas poesias.
Nem precisaria: a letra de Quintana
como o próprio poeta, era eterna
e, como eterna, de data não precisaria.
Por isso dato todas as minhas.
Como eu,
elas partirão...
27.06.2011 - 15h08min
às suas poesias.
Nem precisaria: a letra de Quintana
como o próprio poeta, era eterna
e, como eterna, de data não precisaria.
Por isso dato todas as minhas.
Como eu,
elas partirão...
27.06.2011 - 15h08min
Extremamente fácil
Dizem os entendidos
que é fácil fazer poesia.
Fácil é plantar batatinha!
A poesia exige sangue
dieta equilibrada
(valha-me Deus!)
e muito conhecimento.
Não o sangue de vaca, bode ou galinha
no cruzamento da esquina
com pipoca, arroz branco e pinga.
O sangue das tuas próprias veias, todinho.
É esse que a poesia reclama.
Não a dieta de frutas, verduras e fibras
o cardápio bem certinho
e todas as calorias milimetricamente calculadas
e seguidas com rigor científico.
A dieta das letras inventada por ti mesmo.
É essa que a poesia reclama.
Não o conhecimento
que qualquer explicação resolve
contido, inteiro, num canudo colorido
no final de uma longa e bonita jornada.
O conhecimento galgado no olho
no fundo da íris manchada.
É esse que a poesia reclama.
Fácil, mesmo, é plantar batatinha.
Extremamente difícil é parir poesia.
27.06.2011 - 15h
que é fácil fazer poesia.
Fácil é plantar batatinha!
A poesia exige sangue
dieta equilibrada
(valha-me Deus!)
e muito conhecimento.
Não o sangue de vaca, bode ou galinha
no cruzamento da esquina
com pipoca, arroz branco e pinga.
O sangue das tuas próprias veias, todinho.
É esse que a poesia reclama.
Não a dieta de frutas, verduras e fibras
o cardápio bem certinho
e todas as calorias milimetricamente calculadas
e seguidas com rigor científico.
A dieta das letras inventada por ti mesmo.
É essa que a poesia reclama.
Não o conhecimento
que qualquer explicação resolve
contido, inteiro, num canudo colorido
no final de uma longa e bonita jornada.
O conhecimento galgado no olho
no fundo da íris manchada.
É esse que a poesia reclama.
Fácil, mesmo, é plantar batatinha.
Extremamente difícil é parir poesia.
27.06.2011 - 15h
Doença
Eu sofro dessas dores crônicas
a que remédio algum dá jeito.
Dessas que os médicos dizem ser nada
mas que te torcem, mesmo assim,
do lado avesso.
Pois são essas dores que me perseguem
e riem do meu sofrimento.
Elas vem aos bandos, as covardes,
e, traiçoeiras, atacam num repente,
sem direito a resposta
nem aviso que me prepare.
Atormentam-me as carnes
os ossos e as conjunções e conjunturas
se conjunturas em mim houvesse.
Não perdoam fim de semana, dia útil ou inverno
inventam a hora que querem
impedem o curso do momento
bem no momento chegado.
Não querem saber se estou sozinha
ou se ando acompanhada
se ainda não termina o dia
ou se é alta madrugada.
Chegam com força e em bando
as desgraçadas.
Elas, as minhas dores de nada...
27.06.2011 - 14h34min
a que remédio algum dá jeito.
Dessas que os médicos dizem ser nada
mas que te torcem, mesmo assim,
do lado avesso.
Pois são essas dores que me perseguem
e riem do meu sofrimento.
Elas vem aos bandos, as covardes,
e, traiçoeiras, atacam num repente,
sem direito a resposta
nem aviso que me prepare.
Atormentam-me as carnes
os ossos e as conjunções e conjunturas
se conjunturas em mim houvesse.
Não perdoam fim de semana, dia útil ou inverno
inventam a hora que querem
impedem o curso do momento
bem no momento chegado.
Não querem saber se estou sozinha
ou se ando acompanhada
se ainda não termina o dia
ou se é alta madrugada.
Chegam com força e em bando
as desgraçadas.
Elas, as minhas dores de nada...
27.06.2011 - 14h34min
Entender ou sentir, eis a questão
"Te ler é como sentir a tua presença
sem poder te tocar.
Sinto a força
mas não tenho capacidade de entender"
Minha poesia é pra ser engolida com copo d'água
leite ou cicuta.
Entender é perder o mistério
concentrar-se no que a inteligência mede
dar-se conta só da superficialidade.
Entender não está nos princípios
nem nos revezes
muito menos nas amizades.
Entender restringe os fatos
encaixota os portões
enraíza as imagéticas.
Entender impede a troca
porque estanque
enquanto sentir enternece
e expande.
Sentir traz de volta
arrasta o lenço
deixa rastros no tempo
marca indelével
digital só tua.
Tu, que sentes, sinta.
Tu, que entendes, desista.
Minha poesia é pra ser sorvida com aguardente
sal e pimenta a gosto
pela pele dos que não entendem.
É pra esses o meu delírio.
27.06.2011 - 14h
domingo, 26 de junho de 2011
Tu
Tu dizes o que de mim
os olhos expostos atraem
os brilhos os sopros os infinitos cais
as heresias e as milhares de ousadas fantasias
nas prateleiras perfeitas
do minuto quente de agora.
Tu és o que de longe persiste
na minha mais complicada trama. Tu
és a paciência dos anos idos
o mantra a cura o pedido
a centelha que se aplica
ao bordado da vida que continua.
Tu és o que de mim me aguarda
na calma noite sem janelas e fria
a umidade anelada a crina a carne crua
o ponto de começo a velada sintonia a partilha.
Malícia.
26.06.2011 - 16h32min
os olhos expostos atraem
os brilhos os sopros os infinitos cais
as heresias e as milhares de ousadas fantasias
nas prateleiras perfeitas
do minuto quente de agora.
Tu és o que de longe persiste
na minha mais complicada trama. Tu
és a paciência dos anos idos
o mantra a cura o pedido
a centelha que se aplica
ao bordado da vida que continua.
Tu és o que de mim me aguarda
na calma noite sem janelas e fria
a umidade anelada a crina a carne crua
o ponto de começo a velada sintonia a partilha.
Malícia.
26.06.2011 - 16h32min
sábado, 18 de junho de 2011
Epígrafe
Mancho a folha vazia
escarneço do sistema
libero o estado de sítio
violento o instinto
açoito o sentimento
alimento a continuidade
num espaço que desconheço:
o da mente sã.
18.06.2011 - 01h20min
escarneço do sistema
libero o estado de sítio
violento o instinto
açoito o sentimento
alimento a continuidade
num espaço que desconheço:
o da mente sã.
18.06.2011 - 01h20min
terça-feira, 14 de junho de 2011
Ou não Ser
Eu sou um livro ao avesso
sem capa, prefácio ou chocolate.
Frase inacabada
no meio da mordida acesa.
Sou a parte de dentro
a língua molhada
a cabeceira inversa.
Eu sou um livro rasgado
arrastada linha paralítica.
Umedecido segredo
fala interrompida
intuito de fechadura.
Sou passagem obrigatória
no caos do escuro.
A fuga
a febre
a fúria
da ponta dos dedos.
Eu
editora dos meus medos.
14.06.2011 - 21h48min
sem capa, prefácio ou chocolate.
Frase inacabada
no meio da mordida acesa.
Sou a parte de dentro
a língua molhada
a cabeceira inversa.
Eu sou um livro rasgado
arrastada linha paralítica.
Umedecido segredo
fala interrompida
intuito de fechadura.
Sou passagem obrigatória
no caos do escuro.
A fuga
a febre
a fúria
da ponta dos dedos.
Eu
editora dos meus medos.
14.06.2011 - 21h48min
Fernando Pessoa
Se eu fosse Pessoa, faria versos. Mas Pessoa
houve um só.
A mim
restou ser leitora dos verbos de outras gentes
parentes dos deuses das letras
moradoras de terras distantes
i
nal
can
çá
veis
estrofes horizontais.
Se eu fosse Pessoa, faria versos.
Mas Pessoa houve um só.
14.06.2011 - 21h
houve um só.
A mim
restou ser leitora dos verbos de outras gentes
parentes dos deuses das letras
moradoras de terras distantes
i
nal
can
çá
veis
estrofes horizontais.
Se eu fosse Pessoa, faria versos.
Mas Pessoa houve um só.
14.06.2011 - 21h
Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...
É sempre hoje.
No meu colo
a caixinha de sonhos
com que Pandora
me presenteou.
Inútil entulho
nas minhas mãos vazias.
Se o tempo é sempre hoje
de que me vale sonhar?
Passam as horas
no relógio parado na estante.
A estante
o relógio
os dias
estão presos no tempo de hoje
como eu
e a caixa que Pandora
a grega
ousou me presentear.
14.06.2011 - 20h35min
No meu colo
a caixinha de sonhos
com que Pandora
me presenteou.
Inútil entulho
nas minhas mãos vazias.
Se o tempo é sempre hoje
de que me vale sonhar?
Passam as horas
no relógio parado na estante.
A estante
o relógio
os dias
estão presos no tempo de hoje
como eu
e a caixa que Pandora
a grega
ousou me presentear.
14.06.2011 - 20h35min
domingo, 12 de junho de 2011
Escrita
Escrevo minha poesia
em linha de papel amassado.
Compactuo com o silêncio
consumo a prática da letra
entre as esporas do dia.
Minhas feridas são lágrimas
nas vírgulas que desdobro
dessa folha azulada.
Os olhos que me espreitam
buscam deslizes
acima dos medos
além dos dizeres
encontram meus pontos
costurados nas filas
recém riscadas de espelhos.
Refiro-me aos limites
e às esperas dos desenhos
que meus versos
haverão de ressuscitar.
12.06.2011 - 21h59min
em linha de papel amassado.
Compactuo com o silêncio
consumo a prática da letra
entre as esporas do dia.
Minhas feridas são lágrimas
nas vírgulas que desdobro
dessa folha azulada.
Os olhos que me espreitam
buscam deslizes
acima dos medos
além dos dizeres
encontram meus pontos
costurados nas filas
recém riscadas de espelhos.
Refiro-me aos limites
e às esperas dos desenhos
que meus versos
haverão de ressuscitar.
12.06.2011 - 21h59min
Confidencial
Escondo a fonte d'água
nenhum olho alcança o estrado
de pontas de vidros
que percorrem meus passos
pr'esquecer as trilhas abertas
na última hora da colheita.
O ponteiro insuspeito
alimenta o curso
da parede nua
surpreendentemente lisa
apesar das pontas dos pregos
nas linhas escuras dos minutos
que arrastam as correntes
das horas
dos silêncios
dos pálidos segredos.
12.06.2011 - 20h37min
nenhum olho alcança o estrado
de pontas de vidros
que percorrem meus passos
pr'esquecer as trilhas abertas
na última hora da colheita.
O ponteiro insuspeito
alimenta o curso
da parede nua
surpreendentemente lisa
apesar das pontas dos pregos
nas linhas escuras dos minutos
que arrastam as correntes
das horas
dos silêncios
dos pálidos segredos.
12.06.2011 - 20h37min
Rasgo
Sempre insuficiente tempo
Presente de grego
No bolso da vida
Breve, muito breve suspiro
Sopro de sofreguidão
Interrompido susto
No âmago da vida
Corte brusco de navalha cega
No que se pretendia vasto
Vaga sensação de infortúnio.
Cuidado ao guardar lembranças
Risos, assuntos, assombros
Embrulhados na caixa de Presente
Que se recusa a ficar no Passado
Inda que a queda a tenha estraçalhado.
Nada que doa, me vale a pena, poetaria Pessoa
Enquanto minha poesia é quase um gemido
De todas as perdas de todos os anos idos
E do último verão, congelado no derradeiro frio
De um inverno que custa a passar
Doendo-me muito mais que as juntas
Torcendo-me as entranhas
Estranhando-me os pensamentos.
Ainda assim, nenhuma mácula atinge
O profundo que não é ouro
Mas vale mais que qualquer brilhante.
Ainda assim
Ninguém nem nada preenche
O espaço vazio
Que assim ficará
Té que a terra cubra esses meus olhos
Que tocaram os dedos do impossível
E por ele devorados foram
Sem direito à réplica, súplica ou desistência
Sem direito algum
Além do gosto de alumínio
Na porta dos próximos anos.
E por ele devorados foram
Sem direito à réplica, súplica ou desistência
Sem direito algum
Além do gosto de alumínio
Na porta dos próximos anos.
12.06.2011 - 20h
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Movimento
S2
Danço no espaço vazio
como quem pinta um quadro
louco
de espelhos e espinhos
e cataratas e esquadrinhamentos.
Arrumo a cadeira na ponta da lança
balanço
o anzol de cartas vermelhas
adonadas de riscos de um sol desmaiado.
Rodopio na quina de um degrau
que arremessa os próximos instantes
pra longe das obviedades
suspensas
as plantas dos pés esvaziam
as portas de um mármore raro
e espantos
e poesia.
01.06.2011 - 22h20min
Danço no espaço vazio
como quem pinta um quadro
louco
de espelhos e espinhos
e cataratas e esquadrinhamentos.
Arrumo a cadeira na ponta da lança
balanço
o anzol de cartas vermelhas
adonadas de riscos de um sol desmaiado.
Rodopio na quina de um degrau
que arremessa os próximos instantes
pra longe das obviedades
suspensas
as plantas dos pés esvaziam
as portas de um mármore raro
e espantos
e poesia.
01.06.2011 - 22h20min
Cansaço
S2
Sou uma mulher cansada
os cansaços pesam-me na garganta
nos ombros, nas pernas, joelhos e braços
circulam-me os tornozelos
e amarram meus passos.
No entanto, há em mim um descanso nato
um não-sei-que de leveza
mesmo nos tornozelos amarrados
uma certeza de que a garganta
se haverá de abrir de repente
depois de um beijo teu.
01.06.2011 - 01h
Sou uma mulher cansada
os cansaços pesam-me na garganta
nos ombros, nas pernas, joelhos e braços
circulam-me os tornozelos
e amarram meus passos.
No entanto, há em mim um descanso nato
um não-sei-que de leveza
mesmo nos tornozelos amarrados
uma certeza de que a garganta
se haverá de abrir de repente
depois de um beijo teu.
01.06.2011 - 01h
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Dentro
S2
De corpo presente
somam-se os hinos
e os alinhavos
e os segredos
e as lanças
vindas das íris castanhas
marcadas de tudo o que se tem
iluminadas alegrias
apostas consagradas
entrelaçados dedos
anéis.
26.05.2011 - 23h38min
De corpo presente
somam-se os hinos
e os alinhavos
e os segredos
e as lanças
vindas das íris castanhas
marcadas de tudo o que se tem
iluminadas alegrias
apostas consagradas
entrelaçados dedos
anéis.
26.05.2011 - 23h38min
Agora
S2
Tu dizes o que o coração professa
os anseios, os sucessos,
as plantas dos pés
na linha do começo
que de fato alimenta
tudo o que em mim despertas.
S2
Os tempos idos
de inocências findas
suficientes de haver sentido
o andar nas areias finas
não foram
são
sadios Presentes
nossos.
26.05.2011 - 01h10min
são
sadios Presentes
nossos.
26.05.2011 - 01h10min
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Ocupada
S2
A vantagem de ser livre
é a escolha de ocupada estar
liberdade que independe
do quanto se agitam ao lado
de quando é possível ficar.
Por mais que terceiros dancem
as canções que gostas de ouvir
a que a ti pertence
só pode ser cantada
por uma única voz
aquela que escolheu te sentir.
25.05.2011 - 23h53min
(...ciúme bonitinho...rs)
A vantagem de ser livre
é a escolha de ocupada estar
liberdade que independe
do quanto se agitam ao lado
de quando é possível ficar.
Por mais que terceiros dancem
as canções que gostas de ouvir
a que a ti pertence
só pode ser cantada
por uma única voz
aquela que escolheu te sentir.
25.05.2011 - 23h53min
(...ciúme bonitinho...rs)
Tenho dito
S2
O dito é o exposto
O dito é o exposto
acima do intento
ao largo do previsto
a despeito do suposto.
O dito fica pelo não-dito
se o outro tem argumento
e o elemento do fato
é carta de baralho
dentro do jogo da vida.
O dito acompanha
a roda da hora
o momento do grito
o calo na garganta
de tantas vezes dito
o começo do vivido
e a continuação do bendito.
Bem dito o fermento
do que ferve
na pressão do alimento
que corre ao encontro
do outro lado
do dito
do não-dito
do exposto
do alargado
peito.
Nos primeiros 3 segundos do dia 25.05.2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
Selo
Desafios nas ranhuras das folhas virgens
palavras pescadas no sangue
rangidos dentes selados
ganas de tudo perder
desfiados rolos de linhas azuis
nos teares abertos pelo vento
fiapos suspensos
surpresas vendadas
sal de raça
arrancado verniz.
24.05.2011 - 22h
Mais do mesmo
Tateiam nas lisuras do mesmo
arrumam motivos
empilham razões
perpetuam o que já é
serpenteiam entre senões
escondem os dedos
dão o tapa
respondem nãos
e as mãos...
as mãos
enconcham medos...
24.05.2011 - 21h
arrumam motivos
empilham razões
perpetuam o que já é
serpenteiam entre senões
escondem os dedos
dão o tapa
respondem nãos
e as mãos...
as mãos
enconcham medos...
24.05.2011 - 21h
Poder
S2
Instante castrado
retorno no galho distribuído
contornos indeléveis
laços de luzes criadas.
Abertura da janela confiada
no baú das mesmas tintas difusas.
Felpa na quina da hora.
Fora
os campos cobertos de flores.
Dentro
um sono não obtido.
24.05.2011 - 20h17min
Instante castrado
retorno no galho distribuído
contornos indeléveis
laços de luzes criadas.
Abertura da janela confiada
no baú das mesmas tintas difusas.
Felpa na quina da hora.
Fora
os campos cobertos de flores.
Dentro
um sono não obtido.
24.05.2011 - 20h17min
Slow motion
Lento, lento
cai o dia.
Despenca do alto da estrada
lento
dia lento
desalento.
Lento, lento
descortina o dia
a próxima vitrina
a varanda vazia.
24.05.2011 - 20h
cai o dia.
Despenca do alto da estrada
lento
dia lento
desalento.
Lento, lento
descortina o dia
a próxima vitrina
a varanda vazia.
24.05.2011 - 20h
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