segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sombras de mim

Assombro as formas
sobro na luz
um sopro me guia
meu rastro rasteja na areia;
escureço...
08.09.2008 - 23h54min

Psico - A Poesia

Há que se exercer controle
sobre si mesmo
sobre as circunstâncias
sobre a insensatez
sobre a sisudez
ainda que os ritos
matematicamente impostos
não passem de rituais
castrantes das possibilidades
que se valem das manhãs ensolaradas
de um abril que nunca vem.
Há que se exercer controle
sobre as manias
que atropelam as calmas
e impõem seus próprios
alucinantes ritmos
que jamais se detêm.
Há que se exercer controle
sobre as horas malditas
que escorrem dos relógios de pulso
expostos nas vitrines
dos impulsos protegidos por alarmes
guardados dos desejos dos olhos
nos bolsos vazios de moedas furadas.
Há que se exercer controle
dos ventos dois de agosto
dos perfumes primaveris de setembro
das espalhafatosas infâncias de outubro
das presenças infames
do resto do ano invisível e infeliz.
Há que se engolir desgostos
desgastar as preces
invalidar vertigens
proteger o peito
dos entulhos desvairados
que sobre ele esvaziam
os atlas, mapas diariamente mundi.
Mundanos espaços
de estoques controlados.
Há que se controlar as loucuras
indecências
incêndios
impertinências
impotências
inaceitáveis verbos hostís
incalculáveis doçuras.
Doçuras?
Sim, há que se controlar as doçuras
e os afetos
e os infectos
e os desertos.
Há que se cultivar incertos.
Há que se distribuir desperdícios.
Há que se mesclar orações
religiões
recomeços.
Há que se exercer controle
sobre si mesmo.
Caso contrário...
08.09.2008 - 12h15min

'Seni Seviyorum'

Aos 40 minutos do dia 08.09.2008
*Da série: Mulheres sem rosto

domingo, 7 de setembro de 2008

Sem a letra

A letra desapareceu
perdida nas tralhas da vida
escorregada nos limos
das discordâncias várias
a letra sumiu
ninguém sabe
ninguém viu.
Inconformados os poetas
os literatos
os críticos
os incrédulos
não rimam
com diários
nem com nada
mais.
Nada que combine
a sílaba no espaço.
Nada que culmine
em beleza.
Nenhum ritmo
suficiente.
Nenhum laço.
Nenhum lapso.
Nenhum impertinente
pensamento.
Nenhuma orientação.
Não há Norte.
Não há morte.
Não há confusão.
Tudo na mais perfeita paz.
Harmonia artificial
sem a letra.
Sem a canção da voz.
Não há motivo
nem solução.
Hoje o sol não nasceu.
Hoje não se estendeu a mão.
Hoje falta o sentido
o significado
a razão.
A letra não apareceu.
Não houve chance de pedir perdão...
07.09.2008 - 23h58min

A esmo...

A esmo, esmoreço.
Estremeço
na estreita estrada.
Escadaria.
Ensurdeço na espera
insalubre.
Amanheço
sem querer.
Sem querer
me nutro
de ausências.
Escuto.
Nenhum ser
absoluto.
Necessidade
absurda.
Absorvo
o luto.
Entardeço.
Sou crepúsculo.
Esmoreço...
07.09.2008 - 23h40min

Banho de chuva

07.09.2008 - 17h
*Da série: Mulheres sem rosto

Mar

Ah, eu queria escrever-te um poema. Descrever tuas ondas que derrubam minhas resistências. Todas as minhas reticências. Eu queria escrever-te uma canção, que cantasse teus encantos enfeitiçasse qual canto de sereia, na alma de quem ouvisse: invasão. Mas a inversão de valores te trouxe pra praia, fez de ti um homem grande, forte, viril, sedento de mim sedento de ti mesmo e desses teus versos que acompanham o vir e ir das tuas ondas. Essas ondas que derrubam minhas resistências. Essas tuas ondas que desembarcam e desesperam meus obstáculos. Os obstáculos que insisto em erguer pra impedir teu avanço. Essas ondas que apagam minhas interrogações e molham minhas pernas bambas. Essas tuas ondas que acentuam minha dança quando explodem na praia, ensurdecedor marulho. Ensandecido murmúrio aos meus ouvidos sonolentos no início da manhã-surpresa em que me despertas marejando-me os olhos marcados pelas tuas íris castanhas. Meu Mar particular. Eu, tua areia úmida. Queria escrever-te um poema. Não consegui. Porque só sei te aMAR. Aos 45 minutos do dia 07.09.2008

Tom

Eu quero o tom
o tom da lua
o teor da luz neon.
Eu quero o tom
da voz. Da voz madura
que se profere nas ruas
e prefere a circunstância
à cicatriz.
Eu quero o tom de azul
na minha lente
na minha camisa
na minha estante
de livros virtuais
que inda não li.
Eu quero o tom da tua
língua diferente da minha
a me dizer o que não sei
o que não aprendi.
Eu quero o tom da descoberta
do incerto, do impreciso, do indiscreto.
Eu quero o tom do que escolhi
entre tantas escolhas mal feitas
fadadas ao fracasso total,
eu quero o tom das que temi
porque tinham chance
de vingar, afinal.
Eu quero o tom da linha
de costura da minha mãe.
Eu quero o tom do saxofone
que ouvi distante,
na Praia Vermelha,
há anos atrás.
Eu quero o tom que não tive
o tom que ainda terei
o tom do dom lilás
do sorriso
que
te
dei...
07.09.2008 - 0h16min

sábado, 6 de setembro de 2008

Medidas

Qual é a medida certa?
De tudo?
Se deixo de dizer, perco.
Se digo, esqueço.
Se exponho, experimento.
Se imponho, implemento.
Qual é a medida exata
do riso que te ofereço?
Qual é a medida exata
do interesse que te ofereço?
Qual é a medida exata
do poema que te ofereço?
Com quantos versos
se abre uma porta?
Com quantas imagens
se sonha uma sorte?
Com quantas esperas
se alcança o começo?
...
06.09.2008 - 18h

A Hora

Não acredito em coincidências. Acredito na hora certa pra acontecer... Seja lá o que for. 05.09.2008 - madrugada

Gotas de chuva*

Sozinhos, os pingos são homens que passeiam à procura de tempestades, nas mãos das mulheres que deixaram de amar. Tormentas. Sem raios, sem ventos, sem dós nem piedades. Perdões extrapolam as letras e sopram obscenidades sobre as cortinas molhadas de grossos pingos azuis; quedas impossíveis de impedir. Chuvas são lágrimas pelo que não fizeram. Chuvas são gotas dos que gostaram, dos que tiveram, dos que amaram. Os pingos deixam de cair, quando encontram os 'is' e sobre eles se postam. Aposto que teu 'i' te aguarda n'algum canto desta noite vazia, sem amores... 06.09.2008 - 15h *Comentário para o poema GOTAS DE CHUVA, do fabuloso Jorge Fernandes

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ainda...

Têm sono esses meus olhos risonhos. Tem risos essa minha boca de sono. Tem sonhos essa minha vida de passos trôpegos pousos de vento... O riso é meu desafio diário que carrego debaixo do braço para as ocasiões premeditadas não por mim, pelas cartas marcadas dispostas sobre uma mesa invisível que eu não aprendi a virar. Ainda. Ando em zigue-zague e apronto a refeição de sempre: poesia. Porque meu trem já descarrila na linha reta que se aproxima; sem passageiros outros, além de mim. A folha seca pelo sol estala debaixo do meu pé. (Ou será o sol que estala o meu pé, sem querer?) Conjectura infantil de quem se recusa a crescer. As unhas se quebram. Alguém quebrou a vidraça da loja. Alguém quebrou o relógio da praça. Alguém não quer que as coisas durem. Dura é a partilha da dor. Parto a laranja ao meio e como as duas metades. Medo é arrependimento antecipado. O concurso ainda não mandou o resultado. O paralelo é só o outro lado da mesma coisa. O sufoco é só mais um jeito de mentir. O poema ainda não calou o monstro. Ainda. (Alguém mora em mim...) 05.09.2008 - 01h28min

Delírio

Há canções nos sons dos passos que passeiam pela escuridão coberta de estrelas apagadas agora. Observa... São trilhões de astros quietos que povoam teu universo. ACORDA! Sacrifica a preguiça do topo da montanha. Exorcisa os demônios das luas nas espadas de Jorges e samurais escondidos debaixo dos abajures da tua sala de estar nua. Estejas nua quando o ponteiro chegar na hora marcada pelo destino. Os astros rastreiam as pegadas dos grandes pensadores que antecederam os anônimos criadores de pseudônimos cruéis. Cospe a centelha de cem lâminas sobre as cortinas de fumaça que despistam as ganas que te arrastam para os caminhos que não pensaste trilhar. Evita o abandono, o desabafo, a partilha. Guarda teus segredos sem pudor algum. Esconde os pensamentos que não juraste diante do santo mumificado que te obrigaram a ter no altar. Abriga teus sonhos em panos quentes. Assume tua luz apagada. Acende a estrela cadente. Ascende pra longe daqui. Recupera. 05.09.2008 - 01h06min

Mas, afinal...

Mas o que é o tempo? Maldição, talvez. Bênção, perdição, qualquer coisa que leve um til sobre um A; qualquer coisa que rime com 'não'? Quem terá as respostas que insistem em ser perguntas e, sobrepostas, são escadas que não levam a lugar nenhum? Mas o que é o vento? Não admito a comodidade do ar em movimento, como se a carícia em meus cabelos não passasse de um capricho da natureza, dos deuses, das minhas fantasias. Mas o que é o que sinto? Exagero de um dia, talvez de um minuto, quiçá de uma vida inteira, mas sempre exagero, sempre superlativa essa cadência cá dentro do peito. Mas o que é o futuro? Mas o que é o presente? Mas o que é a falta? Essa falta que me consome a alma e atormenta a mente? Mas o que é esse excesso? Essa necessidade de explodir em brilhantes cores desiguais? Mas o que é o porém que impede-me o adiante e castra a partida já preparada antes? Mas o que é essa asa quebrada sem gesso sem estrada sem esteio sem mais nada além dela mesma pela metade? Mas o que é a palavra insuficiente caminho por onde enveredo meus desaforos. Por onde desafogo minhas mágoas disfarçadas de versos e poesia leve? Mas o que há de novo, afinal? Mas o que há para se recompor, afinal? Mas o que há dentro do sol, afinal? Mas qual será o final? Mas há final? Finada... Aos 47min do dia 05/09/2008

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Quem eu sou

. Alguém que vive aqui
perto ou longe de ti
com ou sem fuso horário
não importa.
Sou alguém que se importa,
que sente saudade,
que chora à toa,
que ri por bons motivos,
que dorme, às vezes,
mas tem sono o tempo todo.
Sou alguém que ama
mas esperneia
e incendeia as próprias crinas.
Crio meus problemas
e não lembro onde larguei o guia.
Não tenho manual de instruções
nem imponho condições
pra ser quem sou.
Mas sou. Estou. Vou.
Vôo adiante como se a liberdade
me fosse característica.
Mas sou.
Alguém que vive aqui,
sem fuso, sem fiar, sem cruz.
Alguém que vive aqui,
sem horário comum
ou palavras que combinem
entre si. Bobagens.
Brutamontes.
Brutas mentes.
Eu vôo.
Suo.
Sou.
04.09.2008 - 03h20min .

Miss you

My name
Your name
Our dreams
Morpheu listen our voices?
Or
Our voices don't say
Don't speak other words
Across "I miss you, darling"?
(one short poem above all for you, my dear... kisses... and... Iyi geceler)
04.09.2008 - 02h40min
*For Átilla
**O inglês pode até estar ruim,
mas a idéia é tão bonitinha...
quase infantil....rs...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Setembro II

Setembro vem de braço dado com a Primavera...
Vê o pólen cobrindo o manto do dia, pra que a noite ilumine a flor que já desabrocha...
02.09.2008 - 15h20min

Setembro

O diferente me atrai
mas não me prende.
A segurança se atrela
à minha pele. Permanece.Tensa.
É o constane que fica.
A mudança é só um vão
na silenciosa hora inesperada.
Salada gelada de exóticas frutas frescas
em dia de sol escaldantemente desértico.
Devoro o instante que me abre
as possibilidades que eu aposto ter.
É temeroso enfrentar o perigo
e eu não me dou conta dos riscos
que riscam círculos em volta do meu riso.
Brindo à vida com água,
nessa clara manhã,
anúncio de Primavera.
As flores abrem as portas
dos orvalhos mágicos
precioso pólen renovado.
Um diferente, que vem igual,
ou um igual que se apresente diferente?
Setembro.
Outras formas.
Outra vez.
02.09.2008 - 14h08min

Um conto... poeticamente romântico

Introspectar-se.
Contar um romance poético.
Poetizar um conto romântico.
Romancear uma poesia contada.
En-cantar.
02.09.2008 - 13h50min

Mestre*

É oportuna a tua idade. São maníacos os mornos que esperam por ti. Os bons ventos não trazem notícias, trazem apenas movimentos, que a gente transforma no que quiser, no que puder, no que possuir. Os muros dividem lotes. E a lotação vem abarrotada de suores. O suor do teu trabalho é mais forte que a peçonha dos que se enroscam entre as pedras vazias do chão que já pisaste. O sucesso te aguarda logo ali, depois da curva. A mesma curva por onde desapareceram os medos dos que arriscaram. Vai. E cá estou eu, de novo, embriagada com os versos do maestro Segundinho. Saturada da beleza de tuas letras. Ressaca? Não sei se perfeição produz ressaca. Parece que sim. Doem-me as têmporas. Dói-me o peito, como se teus versos fossem chagas a me consumir. Não, isso não é ruim. Não é um destruir. É um corroer. O que todo poema deveria provocar no leitor. O corroer d'algo doente que habita na gente, e que tem que morrer. Poema-remédio. Poema-dor. Doem-me os olhos, que lutam pra não deixar rolar a lágrima que teima em sair deles. Talvez ela também queira fazer parte do poema. Ou roubar-lhe um pouco da força que há nele. Quem pode saber? Eu não sei. Eu não sei de nada, quando quedo aqui, e admiro a obra do maestro/mestre Segundinho. E curvo-me, em reverência, antes de agradecer. 02.08.2008 - 0h40min
*Comentário para ASA DE COBRA e VERSOS AVESSOS
do Grande Glauco César II