Quase férias
descanso
banho de sol
leitura
dormir tarde
ou nem dormir
de noite.
De noite acordar
de dia dormir
(quando nascer?)
tudo trocado
tudo 'errado'
tudo diferente.
Dias quentes
coisas por fazer
fazer outra coisa
que até tenho vontade
mas qu'inda não fiz:
pintar o sete
na parede do meu quarto
no muro da minha entrada.
Talvez esquecer
talvez lembrar
talvez encontrar
ou não.
Com certeza acertar
(não?).
02.12.09 - 22h01min
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Timbre
Há formas e cores e angústias
que as agonias costuram na garganta
e fecham as possibilidades de sonho.
Há contos e cantos e contas
entrelaçadas nas pontas das sombras
entretidas co's desejos de outras luas
de outros solfejos.
Há fôlegos e folgas e folhas
em branco e rasgadas de dentro pra fora
claros princípios de afogamento
no reflexo de um gigantesco espelho
habitado por um fauno enfeitiçado de
malícia e juventude.
Há compreensões e coações e compressas
nas feridas nos arranhões nos vestígios
dos telhados e das teias rasgadas das veias
por onde correm os rios de calor e verdade.
Há janelas e portas e cercas
acertos de trocas e troças de borboletas pintadas
por pincéis azuis e regulares brumas.
Há coragem e inocência e alegria
nos fios dos olhos curiosos
que escutam os passos recentes
das tintas da vida
sem culpa...
Aos 18 minutos do dia 02.12.09
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Inevitável
Algumas coisas são inevitáveis:
pensar
sentir
crer.
Pensar no que for
sentir o que der
crer no que escolher.
01.12.09 - 23h51min
Da morte trágica*
E se tudo dependesse de nós?
E se tivéssemos a faculdade de ver adiante
o suficiente pra impedir os desastres
que nos escapam entre os vãos dos dedos
e sobre os quais não temos o menor poder?
E se pudéssemos evitar as dores
e os sustos que a vida nos reserva
depois da próxima curva
e depois dela
e depois da terceira?
E se tivéssemos plena autoridade
e força e estrutura
pra proteger nossos amores
de qualquer sorte de misérias?
E se fôssemos capazes de inventar uma redoma
à prova de qualquer coisa que fosse diferente
da plena felicidade eterna?
E se, com os pés bem plantados no chão,
até admitíssemos um ou outro contratempo leve
só pra não ficarem os nossos dias
tediosos por demais?
E se fôssemos tão irmãos
a ponto de não haver nenhum interesse
em nada que não fosse para o bem do outro?
E se, 'hipoteticamente', nada disso fosse possível,
e nós aceitássemos que somos apenas humanos
sujeitos a todos os percalços de nossa condição,
inclusive descobrir que não temos culpa?
Sentiríamos, então, um tanto de alívio
das dores todas do mundo?
01.12.09 - 21h11min
*E não serão todas as mortes, tragédias?
**Foto: Instalação na 7ª Bienal do Mercosul - Porto Alegre - 07.11.09
Nascer
Poesia é a cor do papel
que registra data e hora
da tua chegada.
As dobras, os rasgos, os amassos,
o tempo que não pára,
os amigos que ficaram
e os que deixaram de ser,
as feridas cicatrizadas,
as abertas, as que nunca deixaram de doer;
as linhas no rosto,
a opacidade nos olhos,
as cãs, as lembranças,
os amores, as lutas vãs.
Tudo isso é vida
e explode na luz de cada dia,
nas novas aventuras
nos novos desejos,
nos outros desenhos de flores
ou de espinhos ou de dissabores,
tanto faz hoje
tanto fez ontem
tanto farei amanhã...
Há muito por fazer...
01.12.09 - 19h
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
HisTórIa
O primeiro dia do mês de dois anos:
debaixo dos laranjais
um pequeno e triste príncipe mascarado
e um suco ácido de mistérios insolúveis
desvendados aos poucos
feito embrulho de presente desejado
em noite de Natal feliz.
Os espelhos e os espinhos
as certidões amareladas
pontes distanciadoras
de frágil papel poético...
e as descobertas dos risos soltos
na tua boca séria de homem maduro...
as madrugadas não percebidas
os conceitos os livros os fatos
que criaram vida assim
meio sem querer
(foi sem querer?).
O primeiro dia do mês de dois anos.
Foi assim...
Assim haverá de ser?
30.11.09 - 23h33min
*Quase o dia primeiro do ano dois. Feliz aniversário!!!!!!!
debaixo dos laranjais
um pequeno e triste príncipe mascarado
e um suco ácido de mistérios insolúveis
desvendados aos poucos
feito embrulho de presente desejado
em noite de Natal feliz.
Os espelhos e os espinhos
as certidões amareladas
pontes distanciadoras
de frágil papel poético...
e as descobertas dos risos soltos
na tua boca séria de homem maduro...
as madrugadas não percebidas
os conceitos os livros os fatos
que criaram vida assim
meio sem querer
(foi sem querer?).
O primeiro dia do mês de dois anos.
Foi assim...
Assim haverá de ser?
30.11.09 - 23h33min
*Quase o dia primeiro do ano dois. Feliz aniversário!!!!!!!
P&B
As minhas cores são duas
a que eu mesma me pinto
e a que me bordas
quando esses teus olhos tristes
'cuidam' de mim...
30.11.09 - 21h38min
Ponto com
O charme de um ponto no escuro
é a linha que não sabe onde esconder
é o fundo do encontro no muro
é o princípio que procura prever.
O oposto da ponta da lua
é a coberta de brilhos do amanhecer
é a proposta que já não existe
é a insistência que deseja obter.
O particípio passado presente
é o que inexiste na dança da vida
na gota de destino embaçado
embaralhado no sangue da sina
que pulsa
que pulsa
que pulsa
que inferniza
o raio da estrela
que se eterniza
nesses teus olhos tristes...
30.11.09 - 21h03min
*Foto: Obra exposta na 7ª Bienal do Mercosul - Porto Alegre - 07.11.09
Crise
Tenho crises criativas
ao contrário do comum
suo poesia em versos
invento canções e desenhos
desdenho da ilusão.
Qualquer frase é um bom motivo
pra montar outra emoção
desfaço interjeições
enfrento objeções
enfeito um céu nublado
de flores e capins.
Sou outra e outra pinto
mulheres nuas
cavalos marinhos
fatos de cetim.
Flutuo sobre seda
sinto frio bem no começo
vela acesa permaneço
componho linhas de algodão.
Tenho crises criativas
vidas próprias dentro em mim
luzes, luas, veraneios
e tecidos cor carmim.
30.11.09 - 20h17min
*Rimas são crises!
Ferros são escadas de sins...
ao contrário do comum
suo poesia em versos
invento canções e desenhos
desdenho da ilusão.
Qualquer frase é um bom motivo
pra montar outra emoção
desfaço interjeições
enfrento objeções
enfeito um céu nublado
de flores e capins.
Sou outra e outra pinto
mulheres nuas
cavalos marinhos
fatos de cetim.
Flutuo sobre seda
sinto frio bem no começo
vela acesa permaneço
componho linhas de algodão.
Tenho crises criativas
vidas próprias dentro em mim
luzes, luas, veraneios
e tecidos cor carmim.
30.11.09 - 20h17min
*Rimas são crises!
Ferros são escadas de sins...
Prisma
Tudo depende do ângulo
com que teus olhos vêem
o que está exposto ou o que se esconde.
Depende do quanto pretendes ver
ou do que gostarias
e daí as fantasias
e os desejos sem porquês.
Depende da forma com que buscas
e do lado em que estás
se estás dentro, vês de um modo,
se fora estás, talvez nem vejas
ou tua visão seja tão nítida
que nada se poderá esconder de TI.
Se o ângulo te for generoso
talvez vejas o belo
sob ou sobre o difuso.
Se houver menor valia
talvez o problema sejam os olhos
e não o objeto que se divisa
entre os outros milhares dispostos
ante o teu olhar atento
que vê
e às vezes silencia...
(nem por isso menos propenso
ao engano).
Cuidado com o ângulo...
30.11.09 - 19h33min
com que teus olhos vêem
o que está exposto ou o que se esconde.
Depende do quanto pretendes ver
ou do que gostarias
e daí as fantasias
e os desejos sem porquês.
Depende da forma com que buscas
e do lado em que estás
se estás dentro, vês de um modo,
se fora estás, talvez nem vejas
ou tua visão seja tão nítida
que nada se poderá esconder de TI.
Se o ângulo te for generoso
talvez vejas o belo
sob ou sobre o difuso.
Se houver menor valia
talvez o problema sejam os olhos
e não o objeto que se divisa
entre os outros milhares dispostos
ante o teu olhar atento
que vê
e às vezes silencia...
(nem por isso menos propenso
ao engano).
Cuidado com o ângulo...
30.11.09 - 19h33min
domingo, 29 de novembro de 2009
Estabilidade
Pé ante pé componho meu caminho
mudo de direção e amplio horizontes
diária e meticulosamente
como quem realiza complicadas cirurgias.
Mudo a todo instante
novos interesses somam-se aos antigos
não jogo fora nada
não descarto outros motivos.
Talvez essa gana de novidades
esse instinto de conhecimentos vários
precise dessa tua estabilidade
que me mantém no prumo;
sem ela, provavelmente, eu me perderia
na interminável teia de inesperados.
Tua permanência mantém meus pés no chão.
E é assim que deve ser....
29.11.09 - 16h37min
*Obrigada por essa tua resistência às mudanças
O nome
Um nome pesa na balança
da pequena importância.
Um nome que não alcança
nem mede, nem mostra
o tanto do tamanho do dono
que se ri da pequenez do valor
das cinco letras e de todas as que vem depois.
Um nome que significa 'alegre',
alcunha desses teus olhos tristes.
Ainda assim,
se eu fosse escolher como te chamar
esse teu nome seria o ideal
não por te definir
mas por ser teu
e meu
desde que escolheste
ficar por aqui...
29.11.09 -2h15min
*Cais do porto - Porto Alegre - 07.11.09
Pq esse teu nome alegre
mora num homem que gosta de chuva...
sábado, 28 de novembro de 2009
Céu de poesia
Um céu de poesia
nesse meu triste abraço
de diamantes amanteigados
de supostas previsões enriquecidas
de ligeiras passadas paradas no tempo.
Esse mesmo tempo
que voa
que vira
que invade a distância
e aumenta a diferença.
Um céu de poesia
sobre o tempo azul
que me arrasta
pra longe?
28.11.09 - 20h33min
*Foto: O firmamento; Bento Gonçalves, em out./09
*Foto: O firmamento; Bento Gonçalves, em out./09
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Eu gosto...
das contradições
dos avanços
dos acasos.
Eu gosto das consequências
das reentrâncias
das existências.
Eu gosto do que não há
nas aparências,
dos banhos de lua,
de sol,
de estrelas.
Eu gosto dos sonhos
e das sensações fartas,
das histórias inventadas,
dos inversos,
dos infinitos,
dos palavrórios,
da pronta entrega
e dos períodos de ansiosa espera.
Eu gosto das vozes
às vezes audíveis.
Eu gosto das peles escuras
dos muros
e das portas nos muros
e das pedras soltas dos muros.
Eu gosto de bandejas
e do sono das manhãs,
das lentes coloridas
e da mordida na maçã.
Eu gosto de magia
de espelhos
e de cabelos curtos.
Eu gosto de caixas, bolsas e sedas,
do gosto de hortelã, frutas e beijos,
de relógios e livros e escadas,
de brilhos escondidos e cantos e orvalhos.
Eu gosto de carvalhos e pinheiros e gramas.
Eu gosto de presentes e papéis e sussurros.
Eu gosto dos riscos
e de correr riscos
e de assumir riscos
e de arriscar assuntos que desconheço
só pra aprender o que não sei.
Eu gosto do quase nada que sei...
27.11.09 - 23h27min
*Cais do porto, Porto Alegre, 07.11.09
dos avanços
dos acasos.
Eu gosto das consequências
das reentrâncias
das existências.
Eu gosto do que não há
nas aparências,
dos banhos de lua,
de sol,
de estrelas.
Eu gosto dos sonhos
e das sensações fartas,
das histórias inventadas,
dos inversos,
dos infinitos,
dos palavrórios,
da pronta entrega
e dos períodos de ansiosa espera.
Eu gosto das vozes
às vezes audíveis.
Eu gosto das peles escuras
dos muros
e das portas nos muros
e das pedras soltas dos muros.
Eu gosto de bandejas
e do sono das manhãs,
das lentes coloridas
e da mordida na maçã.
Eu gosto de magia
de espelhos
e de cabelos curtos.
Eu gosto de caixas, bolsas e sedas,
do gosto de hortelã, frutas e beijos,
de relógios e livros e escadas,
de brilhos escondidos e cantos e orvalhos.
Eu gosto de carvalhos e pinheiros e gramas.
Eu gosto de presentes e papéis e sussurros.
Eu gosto dos riscos
e de correr riscos
e de assumir riscos
e de arriscar assuntos que desconheço
só pra aprender o que não sei.
Eu gosto do quase nada que sei...
27.11.09 - 23h27min
*Cais do porto, Porto Alegre, 07.11.09
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Canção para TI
Canto o sol no horizonte
que se avermelha ao seu pôr.
Canto a lua condizente
os poréns
os retrôs.
Canto o que passou
o que ficou
o que está por vir.
Canto o que voou
e o que haverá de ser.
Canto o começo
e a continuidade;
que o fim não há,
o fim é só um ponto
na vista embaçada
de quem já não quer abraçar.
Canto o que sou
o que soou
o que encontrei
e o que marcou.
Canto o cântico primário
das ninfas e dos absurdos
dos sábios e dos aleijados
das proezas e dos abusos.
Canto o sorriso não dado
e o silêncio não tido.
Canto o que disseste
e o que calaste
na medida exata do teu medo
que eu reconheço
nas tuas continuidades
nas tuas permanências
no teu corte de cabelo sempre igual
(lindo!).
Canto esses teus encantos
e esses tais desalentos;
esses experimentos musicais
nos teus fones inseparáveis;
esses leves conhecimentos
que fui guardando
do tanto que fui tendo
de tudo o que é em TI...
25.11.09 - 01h07min
que se avermelha ao seu pôr.
Canto a lua condizente
os poréns
os retrôs.
Canto o que passou
o que ficou
o que está por vir.
Canto o que voou
e o que haverá de ser.
Canto o começo
e a continuidade;
que o fim não há,
o fim é só um ponto
na vista embaçada
de quem já não quer abraçar.
Canto o que sou
o que soou
o que encontrei
e o que marcou.
Canto o cântico primário
das ninfas e dos absurdos
dos sábios e dos aleijados
das proezas e dos abusos.
Canto o sorriso não dado
e o silêncio não tido.
Canto o que disseste
e o que calaste
na medida exata do teu medo
que eu reconheço
nas tuas continuidades
nas tuas permanências
no teu corte de cabelo sempre igual
(lindo!).
Canto esses teus encantos
e esses tais desalentos;
esses experimentos musicais
nos teus fones inseparáveis;
esses leves conhecimentos
que fui guardando
do tanto que fui tendo
de tudo o que é em TI...
25.11.09 - 01h07min
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Cuida de mim
Lá não é tão difícil
doem as pontas dos dedos
como a saudade;
e a gente resiste.
Demora nascer
demora tocar
outras canções
outros mitos demoram
demoram outras ilusões.
Meus alívios são milésimos de segundos
milhares de mortíferos desesperos
paralisados por breves instantes
(os mesmos em que calas,
enquanto cuidas de mim...).
24.11.09 - 23h03min
doem as pontas dos dedos
como a saudade;
e a gente resiste.
Demora nascer
demora tocar
outras canções
outros mitos demoram
demoram outras ilusões.
Meus alívios são milésimos de segundos
milhares de mortíferos desesperos
paralisados por breves instantes
(os mesmos em que calas,
enquanto cuidas de mim...).
24.11.09 - 23h03min
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Escolha
Pintei um acorde no violão
assoviei a sombra do dia
desestabilizei a presença
de quem não está, mas é.
Arrepiei a pele do pêssego
assumi a pele de cordeiro
arranquei a pele do sopro.
Amei.
23.11.09 - 21h33min
assoviei a sombra do dia
desestabilizei a presença
de quem não está, mas é.
Arrepiei a pele do pêssego
assumi a pele de cordeiro
arranquei a pele do sopro.
Amei.
23.11.09 - 21h33min
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