quinta-feira, 3 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ensayo para el fin del mundo

La lengua no se levanta

para la invocación

el pensamiento reune

la ceniza más allá del tiempo

y todo el silencio y todo el olvido

rastro boquiabierto, todo lo llena

un vacío por el que conjuro

despliega su luz





Un buen día reviven las palabras, se vuelven

por un camino sinuoso y simultáneo, corren

bajo el agua y sobre la superficie

aliento





La invocación cruza en sombras a la noche, y no hay luz

ni hay raíz ni fuego y ni hay palabra que no se encienda





Al final del mundo, al final, sólo un ensayo

un otro comienzo que, lenta y pausadamente

se repite desde siempre





Y al principio es la palabra del corazón

impregnada de su claro magnetismo

y al principio (tomado del final), la palabra

que se alza silencio en el silencio, callada





luminosa





interior
 
 
 
 
 
 
 
Roberto Amezquita
02.06.2010

Todo dia

O futuro que te guarda
visita o passado onde te espero
de olhos abertos
e suaves lábios de beijo.
Tuas sobrancelhas
o brilho nos teus olhos
as mãos que tocam as cordas
da preciosa guitarra
tudo me planta sorrisos
n'alma plena de desejo.
Rasgar as madrugadas
eu no teu ontem
tu no meu amanhã
juntos no espaço mágico
inventado por um gênio
graças ao qual trançamos os laços
que tão fortemente nos colam
eu ao teu peito
tu à minha vida
independente de tempo verbal
ou ponteiro de relógio
ou impossibilidades
ou curvas de espaço.
Um no outro
somos.
Ontem
hoje
amanhã
eu, tua.
Pra sempre.






02.06.2010 - 01h13min
Longe? Mais perto que nunca.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dormência

Risco de giz as oposições a que me submeto
um lento desperdício de escolhas
assoalhos gastos na calçada da fama
tranças de equilíbrios nas poeiras das ruas.
Paradeiro de corpos comentados
executivas discussões salgadas
e tuas mensagens no meio das frases
gotas de fogos de artifício nas minhas manhãs.
Veneno e antídoto na saliva do sonho.
Meu dom é ver-te a alma
e nela embalar meu livro
de contos fantásticos
e de crônicas vistas.
Visito teus segredos
desconto os não-ditos
e os digeridos conselhos
nas janelas dos meus dias.
Adivinho.







31.05.2010 - 22h

Viajante

Nas curvas das horas
teus passos chegam cinco antes
enquanto os meus se arrastam
do lado de cá do Oceano.
Teu relógio não se ajusta
ajuíza minhas vontades
e derrete o fio do tempo
que assume proporções diversas.
Fina seda de vento soprado
pelas veias onde corre teu nome.
Duas sílabas douradas
entremeadas aos meus versos
nós de marinheiro no deserto
dessas mesmas horas
sedentas de ti.
Te espero.




31.05.2010 - 20h44min

ENSAIO PARA O FIM DO MUNDO

I

Se os finais entrelaçam os dedos

Dos começos adivinhados

Intencionalmente previstos

De crateras e cortes e poemas pela metade

Ou inteiras alegrias

Sonhadas ou vividas páginas

Divididas em explosões de dúvidas

E um sem número de ilusões

Não há fim, se mundo não houver

E de quantos mundos se precisa

Para construir um começo

Que dure o suficiente

Pra dizer que foi feliz

Mesmo depois que se tiver esvaído

Pelos vãos da proximidade

Com o que se desconhece?

Andar sobre as águas

E molhar a ponta da língua

No dia que jamais vai nascer

Feito anjo decaído

D’algum sobrevivente planeta outro

Escancarado de resvalos

E ditos sonâmbulos.

O fim do mundo promete

Tudo o que nada expõe

Nada que não tenha sido tentado

A salvação mutante

Do que já não existe mais.



II

Se hoje o mundo findar

Meu espelho quebrado

Sem partes encaixadas delicadamente

Nas centenas de possibilidades

Que eu não consigo contar

Estarei exausta de vida e de espera

Nas névoas conquistadas de anéis coloridos

dos caminhos que eu não conheci.

São vagas as horas últimas

Da contagem regressiva

Em que as maravilhas melódicas

Da rouca voz amanhecida

Nas afiadas presas da liberdade

Cantam composições tuas

Que encantam meus ouvidos

E prometem favorecer as probabilidades

De haver amanhã

Depois que o fim dobrar a esquina

E não houver outra chance

Além de reconsiderar.



III

Explodem estrelas

Pra recomeçar a vida

D’algum inesperado ponto.

Um porto conquistado desde os mais remotos

Extremos da terra

Talvez dez mil quilômetros

Transfigurados em milímetros

Depois da grande erupção.

Vida na lava ardente

Microscópica diferença

Ensaiada no espaço vazio

Entre um ato e outro da grande peça

Sem platéia nem improviso algum.

O fim do mundo é o começo de alguém...






30.05.2010 – 20h26min
Aí, Roberto Amezquita,
futuro Prêmio Nobel de Literatura,
 Simone promete, Simone faz...rs





sábado, 29 de maio de 2010

Do que há em mim*

Sou tudo e mais um pouco.


Além do que se pode entender.

Aquém de quem eu gostaria de ser.

Sou prata da casa e

casaca virada no quintal deserto.

Sou esposa e amante.

Sou espinho e razão.

Sou nada e menos um pouco.

Alimento de fera

e ferida exposta de verão.

Sou voz presa na garganta

e garganta seca

pendurada no cabide do dia

inda não nascido

sem a menor previsão.

Sou ponta de iceberg

e oceano revolto

bem no meio de florestas tropicais.

Sou neve e sorvete de uva.

Sou folha de plátano

voejante de amareladas resistências.

Sou o que nunca pensei

penso quem nunca fui

e talvez quem jamais serei.

Sou a repetição da imagem perdida

e a perdição na esquina de luz

que o sol acendeu

depois de ascender a alma

nas conchas das mãos do amor.

Sou eu e ninguém mais além de mim

na caixa que eu chamo de corpo

e que abriga dentro

misturados a tudo o que vivi

minha filha e meu homem

desde antes

e pra muito além

de tudo o que existe

e de tudo o que haverá de ser.



29.05.2010 - 16h
*Da Série SOBRE QUEM SOU

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ex-vi*

*Por força, por efeito, por determinação expressa.

 
Os astros atravessam as luzes
das preocupações de ontem
cortina transparente de imprevistos
as possibilidades invadem a ruga da testa
e plantam planos de orvalho
nas sementes do amanhã.
Considero inoportunas minhas contradições
e impressões de assuntos aleatórios
substituo as feridas antigas
pelo sorriso do alívio presente.

Por força do destino
encontro teu sotaque
e a tormenta termina.

Alimento.



28.05.2010 - 22h

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eric Clapton



http://www.youtube.com/watch?v=bt2qBm4qS4w






'...want you to be my forever woman,
and I´ll try to be your forever man...'





26.05.2010 - 02h
Para 'Florentino Ariza'
* foto copiada do seguinte endereço
http://seocraudio.files.wordpress.com/2008/05/deuses-da-guitarra-capa.jpg

terça-feira, 25 de maio de 2010

Consummatum est

Nas contas dos olhos
trago duas bolas de cristal
uma me lembra o passado
as duras penas que aprendi
e o mais sutil sinal
de que tudo anda bem
ou de que algo vai muito mal.
A outra prevê o futuro
com base na que do lado de cá, vê.
E é supreendente como
se encaixam na mesma linha
os fios da tênue fumaça lilás.
E é compreensível que eu evite
de quando em vez
de vez em quase sempre
entender o que já é certo
que irá acontecer.
Um olho me mostra o que já houve
o outro, o momento repetido.
Cordão diferente
no mesmo abismo
caído.
Um olho sabe como tudo termina.
Conhece o começo
identifica os primeiros presságios
sabe onde cada passo vai dar.
O outro finge que não percebe
a asa se desprender
o fio das entrelinhas se arrebentar.

Meus olhos sabem
o que o fogo não queima
o que é impossível salvar.
O olho do futuro
baseado no olho direito
espera o momento certeiro
pra tristeza suportar.


(Até lá
nenhuma dúvida.
Tudo azul.
Pari passu.

Se o amanhã
a Deus pertence
que sirva pra eu entender
que consumado está...)





25.05.2010 - 03h25min



domingo, 23 de maio de 2010

A pedido

















23.05.2010 - 15h20min

'E hoje é outro dia'*

Ontem falei de ciência e tecnologia
de acessibilidade, de sexo e poesia.
Falei de saudade e de justiça
de destino, de religião e de feitiço
fui fã e entusiasta da sabedoria.
Entendi que não é a noite que vai embora
mas o sol que se aproxima.
Desejei que algumas coisas voltassem
e agradeci por outras eu ter perdido
ou sequer terem sido minhas.
Ontem eu ri com vontade
não tive sono nem fadiga.
Jamais imaginei que da vida
de um futuro Prêmio Nobel
eu participaria.
Ontem nenhum céu foi  limite
e as frases feitas, sempre repetidas,
perderam o efeito e foram substituídas.
A Idade Média mandou um aceno
e os anos idos algumas coisas esclareceram.
Ontem comi aspargos
dancei flamenco
misturei idades, cores e sentimentos
fui guria, messalina e confidente
fui amiga e dançarina de cabaret
com um tango preso aos meus pés.
Mas isso foi ontem...

E hoje...
já é outro dia....





23.05.2010 - 14h10min


Eu amo tudo o que foi
tudo o que já não é
a dor que já não me dói
a antiga e errônea fé
o ontem que dor deixou
e o que deixou alegria
só porque foi e voou
e hoje já é outro dia.

(Fernando Pessoa)

Modo de vida

Poetar é dolorido ofício
maior que o mais torturante vício
o olhar poeta em tudo vê
tridimensionais versos
que ele precisa escrever.
A ciência é um motivo
a risada, outro bom
o prazer, a tristeza, a solidão
a História, talvez,
tudo dança em versos soltos
não importa se com ou sem conexão.
O alquímico olhar do poeta
transforma absolutamente tudo
em douradas e ritmadas bolhas de sabão.




23.05.2010 - 13h15min

sábado, 22 de maio de 2010

Noturna

N'algum lugar eu li
e assim estava escrito
'você não pode perder
o que nunca foi seu'
vai ver por isso não durmo
o sono é a conquista diária
de todos quantos pertencem a este mundo
eu, nem deste nem d'outros,
órfã direta de minha própria existência
a noite não embala meus sonhos
nem pré requisito é
para meu merecido descanso.
É nas asas da manhã
que acomodo a cabeça
vazia, então, de tudo o que penso
ou pensa ou realiza, uma terceira
que não eu mesma, que me habita.
O sono da noite eu não tenho.
Nunca foi meu.
Talvez nunca o seja.






22.05.2010 - 03h44min

Sobre quem ainda sou...

Eu sou o caos
e o cais do porto vazio de quinquilharias.

Eu sou o grito preso na garganta

e a garganta da serpente sedenta de sangue.

Eu sou o que ontem não fui

e o que o amanhã me reserva

nas tavernas desertas d'outros tempos idos.

Eu sou naufrágio e solstício.

Sou o que de mim não dizem

e o que de mim escondo

nas vielas sortidas de bêbados e prostitutas.

Eu sou letra rabiscada

em guardanapo de bar ordinário

e olho de vidro na vidraça da soleira da porta fechada.

Eu sou vertente de inconfessáveis desejos

e pulgas e percevejos na pele da vida.

Eu sou o que incomoda e o que acomoda

a lente de contato em primeiro grau

da queimadura que o fogo não fez

mas que deixou marcas

antes de desaparecer.

Eu sou o que não se explica

muito menos o que se assume

ou o que se espreita por trás das janelas fechadas.

Eu sou solidão desde que nasci

e assim serei  até morrer.

Inteira.
 
 
 
 
 
 
 
22.05.2010 - 03h15min

Atitude

Escrevo no escuro
no meio da noite que devora
a luz dos meus olhos acesos.
Escrevo à caneta
na agenda vazia de segredos.
Risco as letras que não me cabem
e os pensamentos que me assaltam
são meio confusos
facas quebradas ao meio
que cortam os malabares
que eu não uso.
Escrevo pra espantar a insônia
mas ela me sacode
e me obriga a dividir com ela
meus mais fortes sustos.
Escrevo meu livro da vida
quando já ninguém me ouve
nas horas silenciosas de ontem
de hoje, de amanhã, de depois de amanhã,
quando tudo já é diferente
quando a dor do parto
já está esquecida.
Escrevo do jeito antigo
revisando as pronúncias
revistando as gavetas
revisitando os fantasmas
presos nas garrafas de sorvete.
Escrevo os ventos outonais.
Divido comigo mesma
 os direitos autorais
quando me leio
à luz do dia que eu começar.
Então boas-vindas dou ao sono.
E escrevo.
Dormito.







22.05.2010 -  02h34min

Acredito na cura de todos os males
e no poder de destruição dos males
e na permanência do mal.
Acredito no poder de transformação do amor
e na capacidade de amar
e na continuidade do sentimento puro
por mais que isso pareça impossível.
Acredito no resgate da esperança
ainda que haja milhares de desesperados
e milhões de motivos para desistir.
Acredito em milagres.
Acredito no fôlego que nasce todos os dias
seja em que condições forem
mesmo que só a morte o rodeie.
Acredito na amizade.
Essa mesma cheia de defeitos e dificuldades.
Essa mesma manchada de impertinências e dores.
Acredito na vida.






22.05.2010 - 01h18min

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ainda

Quanto tempo ainda
antes que a acidez facilite
a flacidez dos sentidos?
Quanto tempo ainda
té que que se salvem
os restos dos imortais
pendurados nas paredes
da biblioteca vazia?
Quanto tempo ainda
antes que as funestas previsões
destruam os degraus de votos
de saúde permanente e deslizes?




21.05.2010 - 05h51min

Sandice

Movo as peças que me cabem
como se outra eu fosse
me vendo de fora de mim.
Falta-me o limite
do que sobra no absurdo.
Os pensamentos nascem sozinhos
fertilizados por uma gota de veneno.
A morte seria um bom argumento
não fosse a força da vida
que me obriga a furtar o instante
das mãos da insone noite tida.
Arranjo um outro intervalo
intercalo períodos delirantes
de puro fastio e demência.
Ensandeço-me.




21.05.2010 - 5h28min