quarta-feira, 9 de março de 2011
Araucárias
Nas tuas pastas
insones pontos de fusão
de pretéritos mais que perfeitos
alcançados por presentes indicativos
sem outra causa
além da descoberta
do que sempre esteve ali
camuflado de leve afeição.
Esses teus olhos
colibris ligeiros
diluem-me as pálpebras escuras
e pintam nelas retornos bem-vindos
de conversas e longas silhuetas
debaixo dos pinheiros
que ainda estão lá
como tudo o que ontem esteve
e permanece.
Traços de nós dois
araucárias...
09.03.2011 - 18h30min
Araucárias - desenho "dele"
domingo, 6 de março de 2011
Rutilar
Imagens pintadas a tinta
alusão à proximidade
que desenha teus traços
misturados aos meus.
Riscas perfumes
soprados por virgens
aves presentes
voejantes suspiros
teus olhos,
minhas mãos,
nossas sementes.
06.03.2011 - 01h25min
*Enquanto voltavas pra casa,
depois de estarmos juntos...
sábado, 5 de março de 2011
Vênus ama Marte
De bandeja, o mote planetário...
Diferenças à parte
os passos de dança enchem o espaço
pontilhado de estilhaços e fibras
regeneram os cortes
aproximam os nervos
enrijecem os membros
destroem saudades
Vênus desnuda
músculos à mostra
encosta em Marte vermelho
encouraça.
Se os astros enxergam
fazem olhos cegos
ouvidos surdos
disfarçam
Vênus ama Marte
e ele corresponde.
05.03.2011 - 03h21min
*Ilustração: "Não sei" dele, pra mim
** O neto de Marte pincela o mote na tela branca da mais insana das Vênus insones...
5 coisas...
I
Capaz de amar à distância
sustento meus laços
nas mãos da lembrança
dos calores, dos afetos tidos
afeitos às festas das almas
a minha e a tua
juntas, desenhadas e assumidas.
II
As maiores fantasias
que me povoam a mente
dizem de amor feito
em laço estreito
o meu
o teu
juntos, desenhados e assumidos.
III
Assombra minhas noites
o temor da solidão extrema
o medo da falta de coragem
de solitária andar
eu só.
IV
Blefadora profissional
é bem possível que nunca descubram
que de nada eu entendo perfeitamente
mas meto a cara
arrisco palpite
e finjo saber.
Engano bem
no fim.
V
Meu silêncio completo preocupa
matuta minha mente
um jeito, uma forma, um bordão
de cair fora de repente
de quem não me deu
a justa valorização.
05.03.2011 - 02h39min
*Resultado de um desafio, proposto pelo meu amigo e irmão virtual, Fabrício.
Taí, Fabi. Não ficou grande coisa, mas saiu....hehe
**Nesta primeira noite de carnaval, enquanto eu ouço barbaridades
acontecendo na rua, bebedeiras, "viagens", gritarias, cá dentro poeto
com minhas companhias virtuais de hoje: Fabrício e Stênio. De cara limpa
e versos n'alma. Saudavelmente divertido. A poesia pede verbos.
Nós os criamos.
**Nesta primeira noite de carnaval, enquanto eu ouço barbaridades
acontecendo na rua, bebedeiras, "viagens", gritarias, cá dentro poeto
com minhas companhias virtuais de hoje: Fabrício e Stênio. De cara limpa
e versos n'alma. Saudavelmente divertido. A poesia pede verbos.
Nós os criamos.
Vênus
Grafitas teus sonhos
arraigados em nossas vidas
a favor das insônias
as histórias
lentamente escritas
teu lápis desenha-me
as curvas que me desvendas
abençoadas pontas de estrelas
viradas de dias adolescidos
acrescidos d'outros
tão grandes
tão plenos
tão bem vividos
que ouso pensar
m
i
l
a
g
r
e
s
contigo
.
.
.
Aos 49 minutos do dia 05.03.2011
*Ilustração: "Vênus"; dele, pra mim
Nós
Os ponteiros do relógio
os calendários
os anos passados
as juventudes
os destinos traçados
en
tre
la
ça
dos
inda que não soubéssemos
inda que desejássemos
inda que corajosamente
negássemos os fatos
de dentro de Nós
'té que explodíssemos em traços
as minhas linhas
as tuas mãos
as minhas luas
as tuas ruas
convergindo as duas
para o começo
que não houve quando haveria de haver
mas que hoje...
ah...
"essas horas
essas dores"
esse mesmo amor
de que teus versos me dizem bem
ah...
esses dias que descontamos
dos anos subtraídos
por nossas inocências
ah...
esses desenhos
de que teus dedos me dizem bem
ah...
essa tua companhia que não me falha
essa tua memória que me guarda intacta
essa tua presença que não se afasta
ah...
essas canções velhas
essas danças que abraçamos
esse mesmo amor
de que teus versos me dizem bem...
ah...
Nos primeiros 10 minutos do dia 05.03.2011
*Ilustração: Obra "dele", especialmente pra "Nós"
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Transição
Perco-me na cancela
o corredor estreito aperta a cintura fina da noite
e a poesia me oferece o bote salva-vidas.
(A mulher acende um foco de incêndio
na altura do ventre descoberto).
Transcrevo outras linhas
machuco a folha lisa
desobstruo os pontos que me cegam
temo pelos outros
mas não desisto.
Requisito o direito à rasura
rastreio as pegadas
e faço versos
pra contar minhas flores
regadas por teus beijos.
25.02.2011 - 21h
o corredor estreito aperta a cintura fina da noite
e a poesia me oferece o bote salva-vidas.
(A mulher acende um foco de incêndio
na altura do ventre descoberto).
Transcrevo outras linhas
machuco a folha lisa
desobstruo os pontos que me cegam
temo pelos outros
mas não desisto.
Requisito o direito à rasura
rastreio as pegadas
e faço versos
pra contar minhas flores
regadas por teus beijos.
25.02.2011 - 21h
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Afeto
Quase 30 anos depois...
Atos lícitos
abotoados a lembranças
guardadas na caixa
de preciosidades
de outrora.
Renovar ansiedades
as saudades dos dias
orvalhados ósculos
inesquecíveis vidas.
A minha
a tua
à meia noite costuradas
numa praça
vazia de tudo
menos de afetos.
Esses perduram...
24.02.2011 - 19h
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Cançoneta
Mais uma demão
de tinta na noite
pra enfeitar o sono
e inventar palavras
de dizer 'te amo'.
10.02.2011 - 02h
Memória
Ponto exclusivo
específico porto
acerto selado
acelerado posto
todo avesso é versado
composição de começo
corpo
oposição
laço
es-tre-me-ço...
10.02.2011 - 01h54min
específico porto
acerto selado
acelerado posto
todo avesso é versado
composição de começo
corpo
oposição
laço
es-tre-me-ço...
10.02.2011 - 01h54min
Vela
Escorro
cera de vela ardente
derreto-me em substâncias febris.
Vidente
corro
antes que me delire o espaço e
eu seja apenas lembrança
do que tive.
Partes minhas me coram pedaços.
Ardem-me.
Não sobro.
Um sopro me funde contigo.
Um.
10.02.2011 - 01h07min
cera de vela ardente
derreto-me em substâncias febris.
Vidente
corro
antes que me delire o espaço e
eu seja apenas lembrança
do que tive.
Partes minhas me coram pedaços.
Ardem-me.
Não sobro.
Um sopro me funde contigo.
Um.
10.02.2011 - 01h07min
Escancarada janela
À flor dos nervos
a pele dança
a luz acesa
o frio na espinha
a chuva vindo
pingo d'água na calha lenta
dentro
cara limpa
tudo agora
leite fervendo.
Aos 47 minutos do dia 10.02.2011
a pele dança
a luz acesa
o frio na espinha
a chuva vindo
pingo d'água na calha lenta
dentro
cara limpa
tudo agora
leite fervendo.
Aos 47 minutos do dia 10.02.2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Operar
Planar
fugir de estorvos
encruzilhar-se
recuperar os pontos
sustentar as voltas
arrefecer-se
sombrear ausências
deflagrar afetos
aparelhar conquistas
descansar.
06.02.2011 - 16h21min
Valor
Alguns instantes
de tão simples
de tão doces
são tal flores brancas
no vaso transparente
em cima da pia
na casa da "Nona" velhinha
que já não diz coisa com coisa
mas que sabe distinguir
perfeitamente
perfeitamente
margaridas
de
crisântemos.
06.02.2011 - 05h
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Vestimenta
De tons claros
os bolsos
esvaídos de razões
transbordam efeitos
simulam situações
sem chaves
sem documentos
sem propósitos
escoram os cotovelos
nos cantos da pias
meditam impróprias
alucinações
rebentam diques
indicam luas
sabotam escolhas.
Asmangasrasgadasdacamisabrigampeloespaçoabertoqueevitacontatoeespreguiçaachamaacesasobreoabrigo
04.02.2011 - 14h
os bolsos
esvaídos de razões
transbordam efeitos
simulam situações
sem chaves
sem documentos
sem propósitos
escoram os cotovelos
nos cantos da pias
meditam impróprias
alucinações
rebentam diques
indicam luas
sabotam escolhas.
Asmangasrasgadasdacamisabrigampeloespaçoabertoqueevitacontatoeespreguiçaachamaacesasobreoabrigo
04.02.2011 - 14h
No sexto dia, poetou
No sexto dia
amanhecido de vapores e sonolências
bate à porta um não-sei-que
que desmente o dito e o não-dito.
No sexto dia
há vestígios de clemência
suicidados logo ali, onde as colheres tem açúcar
e onde as línguas dizem o que a ninguém atinge.
No sexto dia
as campanhas compram pirulitos e hortelãs
os comportamentos saem das peles,
cobras trituradas em gaiolas frias
pra virar delírio e maçã.
As amarras se soltam
no sexto dia
e eu acordo pra vida:
um punhado de letras
na mão esquerda
na direita, uma palma vazia.
04.02.2011 - 05h
amanhecido de vapores e sonolências
bate à porta um não-sei-que
que desmente o dito e o não-dito.
No sexto dia
há vestígios de clemência
suicidados logo ali, onde as colheres tem açúcar
e onde as línguas dizem o que a ninguém atinge.
No sexto dia
as campanhas compram pirulitos e hortelãs
os comportamentos saem das peles,
cobras trituradas em gaiolas frias
pra virar delírio e maçã.
As amarras se soltam
no sexto dia
e eu acordo pra vida:
um punhado de letras
na mão esquerda
na direita, uma palma vazia.
04.02.2011 - 05h
Insônia II
Pensando bem, devo ter mesmo um pé no outro lado do mundo
quando dormes, acordo em vão
quando durmo envolta em nuvens
teu corpo, descansado, de sol a sol me pune
por não existir contigo.
04.02.2011 - 03h50min
quando dormes, acordo em vão
quando durmo envolta em nuvens
teu corpo, descansado, de sol a sol me pune
por não existir contigo.
04.02.2011 - 03h50min
Apagão
Aqui tem luz
mesmo que a luz apagasse
haveria a lúcida, a límpida claridade
de todas as estrelas...
04.02.2011 - 03h43min
mesmo que a luz apagasse
haveria a lúcida, a límpida claridade
de todas as estrelas...
04.02.2011 - 03h43min
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Simplicidade
Mãos dadas
vento no rosto
abraço apertado
cordão de couro.
Canto de grilo
cadeira no terraço
cadeira de palha
cadeira de balanço.
Bichinho dormindo
motorista sorrindo
café com pão.
O jeito simples, comum, anônimo.
A magia, na quase extinção.
01.02.11 - 15h02min
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Desassossego
*Para TI
Há que se ter boa dose de candura
quando não balançam os galhos das árvores
nem sopra a brisa matutina no bico das aves.
Há que se ter um sabor de chocolate
meio amargo, meio hortelanizado,
enfeite de parede na sala
chave de espera trancada.
Há que se ter um permeio, quase afinidade
por essas coisas simples
do cotidiano de qualquer um:
o balde, o pano, a xícara, o irmão,
o paralelepípedo, a churrasqueira, o sabão,
tudo farinha do mesmo saco de açúcar
que adoça hoje o que virá amanhã.
Há que se ter paciência e pé ligeiro
que os cansados sempre se estressam
e os dispostos sempre se apressam
em dizer das flores e dos versos
e colher relâmpagos e acertos.
Quebram-se, eles: as pernas das mesas,
os pneus das bicicletas, as asas dos aviões,
mas não desistem nem se exasperam
posto terem por princípio
a teimosia e as competições.
Vencem, depois de tudo,
e, num repente, num que sem razão,
correm de novo
à procura d'outro ponto
querendo pura e simplesmente
mais um pedaço conquistado de chão.
31.01.11 - 14h
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