Ganhar não é difícil
mas exige esforço
jogam-se os dados
e os próximos passos
são marcados de mistérios
sem verdade, impossível
sem entrega, improvável
as linhas não garantem
segurança de nenhum lado
té que no meio do deserto
surja o milagre.
04.08.2011 - 21h
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Jogo
Jogo
mas não jogo alto
ando pelas beiradas das regras
recuo alguns instantes
e uso armas-surpresas
de vez em quando
pra não perder de vez a mão
a mão que do outro lado
recua alguns instantes
e usa desconhecidas
artimanhas suspeitas
de vez em quando
pra não perder de vez a linha
conheço alguns movimentos
outros invento
ao longo do campeonato
que pode se estender
por uma temporada inteira
e
se os jogadores tiverem
sorte
astúcia
vontade
repetir a dose
na próxima
enquanto isso eu jogo
mas não jogo alto
vou reconhecendo terreno
descobrindo o adversário
calculando os erros e
as possibilidades de acerto
equilíbrios perfeitos
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
por enquanto
há que reconhecer terreno
avaliar o adversário
considerar as possibilidades de erro
e de acertos
certamente
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
nas mãos dos participantes
o resultado
impactante
por enquanto
empate
04.08.2011 - 17h24min
mas não jogo alto
ando pelas beiradas das regras
recuo alguns instantes
e uso armas-surpresas
de vez em quando
pra não perder de vez a mão
a mão que do outro lado
recua alguns instantes
e usa desconhecidas
artimanhas suspeitas
de vez em quando
pra não perder de vez a linha
conheço alguns movimentos
outros invento
ao longo do campeonato
que pode se estender
por uma temporada inteira
e
se os jogadores tiverem
sorte
astúcia
vontade
repetir a dose
na próxima
enquanto isso eu jogo
mas não jogo alto
vou reconhecendo terreno
descobrindo o adversário
calculando os erros e
as possibilidades de acerto
equilíbrios perfeitos
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
por enquanto
há que reconhecer terreno
avaliar o adversário
considerar as possibilidades de erro
e de acertos
certamente
nas mãos de quem joga
mas não joga alto
por enquanto
nas mãos dos participantes
o resultado
impactante
por enquanto
empate
04.08.2011 - 17h24min
Xadrez
Pontos de linhas cruzadas
costuras alinhavadas em quadros
devagar
perde sentido a couraça
estrada
um passo de cada vez
som de colírio nos ouvidos cansados
sem mestres
ninguém dirige nada
nem nada impede
nem nada empaca
jogo de dama
no xadrez vestido
posto à prova
na dificuldade do nó
que não intimida
desafia.
04.08.2011 - 01h34min
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Atuação
Aparo as pontas quebradas
lixo as arestas
corto as linhas em excesso
traço as próximas metas
meticulosamente
liberto-
-me.
02.08.2011 - 23h04min
Evasão
Foge
desesperadamente evita
os pontos escuros
da rua
foge
a rua
desemboca em beco
migra
esconde a embocadura
foge
alucinadamente pinta
laços obscuros
no lado de lá
íntimo
foge
a fuga espantada
do susto
estampado
na folha tingida
de nada
foge
no lado de cá
lançada a sorte
resulta em fuga
o que hoje me foge.
Como sempre
é minha
a palavra final.
02.08.2011 - 22h23min
Quieta
.
.
.
.
Nada direi
do que nada me resta dizer
falar confunde os termos
silenciosamente
tremo.
.
.
.
.
02.08.2011 - 01h03min
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Interpretação
Eu quero tudo às claras
meias palavras não bastam
vírgulas não revelam
insistentes reticências assustam
o que as metáforas permitem:
entendimentos vários.
Eu quero tudo decidido
saber onde meus pés pousam
entender o que me espera
do outro lado do pântano
e do nebuloso assunto.
Eu quero todas as respostas
antes que venham as perguntas
dentro dessa minha impaciência tanta.
01.08.2011 - 02h33min
meias palavras não bastam
vírgulas não revelam
insistentes reticências assustam
o que as metáforas permitem:
entendimentos vários.
Eu quero tudo decidido
saber onde meus pés pousam
entender o que me espera
do outro lado do pântano
e do nebuloso assunto.
Eu quero todas as respostas
antes que venham as perguntas
dentro dessa minha impaciência tanta.
01.08.2011 - 02h33min
sábado, 30 de julho de 2011
O eterno retorno
(A Persistência Da Memória - Salvador Dali)
Todos os tempos são simultâneos
o futuro se desenrola
nesse exato instante
em que a pena fere a folha branca
na conjunção de um agora com um ontem.
Está tudo aqui, nesse mesmo momento
minha morte, meu nascimento
as escolhas que não fiz
e todos os meus tormentos.
O eterno retorno de Nietzsche
volta sempre para o mesmo lugar
d'onde jamais partira-e-irá.
Todos os tempos
simultaneamente
num mesmo lugar...
30.07.2011 - 13h32min
Liso
Escorrego e quebro a'lma
no ponto exato em que as pernas bambas
exigem direção curta.
Peso e tragédia são muros
de escovas e pinhas
nos galhos das horas
que passam.
Impossível engessar a alma
improvável alcançar a cura.
Resta-me uma ponta intacta
regenerativa...
Pulso.
30.07.2011 - 02h09min
no ponto exato em que as pernas bambas
exigem direção curta.
Peso e tragédia são muros
de escovas e pinhas
nos galhos das horas
que passam.
Impossível engessar a alma
improvável alcançar a cura.
Resta-me uma ponta intacta
regenerativa...
Pulso.
30.07.2011 - 02h09min
Desabafo
Viajo na garganta seca
arranco meu sonho das nuvens
e planto sementes no inferno
onde o fogo suporta-me as crises.
Com força, sigo a linha estreita
dos costumes questionáveis
e das insensatas lutas.
Não abandono meus medos
nem eles desgrudam de mim.
Minha mente sua sangue
desestrutura a simplicidade
complica qualquer instante.
Arrebato restos de salivas
desperdiçadas entre dentes.
Rasgo a ferida.
Aceito o dia.
Permaneço
nua.
Em mim.
Na primeira hora e 37 minutos, do dia 30.07.2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Clareza
Arrasto minhas correntes
afundo os pés na terra
e sinto a dureza do chão
a pedra na janela
acertou-me a testa
sem culpa de ninguém
além da minha própria lama.
Eu
comigo.
Minh'alma descalça
descansa nos arredores do juízo
completamente perturbada.
Raspo os pensamentos
e as intenções que tive
descarto.
Recolho-me aos meus limites
que às vezes esqueço
que às vezes perco de vista
mas finco as estacas com força
té que outro vento me cegue.
Por enquanto me protejo.
Eu
comigo.
29.07.2011 - 23h38min
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Descrição
Eu gosto de dias claros
e roupas com cheiro de Sol
de luz natural
de primavera em flor.
Eu gosto de riso espontâneo
e de lágrima de emoção.
De campo, mato e cidade grande
cada um com seu encanto, lamento e confusão.
Eu gosto de dormir de conchinha
e de banho de mangueira na praia,
chantilly, gelo seco, manta uruguaia.
Eu gosto de fruta madura, toque de sino e sinal de fumaça.
Eu gosto de Tai Chi, arroz com feijão e mudança,
elevadores, cavalos e cães sem raça,
pinhão, batata doce e mel
e de estrelas coloridas, bordando o céu.
Eu gosto de quem acredita
de quem tem coragem
de quem segue a verdade
ainda que diferente da minha.
Eu gosto de gente bem resolvida
de quem não mente a idade
de experimentos gastronômicos e Arte.
Eu gosto de gente tímida
e de gente ousada
- mas só se for além da conta.
Eu tenho pena dos desesperados
e raiva dos injustos.
Eu fujo dos fracos e atraio bêbados.
Eu creio na infinitude
e gosto de acordar tarde.
Eu amo viagens
e vagens e fuligens.
Eu sou todas as miragens...
27.07.2011 - 12h03min
terça-feira, 26 de julho de 2011
Espólio
cravado na minha pele clara
o sangue escorrido tinge a folha
e sobre ele desenho palavras.
Assim me doo
assim me doem as letras
a ferro e fogo arrancadas
a fórceps
no parto das madrugadas.
Minha poesia não tem a beleza da rima
cuidadosamente esfarinhada
pincelada a ouro
e dedilhada em violão afinado.
Não.
É manca a minha estrofe.
Coroa de pontiagudas foices
machucada de algodão
e grita
entre os dentes da caneta
grita
na face do papel
grita.
Minha poesia espezinha tudo
a rima
a métrica
o jugo
de ter perfeito ritmo
e coisa e tal.
E finca a faca
no olho maldito
que exige clemência
sem dar nó na garganta da lua
que brinca de clichês
e outros ques notórios
enquanto de mim
não é verbo que nasce
mas vida que escorre
vermelha de medo e vergonha
de tanto ser pequena
na'scuridão da noite fria.
Minha poesia é putrefato despojo.
Sobre o túmulo dela
uma lápide vazia.
Nada havia
a dizer
nada via...
26.07.2011 - 04h34min
Bah noite
Recolho-me à minha insignificância.
Versos travesseiram-me.
Atravessam as 4 horas que se esvaem em pedaços de vírgulas nos instantes.
Vou pela sombra.
Refaço o caminho da vinda.
A vinha afoga o lenço arrastado.
O sonho que não enraizou-se.
O lance de escada que não deu o primeiro passo
o primeiro invento
o primeiro pedaço de luz.
(Caco de espelho)
Que não deu a trégua que eu precisava.
Voo.
26.07.2011 - 04h12min
Versos travesseiram-me.
Atravessam as 4 horas que se esvaem em pedaços de vírgulas nos instantes.
Vou pela sombra.
Refaço o caminho da vinda.
A vinha afoga o lenço arrastado.
O sonho que não enraizou-se.
O lance de escada que não deu o primeiro passo
o primeiro invento
o primeiro pedaço de luz.
(Caco de espelho)
Que não deu a trégua que eu precisava.
Voo.
26.07.2011 - 04h12min
Embuste
Indago se me basta
um hoje raso.
Voos interrompidos
buscas com dia e hora
pra despedir os aplausos.
O vale reflete meus desejos e o Sol aquece o grão da uva inda nem nascida.
São longas as madrugadas em que vejo escoar-se de mim o que não houve.
Indago se me soa suficiente
um hoje exausto.
Fatos insistidos
bruscas linhas e honras
pra alimentar os instintos.
Os vãos engolem meus silêncios e a Sombra esquece a língua inda não inventada.
São negras as madrugadas em que, cega, tento desvencilhar-me das teias do que não tive.
Resvalo pelo que me esconde a essência.
Traduzo porões. Engulo cicatrizes. Repito erros. Disperso-me, feito estátua de mercúrio.
Uma palavra me perde. Um juízo. Uma cruz. E os limites me alcançam, famintos.
Sou água, escorrida na semente. Não brota ela. Broto eu, no sangue do dia. Todos os dias.
Vertente invertida.
Eu, aquela que ardia.
26.07.2011 - 03h54min
um hoje raso.
Voos interrompidos
buscas com dia e hora
pra despedir os aplausos.
O vale reflete meus desejos e o Sol aquece o grão da uva inda nem nascida.
São longas as madrugadas em que vejo escoar-se de mim o que não houve.
Indago se me soa suficiente
um hoje exausto.
Fatos insistidos
bruscas linhas e honras
pra alimentar os instintos.
Os vãos engolem meus silêncios e a Sombra esquece a língua inda não inventada.
São negras as madrugadas em que, cega, tento desvencilhar-me das teias do que não tive.
Resvalo pelo que me esconde a essência.
Traduzo porões. Engulo cicatrizes. Repito erros. Disperso-me, feito estátua de mercúrio.
Uma palavra me perde. Um juízo. Uma cruz. E os limites me alcançam, famintos.
Sou água, escorrida na semente. Não brota ela. Broto eu, no sangue do dia. Todos os dias.
Vertente invertida.
Eu, aquela que ardia.
26.07.2011 - 03h54min
Obtuso-me
Invado devagar
devagar salvo as palmas
devagar não vou
fico.
Arrisco muito
quase tudo
e muito me afasto
quase de todo
no instante seguinte.
Não agrido
repito devagar
ao vagaroso ouvinte
o silêncio que petrifico.
Afundo
o beco.
Rasgo a hora.
Licencio a pergunta.
Mas a resposta não.
São redondas as pilhas de acertos
que eu não fui.
Estremeço e adiante sigo.
Eu
comigo.
26.07.2011 - 03h23min
devagar salvo as palmas
devagar não vou
fico.
Arrisco muito
quase tudo
e muito me afasto
quase de todo
no instante seguinte.
Não agrido
repito devagar
ao vagaroso ouvinte
o silêncio que petrifico.
Afundo
o beco.
Rasgo a hora.
Licencio a pergunta.
Mas a resposta não.
São redondas as pilhas de acertos
que eu não fui.
Estremeço e adiante sigo.
Eu
comigo.
26.07.2011 - 03h23min
Coleção
Coleciono palavras
intrusos vocábulos
substantivos vários.
Nos vãos dos espelhos
autorizo as frases
e adapto os dizeres.
Choro fácil
de lágrimas engolidas a custo.
Fácil rio
e amontoo vírgulas
misturadas a letras
matizadas de sal.
Coleciono palavras
nos olhos
nas pontas dos dedos
na saliva
nos ditos perdidos
e nos que não dou.
Só pra provar
quem manda
eu sou...
26.07.2011 - 02h43min
intrusos vocábulos
substantivos vários.
Nos vãos dos espelhos
autorizo as frases
e adapto os dizeres.
Choro fácil
de lágrimas engolidas a custo.
Fácil rio
e amontoo vírgulas
misturadas a letras
matizadas de sal.
Coleciono palavras
nos olhos
nas pontas dos dedos
na saliva
nos ditos perdidos
e nos que não dou.
Só pra provar
quem manda
eu sou...
26.07.2011 - 02h43min
Encruzilhada
o mundo já não gira
vira a cabeça de lado
lança os ventos nas vestes
cambaleia nos sobrados
o mundo dá cambalhotas
meu corpo fechado anuncia a hora
agora tudo à volta importa
as portas abertas são livres
as liberdades, proféticas
o mundo abre as asas
canta no alto das árvores
e abraça as ruas estradas e trilhas
que eu não abri
no meio da encruzilhada
descubro um mundo
que não sei
26.07.2011 - 02h20min
vira a cabeça de lado
lança os ventos nas vestes
cambaleia nos sobrados
o mundo dá cambalhotas
meu corpo fechado anuncia a hora
agora tudo à volta importa
as portas abertas são livres
as liberdades, proféticas
o mundo abre as asas
canta no alto das árvores
e abraça as ruas estradas e trilhas
que eu não abri
no meio da encruzilhada
descubro um mundo
que não sei
26.07.2011 - 02h20min
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Abertura
E se as palavras aliviarem
a insistente tristeza instalada
alcançaremos enluarada vitória
entre as conchas das mãos espalmadas.
E se os risos forem constantes
e as condições permanentes
talvez vejamos nascer uma chance
de fazer com que tudo seja diferente.
Rimas, orvalhos, defeitos
confessos ou não nas letras
nos desenhos estrelados
ou ventos soprados nas janelas
plantados nuns versos devassos.
Eu planto sementes
tu decides se elas vingam...
Ou não...
25.07.2011 - 02h38min
a insistente tristeza instalada
alcançaremos enluarada vitória
entre as conchas das mãos espalmadas.
E se os risos forem constantes
e as condições permanentes
talvez vejamos nascer uma chance
de fazer com que tudo seja diferente.
Rimas, orvalhos, defeitos
confessos ou não nas letras
nos desenhos estrelados
ou ventos soprados nas janelas
plantados nuns versos devassos.
Eu planto sementes
tu decides se elas vingam...
Ou não...
25.07.2011 - 02h38min
quarta-feira, 20 de julho de 2011
À força
À força
as ondas espumam as águas
o sol alaranja o Guaíba
os olhos encerram a madrugada.
À força
os orvalhos umedecem flores
os bailes acendem os olhos
as lembranças nascem amigas.
À força
as distâncias rasgam entradas
os poemas pingam fatos
as estradas pintam existências.
À força
o sono se alimenta
de suave companhia.
20.07.2011 - 01h30min
as ondas espumam as águas
o sol alaranja o Guaíba
os olhos encerram a madrugada.
À força
os orvalhos umedecem flores
os bailes acendem os olhos
as lembranças nascem amigas.
À força
as distâncias rasgam entradas
os poemas pingam fatos
as estradas pintam existências.
À força
o sono se alimenta
de suave companhia.
20.07.2011 - 01h30min
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