segunda-feira, 14 de maio de 2012

Paixão

 .




Pela vida eu sou apaixonada
- pela vida -
fosse d'outro modo
aquele plátano
não me ouviria o riso
nem dele eu saberia
a cumplicidade
levemente marcada
na folha
que ao vento
dança.



.

Emergência

.




E a pergunta dançou no ar
calada
feito poesia muda
mutante
feito avião de papel rasgado
translúcida
a própria oralidade disfarçada
de suspiro...




.

sábado, 12 de maio de 2012

Felicidade


No conta-gotas dos meus dias a energia é 
o que me fica...
A que eu tinha antes que esse mesmo dia clareasse
- esplendorosa manhã outonal -
e a que fui acrescentando nas veias das horas
pingos permanentes
que não se esgotam
- multiplicam-ME -.
 
 
 
 
 

Caneta

Arrisco uns traços
disformes
intenções de letras
que definem mundos
alimentam mistérios
e misturas.
Instigantes buscas.

Abuso da sorte
e faço versos.

Desconverso luzes e trincos
desconexos.
Conecto as chaves
batizo assuntos.

Sem tinta
não mudo.

Invento Universos.

Outonal

Do caminho percorrido
a parte pintada me assume
no delicioso delírio
da fantasia.

(Os assombros
assoviam
canções quaisquer).

Tanto faz se sol não houve..
ouvi dizer
que mesmo assim
se fez
calor...

domingo, 6 de maio de 2012

Apreço

Rabisco sabores
nas cores destras
dos lastros leves
esvoaçantes plumas ovais
contornos indeléveis
de espumas
e castiçais.
Penduro espelhos
reflito dimensões
insisto nas crenças
únicas
que habitam-me os espaços
e as esperas
dos princípios
e dos argumentos
que me bastam.

Mirante




Momentaneamente
congelam-se os partos
portos d'estrelas
d'estradas apartadas das bordas
dos retratos rarefeitos.
Escandalosamente
alimentam-se os pratos
d'estreitas fontes
forças beijadas na mesa
d'onde as cartas marcam
os próximos passos.
Toques e truques
d'espelhos pendurados
paredes vermelhas
pontes de facas
e pontas de dedos
nas faces.

Alegrias.




(A Cézar o que é de Cézar dai: ternuras.)




.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Movimento

Movem-se céus e terras
e livros desfolham
as árvores d'outono frio.
Comovem-se ilhas e abanos
refletem atitudes
e certas maneiras
de fabricar sonhos
em asas desiguais.
Erguem-se gessos e geleiras
dúvidas e divisões tantas
de rodeios e obséquios
guardados nas tardes de sol
de dentro de mim.

Pedaços de lírios
pétalas de frutas e cascalhos.

Rumores.

Tal vez...




Eu não canto.
Descabelo lãs e linhas
e agulhas trançadas de montanhas
e parreirais.
Não traduzo.
Embriago licores de interrogações
cascateadas
de rumores e espíritos leves,
esvoaçantes vestidos de seda
sem vento
brisa
ou sopro
que revele
o que protejo.
Escondo
Me
de
mim
e não sei d'onde colhi
as risadas
e as tentativas fracassadas
de dizer.
Eu não danço.
Reponho imperfeições
na minha cabeça franca
de fagulhas saudosas
e vermelhos feitiços
rasgados de tremores
e vírgulas
que não são respostas:
são beijos.

Eu, só




Toca inventar poesia.
Pincelar cá e acolá
um tantinho de cor do dia
feito manhã enluarada
ou sol posto na estrada
de pedras
e paus
e tropeços.
Toca desenhar soluções
e estruturas
nas paredes balouçantes
das pinguelas
que derretem
velas e veias
de palavras que não dizem
o que a areia

o pó e o desafio
dividem ao meio.
Uma parte é minha
a outra
achocolato
com ferro
fogo
cimento 
e bala de hortelã
e sigo adiante.

 




Farinhas


 Para meus amigos queridos: Carlos Farias, Claudinha Rebel e Lenita Lataes



Cambaleio
nas linhas firmes
do caderno extinto.
As tintas reunidas
ruminam sinais
irre
conhecíveis?
Farias outros versos
n'outros bares
ausentes de trapos
frangalhos d'outrora?
Sim, Carlos, Farias.
Farelos d'algodão ou cinzas
soprados das lareiras frias
apagadas freguesias
improvisos nos próximos quintais.
As canetas deslizam
nas curvas de rebeldia
de uma certa Claudinha,
na doçura inata
da nata da poesia: Lenita.
Tesouros e versos
nunca vem sós...
Saudosos trapos triplos
dos quais jamais
em tempo algum
desfarei os nós.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Precipícios


 (Pra ler, ao som de Sob Um Céu de Blues - Cascaveletes)


Incomensuráveis
devoram-meascoragens
abandonam-meàsorte

rala.

Opalpávelédolorido
opalatável,amargo
oprovável,escorregadio.

Seminterrogações
abrem-seasfendas
afundam-seaspoeiras
perdem-seaslinhas
easbandeirasdesfraldam
osselos

novos.

Àbeiraabismal
quecircunda-mea'lma
umrasgodevoz

ecoa.

Semcorsalientam-seasamarras
agarro-meàsfitas
prestesamediscernir
nostrilhosexaustos
queemdoispartem
osnós
dasmesmasferidas.


Escorro.

terça-feira, 1 de maio de 2012

SHIM'ON

Aquela que escuta
carrega uma afirmativa
permanente.
Uma vez ignorada
perdida

definitivamente

porque
única
e nunca repetida:

SIM
ONE.






segunda-feira, 30 de abril de 2012

Fica...

Dizer do dia
das horas 
que esvaem
dos tempos 
que escorrem
minutos sem dó 
que vão.
Dizer do rastro
do gosto
do riso
da companhia
que assim que começa
termina.
Do dia
das horas
do tempo
que assim que começam
se vão...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Vide Verso

Sonolenta, esvazio sinistros assovios
no palco lento
do lerdo cruzamento
de esfumaçados padrões.
À beira das decisões
encosto fraturas
aos versos expostos
as espelhos d'água vistos
aos recortados portões.
Grito.
De rouquidão vidente
avaliso a longevidade do lábio
que brilha.
Razão  de sobra
degrau sem lenço
corrimão sem linho.
Acuada, risco a sombra
como quem padece
nas entrelinhas da testa
e descobre os segredos
os santos
os atalhos.
As dimensões flutuam.
Os vultos são só detalhes.
Confesso.
Confirmo o já sabido:
gente não sou
sou verso desnudo
cuspido por deus errante
sem rosto
língua
ou resto.
Sonolenta
poetiso...







Reflexo

Espanto os pontos abertos
dilacero quadriláteros
enferrujo algodões etéreos
a eternidade é grão d'areia
no deserto d'outras almas.
Erro a mira.
No mirante não vislumbro
a via estreita
o lume
o raio.
Exagero a ponta do lápis
na grosseria da escalada
interno assombro do recomeço.
Veredas são feridas
histórias de hiatos perdidos
futuros vindouros
vinhas
ouros
áureos dias.
Outras paragens....

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Interpretação

Nada entendas
do que invento
nos versos
que se me escorrem
pelos cantos da boca úmida.
Nada esperes
do que digo
porque meus dizeres
são pássaros avoados
doidas sentenças
sem sentido diferente
além da tinta de
uma pintura intransigente.
Nada argumentes
contra meus mundos
que se atrelam
aos pedaços dos cedilhas
e das sinas insistentes
que se prendem
aos meus tornozelos

todos os dias

inevitavelmente.


O que?

Se dou um passo
me arrependo
se abro a guarda
incorro em erro
se calo, tremo
se falo, termino.
Se me abro
rasgo o momento
se me tranco
não experimento.
Se busco, não acho.
Se fico, não tenho.

O que quer que se encontre
lá adiante
ou cá
no meio do caminho

se diviso
some

se apalpo
rompe

se sonho
rebento.












terça-feira, 17 de abril de 2012

Metáfora




Escorrem-me os verbos nos cantos da boca
enquanto as vias de fato
falham-me às pernas bambas.
Confirmo acontecidos
relato neblinas e delírios
em decúbito dorsal (in)sano.
A pedra cantada
tem cor de umidade
e tinta vermelha
na cabeceira.
Os ciclos são mistérios.





Gotas de metáforas mordidas.