quinta-feira, 26 de julho de 2012
Correntezas
E se de versos bordo meus caminhos
é que d'espinhos às rosas declamo
feito aramados de rendas
vazados de grandes pomos
pombos acinzentados
que sobrevoam colheitas e afins.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Fragmentes
Perdida a trena
perco a mão da medida
des
medida
a mente experimenta
um toque de alcaçuz
na ponta da língua
e o elemento que falta
pr'alcançar a medida exata
é o verso
sem vírgula
ou ponto final
talvez só a desistência
do que foi aclamado
no vão da hora pedida
nas cartas molhadas
de suco de manga
de camisa
marcadas de riso
lapelas vermelhas
de batom abatido
pontuação devidamente
tida
campanha no grafite
grifado de centímetros
por metro quadrado
no armário oferecido
onde ninguém dorme
impunemente
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Alforria
Há mordaças e viseiras
nas esquinas
de cada rua
do lugar.
Há documentos que obrigam
o uso compulsório
de cada acessório
que o rei mandar.
E ameaças
perambulantes de
extenuados zumbis
com olhos de sangue
esfomeados
por cérebros sadios.
Ali, a liberdade é só uma palavra presa entre as capas de um livro qualquer.
(Mal sabem eles que o mesmo livro onde pretendem manter presa a liberdade
esconde a força da revolução
mal sabem eles...)
nas esquinas
de cada rua
do lugar.
Há documentos que obrigam
o uso compulsório
de cada acessório
que o rei mandar.
E ameaças
perambulantes de
extenuados zumbis
com olhos de sangue
esfomeados
por cérebros sadios.
Ali, a liberdade é só uma palavra presa entre as capas de um livro qualquer.
(Mal sabem eles que o mesmo livro onde pretendem manter presa a liberdade
esconde a força da revolução
mal sabem eles...)
Mês um
Quando
num repente
a linha de um
cruza
a vida do outro
traz na bagagem
a ímpar sensação
de ser único
de não haver qualquer corpo
que tão bem se encaixe
mais saborosas formas
que as formas
do cheiro "loro" dele
nas formas
do cheiro negro dela.
Peleia
Aposto minhas fichas
no dia que há de vir.
Deposito expectativas
que me valem
a cabeça a prêmio
em bandeja de prata antiga
d'estrelas vermelhas pintada.
Mantenho os pés firmes
e a atenção redobrada
nas desigualdades multiplicadas
pelo desespero evidente
do adversário
que ruge
esperneia
e se debate
ante a clara e inegável
possibilidade
de perder o cetro
para as grades.
no dia que há de vir.
Deposito expectativas
que me valem
a cabeça a prêmio
em bandeja de prata antiga
d'estrelas vermelhas pintada.
Mantenho os pés firmes
e a atenção redobrada
nas desigualdades multiplicadas
pelo desespero evidente
do adversário
que ruge
esperneia
e se debate
ante a clara e inegável
possibilidade
de perder o cetro
para as grades.
Sal da terra
Se o povo perde a língua
na lâmina fria
da espada do rei
inda lhe sobram os gestos
e tudo que escrito se lê.
Os escravos
um dia se revoltam
pois que eles também votam
e seus olhos sabem ver
a mentira estampada
no papel que nega a chibatada
e nega a forma da lei
que reza a expressão livre
na boca
no livro
na opinião manifesta
de que nesta terra sem sal
tudo acaba em pizza
paga com cheque viciado
UPAda em maca fantasma
esburacada na via principal
das promessas quebradas
que o trono
pretende obrigar a esquecer.
O próprio tronco
onde os falantes são erguidos
GRITA
os abusos dos governantes.
(E se eu, peixe pequeno, morro pela boca,
o ditador, pela urna será deposto).
domingo, 8 de julho de 2012
Dura-dita
Renascem metáforas
que apontam ao óbvio
quanto à boca é proibida
a palavra pura
que mostra o que se vê.
Pois que os palhaços
tomem as ruas
nos circos armados
do que se deixou de fazer.
Promessas quebradas
disfarçadas com band-aid
silicone
cuspe
e matérias pagas
que rolam nas mãos
aparentemente mal informadas
mas que sabem bem
onde vai doer.
Há zumbis que fingem ser
no espetáculo milionário
santos do pau oco
amigos do inda que tarde
ditos duros
femininos.
que apontam ao óbvio
quanto à boca é proibida
a palavra pura
que mostra o que se vê.
Pois que os palhaços
tomem as ruas
nos circos armados
do que se deixou de fazer.
Promessas quebradas
disfarçadas com band-aid
silicone
cuspe
e matérias pagas
que rolam nas mãos
aparentemente mal informadas
mas que sabem bem
onde vai doer.
Há zumbis que fingem ser
no espetáculo milionário
santos do pau oco
amigos do inda que tarde
ditos duros
femininos.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Um canto
Ter um trocado
um metro quadrado
uma janela
onde debruçar os olhos
e esfriar bolos de milho
bons de cheiro e
paladar apurado.
Balcão de pia
fogão à lenha
escada de corrimão
e um prato feito
de arroz e feijão.
Coleções de experimentos
consertos de instrumentos.
Nos fins de semana,
bolinhas de sabão.
Nas paredes de tinta
os retratos à mão.
Nada que impeça o riso
que proíba a dança
que insulte a paixão.
O tempo não é dinheiro
nem o direito à liberdade
só mais uma condição.
um metro quadrado
uma janela
onde debruçar os olhos
e esfriar bolos de milho
bons de cheiro e
paladar apurado.
Balcão de pia
fogão à lenha
escada de corrimão
e um prato feito
de arroz e feijão.
Coleções de experimentos
consertos de instrumentos.
Nos fins de semana,
bolinhas de sabão.
Nas paredes de tinta
os retratos à mão.
Nada que impeça o riso
que proíba a dança
que insulte a paixão.
O tempo não é dinheiro
nem o direito à liberdade
só mais uma condição.
Perpétua
Eu dato meus ditos
assim formato a história
dos meus vividos
- ou dos sonhados
tanto faz
ambos são meus -.
Sou imune a lembranças que ferem
inda que tenha
vez em quando
que a elas voltar.
Escrevo nas margens
dos marginais atritos
e atribuo as vitórias
à mudança das marés
em dias de lua branca
e em pétalas de margaridas cheias.
Carimbo meu sangue
nas bordas da folha
agora carmim.
Espreguiço olhares
nas dobras de um papel
marfim.
Que fiquem os tais ditos
té depois que eu vá...
assim formato a história
dos meus vividos
- ou dos sonhados
tanto faz
ambos são meus -.
Sou imune a lembranças que ferem
inda que tenha
vez em quando
que a elas voltar.
Escrevo nas margens
dos marginais atritos
e atribuo as vitórias
à mudança das marés
em dias de lua branca
e em pétalas de margaridas cheias.
Carimbo meu sangue
nas bordas da folha
agora carmim.
Espreguiço olhares
nas dobras de um papel
marfim.
Que fiquem os tais ditos
té depois que eu vá...
Fatalidade
O dia improvisa
um não-sei-que
inacabável
incabível
no curto espaço
do voo de uma ave
té a boca
de um precipício
que não cai...
um não-sei-que
inacabável
incabível
no curto espaço
do voo de uma ave
té a boca
de um precipício
que não cai...
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Amiúde
Os pulsos
cravejados de digitais
apetecem jazigos.
As primeiras folhas
dos dicionários
não tem sentido
nem tato
nem olfato
nem libido.
Palavras pescadas
à esmo
semanticamente poetadas
nas contrações
do parto-texto
insistem em descrever
obviedades estranhas
argumentos aparafusados
uns nos outros
gêmeos nem um pouco
idênticos
identificados instintivamente
na cor da íris
falsa.
São sete
os dias do mês
que manquejam em
coxos períodos irregulares
e as conversas paralelas
esperneiam anuências
como se delas desprendessem.
Ledo engano este
que depende de saborear o petisco pobre
feito carvão dormente
em mão trêmula.
Entre as quatro paredes do camarim
emolduram-se os próximos
discernimentos
cambaleantes desacatos
nas vidraças escuras
protegidas de películas
e desperdiçadas energias.
Salvam-se os sonhos
desses que são snhados
sem tentativa alguma
na encruzilhada burlesca das horas.
Os fundamentos
afundam-se
na frustração recém sentida
e inauguram
uma nova estrada
d'onde a fuligem escapa
e a fração de segundo
é a única sentença exata.
De imutável
basta o sarcasmo da vida
dividida em carcaças e
libertinagens.
Haja rascunhos...
cravejados de digitais
apetecem jazigos.
As primeiras folhas
dos dicionários
não tem sentido
nem tato
nem olfato
nem libido.
Palavras pescadas
à esmo
semanticamente poetadas
nas contrações
do parto-texto
insistem em descrever
obviedades estranhas
argumentos aparafusados
uns nos outros
gêmeos nem um pouco
idênticos
identificados instintivamente
na cor da íris
falsa.
São sete
os dias do mês
que manquejam em
coxos períodos irregulares
e as conversas paralelas
esperneiam anuências
como se delas desprendessem.
Ledo engano este
que depende de saborear o petisco pobre
feito carvão dormente
em mão trêmula.
Entre as quatro paredes do camarim
emolduram-se os próximos
discernimentos
cambaleantes desacatos
nas vidraças escuras
protegidas de películas
e desperdiçadas energias.
Salvam-se os sonhos
desses que são snhados
sem tentativa alguma
na encruzilhada burlesca das horas.
Os fundamentos
afundam-se
na frustração recém sentida
e inauguram
uma nova estrada
d'onde a fuligem escapa
e a fração de segundo
é a única sentença exata.
De imutável
basta o sarcasmo da vida
dividida em carcaças e
libertinagens.
Haja rascunhos...
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Psicose
*Baseado em fatos reais...
Quebra o silêncio
a voz sozinha
no corredor vazio.
Instrumento de sopro
canta impropérios ao léu
alheio às necessidades dos outros que
quietos
suspeitam os delírios mil.
É só mais um na estrada
invisível aos videntes
que se mostra à força
e força engolir a presença incômoda.
De um jeito ou outro
haverão de sua existência
saber-lhe
nem que seja aos gritos estridentes
nem que seja
rasgando o sangue deles.
Paredes
No espaço que habito
as órbitas são irregulares
é sempre hoje-agora-aqui
um ínterim de minutos
evaporantes e carmins.
O diminuto estreito
que a mim cabe
tem transbordos de flores
querubins no estrado
e violinos líricos
por todos os lados.
Não há espelhos
- nem mães d'água -
mas peles nas janelas
e pétalas de rosas nas escadas.
As quatro paredes que são minhas
guardam-me os sonhos
tesouros alados
moedas de versos
verbos escravos.
As preferências latejam primórdios
e os pontos dos 'is'
dançam
sem pares estreitos
nem estranhos compassos
ou claves de sol esparsas
só um rastro do astro rei
cortando a nota
- ríspido giro de braço -
e um si bemol
sem resposta.
Entre um ponto e outro
do que não me sobra
há fagulhas e vertigens
pintadas unhas de virgens
e abraços que desconheço.
Longos poemas escorrem
de gavetas
nas parede de pedra e cimento
onde moram-me os fantasmas todos.
Os mesmos
de quem eu roubo
os pensamentos.
as órbitas são irregulares
é sempre hoje-agora-aqui
um ínterim de minutos
evaporantes e carmins.
O diminuto estreito
que a mim cabe
tem transbordos de flores
querubins no estrado
e violinos líricos
por todos os lados.
Não há espelhos
- nem mães d'água -
mas peles nas janelas
e pétalas de rosas nas escadas.
As quatro paredes que são minhas
guardam-me os sonhos
tesouros alados
moedas de versos
verbos escravos.
As preferências latejam primórdios
e os pontos dos 'is'
dançam
sem pares estreitos
nem estranhos compassos
ou claves de sol esparsas
só um rastro do astro rei
cortando a nota
- ríspido giro de braço -
e um si bemol
sem resposta.
Entre um ponto e outro
do que não me sobra
há fagulhas e vertigens
pintadas unhas de virgens
e abraços que desconheço.
Longos poemas escorrem
de gavetas
nas parede de pedra e cimento
onde moram-me os fantasmas todos.
Os mesmos
de quem eu roubo
os pensamentos.
Lumina
Conto os passos
até o limite
dos suspiros
que suspendo.
Pêndulo intermediário
dependurado no globo
que eu não quebro
nem trafego orvalhos.
As horas são exageros
metáforas injustas
d'insuficientes haveres
brotoejados de murmúrios
e melodias confusas.
Gotejo olhos mudos
e os medos imitam coragens desnudas.
Conto os passos
até o limite
dos suspiros
que suspendo.
Transito errante
té o começo....
Acendo-
-te.
até o limite
dos suspiros
que suspendo.
Pêndulo intermediário
dependurado no globo
que eu não quebro
nem trafego orvalhos.
As horas são exageros
metáforas injustas
d'insuficientes haveres
brotoejados de murmúrios
e melodias confusas.
Gotejo olhos mudos
e os medos imitam coragens desnudas.
Conto os passos
até o limite
dos suspiros
que suspendo.
Transito errante
té o começo....
Acendo-
-te.
Uno
Sorvo teu tempo
em goles de copos
pequenos de licor.
Na tua boca úmida
de desejo e calor
arrepio-te a nuca
eriço-te os pelos
e apelo para os teus olhos
- verdes -
maciços de vida
impressionantemente profundos
- e meus -.
em goles de copos
pequenos de licor.
Na tua boca úmida
de desejo e calor
arrepio-te a nuca
eriço-te os pelos
e apelo para os teus olhos
- verdes -
maciços de vida
impressionantemente profundos
- e meus -.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Culpado!
O que eu vejo em ti?
Os versos, que ÉS.
A culpa é do cupido
a rara vez do acerto
o incerto circunspecto
de repente É
a flecha certeira
cria raízes
no ventre
pelas veias dele
e os olhos verdes
ficam
nas teias dos desejos
atrelados ao gozo
de saberem-se inteiros
nas horas galopadas
sem culpa ou contrato
que não as mãos unidas
no romance absoluto
entre a alma
e o coração.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Festa
Sobre as cinzas derramadas
difícil gotejar licenças
antes estender adagas
e indagar lampejos.
Sob o verniz do lustre
as argolas gritam estalos
e a divisão inexata
flui abelhas e sentidos
coincidentemente azuis.
Teu verde olhar
amarra enfeites
no meu.
Festa diária
d'algum deus
louco de sede
tonto de paixão.
difícil gotejar licenças
antes estender adagas
e indagar lampejos.
Sob o verniz do lustre
as argolas gritam estalos
e a divisão inexata
flui abelhas e sentidos
coincidentemente azuis.
Teu verde olhar
amarra enfeites
no meu.
Festa diária
d'algum deus
louco de sede
tonto de paixão.
Caminhada
Os laços crepitam
num universo poderoso
de fogos internos
e desejos exatos.
Há mil razões ensolaradas
nas horas de risos
e toalhas penduradas
no varal colorido.
Sem luz de dúvida
as mãos dadas acenam
improvisos e frutas cítricas
- leves cargas de brilhos -.
Soam sinos de luas
e os lances aumentam as medidas
nos pratos carentes de tempo
abundantes afetos.
num universo poderoso
de fogos internos
e desejos exatos.
Há mil razões ensolaradas
nas horas de risos
e toalhas penduradas
no varal colorido.
Sem luz de dúvida
as mãos dadas acenam
improvisos e frutas cítricas
- leves cargas de brilhos -.
Soam sinos de luas
e os lances aumentam as medidas
nos pratos carentes de tempo
abundantes afetos.
Sensual
Enumero as expressões
que espreitam os dias.
Atenta aos sinais
inauguro fantasias
e eximo de culpa
as unhas
que encravam
na tua carne macia.
Mordo
o instante
sugo
a tua companhia
como quem
num banquete
prova o vinho proibido
e se farta de alegrias.
que espreitam os dias.
Atenta aos sinais
inauguro fantasias
e eximo de culpa
as unhas
que encravam
na tua carne macia.
Mordo
o instante
sugo
a tua companhia
como quem
num banquete
prova o vinho proibido
e se farta de alegrias.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Contigo
.
Porque entraste na minha vida
pra seres mais que especial...
Teus olhos verdes de floresta
no céu dos meus azuis
plantam festa
prateiam os espaços
embalam os sonhos
que vivemos juntos
e os que haveremos de construir.
.
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