segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Pessoa
Cuida do que é teu, ainda que nada te pertença de fato.
Possui só o que te couber nas mãos
ou num minúsculo armário.
Valoriza o que tocas no instante mesmo em que o tocas
que o próximo minuto é da vida
e a vida é breve
tão breve quanto um gole d'água.
Se a ti for dada a oportunidade
e o privilégio
de repetir a hora misteriosa,
agarra os ponteiros do norte e segue adiante
que o resto...
o resto são olhos de terceiros
que nada sabem dos teus inteiros
nem das alegrias que guardas
nas pontas das raízes da tua pele.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Mudança
O tempo não seca as folhas
elas é que secam, nas horas.
O tempo costura e descostura cortinas
planta laranjeiras
brota outras pessoas
de dentro das mesmas de antes.
Parece que o tempo muda
mas o que emudece são as gargantas
dentro do espaço
definido pelas escolhas...
elas é que secam, nas horas.
O tempo costura e descostura cortinas
planta laranjeiras
brota outras pessoas
de dentro das mesmas de antes.
Parece que o tempo muda
mas o que emudece são as gargantas
dentro do espaço
definido pelas escolhas...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Reentrâncias
O mesmo assunto
incorre em acerto
recorre ao circunflexo
e inexplicável repositório.
Sem garantias de adiantes
não há direcionamentos
e o relógio em vão
machuca
à deriva de movimentos e
tiquetaqueia anuências.
Um passo em falso
e a farsa rareia
ventos do norte anulam
palavras e crises
cortes necessários e reticências
para as escolhas e mitos
que rodam
e dão lugar
a outras presenças
diárias.
incorre em acerto
recorre ao circunflexo
e inexplicável repositório.
Sem garantias de adiantes
não há direcionamentos
e o relógio em vão
machuca
à deriva de movimentos e
tiquetaqueia anuências.
Um passo em falso
e a farsa rareia
ventos do norte anulam
palavras e crises
cortes necessários e reticências
para as escolhas e mitos
que rodam
e dão lugar
a outras presenças
diárias.
Reminiscência
Do meio da sombra dos laranjais
o príncipe que não ria
cantarola Engenheiros
e distrai o passado
que não há mais.
As cascas extintas
circulam saberes
e os gessos manquejam
doloridos joelhos
vencedores de corridas impossíveis.
O tempo vence três anos
e nem trinta se completam
antes que haja a muda
d'outra tentativa
outrora esvaída
entre os dedos principiantes.
Não há diferença.
Sistema convicto de influência sem perguntas.
O nó na cabeça
o espinho das horas
a estreita certeza
de que a vida não demora.
A gente é que decide demorado.
E se arrepende...
o príncipe que não ria
cantarola Engenheiros
e distrai o passado
que não há mais.
As cascas extintas
circulam saberes
e os gessos manquejam
doloridos joelhos
vencedores de corridas impossíveis.
O tempo vence três anos
e nem trinta se completam
antes que haja a muda
d'outra tentativa
outrora esvaída
entre os dedos principiantes.
Não há diferença.
Sistema convicto de influência sem perguntas.
O nó na cabeça
o espinho das horas
a estreita certeza
de que a vida não demora.
A gente é que decide demorado.
E se arrepende...
terça-feira, 28 de agosto de 2012
O mores!
Não sei viver de horas vagas
d'instantes roubados
de frestas nas portas.
Não sei viver de restos
ou rostos distantes
talvez libertos
mas pouco dispostos.
Não sei colar quebraduras
inventar conjecturas
e fingir que está tudo certo.
Eu não sei ser só metade
nem só parte da parte
da décima parte ter.
Eu sou de extremos
de todos os tudos ou nadas
de entregas mais que totais.
Mas quando meu laço se rompe...
... também voo inteira
os nós não existem mais...
d'instantes roubados
de frestas nas portas.
Não sei viver de restos
ou rostos distantes
talvez libertos
mas pouco dispostos.
Não sei colar quebraduras
inventar conjecturas
e fingir que está tudo certo.
Eu não sei ser só metade
nem só parte da parte
da décima parte ter.
Eu sou de extremos
de todos os tudos ou nadas
de entregas mais que totais.
Mas quando meu laço se rompe...
... também voo inteira
os nós não existem mais...
Novelo
Atei um nó cego
no meio da garganta ardida
confessei mudez diminuta
parti à sombra descoberta
cismei imensidões malditas
invadi privacidades propostas
cortei puseiras coloridas
tateei caminhos e pausas
pontuei falhas nas pautas
afastei cuidados feridos
precipitei respostas falsas
acendi centelhas ardentes
fagulhas de lavas duras
caí doente de cordas
nuns versos reticentes
que libertaram fantasmas
e inventaram penitentes.
Ateei um nó cego
no fogo d'agulha da hora
haikai que fosse insistente
do verbo que a mim não foi dito.
no meio da garganta ardida
confessei mudez diminuta
parti à sombra descoberta
cismei imensidões malditas
invadi privacidades propostas
cortei puseiras coloridas
tateei caminhos e pausas
pontuei falhas nas pautas
afastei cuidados feridos
precipitei respostas falsas
acendi centelhas ardentes
fagulhas de lavas duras
caí doente de cordas
nuns versos reticentes
que libertaram fantasmas
e inventaram penitentes.
Ateei um nó cego
no fogo d'agulha da hora
haikai que fosse insistente
do verbo que a mim não foi dito.
De passagem
Tudo é passagem.
As pertenças são miragens
e os orvalhos salivas
d'esquecimento.
Nada permanece.
Ilusórias vertigens
descobertas breves
nas arestas das horas
que se esvaem.
E o tido em não-tido se fecha.
O ciclo completo do arbítrio
nas frestas a esmo distrai.
Nada se vai
mas tudo termina
no exato ponto
do mesmo começo
que passa...
As pertenças são miragens
e os orvalhos salivas
d'esquecimento.
Nada permanece.
Ilusórias vertigens
descobertas breves
nas arestas das horas
que se esvaem.
E o tido em não-tido se fecha.
O ciclo completo do arbítrio
nas frestas a esmo distrai.
Nada se vai
mas tudo termina
no exato ponto
do mesmo começo
que passa...
domingo, 29 de julho de 2012
Carpe Diem
Não pontuo
aponto um nó
nos anéis de Saturno
nas mecânicas complicadas
que descascam laranjas
misturando angus
ponto e vírgula
mais do que suficiente
para o mistério
do meu riso
-
o mesmo que nada contra a corrente
e enterra meus dedos
nos fios
dos cabelos
dele.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Correntezas
E se de versos bordo meus caminhos
é que d'espinhos às rosas declamo
feito aramados de rendas
vazados de grandes pomos
pombos acinzentados
que sobrevoam colheitas e afins.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Fragmentes
Perdida a trena
perco a mão da medida
des
medida
a mente experimenta
um toque de alcaçuz
na ponta da língua
e o elemento que falta
pr'alcançar a medida exata
é o verso
sem vírgula
ou ponto final
talvez só a desistência
do que foi aclamado
no vão da hora pedida
nas cartas molhadas
de suco de manga
de camisa
marcadas de riso
lapelas vermelhas
de batom abatido
pontuação devidamente
tida
campanha no grafite
grifado de centímetros
por metro quadrado
no armário oferecido
onde ninguém dorme
impunemente
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Alforria
Há mordaças e viseiras
nas esquinas
de cada rua
do lugar.
Há documentos que obrigam
o uso compulsório
de cada acessório
que o rei mandar.
E ameaças
perambulantes de
extenuados zumbis
com olhos de sangue
esfomeados
por cérebros sadios.
Ali, a liberdade é só uma palavra presa entre as capas de um livro qualquer.
(Mal sabem eles que o mesmo livro onde pretendem manter presa a liberdade
esconde a força da revolução
mal sabem eles...)
nas esquinas
de cada rua
do lugar.
Há documentos que obrigam
o uso compulsório
de cada acessório
que o rei mandar.
E ameaças
perambulantes de
extenuados zumbis
com olhos de sangue
esfomeados
por cérebros sadios.
Ali, a liberdade é só uma palavra presa entre as capas de um livro qualquer.
(Mal sabem eles que o mesmo livro onde pretendem manter presa a liberdade
esconde a força da revolução
mal sabem eles...)
Mês um
Quando
num repente
a linha de um
cruza
a vida do outro
traz na bagagem
a ímpar sensação
de ser único
de não haver qualquer corpo
que tão bem se encaixe
mais saborosas formas
que as formas
do cheiro "loro" dele
nas formas
do cheiro negro dela.
Peleia
Aposto minhas fichas
no dia que há de vir.
Deposito expectativas
que me valem
a cabeça a prêmio
em bandeja de prata antiga
d'estrelas vermelhas pintada.
Mantenho os pés firmes
e a atenção redobrada
nas desigualdades multiplicadas
pelo desespero evidente
do adversário
que ruge
esperneia
e se debate
ante a clara e inegável
possibilidade
de perder o cetro
para as grades.
no dia que há de vir.
Deposito expectativas
que me valem
a cabeça a prêmio
em bandeja de prata antiga
d'estrelas vermelhas pintada.
Mantenho os pés firmes
e a atenção redobrada
nas desigualdades multiplicadas
pelo desespero evidente
do adversário
que ruge
esperneia
e se debate
ante a clara e inegável
possibilidade
de perder o cetro
para as grades.
Sal da terra
Se o povo perde a língua
na lâmina fria
da espada do rei
inda lhe sobram os gestos
e tudo que escrito se lê.
Os escravos
um dia se revoltam
pois que eles também votam
e seus olhos sabem ver
a mentira estampada
no papel que nega a chibatada
e nega a forma da lei
que reza a expressão livre
na boca
no livro
na opinião manifesta
de que nesta terra sem sal
tudo acaba em pizza
paga com cheque viciado
UPAda em maca fantasma
esburacada na via principal
das promessas quebradas
que o trono
pretende obrigar a esquecer.
O próprio tronco
onde os falantes são erguidos
GRITA
os abusos dos governantes.
(E se eu, peixe pequeno, morro pela boca,
o ditador, pela urna será deposto).
domingo, 8 de julho de 2012
Dura-dita
Renascem metáforas
que apontam ao óbvio
quanto à boca é proibida
a palavra pura
que mostra o que se vê.
Pois que os palhaços
tomem as ruas
nos circos armados
do que se deixou de fazer.
Promessas quebradas
disfarçadas com band-aid
silicone
cuspe
e matérias pagas
que rolam nas mãos
aparentemente mal informadas
mas que sabem bem
onde vai doer.
Há zumbis que fingem ser
no espetáculo milionário
santos do pau oco
amigos do inda que tarde
ditos duros
femininos.
que apontam ao óbvio
quanto à boca é proibida
a palavra pura
que mostra o que se vê.
Pois que os palhaços
tomem as ruas
nos circos armados
do que se deixou de fazer.
Promessas quebradas
disfarçadas com band-aid
silicone
cuspe
e matérias pagas
que rolam nas mãos
aparentemente mal informadas
mas que sabem bem
onde vai doer.
Há zumbis que fingem ser
no espetáculo milionário
santos do pau oco
amigos do inda que tarde
ditos duros
femininos.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Um canto
Ter um trocado
um metro quadrado
uma janela
onde debruçar os olhos
e esfriar bolos de milho
bons de cheiro e
paladar apurado.
Balcão de pia
fogão à lenha
escada de corrimão
e um prato feito
de arroz e feijão.
Coleções de experimentos
consertos de instrumentos.
Nos fins de semana,
bolinhas de sabão.
Nas paredes de tinta
os retratos à mão.
Nada que impeça o riso
que proíba a dança
que insulte a paixão.
O tempo não é dinheiro
nem o direito à liberdade
só mais uma condição.
um metro quadrado
uma janela
onde debruçar os olhos
e esfriar bolos de milho
bons de cheiro e
paladar apurado.
Balcão de pia
fogão à lenha
escada de corrimão
e um prato feito
de arroz e feijão.
Coleções de experimentos
consertos de instrumentos.
Nos fins de semana,
bolinhas de sabão.
Nas paredes de tinta
os retratos à mão.
Nada que impeça o riso
que proíba a dança
que insulte a paixão.
O tempo não é dinheiro
nem o direito à liberdade
só mais uma condição.
Perpétua
Eu dato meus ditos
assim formato a história
dos meus vividos
- ou dos sonhados
tanto faz
ambos são meus -.
Sou imune a lembranças que ferem
inda que tenha
vez em quando
que a elas voltar.
Escrevo nas margens
dos marginais atritos
e atribuo as vitórias
à mudança das marés
em dias de lua branca
e em pétalas de margaridas cheias.
Carimbo meu sangue
nas bordas da folha
agora carmim.
Espreguiço olhares
nas dobras de um papel
marfim.
Que fiquem os tais ditos
té depois que eu vá...
assim formato a história
dos meus vividos
- ou dos sonhados
tanto faz
ambos são meus -.
Sou imune a lembranças que ferem
inda que tenha
vez em quando
que a elas voltar.
Escrevo nas margens
dos marginais atritos
e atribuo as vitórias
à mudança das marés
em dias de lua branca
e em pétalas de margaridas cheias.
Carimbo meu sangue
nas bordas da folha
agora carmim.
Espreguiço olhares
nas dobras de um papel
marfim.
Que fiquem os tais ditos
té depois que eu vá...
Fatalidade
O dia improvisa
um não-sei-que
inacabável
incabível
no curto espaço
do voo de uma ave
té a boca
de um precipício
que não cai...
um não-sei-que
inacabável
incabível
no curto espaço
do voo de uma ave
té a boca
de um precipício
que não cai...
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Amiúde
Os pulsos
cravejados de digitais
apetecem jazigos.
As primeiras folhas
dos dicionários
não tem sentido
nem tato
nem olfato
nem libido.
Palavras pescadas
à esmo
semanticamente poetadas
nas contrações
do parto-texto
insistem em descrever
obviedades estranhas
argumentos aparafusados
uns nos outros
gêmeos nem um pouco
idênticos
identificados instintivamente
na cor da íris
falsa.
São sete
os dias do mês
que manquejam em
coxos períodos irregulares
e as conversas paralelas
esperneiam anuências
como se delas desprendessem.
Ledo engano este
que depende de saborear o petisco pobre
feito carvão dormente
em mão trêmula.
Entre as quatro paredes do camarim
emolduram-se os próximos
discernimentos
cambaleantes desacatos
nas vidraças escuras
protegidas de películas
e desperdiçadas energias.
Salvam-se os sonhos
desses que são snhados
sem tentativa alguma
na encruzilhada burlesca das horas.
Os fundamentos
afundam-se
na frustração recém sentida
e inauguram
uma nova estrada
d'onde a fuligem escapa
e a fração de segundo
é a única sentença exata.
De imutável
basta o sarcasmo da vida
dividida em carcaças e
libertinagens.
Haja rascunhos...
cravejados de digitais
apetecem jazigos.
As primeiras folhas
dos dicionários
não tem sentido
nem tato
nem olfato
nem libido.
Palavras pescadas
à esmo
semanticamente poetadas
nas contrações
do parto-texto
insistem em descrever
obviedades estranhas
argumentos aparafusados
uns nos outros
gêmeos nem um pouco
idênticos
identificados instintivamente
na cor da íris
falsa.
São sete
os dias do mês
que manquejam em
coxos períodos irregulares
e as conversas paralelas
esperneiam anuências
como se delas desprendessem.
Ledo engano este
que depende de saborear o petisco pobre
feito carvão dormente
em mão trêmula.
Entre as quatro paredes do camarim
emolduram-se os próximos
discernimentos
cambaleantes desacatos
nas vidraças escuras
protegidas de películas
e desperdiçadas energias.
Salvam-se os sonhos
desses que são snhados
sem tentativa alguma
na encruzilhada burlesca das horas.
Os fundamentos
afundam-se
na frustração recém sentida
e inauguram
uma nova estrada
d'onde a fuligem escapa
e a fração de segundo
é a única sentença exata.
De imutável
basta o sarcasmo da vida
dividida em carcaças e
libertinagens.
Haja rascunhos...
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