
Não sei poetar.
O que sei é despir-me dos meus medos.
Sei chorar.
Sei traduzir em sorrisos minhas dores
e em doces versos, meus amores
(repetindo, como tantos antes de mim,
e outros tantos que virão depois,
a mesma rima antiga: amor/dor).
Não sei poetar.
O que sei é lançar mão de uma palavra
desfiá-la, novelo de lã, e deixá-la livre
sobre a folha branca.
Não sei poetar.
Sei cumprir o papel sempre novo
de costurar frases, umas às outras,
e distribuí-las em versos.
Verbos cortados na diagonal
vírgulas nos inícios das linhas:
sem pontos, sem pontas, sem ponteiros
indicando a hora exata do corte final.
Não sei poetar.
O que sei é expôr corpo e alma
verso e reverso do que há em mim
nas linhas tortas
do que os outros
chamam de poesia.
Sei pintar de carmesim meus dias,
e a letra que escrevo agora.
Sei rir alto e balbuciar bobagens,
apreciar a natureza
e sentir o belo e o frágil.
Mas
não sou poeta.
Não sei.
Não sou.
Poetar?
Eu?
09.01.2007 - 21h03min
09.01.2007 - 21h03min