São nuvens de poeira
nos olhos da vida
cegueiras impostas
pretensiosas medidas
escândalos sucessivos
e guerras enormes.
Pra que?
Se a ferida não sangra
e se o sangue infectado
não oprime?
Pra que?
Se o passado desmente a cobrança
e o maldito cava buracos
na penumbra das angústias
que permeiam as bordas
dos pratos de sopa vazios
de instintos e de consciência
de uma raça em vias de extinção.
Pra que?
Se os humores são turvos
se os amores são passageiros
se as crianças estão expostas
se os velhos vivem de joelhos?
Pra que?
21.03.2009 - 20h09min
sábado, 21 de março de 2009
Salvação II - A Lista
Salvação
Eu quero um poema
Que me salve da morte.
Um verso, um verbo,
Um encanto qualquer
Que me aponte um norte.
Eu quero um poema de açúcar
Embrulhado pra presente
Encrustado de risos
E papéis de seda coloridos.
Eu quero um poema permanente
Desses que não se gastam
No pós-leitura, facilmente.
Eu quero um poema
Que me restitua a saliva
Que me apresente uma réstia de luz
Que me acrescente dias
Que me estenda tapete de peles vermelhas.
Eu quero um poema
Que me salve da morte
E que nasça do sol
Na lua crescente minguante
No espaço breve e na partilha.
Eu quero um poema de coragem
Uma semente de vida
Que me arranque da morte
Um verso
Um verbo
Um encanto qualquer.
Uma única medida...
21.03.2009 – 0h16min
Sonho ou fantasia?
Sonhei que não havia
E o não haver
Não impedia a roda
Da fortuna
Do infortúnio
Da demência
De crer na procedência
De ceder a um haver bem-vindo.
Mas eu sonhei que não havia!
E mesmo assim
A inusitada presença
De impetuosa cadência
Existia.
Era só pousar a mão no peito.
Sonhei que não havia
O músculo
O peito
O pulso.
20.03.2009 – 21h10min
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