terça-feira, 30 de março de 2010

'Enlightenning me'


Tradução insuficiente
não abarca o significado todo

todos os fatos 
vestígios
soluções

concentrados num rastro de fino pó de ouro.

Meu.
Pra mim.





30.03.2010 - 23h40min

Depois da curva

Nua, minh'alma vagava
Tu'a alma vagava nua
as vestes perdidas sei onde
alguma razão conhecida.
Minh'alma nua vagava
Vagava nua, a tua
tantos bruscos atropelos
tormentos d'outras luas.
Depois da curva, teus olhos cegos
Meus olhos vivos sobre os teus
depois da curva doída
doída curva cravada de breus.
Bálsamo trocado
cuidado guiado
o pote raro d'ouro
no fim do arco-íris sangrado.

Depois da curva
teus olhos postos nos meus
raios de sol na janela um dia
rasgados de perfeita poesia.

Eu, tua mulher
Tu, meu rei, meu amor.




30.03.2010 - 23h31min

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um

Não é por milagre que somos um
Não é por acaso que sou tu
e tu entraste em mim
feito manhã ensolarada
depois da noite de temporal.
Não é por acaso que tuas carnes
e tuas vibrações me pertencem
ou que meus nervos e minhas veias
correm em ti, na eletricidade do teu som.
Não é por milagre que se entrelaçam nossos dias
e tuas trilhas se confundem com as minhas.
Não contamos os minutos
nem barganhamos os preços exigidos.
Não cruzamos os braços
a não ser que os do outro entre os nossos estejam
pra proteger os versos escritos a sangue, fogo
e cacos de vidro. Diamante.
Não é por milagre que a soma das partes somos
nós dois.
UM.






29.03.2010 - 1h22min

Surreal





Eu sou o que de mim invento
o que crio aos poucos, sem compromisso
feito qualquer outro entretenimento.
Eu sou O Vôo de Menotti Del Picchia
e as cinzas da fênix
depois do inverno findo.
Eu sou o epílogo e o recomeço
o reconhecimento à distância
a cura do tropeço.

Eu sou a dor que não mata
nem castiga, deveras.
Sou a pedra, a lua e a estrada
ladeada de girassóis azuis
virados pra esses teus olhos castanhos
que não vão mais chorar.
Eu sou o equilíbrio e o descompasso
e a entrega completa ao teu abraço.
Sou a surpresa e a contradição
num só corpo
numa só alma
num único verso
na ponta da lança
da tua solidão.















Aos 44 minutos do dia 29.03.2010

domingo, 28 de março de 2010

Meu

Seres o meu esteio
O meu desejo
A minha razão.
Meu itinerário
Meu contrário
O que escreve a minha mão.
Seres minha família
O melhor do meu dia
O calor do meu sol
Meu primeiro pedido
Meu primeiro suspiro
Minha primeira paixão.
Seres meus caminhos
Meus confortos
Meus mundos todos
Sublinhados de boa intenção.
Meus braços
Meus olhos
Meus passos
Minha canção.
Meu quadro
Meu filósofo
Meu beijo
Meu verbo
Meu coração.






28.03.2010 - 22h12min

Tua



Ser teu peito
Teu leito
Teu pedido.
O ombro que te descansa
A cerca que te protege
O abraço que te conforta.
Ser tua sombra
Tua bebida
Teu travesseiro.
Ser teu sonho bom
E tua real satisfação.
Ser tua cura
Teu remédio
Tua alegria.
Ser teu conforto
Teu banho quente
Tua guarida.
Ser teu consolo
Teu contato
Teu presente.
Ser tua
Agora
E permanentemente....



28.03.2010 – 17h23min
Viva voz de ventos. 
Os mesmos do mensageiro,
que te soprou pra mim...

 

sábado, 27 de março de 2010

Fonte da juventude





Eu voltei a ser menina... 
Tenho 17 anos e 
uma vida toda pela frente... 
A energia invade-me o corpo e a alma, 
e eu sei que posso transformar o mundo. 
Se não o de todos, ao menos o meu. 
E o dele. 
Sou uma menina. 
E todos as conquistas 
estão disponíveis pra mim.










27.03.2010 - 20h37min
A magia do encontro...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Memento Mori

Sou de tudo um pouco.
Sou roubo. Rombo. Ranhura.
Sou a mão que afaga e o fruto maduro.
O vaso de terra comum.
A fonte da eterna inquietude.
Não sou jovem. Nunca fui.
Sou dona de um sentimento nobre e uma caneta,
alguns versos confusos
e outros tantos longos silêncios.
Sou grito-sussurro ecoando ao longe.
Sou insônia, cansaço e rebeldia.
Sou quieta música de estrela
e longa viagem de sonho.
Sou louca
descabelada
e feia
e não tenho coração
(ofertei o que pulsava em mim).





Aos 51 minutos de 26.03.2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Crime

Roubo sem arma a tua essência
assalto teu álbum
apodero-me das imagens expostas
na galeria dos teus ídolos.
Dali
Picasso
Sally.
Teus pedaços.
Tua voz de outro sotaque.
Teus assuntos, teus instantes.
Teus cacos quebrados, teus brilhantes.
Roubo tudo.
Assumo o veio, a vela, o breu
o azul da tua noite terna.
Somo meu verso ao teu
peito-promessa. Acredito.
Terno crime bendito.
Tomo pra mim teus efeitos
tuas guitarras
tuas letras
tuas fundações
teus trilhos
teus trens.
Todos meus.
Não devolvo, nem de direito.
Moram em mim, agora.

Crime seria não te querer...



25.03.2010 - 1h50min

Tu és maior do que eu pensei
e eu pensei que fosses bem grande
errei feio
não dá pra te medir...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Quatro mãos na madrugada do Norte




I


Voar. 
Diamantes voadores
pequenos cacos brilhantes
mensageiros de outras dores
de outras vertigens
outras eras.
Voar.
Desmanteladas insônias
no grito do vidro rasgado
contra a parede anônima.
A tristeza não é.
Tem nome, endereço fixo e RG.
Só não tem a solução.
Essa vem voando nas asas do tempo
equilibrada no brilho do último caco -
 
solitário caco grudado no vão
 
da tábua do assoalho gasto
no hotel de quinta
sexta
sábado e
 
domingo de sol sem luz -.
Voar.
Um dia a última derrota
haverá de ser varrida
pelo número crescente
de vitórias.
Voar.
Um caco guardado no muro
pra virar pedra de anel
nas asas d'alguma boa nova
na próxima esquina da vida...


II

Ando com gosto de perfume na alma. 
Cítrico. 
Do jeito que eu gosto. 
Perfume com som dos sete sinos da felicidade.
Ou do mensageiro do vento, 
aquele mesmo que tine quando 
sopra uma brisa ou 
quando se anuncia uma tempestade. 
Ando com gosto de hortelã e jasmim. 
E com uma vontade inenarrável de 
devorar a vida, os instantes, os silêncios e os beijos do tempo, 
como se ele estivesse por terminar 
pra mim. 
Sem desespero, mas vorazmente.
É que estou na fase eufórica. 
E queria que ela durasse pra sempre.



 III

Mais um dia de vida não é 
mais um dia perdido, 
ainda que nada tenha havido nele, 
de bom, 
ou de aparentemente aproveitável. 
Mais um dia de vida é 
mais um dia ganho. 
Viver é tão difícil de dizer que 
é melhor abster-se, 
e, 
confortavelmente, 
sorrir...


IV

Parto o vidro
o pão
a despedida.
Parto o papel da carta maldita
a partida
a participação impedida.
O diamante brilhando na íris,
esse não parto.
Partilho.


V

As madrugadas são poderosas 
mágico-excêntricas. 
Nelas é possível transformar delírios 
em canções 
ou apenas em flutuações de estrelas.
 
As madrugadas são batons vermelho-vibrantes, 
criados pra criar outras dimensões. 
As mesmas que transformam gatos em lebres, 
fibras em febres, 
vidros em jóias eternas.
As madrugadas são bruxas 
e blusas abertas nos varais, 
nas sacadas, 
nos lençóis amassados de sedes.

As madrugadas são leves, 
são breves, 
são brutas. 
Bestas soltas nas erupções dos sonhos 
que se inventam 
e tentam voltar a ser copos 
nos corpos cristalizados 
dos diamantes intactos, 
que bailam no chão do hotel de um outro Hemisfério. 

Madrugadas são mistérios.


VI

Não são os gregos que quebram os pratos? 
Quebremos os vidros dos copos. 
Poupemos os carmas. 
Misteriosos são os caminhos 
de tudo o que permanece 
diamante...


VII 

Guarde o copo. 
Quebre a dor. 
Celebre a estada. 

Entonteça. 

Hoje sim. 
Hoje - 
a transparência do copo intacto. 

Enterneça.



VIII

Digitais longínquas 
são capazes de pintar quadros outros, 
diferentes da dor... 
Bom ver sombras dançantes d'outras vitórias... 
Bom saber-se parte de um copo permanente.


IX

A partir de hoje, 
um pensamento em tempo real. 
Um tempo pensado em copo. 
Uma definição ou um acordo 
sem prévio aviso ou absoluta escolha. 
Gole sagrado. 
Visível. 
Exposto. 
A partir de hoje, 
o outro lado. 
Da lua 
ou 
de ti mesmo?



X

A partir de hoje, 
a contradição e um gole de madrugada 
serão considerados mantras sagrados meus... 
Teus.

Acasos são riscos já traçados. 
N'outras dimensões. 
N'outros pontos. 
N'outras canções.


XI

Nos meus poemas 
nas tuas canções. 
Nesta 
n'outras todas dimensões.
Seja na minha face perversa, 
seja no teu sorriso, 
seja na reação clara 
do poema composto a quatro mãos. 

Mãos de madrugada.







23.03.2010 - entre 20h e 22h19min
Obrigada por semeares inspiração.








terça-feira, 23 de março de 2010

Catarse





Observo o dançar dos fatos
flutuo nas considerações exaustas
de pontos de luz e de intermitentes faróis.
Morro todo dia na tua pele branca.
Escorro entre mandalas coloridas.
Um sinal dos ventos desperta os fantasmas.
Obtenho outras confissões
nesse meu mundo particular.
Estás em mim feito mágica
na ponta dessa minha língua ferina
que insiste em impor teu nome
no único momento em que ele não deveria estar.

Teu nome.
Morto todo dia na minha pele branca.
Nos pontos finais das minhas semanas
nos sinais dos fantasmas que me cercam.
Abstenho-me d'outras confusões
nesse meu mundo impreciso.
Ser em Ti. 
Fundo mágico na tua língua muda
que insiste em esconder meu nome
do teu próprio saber. 








23.03.2010 - 1h11min

sábado, 20 de março de 2010

Invisibilidade



Não quero mais ser diferente
quero ser igual, uniforme, normal.
Invisibilizar-me sozinha ou na multidão.
Curvar-me aos ditames da moda escravista
estar por dentro das últimas tendências
de toda e qualquer estação
de todo e qualquer pretexto.
Não quero mais ser diferente
frequentar lugares seletos
selecionar formas e gentes.
Quero ser normal, igual, uniforme.
Só mais uma, eu quero ser.
A que nunca é mencionada
a que menos interessa
aquela de quem não lembram.
Invisibilizar-me
Apagar meus vestígios
minhas digitais
minhas pegadas
meus rastros todos
da memória alheia.
Desaparecer no meio dos que estão só de passagem.
Passar.
Invisibilizar-me.




20.03.2010 - 13h02min

Metamorfose

sexta-feira, 19 de março de 2010

Contraditória


Sou a tradição em pessoa
e a delícia da diferença...
Meu nome é Contradição.






Aos 11 minutos do dia 19.03.2010



quinta-feira, 4 de março de 2010

Sobrevivência

Eu não sei se pinto o muro
se faço chacota da vida
se invento histórias mal contadas
se durmo três noites seguidas.

Eu não sei se é melhor esquecer
ou remediar de vez
talvez computar mais detalhes
ou escrever em bom português.

Eu não sei se me atiro na areia
ou se abro a boca e olho pro céu
se danço um tango no intervalo
ou se choro na chuva vestindo apenas um véu.

Eu não sei as razões da agonia
ou talvez possa enumerá-las todas
sem errar uma vírgula sequer.

Eu não sei das chaves nem dos portões
nem sequer eu sei
onde foi que eu errei.




As respostas se perderam no meio de um emaranhado de pontos de interrogação sem nenhuma outra explicação além da usual aquela mesma vaga em todas as várias ocasiões igualmente especiais exceto pelo fato de não serem perigosas em absoluto ainda que se equilibrassem sobre as linhas pintadas de amarelo bem no meio do asfalto ao longo de aproximadamente duzentos quilômetros que parecem há anos muito mais longos que a Muralha da China muito mais finos que um fio de cabelo branco pintado de vermelho religião





04.03.2010 - 23h21min

Fazer saber


Quem manda aviso é a vida. 
Que a morte não pode ser convencida 
a vir outra hora, quem sabe outro dia,
quem sabe nunca, 
talvez...
Mas a vida, essa coisa curta e tão bonita, 
papas na língua não tem. 
Fala e repete, em bom e alto som, 
que o sonho é agora
e a chance, na palma da mão
mora.
A mesma mão ferida
o mesmo lombo dormente
do escrito intocável,
escapado de um acidente.

Que sorte, meu Deus,
que bênção
ter sobrevivido...







04.03.2010 - 21h33min

Aflição













Ai. 




Que tristeza me deu. 
Que dor repentina
no fundo d'alma,
aperto agudo no peito. 
Sensação de impotência.
A vida é um fio.
De navalha.
Afiada.
Corta rente
e alguém desaparece.
Vez em quando manda aviso
e o vivente sente
só um vento
um vidro quebrado
uma ferragem retorcida.

Ai.
Que tristeza me deu,
assim num repente,
do que eu não vivi
e que quase se perdeu.






04.03.2010 - 20h38min

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meada

Umaoutrapágina
umoutrolugar
umserquenãonega
umjeitoprópriodeandar.
Pontesdetrilhosdistantes
cercaniasquejamaishaverão
pontosvírgulashífenserrantes
salivasesóiseponteirosquenãomarcarão.
Feridasalheiascortescosturas
tudomisturadonamesmafolha
namesmaletranamesmatrama
difícildefinirocomeço
ouodesenrolardosfatos
edotropeço.
Grandessãoosmedos
impiedosasasambições.
Tudojuntosemespaço
tudonamesmaagonia
tudonamesmaaflição
tudonamesmadefinição.







03.03.2010 - 23h53min

Instalação

Alumínios nas prateleiras
e espaços entre os dentes dos pentes
quebrados de tanto uso em cacos de cabelos
molhados.
Encostados às janelas
estilhaços de pensamentos impróprios
feito azulejos portugueses
das casas de chá
onde algozes se empanturram de riscos de giz.
Discos violetas assombram os ratos
e os letreiros das avenidas empoeiradas
nas celas dos presídios
e nas fardas amassadas
dos escaravelhos mortos
espalhados pelo caminho das pedras.
Fumaças e fornalhas agourentas
agora são escadas
e buracos nas águas calmas
de poços artesianos em desuso.
Se os monitores já não assumem
suas próprias posturas
que se dirá dos deuses caídos
e dos anjos abjetos
objeto de escárnio e descaso e fantasias mil.

A arrumação é descaminho
d'arte.
A arte é desalinho
da intenção.





03.03.2010 - 23h41min

Agouro


Eu quero corrigir as minhas vontades, 
consertar as minhas verdades, destruir os meus senões.
Eu quero serões de poesia ao ar livre e canções de vitória
onde antes apenas sertões havia e areia e miragens e um rosto infeliz.
Eu quero assumir as fraquezas e desfilar inteira
sem máscara de falsa aprendiz.
Eu quero evitar os entulhos, desviar os atalhos e abrir mão
do que eu sempre quis. 
E não tive. 
Por merecer, não fiz.
Eu quero virar punhados de entrelinhas e garimpar estrelinhas
em versos mancos, de cacoetes manchados e marcas de cigarro
e café.


03.03.2010 – 22h30

Quem, eu?



Eu sou uma coisa sem definição.

Às vezes moça
às vezes nua
às vezes loba
às vezes lua.
Eu sei que sou um pedaço
grande de uma grande tela
inda não pintada
inda não tida
inda sequer parida
pelo artista que eu não conheço
e que talvez nunca venha a.
Eu sou todos os hormônios
e todos os sentidos
e todas as harmonias confusas
que alguém puder ouvir.
Eu sou o pincel
a caneta
a fotografia
e todos os olhos abertos
no fim.

Eu sou uma coisa que não se define
nem definha assim tão simples
nem debruça o peito
assim tão fácil.


Eu sou o que não existe
talvez por isso
e só por isso talvez
eu seja assim tão triste...




03.03.2010 – 21h16min