
Atrevo-me a investir na bolsa de ilusões
nos milhões de senões e de situações
em que os mortais se vêem sem ter
para onde fugir ou como se proteger.
Atrevo-me a explorar os cantos escuros
escusos, inclusos na lista dos destemperos
todos que assombram meu particular país.
Atrevo-me a ser eternamente transgressora
das regras e metas oficiais que afligem
e infligem toda sorte de ordinárias maldades
contra a liberdade, o pensamento e a opinião.
Atrevo-me a ser eu mesma
num mundo mascarado e fútil
que mente e devora essa mesma mentira
como se fosse a semente de um amanhã
mais limpo e mais puro. Impossível!
Atrevo-me a contestar a ordem estabelecida,
a desestabilizar as pedras concretadas
de uma verdade há muito falecida,
a nadar contra a maré e a firmar meu pé
naquilo que considero forte e seguro.
Atrevo-me a pagar o preço.
Atrevo-me a sofrer.
Atrevo-me a sorver o suco da adversidade.
Atrevo-me a sobreviver.
Aos 41 minutos do dia 27.03.2008
Um novo dia que nasce da escuridão...