
Acompanho a mim mesma
procuro status de ocupada
nas linhas do horizonte distante
que tracei co'as tintas de meus cabelos
outrora vermelhos, hoje breus.
Pimenta são os olhos dos outros
nos meus colírios.
Banho as mãos n'água quente de espumas
sem toalha pra secar as lágrimas
ou os apuros mensais.
Mulher, meu alimento é a poesia.
Humana, me alimento de ar.
Um passo após o outro
e nenhum me tira daqui
ou me arrebata de lá.
Copio ilusões e tomo posse do qu'inda terei
antes do tempo previsto
na agenda descartada de ontem
cheia de rabiscos e riscos sobre as letras
descartadas também.
Desperdício de inspiração.
Entoo uma canção antiga
daquelas que Antonio Marcos não canta mais.
O palhaço sou eu
ou a tinta que escorreu do meu quadro?
Não entendo as balbúrdias
e os desassossegos a que me obrigo
ou aos quais obrigo os que me amam.
Amasso o coração já partido
e se participo do ritual macabro
de aliar-me ao elo que me une a um mundo perdido
é por não ter absolutamente mais nada pra fazer.
Não avalio possibilidades
nem elas a mim.
Pretensão boba essa minha
de querer ser vista pelas possibilidades
distraídas que estão com a arte
de serem mínimas.
Meu voo não alça
dança salsa
enquanto o palhaço ri
da minha crença.
Dias melhores
virarão...
26.08.2009 - 21h