
Alguns me consideram uma verdadeira chata.
Outros me acham pretensiosa,
mandona, autoritária.
Terceiros me vêem como humanista,
ou
contradição das contradições:
incendiária.
Quartos me dormem.
Quintos me acordam.
Sextos me sacodem.
Sétimos me dominam.
Oitavos me devoram.
Nonos me abominam.
Décimos... sei lá...
Quanto a mim, quando me vejo
me penso bem assim:
nem tão santa, nem tão bizarra.
Sou de estrela um lampejo
cantoria de cigarra.
Sou pirilampo travesso
que dança entre os festejos
de um São João deserto.
Eu sou assim.
Quem gostar de mim, que goste.
Quem não gostar, que se baste.
Eu sou o pó e a estrada juntas
o vento, o sol, a espuma, a prataria.
Não sou de vidro, não sou de barro.
Sou mulher.
Cuidado comigo,
eu amarro!
20.05.2008 - 23h35min