quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Semântica

No meu dicionário de significados
os sentidos jazem sobre as flores
e as palavras são meros espectadores
dos meus obscuros emaranhados.
Desconstruo o poema
como quem senta à mesa
do banquete de um Imperador.
Cato feijão nos acentos circunflexos
e alinhavo a próxima estrofe
com as batidas do meu coração
como quem planeja uma metrópole
(mas metrópoles são desordenadas
desorganizadas
barulhentas
violentas e ricas
de qualquer coisa mofada
que purga de suas feridas).
E a minha criação se ri
do que seria um abismo sem fundo.
No canto da boca-página
um filete de sangue
escorrido do vocábulo
escolhido a dedo
pra não assustar os estranhos
que povoam os ninhos
dos meus pensamentos.
Apalpo as linhas que visto
e já não sei se o que vejo sou eu
ou os meus instintos escritos
descritos
pormenorizados
na avalanche descontrolada
- poética impertinente -.
O ritmo da tua leitura
mantém acesa a chama
e o espaço entre uma e outra escrita
permite o descanso do vazio
que sucumbe
ante o braço enlameado da plebe.
As farinhas desmancham os pães.
Sem alimento, farto-me de orvalho.
Estremeço.
15.01.2009 - 13h10min

Um comentário:

magopatologico disse...

Desconstrução! Minha mestra da desconstrução! Amo suas metafísicas e parauniversos que (des)monta como demiurgo! Beijos do Daniel