domingo, 5 de dezembro de 2010

Fetiche

Chegaste antes ao nosso destino compartilhado
e ao ponto final da tua partida.
Eu vim depois
inda que antes tenha nascido.
Entre nós, as estradas estendidas.
Mãos dadas.
Inusitado enlaçar de nossas vidas.
As minhas preferências, e as tuas
em Porto Alegre a acolhida.
Nenhum outro
tão perfeito encaixe.
Nossas dobras
de quilômetros separadas
agora já não são mais duas
são juntas ou separadas
uma única e branca névoa
pelas tuas mãos macias validada.

Tu chegaste antes
manchado com meu sangue
de carne crua.

Recitar poemas ao pé do ouvido
cantarolar, no meio da rua
sem saber de que lado fica a lua
se em teu olhar de feitiço
se em meu poder de mulher nua.

Fetiche.





05.12.2010 - 14h12min

2 comentários:

Fabricio Martines Alves disse...

Guriaaaaaaaaaaaa.... Se entregando às rimas? Mas de qualquer modo, sorte do homem que inspirou a poesia, um "Muso inspirador" ou Expirador? Uma mulher louca apaixonada, dizendo poemas ao pé do ouvido, sorte ou maldição? Senti isso na leitura deste poema que releio agora por fluir estranhamente como a dona.

Blue Knight disse...

É o meu pé na foto.
Fui eu quem disse poemas ao pé do ouvido e à margem da pele.
Sim.
Sou eu o homem de maior sorte no mundo.