quinta-feira, 12 de maio de 2011

Macramê

Sopra um vento inquieto
nas folhas de um outono vivo
subjetivamente interno
de encontro estético
insone
quase satânico
ou santo.
Um sopro de tecido rasgado
de inquieta liberdade
de constante descoberta.
Sopro de íntima realidade
assunto de ventania
no sangue que corre
pura pressa
de saber.
Um sopro trançado de linha
língua de revoltos versos
sem ação ou exercício outro
que não a influência da resposta não-tida
o dito visual absurdo
abundantemente reconhecido
na linha da palma da mão
do artista.
Um sopro flui no começo de tudo
o toldo cobre a falta da luz
que absorve o campo sem relva
rasgados restos de pesos
pastos coloridos na selva.
Macia vantagem
no fundo da garganta
onde o sopro
alimenta a palavra
que não cospe
atormenta.





 12.05.2011 - 01h40min

2 comentários:

Fabricio Martines Alves disse...

Voce não perde a mão nunca heim, bom como sempre, bom pra fechar este fim de madrugada longa, longa.

Reis disse...

Olá Simone, uma visão penetrante revela-se em vossa poesia, dando-nos conta da trágica inquietude de tudo que nos rodeia. Convido-a, quando houver tempo, ler meus Passos na noite, e deixar sua pegadas... Sucesso, sempre!