domingo, 25 de maio de 2008

Passárgada


Vou-me embora como quem
se diz liberta do vício
mas volto, como quem
tem recaídas sobre recaídas
e recaio sobre o mesmo livro
que li na semana passada
e que escrevi no início do ano
mas não publiquei
por medo do olhar alheio.

Vou-me embora como quem
tem pra onde ir
ou onde ficar
ou quem amar.
Como quem tem o que escrever
sobre o que opinar.
Como quem ri e não diz
como quem sofre e é feliz
como quem não anda
mas sabe para onde ir.

Vou-me embora
faço as malas e esqueço
o dia do meu aniversário
o dia do teu começo.

Vou-me embora e não olho nem pra trás
nem para os lados
muito menos pra frente.
Olho pra cima.
Porque é pra lá que eu vou.


Não me siga.
*nem me obedeça






25.05.2008 - 03h32min

Um comentário:

Mundo Em Transe disse...

Simone o olhar deseja sempre mais do que o que lhe é dado a ver!O poder ver na escuridão. Vemos a materialidade do opaco mundo.


Adrebal Lírio