quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Desalinho

Desiludo a energia; concentro a nudez diante do véu vazio. Escrevo pra entender mas também pra mostrar que não entendo. Desenho pra pretender encontrar o traço que perdi n'algum lugar desse trajeto que desconheço. Escancaro as portas e janelas e pesco palavras em outros idiomas na busca d'alguma tênue ligação com o resto da humanidade. Desiludo a concentração que já desistiu de mim faz tempo. A saudade não me dói mais. Anestesio meus passos a r t i f i c i a l m e n t e... Decido dormir mais cedo decido fazer mais coisas decido roer meus dedos decido rompantes outros pra depois decidir desistir de todos eles. As pessoas se perdem nas ondas de um mar d'águas dessalgadas; nem doces nem pequeninas, muito menos acesas por ventarolas agitadas. As pessoas se perdem na marola. Desiludo a folha seca que esvoaça ao vento feito pena feito feno feito flor em movimento devasso. Desiludido de tudo. Desencontrado de nada. De-se-qui-li-bra-do. Quem, eu? 11.09.2008 - 01h08min

Um comentário:

Jorginho disse...

oi caríssima, adorei a frase " as pessoas se perdem nas marolas"; parece-me que o mundo é o mar, e as pessoas se perdem assim mesmo.bjs.