terça-feira, 25 de maio de 2010

Consummatum est

Nas contas dos olhos
trago duas bolas de cristal
uma me lembra o passado
as duras penas que aprendi
e o mais sutil sinal
de que tudo anda bem
ou de que algo vai muito mal.
A outra prevê o futuro
com base na que do lado de cá, vê.
E é supreendente como
se encaixam na mesma linha
os fios da tênue fumaça lilás.
E é compreensível que eu evite
de quando em vez
de vez em quase sempre
entender o que já é certo
que irá acontecer.
Um olho me mostra o que já houve
o outro, o momento repetido.
Cordão diferente
no mesmo abismo
caído.
Um olho sabe como tudo termina.
Conhece o começo
identifica os primeiros presságios
sabe onde cada passo vai dar.
O outro finge que não percebe
a asa se desprender
o fio das entrelinhas se arrebentar.

Meus olhos sabem
o que o fogo não queima
o que é impossível salvar.
O olho do futuro
baseado no olho direito
espera o momento certeiro
pra tristeza suportar.


(Até lá
nenhuma dúvida.
Tudo azul.
Pari passu.

Se o amanhã
a Deus pertence
que sirva pra eu entender
que consumado está...)





25.05.2010 - 03h25min



4 comentários:

Luciano disse...

Você pega uma expressão latina e faz com que ela assuma significado muito particular e, ainda assim, universal, sem, no entanto, deixar de citar-lhe a fonte, mesmo que seja no último verso desse primor.
Só os verdadeiros artistas conseguem tal proeza.
E você, além da beleza, tem a arte na alma.


Saudações poéticas

Ricardo Kersting disse...

Lindo poema. É inteligente esse pensar. Em princípio, parece comodismo, mas depois se percebe que é a única via. Mesmo assim há pessoas que não entendem e querem mudar o futuro com base no passado. Muitas vezes os acontecimentos até são aqueles que esperávamos, mas é tolice imaginar que tivemos alguma coisa a ver.
Infelizmente ou não, as pequenas coisas estão em nossas mãos, mas só as pequenas!
Saudações..

Anônimo disse...

ihihihihi fiquei imaginando você com dois olhos de vidro (hihihihihihihi) as duas pernas de pau e a cara de malvada. Uma pirata que conhece os segredos do amanhã. Quem sabe eu não estou neles?

Fabricio Martines Alves disse...

Pois é guria...teus olhos vêem tudo isso, porém, tuas mãos ficam com a grandiosa responsabilidade de descrever. Parabéns por ter olhos e mãos em perfeita sintonia. Mas gostei muito sim, você sabe que pe talentosa e usa isso à seu favor.