sábado, 13 de setembro de 2008

Mãos II

Escondo o rosto entre as mãos
Entre as mãos tricoto o destino
Comprometo o dia entre as mãos
Entre as mãos prometo um novo dia
Escrevo a linha da vida entre as mãos
Entre as mãos transcrevo a linha fantasma da vida
Medito de mãos postas
Ponho as mãos para trás
e meço a distância
entre mim e
essa minha
enorme
ignorância
.
.
.
13.09.2008 - 02h47min

2 comentários:

Jorginho disse...

Oi, caríssima; ando meio preguiçoso para escrever; adorei este texto sobre as mãos, sobre o dia, sobre a vida (não gostei da palavra ignorância, apesar de compreender que é o sinônimo de não-saber, somente). Adorei teu comentário no meu texto . bjs. JOrge

Victor Oliveira Mateus disse...

Um poema bastante bom, no entanto
concordo com a questão da "ignorância"... Concluir um poema é sempre o passo mais difícil
O poema é excelente, percorre, verso após verso, os olhos e o entendimento de um modo tão subtil e escorreito, que a palavra "ignorância" aparece como
"muito forte" (mas não "quadrada"),
algo abrupta mesmo. Mas claro é um aspecto subjectivo e eu não sou crítico literário... Tirando este
pormenor, acho o poema de uma grande beleza e de uma fluência
muito delicada.