sábado, 22 de novembro de 2008
Viaja
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Mistério
É verde a timidez
nos sérios olhos que me fitam
de além-mar.
Nos fios lisos
dos cabelos escuros
escuto a canção
que escorreu do teu peito
e veio cá, pousar em mim.
Doce presente de luar amanhecido
nos acordes das estrelas
que te espreitam
enternecidas.
São breves as horas contigo
voam os ponteiros
voam as esperas
voam as imagens que não previ.
A catarse aguarda as núpcias
e as melodias de voz
misturam desejos.
Não temo.
Sou asa
voando pra ti.
21.11.2008 - 17h
(Portugal)
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Karma
Partituras e cifras
Si bemóis a escorrer.
Si, sem o Dó maior
que não arreda pé de ser Sol.
Calor a se espalhar
na harmonia da canção distante
de distinto DNA.
Sintonia Kármica...
Vocação.
Para AKAI, nesta madrugada do dia 16.11.2008 - 04h30min
Futuro
Quando eu crescer
quero ser verbo
partitura
traço de nu.
Quero ser sopro
suave fragrância
mapa ao avesso
na nuca, arrepio.
Da teia da aranha, o fio
crista de galo, fino assovio
galho enfeitado de pinheiro de Natal
extrato de erva medicinal
brisa de mar perfumada
uma pitada de sal.
Quando eu crescer
quero ser página de livro rasgada
coleção de enciclopédia velha
tentáculo de polvo furioso
mordida de maçã.
Quero ser azul-anil
a boca do funil
a luz no fim do túnel
raio de sol enluarado
riso alto de criança
réstia de calor na calçada
quadro louco de Dali.
Quero ser feitiço
folha de árvore frondosa
balançando os cabelos ao vento
beijo molhado de namorado
gato preto no telhado
um curto pavio
um surto na sala de espera da vida.
Quando eu crescer
quero da canção
ser o cio...
18.11.2008 - 15h27min
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Amorais
Entrelaçadas teias
laços virtuais
trançados em fios
de uma realidade absurda.
Sinuosas combinações morais.
Amorais são as velas
que circundam os caminhos
talhados de verbos e vírgulas
no espaço comum.
Ah!
Essas nossas pretensas morais
nossos ais
amores a mais
nossas febres e fomes
nossos amores
nossos ais.
Ah... morais...
Nossos amores
reais?
17.11.08 - 10h
sábado, 15 de novembro de 2008
Alegria
Minh'alma tem sede
de pisar alegria
ritual diário
ao qual me atenho
com indisfarçável prazer.
Construo meus vínculos.
Costuro de flores os laços
que abraçam essa tua vinda.
Meus vasos são rios...
Minhas águas, perfumes...
Meus amores, ventania...
15.11.2008 - 15h15min
Extremos
Trago no riso
um rasgo de lágrima.
No dia,
madrugada gelada.
Na noite,
uma réstia de sol.
Trago no gosto do suor
um toque de doce magia.
No auge do prazer
uma ponta de agonia.
Em pleno Oceano
a luz de um farol.
"Trago em mim todos os sonhos do mundo"*
e estou vazia...
15.11.08 - 13h15min
*Verso de Álvaro de Campos
Segunda vida
Amar é...
A maré assovia a canção:
amar é assolar a partida
Ah! O mar respira um adeus
talvez um cumprimento distante
perdido num Oceano
de persistentes ilusões.
Ir ao mar
diminuir distâncias
destrancar a dor.
Amizade e paixão num só aperto;
se perto é longe
se o pouco é medo
se a tarde é fruta
se a lua, tormento,
então desminto o eco
e sufoco a perda.
Amar é ir
perder-se na imensidão
do fluxo salgado
in-ter-mi-ten-te.
Amar é
es
va
IR
se.
Amar é ir...
15.11.08. - 12h50min
(Para AKAI PARX)
domingo, 9 de novembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Saliva
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Tricotar
Com minhas próprias mãos
tricoto meus caminhos.
Às vezes encontro pontos
frouxos
outras vezes encontro pontos
com nós
preferiria encontrar conosco...
03.11.08 - 03h45min
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Condição
Se danças, inda que só,
danças.
E teu corpo é só energia.
Se cantas, inda que mudo,
cantas.
E tua canção é pura magia.
Se amas, inda que em sonho,
amas.
E teu peito é
só...
30.10.2008 - 18h22min
Quietude
Compenso tua ausência
buscando teu rosto
na minha própria voz.
Excluo qualquer suposto
que me impeça as vírgulas,
necessárias esperas,
té que teu riso
me alcance.
Sopro as espumas das letras
que lacrimejam tua verdade.
Brindo, enfim, à certeza
de tua presença,
inda que distante de mim.
Saudade....
30.10.2008 - 18h15min
Olhar
Eu não tenho olhos azuis.
Eu não tenho olhos castanhos.
Eu não tenho olhos de cor alguma
que se perceba à claridade
de um olhar qualquer.
Eu não tenho sonhos azuis.
Eu não tenho sonhos castanhos.
Eu não tenho sonhos de cor alguma
que se perceba à claridade
de um olhar qualquer.
Eu não tenho caminhos azuis
muito menos caminhos de rosas brancas
ou de espinhos, sequer, eu tenho.
Eu não tenho caminhos.
O que me há
é um tal gemido constante
que pinta meus olhos
de cores berrantes,
nem um pouco sutis.
O que me tem
é um estado de alerta distante
um tremor de dentro
um desejo ardente, persistente,
de imperiosa meretriz.
O que me leva
é a força de um tudo
dissolvido nas partículas
de minha particular esfera.
Eu não tenho um olhar.
Eu SOU.
30.10.2008 - 18h05min
Lembrança
Das janelas fechadas
do velho casarão
de minhas pretensas memórias curtas
desprende-se o salgado gosto
da pele que eu não lambi...
30.10.2008 - 17h53min
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