01.01.2009 - 02h48min
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Marginal_Arte&Cultura
Por amor
Por amor
sou meus desenhos
dispo-me das dores
dos tecidos
dos verbos
dos receios
dos cuidados todos.
Por amor
sou minhas poses
minhas quebradas
minhas colinas
meus vales
serenatas
cachoeiras
sumarentos e finos recortes.
Por amor
sou as mulheres que fiz
cada traço
cada curva
cada compasso marcado
no tempo certo
ou no intento
imprevisível
da tua chegada.
Por amor
sou retrato
e janela.
Abertura
estilhaço
saliva
abraço.
Por amor
sou a sombra
desenhada
feminina
felina
amada
amante
graça.
Por amor
sou tua
em traço
ou nua.
Tanto faz;
é tudo pra TI.
01.01.2009 - 01h50min
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Nus
Despir-se é muito mais
que despojar-se das vestes
é deixar a descoberto
a alma, pra TI.
Corpo e alma desnudos.
Nus
Nós
Dois
.
29.12.2008 - madrugada
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
"Se tudo der certo"
(...)
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos...
(...)
Gonçalves Dias
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Quando tudo der certo
o jogo de palavras
virá com manual;
os magos a mais
- ou a menos, tanto 'faiz' -
não terão a menor importância,
dadas as mágoas
deixadas do lado de fora
dos nossos portões
que esquecemos de fechar
com enferrujados cadeados
de cristal.
Achei que tivesse tI perdido.
E me perdi ao isso achar.
Fiz do medo a poesia.
Um verso a mais pra TI
que ME sabes poetar.
25.12.2008 - 03h36min
(Tu não és otimista. Tu és ÓTIMO.
Obrigada pelo farto material de espelho.
Só o que faço é refletir essa tua aura brilhante,
que eu amo. FELIZ NATAL!)
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Nomenclatura
Não é por acaso
que as três primeiras letras
do meu nome de batismo
sejam uma afirmativa...
19.12.2008 - 14h36min
Antes
Meu relógio está sempre adiantado
talvez essa seja a melhor explicação
sobre quem eu sou...
19.12.2008 - 14h35min
Eu quero TI dizer
O que eu quero dizer
é o que eu não disse
e a palavra me foge,
livre, nos campos da vida.
O que eu quero dizer
é o que eu não fiz
o que não pensei
o que deixei escapar
entre os dentes
em forma de SIM.
O que eu quero dizer
é uma frase desgastada
desgraçada na boca de uns
abençoada na de outros
mentirosa algumas vezes
profunda quase todas as outras.
O que eu quero dizer
é só um repeteco do eco
das esquinas e dos sussurros
cansados de descansar nos ouvidos
de outrem.
Mas a palavra me foge
mas a frase fica pela metade
mas a boca não abre
para dizer...
E o que eu quero dizer
fica dançando no ar
bem na minha frente,
deboche constante
dessa minha falta de coragem.
E o que eu quero mesmo dizer
é o que eu digo brincando
é o que não levas a sério
é o que ouves sem importância
todos os dias,
de outras formas,
com outras palavras,
ou até com as mesmas,
em outros tons.
E o que eu quero mesmo dizer
é que eu TI amo.
(...dizer...)
19.12.2008 - 14h06min
Agradecimento
Obrigada por teus olhos
exigirem-me os sorrisos
que eu, às vezes, esqueço
que sei criar...
19.12.2008 - 13h20min
(Pra TI)
Ambição
Não tenho grandes ambições
nada impossível espero:
minha filha feliz e saudável
meu livro publicado e lido
o homem que amo, ao meu lado.
Mas como isso é difícil de conseguir...
19.12.2008 - 11h02min
Dizer
Tenho mil crônicas
atravessadas na garganta
e milhares de palavras
reclamando o direito ao grito.
Direito conquistado
a suor escorrido na testa
mesmo gosto da silenciosa lágrima
que mancha meu rastro
na estrada aberta por mim.
As pérfidas razões
dos verbos-espadas
que cortam as não-palavras
caladas
soam confusas em suspiros
sem significância (in?) alguma
nessa minha realidade (i?) vertida
sabe-se lá de onde.
Cortam-me os pulsos
os pesos das frases
que pousam sobre lugar algum.
Coerência é coisa pra poucos
escolhidos a dedo;
e eu não sei por quê
mas não sou deles o um.
Os estalos do telhado
que a chuva fere
são contratos jurados de morte
pela extensão dos vocábulos proferidos.
Fusão de dizeres.
Fartura presa na língua.
Não-dita.
Silenciada.
Engolida.
19.12.2008 - 10h15min
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Passagem
O caos desacelera o passo da harmonia
complica os atalhos já gastos
desgosta o império erguido a dor.
A ferro e fogo o calmante cala meu verso
cala minha saliva
cala a sílaba dispersa
que procurava a folha branca
pra, borboleta, pousar.
O caos estanca o fluxo
e a partícula é o meio do mundo
que não vislumbro
que não prevejo
que não adivinho
na borra de chá
do fundo da xícara
de café.
O caos espanta a linha.
O cúmulo do absurdo
é não ter uma expressão
que se encaixe entre meus dedos
pr'eu saber que a vida
excede qualquer textura
ou texto
ou intenção de orvalhar
os dias com pimenta e sal...
Um dezembro outonal...
16.12.2008 - 17h55min
Desistência
Não quero mais mudar o mundo.
Não quero mais impossíveis atos.
Não quero mais a ilusão
de que tudo pode,
afinal,
dar certo,
no final
(e quando chega esse tal de "final"?).
Não quero mais mudar o mundo.
Eu, hoje, órfã da minha idéia mais querida...
16.12.2008 - 17h10min
A frase
É esse silêncio que rasga o poema
na intenção não alcançada
e que agora paira no ar....
16.12.2008 - 04h12min
O Grito
Publico um grito.
Escuta e aquiesce,
que os tempos dirão
do freio das tramas.
Além disso
silêncio...
Shhhhhh....
16.12.2008 - 04h10min
Rasura
Se rasgo o raio
e solto o verbo
sobre o corpo resvalo
em estrelas multicores,
é porque me faltam olhares
suficientes
que te alcancem os braços
tatuados de vertigem e sopro quente.
Se enveredo pelas alamedas
confortavelmente já conhecidas
é porque maltratam-me as retinas
as centelhas do fogo de ontem
que consumiu-me os arrepios
e as censuras
e os cuidados
e os limites todos da lucidez.
(Embriagada sede de loucura vã.)
Se te dou ouvidos e olhos e bocas
é porque me faltam as palavras
que enchem esses espaços vazios.
Cadarços abertos nos sapatos
esquecidos na soleira da porta
que deixamos de abrir.
Jaz ali o desejo imediato
e a sensação inusitada
do belo
do ralo
do sempiterno
assovio...
(Escuta o vento
vislumbra a fada.
Solidão é algema que mata
nas minhas mãos
o teu suor.
A veia que verte de TI...)
16.12.2008 - 04h07min
Movimento
Pareço parada.
O movimento me é;
estanco o palanque
que afronta meus brios.
O destino afoga o afago
que esperava por mim.
Não tenho sossego
embora pareça sempre a mesma...
16.12.2008 - 01h15min
Aflição
Esperei, de novo...
Logo eu,
que detesto a espera,
que guardo o desejo secreto
de ter todas as estações ao mesmo tempo
só pra não ter que esperar pelas flores primaveris
ou pelo orvalho frio das madrugadas de inverno
ou pelo calor do sol forte de um verão escaldante
ou pelas folhas secas dos plátanos cobrindo meus caminhos.
Logo eu,
que detesto a espera,
sento aqui,
debaixo dessas estrelas de mil cores
e espero.
Sina sem badalos.
Espero...
E nada...
16.12.2008 - 03h09min
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