sábado, 12 de dezembro de 2009

Persistência

Brigo comigo mesma
sou mil razões de desacertos
discordo dos meus argumentos
remeto-me às últimas frases
persigo a desistência.
Prossigo.





12.12.09 - 18h29min

Conclusão

Assino um céu sem nuvens
dissolvo as línguas
descanso das falhas
desfaço os nós antigos
asseguro as próximas colheitas.
Amanhã haverá luz
nas pétalas das margaridas brancas.
Surpresa de cetim entre os dedos
dentes de sabre nas bocas de lua
santos desnudos nas capelas de rua
casas vazias de parágrafos
confissões de vozes mudas.



Aos 33 minutos do dia 12.12.09

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diário

Assovio triste canção de dó
assumo as certezas inexatas
dos paralelos escolhidos
e das esferas lisas encontradas
nas solas dos sapatos novos rotos.
A remissão que não espero
aguarda por mim debaixo da porta
do quarto vazio de estrelas.
Imediatamente os atalhos dos eus
cobrem-se de heras
e de gratuitos espetáculos insanos.
Rotineiramente arrombo as histórias
e roubo frases pensadas
pelos meus outros ais.
Atrás dos espelhos os filmes
e os poemas únicos
as baladas antigas
e os badalos dos sinos
das demolições e dos medos.
Ameaçam as honras as horas dobradas
a dor no estômago quebra-me o corpo
e a alma é fugitiva dos sabores ocres.
O culto ao anonimato
faz namorar a indiscrição
e a chuva já não lava a alma.
Esqueço a quentura do sol.




11.12.09 - 22h47min

Nada

Ainda escrevo como sempre
(e 'sempre' é tão longo às vezes!).
Ainda escrevo com caneta de ponta fina
em agenda antiga vazia
comprada especialmente para versos
rabiscados
rebuscados vocábulos
nunca suficientes
(e 'nunca' é tão longo às vezes!)...

Escrevo insuficiências.






Aos 11 minutos do dia 11.12.09

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sobre quem somos


São as palavras que nos definem
ou nossos silenciosos gestos?
Talvez o que deixamos de fazer
ou o que foi adiado.
Talvez o que negamos
ou o que deixamos de ver.
Talvez o que não queremos
ou o que dizemos não querer.


São nossas escolhas que nos definem
ou os nomes que damos a elas?





10.12.09 - 23h09min

Despertar

Estou acordada
não durmo mais
o ponto é sempre outro
estar desperta
é que faz a diferença.
Estou acordada
não durmo mais
o outro é sempre um ponto
estar diferente
é que faz despertar.
Estou acordada
não durmo mais
o outro é sempre diferente
o ponto é o despertar.
Não durmo.



10.12.09 - 21h

Puérpera

Forço a escrita de mais um poema
só pra descobrir que ele já era palavra
antes que eu desse o toque final
antes que os braços se formassem
e abraçassem um sem número de mortais
antes da forma do feto
antes que o broto abrisse
e o pólen se espalhasse pelas linhas
tão perfeitas do caderno velho
na cabeceira da cama branca
antes das interpretações milhares
antes das construções e dos acrescentos
antes das correções válidas e in
antes dos experimentos vários
antes de deixar-me levar pelas ondas de versos
que invadem meus instantes quietos
nas madrugadas quentes dessa euforia
antes que minha idade avançasse
para além dos limites da loucura permitida
antes de tudo e de todos os ocorridos
antes de todas as conversas
antes de todas as inspirações
antes de todas as invenções
e de todas as irritações possíveis.
O poema
esse mesmo
impresso agora
já existia
n'algum lugar
além...




10.12.09 - 01h28min

Herança

Rumino os dias
quem passa não sou eu
são os princípios
o resto é resquício
de outras passagens
outros passageiros.
Descanso.






10.12.09 - 01h07min

Feto

Nascer é iniciar a contagem regressiva
festejar o começo da partida
talvez daí as idas e vindas ao longo da vida
talvez daí os eternos começos
(formas de evitar o inevitável fim?).





10.12.09 - 01h

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Hoje




Sou elo de corrente embrutecida
de cansaço e torpor
canal de cãs pintadas
e trilha no meio do nada
pra lugar algum.
Serpente de ligeiras curvas
indiscretas revelações perturbadoras
problemas sem solução.
Sou poço d'água turva
e balde transparente de canetas azuis
folhas brancas em asas de borboleta
gosto de anis dentro do café da tarde
prato de sopa de ervilha quente
arrependimento de caco de vidro
nas telhas da cancela
na dobra do origami alaranjado
que jamais conheci.
Sou imagem e semelhança de mim
e estilhaço de sonho
no telhado de zinco
de cinco loucos dedos no teclado
querendo dizer o que não se diz.
Sou uma bolha no minuto
do relógio de pêndulo que eu não tenho
um fio de cordão cinza no pescoço
que não amarra nem distrai.
Sou a única nota desafinada
escapulida porta afora da noite.
Qualquer definitiva indefinição
do toldo que cobre o túnel
da nobreza ou da completa impressão.
Hoje.
Amanhã...
Não sei...


E tu
o que sabes de mim
qu'inda não leste
nas entrelinhas da razão
ou nos degraus da partilha
onde a boca seca
é símbolo de rosa cega
e linha vazia é sinônimo de apreensão?
O que sabes dos verbos calados
e dos des-ditos aos quatro ventos
enferrujadas tempestades
de litros de algodão ensopado de luz?
Hoje.
Amanhã...
Não sabes...
(Eu, nem...)







09.12.09 - 01h29min

Sei?




*Para ampliar, clique na foto

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Filha poesia



Filha poesia , filha e mãe , inseparáveis como coração dentro do humano
poesia no papel
filha na mãe,
inseparáveis como poesia no papel
tinta no pincel
inseparáveis
filha poesia
inseparáveis
um coração que não polui,
nem tem tristeza que com o tempo se espalha em nós
mas um coração com amor de filha poesia:
inseparáveis...

(Alina Aver)




08.12.09 - 23h12min
*Poetisa: Alina Aver, minha filha - vai ver que é por isso que eu amo tanto a poesia; minha filha É!
*Foto do mesmo dia, às 20h18min

sábado, 5 de dezembro de 2009

Passageira



Ponho à prova o que construo
hoje é quase ontem
e meu ponto de partida
mora no ponteiro que não pára
nem toma fôlego
um instante sequer.
Hoje é quase ontem.
Importa guardar lembranças
recortes dos minutos que passam
que se transformam
em outros suspiros.
Talvez...






05.12.09 - 23h28min

Mensagem

Propositalmente distorço as atenções
e as tensões são espectros inofensivos
frutos de divagações e meditados instantes.

O status quo não me interessa.
Só teus meios sorrisos e teus orvalhos
teus estudos teus orgulhos teus olhares diários
tuas importâncias e tuas iluminadas transcendências.

Tranço a sorte entre os teus dedos
cruzo os meus e te acrescento ao meu rol
de duas pessoas minhas.

As duas que eu quero aqui
pra hoje, pra depois e pra além
de tudo o que conheço
e tudo o que pretendo, ainda, viver...





05.12.09 - 23h

Azul




Azulejo a vida
a tinta eu mesma faço
misturo minha poesia
co'as alegrias com que me brindas
todos os dias
em que teus dedos me dizem
o quanto TI quero aqui..







05.12.09 - 22h34min

Tempo




Dança na pele branca
a lâmina quente da palavra
na fervura arisca do meu peito
teu hálito perdido na teia
de amor desfaço as bainhas
das cortinas do tempo
tatuado nas linhas do meu rosto.
Arrastam os chinelos os dias
e o sol passeia os dedos de raios
no alvo invólucro de mim.
Marcam-se dobras na epiderme
indeléveis testemunhos da idade
manchas apagáveis à vista
inesquecíveis à alma.
Perdão.







05.12.09 - 21h33min

Suspensão


Nas canções que não ouço
gravo os acordes que não conheço
e arrasto as impressões nas teclas
de uma tradição inevitável.
Embalo os brotos de lua
e os gomos de nuvens me prendem
aos laços de plástico
aos degraus dos pacotes
que arrumei na porta da rua.
Navego.












05.12.09 - 19h02min

Descanso



Levanto da cama feita
expresso minhas linhas
sem  longas jornadas
ou vazios de estrelas.
Fecho as janelas e
limpo as vidraças
ouço os ninhos
os arbustos
os trilhos.
Argumento.









05.12.09 - 17h

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Férias!!!!!

Quase férias
descanso
banho de sol
leitura
dormir tarde
ou nem dormir
de noite.
De noite acordar
de dia dormir
(quando nascer?)
tudo trocado
tudo 'errado'
tudo diferente.
Dias quentes
coisas por fazer
fazer outra coisa
que até tenho vontade
mas qu'inda não fiz:
pintar o sete
na parede do meu quarto
no muro da minha entrada.
Talvez esquecer
talvez lembrar
talvez encontrar
ou não.
Com certeza acertar
(não?).









02.12.09 - 22h01min

Timbre



Há formas e cores e angústias
que as agonias costuram na garganta
e fecham as possibilidades de sonho.
Há contos e cantos e contas
entrelaçadas nas pontas das sombras
entretidas co's desejos de outras luas
de outros solfejos.
Há fôlegos e folgas e folhas
em branco e rasgadas de dentro pra fora
claros princípios de afogamento
no reflexo de um gigantesco espelho
habitado por um fauno enfeitiçado de
malícia e juventude.
Há compreensões e coações e compressas
nas feridas nos arranhões nos vestígios
dos telhados e das teias rasgadas das veias
por onde correm os rios de calor e verdade.
Há janelas e portas e cercas
acertos de trocas e troças de borboletas pintadas
por pincéis azuis e regulares brumas.
Há coragem e inocência e alegria
nos fios dos olhos curiosos
que escutam os passos recentes
das tintas da vida

sem culpa...







Aos 18 minutos do dia 02.12.09