terça-feira, 19 de junho de 2012

Contigo


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Porque entraste na minha vida
pra seres mais que especial...

 


Teus olhos verdes de floresta
no céu dos meus azuis
plantam festa
prateiam os espaços
embalam os sonhos
que vivemos juntos
e os que haveremos de construir.




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Semente

Conforme as tintas
os laços aprofundam
as semelhanças dos ritos.
Sonho em minutos
os estremecimentos que não pinto.
Aperfeiçoo a rasura
e dissemino
a distribuição das vírgulas.
Vigio as saídas
e o neon cega as entrelinhas
rompendo as águas
apertando os nós
das luvas de pelica
no mesmo instante
em que o truque
se descobre inútil.
Emocionante.

Conjugação

As respostas
estão suspensas
té que a ordem escolhida
conjugue os pontos
de indefinição
no tempo exato
do verbo irregular.

Meios

À primeira vista
o poema acarreta
inconformadas reticências.
Os acessórios mínimos
elaboram típico luto
e a condição do meio
é quase assumida sem culpa
não fossem os pontos desconexos
das tintas desbotadas
nos limites expressos.
As alças voam
cartão postal
vivo de cores
e instrumentos de tortura
medieval.
Perfume de jasmim
emprestado à tiracolo
debaixo de casacos mil.
Os cascos das horas
batem no peso seco
espatifando
a relativa calmaria.
Sem opção
voam as folhas ao vento
o tempo descarrila a hora
e eu me perco
nas definições que alimento
e masco a corda
do começo.
Impressão.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Enquanto o agora ainda é SIM

Se o cansaço me toma o fôlego
e o começo é só desculpa
pr'essa outra encarnação
atravesso os  muros d'espátulas
e as discrepâncias do que me assusta.

Aventuro-me por ânsias
e lustras repetições
de todas as coisas já ditas
de trás pra frente reconhecidas
e tão novas
e tão macias
e tão feitas de algodão.

Pra viver...

"O dicionário não tem assunto"
faz sumir as somas moribundas
vagueia espaços, os poços profundos
se fosse como esse, aquele incerto vocábulo
substituído por múltiplos vultos
não estaria cá eu na filosofia
contando os minutos
cantando coquinho
catando minutas nos contatos
dessa minha quase-conquista.
Ideologia
eu quero uma...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Água na boca

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Eu não mudaria nada em ti...


Ai
vontade dos teus olhos de beijo
da tua voz desnuda
na rouquidão do movimento
in-tenso
tua pele de rumores
e obscenos desvios
suada de esforço
e prazer
meu delírio mais louco
exaustão de experimento
surpresa no amanhecer.

Suspiro e gemo
o gemido dos satisfeitos
-desacomodados satisfeitos-
que sempre querem mais
e tu respondes
desse mesmo jeito
acrescentando um tanto
de pimenta
e me prendendo
entre as tuas pernas
e dentro do teu peito.



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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Vim... vieste...

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Desinformo a regra
o começo foi flagrante
nada há que desacredite
teu peito arfante.
Desatrelo a norma
infrinjo o que me acusa
esqueço a argola
quero o que em ti pulsa.
Inexistente é o passado
pesado arremesso
de letras marcantes
na surpresa
de me teres aparecido
exatamente
quando mais te precisava
quando de ti
eu tive fome.



.


"Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
(...)"
(Olavo Bilac)




Por seres essa pessoa corajosa, que não tem medo, nem de viver, nem de ser feliz.


domingo, 10 de junho de 2012

Azulejar

 Roubo o azul do céu
e pingo a tinta no olhar
azulejar 
as linhas do horizonte
no meio delas
em breve

te encontrar.

sábado, 9 de junho de 2012

Ímpar

Dois meses
três vezes
cinco não fecha
não conserta
não completa
cinco é manco
ímpar
dança
um sozinho
no meio da pista
sem música
ou lembrança.
Sinto...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Parto




    •  Para Carlos Farias, inspiração pura.


      Dor de parto
      parte a gente
      ao meio
      é dor de morte
      insistente.
      Se há alegria na dor
      eu não vejo
      só quando ela passa
      e reabilita o pensamento
      é que a morte
      desistente
      foge
      ao primeiro choro
      do novo vivente.
      E a dor?
      Que dor houve?
      Houve algo de dor?





      *Obrigada, Carlos, por tão bons olhos de me ver...


      .


      .

Um Rei Plural

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De Arte em Arte
de folha de jornal à parte
de ligeira loucura
a alegoria de caminhão
foi tua mão
que me levou
a Marte
ao mar
que circunda toda espécie
de solidão.

De Arte em Arte
as pinturas
as imagens
as pesquisas
as vozes
que ouvias
os altares
e os acertos
que agradecias
tudo emerge agora
nisto
que acabou sendo
a tua mão
na minha Arte.




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Espelho?

 .


*Para o Pequeno Príncipe, que voltou para seu Planeta. E eu nunca mais soube dele...



O mesmo arco
ao redor da imagem
imaginação aflorada
malha fina no braço
e o laço
nunca desfeito
na língua
o efeito
num continuum
sem fim nem começo
o reflexo
do que já foi tido
complexo
em mim
não esqueço
de um príncipe
suas não-respostas
e seus peixes...


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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Visível

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Não existem os vultos que vejo
ao menos não para ti
embora para eles
sim
e para mim.
Somos nós todos
matérias soltas
em cordas distintas.
Estou aqui
ou aqui estás em mim?
O que é real
inventado
ou experiência
eu não sei.
Só é verdade o que se toca?
Só vale a pena o que se vê?



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Vozes outras

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Das vozes que me ouvem
digo palavras esparsas
ventos e brisas e cochichos
burburinhos devassos
de conversas outras
que eu não vi.
Sou rádio.
Talvez caixa de som estragada
emperrada de ruídos
que não pertencem a mim
nem àqueles que dizem
o que me esforço por entender.
Não se dirigem à minha pessoa
nem interessados estão
no que penso
no que sinto
ou no que conheço
nem sabem se os ouço
nem sonham que anoto
e esmiuço em versos
o que a mim sopraram
distraídos.

Bolhas de sabão
d'outros Universos...





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*É mais ou menos assim que acontece...


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terça-feira, 29 de maio de 2012

FOME

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Cultivo meus versos
como quem escreve
a um curandeiro qualquer
inventor de milagres
e cinzas de bendizer.

Sereia
enfeitiço o vento
e lanço raízes ao mar.
Oceanos são limites virtuais
nos quais enfeito os braços
de pérolas
anzóis
e sais.

Não me bastam
duas ou três estrofes
nem múltiplos orgasmos.

Não me basta Tudo.

Eu quero mais.



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Alma

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Experimento o sopro
do que não existe
nem disfarça o frio corrente
nas bandeiras desfraldadas
que balançam ao vento
de um outono vazio.
As velocidades limitam os olhos
e o espetáculo é fio de seda partido
na boca da borboleta tonta
que a pedra escorregadia incendeia.

Dependo do orvalho nas folhas frescas
e do atropelo dos minutos
- que pingam -
dos incansáveis ponteiros da vida
- que dançam -
em redemoinhos de poeira
linha
e
argumento.

 
Na calmaria
- sedento -
meu coração
expira...


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Leve

Das feridas já sofridas
nenhuma dor me guarda.
Alimento em mim
o que de mim
ainda me traga
e as efemérides liberto
que voem as mágoas
não quero o peso
da lágrima derramada
depois de seca
nem a hora que não deixou
de ser alegria.
É o riso que eu abraço
eu preciso é da saudade
eu gosto é de folia.

sábado, 26 de maio de 2012

Eu amo o Amor

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Meu amor não tem nome
nem em ninguém habita
meu amor é o amor
é por ele que me perco
é dele meu anseio
é com ele que adormeço.
Meu amor não tem corpo
nem endereço
posto não ter fim, meio ou começo
que não tenha vindo dele mesmo
o único amor que conheço
o único por quem estremeço.
Eu amo mesmo é o Amor...



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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Despedida



Recolho-me à minha insistente insignificância de pingo d'água.
Vou pela sombra de minhas próprias árvores.
Voo nas asas livres de meus versos.
Persigo meus instantes
como quem corre ao encontro de si mesmo.
Emolduro os sonhos
que hoje soube imperfeitos.
Caço os medos
e as pontas dos saltos
perpetuam sonidos
estreitos
que eu calço
e ando.
Sem ilusão
de nada serve o caminho.

Adormeço.



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