sábado, 9 de janeiro de 2010

Exaustão

O corpo reclama descanso.
Procuro meu travesseiro baixo
pra soltar a cabeça
e aprisionar as águas
que banham palavras noturnas
e impedem a pequena morte diária
desse instrumento do ritmo
e de algo que acalente os ritos
e os mitos
de alguém de fora de mim...




09.01.2010 - 5h12min

Gravidade

O papel de parede
dá a dimensão exata
de uma cratera lunar.
Pulo no espaço.
Flutuo no silêncio
que consome meus mundos.
Mudo de escolha
e a direção me exime
das licenças e das culpas.
De todas que há em mim.




09.01.2010 - 04h54min

Amortecida

Comparo minhas passagens.
Prefiro não deixar rastros
parte de imagem apagada...









09.01.2010 - 03h38min

Enleio


Não celebro as pontas
dos saltos das botas altas
que eu não calço mais.
Arrumo outro passatempo
menos perigoso para as calúnias.
De meias de seda enfeito a pele
já colorida por tatuagens espaçadas
e jóias nem um pouco preciosas.
Desfilo meus pensamentos assumidos
lãs de ovelha marrom
singulares em seus disfarces
plurais nas cercanias suspensas
nas loucuras e sessões azuis.
Pé ante pé
mergulho no nada.
Emerjo aqui
sem a menor noção
de quantas sou...



09.01.2010 - 03h08min

Fatal




Quebrado meu radar de poesia
partido n'alguma véspera de absurda sordidez.
Dos cacos junto pedaços
de versos ocultos
e trapos rasgados de rimas.
Na insônia planto dizeres
sonâmbulos
confusos
vocábulos
gravados em neon
dentro dos meus olhos
bordados de olheiras
e cansaço triste.
Se a poesia é minha sina,
que seja
inda que arruinada
pela queda inevitável
nesse inelutável jogo da vida.




09.01.2010 - 02h31min

Gana




Escureço a vontade de poesia
que inunda-me os gestos
e as juntas dos dedos fechados
agarrados ao lápis
e às conjunturas não vistas
nem tocadas pelo ouro.
Radicalizo meu querer
e a fita no cabelo disfarça a dor
da alma exposta
nas vírgulas e parágrafos
que eu não canso de escrever.
Fotografo as sombras dos meus sonhos
estremeço ante a realidade crua.
Sem cura
ensurdeço ante os apelos da (in)constância.
Não tenho mais tempo
ou ele não mais me tem.
Deixarei uma música
ou uma nota solta
debaixo da soma
que eu
im
piedosamente
falhei.
Na sombra permaneço.
Voarei...





09.01.2010 - 02h22min

Distanciamento


Quando a gente se afasta
perde o gosto o hortelã
o princípio se embaça
o gesto frio é raso e claro
lânguida e estéril maçã.





Aos 50 minutos do dia 09.01.2010

Indelével


Ando com medo do tempo
que um dia meu amigo foi.
Um não-sei-quê que me acomete
desde a noite ameaçada
té que nasça manhã.
Incômodo inoportuno
que me persegue
ocupa as frestas
e continua sem alívio
ou solução.

Ando com medo desse tempo
que um dia meu amigo foi....






Aos 21 minutos do dia 09.01.2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ousadia


Viver é passar.
Cumprir os dias
como quem parte
sem jamais andar.
Viver é unir
os pontos e as pontas
de luas distantes
sem direito à desistência
nem ao cansaço.
Viver é contar
descabida história-
autor e personagem juntos
sem nunca se falar
nem saber o fim da estrada
mas sofrer o acidentado percurso
um com o outro
de mãos dadas.
Suada e suave distância
entre o que está feito
e o que será.
Viver é enfrentar
o parto diário
das incompreensões e alegrias
todas juntas
sem fissuras
ou enfeite de estrelas.
Viver é desacelerar o peito
empreender as forças
aprender a dança
dos desesperados.
E esperar.
É desencontrar
sem ter-se perdido.
Perder
e não compensar.
Viver é nada além de
ousar...







08.01.2010 - 23h32min

Depois


Depois da curva vem alguma coisa
que quaisquer desconhecem
depois da estrada, depois da juventude,
depois da virada, depois de depois de hoje,
talvez nada haja que valha
ou que tudo valha mais que ontem
mas que escondido permanece
por tempo (in)determinado
provavelmente esvaziado
dos olhos limitados
pela inconstante medida
que nada sabe
dessa (ou de outra-s-) vida.
O que existe depois da ruptura do momento
da explosiva gargalhada
da presença permitida
-ou nem tanto-
da gota escorrida face abaixo
interrompida por um lenço de papel
o que existe depois do segundo minuto
do qual quase nada foi palavra
do lampejo existido
no fio da cega navalha guardada
na bainha da cortina do instante
rasgada ou cortada
-tanto faz-
por espada ou centelha de fogo
por raio de luz ou reluzente sombra disfarçada.
O que existe depois
de depois
de depois
de depois
talvez permaneça
num paralisado depois de hoje
ou num caminho desviado
de um sonho que vivido fora
ontem
ou depois de ontem
ou depois do abismo
ou depois do retrato congelado
ou...






08.01.2010 - 18h34min

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Este ano ou Retorto


Faço lista de escolhas para 2010
aprenderei a voar
criarei uma banda de rock pesado
estarei viva daqui a 200 anos
- em 2007 marquei um jantar para a data -
moverei uma cordilheira
viajarei pelo mundo todo
escreverei um best seller cult
acreditarei em linhas retas
farei todas as perguntas
descartarei todas as respostas certas
imprimirei suavidade nos meus gestos
e doçura nas minhas palavras
definitivamente ficarei com o homem da minha vida
serei abduzida por um anjo
assinarei um contrato eterno
de exclusividade co'a alegria
e sorrirei, feliz, para sempre.








Aos 42 minutos do dia 07 do começo de 2010

Por enquanto





Passo depressa demais
por enquanto
continuo...




Aos 14 minutos do dia 07.01.2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

2010

Aprendi a evitar os planos
os curtos nem pensar
os longos nem em sonho.
Aprendi a evitar as letras mortas
os fantasmas do futuro que nem sei
se de fato encontrarei um dia.
Aprendi a evitar aquelas perguntas
cujas respostas evitam a sonoridade
da voz ou a indiscreta necessidade de dizer
o que o outro nem sonhava ouvir
pelo bem ou pelo mal
(vai saber).
Aprendi  a evitar acentos e incrementos
exceto por uma absoluta força maior
- e eu nem sei se ela existe!-
Aprendi a evitar escolher o que farei
do meu ano no primeiro dia
ou no decorrer dele.
Aprendi a evitar.
Levito...





06.01.2010 - 03h14min

Obscura







Escapo pelas vielas escuras do desconhecido

arremesso minhas teias no breu dos medos
despedaço a simplicidade no absurdo.
Cuidado comigo.
Eu mordo.






06.01.2010 - 02h56min

sábado, 26 de dezembro de 2009

Até a volta!!!!!!


Saí de férias, queridos leitores.
Qualquer hora dessas, volto...rs
Muita poesia
sol
música
e tudo o que tivermos direito!!!!!!!








26.12.09 - 21h

O tempo me guardou você

http://www.youtube.com/watch?v=cURJ1G-WZsQ



Composição de Ivan Lins ----------------- LINDAAAAA!!!!!!!!!






26.12.09 - 20h13min
*Como diria meu amigo Brunno, 'hoje eu sou essa canção'...rs

Vida... nova?


Ano Novo
vida velha
diferente só a época
nem sequer o estado de espírito
esse descobriu não sem tempo
que o Ano só muda no número
e que as novidades não vêm com ele
nós é que as fazemos
ou não
depende de como se deseja viver.
Sem receitas
e sem grandes expectativas
só o desejo de ter ao menos uma chance
de crescer...





26.12.09 - 2h59min

2010



Feliz Ano Novo
da minha família
para a tua;
2010 motivos
pra continuar aqui...







26.12.09 - 02h48min

Ano Novo




E lá vamos nós
de novo tudo começar
como se n'algum momento
por escolha ou encantamento
tivéssemos terminado ou dado por findo
qualquer acontecido de nosso fado.

Ano Novo é todo dia
hoje amanhã e depois
por isso feliz agora
feliz futuro
feliz sonho de viver.


26.12.09 - 2h42min