quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Doçura

Estás dentro de mim na minha respiração nos meus olhos no meu sorriso. Tu me acompanhas durante o dia e à noite, é no teu peito que eu durmo são tuas mãos que seguram as minhas, na rua e andamos assim de mãos dadas, pelas calçadas da cidade. Porque estás comigo o tempo todo sobre o que vejo, falo contigo se me admiro, é pra ti que digo e se acho engraçado rimos juntos... Loca y profunda, inmensamente, luminosamente, eu te amo. Eu te amo, louca, profunda e luminosamente. Yo diría que hicieras mi más profundo deseo eso mismo: amarme.
16.01.2008 - 02h55min
(Roberto Amezquita e Simone Aver)

"La caja toráxica es un mismo vecindario"

"Esses teus olhos castanhos entram em mim como se de mim fizessem parte" "e as palavras que me roubas, são tuas, na minha boca" "como se de mim fizessem parte las frenéticas aguas de sombra" "las extendidas gotas de algodón-aliento de nuve encantada" "a nuvem sobre a qual caminhas, com passos largos de poesia" "con tántricas alas de tu nombre" "e cânticos de louvor aos teus versos" "esa voz tuya que nos pertenece" "ese sutil trinar de relámpagos" "esses teus braços que nos enlaçam" "una garganta compartida un silencio de ambos" "um silêncio de verbos iguais" "que devuelven los fragmentos de vida a su iluminado andar de esporas" "a su única dispersión que nos conforma" "entonces un beso de indistinguibles labios" "un compartir de costillas" "e não somos mais dois" "nunca o fomos" "nunca o fimos"...
16.01.2008 - 02h11min
(Simone Aver e Roberto Amezquita
Nossas palavras...)

Sintonia

Estou acostumada a dizer as coisas que pensas a pensar as coisas que dizes aliás, nem precisaríamos falar para quê? se pensas meus pensamentos se eu falo tuas palavras? Si el pasajero andamio el escalón primero de las noches nos entiende para que hacer crujir el verbo para que aprisionar la sílaba no vale la pensa más que mirarse mirarse sin estos ojos puestos saberse el uno al otro sin uno y sin otro saberse e no mais nada e no mais nada y el principio de todo no vale la pena mas que mirarse mirarse sin estos ojos puestos...
16.01.2008 - 01h07min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

El lenguaje es un misterio

el misterio es un lenguaje qye habitualmente se expresa por la piel se decodifica al tacto...
15.01.2008
De Roberto Amezquita, para Simone Aver
(... como dizer?...)

Nossos versos

somos en esos versos
o solo mejor silencio
siento el sonido
en ellos me veo y al verme te veo
Eu te sonhava
eu te chamei
yo te soñaba y en ese soñarte me soñaba
e voltamos al propio ojo
mirame bien los OJOS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ao fechares os olhos, verás os meus
porque eles estão dentro dos teus
me veo entonces con los tuyos
y asi al soñarte me sueño...
15.01.2008 - 19h15min
(Roberto Amezquita e Simone Aver
...somos, em todos os nossos versos...
esses, os de antes e todos os que estão por vir...)
E o susto veio o assombro dos que, de repente, se percebem invadidos por uma presença contente. Tu, em mim... 15.01.2008 - 14h14min
No teu peito adormeci e os sonhos todos foram letras embaralhadas que nos dissemos antes de dormir t o m e a u e. Nenhum longo discurso nada complicado pra fazer a intensidade é forte e simples, e eu te quero, meu bem-querer... 15.01.2008 - 13h10min

Incomensurável

Nenhuma medida para a beleza do que o abraço abarcou do que o beijo calou do que o amor engoliu... E que agora faz parte de nós... Tu e eu... 15.01.2008 - 13h53min

Pergunto-te

Como poetizar o silêncio? Como mostrar o que vai dentro, nos minutos silentes em que nossos olhos são um? Como expressar em palavras o que nunca foi dito? Que palavra nova inventar? Qual o valor dos minutos em que nos olhamos e nenhum verbo teve a ousadia de nos interromper? Quantos sonhos no beijo que houve, no arrepio, no sono que me pegou no teu peito? De que é feita essa minha pele... da tua, talvez? De que é feita essa minha boca... da tua saliva? De que é feita minha poesia... do teu ar? Como expressar em palavras o que não tem como ser dito? De que te tamanho foi aquele abraço? Qual é a medida do teu corpo no meu? Quantos dias cabem em nós? Pergunto-te... 15.01.2008 - 12h47min

Tranqüilidade

Com a cabeça descansando sobre o teu peito, adormeci...
15.01.2008 - 10h50min

O beijo...

...é um beijo
é um beijo
é um beijo
é um...
O pensamento dá voltas, saia cigana na lente opaca O sentimento dá voltas, sonho certeiro na madrugada O sofrimento dá voltas, cântico leve de serenata Mas um beijo...
... é um beijo
é um beijo
é um beijo
é um...
O eco distante ressoa, absurdamente próximo
O eco distante ressoa, tranqüilamente próximo
O eco distante ressoa, saborosamente próximo
Mas um beijo...
... é um beijo
é um beijo
é um beijo
é um...
O arrepio na nuca percorre o território inteiro
O arrepio na nuca explora o território inteiro
O arrepio na nuca desvenda o território inteiro
Mas o beijo...
... é o beijo
é o beijo
é o beijo
é O...
Duas línguas distintas, diferentes lampejos
iguais desejos distintos, diferentes línguas
línguas e desejos e silêncios indistintos, diferentes bocas.
Tua língua lambe o beijo
Meu beijo lambe a língua
Porque o beijo
é o beijo
é o beijo
é o beijo
é teu...
15.01.2008 - 02h59min
(...depois de muitos beijos, que dizer, além do silêncio?
só um poema tem o poder de descrever Os beijos...)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Do primeiro beijo


Tantas voltas,

tantos risos,

tantas amostras

de que era preciso.

Té que ele veio

de longe, meio que arisco,

no rosto primeiro

correndo o risco

de, de repente, a boca alcançar.

E foi bem assim

que elas se encontraram

o corpo todo

sentindo pulsar.


Tantas voltas,

tantos risos,

tantas amostras

de que era preciso.

Té que ele veio...

ele, de muitos,

o primeiro...



14.01.2008 - 18h46min
(Imagem: obra de Victor Hugo Porto, artista plástico
de Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil.)


Só uma frase...




Ainda que para alguns seja boa tarde, para mim sempre será bom dia, até que o dia acabe...






14.01.2008 - 13h15min

domingo, 13 de janeiro de 2008

Trago em mim...


Trago nas mãos o desejo do risco na folha em branco...
na tela em branco...
na testa em branco...
no suor...


Trago na boca o gosto do beijo dado...
da palavra doada...
do suspiro contido...


Trago no corpo a energia da descoberta contínua...
da correria do dia...
do teu sal...


Trago nos olhos a luz da alegria...
nas pernas, a força da folia...
no ventre, a gravidez da magia...







"...tenho em mim todos os sonhos do mundo"*








13.01.2008 - 23h55min

(*Excerto do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, In: PESSOA, Fernando.Mensagem.São Paulo: Martin Claret, 1998, p.139)

Constatação


Eu sou o espaço que permanece em branco

entre a medida exata

e o erro...






13.01.2008 - 23h37min

Riscos e traços

Dos traços que risco de mim

sou sempre centelha de fumaça

foto em preto e branco

sépia e suprema graça.

Dos traços que arrisco de mim

sou sempre fio de esperança

desenho gravado na lembrança

sonho e poesia esparsa.

Dos traços que esperas de mim

som sensível que te abraça

gravidez de verso e prosa

sou assim...





13.01.2008 - 21h46min

Espaço-tempo


Não há tempo.

O espaço não existe.

Só tua luz difusa.



Norte.




13.01.2008 - 21h31min
(Imagem: Vincent Van Gogh

Andança


Meus versos criaram asas
sobrevoaram mundos
pousaram nos telhados das casas;
outros, fizeram-se loucos
confundidos com leprosos
fizeram-se surdos.
Meus versos criaram raízes
nas roupas de 400 meretrizes
viraram atores de falas felizes
andaram em boléias de caminhões
e descartaram todos os senões.
Meus versos encalharam na praia
e dançaram flamenco na areia
eles, e toda uma hoste de escravos
da palavra, travestida de sereia.



13.01.2008 - 21h09min

Riscos e rabiscos


Risco teu nome na pedra

rabisco no vidro quebrado

teu signo, teu estado

chamusco tuas vestes

com línguas de fogo

calor das preces

que impede o malogro.

Risco teu nome na cela

que prende o intento

de ver-te.

Sombrero na estrada.

Obreiro e palavra.

Canção a bendizer-te.

Risco teu nome na tela

rabisco a luz que te guarda

rascunho o poema estrelado

retrato a conversa na mesa.

Risco teu nome na vela

rabisco a madrugada

interrompo o sono que não veio

e sonho com o que de ti já tenho.



13.01.2008 - 16h57min

(Para Roberto Amezquita - nesse ritmo, o "esperado" não tarda...)

400 vozes

Um verso, uma prosa, um pingo de vodca e a vida dentro e em volta com suas dores, seus amores, suas reviravoltas. São sucos, fumaças, equívocos delírios etílicos e beleza de graça sem fazer força nem pirraça que a garça voa pra quem quiser ver... A garça voa e traz no bico a canção de vencer. Escuta e voa também Voa e escuta as quatrocentas vozes dos que não têm papas na língua nem dão a cara aos tapas de quem só anda na linha... 13.01.2008 - 16h13min