terça-feira, 12 de agosto de 2008

ESCREVER*

Eu queria escrever uma única palavra aquela que me apontasse a direção para onde todas as outras fugiram. Eu queria um travesseiro de letras uma sopa de letras, uma roupa de letras, cobertor de desatinos, pra quando eu finalmente enlouquecer. Eu queria a vírgula na hora exata, que o ponto final só me encontrasse no fim, que os parênteses fossem parentes distantes, bem distantes de mim... Eu queria fazer do meu texto o ombro que eu preciso pra descansar minhas dores, meus medos, todas as caixinhas onde escondo as partes várias dessa minha solidão. Eu queria um esconderijo, uma concha, um abrigo, um lugar quentinho onde pousar minhas mãos cansadas de desenhar frases desconexas, de desgrenhar versos infames, de tentar agarrar uma luz em meio ao caos. Eu queria tudo isso de uma vez só, de um gole só, de um susto só, de um abraço só... Eu queria... Só... 12.08.2008 - 0h *Para o mar, que queria criar. Só...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quem sou eu?

Se descobrires, me avise. Estou louca pra saber quem é essa que mora em mim...
11.08.2008 - 15h15min

Poesia

Poesia é lágrima que não verteu dos olhos, explodiu no papel...
Agosto de 2008

Da poesia

Poesia é uma dor Que aflora no dia azul: Saudade espessa... agosto de 2008

Do plágio

Não permita que te roubem A inspiração imediata ou futura. Que o verso passado, Esse já foi. Dá, pois, esse que foi, de presente, Aos porcos que te copiam. Que mais lhes resta na vida A não ser mendigar As migalhas da tua poesia? Incompetentes, Rastejam sobre teus rastros, Fuçando o brilho das tuas feridas. Tem pena desses tais miseráveis. Tem pena dessas árvores secas Incapazes de parir um único verso De sua própria autoria. Quanto a ti, É TEU o privilégio do assombro É TEU o calafrio na espinha A dor desmedida de gerar e dar à luz a tua arte. São TUAS as noites de rabiscos, As madrugas insones, famintas, As buscas, as bruscas surpresas, as pesquisas, Os olhares profundos, os olhos castanhos, os orgasmos, Os mundos, os medos, os amores, os destemores insanos. É TUA a pele dele Que ao contato teu, arde. São TEUS os beijos três, As pérolas nascidas d’areia Bem no meio do deserto; Os caminhos, os descaminhos, as desordens, Os atalhos abertos a faca e sangue quente. É em ti que habita o caos, Pai de estrelas cintilantes. É TEU o pânico, O profano, o insano, o sopro, o conto, o canto, o amante, A parte mais importante, A única de real valia. Sim, TU és O poeta. O outro, o desgraçado que te rouba o verso, O que se pensa esperto, Esse jamais passará nem perto De ser apenas e tão-somente Muito menos que um reles, sujo, imundo, Indigno verme e delinqüente, IM-PO-TEN-TE. 09.08.2008 – 01h E tenho dito!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Figura

.
Na tua boca o gosto da vida
que eu sorvo de um gole só....
30.07.2008 - 19h

Segredo

Segredo é elo sagrado Guardado sem sacrifício Por quem, mais que um desejo, Carrega no peito um suspiro.
Soprado por um vento do deserto Traz no corpo um sol em branco Na boca, o gosto da vida; No peito, um coração pulsando.
Tem nas mãos o brilho da areia Escaldante milagre diário De palpável constatação Faz suportar a distância Faz renascer a essência
Faz brilhar uma paixão.
30.07.2008 – 14h30min

Subversão

Subverter a ordem natural
as convenções, as cerimônias
esquecer os ritos estabelecidos
e criar a rota alternativa
aquela que segue direto para o coração...
30.07.2008 - 14h

Vozes

Um sonho de voz grave na escuridão da noite. Uma noite de sonhos graves na clara voz do dia. Uma noite grave no dia sonhado de voz desprotegida. Uma voz na luz difusa no varal de roupas molhadas sacudidas pela tempestade de areia da noite proferida pelas palavras que escorrem da roupa vermelha. A grave situação do peito embalado na voz vermelha do nome embrulhado nas Fagulhas de um Fogão à lenha... A voz, na noite serena. A lua que diz, na voz do luar, quantas letras serão necessárias para um único verbo sonhar: A M A R . . . 30.07.2008 - 02h41min

Quem sou eu?

Sou uma vírgula solta na calçada sou reticência e exclamação dois pontos e uma enorme interrogação. Quem sou eu? Sou poema rascunhado n'algum guardanapo usado por um boêmio desconhecido que sofria de mal de amor... É isso que eu sou... 30.07.2008 - 0h44min

Poesia

A poesia pintou de letras coloridas o caminho que eu segui. Estendeu um tapete de versos e símbolos, estrelou meu céu pescou a lua e trouxe pra mim... 29.07.2008 - 23h15min

domingo, 27 de julho de 2008

Do direito ao voto

O voto é uma arma
que o brasileiro aponta
para o próprio coração.
E aperta o gatilho.
Impiedosamente.
Talvez por estar acostumado
à violência
ao descaso
ao pouco caso
à incompetência.
Aperta o gatilho
e depois reclama da dor.
Quem mandou brincar com arma de fogo?
27.07.2008 - 13h50min

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sintonia

O grão da palavra. O grão do olho. Um NÃO! trocado por um beijo ardente. Faísca breve. Incêndio duplo. Dois corpos em brasa. Labareda insistente tempestade de areia em pleno deserto ousadia anunciada e nenhum dos dois acredita em coincidências... 24.07.2008 - 04h08min

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Um milhão de amigos? Conta outra!

Quem tem um milhão de amigos
não tem nenhum....
23.07.2008 - 13h

Pleonasmo?

Tinjo de vermelho as cinzas dos meus poemas cremados e espalho nas janelas dos abismos que aguardam a rendição dessas minhas letras.... do outro lado da porta que não chegou a ser aberta... Aos 40 minutos do dia 23.07.2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fina trama

Delicadamente costuro retalhos com linha quase transparente. São pedaços de mim que espalho entre os lençóis da cama desfeita. São espasmos de minh'alma e histórias que já não ouso ouvir. São desenhos de estradas frias e cantigas distantes de passos sombrios. São risadas desdobradas nas noites de um verão guardado entre as memórias mais caras entre os porões das lembranças que escondo das vinganças de quem nunca, jamais, sorri. São os passos escolhidos e dados e as conseqüências dos fardos e as consciências do que me fez feliz. São meus pesos e minhas medidas, meus pecados e minhas partidas, meus remendos, meus encontros, meus jazigos, meus membros, meus medos, meus escombros meus tudos... tudo que sou eu... Os retalhos fazem parte dos retratos da fina trama que costuro l e n t a m e n t e como se uma enorme festa estivesse a me esperar como se um raio de sol, único, diferente, me cobrisse por inteiro, desde o Oriente. Recolho os retalhos mal-costurados e que me são caros. Chuva de letras curvas deles faço e disfarço o interesse maduro despertado. Vale o jogo presente na fina trama, que vela pela sorte de quem arrisca a descoberta do que existe no conjunto dos retalhos na costura final da colcha colorida... Aos 7 minutos do dia 23.07.2008

Quebra-cabeças

Pacientemente, ele monta as peças. São mais de mil, espalhadas pelo chão. Quando pensa ter encontrado o encaixe... hummm.... não era essa, não...
De vez em quando as peças se perguntam de onde ele tira tamanha dedicação. De onde o interesse por essa forma de diversão? Afinal, há tanto tempo dispensa atenção às peças, que estabeleceu com elas uma espécie de amizade bonita.
Sobre a mesa, lentamente, vai tomando forma a montagem. Prêmio mais que merecido.
Sobre a mesa, agora perfeitamente perceptível, o desenho do quebra-cabeças incompleto: as curvas de uma mulher e seu misterioso colar de pérolas...
22.07.2008 - 01h30min
*Pequena prosa poética

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22.07.2008 - 0h55min

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22.07.2008 - 0h15min

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22.07.2008 - 0h09min