Canto o sol no horizonte
que se avermelha ao seu pôr.
Canto a lua condizente
os poréns
os retrôs.
Canto o que passou
o que ficou
o que está por vir.
Canto o que voou
e o que haverá de ser.
Canto o começo
e a continuidade;
que o fim não há,
o fim é só um ponto
na vista embaçada
de quem já não quer abraçar.
Canto o que sou
o que soou
o que encontrei
e o que marcou.
Canto o cântico primário
das ninfas e dos absurdos
dos sábios e dos aleijados
das proezas e dos abusos.
Canto o sorriso não dado
e o silêncio não tido.
Canto o que disseste
e o que calaste
na medida exata do teu medo
que eu reconheço
nas tuas continuidades
nas tuas permanências
no teu corte de cabelo sempre igual
(lindo!).
Canto esses teus encantos
e esses tais desalentos;
esses experimentos musicais
nos teus fones inseparáveis;
esses leves conhecimentos
que fui guardando
do tanto que fui tendo
de tudo o que é em TI...
25.11.09 - 01h07min
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Cuida de mim
Lá não é tão difícil
doem as pontas dos dedos
como a saudade;
e a gente resiste.
Demora nascer
demora tocar
outras canções
outros mitos demoram
demoram outras ilusões.
Meus alívios são milésimos de segundos
milhares de mortíferos desesperos
paralisados por breves instantes
(os mesmos em que calas,
enquanto cuidas de mim...).
24.11.09 - 23h03min
doem as pontas dos dedos
como a saudade;
e a gente resiste.
Demora nascer
demora tocar
outras canções
outros mitos demoram
demoram outras ilusões.
Meus alívios são milésimos de segundos
milhares de mortíferos desesperos
paralisados por breves instantes
(os mesmos em que calas,
enquanto cuidas de mim...).
24.11.09 - 23h03min
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Escolha
Pintei um acorde no violão
assoviei a sombra do dia
desestabilizei a presença
de quem não está, mas é.
Arrepiei a pele do pêssego
assumi a pele de cordeiro
arranquei a pele do sopro.
Amei.
23.11.09 - 21h33min
assoviei a sombra do dia
desestabilizei a presença
de quem não está, mas é.
Arrepiei a pele do pêssego
assumi a pele de cordeiro
arranquei a pele do sopro.
Amei.
23.11.09 - 21h33min
Mudança?
Ele diz que eu resisto às mudanças
não concordo, mas acredito,
já que, de mudança,
ele entende muito bem.
23.11.09 - 21h
não concordo, mas acredito,
já que, de mudança,
ele entende muito bem.
23.11.09 - 21h
domingo, 22 de novembro de 2009
Cara ou coroa?
Às vésperas de completar 44 anos
observo as imagens do que se foi
e as lembranças que me são caras.
Revejo os períodos de calmaria
e os outros nos quais surtei.
Não sei quanto é que se estendem
os caminhos, ainda, à frente
nem se há pétalas de rosas
por trás das portas
que não sei se se abrirão.
Mas sei o que fui
e o que há hoje em mim.
Sei de tudo o que pretendi
e de tudo quanto sonhei.
Se sou coroa,
que seja de flores do campo
adornando a cabeça de hoje;
a minha e a de quem quiser comigo estar...
22.11.09 - 20h22min
*Foto: tarde do dia de 22.11.09
*Foto: tarde do dia de 22.11.09
sábado, 21 de novembro de 2009
Outro ângulo
Daqui as coisas são
outras compreensões.
Daqui teus tons são
de outras dimensões.
Daqui teus sérios são
outras conclusões.
Daqui o lado é este
e não há como transpor.
Daqui um instante de retiro
ou uma vida de indecisões.
Daqui sem cortes nem evidências
só instinto e confiança
e um tantinho de outras tantas intenções.
22.11.09 - 22h13min
Sem esperança e sem culpa
outras compreensões.
Daqui teus tons são
de outras dimensões.
Daqui teus sérios são
outras conclusões.
Daqui o lado é este
e não há como transpor.
Daqui um instante de retiro
ou uma vida de indecisões.
Daqui sem cortes nem evidências
só instinto e confiança
e um tantinho de outras tantas intenções.
22.11.09 - 22h13min
Sem esperança e sem culpa
Branco fôlego
Estranho esse nervosismo
que parece meio fora de lugar
talvez por estar.
Blusa branca
fuga do tema proposto.
Contigo as razões?
21.11.09 - 21h
Preferência
Se fosse imperativo escolher
uma parte de fora de ti
seriam esses teus olhos tristes
a obviedade da minha opção...
21.11.09 - 20h18min
Porque os olhos do menino
inda brilham no olhar do homem
que eu sei...
uma parte de fora de ti
seriam esses teus olhos tristes
a obviedade da minha opção...
21.11.09 - 20h18min
Porque os olhos do menino
inda brilham no olhar do homem
que eu sei...
Rastro
Não deixo pistas
repito o mantra
das perguntas sem resposta
e descontraio a fibra exausta.
Não deixo iscas
reparo a mancha
das respostas sem pergunta
e desenlaço o assovio exposto.
Não deixo assombros
escondo a goma na grama amanhecida
enveredo pelo compartimento
que não existe
mas me insta a silenciar.
Não deixo rastro.
Estou.
21.11.09 - 01h11min
repito o mantra
das perguntas sem resposta
e descontraio a fibra exausta.
Não deixo iscas
reparo a mancha
das respostas sem pergunta
e desenlaço o assovio exposto.
Não deixo assombros
escondo a goma na grama amanhecida
enveredo pelo compartimento
que não existe
mas me insta a silenciar.
Não deixo rastro.
Estou.
21.11.09 - 01h11min
Ver
Teus olhos tristes
te acompanham desde sempre
debaixo das tuas pálpebras
nos teus porões
nas tuas superfícies.
Não disfarçam,
esses teus olhos tristes
nem mudam;
enternecem...
Aos 17 minutos do dia 21 de novembro de 2009
te acompanham desde sempre
debaixo das tuas pálpebras
nos teus porões
nas tuas superfícies.
Não disfarçam,
esses teus olhos tristes
nem mudam;
enternecem...
Aos 17 minutos do dia 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Merecida pausa
Descanso minh'alma cansada
n'alma d'arte
pr'eu não esquecer
do que mais prezo
em tudo e em mim:
sentir...
19.11.09 - 20h11min
*Foto tirada na 7ª Bienal do Mercosul - POA - 07.11..09
*Foto tirada na 7ª Bienal do Mercosul - POA - 07.11..09
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Não quero partir
Se quero partir
sopra-me à nuca
o vento norte
minuano fresco
de livre calor.
Se quero partir
à mente me vem
tuas pastas
teus estudos
os protestos teus.
E não quero partir...
18.11.09 - 23h19min
sopra-me à nuca
o vento norte
minuano fresco
de livre calor.
Se quero partir
à mente me vem
tuas pastas
teus estudos
os protestos teus.
E não quero partir...
18.11.09 - 23h19min
domingo, 15 de novembro de 2009
Poetar
Fazer versos é postar construções d'alma
desfazer os monstros em rimas
afrontar a imagem de costas
contar os dias com cantigas de ninar.
Fazer versos é modelar a lua
escalar montanhas de tremores
abdicar do próprio espaço
assumir os pés descalços
eclipsar a alegria
poetar...
15.11.09 - 14h07min
desfazer os monstros em rimas
afrontar a imagem de costas
contar os dias com cantigas de ninar.
Fazer versos é modelar a lua
escalar montanhas de tremores
abdicar do próprio espaço
assumir os pés descalços
eclipsar a alegria
poetar...
15.11.09 - 14h07min
Bem querer
Se houvesse medida
eu te diria
que é esta
e assim seria
a forma precisa
do quanto te quero.
Se houvesse...
15.11.09 - 14h02min
eu te diria
que é esta
e assim seria
a forma precisa
do quanto te quero.
Se houvesse...
15.11.09 - 14h02min
Caos
Tomo nota de restos de antigos versos
que não cheguei a escrever
na tábua rasa do meu quarto vazio
nas asas de aleijados querubins.
Resgato passos em falso
falseio indicações precisas
das quais desconfio, não sei por que.
Encontro desatinos e intervalos
mergulhados nas fendas escuras da dúvida
de tudo o que ficou suspenso
do que nunca foi esclarecido
nem o será.
Retiro minhas migalhas de estrelas
das frestas do telhado de vidro
quebrado pela nota aguda mais alta
saída da garganta do tempo
que eu cansei de destruir.
Nego a luz da ribalta
arremesso balões no meio do caos
cascalhos de assuntos quebrados
entornos de espelhos sem fios.
Descanso na rede
esqueço a hora e a melodia.
Desisto da tarde
por ser cedo
ou por não haver mais...
Recomeço.
15.11.09 - 13h57min
que não cheguei a escrever
na tábua rasa do meu quarto vazio
nas asas de aleijados querubins.
Resgato passos em falso
falseio indicações precisas
das quais desconfio, não sei por que.
Encontro desatinos e intervalos
mergulhados nas fendas escuras da dúvida
de tudo o que ficou suspenso
do que nunca foi esclarecido
nem o será.
Retiro minhas migalhas de estrelas
das frestas do telhado de vidro
quebrado pela nota aguda mais alta
saída da garganta do tempo
que eu cansei de destruir.
Nego a luz da ribalta
arremesso balões no meio do caos
cascalhos de assuntos quebrados
entornos de espelhos sem fios.
Descanso na rede
esqueço a hora e a melodia.
Desisto da tarde
por ser cedo
ou por não haver mais...
Recomeço.
15.11.09 - 13h57min
Milagre
Jurei meus dedos oprimidos
juntei-me às turbas
investi meus diários
às folhas vazias
de estreitas linhas tortas.
Não fui única nem mágica.
Não fui coroa nem reza nem canção.
Nasci no riso da lua
no coachar de um sapo rebelde
na alegria do óleo sagrado.
Assumi a chuva de pétalas brancas
converti meus escritos em testamento
cerrei as pálpebras.
Cri.
Aos 7 segundos do dia 14.11.09
juntei-me às turbas
investi meus diários
às folhas vazias
de estreitas linhas tortas.
Não fui única nem mágica.
Não fui coroa nem reza nem canção.
Nasci no riso da lua
no coachar de um sapo rebelde
na alegria do óleo sagrado.
Assumi a chuva de pétalas brancas
converti meus escritos em testamento
cerrei as pálpebras.
Cri.
Aos 7 segundos do dia 14.11.09
sábado, 14 de novembro de 2009
Pra valer
Às vezes se fala
outras se cala
nem sempre se consente
nem sempre se entende
nem sempre é sempre ou nada.
Às vezes é tudo
outras é pele
nem sempre é sangue
nem sempre é sede
nem sempre é céu.
Às vezes é exato
outras é demência
nem sempre é tempo
nem sempre é raso
nem sempre é mundo.
Às vezes é dor
outras é pensamento
nem sempre é razão
nem sempre é rasgo
nem sempre é fundo.
Às vezes é temperatura
outras é escolha
nem sempre é corrida
nem sempre é luta
nem sempre é solução.
Às vezes é vida
outras é literatura
nem sempre é existência
nem sempre é velocidade
nem sempre é pista molhada
aventura
ou ilusão...
14.11.09 - 23h
Às vezes é pra sempre.
Essa vez é pra valer...
outras se cala
nem sempre se consente
nem sempre se entende
nem sempre é sempre ou nada.
Às vezes é tudo
outras é pele
nem sempre é sangue
nem sempre é sede
nem sempre é céu.
Às vezes é exato
outras é demência
nem sempre é tempo
nem sempre é raso
nem sempre é mundo.
Às vezes é dor
outras é pensamento
nem sempre é razão
nem sempre é rasgo
nem sempre é fundo.
Às vezes é temperatura
outras é escolha
nem sempre é corrida
nem sempre é luta
nem sempre é solução.
Às vezes é vida
outras é literatura
nem sempre é existência
nem sempre é velocidade
nem sempre é pista molhada
aventura
ou ilusão...
14.11.09 - 23h
Às vezes é pra sempre.
Essa vez é pra valer...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Pequeno Príncipe
Não é um livro
é uma pessoa
e não é qualquer
não é pequeno
nem é príncipe;
é mais...
Não responde,
pergunta
e exige resposta imediata.
Não pergunta
e exige resposta imediata.
Não exige
tem imediata resposta.
A única possível:
SIM.
13.11.09 - 03h17min
é uma pessoa
e não é qualquer
não é pequeno
nem é príncipe;
é mais...
Não responde,
pergunta
e exige resposta imediata.
Não pergunta
e exige resposta imediata.
Não exige
tem imediata resposta.
A única possível:
SIM.
13.11.09 - 03h17min
Companhia
Dispenso as respostas e as perguntas
quando tua vez me alcança
sem licença ou pedido qualquer.
Se passeio por aqui ou a...qui
é por essa razão fora das convenções todas
(essas mesmas que te disse detestar)
e que te inclui, meio que à revelia.
13.11.09 - 03h03min
quando tua vez me alcança
sem licença ou pedido qualquer.
Se passeio por aqui ou a...qui
é por essa razão fora das convenções todas
(essas mesmas que te disse detestar)
e que te inclui, meio que à revelia.
Revelaria todas as minhas intenções
se isso não me custasse a tua companhia
que me sustenta sobre meus pés
e estes sobre essa terra fria:
firme e forte
e, principalmente, conTIgo
pelo que for.
13.11.09 - 03h03min
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