quarta-feira, 14 de abril de 2010

Alea jacta est



Dançam as frases na ponta da língua
cantam de sonho e promessas sem medo
a alegria como único alimento.
O risco do saber certeiro
na carta curta
mas precisa.

Lançada a sorte
na sentença repetida.

A quem pertence a raiz da vida?





Aos 15 minutos do dia 14.04.2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Maria Fumaça

Os caminhos por onde os passos soam
pintam obras de arte underground
ecoam esferas de brilhantes raros
e avisos de um horizonte surreal.
Na ponta do dia, a saliva
estendida na pele branca macia.
São urgências os acúmulos dos fatos
as somas das reticências
uma a uma empilhadas nos cílios das
madrugadas atropeladas de estrelas com
encontros de dançarinos, fantasmas e luas.
A vida corre nos trilhos
e os assuntos assumem a ponta da linha.

Do trem...





13.04.2010 - 23h08min

Visão

Da tua janela
no alto dos teus olhos
o teu olhar  de canção
deixa rastros da tu'aura
na embaçada ilusão.
Parte do teu espaço concreto
quatro mil poemas
cantados e decantados 
nos restos das imagens
que te contêm.
Por onde deixas tuas marcas
por onde fica teu perfume
por onde imprimes o castanho
desses teus olhos profundos...





13.04.2010 - 19h23min
Desde sempre
para sempre...

domingo, 11 de abril de 2010

Pé ante pé




Círculos na areia
homeopáticas alegrias
no limite das linhas
Ozzy no colo
Stones no ouvido
risos estreitos
alívio de dores.
Os mistérios
dos encantos realizáveis
viabilizados no fundo da íris.

Pé ante pé
a saudade se aninha
no peito
no pulso
no dia.



11.04.2010 - 19h

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Amanhã

Um corpo oco
amanhece o dia.
Um dia oco
amanhece uma casca




















vazia...

























09.04.2010 - 2h20min

Morte súbita

À noite, rasgam-se as dores
e todas as gargalhadas soam guturais
somam-se às milhares de cicatrizes
outras fundas
feridas

desiguais.

À noite os já difíceis derretem
e o pulso, no peito, 
p

á

r

a.



Silêncio.




Os fantasmas rondam os restos
do imaginário sonhado
velado 
no chão estendido.
Lágrimas secam estrelas
apagam as luzes
recolhem as flores
murcham as horas arrastadas.



A mornidão é a mortalha
vestida de novo
como se fora
armadura
pela primeira vez.



Sombras lançam mão
do lança-chamas
às chamas lançado
chamuscado de estrias.
Nem cinzas
que o vento sopre
nem pétalas 
que o tempo apague.


Crer
é arriscar-se à própria sorte
é entregar-se à morte
e morte de cruz.



Subitamente
me mate!





09.04.2010 - 2h10min


'A recompensa final dos mortos é não morrer nunca mais...'   Nietzsche








terça-feira, 6 de abril de 2010

Paladar

Dançam apressados fantasmas sussurrantes
no quente vento do arrepio
sobre versos riscados na parede
pontos vistos de canções urgentes
portas de vidro escaldantes
viscosidade na conquista
degustação das linhas
nas digitais aparentes
de alucinantes doçuras.
As cenas benditas
bem ditas de espumas
esperadas consistências
no único fio sobrado
no canto da boca
de amor avermelhada.

Sangue quente
de cor desbotada
desesperada corrida
no encontro de luz
de símbolos marcado...

Paladar.







06.04.2010 - 22h17min
'Há sempre alguma loucura no amor.
Mas há sempre um pouco de razão na loucura'
(Nietzsche)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Bom...

Os vidros embaçados do começo
transformados em milhares de preciosidades
nossas pequenas lembranças
marcadas nas cicatrizes
nos matizes de dor que nos aproximaram.
Pratos, copos, vidraças partidas
cacos de pontas de passados
que já não torturam
nem estilhaçam
as veias fortalecidas
de purpúreo sangue apaixonado.
Investida num presente
agradecido de sorrisos
engrandecido de quenturas várias
de carícias e cuidados
nunca dantes tidos.
Acolhida.





05.04.2010 - 8h19min

Dourado elo

As siglas, as setas, os lembretes
indispensáveis condições
nunca dantes pensadas
alusões aos caminhos sonhados
vida inteira d'espera
inclusão de estrelas
na noite fria de durante.
Nada mais sem teu riso
ou luas enfeitadas de símbolos antigos.
Tuas roupas, movimentos, prazeres,
teus instintos expostos,
nossas entregas, nossos desejos, 
nossas mais suaves aventuras,
encontros, alegrias, belezas.
Os papéis enfeitados de futuro.
O nosso.
Nossas mãos tecendo laços de ternuras
criando outros acordes.






Aos 36 minutos do dia 05.04.2010

sábado, 3 de abril de 2010

Dourado

Tudo o que eu sempre quis ter pra mim 
materializado na minha frente, feito mágica. 
A barriga que eu sempre quis, 
os dentes que eu sempre quis, 
os cabelos que eu sempre quis, 
a voz,
o sotaque, 
as mãos, 
as coxas, 
as palavras, 
os sentimentos, 
tudo o que eu sempre desejei pra mim. 
Meu sonho possível. 
A alegria de saber que não esperei em vão
e que ninguém te supera, em nenhum sentido. 


Tu és tudo o que eu sempre quis ter pra mim.














03.04.2010 - 18h13min

Ankh












Século XVIII. Vida nova.
Metamorfose de fúria
em pura poesia.
Brutalidade derretida.
Vida nova. Alegria.





Aos 13 minutos do dia 03.04.2010
Vida nova. Fertilidade. Imortalidade.



sexta-feira, 2 de abril de 2010

História

Ando cega
a tatear teus poderes
de tamanha entrega.
Tu, tuas faces todas,
tuas diferentes artes,
tuas dores e teus limites.
Silencioso guerreiro de lutas internas.
Valoroso príncipe meu.

Os caminhos, as histórias,
as geografias e as matemáticas
incapazes de nos separar
ou de impedir o 'impriting'.

Ando cega
a entregar-me inteira
despida das vestimentas costumeiras.
Sem pressa
sem lei
sem decência.
Eu, meus lados todos,
minhas diversas partes,
minhas flores, meus rompimentos.
Silenciosa dama de lutas intensas.
Tua mulher.



02.04.2010 - 15h19min






Encaixe perfeito

Não importa sobre o que eu escreva
não importa quantos verbos eu use
nem quantas vírgulas me bastem.
Não importa a quantidade de versos
ou as rimas
ou a inexistência delas.
Não importa o ritmo, a forma, nem sequer o tema.
Não importam as paradas
as linhas em branco
a cor da tinta usada.
Independente da arte
teus olhos castanhos brilham em mim
é teu fôlego que sorvo
são tuas entranhas nas entrelinhas
nos finos fios de sangue
escorrendo entre uma e outra estrofe.
Tua vida
tuas palavras
eu, tua,
no encaixe de estrelas,
de camisetas com dizeres manuscritos,
de acordes, de acordos, de juras e deleites.






02.04.2010 - 14h49min
Tu, meu príncipe guerreiro

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pandora

No fundo falso da caixa
intencionalmente escondida
entre as frestas da madeira de lei
a louca desvairada rodopia
serpenteia se curva dança
desvia das farpas
evita o fio das facas
incendeia
ela
a esperança.







01.04.2010 - 21h30min
Ao cavaleiro vitorioso
depois d'árdua batalha.

Nietzsche diria...


'O meu impaciente amor transborda em torrentes, precipitando-se desde o oriente até o ocaso. Até minha alma se agita nos vales, abandonando os montes silenciosos e as tempestades da dor.
Demasiado tempo sofri e estive em perspectiva. Demasiado tempo me possuiu a solidão. Agora esqueci o silêncio.
Todo eu me tornei qual boca e murmúrio de um rio que salta de elevadas penhas: quero precipitar as minhas palavras nos vales.
Corre o rio do meu amor para o insuperável! Como não encontraria um rio enfim o caminho do mar?
Sem dúvida há um lago em mim, um lago solitário que se basta a si mesmo; mas o meu rio de amor arrasta-o consigo para o mar.
Eu sigo novas sendas e encontro uma linguagem nova; à semelhança de todos os criadores, cansei-me das línguas antigas. O meu espírito já não quer correr com solas gastas.
Toda a linguagem me torna moroso. Salto para o teu carro, tempestade! E a ti também quero fustigar com a minha malícia!
(...)
E quando quero montar no meu mais fogoso cavalo, nada me ajuda tanto como a minha lança; sempre está pronta a servir-me, a lança que brando contra os meus inimigos.
É muito grande a tensão da minha nuvem; por entre os risos dos relâmpagos quero lançar granizo às profundidades.
Formidavelmente se alevantará o meu peito; formidavelmente soprará a sua tempestade; assim se aliviará.
Verdadeiramente, a minha felicidade e minha liberdade sobrevém como tempestades!'

(NIETZSCHE, F. Assim falava Zaratustra)




Algumas vezes, é preciso lançar mão d'algum pensador preferido, porque faltam-nos palavras ou versos ou mesmo olhares. Nada que nasça de nós, às vezes, é suficiente pra descrever o que nos vai por dentro. O que pretendemos dizer e simplesmente faltam-nos palavras. Nós, artífices delas, convertidos em artífices de sonhos, que sentem... e calam... O silêncio dos que estão transbordantes de alegria. Tu, a minha felicidade, que me sobrevém feito tempestade. Tu. Meu 'impriting'.



Aos 32 minutos do dia 01.04.2010

terça-feira, 30 de março de 2010

'Enlightenning me'


Tradução insuficiente
não abarca o significado todo

todos os fatos 
vestígios
soluções

concentrados num rastro de fino pó de ouro.

Meu.
Pra mim.





30.03.2010 - 23h40min

Depois da curva

Nua, minh'alma vagava
Tu'a alma vagava nua
as vestes perdidas sei onde
alguma razão conhecida.
Minh'alma nua vagava
Vagava nua, a tua
tantos bruscos atropelos
tormentos d'outras luas.
Depois da curva, teus olhos cegos
Meus olhos vivos sobre os teus
depois da curva doída
doída curva cravada de breus.
Bálsamo trocado
cuidado guiado
o pote raro d'ouro
no fim do arco-íris sangrado.

Depois da curva
teus olhos postos nos meus
raios de sol na janela um dia
rasgados de perfeita poesia.

Eu, tua mulher
Tu, meu rei, meu amor.




30.03.2010 - 23h31min

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um

Não é por milagre que somos um
Não é por acaso que sou tu
e tu entraste em mim
feito manhã ensolarada
depois da noite de temporal.
Não é por acaso que tuas carnes
e tuas vibrações me pertencem
ou que meus nervos e minhas veias
correm em ti, na eletricidade do teu som.
Não é por milagre que se entrelaçam nossos dias
e tuas trilhas se confundem com as minhas.
Não contamos os minutos
nem barganhamos os preços exigidos.
Não cruzamos os braços
a não ser que os do outro entre os nossos estejam
pra proteger os versos escritos a sangue, fogo
e cacos de vidro. Diamante.
Não é por milagre que a soma das partes somos
nós dois.
UM.






29.03.2010 - 1h22min

Surreal





Eu sou o que de mim invento
o que crio aos poucos, sem compromisso
feito qualquer outro entretenimento.
Eu sou O Vôo de Menotti Del Picchia
e as cinzas da fênix
depois do inverno findo.
Eu sou o epílogo e o recomeço
o reconhecimento à distância
a cura do tropeço.

Eu sou a dor que não mata
nem castiga, deveras.
Sou a pedra, a lua e a estrada
ladeada de girassóis azuis
virados pra esses teus olhos castanhos
que não vão mais chorar.
Eu sou o equilíbrio e o descompasso
e a entrega completa ao teu abraço.
Sou a surpresa e a contradição
num só corpo
numa só alma
num único verso
na ponta da lança
da tua solidão.















Aos 44 minutos do dia 29.03.2010

domingo, 28 de março de 2010

Meu

Seres o meu esteio
O meu desejo
A minha razão.
Meu itinerário
Meu contrário
O que escreve a minha mão.
Seres minha família
O melhor do meu dia
O calor do meu sol
Meu primeiro pedido
Meu primeiro suspiro
Minha primeira paixão.
Seres meus caminhos
Meus confortos
Meus mundos todos
Sublinhados de boa intenção.
Meus braços
Meus olhos
Meus passos
Minha canção.
Meu quadro
Meu filósofo
Meu beijo
Meu verbo
Meu coração.






28.03.2010 - 22h12min