quinta-feira, 17 de junho de 2010

Considerações

TRANSPAREÇO-ME






DILUO-ME







DESAPAREÇO-ME







SEM MIM

SOU JEANS BATIDO

E UM PUNHADO DE PÉROLAS FALSAS.






Aos 49 minutos do dia 17.06.2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

REMORSO DE GAÚCHO...'

Um gaúcho entra na delegacia de polícia em Uruguaiana e dirige-se ao delegado:



-Vim me entregar, cometi um crime e desde então não consigo viver em paz.



- Tchê, disse o delegado, as leis aqui são  brabas barbaridade e são cumpridas e se o tu és mesmo culpado não terá apelação nem dor de consciência que te livre da cadeia, mas fala...



- Atropelei um argentino na estrada BR-472, perto de Itaqui.



- Ora xirú, como tu podes te culpar se estes argentinos atravessam as ruas e as estradas a todo tempo?



- Mas o vivente estava no acostamento.



- Se estava no acostamento é porque queria atravessar, se não fosses tu seria outro qualquer.



- Mas não tive nem a hombridade de avisar a família daquele cüera, sou um porqueira!



- Bueno, se tu tivesses avisado haveria manifestação, repudio popular, passeata, repressão, pancadaria e morreria muito mais gente, acho que tu és um pacifista, mereces uma estátua.



- Mas senhor delegado, eu enterrei o coitado do homem ali mesmo, na beira da estrada.



- Tá provado, tu és um grande humanista... enterrar um argentino... és um benfeitor, outro qualquer o abandonaria ali mesmo para ser comido por urubus e outros animais, provavelmente até hienas.



- Mas enquanto eu o enterrava, ele gritava : 'Estoy vivo, estoy vivo!'



- Garanto que era mentira dele, esses argentinos mentem muito!!!!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*Li no orkut. Quase morri de rir...hehe...
Sim, eu sei que não é poesia. E daí?

Ilusionismo

Se calas
consinto.
Conceituo meus limites
nos argumentos do espaço-tempo
aos quais estou presa
por absurda necessidade do destino.
Se consinto
escalas
as paredes das horas
e os confortos dos alinhamentos
nas quadradas janelas
que dão pra lugar nenhum.
Se falas
desminto
as rebuscadas patrulhas traduzidas
em frases dispersas
misteriosas salas d'alma
onde escondo meus rumores
e os humores obtusos.
Se amas
sinto
os traiçoeiros ramos
de venenos intactos
e detalhados sentidos
de edições moderadas
e desacertadas precauções mil.
Se danças
pinto
o quadro de movimento intenso
nas traduzidas contrações
de blusas e cintos e somas.
Ilusões.







Na primeira meia hora do dia 15.06.2010

Agora

Hoje eu parto
meu pão esmago
meu suor, com mãos trêmulas,
seco.
Hoje eu participo
de um particípio passado
presente na lembrança
do que não cheguei a viver.
Hoje eu desmancho
meu tricô de versos
os pontos costurados
nas costumeiras madrugadas
de vagas diretrizes.
Hoje eu capricho
na invenção de uma verdade qualquer
que me sustente
sobre os saltos altos do meu ego manco
e sobre as manchas expostas
do meu sangue partido ao meio
de franjas e entalhes de couro cru.

Parto, hoje,
as favas contadas
os favos melados
as inexistências e
as imprudências.

As partes estão prontas
as cartas sobre a mesa
os fartos fios de navalha
os frios, os fracos, os filetes
os flancos, os fiapos...

Parto.





Aos 19 minutos do dia 15.06.2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reviravolta

Eu já tinha desistido
Eu já tinha largado de mão
dessa mania de escrever
tudo o que me vem à mente
tudo o que não posso dizer.
Eu já tinha plantado minha árvore
de frutos pintados de aquarela
e surtos bipolares diários.
Eu já tinha comprado um capuz vermelho
e sorrisos de plástico
pra estampar nas páginas vazias
de um blog fantasma
com vento desértico
e sopros de enguias esqueléticas
entre as teias de aranha
abandonadas nos cantos virtuais
dessa semelhança com uma vida de nada.
Eu já tinha decidido esquecer a senha
e publicar o silêncio
nas linhas paradas que eu não construí.

Mas

Eu mudo de idéia a cada banho
como se a água aquecesse meu peito vazio
e a solidão me obrigasse o grito
talvez a escrita de uma letra torta
- pretenso desabafo-.

E aí
voltei atrás
rabisquei um traço aqui
outro ali
um terceiro acolá
e a página branca
manchei de lilás.

Té que eu decida
desistir
de novo
e mais
uma vez...



Faltando 10 minutos para o dia 15.06. 2010

domingo, 13 de junho de 2010

Criação

Perco a palavra.


Construo sentenças involuntárias.

Avanço um passo parado enquanto

A erudição me proíbe

De andar descalça

Entre as vírgulas impressas

Nas culpas da arte duvidosa que produzo.

Estabeleço parâmetros

E os rituais marcam as conclusões precipitadas

Nos pactos permanentes.

Assumo as estradas

Pelas quais embalo meus impossíveis sonhos.

Nas minhas pretensas criações
 
Permaneço.
 
 
 
 
 
13.06.2010 - 03h13min

Sampa

São Paulo é um enorme coração. Enfartado.


Farto de gentes e mundos.

Enfastiado de versos marginais.

Faminto de verdades e semelhanças

com cotidianos reais.

São Paulo é uma nota

embebida em álcool

e diluída em lama.

São Paulo é toda uma República à parte.

Um coração selvagem.

Enfartado.

Farto de gentes e mundos.

Enfastiado de versos digitais.

Fantasiado de fomes

e novidades irreais.

São Paulo é um fato.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13.06.2010 - 03h02min

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Desconexo

Não gosto do sempre igual
mas também não gosto
do que aplicação alguma tem.
Os símbolos me determinam
as inconstâncias me acusam.
Assaltou-me a alma uma inquietude devassa
procurou meus temores e admitiu o princípio
de um orgulho obtuso e suspenso
por correntes brilhantes de anéis sem dedos.
Não ando sobre ovos
por medo de quebrar os pés.
Evito as encruzilhadas
pra não comer as pipocas das galinhas degoladas
deixadas de lado pra uma divindade qualquer.
Não divido meus tesouros nem alimento negativas
que sei que não terei forças pra cobrar.
Sou qualquer coisa confusa, perdida entre
uma e outra ponta do iceberg derretido
que eu não soube navegar.
Fui um laço estranho na antena da abelha
e uma velha melodia solta
nos ouvidos da festa de cores
que dançam na ponta da tua voz.
Sou a gota da lágrima que escorre da tua boca
e o delirium tremens no fundo da garrafa
sem cicatriz.
Arrependo os mapas e as legendas
viro assombração e laminada herança
nas letras que brotam das pontas dos meus dedos
ansiosos por dizer.
O que?
Qualquer coisa que se assente
entre os acentos dos vocábulos sem sílabas tônicas
sem musicalidade, sem quase algum .
Paralisia de estrela
cansada de arder respostas.
O caminho de pétalas de rosas existe
e assume proporções de fôlego exposto
nas palmas das mãos suadas
e nenhum outro privilégio
além de no impossível acreditar.




11.06.2010 - 02h03min

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mil de mim

Duas de mim, conheço bem.


Uma me diz que não cresci

a outra me leva a crer que já morri.

Enquanto uma me alimenta de sonhos

a outra rouba-me a comida

e me quer emagrecer.

Se esta me puxa o tapete

a outra arranja um vermelho-chamativo-brilhante

pr'eu nua desfilar, sem platéia

mas também sem nenhum limite.

Uma me arrepende e culpa

a outra me liberta, arremeda o medo,

desafia o que me prende.

Esta é indecente

aquela é solidão.

Se uma ri solta e devassa

a outra sorri, e tapa a boca com a mão.

Quando aquela acredita

em contos de fadas

a outra planta bem firme os pés no chão.



Sendo duas já ando às voltas

com remédios sossega-leão,

imagine se eu, casa delas,

permitisse a descoberta

- pecado capital! -

de que dentro destas

existem outras mil...






Aos 8 segundos do dia 08.06.2010

domingo, 6 de junho de 2010

Perfeição

Os assuntos que nos interessam
pertencem aos nossos espaços comuns
de afetos e cuidados trocados.
A compreensiva cumplicidade
adornada de poéticas histórias
e pulsantes sonoridades.
Teus traços
teus movimentos
a simbologia nos gestos
as frentes assumidas
e os encantos.
Os sons que nos interessam
pertencem aos nossos ouvidos atentos
de harmoniosa  e única sensação.
Nossos laços
permanências
e lábios
contam mistérios
apenas sondáveis
por nossas almas
carinhosamente abraçadas
nas curvas de nossos corpos
enfeitados de nuvens
e de verdades.
As nossas.
As que queremos ter.






06.06.2010 - 01h12min
Porque hoje está plantado em nós.
Hoje-ontem está-tem sido-foi mais que perfeito.
Ontem, hoje, amanhã. As nossas vontades.
As nossas verdades. As nossas vidas. Nós.

sábado, 5 de junho de 2010

Para depois de amanhã

Um nó na linha do tempo
e o absurdo itinerário
da viagem impensada
torna-se diário
escrito na linha imaginária
de lua apagada.
A fotografia congela o enredo
influencia a direção dos dedos
sobre o teclado macio de silicone
que imprime a digital de ontem
porque hoje já virou amanhã
no instante seguinte
ao que passou.
Envelhecemos tão rápido
que as pupilas dilatam o espaço da luz
e os sentidos se apercebem
tardiamente
que o sono e a falta dele
são indícios de anomalia que reduz
a produção de senso de estética geral.
Cá me encontro
entendendo sempre menos
do que me foi permitido saber
citando nomes mortos
de imortais pensamentos
universais desejos de apreender
a rota certa
no mínimo a menos errada
ou a que for possível escolher.
Entre devaneios e passeios
pelas anuviadas sendas do quase sonho
busco o que permanece
o que poderei acompanhar
ao longo de uma existência
cujas limitações chegam a ser ridículas
das quais não ouso suspender
sequer pequena ilusão.
Não.
Mantenho o que me haverá de acompanhar
ao longo da jornada curta
que eu pretendo eterna
enquanto durar
(Vinícius gostaria de saber
que o elegi meu guia
um dia
talvez).
São dois lados que eu tenho
e duas mãos quentes e apertadas
segurando as minhas
à esquerda, a mãozinha infante
à direita,  a mão forte
do homem que atravessou os verbos
os universos
e as impossibilidades
pra ser meu
e comigo estar.











05.06.2010 - 06h02min
Antes de entregar-me à morte diária
depois de entregar-me a Asimov
durante a entrega e-terna ao príncipe guerreiro,
dono do meu tempo, dos meus sonhos e de todos os versos
qu'inda nascerão de mim...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ensayo para el fin del mundo

La lengua no se levanta

para la invocación

el pensamiento reune

la ceniza más allá del tiempo

y todo el silencio y todo el olvido

rastro boquiabierto, todo lo llena

un vacío por el que conjuro

despliega su luz





Un buen día reviven las palabras, se vuelven

por un camino sinuoso y simultáneo, corren

bajo el agua y sobre la superficie

aliento





La invocación cruza en sombras a la noche, y no hay luz

ni hay raíz ni fuego y ni hay palabra que no se encienda





Al final del mundo, al final, sólo un ensayo

un otro comienzo que, lenta y pausadamente

se repite desde siempre





Y al principio es la palabra del corazón

impregnada de su claro magnetismo

y al principio (tomado del final), la palabra

que se alza silencio en el silencio, callada





luminosa





interior
 
 
 
 
 
 
 
Roberto Amezquita
02.06.2010

Todo dia

O futuro que te guarda
visita o passado onde te espero
de olhos abertos
e suaves lábios de beijo.
Tuas sobrancelhas
o brilho nos teus olhos
as mãos que tocam as cordas
da preciosa guitarra
tudo me planta sorrisos
n'alma plena de desejo.
Rasgar as madrugadas
eu no teu ontem
tu no meu amanhã
juntos no espaço mágico
inventado por um gênio
graças ao qual trançamos os laços
que tão fortemente nos colam
eu ao teu peito
tu à minha vida
independente de tempo verbal
ou ponteiro de relógio
ou impossibilidades
ou curvas de espaço.
Um no outro
somos.
Ontem
hoje
amanhã
eu, tua.
Pra sempre.






02.06.2010 - 01h13min
Longe? Mais perto que nunca.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dormência

Risco de giz as oposições a que me submeto
um lento desperdício de escolhas
assoalhos gastos na calçada da fama
tranças de equilíbrios nas poeiras das ruas.
Paradeiro de corpos comentados
executivas discussões salgadas
e tuas mensagens no meio das frases
gotas de fogos de artifício nas minhas manhãs.
Veneno e antídoto na saliva do sonho.
Meu dom é ver-te a alma
e nela embalar meu livro
de contos fantásticos
e de crônicas vistas.
Visito teus segredos
desconto os não-ditos
e os digeridos conselhos
nas janelas dos meus dias.
Adivinho.







31.05.2010 - 22h

Viajante

Nas curvas das horas
teus passos chegam cinco antes
enquanto os meus se arrastam
do lado de cá do Oceano.
Teu relógio não se ajusta
ajuíza minhas vontades
e derrete o fio do tempo
que assume proporções diversas.
Fina seda de vento soprado
pelas veias onde corre teu nome.
Duas sílabas douradas
entremeadas aos meus versos
nós de marinheiro no deserto
dessas mesmas horas
sedentas de ti.
Te espero.




31.05.2010 - 20h44min

ENSAIO PARA O FIM DO MUNDO

I

Se os finais entrelaçam os dedos

Dos começos adivinhados

Intencionalmente previstos

De crateras e cortes e poemas pela metade

Ou inteiras alegrias

Sonhadas ou vividas páginas

Divididas em explosões de dúvidas

E um sem número de ilusões

Não há fim, se mundo não houver

E de quantos mundos se precisa

Para construir um começo

Que dure o suficiente

Pra dizer que foi feliz

Mesmo depois que se tiver esvaído

Pelos vãos da proximidade

Com o que se desconhece?

Andar sobre as águas

E molhar a ponta da língua

No dia que jamais vai nascer

Feito anjo decaído

D’algum sobrevivente planeta outro

Escancarado de resvalos

E ditos sonâmbulos.

O fim do mundo promete

Tudo o que nada expõe

Nada que não tenha sido tentado

A salvação mutante

Do que já não existe mais.



II

Se hoje o mundo findar

Meu espelho quebrado

Sem partes encaixadas delicadamente

Nas centenas de possibilidades

Que eu não consigo contar

Estarei exausta de vida e de espera

Nas névoas conquistadas de anéis coloridos

dos caminhos que eu não conheci.

São vagas as horas últimas

Da contagem regressiva

Em que as maravilhas melódicas

Da rouca voz amanhecida

Nas afiadas presas da liberdade

Cantam composições tuas

Que encantam meus ouvidos

E prometem favorecer as probabilidades

De haver amanhã

Depois que o fim dobrar a esquina

E não houver outra chance

Além de reconsiderar.



III

Explodem estrelas

Pra recomeçar a vida

D’algum inesperado ponto.

Um porto conquistado desde os mais remotos

Extremos da terra

Talvez dez mil quilômetros

Transfigurados em milímetros

Depois da grande erupção.

Vida na lava ardente

Microscópica diferença

Ensaiada no espaço vazio

Entre um ato e outro da grande peça

Sem platéia nem improviso algum.

O fim do mundo é o começo de alguém...






30.05.2010 – 20h26min
Aí, Roberto Amezquita,
futuro Prêmio Nobel de Literatura,
 Simone promete, Simone faz...rs





sábado, 29 de maio de 2010

Do que há em mim*

Sou tudo e mais um pouco.


Além do que se pode entender.

Aquém de quem eu gostaria de ser.

Sou prata da casa e

casaca virada no quintal deserto.

Sou esposa e amante.

Sou espinho e razão.

Sou nada e menos um pouco.

Alimento de fera

e ferida exposta de verão.

Sou voz presa na garganta

e garganta seca

pendurada no cabide do dia

inda não nascido

sem a menor previsão.

Sou ponta de iceberg

e oceano revolto

bem no meio de florestas tropicais.

Sou neve e sorvete de uva.

Sou folha de plátano

voejante de amareladas resistências.

Sou o que nunca pensei

penso quem nunca fui

e talvez quem jamais serei.

Sou a repetição da imagem perdida

e a perdição na esquina de luz

que o sol acendeu

depois de ascender a alma

nas conchas das mãos do amor.

Sou eu e ninguém mais além de mim

na caixa que eu chamo de corpo

e que abriga dentro

misturados a tudo o que vivi

minha filha e meu homem

desde antes

e pra muito além

de tudo o que existe

e de tudo o que haverá de ser.



29.05.2010 - 16h
*Da Série SOBRE QUEM SOU