domingo, 25 de abril de 2010

Destino

Um estalo de dedos
e um desvio no caminho.
No fim da erma estrada
uma curva
uma cruz
um carinho.
Mudança de rota repentina
alívio da lancinante dor mortal
primavera em meio à chuva
música, poemas e carnaval.
No teu peito, o meu pulso
No meu pulso, tua alma.
Eu, teu destino.
Tu, minha direção.
Infinitamente.







Aos 30 minutos do dia 25.04.2010






sábado, 24 de abril de 2010

Breve citação, à guisa de resposta

'Não posso deixar, neste momento, de manifestar um grande desprezo, não sei se pela ingratidão ou pelo fingimento dos mortais. É certo que nutrem por mim uma veneração muito grande e apreciam bastante as minhas boas ações, mas, parece incrível, desde que o mundo é mundo, nunca houve um só homem que, manifestando o reconhecimento, fizesse o elogio da Loucura.
(...)
Sabeis porque Cupido se conserva sempre moço? É porque só se ocupa com bagatelas, porque está sempre brincando e rindo, sem juízo e sem reflexão alguma, correndo puerilmente de um lado para outro, sem saber ao menos o que se faz ou o que se diz. Porque a áurea Vênus mantém sempre florida a sua beleza? Não o sabeis? É porque é minha parente próxima, conservando sempre no rosto a áurea cor de meu pai Plutão. Além disso, se devemos prestar fé aos poetas e aos seus rivais os escultores, essa deusa aparece sempre com uma expressão risonha e satisfeita, sendo com razão chamada por Homero de áurea Vênus. E Flora, mãe das delícias, não era, talvez um dos principais objetos da religião dos romanos?
(...)
Asseguro-vos, por Deus, que, embora eu seja a Loucura e esteja, por conseguinte, habituada a toda espécie de extravagâncias, muitas vezes não consigo conter o riso'



(ERASMO DE ROTERDÃ - Elogio da Loucura)

24.04.2010 - 16h33min
Para o bom entendedor, meia loucura basta...

Sagrado

Teu ritual de despedida
e o santo segredo
guardado nas conchas das mãos
de uma menina.












24.04.2010 - 04h33min

Ontem

Tu tinhas a chave da minha biblioteca
e eu, a da tua garagem
as duas, na casa construída a fios de ouro
e toques de guitarra
pra abrigar nossas mãos dadas
descalças de luvas
lavadas de sombras.
Nuas.







24.04.2010 - 04h30min

Espaço

E por falar em espaço
falta espaço em mim
daí o grito
o desabafo
não de tristeza
que já nem sei se existe
na face da terra onde piso
mas de radiância
palavra inexistente em riste
que me dou o direito de inventar.
Invento palavras
rimas
danças
e arremedos.
Invento tudo o que tiver que inventar
inclusive repetências.
É que ando saltitante
e satisfeita debalde
ou de balde
ou aos baldes e baldes e baldes
quantos forem necessários
pra comportar meus risos.
Ao longo dos dias
trancada na biblioteca, amo.
Amo nos coletivos
nos supermercados
nas farmácias
nas páginas dos livros
nas vídeo locadoras.
Ao longo das tardes
entre todos os sabores, amo.
Amo nos tropeços
nos desacertos
nos conformes
nos passos dantescos.
Ao longo das madrugadas
entre lençois e ternuras, amo.
Amo nos murmúrios
nos abraços
nas fomes
nos descansos.
Amo nas chegadas e nas despedidas
nas primeiras chego contigo
nas últimas me levas junto.

Falta espaço em mim
por isso preciso da tua ajuda
pra carregar o peso pena
do amor perfeito 
que vamos construindo pra nós.
Juntos.





24.04.2010 - 04h20min

Pertença


Dentro.





Aos 10 minutos de 24.04.2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Noção

Que chovam canivetes, delírios ou pétalas de rosas
que a neve cubra os caminhos
e que provoque as cãs
que as folhas das árvores tombem
e que as enxurradas tudo levem.

Tu, vivo, em mim, doce e quente verão...

Tu, minha eletricidade.
Eu, teus pergaminhos.







23.04.2010 - 02h29min

Diderot

Diderot, o que diria?




Tu, minha bem-aventurança
o melhor que me houve em vida
'Primus inter pares'
fôlego no encaixe
onda sonora sentida na 
pelecicatrizadadeorvalhoferidadefogoapaixonada.







23.04.2010 - 02h21min





Profética




Meu coração tropeçando 
na mágica do teu olhar de arco-íris.

Teu nome diferente de Pedro
tu, minha dourada pedra angular
meu templo, altar, ritual, energia.

Meu Norte, bem ao Leste
de onde o Todo se inicia.
Tudo e Nada entre teus dedos.
Poder supremo.
Escolha tua.

Na próxima esquina,
o meu endereço te guia.
Nome e sobrenome na placa
que dúvida não permite
sobre a extensão do limite
que de mim te aproxima.

Mais impossível?
Profecia.






23.04.2010 - 02h05min


Hiatos

Nietzsche dizia que o dia em que não se houvesse dançado
deveria ser considerado perdido...






Os dias em que não fui tua
todos os que vivi antes da tua vinda
todos aqueles em que ignorei tua existência
todos os que não ri contigo
nem te beijei
estão nulos.
Não existiram nem dias nem noites
nem outros estados 
nem outras tensões.
Não existiram minhas dores
nem lágrimas
nem vertigens
nem intenções.
Nada.
Antes de ti,
h
i
a
t
o
s
.
.
.









23.04.2010 - 01h45min

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Poetar

Não sou poeta
arrisco versos
que cantam meus poros
dos meus instantes caros
dos meus instintos vários.

Não sou poeta
pesco versos
em tudo o que aprendo
no que não domino
do que temo
e do que abomino.

Não sou poeta
colho versos
na pele do amado
pinto beijos na folha virgem
planto sementes no corpo dele
que é meu.





22.04.2010 - 22h44min

Barulho

Escrever meus poemas em ti
provocares acordes em mim
acordarmos a vizinhança
d'outras galáxias
nas madrugadas
iluminadas e aquecidas
pelo teu sol.





22.04.2010 - 22h37min

Público

Os segredos libertos das sete chaves
gritados de cima dos telhados
inundados de ternura e mel.
A guitarra geme um prazer
o apito do trem desafia o tempo
a cruz garante a multiplicação.
São os feitos diferentes
que fortalecem os elos.
São os elos fortes
que nos fazem ecos
d'outros espaços reais.
Os nossos
em luas crescentes
pavios de trovoadas
escalas termométricas
em cada minuto
nascido de nós.
Encantos.






22.04.2010 - 22h04min

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Entropia

Nem todos os termos físicos
definiriam o movimento
no lado de cá da linha
deste século XXI.

Nós sim...






21.04.2010 - 04h07min
Todo dia, aprendo contigo

70

Minha vida inteira
nas últimas três horas
de 70...

E há quem diga
ser possível
fugir ao Destino...



21.04.2010 - 04h04min

Assinado, selado, entregue

Se não fora assim
de que adiantariam as palavras
as juras as canções as deixas?

Assinado com sangue e leite
Selado com sal de suor
Entregue o embrulho pulsante

desmedidas suavidades
nos nomes e nas mentes.

Loucura.





21.04.2010 - 4h

terça-feira, 20 de abril de 2010

Confortável

Perfumadas poeiras de luas e estrelas
nas noites azuis de madrugadas
encaixe de encontros e fios d'ouro
trançando dançantes quadros de cores
nas peles.
Os anéis, as correntes, os palitos e os dentes
as mordeduras e os laços crescentes.
Sem brechas, o líquido quente.
Onde a circunferência
como o encaminhamento
quando sempre todo dia
as bobagens sem limite.
A gente.


















20.04.2010 - 21h14min

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fertilidade

Nascem de mim os poemas
semeados pela tua pele quente
suaves partos acesos
de velas e verdades vivas
são ponteiros  iluminados
pela beleza do teu sorriso
o mesmo que me fertiliza
a alma, o peito e a alegria.







19.04.2010 - 23h40min

Quântica

Universos outros
conscientes ou não
de nós.
Os meus fantasmas
as vozes e risos
poemas inteiros 
dançando em mim.
Tu e eu
e os dias
e as lentes
e os óculos
portas abertas hoje
para depois de amanhã.
As probabilidades
guardadas nos bolsos

perfeitas

pra nós.









Aos 9 segundos do dia 19.04.2010

domingo, 18 de abril de 2010

Física

As réguas indicam onde e como
limites serão ultrapassados
atrasados os relógios azuis.
Considere-se a contribuição
das letras dançantes
no espaço vazio acumulado
e das intenções navegantes
nas unhas pinceladas de preto
acompanhadas de cítrico perfume.
Energia é fundamental nos instantes
em que se tatuam as peles
indelevelmente suadas.
Interesses outros, além das carnes
que prendem espíritos
e viajam por tempos diversos
encontrando Einstein, Nietzsche, Darwin,
misturando Física, Filosofia e Arte
numa só canção.
Se Dante conheceu o inferno,
nossas mãos dadas criaram a salvação.
Se em Shakespeare o amor mata
nós o nascemos todo dia
alimentando-lhe as falas
compreendendo-lhe as nuanças
fortalecendo-lhe os músculos
pra que ele viva e-ternamente
dentro ou fora dos espaços
que a nós pertencem.
Nossos...







18.04.2010 - 14h28min

Companhia

Se o resto do mundo não existisse
eu ainda riria contigo...






18.04.2010 - 3h33min
Um amor se sustenta com alegria

sábado, 17 de abril de 2010

Do tempo real

Nova virada da ampulheta
na mão de quem rege a vida
na minha mão
trêmula, desmedida
na minha mão abastada
mas aflita.
Ampulheta de insistências vazia
de encontros circulares
e de promessas contidas.
De contadas estrelas coloridas
e de alegres bolhas de sabão
irreais...






17.04.2010 - 22h55min

Relatividade

Cordas de universos outros
se entrelaçam às nossas teorias particulares
já estivemos juntos n'outras eras
já fomos outros n'outras realidades.
Os fantasmas que me acompanham
talvez me vejam
talvez me decifrem
me soprem, talvez.
Circulam minhas vidas todas
ao redor de um sol neon
descansado no elástico da vida.
O lastro do meu descanso
repousa sobre um cilindro azul
e uma cápsula do tempo esticada
feito chiclete de menta com limão.
Na boca do espaço 
o grito alimenta a alma gasta
e a esperança não fica pra amanhã
é hoje, aqui, na dobra desse laço
que tu e eu existimos
que eu e tu somos um.






17.04.2010 - 22h17min

Fidelidade

Sabemos tudo, sempre, desde o princípio
e escolhemos fazer valer a pena...

Em muitos casos, ainda conseguimos ser felizes.
Incrivelmente felizes e satisfeitas.


Nós, as mulheres traídas.





17.04.2010 - 15h35min

Grandeza

Assumir exige uma boa dose de coragem
rara presença em muitos
só um grande SER se permitiria
tamanho risco.
Tu.



17.04.2010 - 15h21min

Vil

Conhecer é prova de fogo
tanto para quem sabe
quanto para quem se deixa saber.
Nenhum momento mais crítico
quanto aquele em que nos desnudamos de fato
e todos os nossos mistérios expomos.
Arriscamos deveras
e comumente esperamos
a catástrofe provocada
pelas nossas inconfessáveis culpas.
No entanto, de que vale amar superficialmente?
Quantos peitos há no mundo
transbordantes de segredos
obrigados a mentir e mentir e mentir
ao longo de toda uma existência
com medo de ser quem são?

Amo teus pecados e tuas culpas
os passos mal dados
a embriaguez dos teus erros
a tua inexatidão.
Não por concordar
com o que eu mesma jamais faria
mas porque são tuas
essas estradas tortas
essas vielas escuras
essas vilezas todas.

Tuas
em ti.
Nossas.







17.04.2010 - 15h

Shhhhhhh

Um minuto de silêncio
pra ouvir no meu peito
a tua pulsação...







17.04.2010 - 14h35min

Transgressão

Pecado é mentir.
Para todo o resto
sempre haverá perdão....






17.04.2010 - 14h33min

Poemar

Verbo inventado
licença poética.
Leia, entenda e sorria.
Nem sempre
os vocábulos existentes
dizem tudo o que se quer dizer.
Nem os inventados
infelizmente...







17.04.2010 - 14h21min

Beauvoir & Sartre

Não sei se ela foi feliz
Não sei se feliz ele foi
Ele amou grandemente
Incondicionalmente ela amou.

Nós, as Simones.




17.04.2010 / 14h06min

Pedras




Ah Drummond, Drummond
ter uma única pedra no caminho
seria tão bom
tão bom, Drummond...






17.04.2010 - 13h46min
Tu eras feliz, Drummond,
e nem sabias...rs

Lealdade

Despedida a razão.
De nada vale saber?
As canções se sucedem
a curto ou médio prazo
o longo a gente admite
mas sabe ser diamantado sonho.
Utopias à parte
enlouquecer de amor
ensurdece.
Escrever
andar
verter sangue cru
incendiar linhas e nuvens
enveredar-se por sombras
desconhecidas e quentes
fundir-se e virar fantasma de si mesmo
nas paródias diariamente improvisadas.
Imprevistos são criações distintas
d'outras luas
n'outras situações
que não as de agora.
Agora são outros quinhentos
são outras parcerias
são intenções outras.
Agora são elas
e eu.

Permaneço.




17.04.2010 - 13h18min

Rarear

Refletir as ondas astronautas
nas ondas do cabelo liso
endurecer de desafios
abraçar os acertos tantos
tontear as fiéis alianças
nada contra
tudo é direito
quando a esquerda te guarda
nem que seja uma única vez
tão longa que jamais acabe
tão linda que jamais se apague
tão pura que jamais se contamine.

E-ternidade.






17.04.2010 - 3h50min

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cicatriz

Fórmulas e diários
                         lucubram instintos
                                                         matar o tempo
pra evitar que ele escorra
                                                         entre as ondas do espaço
                                                                                     que não tem controle
as mãos dadas
                                       no início dos trilhos vazios
                                                                     os lados da mesma moeda
                                                                                                          de prata
os anéis cavam eiras
                                                             aperfeiçoam saudades
respondem às extintas verrugas
                               cicatrizes-frases
                                                                de histórias antigas
passadas sem anestesia
                                     e sem limite de idade.
                                                                             Marca.






16.04.2010 - 1h30min

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Alea jacta est



Dançam as frases na ponta da língua
cantam de sonho e promessas sem medo
a alegria como único alimento.
O risco do saber certeiro
na carta curta
mas precisa.

Lançada a sorte
na sentença repetida.

A quem pertence a raiz da vida?





Aos 15 minutos do dia 14.04.2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Maria Fumaça

Os caminhos por onde os passos soam
pintam obras de arte underground
ecoam esferas de brilhantes raros
e avisos de um horizonte surreal.
Na ponta do dia, a saliva
estendida na pele branca macia.
São urgências os acúmulos dos fatos
as somas das reticências
uma a uma empilhadas nos cílios das
madrugadas atropeladas de estrelas com
encontros de dançarinos, fantasmas e luas.
A vida corre nos trilhos
e os assuntos assumem a ponta da linha.

Do trem...





13.04.2010 - 23h08min

Visão

Da tua janela
no alto dos teus olhos
o teu olhar  de canção
deixa rastros da tu'aura
na embaçada ilusão.
Parte do teu espaço concreto
quatro mil poemas
cantados e decantados 
nos restos das imagens
que te contêm.
Por onde deixas tuas marcas
por onde fica teu perfume
por onde imprimes o castanho
desses teus olhos profundos...





13.04.2010 - 19h23min
Desde sempre
para sempre...

domingo, 11 de abril de 2010

Pé ante pé




Círculos na areia
homeopáticas alegrias
no limite das linhas
Ozzy no colo
Stones no ouvido
risos estreitos
alívio de dores.
Os mistérios
dos encantos realizáveis
viabilizados no fundo da íris.

Pé ante pé
a saudade se aninha
no peito
no pulso
no dia.



11.04.2010 - 19h

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Amanhã

Um corpo oco
amanhece o dia.
Um dia oco
amanhece uma casca




















vazia...

























09.04.2010 - 2h20min

Morte súbita

À noite, rasgam-se as dores
e todas as gargalhadas soam guturais
somam-se às milhares de cicatrizes
outras fundas
feridas

desiguais.

À noite os já difíceis derretem
e o pulso, no peito, 
p

á

r

a.



Silêncio.




Os fantasmas rondam os restos
do imaginário sonhado
velado 
no chão estendido.
Lágrimas secam estrelas
apagam as luzes
recolhem as flores
murcham as horas arrastadas.



A mornidão é a mortalha
vestida de novo
como se fora
armadura
pela primeira vez.



Sombras lançam mão
do lança-chamas
às chamas lançado
chamuscado de estrias.
Nem cinzas
que o vento sopre
nem pétalas 
que o tempo apague.


Crer
é arriscar-se à própria sorte
é entregar-se à morte
e morte de cruz.



Subitamente
me mate!





09.04.2010 - 2h10min


'A recompensa final dos mortos é não morrer nunca mais...'   Nietzsche








terça-feira, 6 de abril de 2010

Paladar

Dançam apressados fantasmas sussurrantes
no quente vento do arrepio
sobre versos riscados na parede
pontos vistos de canções urgentes
portas de vidro escaldantes
viscosidade na conquista
degustação das linhas
nas digitais aparentes
de alucinantes doçuras.
As cenas benditas
bem ditas de espumas
esperadas consistências
no único fio sobrado
no canto da boca
de amor avermelhada.

Sangue quente
de cor desbotada
desesperada corrida
no encontro de luz
de símbolos marcado...

Paladar.







06.04.2010 - 22h17min
'Há sempre alguma loucura no amor.
Mas há sempre um pouco de razão na loucura'
(Nietzsche)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Bom...

Os vidros embaçados do começo
transformados em milhares de preciosidades
nossas pequenas lembranças
marcadas nas cicatrizes
nos matizes de dor que nos aproximaram.
Pratos, copos, vidraças partidas
cacos de pontas de passados
que já não torturam
nem estilhaçam
as veias fortalecidas
de purpúreo sangue apaixonado.
Investida num presente
agradecido de sorrisos
engrandecido de quenturas várias
de carícias e cuidados
nunca dantes tidos.
Acolhida.





05.04.2010 - 8h19min

Dourado elo

As siglas, as setas, os lembretes
indispensáveis condições
nunca dantes pensadas
alusões aos caminhos sonhados
vida inteira d'espera
inclusão de estrelas
na noite fria de durante.
Nada mais sem teu riso
ou luas enfeitadas de símbolos antigos.
Tuas roupas, movimentos, prazeres,
teus instintos expostos,
nossas entregas, nossos desejos, 
nossas mais suaves aventuras,
encontros, alegrias, belezas.
Os papéis enfeitados de futuro.
O nosso.
Nossas mãos tecendo laços de ternuras
criando outros acordes.






Aos 36 minutos do dia 05.04.2010

sábado, 3 de abril de 2010

Dourado

Tudo o que eu sempre quis ter pra mim 
materializado na minha frente, feito mágica. 
A barriga que eu sempre quis, 
os dentes que eu sempre quis, 
os cabelos que eu sempre quis, 
a voz,
o sotaque, 
as mãos, 
as coxas, 
as palavras, 
os sentimentos, 
tudo o que eu sempre desejei pra mim. 
Meu sonho possível. 
A alegria de saber que não esperei em vão
e que ninguém te supera, em nenhum sentido. 


Tu és tudo o que eu sempre quis ter pra mim.














03.04.2010 - 18h13min

Ankh












Século XVIII. Vida nova.
Metamorfose de fúria
em pura poesia.
Brutalidade derretida.
Vida nova. Alegria.





Aos 13 minutos do dia 03.04.2010
Vida nova. Fertilidade. Imortalidade.



sexta-feira, 2 de abril de 2010

História

Ando cega
a tatear teus poderes
de tamanha entrega.
Tu, tuas faces todas,
tuas diferentes artes,
tuas dores e teus limites.
Silencioso guerreiro de lutas internas.
Valoroso príncipe meu.

Os caminhos, as histórias,
as geografias e as matemáticas
incapazes de nos separar
ou de impedir o 'impriting'.

Ando cega
a entregar-me inteira
despida das vestimentas costumeiras.
Sem pressa
sem lei
sem decência.
Eu, meus lados todos,
minhas diversas partes,
minhas flores, meus rompimentos.
Silenciosa dama de lutas intensas.
Tua mulher.



02.04.2010 - 15h19min






Encaixe perfeito

Não importa sobre o que eu escreva
não importa quantos verbos eu use
nem quantas vírgulas me bastem.
Não importa a quantidade de versos
ou as rimas
ou a inexistência delas.
Não importa o ritmo, a forma, nem sequer o tema.
Não importam as paradas
as linhas em branco
a cor da tinta usada.
Independente da arte
teus olhos castanhos brilham em mim
é teu fôlego que sorvo
são tuas entranhas nas entrelinhas
nos finos fios de sangue
escorrendo entre uma e outra estrofe.
Tua vida
tuas palavras
eu, tua,
no encaixe de estrelas,
de camisetas com dizeres manuscritos,
de acordes, de acordos, de juras e deleites.






02.04.2010 - 14h49min
Tu, meu príncipe guerreiro

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pandora

No fundo falso da caixa
intencionalmente escondida
entre as frestas da madeira de lei
a louca desvairada rodopia
serpenteia se curva dança
desvia das farpas
evita o fio das facas
incendeia
ela
a esperança.







01.04.2010 - 21h30min
Ao cavaleiro vitorioso
depois d'árdua batalha.

Nietzsche diria...


'O meu impaciente amor transborda em torrentes, precipitando-se desde o oriente até o ocaso. Até minha alma se agita nos vales, abandonando os montes silenciosos e as tempestades da dor.
Demasiado tempo sofri e estive em perspectiva. Demasiado tempo me possuiu a solidão. Agora esqueci o silêncio.
Todo eu me tornei qual boca e murmúrio de um rio que salta de elevadas penhas: quero precipitar as minhas palavras nos vales.
Corre o rio do meu amor para o insuperável! Como não encontraria um rio enfim o caminho do mar?
Sem dúvida há um lago em mim, um lago solitário que se basta a si mesmo; mas o meu rio de amor arrasta-o consigo para o mar.
Eu sigo novas sendas e encontro uma linguagem nova; à semelhança de todos os criadores, cansei-me das línguas antigas. O meu espírito já não quer correr com solas gastas.
Toda a linguagem me torna moroso. Salto para o teu carro, tempestade! E a ti também quero fustigar com a minha malícia!
(...)
E quando quero montar no meu mais fogoso cavalo, nada me ajuda tanto como a minha lança; sempre está pronta a servir-me, a lança que brando contra os meus inimigos.
É muito grande a tensão da minha nuvem; por entre os risos dos relâmpagos quero lançar granizo às profundidades.
Formidavelmente se alevantará o meu peito; formidavelmente soprará a sua tempestade; assim se aliviará.
Verdadeiramente, a minha felicidade e minha liberdade sobrevém como tempestades!'

(NIETZSCHE, F. Assim falava Zaratustra)




Algumas vezes, é preciso lançar mão d'algum pensador preferido, porque faltam-nos palavras ou versos ou mesmo olhares. Nada que nasça de nós, às vezes, é suficiente pra descrever o que nos vai por dentro. O que pretendemos dizer e simplesmente faltam-nos palavras. Nós, artífices delas, convertidos em artífices de sonhos, que sentem... e calam... O silêncio dos que estão transbordantes de alegria. Tu, a minha felicidade, que me sobrevém feito tempestade. Tu. Meu 'impriting'.



Aos 32 minutos do dia 01.04.2010

terça-feira, 30 de março de 2010

'Enlightenning me'


Tradução insuficiente
não abarca o significado todo

todos os fatos 
vestígios
soluções

concentrados num rastro de fino pó de ouro.

Meu.
Pra mim.





30.03.2010 - 23h40min

Depois da curva

Nua, minh'alma vagava
Tu'a alma vagava nua
as vestes perdidas sei onde
alguma razão conhecida.
Minh'alma nua vagava
Vagava nua, a tua
tantos bruscos atropelos
tormentos d'outras luas.
Depois da curva, teus olhos cegos
Meus olhos vivos sobre os teus
depois da curva doída
doída curva cravada de breus.
Bálsamo trocado
cuidado guiado
o pote raro d'ouro
no fim do arco-íris sangrado.

Depois da curva
teus olhos postos nos meus
raios de sol na janela um dia
rasgados de perfeita poesia.

Eu, tua mulher
Tu, meu rei, meu amor.




30.03.2010 - 23h31min

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um

Não é por milagre que somos um
Não é por acaso que sou tu
e tu entraste em mim
feito manhã ensolarada
depois da noite de temporal.
Não é por acaso que tuas carnes
e tuas vibrações me pertencem
ou que meus nervos e minhas veias
correm em ti, na eletricidade do teu som.
Não é por milagre que se entrelaçam nossos dias
e tuas trilhas se confundem com as minhas.
Não contamos os minutos
nem barganhamos os preços exigidos.
Não cruzamos os braços
a não ser que os do outro entre os nossos estejam
pra proteger os versos escritos a sangue, fogo
e cacos de vidro. Diamante.
Não é por milagre que a soma das partes somos
nós dois.
UM.






29.03.2010 - 1h22min

Surreal





Eu sou o que de mim invento
o que crio aos poucos, sem compromisso
feito qualquer outro entretenimento.
Eu sou O Vôo de Menotti Del Picchia
e as cinzas da fênix
depois do inverno findo.
Eu sou o epílogo e o recomeço
o reconhecimento à distância
a cura do tropeço.

Eu sou a dor que não mata
nem castiga, deveras.
Sou a pedra, a lua e a estrada
ladeada de girassóis azuis
virados pra esses teus olhos castanhos
que não vão mais chorar.
Eu sou o equilíbrio e o descompasso
e a entrega completa ao teu abraço.
Sou a surpresa e a contradição
num só corpo
numa só alma
num único verso
na ponta da lança
da tua solidão.















Aos 44 minutos do dia 29.03.2010

domingo, 28 de março de 2010

Meu

Seres o meu esteio
O meu desejo
A minha razão.
Meu itinerário
Meu contrário
O que escreve a minha mão.
Seres minha família
O melhor do meu dia
O calor do meu sol
Meu primeiro pedido
Meu primeiro suspiro
Minha primeira paixão.
Seres meus caminhos
Meus confortos
Meus mundos todos
Sublinhados de boa intenção.
Meus braços
Meus olhos
Meus passos
Minha canção.
Meu quadro
Meu filósofo
Meu beijo
Meu verbo
Meu coração.






28.03.2010 - 22h12min

Tua



Ser teu peito
Teu leito
Teu pedido.
O ombro que te descansa
A cerca que te protege
O abraço que te conforta.
Ser tua sombra
Tua bebida
Teu travesseiro.
Ser teu sonho bom
E tua real satisfação.
Ser tua cura
Teu remédio
Tua alegria.
Ser teu conforto
Teu banho quente
Tua guarida.
Ser teu consolo
Teu contato
Teu presente.
Ser tua
Agora
E permanentemente....



28.03.2010 – 17h23min
Viva voz de ventos. 
Os mesmos do mensageiro,
que te soprou pra mim...

 

sábado, 27 de março de 2010

Fonte da juventude





Eu voltei a ser menina... 
Tenho 17 anos e 
uma vida toda pela frente... 
A energia invade-me o corpo e a alma, 
e eu sei que posso transformar o mundo. 
Se não o de todos, ao menos o meu. 
E o dele. 
Sou uma menina. 
E todos as conquistas 
estão disponíveis pra mim.










27.03.2010 - 20h37min
A magia do encontro...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Memento Mori

Sou de tudo um pouco.
Sou roubo. Rombo. Ranhura.
Sou a mão que afaga e o fruto maduro.
O vaso de terra comum.
A fonte da eterna inquietude.
Não sou jovem. Nunca fui.
Sou dona de um sentimento nobre e uma caneta,
alguns versos confusos
e outros tantos longos silêncios.
Sou grito-sussurro ecoando ao longe.
Sou insônia, cansaço e rebeldia.
Sou quieta música de estrela
e longa viagem de sonho.
Sou louca
descabelada
e feia
e não tenho coração
(ofertei o que pulsava em mim).





Aos 51 minutos de 26.03.2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Crime

Roubo sem arma a tua essência
assalto teu álbum
apodero-me das imagens expostas
na galeria dos teus ídolos.
Dali
Picasso
Sally.
Teus pedaços.
Tua voz de outro sotaque.
Teus assuntos, teus instantes.
Teus cacos quebrados, teus brilhantes.
Roubo tudo.
Assumo o veio, a vela, o breu
o azul da tua noite terna.
Somo meu verso ao teu
peito-promessa. Acredito.
Terno crime bendito.
Tomo pra mim teus efeitos
tuas guitarras
tuas letras
tuas fundações
teus trilhos
teus trens.
Todos meus.
Não devolvo, nem de direito.
Moram em mim, agora.

Crime seria não te querer...



25.03.2010 - 1h50min

Tu és maior do que eu pensei
e eu pensei que fosses bem grande
errei feio
não dá pra te medir...