sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

456 anos



Eu amo e temo São Paulo.
É lá que as coisas acontecem.
É lá que nasce todo enredo.
É lá que brotam os orvalhos
e as orvalhadas orgias
de cimento e novidade.
É em São Paulo que brilha
o brilho eterno do começo,
da descoberta,
da saudade.
Também é lá que o sangue
escorre na calçada
e que a saída
pode não ter volta.
É lá que o mal se mistura ao bem
quase em pé de igualdade.
É em Sampa que o bicho pega
e que existe esperança.
É lá que vivem pessoas incríveis,
que levam minha admiração
e minha eterna confiança.
Sampa é viva
é suja
é bonita
e tem todos os ingredientes
que se procura
numa cidade-artista,
é louca,
é livre,
é receptiva
traduzida em versos
prosa
canção
e fotografia.
Sampa é braços abertos.
É dor e alegria.
Eu amo e temo São Paulo...




22.01.2010 - 03h03min

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Decisiva




Se for quase,
não aceito.
Menos que tudo,
nem ofereça.
Pra perder,
não tenho tempo...




20.01.2010 - 23h10min

Rogai por nós





A poesia é meu grito
minha reza
meu lamento
desabafo, intrusão.
A poesia é minha máscara
minha estrela
meu perdão.
Meu protesto
minha amplidão.
A poesia é meu reverso
minha medalha
minha moeda
solução.
É meu diário
meu confessionário
meu chavão.
A poesia é minha estrada
minha marca
minha esquisitice
minha pretensão.
Minha vingança
meu rumo triste
meu alimento
minha mais preciosa invenção.
Meu rótulo
minha rótula
minha medicação.
A poesia é meu invólucro
meu intento
minha iluminação.
Minha estrela
meu sarcasmo
minha saciedade
minha salvação.







20.01.2010 - 22h18min

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fugidio



Avermelha o horizonte
a queda d'água
desperdiça a atitude
e as correntes não prendem
nem ponteiam os acordes
que os canários não cantam.
Desmentir o tempo
é jogar-se em função inválida.
Com ou sem teu consentimento
outro dia se fará.

Melhor outras alternativas criar.




18.01.2010 - 17h39min

Confiança




Peito
alma
corpo
intuição.






Aos 35 minutos do dia 18.01.2010

Propriedade






O sangue que na veia te corre
sem juras ou descuidos temporários
é teu.
O tanto ou o quanto assumido
com testemunhas ou sem
é vitória ou lamento assistido
depende de quem pretendeu.
Separa os dedos da noite
no frio da ansiedade de então
estranha o sorriso da lua
impõe lágrimas à solidão.
Nada há que se pareça
ao cuidado e tempo gastos
nas palhas das agulhas perdidas
nos terrenos abertos aos passos.
O soro que da veia te escorre
sem ajustes ou desejos
é teu...



Aos 18 minutos do dia 18.01.2010

Término



Bastam minhas fitas
e as fissuras nos joelhos pagãos.
Se enterneço a suposta alegria
cumprimento o contato não tido
o espelho quebrado na escada.
As prendas estão penduradas
nos ganchos de nuvens
dos colares azuis.
Tempestades de fios expostos
e certidões encontradas
n'algum depósito de cinzas
que o vidro esfumaçou.




17.01.2010 - 23h50min

domingo, 17 de janeiro de 2010

Noite






Adormeço, exausta, nos anéis da vida...



17.01.2010 - 21h37min

Retrato


Nas páginas do diário esquecido
rabisco flores e borboletas
sem pensar nem deliberar deveras.
São dez enfeites de sal
nas desordenadas linhas dos afetos.
As fotografias amarelecidas recordam
as coisas que vivi
e não dei importância
confinadas agora a pedaços de papel.
Antigos namorados
planos de barcos sem remos ou âncoras
plenitudes de instantes passados.
Vou competindo com o tempo
que passa
avaro.




17.01.2010 - 21h02min

Trama



Talvez as dicas
não precisem das horas
e as explicações tardias
sejam pingos dos 'is' resvalados
d'alguma insana profecia dormida.
Rabiscar telhados
é chover imprevistos.
A ingenuidade é irmã da insensatez
e acomete os poetas bêbados de rimas
sempre que os olhos deixarem de ver
o infortúnio das eras
nas palmas das mãos partidas.
Os versos longos
são frutos de linhas salientes
gás de lágrima
folha na planta do pé.
A cintura da vida
dispensa da castidade o cinto.
Assunto proibido
nas rodas da fortuna
ou nas dos excluídos
tanto faz
é tudo a mesma aberta lacuna.
As unhas esmaltadas
disfarçam o vício
a falta de sono repetida
a inspiração que não se afasta.
Os ocasos são mistérios mal resolvidos
acompanhados de letras opostas
rabiscadas à revelia
por algum cego sem lei.
A complexidade não resgata
nem assalta o ponto negro
na base do aveludado luto
que esconde os figos
e as feridas
abertas em cicatriz.



17.01.2010 - 20h12min
» Dom Quixote, de Vitor Reis »
http://fotolog.terra.com.br/viagensnoolhar

Bailar


Essencialmente é de luz e sombra
meu próximo passo de dança.
Nas pontas dos pés comprometo
a hora e a meia assumida.
Os plurais excessivos
discursaram no palco da vida
e esconderam os tules
e as atitudes pressentidas.
Acidentalmente as sapatilhas
alargam as estradas
e as tábuas do assoalho gasto.
Grandes as esteiras
escorregam nos perigos
e pintam de onças e picassos
as velhas medidas.
A brincadeira de roda e o banho de mangueira
perpetuam a estrela da infância perdida.

Nas pontas dos pés
valsam as luas.
Nostalgia.



17.01.2010 - 17h03min

Honorífico


Arremato a sensação única
de não estar sozinha.
Pesquiso alternativas outras
que levem à ordem seráfica,
das alusões aos lírios.
Um passo depois do outro.
Tranquilamente desperdiçados
os ninhos se misturam
na subida do morro.
Meu estilo é o caos concreto
a dança das cadeiras estáticas
os lados dos cubos espasmódicos
nas reviravoltas dos assoalhos dos mundos.
Conquisto os instrumentos das falas
e falho na aquisição de novas regras.
Sou exemplo de extermínio e sabotagem
no canto da planta do sapato de salto alto
quebrado na última dança. Tango.
Na bainha do dia
torço a expectativa da sala vazia.
Embrulho o papel
deixo pra lá os ajustes
e crio a seleção dos riscos.
Arrasto a prancheta
acomodo os gastos
desgasto as bordas das orelhas.
É meu livro que acumulo aos poucos
no meio das confusões e detalhes fortes.
Desmitifico a invenção da lua
e encontro a trégua
até a próxima jornada.
O encanto seguinte...





17.01.2010 - 15h

sábado, 16 de janeiro de 2010

Inquietude

Onde fica a frente?
Como se 'chega lá'?
Tudo depende de perspectiva?
Se morro um pouco a cada dia
porque deixo pra me arrepender
quando não existe mais possibilidade
dos meus erros consertar?
Ser feliz é o contrário de ser triste?
A memória genética comporta outras vidas?
Outras vidas explicariam minha falta de memória?
O remédio é a fórmula ou o preço da etiqueta?
O perigo mora na procura?
Desistir pode ser escolher outro começo?
Uma grande jornada começa pelo primeiro passo
ou antes do primeiro pensamento?
E se todos fôssemos iguais?
Os gênios entendem o mundo?
Quantos versos são necessários
pra desabafar?
A resposta mora mesmo na pergunta?
.
.
.




16.01.2010 - 02h03min

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Suficiente







Por hoje chega. Vou dormir.



15.01.2010 - 05h46min

Exílio

Sou esse arrepio que correu pela tua espinha quando sentiste tu'alma tremer. 
Sou teu contra 
e o meu favor. 
A tua perdição 
a petição de miséria 
assinada aprovação. 
Sou o termo extinto 
e a vida eterna. 
O côncavo 
e o infinito. 




Eu sou o todo 
e tu, em mim...




15.01.2010 - 05h24min

Concepção

Jogue-me uma semente
deixe uma migalha cair
cuspa-me um 'ai'
e disso farei minha poesia.
Não precisa rebuscar
palavras antigas lidas
n'algum remoto lugar.
Desnecessário criar outra esfera
ou fingir um recomeço.
Inútil pesquisar belezas
nos partos vividos por outrem.
Quero esses teus suores noturnos
a vida que brota de ti agora.
Quero tuas experiências particulares
e as construções que eu vi.
Quero teu sangue e tua alma
pra injetar nesses meus versos
e por eles dizer
que a poesia é fruto da vida
da voz que agora grita
da unha cravada na pele
da divisão perdida.
A poesia é fruto da tua seiva
combinada co'a minha.
Fala.
Reclama.
Pranteia.
São teus olhos
que eu desenho aqui.







15.01.2010 - 04h56min

Crença

Eu acreditava antes de saber 
hoje eu acredito porque 
provei senti toquei fugi e voltei atrás 
acredito pq é real 
inda que não se possa deter. 
Acredito na utopia 
na empatia 
e na alegria. 
Acredito em ti 
em mim 
e no terceiro quarto vazio 
que  
acredito 
transbordará de razões 
pra eu permanecer.


Acredito em tudo o que for bom acreditar.










15.01.2010 - 4h41min
Publicado na Comunidade BOA NOVA, UMA UTOPIA, 
no Orkut, uma de minhas respostas ao tópico 'Eu acredito pq'

Infinita SAUDADE ou Recaída


Não sei que estranha agonia me deu
um ponto no espaço
e lá estava eu.
A saudade é um aperto fundo
que rasga os pontos
derruba os muros
e entrega as forças.
É quase um ente
com vontade própria
e dor infinita.
Os ais, gemidos e manquejos
próprios da fatal doença
acometem de repente
afiadas facas duras
cortantes instrumentos pagãos.

E tu

nem sonhas
nem lembras
nem cogitas
a existência negada
que no feminino peito arde.
Ferida.




15.01.2010 - 03h44min

Esconderijo

Direi do poeta
que ele é um verso maldito
escandalosa rima doída
barulhenta estrofe dita.
Direi que foi paixão e loucura
ou reviravolta de um escrivão fantasma
que devorou a rua
e deliberou a frase sarcástica.
Do poeta direi calúnias
e incentivarei a prova
que incrimina as luvas
as mesmas que jamais foram usadas.
Do poeta cantarei deveras
despedirei as metades caras
dissiparei as brumas.
Direi do poeta a memória
e a calada ciência da vida
sem toldos nem gotas de orvalho
sem anjos ou mãos ressentidas.
Dele colherei as lágrimas
e saquearei o verso descrito
na última estrela mentida
no passo gigante do homem na lua.
Dele direi demências
e denunciarei  a bainha
o lençol revolto
o voo dormido.
Nele disfarçarei meus medos
fobias e empecilhos.
Vestirei meus olhos.
Roubarei meus quilos.
Armarei as rotas.
Conhecerei meus vazios.
No poeta.
Do poeta em mim.







15.01.2010 - 02h37min

Gostar e cuidar

A deixar de proteger os flancos
melhor entregar as armas
e dar-se por vencido.


Se o território te agrada
e se ele a ti prefere
trata de cercar suas entradas
regar-lhe as flores
podar os espinhos.
Se não o fizeres
outro fará.







15.01.2010 - 02h18min