Amasso os papéis
rabiscados de números
de telefones de terceiros
e de limites de horas
de conversação.
Escuto as campainhas
estaladas nos calcanhares
da sombra que me aguarda
nas prateleiras da cozinha
ao lado da geladeira
de ferver solidões.
Todo dia encontro
um pano solto de algodão
nas madeixas de um raio de sol
que se enrosca aos meus olhos
e por instantes cega minha imperfeição.
Sou dever
alinhamento e linho cru
chama de vela extinta
qu'inda alumia
lentamente
essa minha poesia.
09.02.2010 - 20h45min
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Explicação
Tu entendes tudo errado
desse meu lado sombrio.
Quando eu digo sentir frio
não é casaco que eu quero
fogo ou fornalha
quero é que teu braço me alcance
e que esse sol raro
seja apenas e tão somente
tu e eu
sem drama ou súplica
de nenhum lado
naturalmente.
Quero o terço bizantino
do padre Marcelo
pendurado no meu louco ciúme
embebido em água benta
(três vezes te esconjuro!).
Eu quero pão com nata
bolo de milho e MuMu
café quente com leite
e serenata de lua cheia
pra ver estrela cadente
e gosto de chocolate branco.
Tu entendes tudo errado
e eu não canso
de tentar
te explicar...
08.02.2010 - 22h
Libertá
Liberdade é saber
por experiência própria
que o céu não é o limite.
É cavalgar estrelas e
mergulhar espumas,
como se nada além houvesse.
Liberdade é deitar e
levantar sorrindo,
chorar quando as
lágrimas quiserem dizer
ter medo do prazer
aprontar cobertas de nuvens e
decidir escolher
de que lado da lua se pretende viver.
Liberdade
é não dizer palavrão e
inventar coisas que já existem
como se novidades fossem
e vibrar com elas,
surpreso,
criança em dia de Natal.
Liberdade é uma bolha maior que a Terra,
só que essa não esquenta,
nem polui,
nem abriga em si gente normal.
A liberdade é anormal.
08.02.2010 - 21h33min
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Desejo
Eu quero descobrir outros caminhos.
Perambular por olhares.
Invadir espaço alheio.
Assuntar universos outros,
que não o meu.
Do meu ando cansada.
Exausta da mesmice
de ser o centro de nada.
Eu quero voar.
01.02.2010 - 15h32min
Perambular por olhares.
Invadir espaço alheio.
Assuntar universos outros,
que não o meu.
Do meu ando cansada.
Exausta da mesmice
de ser o centro de nada.
Eu quero voar.
01.02.2010 - 15h32min
domingo, 31 de janeiro de 2010
Quem sou eu
Sou um i sem pingo ou
um pingo sem i...
Um rasgo na cortina do tempo ou
um traço no anônimo lamento.
Sou quem fui ou
talvez uma idéia do que serei.
Sou um verbo ambulante ou
a ambulância onde o verbo se perdeu.
Sou farmácia e doença.
Sofrimento e dança.
Mentecapta.
Criança.
Sou poeira e razão.
Companheira e ilusão.
Sou música e mudança.
Impermeável semelhança.
Com o que?
Não sei.
Além de tudo
ainda não me inventei...
31.01.2010 - 23h20min
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Marulho
Longe, imenso Mar
distante som de um 'celo'
canção em DIMenor.
Que versos arrastarão
as ondas do poeta negro?
Suponho
contrapondo Nietzsche...
Suponho
contrapondo Nietzsche...
27.01.2010 - 16h
http://www.youtube.com/watch?v=xJp-8I57WDo
http://www.youtube.com/watch?v=xJp-8I57WDo
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Implícito
Troquei visita com as tuas cruzes
e as faixas penduradas nos teus armários
manchadas de cicatrizes.
Não vi teu riso
extinto há tempos
dessa tua boca surda.
Contei os pontos
dedilhei as cordas
suavemente.
Sem pejo
vasculhei as iras
ironizei as luas
frias
cruas.
Tranquei a visita
num canto do medo.
Intimidei o corte.
Voei.
25.01.2010 - 16h12min
e as faixas penduradas nos teus armários
manchadas de cicatrizes.
Não vi teu riso
extinto há tempos
dessa tua boca surda.
Contei os pontos
dedilhei as cordas
suavemente.
Sem pejo
vasculhei as iras
ironizei as luas
frias
cruas.
Tranquei a visita
num canto do medo.
Intimidei o corte.
Voei.
25.01.2010 - 16h12min
Tombar
O meu amor
é um cabo de guarda-chuvas
virado do avesso
sem préstimo algum
sem data de fabricação
nem nome do proprietário
nem nome do inventor.
nem nome do inventor.
25.01.2010 - 16h04min
Tambor
Fisguei o canto da letra
guardanapo vermelho macio
desperdício ilusório
canção de galo arredio.
Desfiei o valor do salário
na vírgula cansada
no tremor do arrepio.
Não ousei dizer o contrário
nem amparei a nuvem cinza
sobre a frase errante
de doentes bordas virís.
Pisei fundo e vilipendiei
os deuses
os astronautas
os inventores de leis.
Construí o meu mundo
e nele me instalei.
guardanapo vermelho macio
desperdício ilusório
canção de galo arredio.
Desfiei o valor do salário
na vírgula cansada
no tremor do arrepio.
Não ousei dizer o contrário
nem amparei a nuvem cinza
sobre a frase errante
de doentes bordas virís.
Pisei fundo e vilipendiei
os deuses
os astronautas
os inventores de leis.
Construí o meu mundo
e nele me instalei.
Pago meus erros
meus pecados
meus defeitos
todos
sem cuidado
ou alívio
ou saber.
Meu mundo
tem quatro carvalhos
e uma janela
vazia de imensidão.
Escrava falsa
aceito o fado.
Danço na última cratera da lua
no último anel de Saturno
na última estrela que brilhar.
Escrava falsa
'proibido se queixar'...
25.01.2010 - 15h58min
Quem é você?
Pois essa mesma pergunta
ao meu espelho eu fiz
e ele responder não soube.
Ficou todo atrapalhado, o infeliz!
De manhã me disse que eu era uma louca
despenteada
inchada
amassada
e
sem
sal!
À tarde mudou de idéia
inventou-me um brilho tal
de madrasta ou de medéia
de madrasta ou de medéia
que não sei d'onde tirou.
À noite
pra surpresa de quem pergunta
pra surpresa de quem pergunta
sem menos nem mais
chamou-me artista,
que de tudo sou capaz.
No dia seguinte
sem papas na língua
desfiou-se em predicados
que não sei onde encontrou.
Entre os bons
e os menos citáveis
fiquei com o mais provável
embora ainda tão
deficiente
e incompleto
MULHER SEM RIMAS
(assim mesmo
é o que parece...).
(assim mesmo
é o que parece...).
25.01.2010 - 15h20min
Vácuo
Aliança gasta
ocre gosto
castanho suor.
Vibram as farpas
nos perfumes amadeirados
nos finos linhos do Sim.
Sons diluídos na vertigem
malhas de algodão macio
retratos amarelos no jardim.
Se é verdade que tudo passa
porque essa falta não tem fim?
25.01.2010 - 12h50min
Responsório
E se a canção
sem acompanhamento
um canto à capela
for solitária
- a solidão é sempre um começo -
e os sinos dobrarem
sem aviso
ou prévio motivo,
se os quadros
embaralhados
e suspensos nas cercas
estiverem cansados
e previstos ensaios azulados
atenuarem os princípios,
então a manhã abrirá outras portas
outros suspenses
outras palavras
pra gente acreditar de novo
e mais uma vez...
25.01.2010 - 12h05min
sábado, 23 de janeiro de 2010
Desencontro
Nossos tempos são diferentes
os caminhos são outros
os teus, centrados
desconexos, meus.
Meus tropeços não findaram
nem começo tiveram, os teus.
De conquistas minhas, pouco sei
de todo o meu resto, desconheço.
Cheguei muito antes
muito depois te encontrei.
Nossos caminhos
nossos tempos
nossas teimas
nossos experimentos
são outros
diferentes
diversos.
Eu cá dentro, simplesmente.
Tu... não sei...
23.01.2010 - 22h34min
os caminhos são outros
os teus, centrados
desconexos, meus.
Meus tropeços não findaram
nem começo tiveram, os teus.
De conquistas minhas, pouco sei
de todo o meu resto, desconheço.
Cheguei muito antes
muito depois te encontrei.
Nossos caminhos
nossos tempos
nossas teimas
nossos experimentos
são outros
diferentes
diversos.
Eu cá dentro, simplesmente.
Tu... não sei...
23.01.2010 - 22h34min
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
456 anos
Eu amo e temo São Paulo.
É lá que as coisas acontecem.
É lá que nasce todo enredo.
É lá que brotam os orvalhos
e as orvalhadas orgias
de cimento e novidade.
É em São Paulo que brilha
o brilho eterno do começo,
da descoberta,
da saudade.
Também é lá que o sangue
escorre na calçada
e que a saída
pode não ter volta.
É lá que o mal se mistura ao bem
quase em pé de igualdade.
É em Sampa que o bicho pega
e que existe esperança.
É lá que vivem pessoas incríveis,
que levam minha admiração
e minha eterna confiança.
Sampa é viva
é suja
é bonita
e tem todos os ingredientes
que se procura
numa cidade-artista,
é louca,
é livre,
é receptiva
traduzida em versos
prosa
canção
e fotografia.
Sampa é braços abertos.
É dor e alegria.
Eu amo e temo São Paulo...
É lá que as coisas acontecem.
É lá que nasce todo enredo.
É lá que brotam os orvalhos
e as orvalhadas orgias
de cimento e novidade.
É em São Paulo que brilha
o brilho eterno do começo,
da descoberta,
da saudade.
Também é lá que o sangue
escorre na calçada
e que a saída
pode não ter volta.
É lá que o mal se mistura ao bem
quase em pé de igualdade.
É em Sampa que o bicho pega
e que existe esperança.
É lá que vivem pessoas incríveis,
que levam minha admiração
e minha eterna confiança.
Sampa é viva
é suja
é bonita
e tem todos os ingredientes
que se procura
numa cidade-artista,
é louca,
é livre,
é receptiva
traduzida em versos
prosa
canção
e fotografia.
Sampa é braços abertos.
É dor e alegria.
Eu amo e temo São Paulo...
22.01.2010 - 03h03min
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Decisiva
Se for quase,
não aceito.
Menos que tudo,
nem ofereça.
Pra perder,
não tenho tempo...
20.01.2010 - 23h10min
Rogai por nós
A poesia é meu grito
minha reza
meu lamento
desabafo, intrusão.
A poesia é minha máscara
minha estrela
meu perdão.
Meu protesto
minha amplidão.
A poesia é meu reverso
minha medalha
minha moeda
solução.
É meu diário
meu confessionário
meu chavão.
A poesia é minha estrada
minha marca
minha esquisitice
minha pretensão.
Minha vingança
meu rumo triste
meu alimento
minha mais preciosa invenção.
Meu rótulo
minha rótula
minha medicação.
A poesia é meu invólucro
meu intento
minha iluminação.
Minha estrela
meu sarcasmo
minha saciedade
minha salvação.
20.01.2010 - 22h18min
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Fugidio
Avermelha o horizonte
a queda d'água
desperdiça a atitude
e as correntes não prendem
nem ponteiam os acordes
que os canários não cantam.
Desmentir o tempo
é jogar-se em função inválida.
Com ou sem teu consentimento
outro dia se fará.
Melhor outras alternativas criar.
18.01.2010 - 17h39min
Propriedade
O sangue que na veia te corre
sem juras ou descuidos temporários
é teu.
O tanto ou o quanto assumido
com testemunhas ou sem
é vitória ou lamento assistido
depende de quem pretendeu.
Separa os dedos da noite
no frio da ansiedade de então
estranha o sorriso da lua
impõe lágrimas à solidão.
Nada há que se pareça
ao cuidado e tempo gastos
nas palhas das agulhas perdidas
nos terrenos abertos aos passos.
O soro que da veia te escorre
sem ajustes ou desejos
é teu...
Aos 18 minutos do dia 18.01.2010
Término
Bastam minhas fitas
e as fissuras nos joelhos pagãos.
Se enterneço a suposta alegria
cumprimento o contato não tido
o espelho quebrado na escada.
As prendas estão penduradas
nos ganchos de nuvens
dos colares azuis.
Tempestades de fios expostos
e certidões encontradas
n'algum depósito de cinzas
que o vidro esfumaçou.
17.01.2010 - 23h50min
Assinar:
Postagens (Atom)
