sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Confissão (mais uma...)

Confesso minha pequenez diante da infinitude que me cerca. Confesso minha mesquinhez diante da riqueza que me cerca. Confesso meu orgulho de ser eu mesma e de ter chegado até aqui, intacta, embora cheia de cicatrizes diversas. Confesso minha inabalável crença de que existe algo que ninguém, nunca, jamais, conseguirá explicar. Confesso que busco explicações, embora saiba da insuficiência de maior parte delas. Confesso-me eternamente esfomeada, eternamente insone, eternamente esfolada pela vida que amo. Confesso-me apaixonada por essa mesma vida e suas dissonâncias, discordâncias e impertinências todas. Confesso-me viva! 25.01.2008 - 16h08min

Passagem


Os dias vão se somando...

As horas vividas

fazem da gente

o que a gente é...






25.01.2008 - 15h11min

Três

Três dias viraram cinco três circos pegaram fogo três fogos de artifício falharam três dedos de prosa bastaram pra entender que nem sempre três são três ou cinco ou dez. Às vezes, três são só três, outras são vinte, outras são cem... Depende da perspectiva sob a qual o três se vê... Depende da expectativa sob a qual o três se tem... Depende da estatística que diz que três é três e não tem pra mais ninguém... Depende de a quem ou a que esse tal três se refere... Depende... Se os dois acham que três é demais... Imagina trinta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 25.01.2008- 02h25min

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Minha verdade relativa:

...o coração é um bom lugar pra abrigar a loucura... ...e o que é a liberdade, senão uma outra face da loucura? 24.01.2008 - 22h34min

Visão

Brilho do dia sobre o corpo branco do homem que amo... 24.01.2008 - 18h30min

Estrela

Meu poeta é verso leve de luz intermitente e garantida alegria. Sombrero na sala sombra da árvore do jardim da casa. Hora de semear brisa e colher doces beijos. Meu poeta é luz de estrela... Manhã clara depois da noite fria.... 24.01.2008 - 18h29min (Para Roberto)

Ser

Eu sou uma palavra curta engasgada na garganta do poeta. O verso jamais escrito a língua desconhecida a nunca descoberta tradução perfeita. Eu sou acervo e saudade semelhança e rouquidão medo e verdade duvidosa dolorosa ilha cercada de verbos por todos os entes... Meus lados são abraços impacientes são estreitos botões lilases de rosas vermelhas recém-chegadas das profundezas dos claros ocasos. Hoje sou o que não fui antes e o que não serei mais depois. Morro essa noite. Amanheço disposta. Eu sou! 21.01.2008 - 17h13min

Entrelaçar-se

A letra luta na folha vazia. Escorrega entre as linhas, nas entranhas da fala fria. Foge do texto apócrifo, escrito por hipócritas e seus acrósticos rotos de bolhas de orvalho supostamente fresco e emboloradas sombras mortas. Um poema cresce na noite escura enriquece o rito mágico da loucura que não tarda, nem falha: desorienta. Específicas são as esquisitices das horas em que o poeta se vê diante do alpendre e nada mais lhe resta a não ser a letra a mesma letra, paralisada na fala fria, escorregadia, insegura, descoberta... Um poema pula o muro, resgata a alegria no sereno da noite fria. Um poema sem mais nada além do elo que o une à alma deserta do poeta doente... 24.01.2008 - 13h46min

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

S A U D A D E . . .

Presença na ausência Ausência sentida no presente, no passado, no futuro que abençoa o abraço tido que aventura todos os sentidos e te sopra ao ouvido bem baixinho, como quem perdoa: S A U D A D E... 23.01.2008 - 14h24min

Rotina

Tracei meus contornos no lápis preto sobre a branca folha vazia. Trancei meus cabelos no trabalho de sempre, nas ondas do dia. Tracei os meus planos baseada em erros e acertos já gastos. Trancei os meus pés sentada à escrivaninha de sempre. Tranquei no armário a fadiga. Transpus a covardia, o delírio, a insônia. Transfigurei-me.... 23.01.2008 - 22h38min

Subir, subir...

Insistente sonho de Ícaro ir além imaginar interromper os limites todos:
Voar...
23.01.2008 - 22h32min

Energia

Eles estavam ali. Transitavam livres entre os moradores da casa. Eles. Andavam atrás dos rumores das tintas de muitos senhores dos sonhos de mais de mil versos. Eles. Sem pressa, sem confusão, sem desgaste, caminhavam entre as tábuas, ou não. Eram muitos, presentes, ausentes, mas ali. Não usavam disfarces por não serem vistos. Não usavam gestos por não serem lidos. Não suavam enfeites, não eram invadidos. Eles. Entre os moradores da casa. Livres, transitavam eles. Sem disfarces ou versos ou corpos. Eles. Os outros.... 23.01.2008 - 22h11min

Transcendental

Vozes sopram-me versos. Vozes ensinam-me a andar. Vozes poetam pelos meus dedos. Vozes insinuam-se no meu falar. Escrevo vozes. Vozes transpiram de mim. Vozes cantam por mim. Vozes desfazem meus erros. Vozes suspiram em mim. Versejo vozes. Vozes apontam caminhos. Vozes desenham meus traços. Vozes escolhem as linhas. Vozes transcendem espaços. Eu vejo vozes.... 23.01.2008 - 22h04min

Cenas

Os deuses guardavam as chaves das dores, das mortes, da sabedoria. Os anjos andavam sem pressa nas flores, nos beijos, nos sonhos profundos. Espelhos refletiam as labaredas dos fogos de diante dos corpos, por detrás das cortinas. Os sons espalhavam-se intactos cacos de vidro esfumaçado nas vidraças vazias. Os dedos entrelaçavam-se desesperados entre sofridos e exaustos entre confusos e nús. Os sonhos faziam-se verbos sem nexo sem propósito algum definido só o sol que se fazia nascer entre nuvens de um céu de profundo azul... 23.01.2008 - 21h59min

O que importa é a poesia

Bem-vindas todas as canções os versos semi tonantes os suspiros os senões. Bem-vindos os poetas cantores as poetisas, os atores, os embalos, as rimas, os amados que escrevem descrevem subescrevem seus amores. Sejam versos remédios sonhos outros ou afins. O que importa é o encontro que acontece o desencontro que amanhece o reencontro que enriquece... O que importa é a poesia isso sim... 23.01.2008 - 19h11min

69 E S T U L T Í C I A 69

69 beijos e queijos 69 xícaras de café 69 mil quilômetros 69 dias de fé 69 mensagens válidas 69 presenças em pé 69 ventos uivantes 69 poemas saudosos 69 folhas em branco 69 suores insanos... 23.01.2008 - 18h02min

Desabafo

E sou tomada de assalto por uma tempestade de areia, que me impede a visão noturna. Os calafrios, as alegrias, os asfaltos, rangem debaixo dos meus pés, terremotos em dia bravo, guerras intermináveis, sustos insuspeitos, medos inenarráveis. O bebedouro da fonte da saudade é meu companheiro nessa viagem. Soam-me familiares os ais das gentes perdidas nos campos, nas cidades, nos parreirais. Não sou mais eu. Sou uma voz que canta em mim... 23.01.2008 - 14h32min

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Queimadura

Queimou a mão enquanto preparava o almoço da família. A bolha, em forma de coração. 22.01.2008 - 18h19min (Um microconto 'verídico')

Dúvidas

Quem tem a chave do futuro? Onde o significado exato do verbo? Ganha a corrida quem chega antes? Qual é, exatamente, o valor do ouro? Com quantos pratos de feijão se é feliz? Qual é o limite entre a humildade e a arrogância? Corre mais riscos quem se expõe mais? O que vale a pena: viver feliz ou proteger-se da dor? O acerto independe dos erros? As carências são tuas mesmo, ou será mais fácil colocar a culpa nelas? A distância limita ou é uma âncora da covardia? Ver apenas o bom x ruim, o bonito x feio, o certo x errado é mais inteligente ou é mais fácil? Onde o lugar do desejo? Onde nasce o teu dia? Foi Deus quem quis assim ou tuas mãos é que construíram as pontes? Se a ciência é exata, o que dizer da arte? Se a arte é beleza, o que dizer da poesia? Se a poesia é sonho, o que dizer da música? O que é exatidão, beleza e sonho? Quem experimenta, investiga, estuda... enlouquece? Qual o limite entre razão e loucura? Onde a razão absoluta? Quais são os teus vínculos gerais? Contradições ajudam ou atrapalham? O que te leva a fazer essas escolhas, e não outras? Quem decretou que a resposta é mais importante que a pergunta? 22.01.2008 - 13h26min

(A)Normal

Às vezes eu penso que a sanidade mental me ronda com seus olhos muito abertos e sua grande boca redonda.
Às vezes eu tenho certeza que vejo
só o que meus olhos me mostram
e até eu mesma me convenço
de que isso é assombração ou remorso.
Às vezes eu acho e acredito
que algum anjo maluco e esquisito
resolveu me deixar mais alegre ou o quê
por isso declama ao meu ouvido
tragédias e tangos e um certo bem-querer.
A sanidade mental me ronda....
Urge fugir-lhe das afiadas garras....
Evitar a caixa preta de música bizarra....
Que a normalidade esconde...
na última
escarra....
22.01.2008 - 0h51min