sexta-feira, 28 de março de 2008

Ninguém...


Maria Fumaça.

Os trens,

as rés,

os réus,

os poréns

e todos os ninguéns

desse mundo de Deus...




Fumaças...





28.03.2008 - 23h

Trilhos


Andas nos trilhos,

os trilhos andam em ti,

os trilhos andam POR ti

ou, simplesmente,

ignoras os trilhos?






28.03.2008 - 23h21min

Parto

Sair de dentro de mim. Nascer. De preferência em noite de lua cheia ou em dia de torrencial chuva fria; só não pode ser em hora comum, dessas que a gente nem lembra nem vê dessas que o sino da igreja não toca que o despertador não desperta que a gente não salta da cadeira de repente, como se alguma coisa muito importante, estivesse por fazer. Nascer. Abrir com dificuldade os olhos e com cuidado esticar as pernas e os braços numa imensidão incalculada, antes pressentida, jamais apalpada ou plenamente acolhida. Nascer. Descobrir as descobertas todas e os espantos, espasmos e encantos dos novos e dos não tão novos desafios recolhidos nos cantos da vida que se inicia e recomeça a cada novo dia, em cada nova fresta. Nascer em dia de tempestade. Em dia de tormenta, nascer. E ter os azuis olhos de e-tern(a)idade. Dar à luz.... 28.03.2008- 01h31min

quinta-feira, 27 de março de 2008

Estradas


As estradas levam e trazem destinos.

As estradas carregam no lombo

os desejos dos viajantes.

E os sonhos.

E as paradas.

E as alegrias.

As estradas não têm pousada,

não têm anexos,

não têm sossegos.

As estradas somos nós,

em busca do s(f)im...







27.03.2008 - 01h09min

Atrevimento...


Atrevo-me a investir na bolsa de ilusões

nos milhões de senões e de situações

em que os mortais se vêem sem ter

para onde fugir ou como se proteger.

Atrevo-me a explorar os cantos escuros

escusos, inclusos na lista dos destemperos

todos que assombram meu particular país.

Atrevo-me a ser eternamente transgressora

das regras e metas oficiais que afligem

e infligem toda sorte de ordinárias maldades

contra a liberdade, o pensamento e a opinião.

Atrevo-me a ser eu mesma

num mundo mascarado e fútil

que mente e devora essa mesma mentira

como se fosse a semente de um amanhã

mais limpo e mais puro. Impossível!

Atrevo-me a contestar a ordem estabelecida,

a desestabilizar as pedras concretadas

de uma verdade há muito falecida,

a nadar contra a maré e a firmar meu pé

naquilo que considero forte e seguro.




Atrevo-me a pagar o preço.


Atrevo-me a sofrer.


Atrevo-me a sorver o suco da adversidade.





Atrevo-me a sobreviver.

















Aos 41 minutos do dia 27.03.2008
Um novo dia que nasce da escuridão...

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Circo


Hoje o circo enfeitou as ruas

alamedas, edifícios, sorrisos,

provocou exclamações e ternuras

lembranças de uma infância

que vai longe, nas esquinas da vida,

ou alegrias de uma infância

que anda agora, entre outras crianças,

nas praças e escolas e parques

da cidade com gosto de pipoca

e picadeiro divertido.

Hoje o circo coloriu de vida

a minha vida suada de trabalho

e seriedade e compromisso diário.

Hoje o circo me fez subir na mesa

e declamar poesia feito saltimbanco

em dia de estréia de espetáculo.

Hoje o circo despertou, entre suas canções,

palhaçadas, equilíbrios e paixões,

a menina que eu insisto em fazer dormir

mas que ainda mora em mim...




26.03.2008 -19h06min


(Hoje é o dia do circo.
A imagem é de um mini cortejo circense, acontecido
no final desta tarde, nas ruas do centro de minha cidade.
Viva a magia do circo! Viva a criança que vive em nós!)

Canção sem compromisso

Desafino de dar Dó entro por uma nota saio pela culatra. Entre um Lá e um cá encontro um Fá que não deveria estar ali. Quem me ouve, releve que revelo só o que quero o resto, não digo, não conto, não canto, não recito. Acompanhe minhas notas que denotam nostalgia dance, requebre, delire. Que tudo isso, assim, sem compromisso, também é poesia... 26.03.2008 - 10h47min
Endereço certo é coisa complicada tão complicada quanto amor eterno jurado entre quatro paredes descascadas em noite de lua cheia e cama compartilhada. Caminhos sem volta existem aos montes mas dependem, todos eles, do primeiro passo, do momento da escolha, que espreita, ao acaso, entre desejos de loucura e culpas freqüentes. Endereços, amores, complicações, luares, desejos, alucinações, dependências, acasos, loucuras, paixões, tudo acaba sempre em ternura, ainda que essa ternura seja apenas a saudade de alguma coisa que jamais vivi... 26.03.2008 - 01h26min

Bilhete

Esgotei os argumentos. Talvez não valha a pena mesmo. Talvez teu medo é que tenha razão. 26.03.2008 - 01h15min

Do silêncio...

Prova de fogo, o silêncio. O largo e impenetrável silêncio. Fogo devorador das horas reservadas para a troca. Implacável silêncio de peso não calculado; desmedido silêncio que cala o que está por ser dito. Maldito silêncio que abala a estrutura do construído. Silêncio que desmorona o edifício. Poeira. 26.03.2008 - 01h11min

Escuta....

Afunila-se a estrada. A escolta dá a volta. E se cala. 26.03.2008 - 01h01min

terça-feira, 25 de março de 2008

Despedida

Ajusto a saia na subida da escada não caio nem titubeio na decisão as fotos antigas ficam no álbum esquecido dentro do armário igualmente esquecido num canto da sala de estar vazia. Ajeito as malas e as tralhas na porta de saída da casa. As caixas e os depósitos de lembranças amargas e distorcidas pela culpa ficam no divã do analista enriquecido pelas minhas moedas sedentas de ouvinte e de opinião. Estou seca e dura. Pedra pouco preciosa. Sem lágrimas, dobro a esquina do medo e não olho pra trás nem admito arrependimentos. Nada carrego comigo além do desejo de uma liberdade que já tive um dia. Passo pelo espaço frio da falta de companhia. Esse, velho conhecido. Não ando nua. Não mais. Nunca mais. As feridas expostas significam luta e sobrevivência. Doeu, mas estou aqui. As feridas expostas significam cautela agora. E silêncio. Nos primeiros 11 minutos, do dia 26.03.2008

O que será...

Embriago a alma com poesia e música troco as pernas na dança esguia de uma liberdade que desejo e que ainda escorre entre meus dedos água quente pré-filtrada pela areia alheia. O egoísmo é uma forma selvagem de violência doméstica. Infrinjo as regras das boas maneiras. Deito meu corpo cansado nos braços do amigo do peito que me acompanha diuturnamente e que me ama apesar de saber-me bem. Concentro as energias na fervura do sangue nas veias que carregam meus últimos planos na vermelhidão que incendeia meus cachos. Não como, não durmo. Há dias que os dias se sucedem como mantos brancos de pura feitiçaria. Há dias que as noites são turvas e as curvas não escondem os desvios das trilhas que me forçaram seguir. Traço a rota do desvio no desvario das troças que me obrigaram ouvir. Agora é questão de honra e brio. Por enquanto, ainda rondam os palhaços no circo erguido pra despistar percepções. Eu não durmo. Eles haverão de dormir. E então, irei... e será pra sempre.... 25.03.2008 - 21h20min

Coragem

Foges. Te escondes dentro de ti mesmo. Procuro por ti entre as letras lançadas ao vento, colhidas pela folha de papel que eu já conhecia... Foges. Tens medo de qual de nós dois? É de mim, ou de ti que te recolhes? Um vento frio anuncia a chegada do outono e a continuação da tua fuga. Até quando? 25.03.2008 - 01h09min

Inclusão

As diferenças tantas, tamanhas, tacanhas... As diferenças são cantos, arestas, volumes... As diferenças são cordas que nos amarram ao outro, ao invés de nos amarrarem ao poste da indiferença. As diferenças são bem-vindas à minha vida, à tua, aos espaços e planetas que nos circulam. As diferenças nos fazem únicos e permanentes ao mesmo tempo que nos mostram o quanto somos i n t e r d e p e n d e n t e s. Quais são as nossas diferenças? Idade, altura, espaço ocupado na Terra, família, cultura, que outro motivo nos impede de S E R M O S? Que outra razão me impede de te incluir na minha vida? Que outra razão te impede de me incluir na tua vida? 25.03.2008 - 01h03min

segunda-feira, 24 de março de 2008

Pela minha cabeça...

O que me passa pela cabeça não é palavra não é sentença não é delírio, sequer mistério. O que me passa pela cabeça é só um suspiro, um certo pesar um pensar em branco, meio sombreado feito de vinho e profunda solidão. O que me passa pela cabeça não é nada comparado ao que me passa pelas mãos: facas, cordas e estilhaços de vidros, de peles, de algodão... Mas tudo isso é só um suspiro... Nada mais que um breve suspiro... Um suspiro só... 24.03.2008 - 20h28min

o que faz um ponto... III

O universo de cada um é um mistério igualmente diferente um do outro. Diferentemente único. Unicamente esquecido entre os iguais. Destaco as folhas em branco, da agenda vazia de sentidos e opiniões. O alfabeto é minha estrada. O dicionário, meu pai. O caderno, meu fado. O desejo de dizer, meu carrasco. Os pontos, as vírgulas, as reticências, meus irmãos, parentes e amigos. A caneta vazia de tinta minha solidão anunciada.... 24.03.2008 - 01h26min Para Adrebal

o que faz um ponto... II

Será que a alma bate ou é a vida que bate na gente? E se a vida bate na gente porque é que a gente não morre? Batida de vida corrige ou seqüestra a alma? Seqüestro de alma enlouquece ou faz ver mais longe? Ver vale a pena, ou seria melhor não ter olhos? São os olhos ou as palavras que vêem? As palavras, então, têm alma? 24.03.2008 - 01h18min Adrebal sempre me faz pensar...

o que faz um ponto...

um ponto desata um nó ou o nó é o próprio ponto? o ponto é o xis da questão ou o xis é só outro alimento? o alimento é um nó na garganta ou a garganta é o nó da existência? a existência é um nó que dói ou a dor é que é a prova da existência? 24.03.2008 - 01h11min A partir de uma conversa com Adrebal

Da morte...

O brilho da estrela só é visto após a sua morte. Antes disso ela brilha sozinha, na escuridão de um universo inteiro, que pesa sobre ela. 24.03.2008 - 01h09min