quinta-feira, 3 de abril de 2008
Amor menino
E o amor é esse menino travesso
que apronta arruaças e levanta
vôo entre as moças, nas praças
só pra lançar seus dardos avermelhados
nos corações de jovens poetas
que por ali passam, desavisados.
Ah, amor levado e imprevisto, que
vem de mansinho, se acerca do ouvido
e sopra nele versos leves de algodão.
Ah, amor sapeca e bem ligeiro
planta no peito um fiapo faceiro
da mais pura e verdadeira paixão.
E aí é um deus nos acuda
um valha-me ó deus
um salve-se quem puder
porque então nem de reza braba resulta
a cura pra essa loucura do coração...
03.04.2008 - 01h21min
terça-feira, 1 de abril de 2008
Ofício: pastora da alegria
Ensinar: plantar flores
em canteiros floridos.
Ensinar: entender-se pequeno
ante tremenda diversidade
com olhos ávidos que nos espreitam
e nos perguntam sem palavras,
'o que vamos descobrir hoje?'.
Ensinar: crescer junto.
Ensinar: esquecer da gente,
entrar num universo mágico,
r e a l i z a r...
Meu ofício? Pastora da alegria.
01.04.2008-22h59min
*O termo 'pastora da alegria' foi tomado emprestado
de Rubem Alves, admirável educador.
em canteiros floridos.
Ensinar: entender-se pequeno
ante tremenda diversidade
com olhos ávidos que nos espreitam
e nos perguntam sem palavras,
'o que vamos descobrir hoje?'.
Ensinar: crescer junto.
Ensinar: esquecer da gente,
entrar num universo mágico,
r e a l i z a r...
Meu ofício? Pastora da alegria.
01.04.2008-22h59min
*O termo 'pastora da alegria' foi tomado emprestado
de Rubem Alves, admirável educador.
**Imagem: Minha turma do 1º ano do Ensino Fundamental,
em plena atividade de pesquisa. Concentradíssimos!!!!!!!
Desejo
Que estejamos todos
poeticamente prenhes
da beleza traduzida
em versos...
Que seja a dor,
o amor, o horror,
o dia, a noite, a doçura,
amargura, alegria ou lerdeza.
Que seja a saúde,
a doença ou a tempestade,
o sabor adocicado de um beijo
ou o sangue da ferida aberta.
Que seja a risada gostosa
do palhaço ressurgido
ou o regurgito do fel engolido.
Que seja o que tiver de ser.
Em todas as fases as faces
da poesia bendita.
Pra fazer valer essa nossa alma
que não é pequena,
é vida de Pessoa...
01.04.2008 - 02h10min
(E toca o barco pra frente
que tem muita água pra navegar...)
Hoje eu morri (ou Poema da Indiferença)

Dou passos arrastados na areia
A maré removerá todos os vestígios
Arbustos mortos rolam na rebentação
O horizonte respira melancolia
Navios duvidosos vogam em direcção a Ormuz
Pescadores enrolam redes remendadas
Um gato procura abrigar-se da pesada chuva
O chamamento do mulá perde-se nas ondas
Recitando uma oração volátil
Mensagens de submissão incondicional
Cantos para Deus, que não desejo ouvir.
Sou aquele que sempre deu a outra face
Fui mil e uma vezes agredido
E em mil ocasiões tudo perdoei
Educado para dar, sem nada esperar
Nunca neguei um apoio gentil
Jamais regateei uma palavra doce.
Porém, hoje eu morri
A visão do mundo turvou-se
Os sons destilaram-se em silêncio
O sangue esvaiu-se lentamente
Parti sem prantos ou lágrimas
Quando me quis, já não me encontrei.
O meu fantasma acordou agnóstico
Ergueu-se com um sabor de fel na boca
Olhou para inúmeras cicatrizes por sarar
Todavia sentiu-se incapaz de sofrer
Sacudiu a areia dos farrapos que lhe cobriam a alma
Soltou o espartilho dos seus valores
Envergou vestes de imaculado negro
Sorveu uma deliciosa taça de indiferença
Sentiu-se mais vivo que em vida
Já nem todas as faces merecem um sorriso.
M.Daedalus
01.04.2008 - 01h45min
(publicado pelo meu querido amigo poeta DOUGLAS, em
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=42836441&tid=2576314501045743642&na=2&nst=252
A maré removerá todos os vestígios
Arbustos mortos rolam na rebentação
O horizonte respira melancolia
Navios duvidosos vogam em direcção a Ormuz
Pescadores enrolam redes remendadas
Um gato procura abrigar-se da pesada chuva
O chamamento do mulá perde-se nas ondas
Recitando uma oração volátil
Mensagens de submissão incondicional
Cantos para Deus, que não desejo ouvir.
Sou aquele que sempre deu a outra face
Fui mil e uma vezes agredido
E em mil ocasiões tudo perdoei
Educado para dar, sem nada esperar
Nunca neguei um apoio gentil
Jamais regateei uma palavra doce.
Porém, hoje eu morri
A visão do mundo turvou-se
Os sons destilaram-se em silêncio
O sangue esvaiu-se lentamente
Parti sem prantos ou lágrimas
Quando me quis, já não me encontrei.
O meu fantasma acordou agnóstico
Ergueu-se com um sabor de fel na boca
Olhou para inúmeras cicatrizes por sarar
Todavia sentiu-se incapaz de sofrer
Sacudiu a areia dos farrapos que lhe cobriam a alma
Soltou o espartilho dos seus valores
Envergou vestes de imaculado negro
Sorveu uma deliciosa taça de indiferença
Sentiu-se mais vivo que em vida
Já nem todas as faces merecem um sorriso.
M.Daedalus
01.04.2008 - 01h45min
(publicado pelo meu querido amigo poeta DOUGLAS, em
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=42836441&tid=2576314501045743642&na=2&nst=252
Imagem: Remedios Varo)
Mentira!
No dia da mentira
menti pra mim mesma
que tudo tem um fim
que também marca
um recomeço.
No dia da mentira
sorri sem vontade
brinquei à força
forcei a barra
de uma alegria
que não existia.
No dia da mentira
respirei fundo
e enfrentei o mundo
com uma coragem fingida
e supostamente grande.
No dia da mentira
menti descaradamente
sem a menor culpa
ou sensação de engodo.
Enganei sem corar.
Corri contra o tempo
como quem sabe
para onde vai
e o que pretende achar.
No dia da mentira
calei a voz aos gritos
gritei sem voz, atritos
brilhei sem luz nos ritos
que o costume impôs
aos que crêem nos mitos.
No dia da mentira
rasguei a verdade
sem dó nem piedade
pisei nas farpas nos espinhos
nas lições da idade.
No dia da mentira
menti descaradamente
que o coração não sente
o que o peito encerra.
No dia da mentira
desfiz o acordo
e entendi a verdade.
No dia da mentira
acordei do sonho.
Renasci.
01.04.2008 - 01h33min
segunda-feira, 31 de março de 2008
Quem sou eu?
Talvez eu só tenha essa resposta daqui a alguns anos... Ou não...
Penso que sou água, águia,
fogo, ardente ilusão,
sensação permanente
de uma profunda solidão.
Penso que sou a procura
ou o estado letárgico
da completa loucura.
Sou égua solta nos prados
de uma vigília insólita.
Sou corrente que prende
meus pulsos ao passado
recente, indecentemente confuso.
Sou língua e pele e cabelos
vermelhos de pimenta malagueta.
Sou verso e prosa e conto
que ninguém conta
porque até eu duvido
e não divido a lente azul contigo.
Sou curso contido de água furiosa.
Sou alinhavo de espera
enquanto corro sem trégua
para um horizonte
que sempre sai do lugar
e fica mais distante.
Sou alegria e doçura
submissão e ternura
tristeza e desânimo
dor e amargura.
Sou mulher.
31.03.2008 - 19h18min
domingo, 30 de março de 2008
Pintura
Minha alma, que era azul,
ficou cinza.
Alguém aí tem tinta
cor de rosa, pra emprestar?
30.03.2008 - 23h38min
Quintana, o eterno
"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa".
(Mário Quintana)
30.03.20085 - 22h53min
Atentado contra a poesia
" Existem milhões de germes de poesia morrendo dentro dos seres humanos. Serão mortos por não serem devidamente alimentadas com os nutrientes da realidade, da paixão, da esperança, da liberdade, da Verdade.Eles foram aprisionadas pelo homem cotidiano, abandonados à fossa, sem água e sem luz. Deram ao tempo a infeliz missão de buscar arrancar-lhe o suspiro vital. Foram amordaçados e serão destruídos pela suas próprias emanações de emoções e forças instintivas, produzidas naturalmente para serem canalizadas em atividades criativas, enriquecendo-lhes suas existências neste universo de beleza e mistério.Os homens cotidianos são máquinas hipnotizadas pelo dinheiro, sexo e sucesso (sucesso?), sucesso da fama, do infantil desespero pela atenção, não o sucesso da realização da autêntica felicidade que nada mais é que a paz. Assassinarão a graça, e beberão para tentar gargalhar. Assassinarão a sabedoria, e fumarão para tentar pensar. Assassinarão o amor, e se masturbarão para relaxar. Assassinarão a liberdade, a justiça, e vão obedecer a lei do egoísmo, do nepotismo, da convencionada corrupção. Fechar-se-ão para sua característica de colocar-se no lugar do próximo em nome da ambição.Os homens cotidianos estão exterminando o que existe de vida neles, para depois seguirem como zumbis em direção a igrejas, procurando em imagens e no céu o Criador, sem se darem, por nenhum ínfimo segundo, conta que a divindade habitava o seu ser, em forma de liberdade, de criatividade. Sofrerão de lapsos, vultos da alma pura, impotente, derrotada pelo jogo dos sentidos que cuidará de fazer de seus donos mortos-vivos esperando a hora de dormir. "
Shirov Jarzida
*Texto postado por MANUEL, em
30.03.2008 - 20h04min
VIVA.
Ria.
ore.
minta.
ceife.
enfrente.
negue.
busque.
traga.
puxe.
espalhe.
compare.
chore.
entregue.
coma.
ame.
durma.
sonhe.
saque.
assista.
suspenda.
insista.
surpreenda.
alegre.
sofra.
conquiste.
conturbe.
apronte.
aponte.
cubra.
tombe.
trepe.
tampe.
escreva.
risque.
sussurre.
cale.
concentre.
cuspa.
desista.
opere.
compre.
corra.
sorva.
seja.
morra.
30.03.2008 - 17h37min
Partida
Alcei vôo sobre um MAR de possibilidades
uma imensidão de flores e espinhos
misturados a sorrisos e lágrimas
e ausências e presenças repentinas.
Fui embora sem avisar nem olhar as nuvens
ou o frescor dos ventos que vieram do Norte.
Fui embora e não deixei rastros
nem restos de vestes nos espinhos
que insistiram em rasgar-me a pele.
As canções que embalaram os momentos
marcaram a volta das ondas quentes
que empurram meu corpo contra a areia
e lambem os passos marcados no chão.
Apagam o que se foi e não salvam nada.
Nada fica pra trás quando amanhece.
Nenhuma mancha resiste a um beijo doce.
Nenhum beijo é suficiente pra fazer esquecer
que nem tudo foi pintado de azul.
Recuso a aterrissagem nessa terra devastada.
Aguardo o momento propício pra fechar as asas.
E voltar a andar com minhas próprias pernas;
nadar nesse mesmo MAR de possibilidades
que não evaporaram entre os suspiros de dor
dos últimos dias, dos últimos laços, das últimas culpas.
Há flores na praia.
Vou pra lá...
30.03.2008 - 17h26min
(Encontrei uma concha, na beira da praia;
dentro dela, as canções que embalaram
uma alegria há muito esquecida... O MAR...)
O mar
SE
eu não estivesse ali
naquele momento
ou em outro qualquer
SE
eu não tivesse escolha
e a roda dos ventos
soprasse em outra direção
SE
eu os is tivessem os pontos
exatamente postos
uns sobre os outros
e nenhum fosse tão parecido
com um L ou com um
ponto de exclamação ao contrário
SE
eu não fosse quem sou
SE
tu não fosses quem és
nem tivesses representado
o que representaste pra mim
SE
a vida tivesse menos suposições
SE
as estrelas fossem quadradas
ou tivessem realmente as pontas
que insistimos em desenhar nelas
SE
o mundo não fosse redondo
e a gente pudesse chegar ao fim dele
e simplesmente cair fora
SE
não houvessem tantas suposições
e a gente pudesse, de uma hora pra outra
entender os desígnios todos
que nos cercam e que nos circundam
e que nos devoram e que nos derrubam
TALVEZ
eu pudesse deixar de ouvir
o mar...
30.03.2008 - 01h21min
Mea culpa, mea máxima culpa!
Culpada, ofereço meu pescoço à forca
meu corpo ao apedrejamento
minha alma aos tormentos do inferno.
Culpada, pergunto as razões sem respostas
as sombrias fendas abertas no silêncio
que cresceu insolente entre as paredes
de um deserto de promessas improváveis.
Culpada, espero o inevitável castigo terrível
de carregar na minha história a lembrança
do momento exato em que sucumbi.
Culpada, bato no peito e ardo as entranhas
na busca da palavra ainda não inventada
pra substituir aquela que me provoca arrepios
e que irremediavelmente deverá ser pronunciada
por esses meus lábios trêmulos de culpa.
Culpada do maior de todos os pecados...
e não me arrependo...
30.03.2008 - 01h14min
sexta-feira, 28 de março de 2008
Ninguém...
Trilhos
Parto
Sair de dentro de mim.
Nascer.
De preferência em noite de lua cheia
ou em dia de torrencial chuva fria;
só não pode ser em hora comum,
dessas que a gente nem lembra nem vê
dessas que o sino da igreja não toca
que o despertador não desperta
que a gente não salta da cadeira
de repente, como se alguma coisa
muito importante, estivesse por fazer.
Nascer.
Abrir com dificuldade os olhos
e com cuidado esticar as pernas e os braços
numa imensidão incalculada, antes pressentida,
jamais apalpada ou plenamente acolhida.
Nascer.
Descobrir as descobertas todas
e os espantos, espasmos e encantos dos novos
e dos não tão novos desafios recolhidos
nos cantos da vida que se inicia e recomeça
a cada novo dia, em cada nova fresta.
Nascer em dia de tempestade.
Em dia de tormenta, nascer.
E ter os azuis olhos de e-tern(a)idade.
Dar à luz....
28.03.2008- 01h31min
quinta-feira, 27 de março de 2008
Estradas
Atrevimento...

Atrevo-me a investir na bolsa de ilusões
nos milhões de senões e de situações
em que os mortais se vêem sem ter
para onde fugir ou como se proteger.
Atrevo-me a explorar os cantos escuros
escusos, inclusos na lista dos destemperos
todos que assombram meu particular país.
Atrevo-me a ser eternamente transgressora
das regras e metas oficiais que afligem
e infligem toda sorte de ordinárias maldades
contra a liberdade, o pensamento e a opinião.
Atrevo-me a ser eu mesma
num mundo mascarado e fútil
que mente e devora essa mesma mentira
como se fosse a semente de um amanhã
mais limpo e mais puro. Impossível!
Atrevo-me a contestar a ordem estabelecida,
a desestabilizar as pedras concretadas
de uma verdade há muito falecida,
a nadar contra a maré e a firmar meu pé
naquilo que considero forte e seguro.
Atrevo-me a pagar o preço.
Atrevo-me a sofrer.
Atrevo-me a sorver o suco da adversidade.
Atrevo-me a sobreviver.
Aos 41 minutos do dia 27.03.2008
Um novo dia que nasce da escuridão...
quarta-feira, 26 de março de 2008
O Circo
Hoje o circo enfeitou as ruas
alamedas, edifícios, sorrisos,
provocou exclamações e ternuras
lembranças de uma infância
que vai longe, nas esquinas da vida,
ou alegrias de uma infância
que anda agora, entre outras crianças,
nas praças e escolas e parques
da cidade com gosto de pipoca
e picadeiro divertido.
Hoje o circo coloriu de vida
a minha vida suada de trabalho
e seriedade e compromisso diário.
Hoje o circo me fez subir na mesa
e declamar poesia feito saltimbanco
em dia de estréia de espetáculo.
Hoje o circo despertou, entre suas canções,
palhaçadas, equilíbrios e paixões,
a menina que eu insisto em fazer dormir
mas que ainda mora em mim...
26.03.2008 -19h06min
(Hoje é o dia do circo.
A imagem é de um mini cortejo circense, acontecido
no final desta tarde, nas ruas do centro de minha cidade.
Viva a magia do circo! Viva a criança que vive em nós!)
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