segunda-feira, 23 de junho de 2008

O 'X' do cinto

Não sinto o cinto. Se sinto não minto. O instinto desmente o sentir que é sina no badalo do sino que pressente o discernir da mente ausente de si. Ensimesmada retorno à sala e sugo a frase soletrada por ti. A fase de hoje é só um passo no descompasso certeiro do mistério em que eu não soube per-sis-tir. A luz acende o Sul. 22.06.2008 - 23h12min

domingo, 22 de junho de 2008

Nomenclatura

Clausura.
22.06.2008 - 22h

Caminhos

São tantos são claros são escuros; são longos estreitos controversos. São frios calculistas exatos. São monstros são medos são fetos. Caminhos são tortos são mortos são tímidos. Vazios poluídos excêntricos. Caminhos voltam pelos mesmos caminhos vãos. Caminhos são escolhas porteiras abertas ruas sem saída florestas. Caminhos são luas estrelas e serestas. Serenos nas madrugadas. Festas.
Frestas. Caminhos são velas acesas são velhas histórias são frutas diversas. Caminhos são aberturas e chaves-mestras de nomes que não conhecemos mas queremos saber por quê. 22.06.2008 - 22h20min

Eles

Eles têm mais paciência têm mais sabor têm mais consistência. Eles insistem mais acreditam mais vivem mais. Eles apostam mais arriscam mais enfrentam mais. Eles se doam mais se entregam mais se expõem mais. Eles se aventuram se aperfeiçoam se comprometem. Eles, os homens mais jovens. 22.06.2008 - 20h

quinta-feira, 19 de junho de 2008

EU


Signo.
Coração.
Corpo.
Meus.
19.06.2008 - 14h

Revolução

Juntaram-se os loucos e os profetas nas praças das cidades sem lei e o que se viu jamais se disse de ninguém: a poesia a dançar de mãos dadas co'a tortuosa faca de dois gumes; a romper com as barreiras e os umbrais que mantinham em pé as estruturas das pessoas de beleza vazia. A poesia, correndo solta nas bocas das malas pesadas, nas cabeças ocas que se soltaram e viveram a folia como nunca dantes fora permitido. A poesia, a bordar e pintar o dito e o não-dito popular. A poesia, a libertar o povo cansado de tanta heresia, de tanto falar. A poesia, a cantar a liberdade, a sorrir e a escutar o verso que, de fato, finalmente, virá... 19.06.2008 - 0h46min

terça-feira, 17 de junho de 2008

Eu não sou. Por tempo limitado.

Eu sou o nada. Eu sou tudo o que vai além da tua capacidade de percepção. Eu sou o que se esvai nos minutos que não me prendem a ti ou a qualquer outro. Eu sou o esquecimento em pele de mulher nua. Eu sou o que ainda serei e também o que jamais fui nem tenho a menor vontade de. Eu sou o oposto do que procuras o oposto do que precisas o oposto do que anseias tu. Eu sou a esfinge e a pergunta e a solução do enigma. Eu sou o deserto e a metrópole, a multidão e a solidão completa enclausurada em campo aberto. Eu sou tudo o que desejas e o tudo que jamais gostarias de ter. Eu sou a completude e o imediatismo. E sou a eternidade e a dispersão. Eu sou o que não vês o que não tocas o que não sentes tudo o que provocas tudo o que pressentes tudo o que invoca a tua mente irrigada de sangue quente e de fresco orvalho da manhã. Eu sou um sopro breve o ligeiro movimento da cortina o que jamais esquecerás por toda a tua vida. Eu sou o esquecimento e a virtude. O que está por vir e o que morreu há tempos. Eu sou quem desfila diante dos teus olhos desatentos e que perdes na curva do tempo por não teres a devida explicação. Eu sou o que não sei o que alguém procurou em algum lugar do universo. E jamais em tempo algum encontrou... 17.06.2008 - 22h

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A lava... a tua...

No céu sem estrelas
a língua
a tua
no meu céu sem estrelas.
Na curva da pele
a língua
a tua
na curva da polpa.
Nos poros abertos
a língua
a tua
no céu das curvas da polpa
de poros abertos
sou tua.
Suspiros certeiros.
No pico do monte
a lava
a tua
na polpa madura.
Açoite.
16.06.2008 - 01h

domingo, 15 de junho de 2008

Gosto de palavra

Não ponha palavras na minha boca
palavras eu tenho e significantes também.
O que me falta é a tua saliva, o gosto, o rosto,
o sumo, o sentido, o signo.
O que eu quero é justamente o que eu não tenho
de ti.
...
("... mas a gente faz o que a distância permite...")
15.06.2008 - 15h35min

Bobagem

Amor é coisa pra quem está de férias. 15.06.2008 - 13h09min

Contradições

Meu nome é CONTRADIÇÃO. Se choro, repara, que rio em seguida. Se rio, não te enganes, que a graça encontrei no cio de quem nem sequer conheço mas que me pareceu ridiculamente engraçado. Se sou circunspecta, se te pareço concentrada, não espere que eu esteja digerindo todas as informações recebidas. Nada! Devo estar nalgum lugar distante entediada com a forma cansativa como determinadas falas chegam-me aos ouvidos. Se te digo que sou sossegada, duvida. Sou até certo ponto, mas não pague pra ver. Porque posso ter energia que até a bomba atômica ficaria corada. Uma hora quero, na outra não quero nem saber. Se espero quieta num lugar é porque em outro quero estar. Se me agito e me enturmo e atormento é por não ter absolutamente mais nada pra fazer. E por aí vai. Sou a sapiência em pessoa e a mais ignorante de todos os mortais. Sou amável, carinhosa e feliz e estúpida, grosseira e deprimida. Contradições à parte, sou só mais uma mulher que dança nua na praça esperando que o povo peça bis. 15.06.2008 - 12h15min

Velha história

Não tenho palavras novas nem novos dizeres pra falar tudo o que já foi dito em toda espécie de saberes. Sou inexata e equívoca sou intento e alma vazia não tenho pretensão de nada não tenho razão nem falta de espelho fora de foco ou de espera fora de senso. Nada tenho pra contar que já não saibas ou que já não tenhas ouvido. Talvez um jeito diferente nem assim tão bonito que te prenda mais que um pequeno espaço de tempo, um minuto, um milésimo de segundo, talvez. Depois te irás e nem lembrarás que um dia, nalgum lugar na fina e tênue luz do luar eu te contei uma história que já sabias e parti, pra não lembrar... 15.06.2008 - 12h03min

Direito

Uma das coisas de que não abro mão nem por decreto é do direito de fazer da minha poesia o meu grito. Aos 24 minutos do dia 15.06.2008

Esse tal de amor

Porque é que se fazem poemas de amor? Porque é que há declarações de amor? Porque é que as juras de amor se proliferam feito moscas em dias de insuportável calor? Talvez porque o amor seja essa coisa inconstante meio fugidia, meio rebelde, meio metido a menino, que não sossega nem com calmante. Talvez porque esse bichinho impertinente te faça sentir um tantinho assim mais gente. Talvez porque, afinal, tudo na vida passa, inclusive esse amor que as pessoas acreditam que nada mais é que um etecetera e tal... Aos 22 minutos do dia 15.06.2008

sábado, 14 de junho de 2008

Não cantarei

Eu não quero mais cantar o amor amor não é pra ser cantado sequer vivido; amor é noite escura, é pra ser dormido. Eu não quero mais cantar a paixão paixão é pra ficar quieta, muda, perdida num canto qualquer de solidão. Eu não quero mais cantar o riso riso é soluço que de repente escapa da gente e não tem mais como controlar. E falta de controle é um perigo! Vai que a gente não encontra o caminho de volta e não volta nunca mais? Ah, não. Eu não quero mais cantar o amor a paixão o riso. Eu quero cantar... (... mas, sem eles, o que sobra pra cantar?) 14.06.2008 - 21h48min

Vendedora de mentiras

Escoam entre meus dedos os fios de esperança que um dia acreditei eternos eternidade é um ponto obscuro nalgum lugar perdido de mim; um dia sonhei que o mundo era menos duro que o sol pra todos brilhava que a alegria estava ali, o tempo todo, era só tomar posse. Simples assim. Nada. O sol aquece quem tem amigos influentes. A alegria existe pra quem tem maior habilidade de enganar. Pra quem alcança a maior cota de mentiras estipulada no início do mês, entre os fingidos de plantão. Entre meus dedos, o último fio de esperança insiste em se agarrar à pele quente da minha mão. Mas eu não quero. Eu não creio mais. Num sopetão, me livro dele. Pronto. Agora sou igual. 13.06.2008 - 22h17min

Permanência

Inventei minha própria caricatura cortei todos os meus exageros varri as verdades pra debaixo do tapete e ateei fogo à casa inteira - melhor cortar o mal pela raiz -. Depois virei as costas e parti; não guardei migalhas na lembrança nem ais, nem papéis de chocolate vazios. Não comprei briga com a realidade nem paguei pedágio pra ilusão. Fiz plástica nas cicatrizes todas pra não ter vestígio de dores. Arranquei do peito o coração; dói um pouco, mas dor é coisa que dá e passa. Ando vazia desde então. E descobri que essa é a melhor forma de permanecer... 14.06.2008 - 14h

Inspire

Abra bem os braços
e deixe a poesia entrar; seja mote.
14.06.2008 - 02h31min

Expire

viva 14.06.2008 - 02h28min

Sexo: sucção...

... da alma... 14.06.2008 - 0h49min