quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Prefixo...

Desafinamos nessa nossa canção
desafiamos o entendimento?
desentendemos o desafio?
desfiamos a meta primeira?
Talvez só tenhamos desorganizado
a desordenada chama que nos impele
o próximo passo.
O próximo passo. Haverá?
28.08.2008 - 23h

Adeus*

Despedidas são dores. Adeus tem gosto de sal. E o sol se esconde, pra chorar lágrimas quentes, nesse anúncio de primavera descolorida. As flores demoram mais pra abrir e o brilho da vida parece perder um pouco da intensidade. Adeus tem gosto de saudade, tem um quê que não se sabe se é de barro ou perfume suave. Despedidas são cores em tom pastel. Liláses, talvez? Talvez... Ou quase... Mas tudo, subitamente, tem gosto de sal... de sol... de solidão... 28.08.2008 - 14h28min *Comentário para o poema ADEUS, de Ibrahim Zukr

Segundinho

Shhhhhhh... Não diz, não. Encontrar não é a solução. Esconder é precioso. Espreitar a cura pela poesia, pela beleza do teu verso tratado a pão de ló, ou de dó, ré, mi, sei lá... o FÁto só(l) se revela no interesse da busca, não na busca em SI. Canta, poeta, que eu quero ouvir... *Comentário para o poema TIMBRE, do maestro Segundinho 27.08.2008 - 01h21min

Imagem

O poema mais perfeito que já escrevi: ALINA.*
My poem perfect: ALINA
28.08.2008 -14h35min
*Imagem da tarde de hoje

Eterno, enquanto dure

E a duração é eterna se a eternidade for a medida das ternuras que te aguardam. Terno é o aconchego da madrugada. Ternos são teus versos que me assombram e não se despedem deveras.... Que seja eterno, infinito, grandiloquente, o laço que te prende e que te solta enquanto esperas, enquanto pressentes, enquanto destacas a farsa ouvida como verdade: "Que seja eterno, enquanto dure". Pois que dure toda uma eternidade. Nossa mais terna eternidade... 28.08.2008 - 14h15min

Saudosismo*

Dista. Bem dito o que dista distância que não dita distúrbio de ausência. Diz tu dessa tal saudade que saúda a idade que desdiz a crença de que a distância tudo muda de que emudece a confiança de que insandece justo o que dista. Dita a distância nos dedos da saudade... Bem dita saudade que saúda a bonança... 28.08.2008 - 01h20min *Comentário para o texto SAUDOSISMO, de GitanoAndaluz (Valeu, Gitano, obrigada pelo mote... Bjs)

Átilla

Nome de deus grego
riso de bom menino
cultura que desconheço
distância que nem imagino.
Pra que lado fica a Turquia?
Quantos quilômetros pra chegar?
Quantas xícaras de chá até lá?
E a fábrica maquina o laço
da inusitada amizade
nascida nessa tal globalização.
Tu me vês tão louca
'You are crazy'
eu te vejo tão lindo
toda frase é pouca
todo 'evet' vindo.
Have a nice day.
Masaallah!
Kisses for you, my friend!
28.08.2008 - 0h15min

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Decisão

Aboli os saltos altos. Doei meus sapatos. Optei pelo conforto. O próximo passo? As peças íntimas. Depois? Despirei as vestes todas, mudarei para uma colônia naturista. SEREI-a... (Vem comigo?) 26.08.2008 - 16h

De mãos dadas

Desconto a falta do ponto final no texto que jamais escreverei. Essa ruga que me corta a testa há anos colou em mim. Antes que eu me dê conta, uma vírgula tropeçará na linha das horas. E eu já não serei mais eu... Nenhuma oração impede o destino. Imponho minhas escolhas como se as tivesse, de fato. Afasto a mudez da transcendência e reconheço, em certo grau, inda ser menina. Quero colo. Tenho colo pra oferecer. Avalio as conclusões da primeira quarentena e descubro ter alcançado mais do que desejei. As rimas pobres me atraem as miseráveis me apaixonam. Quero todas as escadarias na minha casa degraus pra onde não sei degradês de versos tolos que vertem dos vôos que não fiz. Que jamais farei. Milagre é a minha caneta riscar sabores nessa página manchada de tinta incolor. Acomodo as pernas sobre a cadeira e faço deste o meu mundo, longe dos tapetes persas e dos moribundos marimbondos e suas vespas. Decido que minha trilha sonora diária será essa tua voz de música. Não amasso o pão já amassado da noite; compro drops de hortelã e não chupo nenhum é o teu gosto que eu procuro no barulho das ruas do centro da cidade que borbulha. Poesia é desabafo de paixão. Assombração que persegue a ciência que nos confunde. Não quero verdades inexistentes. Não quero a morte disfarçada de erudição, muito menos de fidelidade fingida. Prefiro um 'nóis vai sê vencedô' enquanto tiro o corpo da roupa e banho a pele despida de pêlos. Sou raíz exposta às intempéries e todas as possibilidades me são prováveis. Ou não... Ou não... 26.08.2008 - 15h02min

Êxito

A sala vazia aguarda um movimento que o ponteiro do relógio trará. Alimento a corda que passa tique-taqueando devagar. Espalho estudos de nada no vácuo escuro. Recuo. Encontro facas pelo caminho e as perguntas não satisfazem as respostas que canso de garimpar mas que não espero descobrir. Experimento uma pitada de sal na ponta da língua do dia. Explico quase tudo o que não entendo e escrevo versos na tentativa frustrada de fuga. Evito. Tenho vontade de capa de chuva e paraglider. Essa minha vitalidade é quase uma afronta à miséria econômica da minha conta bancária negativa. Hesito. Nego minhas vestes poéticas e espreito teus pontos fracos pra ver se te alcanço no alto das tuas dores. Não apago as cores que te continuam conto nos dedos as vezes que não te quis e brinco de amnésia. A mesmice me apavora. As pontas das estrelas circulares alcançam o céu da tua boca e é lá que vou colher meu descanso. 26.08.2008 -14h24min

Identificação

Estendo esteiras nas estreitas vias da minh'alma vazia de estorvos. Uma canção me persegue, implacável embala meus passos na valsa da espera. Diminuo as sombras das árvores dispostas em círculos que ladeiam os prados abertos de raios de luz. Declaro suficiente essa minha poesia para os corpos perdidos na multidão. As madrugadas cobrem-me as carências. Encaro de peito abero as tuas fugas transparentes afirmações desse teu medo-menino que devora as entranhas da coragem que não tens. Dispenso os nomes das coisas teu calor derrete meu gelo e eu não sei o que esperar da tua volta na tua volta quando ela vier. Talvez. Não estanco o fluxo da vida enquanto os clássicos me fazem companhia. Desconheço o que motiva as lágrimas do solitário violeiro, no banco da praça vazia. Mas intuo os meus próprios motivos as razões das alegorias que invento e que disfarçam essa falta que sinto de ti que secam essa minha lágrima que também queria cair... 26.08.2008 - 14h03min

Um bom amor

Um bombom.
Um amor.
Um bom humor.

Quem sabe um Ouro Branco. Nada! Quiçá um Amor Carioca. Amor Gaúcho. Amor Paulista. Amor é sempre amor, seja embrulhado em papel celofane, seja derretido sorvete de fábrica, ou artesanal...

Uni-versal... Um bombom. Um amor. Um bom humor amoroso. Um humor, amoroso e bom. Um bom amor. Um mar de amor. Amar. Ah... o Mar... Ah... o Amor... 26.08.2008 - 01h

Ser e estar

SER é diferente de ESTAR. Evito ESTAR do mesmo jeito, por muito tempo. Prefiro SER sempre, com pequenas variações. Meu SER inunda meus ESTARES.
Agosto/2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sereia

Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
Cantarei mágicos acordes direi de aventuras suaves soprarei maravilhas profanas aos teus pêlos masculinos que roçam e arrastam minhas unhas atravessam a heresia de endeusar-te enlouquecem a primazia de querer-te.
Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
25.08.2008 - 04h

Irmãs

Elas nascem na concepção, quando a idéia do SER não passa ainda de uma promessa vazia. Gêmeas, andam de mãos dadas e talvez um dia descubramos que são idênticas, talvez siamesas, ainda que uma, desde sempre, soe barulhenta, exigente, risonha, agitada, e a outra quieta, fazendo a sua parte sem ser descoberta, silenciosamente. Competência é uma arte... Não se separam nunca. Não são contrárias nem se concordam. Mas são várias. As duas. Apenas as duas: Vida e Morte são elas. 24.08.2008 - 14h

Consolo

Quando um amigo passa por um período difícil, normalmente não encontro palavras de consolo, mas sempre ofereço um abraço ou uma lágrima pra derramar junto. Amigos nem sempre precisam de palavras. Palavras nem sempre precisam de letras. E às vezes são perfeitamente dispensáveis. Mas um abraço sincero pode valer por um Tratado. 24.08.2008 - 15h30min

Dela, a morte

Ninguém sabe o que ela é se é homem, se é mulher, entidade, conceito, monstro. Ninguém a viu de fato e voltou pra relatar, exceto Lázaro e Cristo, que estiveram pelas bandas de lá. Alguns morrem em vida essa, talvez, a morte mais dolorida; extinção do brilho do olhar, escravidão que se escreve no ar na ausência de motivos pra sonhar. Nem rei, nem mendigo errante basta ser humano, pra um dia acabar entre velas, lágrimas e flores, lamentos, dor e saudades de amigos, família e amores (e jamais se volta, pra contar). Alguns juram que há luz no fim do túnel que vem dos queridos, que vêm te encontrar (eu, porém, disso duvido). Para outros há trevas, delírios e martírios gritos medonhos de gargantas mudas. Muitos fantasiam anjos e festa no céu - permanente festa e alegria - pelos que voltam pra lá, depois de nascer um dia. Outros ainda se agarram às Escrituras e crêem num sonho eterno - eterno, até a volta do Messias - (morre-se, então, um pouco, ao dormir, todos os dias...). Mas o mistério continua e nada há que se confirme: se morro de tiro nas ruas, tortura, derrame, vício, distúrbio, alergia, se a vida se esvai de minhas veias da noite para o dia. "Nasce o Sol e não dura mais que um dia"* o fato é esse, incontestável e único: ela vem. E sempre é cedo. Não importa se são meses, não importa se cem anos. É sempre cedo. A gente sempre não queria. Pois ela não nos ronda nem nos cerca. Mora em nós. Alimenta-se dos nossos dias. Não mede forças co'a vida nem dela é inimiga ou antagonista. Apenas protagoniza a pior das horas de todos os que ficam e assistem os que se vão: as despedidas... 24.08.2008 - madrugada*Verso de Gregório de Matos

Signo

O poema que entre meus dedos escorre, me significa... 23.08.2008 - 22h45min

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Anéis

Os anéis dos dedos ou os de Saturno talvez os anais da minha História talvez os anais do meu futuro talvez as angústias anéis anais peremptórias percepções cabais. 22.08.2008 - 15h

Invasão

Invado teu corpo
com fome de força
e
v i r i l i d a d e.
Nasço das tuas palavras das entranhas dos teus verbos i r g l r s r e u a e das entradas das tuas portas reentrâncias de partes dos sabores irrestritos irrigados rompantes de reconhecidos suspiros.
Relativas são as alturas
dos teus motivos todos
tola insegurança
cercada de amares
por todos os teus lados.
Invades meu corpo
de desenhos feitos a mão
nos contornos dos teus pêlos
a
r
r
e
p
i
a
d
o
s
.
Não são bastantes as palavras
que transbordam dos meus olhos
nem suficientes as energias
que transportam os meus óleos
que te inauguram
inundam teus poços
incendeiam teus poros
polarizam teus sensos.
INCENDEIAM-ME
AS HORAS
AS HONRAS
DA CASA
!
22.08.2008 - 14h